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domingo, 5 de março de 2017

OS SACOS DE PLÁSTICOS E A POLUIÇÃO

Ultimamente tem-se vindo a falar do plástico, mais especificamente, do tão conhecido saco de plástico que se utiliza nos supermercados e no comércio em geral, porque o governo decidiu taxar a utilização deste produto.
Provavelmente esta pode ser uma das formas de tentar diminuir o consumo e utilização de algo que é extremamente prejudicial para a nossa saúde e do planeta.
Não vamos analisar a medida, queremos apenas deixar presente de que é fundamental diminuir drasticamente a utilização do plástico. Não estamos só a falar dos sacos de supermercado, mas de todo o plástico que é utilizado nas mais diversas situações e produtos.
Em Portugal só nas caixas dos supermercados circularam em 2015 perto de 19 milhões de sacos ano.
Segundo a comunidade europeia a utilização média do saco em Portugal é de 466 sacos por habitante ano, uma das mais elevadas da Europa.

Mas o que é o plástico

Grande parte do plástico fabricado no mundo advém do petróleo. A partir do processo de refinação do petróleo são extraídos vários produtos, entre eles: diesel, gasolina, solventes, lubrificantes, gás natural, parafina e nafta. A nafta petroquímica é decomposta por um processo denominado craqueamento, gerando eteno, propeno e aromáticos. Essas substâncias são utilizadas para a produção de resinas que, por sua vez, são a matéria-prima para a fabricação de produtos plásticos. Em resumo, de 3 a 5% de cada barril de petróleo extraído é utilizado para produzir plásticos.

Problemas do plástico

Material utilizado em escala mundial, o plástico é responsável por 90% da poluição nos oceanos do mundo e 10% de todo o desperdício gerado pelo homem.
O plástico leva séculos para decompor-se quando descartado sem critério no meio ambiente, já que é constituído por longas cadeias moleculares de difícil degradação. Sacos plásticos, quando incorretamente descartados e não reciclados, causam inconvenientes. Podem entupir redes de águas pluviais e de esgoto causando enchentes, além de poluir rios e mares, matar animais marinhos por sufocamento, sujar as vias públicas, entre outros problemas.
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Como não se degrada facilmente no meio ambiente – leva séculos para se decompor, polui o solo e, principalmente os oceanos, formando verdadeiros entulhos na natureza. Nos mares, a massa plástica dificulta a troca de oxigénio da atmosfera com a água, o que causa a morte dos animais que também morrem ao consumir pedaços de plástico, por engano.
Uma enorme capa tóxica de plástico cobre os oceanos. Dezenas de pelicanos estranhamente mortos com isqueiros, soldadinhos de plástico e outros fragmentos do mesmo material no estômago. Baleias azuis e uma misteriosa síndrome que as deixa famintas.
A poluição das águas por plásticos é uma ameaça à biodiversidade marinha e à vida humana.
A equipa de investigadores da Plastic Ocean Foundation, organização ambientalista do Reino Unido, visitou mares de todo o mundo, mergulhou com baleias, investigou as profundezas e deparou-se com situações extremas de contaminação, sempre acompanhando de perto o trabalho de pesquisadores que conduzem estudos de ponta sobre o tema. Para a bióloga marinha Jo Ruxton, realizadora e produtora do filme, é preciso sensibilizar o mundo para o problema do plástico e incentivar o desenvolvimento de novas estratégias para enfrentá-lo.
Sacos, garrafas e embalagens de plástico descartável. Para onde vai tudo isso?
Segundo a WWF e o Greenpeace, fabricou-se, na última década, mais plástico do que em todo o século 20 – das cerca de 300 milhões de toneladas produzidas por ano, metade é descartada após um único uso, mas pode permanecer na natureza por mais de 400 anos. “Todo o plástico produzido nos últimos 60 anos continua no ambiente. Deitamos fora sem nos preocupar, mas está voltando para nós”, afirma John Craig, diretor do documentário.
Muito desse lixo plástico acaba em rios e mares, onde pode afundar e contaminar o fundo dos oceanos ou ficar em suspensão, quebrando-se em pequenas partículas após anos de exposição no ambiente. “Percebemos que a existência de um grande aglomerado de lixo no meio do oceano é um mito; o que existe é uma sopa tóxica, mais perigosa e menos visível, logo abaixo da superfície das águas”, avalia Ruxton.
A base da cadeia alimentar
Misturado com o plâncton, conjunto de plantas e animais microscópicos que formam a base da cadeia alimentar marinha, o plástico é ingerido por pequenos animais e contamina a biodiversidade do mar de forma progressiva e cumulativa, colocando em risco também a saúde humana. Afinal, os peixes são fontes de proteínas na dieta de boa parte do mundo.
Os plásticos possuem toxinas relacionadas com diversas doenças, como cancro, diabetes e disfunções autoimunes. “Além disso, ajudam a concentrar outras substâncias tóxicas, provenientes de efluentes industriais, por exemplo”, conta a bióloga. “A água de diversos locais onde estivemos apresentou grande concentração de plástico associado a essas toxinas.” Para Ruxton, apesar de os cientistas ainda discutirem a escala da crise, parece claro que todos os oceanos já são vítimas da poluição plástica.
O homem é claro, não é o único ameaçado. A equipa acompanhou as pesquisas sobre a quantidade de lixo plástico consumida pelos animais marinhos. Chamou à atenção a sua possível relação com o chamado skinny whale syndrome, mal que afeta populações de baleia azul, maior animal do mundo, encontradas misteriosamente famintas.

