domingo, 19 de março de 2017

SÃO COMO ENGUIAS, NINGUÉM SABE NADA, ESTAVAM, ESTÃO, TODOS CONIVENTES - Sócrates? "Não detectei qualquer comportamento que violasse as normas"

O ex-Presidente diz que, no caso das operações com a PT, se limita a descrever o que é público e o que Sócrates lhe dizia. E não detectou "qualquer" comportamento indevido. Cavaco não quer falar sobre os nomes que chumbou para PGR.


Relata no livro que José Sócrates lhe pediu para suspender o inquérito parlamentar sobre o caso PT/TVI. Não considera este pedido claramente punha em causa o regular funcionamento das instituições?


Está no livro a resposta que eu dei.

Diz que é "uma ideia absurda", mas por que não o denunciou publicamente?


Sempre optei por respeitar dois princípios fundamentais na interacção com o Governo. Um é a discrição, porque sem discrição eu não conseguia obter os resultados que considerava necessários para defender os superiores interesses nacionais. A segunda era a de me apresentar nas reuniões bem fundamentado e conhecedor dos assuntos. Um PR tem de ter cuidado nas declarações que faz em público. E num caso desses... Eu tinha comentado uma notícia que tinha aparecido de que a PT ia comprar uma participação forte na TVI. E depois foi feito um inquérito sobre essa matéria. O primeiro-ministro pensou que, estando a correr o inquérito sobre a PT no Parlamento, ela sentia-se mais frágil para defender os interesses estratégicos nacionais. (...). Não creio que um PR alguma vez tenha tomado uma decisão com base no regular funcionamento das instituições. Olhe que o dr. Jorge Sampaio não tomou. Contrariamente ao que alguns dizem, não demitiu o primeiro-ministro. Nunca nenhum PR evocou demitir o Governo para assegurar o regular funcionamento das instituições. Porquê? Porque como dizem todos os constitucionalistas, é impossível de justificar.

Sobre a compra da Oi pela PT escreve também que o primeiro-ministro lhe disse que “o Governo brasileiro teria desempenhado um papel relevante nesse processo.”

Em relação à PT o primeiro-ministro foi correcto a informar-me, informou-me, eu não escrevi nada que não fosse do conhecimento público e que não fosse aquilo que o primeiro-ministro me contou.

Por coincidência, esta entrevista acabou por ser marcada para a semana em que o ex-primeiro-ministro José Sócrates foi ouvido pela terceira vez no processo em que está indiciado. Algum dos casos por que passa o livro surgem nesse processo. Vê razões para que o Ministério Público leia este seu livro? Se o Ministério Público o chamar a depor, está disponível para colaborar nessa investigação?


Olhe eu considero essa pergunta absurda, desculpe que lhe diga. Eu já tive ocasião de dizer uma vez na televisão que em nenhuma reunião com o primeiro-ministro alguma vez detectei qualquer comportamento que violasse as normas.

Não é isso que estou perguntar. É se por acaso fosse chamado.


Como digo, o meu livro não trata dessas matérias, é um livro que trata da minha prestação de contas, daquilo que se passou comigo durante um certo período que está muito bem definido e que está muito bem registado.

Não vou insistir na pergunta, mas o tempo em que era PR e José Sócrates era primeiro-ministro é precisamente o tempo sobre o qual estão a incidir as investigações.


É um absurdo. Também tenho no livro um capítulo sobre a escolha do procurador-geral da República - e também tenho lá a referência que não colocava ao PGR assuntos sob investigação criminal. Respeito muito as competências.

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