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terça-feira, 4 de abril de 2017

04 de Abril de 1968: Martin Luther King é assassinado


No dia 4 de Abril de 1968 Martin Luther King, o pastor negro norte-americano, é assassinado por James Earl Ray, em Memphis, Tennessee. O apóstolo da não-violência sonhava com uma sociedade racialmente igualitária na qual a minoria afro-descendente estaria plenamente integrada. A sua luta pelos direitos civis, as manifestações em marchas pacíficas, como a de 25 de Agosto de 1963 em Washington que reuniu 250 mil pessoas, despertou a consciência do país para uma participação enfática na instauração de uma sociedade mais justa. A sua acção valeu-lhe o prémio Nobel da Paz de 1964. 

Pouco depois das 6 horas da tarde de quatro de Abril de 1968, Martin Luther King  foi ferido mortalmente por uma arma de fogo quando se encontrava no 2º andar do Lorraine Motel em Memphis. O líder dos direitos civis estava na cidade para apoiar a greve dos trabalhadores dos serviços sanitários e ia jantar quando um projéctil o atingiu no queixo e rompeu a sua medula espinal. King foi declarado morto logo depois da sua chegada a um hospital local. Tinha 39 anos. 
  
Nos meses que antecederam o seu assassinato, Martin Luther passou a ficar crescentemente preocupado com a desigualdade económica nos Estados Unidos. Organizou a Campanha do Povo Pobre para enfrentar a questão, inclusive uma marcha inter-racial de gente pobre em Washington e em Março de 1968 viajou para Memphis. No dia 28 de Março, uma marcha de protesto de trabalhadores liderada por King terminou em violência e com a morte de um adolescente negro. King deixou a cidade mas prometeu voltar no início de Abril para comandar outra manifestação. 
  
Em 3 de Abril, de volta a Memphis, King pronunciou o que seria o seu derradeiro sermão, declarando: "Tivemos algumas dificuldades dias atrás. Porém nada importa para mim agora porque estive no alto da montanha... E Ele permitiu que eu subisse a montanha. Olhei ao redor e avistei a Terra Prometida. Não irei até lá com vocês. Mas quero que esta noite saibam que nós, como povo, chegaremos à terra prometida." 
  
No dia seguinte, King é assassinado por um franco-atirador. Assim que a notícia se espalhou, a população saiu às ruas em várias cidades do país. A Guarda Nacional foi deslocada para Memphis e Washington. Em 9 de Abril, King foi enterrado na sua cidade natal de Atlanta, Geórgia. Dezenas de milhares de pessoas alinharam-se nas ruas para ver passar o ataúde colocado sobre uma simples carroça rural puxada por dois burros para prestar-lhe o último tributo. 
  
Na noite do homicídio de King uma Remington cal.30-06 foi encontrada no passeio ao lado de uma  pensão a um quarteirão do Lorraine Motel. Durante os meses subsequentes de investigação, a arma e os relatos de testemunhas oculares apontavam para um único suspeito: um foragido da prisão James Earl Ray. Criminoso comum, Ray havia fugido de uma prisão no Missouri em Abril de 1967 onde cumpria sentença por assalto. Em Maio de 1968, começou uma intensa perseguição a Ray. Finalmente o FBI constatou que ele havia obtido um passaporte canadense sob falsa identidade. 
  
Em 8 de Junho, investigadores da Scotland Yard prenderam Ray no aeroporto de Londres. Tentava voar para a Bélgica com o objectivo – mais tarde admitido – de chegar à Rodésia. À altura, a Rodésia era governada por um governo de minoria branca, opressor e internacionalmente condenado. Extraditado para os Estados Unidos, declarou-se culpado ante um juiz de Memphis em Março de 1969 para assim evitar a cadeira eléctrica. Foi sentenciado a 99 anos de prisão. 
  
Três dias depois, tentou retirar a sua declaração de culpa, afirmando ser inocente. Alegou ser vítima de uma conspiração. Afirmou que em 1967, um sujeito misterioso chamado "Raoul" o recrutou para servir uma empresa de tráfico de armas. No dia do assassinato, deu-se conta que seria o bode expiatório da morte de King, resolvendo fugir para o Canada. O pedido de Ray foi negado bem como dezenas de petições de novo julgamento ao longo dos 29 anos seguintes. 
  
Durante os anos 1990, a esposa e os filhos de Martin Luther King falaram publicamente em defesa das suas afirmações, considerando-o  inocente e especulando acerca de conspiração para cometer assassinato envolvendo o governo e os militares dos Estados Unidos. As autoridades norte-americanas, na mente dos conspiradores, estavam circunstancialmente implicadas. O director do FBI, J. Edgar Hoover estava obcecado com King, quem, imaginava ele, estava sob influência comunista. Nos últimos seis anos da sua vida, King esteve sob constante escuta telefónica e assédio por parte do FBI.
Ao longo dos anos, o crime foi por diversas vezes reexaminado e chegou-se sempre às mesmas conclusões: James Earl Ray matou Martin Luther King. Um comité nomeado pelo Congresso reconheceu que podia ter havido uma conspiração mas não havia provas para sustentar a tese. Sobrepondo-se às provas contra ele – impressões digitais na arma e a sua estadia na  pensão na noite de 4 de Abril, Ray tinha uma razão definitiva para assassinar King: ódio racial. Ray morreu em 1998. 

Fontes: Opera Mundi
Martin Luther King. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia(Imagens)


Ficheiro:Martin Luther King - March on Washington.jpg



Martin Luther King Jr. profere o seu famoso discurso "Eu tenho um sonho" em março de 1963 frente ao Memorial Lincoln em Washington, durante a chamada "marcha pelo emprego e pela liberdade"

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