Os partidos da direita, perante a incapacidade de fazerem oposição à maioria parlamentar, parecem agora estar empenhados em fazer oposição um ao outro. A entrevista de Assunção Cristas despertou severas críticas por parte de alguns dirigentes do PSD que apontam à líder do CDS falta de “sentido de Estado e responsabilidade”.
Esta reação surge na sequência da afirmação ao Público da ex-ministra do Ambiente que os assuntos da banca não tinham sido discutidos nos Conselhos de Ministros. Acrescentou Assunção Cristas que o decreto-lei da resolução do Banco Espírito Santo teria sido aprovado enquanto estava de férias: «de férias e à distância e sem conhecer os dossiers, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: “Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK.”»
Assunção Cristas pretendeu imputar os problemas da banca ao PSD e a Passos mas acabou a braços com acusações de leviandade e irresponsabilidade. Segundo o vice-presidente do PSD-Lisboa, as declarações da atual líder do CDS mostram “uma leviandade tremenda, ter assinado de cruz uma resolução que prejudicou imensas famílias”. Ninguém pode confiar numa pessoa “que assine de cruz”, conclui o dirigente do PSD.
Entretanto também Passos Coelho veio hoje avisar delicadamente a sua ex-ministra que fazia melhor em estar calada. Questionado sobre a entrevista de Cristas, o líder do PSD afirmou que há matérias “onde por vezes o silêncio é o melhor conselheiro”.

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