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quarta-feira, 19 de abril de 2017

França em corrida contra o tempo para evitar abstenção recorde


Emmanuel Macron, candidato do En Marche!, favorito nas sondagens para a primeira volta, visitou ontem a sede do grupo KRYS em Bazainville
Taxa de abstenção pode atingir níveis recorde. 29% dos eleitores franceses estão ainda indecisos quanto à sua participação na primeira volta das eleições de domingo


"Se votar mudasse alguma coisa, há muito que seria proibido." A frase, do humorista francês Coluche, poderia bem ilustrar o estado de apatia que caracteriza os potenciais abstencionistas. Para evitar que a abstenção bata todos recordes e acabe por ser a grande vencedora da primeira volta das presidenciais francesas no domingo, os candidatos continuam numa corrida contra o tempo.
Segundo uma sondagem divulgada Ifop-Fiducial, que foi realizada entre os dias 14 e 18 junto de uma amostra de 2804 pessoas e foi divulgada ontem à tarde, a taxa de abstenção é de 29%, ou seja, praticamente a mesma da primeira volta das presidenciais de 2002, que atingiu o recorde de 28,4%.
Essas foram as eleições em que o então líder do partido Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, ficou em segundo lugar na primeira volta, à frente do candidato do Partido Socialista, Lionel Jospin, disputando a segunda volta com o candidato da direita Jacques Chirac (que acabou por vencer e permanecer como chefe do Estado até maio de 2007).
    Na primeira volta de domingo, a situação é um pouco semelhante, embora a posição do candidato socialista seja menos favorável. Benoît Hamon surge em quinto lugar com 7,5% das intenções de voto na sondagem realizada para a Paris Match, a CNews e a Sud-Radio. Na primeira e na segunda posição estão Emmanuel Macron e Marine Le Pen, respetivamente com 23,5% e 22,5%.
    O primeiro é ex-ministro da Economia de François Hollande (o presidente cessante socialista) e candidato ao Eliseu pelo movimento independente En Marche! A segunda é eurodeputada e filha e sucessora de Jean-Marie Le Pen na liderança da Frente Nacional, partido de extrema-direita anti-imigração, antieuro, anti-Schengen, anti-UE.
    É de esperar, assim, que Marine, tal como o pai, em 2002, passe à segunda volta das presidenciais. Exceto, claro está, se os indecisos se mobilizarem na reta final e alterarem o que tem vindo a ser expresso nas últimas sondagens. Na terceira posição da sondagem Ifop-Fiducial surge o candidato do partido de direita Os Republicanos, François Fillon, com 19,5% das intenções de voto. E na quarta Jean-Luc Mélenchon, candidato da França Insubmissa, aliança da esquerda radical, com 19% das intenções de voto.
    Face aos níveis de abstenção, o próprio presidente cessante apelou à mobilização dos eleitores. "Não ter motivo de arrependimento no dia seguinte é, em si, o melhor para ir votar", disse François Hollande, que exercerá o direito de voto em Tulle. "Se não têm esperança em algo novo, pelo menos que não tenham motivo de arrependimento. Um voto é uma coisa que tem uma consequência importante para o país", sublinhou o chefe do Estado (que em 2012 venceu Nicolas Sarkozy).
    Segundo a sondagem realizada pelo Ifop-Fiducial, entre os abstencionistas há mais eleitores mulheres do que homens. Se no geral a taxa de abstenção é de 29%, entre os eleitores com menos de 35 anos é da ordem dos 35%. E de 27% entre os que têm idade igual ou superior a 35 anos.


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