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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Entre a magia e a dúvida metódica. Parece certo que existiu uma Sociedade Lusa de Negócios (belo nome), detentora de um banco, o BPN

Carlos Matos Gomes

Entre a magia e a dúvida metódica. Parece certo que existiu uma Sociedade Lusa de Negócios (belo nome), detentora de um banco, o BPN, e de várias sociedades associadas. A SLN e o BPN tinham conselhos de administração e mais órgãos típicos das sociedades, quase todos constituídos por ex-membros de governos e políticos conhecidos. Quase todos estes administradores e ex-políticos, segundo se sabe, sem grande património pessoal. Até se gabaram, quando foi conveniente, das suas origens modestas. A SLN e o BPN movimentaram milhares de milhões de euros. Surgiram notícias de bancos virtuais em Cabo Verde, negócios mirabolantes nas Caraíbas, terrenos, hospitais, e o mais que se falou. O BPN estoirou, derreteu, torrou qualquer coisa como 5, 6, 8 mil milhões de euros. O Estado, através dos seus contribuintes pagou esta gestão, que se revelou ruinosa e desconfiou que era criminosa.
Ao fim de anos de investigação, o Estado, através do seu ministério público, chegou à conclusão que o dinheiro desapareceu e com ele os valores associados. Mas não há responsáveis. Os administradores e os membros dos órgãos sociais da SLN e do BPN não são responsáveis pelo que aconteceu nas empresas de que se faziam pagar como administradores, julgava-se. Acresce ainda ser público que estes membros dos órgãos sociais da SLN e do BPN estão, depois do estoiro do BPN, muito bem de vida. Administraram-se pessoalmente muito bem e muito mal a sociedade.
A dúvida metódica sobre o “caso BPN” e dos seus administradores começa por ser de origem da física, ou da natureza. O dinheiro e os valores do BPN ter-se-ão evaporado e reorganizado numa nuvem que os fez chover – como se fossem peixes sugados do mar – nas contas dos seus antigos administradores? Os valores ter-se-ão escoado por fendas abertas no fundo de um lago interior e surgido sob a forma de fonte de águas vivas nas contas dos seus antigos administradores?
A dúvida sobre o arquivamento das acusações aos administradores do BPN não é quanto à presunção da sua inocência, é sobre a natureza da justiça. Não sendo os códigos manuais de ciências da natureza, serão livros de magia, com um truque do género: Um grupo de pobres ex-políticos entra em palco com uma cartola e um balão vazio. Enchem-no até estoirar, deixando pelo chão e sobre os espectadores farrapos e destroços. Cai a cortina dos mistérios e os ex-pobres políticos surgem à boca de cena gordos como nababos, de cartola e smoking, a fumar charutos, rodeados de belas mulheres.
O público, estupefacto, vê o compère do circo cumprimentá-los e dar-lhes os parabéns pelo êxito do espectáculo!

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