VÍDEO
Segundo o PNUMA, Programa Ambiental das Nações Unidas, 90% de todos os detritos dos oceanos são compostos por plástico. Além disso, existem 46.000 fragmentos de plástico em cada 2,5 quilómetros quadrados da superfície destes ambientes, sendo a maioria oriunda de terra firme, e 27% constituídos de sacos de supermercado. Para acrescentar, estudos comprovam que para cada quilo de algas marinhas e plâncton encontrado nos oceanos, há pelo menos seis quilos de plástico. Considerando estes organismos como os principais responsáveis pela oxigenação do planeta e alimentação de cadeias alimentares, não é nada otimista perceber os problemas que o plástico tem causado.
A vida animal também é bastante afetada, não sendo difícil encontrar relatos de animais mortos por asfixia ou lesões internas provocadas pela ingestão destes e outros polímeros. Segundo o PNUMA, este material é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos. Sabendo que muitos animais marinhos fazem parte da alimentação humana, vale a pena saber que estamos ingerindo quantidades significativas de toxinas.
Uma pesquisa recentemente publicada no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”) descobriu que até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo plástico, causando preocupação com os efeitos sobre a vida marinha.
“As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em fragmentos menores, devido à radiação solar. Estes pequenos pedaços de plástico, conhecidos como microplásticos, podem durar centenas de anos e foram detetados em 88% da superfície oceânica analisada durante a Expedição Malaspina 2010″, disse o diretor da pesquisa, Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.
Aliás, você sabia que muitos mariscos usam fragmentos de plástico para construírem suas casas?

VÍDEO

Sacos descartáveis podem ser reciclados?

Teoricamente sim. O chamado “plástico filme” dos sacos de supermercado pode ser aglomerado em fardos e encaminhado para uma máquina aglutinadora que vai aquecer o material e triturá-lo até que se torne uma farinha. Depois, mistura-se água para fazer a aglutinação, que consiste em aumentar a densidade do material e deixá-lo na forma de grãos que serão fundidos novamente e transformados em tiras, como se fosse espaguete. O próximo passo é mais um resfriamento com água e o corte em grãos consistentes, conhecidos como “pellets”, matéria-prima para novos produtos de plástico. Na prática, a reciclagem de sacos descartáveis é complicada. Por serem leves é preciso juntar imensas quantidades de sacos para que o reaproveitamento seja viável economicamente. Outro empecilho é o alto grau de sujidade e contaminação, quando retirados dos caixotes de lixo e aterros sanitários. É necessário que passem por processos de lavagem para que possam transformar-se em matéria-prima novamente.

Plástico Verde

Já existem sacos e embalagens de produtos disponíveis no mercado como o chamado plástico verde. Esse plástico é feito a partir da cana-de-açúcar, que é uma matéria-prima renovável, ao contrário do petróleo, o que é uma vantagem. Porém, ele não é biodegradável, isto é, não se decompõe. Assim como o plástico comum feito a partir do petróleo, o plástico verde vai continuar a causar problemas nas cidades e na natureza como o entupimento e a morte de animais que consomem fragmentos de plástico. Além disso, o plástico verde é mais caro que o comum.

Plástico Oxibiodegradável

Esse tipo de plástico, já oferecido em alguns países, contém na sua formulação um aditivo acelerador do seu processo de degradação. De acordo com os fabricantes, ele decompõe-se em 18 a 24 meses. Porém, não há consenso na comunidade científica de que isso ocorra. Além disso, o plástico oxibiodegradável não pode passar pela reciclagem mecânica, o método mais comum em todo o mundo. Assim como o plástico verde e o biodegradável, é mais caro que o plástico comum.

