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sexta-feira, 7 de abril de 2017

"Ao nosso tolo líder: não ataque a Síria", disse Trump em 2013


Presidente dos Estados Unidos criticou várias vezes um possível ataque à Síria durante mandato de Obama


A decisão dos Estados Unidos de atacarem a Síria durante esta madrugada mostra como o presidente Donald Trump mudou de opinião sobre como lidar com este país e os seus conflitos internos. Durante a administração de Barack Obama, Trump foi um ávido crítico de uma possível operação militar contra o regime de Bashar al-Assad, classificando-a várias vezes como um erro e o antigo presidente como "tolo".
Os Estados Unidos lançaram esta madrugada (hora de Lisboa) um ataque com mísseis à Síria, visando alvos militares do governo sírio, do qual terão resultado, pelo menos, quatro mortos - foram seis, segundo o exército sírio. O ataque, que envolveu o lançamento de pelo menos 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk, aconteceu dias depois de um ataque químico que matou mais de 70 pessoas na Síria.
Na quarta-feira, Donald Trump afirmou que a Síria "ultrapassou várias linhas", numa alusão à "linha vermelha" fixada pelo antecessor Barack Obama em caso de utilização de armas químicas. O ataque provocou "uma grande alteração da minha atitude em relação à Síria e a Assad", continuou o presidente.
Esta mudança de atitude torna-se clara quando se recordam algumas das declarações de Donald Trump sobre a Síria no passado, como fez a CNN.
"Mais uma vez, ao nosso tolo líder, não ataque a Síria - se o fizerem muitas coisas más vão acontecer e os EUA não vão ganhar nada com essa luta", escreveu o atual presidente a 5 de setembro de 2013 no Twitter.
AGAIN, TO OUR VERY FOOLISH LEADER, DO NOT ATTACK SYRIA - IF YOU DO MANY VERY BAD THINGS WILL HAPPEN & FROM THAT FIGHT THE U.S. GETS NOTHING!
    "Presidente Obama, não ataque a Síria. Não há nenhum lado positivo e um tremendo lado negativo. Guardem o 'pó' para outro (e mais importante) dia", escreveu Trump dois dias depois, a 7 de setembro de 2013. Nesta publicação, pó parece ser uma referência a pólvora.
    President Obama, do not attack Syria. There is no upside and tremendous downside. Save your "powder" for another (and more important) day!
      Outras publicações no Twitter mostram que Trump acreditava que, caso os Estados Unidos insistissem em atacar o país de Assad, deveriam "apanhá-los de surpresa" e não divulgar os planos nos meios de comunicação "como idiotas".
      "Eu não entraria na Síria mas mas se entrasse seria de surpresa e não espalharia tudo nos media como idiotas", escreveu o presidente a 29 de agosto de 2013.
      "Se vamos continuar a ser estúpidos e entrar na Síria (olhem para a Rússia), como dizem nos filmes, disparem primeiro e falem depois", publicou no mesmo dia.
      "Deixem a Liga Árabe lidar com a Síria. Porque não estão estes países árabes ricos a pagar-nos pelos tremendos custos de um ataque destes?", escreveu Trump minutos depois.
      @walaa_3ssaf No, dopey, I would not go into Syria, but if I did it would be by surprise and not blurted all over the media like fools.
        If we are going to continue to be stupid and go into Syria (watch Russia), as they say in the movies, SHOOT FIRST AND TALK LATER!
          Let the Arab League take care of Syria. Why are these rich Arab countries not paying us for the tremendous cost of such an attack?
            É de realçar que na altura em que Trump emitiu estas opiniões o presidente não tinha acesso às informações confidenciais que agora tem.
            Na reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU desta semana, a embaixadora dos EUA já tinha dado a entender que o país estava pronto para agir sem o apoio das Nações Unidas.
            "Quantas crianças têm de morrer para que a Rússia se importe? Quando a ONU falha frequentemente o seu dever de agir coletivamente, há alturas em que os Estados têm de agir sós", disse Nikki Haley, mostrando fotografias das vítimas do ataque químico de terça-feira.
            Apesar de Trump defender no passado um ataque surpresa, os EUA garantiram que a Rússia, principal aliada da Síria, foi avisada antes do ataque para evitar que militares russos fossem atingidos.
            Moscovo condena a ação, que considera ilegal e sem fundamentos "a partir de um pretexto encenado", já que não havia provas de que o ataque químico tivesse sido ordenado por Assad.



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