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quarta-feira, 22 de março de 2017

POEMA DO GATO CINZENTO E PRETO




estavam os poetas as poetisas
arregaçadas as mangas, desabotoadas as camisas
escrevendo, lendo, poesia
bebiam café já cansados da noite
rompendo vinha o dia
e nada mais os preocupava
a não ser, a quadra, o soneto
ninguém repara nos olhos ansiosos
do rabo que abanava
do bicharoco, o gato cinzento e preto
que de fome miando reclamava
um qualquer bocado, alimento
um dos poetas declamava
e com mãos de mímica acompanhava
o poema proibido dos pecados da carne
e no estômago do bicho a fome arde
e ouvindo a prosa
de carne apetitosa
se lambe e a sua língua
nos bigodes goza
num repente salta para a mesa com ousadia
devorando tudo
os sonetos, as quadras, as sextilhas
atados em laços com fitas em forma de canudo
pois de barriga vazia
por muito boa que seja a poesia
a prosa, a rima, não faz maravilhas
e mesmo miando
o levaram como mudo


António Garrochinho

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