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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Portugal. JORNALISTAS JUSTICEIROS!





Este não é um texto polido, até para poder fazer justiça à cartilha que surgiu nos últimos dias para atacar o Diário de Notícias. Regista-se a coincidência de João Miguel Tavares (JMT), no Público, e José Manuel Fernandes (JMF), no Observador, terem deixado passar dez dias para procurar satisfazer os seus leitores. Dois jornalistas que precisam de se afirmar de direita para que faça sentido o populismo em que navegam. Quanto valeriam se não soubéssemos que eles são jornalistas (?) de direita?!

JMT diz que eu e outros no DN criticámos "o Ministério Público pelas suspeitas que deixou no ar ao arquivar o processo" de Dias Loureiro. No meu caso, fiz mais! Ao contrário de JMT, arrisquei ter uma posição sobre a Justiça e digo que "o Estado de Direito está a ser corrompido", apontando o dedo à hierarquia do Ministério Público e ao poder político. E faço-o em coerência com o que sempre disse, ainda não havia Daniel Proença de Carvalho na Global Media, numa altura em que JMT trabalhava comigo na chefia de redação do DN e muito antes até de trabalhar na TSF ou no DN.

JMT ataca o grupo e os órgãos de comunicação social que a ele pertencem (JN, DN e TSF), esquecendo que ele próprio é colaborador há muitos anos da TSF, dizendo livremente o que pensa no programa Governo Sombra, que também está na TVI. Como "taxista malandro", percorre vielas e atravessa pontes para chegar onde quer, cobrando mais na bandeirada. Como se apenas no DN tivesse havido críticas ao Ministério Público. Que interessa que Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva ou Miguel Sousa Tavares tenham feito exatamente o mesmo no Expresso? Não interessa nada, porque deita por terra a teoria mirabolante, e ofensiva para o bom nome de todos os jornalistas que trabalham no DN, de que só critica o Ministério Público quem está contra o combate à corrupção ou ao serviço de Daniel Proença de Carvalho. E o que interessa que Nuno Garoupa, também no DN, tenha escrito, ontem mesmo, um texto em que defende uma versão completamente diferente daquela que é referida pelos jornalistas (?) de direita como sendo um modus operandi dos assalariados da Global Media? Não interessa para nada, porque revela um DN plural onde é possível ser livre a pensar e a escrever.

Depois há JMF que não tem a lisura e a coragem de JMT para chamar "os bois pelo nome" e que faz de conta que fala sobre justiça e Dias Loureiro para poder atacar o DN. Basta dizer que esta espécie de guru do "Tea Party" português não se importa de mentir para atacar companheiros de profissão. No texto dele, escreve que o art.º 277 do Código do Processo Penal diz que há duas formas de arquivar um inquérito, sendo que a segunda é "concluir que os indícios recolhidos não foram suficientes para formular uma acusação, mesmo subsistindo suspeitas fundadas". Agora vejam o que diz o número 2 do art.º 277 e concluam: "O inquérito é igualmente arquivado se não tiver sido possível ao Ministério Público obter indícios suficientes da verificação do crime ou de quem foram os agentes". Onde está escrito o "mesmo subsistindo suspeitas fundadas" que JMF garante estar no Código de Processo Penal? Não está!

Daria um certo gozo ver estes jornalistas justiceiros serem vítimas do que dizem defender, mas podem estar descansados, no DN vamos continuar a bater-nos pela defesa do Estado de Direito e estaremos sempre na linha da frente para fazer jornalismo de acordo com as regras estabelecidas e não em defesa de interesses próprios.


Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

paginaglobal.blogspot.pt

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