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domingo, 2 de abril de 2017

70 anos de Bela Mandil: a força da juventude não se apaga


«Dando asas aos sonhos da juventude», assim se intitula a exposição inspirada na jornada de Bela Mandil contra o fascismo, patente ao público na Biblioteca Municipal de Olhão.
Alvo da repressão fascista, o Festival da Juventude realizado em Bela-Mandil tinha um carácter legal
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Alvo da repressão fascista, o Festival da Juventude realizado em Bela-Mandil tinha um carácter legalCréditos/ Duarte Infante
Integrado na Semana da Juventude, promovida pelo Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil, entre 21 e 28 de Março, o Festival da Juventude de Bela Mandil, no concelho de Olhão, realizado a 23 de Março de 1947, representa uma «jornada de grande significado na luta da juventude contra o fascismo e pela liberdade que, apesar de fortemente reprimida, deixou sementes que haveriam de florir com a Revolução de Abril».
A caracterização é da iniciativa do PCP, promotor da exposição inaugurada no passado dia 23 na Biblioteca Municipal de Olhão, e responsável pela concepção e desenvolvimento do MUD Juvenil, fundado em Abril de 1946, com o objectivo de alargar a luta de resistência e a unidade antifascista.
Cartaz da Semana da Juventude de 1947
Cerca de mil participantes, maioritariamente algarvios, participaram no festival cujo programa, pleno de palestras, canções, recitais de poesia e danças, haveria de ser interrompido por um forte contingente policial (PSP, PIDE e GNR), que por sua vez intimou a organização e todos os participantes a abandonarem o local. Em protesto, os jovens cantaram o hino nacional, que haveria de ser também proibido, e foram alvo de agressões pelos polícias durante a escolta.
A exposição tem como objectivo alertar os mais jovens para os reflexos da ditadura de Oliveira Salazar para os trabalhadores e o povo. A brutal repressão contra os jovens e o movimento operário marcou a identidade do fascismo português, materializada na eliminação de todas as liberdades democráticas, na proibição dos sindicatos livres e na instauração da censura, recorrendo a um violento aparelho repressivo.
Um regime assente na tortura, em assassinatos e na condenação à «morte lenta», em campos como o do Tarrafal, em Cabo Verde.

A consciência democrática que nasce com o MUD

O MUD Juvenil consubstancia a criação de uma forte consciência democrática e anti-fascista no período do pós-guerra. Desenvolve desde a sua criação um intenso trabalho de organização do qual surgem numerosos homens e mulheres que haveriam de se destacar no combate antifascista e anticolonialista, com a democracia na mira.
Depois de Bela Mandil, organiza a participação de jovens portugueses nos festivais mundiais da juventude nos anos de 1951, 1953, 1955 e 1957. Em 1956, o movimento é alvo de nova acção repressiva. São presos mais de uma centena de dirigentes e apoiantes, 50 dos quais haveriam de ser levados a julgamento em Tribunal Plenário. Um ano mais tarde, novo golpe para o MUD Juvenil: mais de vinte elementos são condenados a penas de prisão.
O movimento acabaria por ser ilegalmente extinto em 20 de Junho de 1957 por acórdão do Tribunal Criminal Plenário do Porto. O que não o impediu, porém, de prosseguir o desenvolvimento da sua actividade, designadamente no movimento estudantil de Lisboa.


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