Plástico Biodegradável (Compostável)

Muitos supermercados, principalmente no Brasil, estão a vender nas caixas os sacos plásticos biodegradáveis, feitos a partir do milho. Segundo os fabricantes, a decomposição leva cerca de seis meses. Para que isso aconteça, entretanto, é preciso que o material seja encaminhado para unidades de compostagem. O preço do plástico biodegradável também é mais elevado que o do plástico comum.

22 Factos sobre a poluição do plástico

1. Somente na área de Los Angeles, 10 toneladas de fragmentos de plástico, como sacos, canudos e garrafas PET, são levados diariamente para o Oceano Pacífico.
2. Ao longo dos últimos dez anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado.
3. Metade do plástico que usamos, só o utilizamos uma vez e deitamos fora.
4. A quantidade de plástico deitado fora durante todo o ano é suficiente para dar a volta ao mundo quatro vezes.
5. Atualmente só reciclamos 5% do plástico que usamos.
6. Um americano deita fora cerca de 84 kg de plástico por ano.
7. O plástico representa 10% de todo o desperdício que o homem gera.
8. A produção de plástico utiliza cerca de 8% da produção de petróleo do mundo.
9. Os Estados Unidos deitam fora anualmente 35 mil milhões de garrafas plásticas de água.
10. O plástico no oceano divide-se em pedaços tão pequenos que uma garrafa PET de um litro pode-se espalhar por todas as praias do mundo.
11. Anualmente, 500 mil milhões de sacos plásticos são usados em todo o mundo. Mais de um milhão são utilizados a cada minuto.
12. 46% dos plásticos flutuam e podem vaguear durante anos nos oceanos antes de se desintegrarem.
13. O plástico demora mais de 100 anos para se desintegrar.
14. 80% da poluição dos mares pelo plástico é oriunda da terra firme, mas foi levada aos oceanos por fatores como a chuva, por exemplo.
15. A Grande Ilha de Lixo do Pacífico está localizada na costa da Califórnia e é o maior amontoado de lixo no oceano do mundo. Essa massa flutuante de plástico é duas vezes maior que o tamanho do estado americano do Texas.
16. Plástico constitui cerca de 90% de todo o lixo que flutua na superfície dos oceanos.
17. Um milhão de aves marinhas e cem mil mamíferos marinhos morrem anualmente por conta da poluição de plástico nos oceanos.
18. 44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% dos cetáceos, todas as espécies de tartarugas marinhas e uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentadas com plástico ou em torno de seus corpos.
19. Em amostras recolhidas no Lago Erie, nos EUA, 85% das partículas de plástico encontradas eram menores do que dois décimos de uma polegada.
20. Todos os pedaços de plástico já produzido ainda existem de alguma forma (com exceção da pequena quantidade incinerada).
21. Produtos químicos do plástico podem ser absorvidos pelo corpo humano. 93% dos norte-americanos com idades a partir de seis anos testaram positivo para BPA (um produto químico do plástico).
22. Alguns dos compostos encontrados no plástico foram acusados de efetuar alterações nos sistema endócrino.

10 Maneiras de ajudar no combate à poluição

1. Reutilize sacos de compras e garrafas PET. Sacos de pano e garrafas de metal ou vidro reutilizável são opções importantes. Ande sempre com sacos no carro em quantidade suficiente para quando vai às compras no supermercado não ter de comprar sacos.
2. Quando for às lojas fazer compras recuse-se a aceitar ou a comprar sacos de plástico. Eles que disponibilizem sacos de papel ou então não faz a compra.
3. Reduza a quantidade de plástico que você usa no seu dia-a-dia, evitando utilizar sacos e garrafas plásticas, substituindo-as por garrafas térmicas, por exemplo. Não utilize talheres, copos e pratos descartáveis.
4. Leve sua caneca pessoal para o café nos restaurantes e padarias. Essa é uma ótima maneira de reduzir o uso de tampas e copos de plástico.
5. Não há necessidade de você comprar CDs e DVDs com caixas de plástico quando você pode adquirir suas músicas e vídeos online.
6. Procure alternativas biodegradáveis para os itens de plástico que você usa.
7. Recicle. Se você precisa usar plástico, tente escolher # 1 (PETE) ou # 2 (HDPE), que são os plásticos mais fáceis de serem reciclados.
8. Seja voluntário em ações de limpeza de locais como praias e matas.
9. Suporte a proibição de sacos plásticos.
10. Converse com sua família e amigos sobre porque é importante reduzir a utilização do plástico e os impactos desagradáveis de sua poluição.

Compete a cada um de nós tomar ação nas nossas mãos. Faça a Diferença!


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