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terça-feira, 18 de abril de 2017

A POLÍCIA OBRIGOU ESTE HOMEM A CONFESSAR TRÊS CRIMES QUE NÃO COMETEU

Um dia de abril de 1964, a polícia abordou George Whitmore em uma rua do Brooklyn, na cidade americana de Nova Iorque. George era um afro-americano tímido de 19 anos que nunca teve problemas com a lei. Naquele momento errado e no local equivocado, estava apenas esperando alguns amigos que iam levá-lo ao trabalho. A polícia disse que precisavam de sua ajuda para resolver um crime, e o levaram à delegacia. Mais tarde a polícia divulgou a notícia que George havia assumido a autoria de vários crimes.

A história de como a polícia obrigou um homem a confessar três crimes que não cometeu
George sendo apresentado como criminoso.
O jovem confessou que tinha violado uma mulher do bairro e também admitiu ser o culpado do crime mais famoso de Nova Iorque naquela época: o assassinato das "Career Girls", Janice Wylie e Emily Hoffert. No entanto, George não tinha cometido nenhum destes crimes. Só queria ira para casa.
O crime
A história de como a polícia obrigou um homem a confessar três crimes que não cometeu
As Career Girls.
Janice e Emily eram duas mulheres que foram a Nova Iorque com o objetivo de começar suas carreiras profissionais (esta foi a razão pela qual o caso ficou conhecido como "Career Girls"), e dividiam um apartamento.

A primeira, Janice, era uma loira de uma família rica e poderosa que trabalhava na sede da revista Newsweek. Era sofisticada e gostava de sair. Ainda que trabalhasse para uma revista e vinha de uma família de escritores, seu objetivo era ser atriz.

Emily, sua colega, era todo o contrário. Nascida em Minnesota, Emily era uma morena tímida que trabalhava no mundo acadêmico. Acabara de se formar com méritos em literatura inglesa e russa e estava a ponto de começar sua carreira como professora em Nova Iorque.

Em 28 de agosto de 1963 o mundo estava de olho na manifestação de Martin Luther King Jr em Washington. Na Newsweek, onde Janice trabalhava, estavam especialmente ocupados informando sobre o que estava acontecendo em Washington. Quando ela não se apresentou no trabalho esse dia, ligaram e ela não respondeu.

Mais tarde, os colegas de Janice se inteirariam de que Janice e Emily tinham sido assassinadas em seu apartamento em Manhattan. Seus corpos encontraram-se em um dos quartos amarrados com tiras de um lençol. Foram apunhaladas várias vezes e estavam cobertas de sangue. Ademais, o responsável tinha violado Janice.
A falsa acusação
A história de como a polícia obrigou um homem a confessar três crimes que não cometeu
George com sua mãe após sua libertação.
O assassinato deixou impressão na cidade, afetando especialmente às mulheres. Janice e Emily viviam sozinhas e suas mortes criaram a impressão de que as cidades não eram seguras para as mulheres. Em um livro publicado em 1964 intitulado, "Career Girl, Watch Your Step", o pai de Janice, Max, tinha uma mensagem para as mulheres.

- "Ainda que você se sinta cômoda em sua comunidade, nunca se atreva a sentir-se segura. Você deve sentir-se ameaçada. Está sob ameaça. Nunca está segura", escreveu Max Wylie.

Atribuíram um monte de detetives para investigar o caso, mas não conseguiram avançar até que prenderam George meses depois para interrogar sobre outros crimes sem relação a "Career Girls". Ao prendê-lo, a polícia encontrou uma foto de uma mulher branca em sua carteira. Identificaram a mulher na foto como Janice Wylie e determinaram que George agora era um suspeito no caso.

George foi interrogado durante horas pela polícia. Durante o interrogatório, mentiram e manipularam o rapaz. Ao final, convenceram-lhe para que assinasse uma confissão onde admitia ter matado Janice e Emily, ter violado uma outra mulher chamada Elba Borrero e ter matado uma terceira Minnie Edmunds. Em 25 de abril de 1964, a seguinte notícia estampava as capas do jornais:

- "O comissário de polícia declarou hoje que um negro de 19 anos confessou ter matado Janice Wylie e Emily Hoffert em seu apartamento no East Side no passado 28 de agosto."
O verdadeiro assassino
A história de como a polícia obrigou um homem a confessar três crimes que não cometeu
O verdadeiro assassino, Ricky Robles.
George não tinha cometido nenhum dos crimes que confessou. O jovem, que nunca tinha terminado o segundo graus, declararia mais tarde que quando assinou a confissão não sabia o que era. Disse que o fez porque queria acabar com o interrogatório e ir embora para casa.

As provas demonstravam sua inocência. Ele estava em New Jersey no dia em que as "Career Girls" foram assassinadas. Ademais, George afirmou que podia dar à polícia vários nomes de pessoas que tinham estado com ele esse dia. Mesmo assim foi imputado pelo assassinato das moças duas vezes e também julgado pelos outros crimes que confessou.

No ano de 1965, a polícia tinha evidências de que George não tinha assassinado a Janice e Emily. A foto que encontraram em sua carteira resultou ser de outra garota. Em realidade, após investigações descobriram que o crime foi cometido Richard "Ricky" Robles, um ladrãozinho do Bronx viciado em heroína. Ricky tinha entrado no apartamento das garotas naquela dia para roubar quando se encontrou com Janice e a violou.

Quando ele estava indo embora, ela lhe disse que se lembraria de sua cara e que descreveria tim-tim por tim-tim à polícia. Foi nesse momento quando Ricky as matou.
O impacto hoje
A história de como a polícia obrigou um homem a confessar três crimes que não cometeu
George com os advogados que o auxiliaram a processar a cidade.
George foi preso e solto muitas vezes pelos crimes que confessou até 1973, quando foram retiradas todas as acusações contra ele. Ele processou a cidade de Nova Iorque pela falsa acusação e foi indemnizado com 500 mil dólares.

Em 1966, a corte Suprema dos Estados Unidos citou o caso de George como um exemplo da pressão policial e estabeleceu os direitos que assistem às pessoas sob suspeita criminosa. Entre eles está o direito a permanecer em silêncio e a consultar um advogado. Hoje em dia consideram que o caso de George teve um papel importante nesta decisão.
Fonte: NY Post.


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