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sexta-feira, 3 de março de 2017

Guerras frias - Mudanças climáticas no passado motivaram conflitos pela escassez de recursos, mostra estudo


As mudanças climáticas escasseiam a produção agrícola, provocam conflitos por recursos naturais e levam ao declínio populacional. O cenário lhe soa como uma previsão dos impactos do aquecimento global? Na verdade, esta foi a conclusão de um estudo histórico sobre como as variações do clima global afetaram a incidência de guerras ao longo dos últimos séculos. 

A pesquisa buscou identificar uma associação entre as variações no clima do planeta entre os anos 1400 e 1900 e as flutuações no tamanho da população e na freqüência com que ocorriam conflitos, sobretudo na Europa, na Ásia e nas regiões áridas do hemisfério Norte. Os resultados, publicados no fim de novembro na revista PNAS, sugerem que a ocorrência de guerras e a diminuição da população podem de fato ter sido influenciadas pelos ciclos de temperatura do planeta. 

A sutileza é que, nos últimos séculos, a ocorrência de conflitos aumentou nos períodos em que o clima do planeta se resfriou, motivando a redução da produção agrícola. Mas o aquecimento global recente pode ter o mesmo impacto, segundo os autores do estudo. “O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirma que o aumento de temperatura pode ter efeito sobre a produção agrícola igual ou similar ao provocado pela queda de temperatura, como ocorreu no passado”, conta à CH On-line Peter Brecke, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA) e co-autor do estudo. 

Segundo ele, os resultados oferecem um panorama do que nos aguarda caso não sejam tomadas medidas de mitigação das mudanças climáticas. “A menos que os países tenham um excedente na capacidade de produção ou a possibilidade de pagar por alimentos importados, é provável que aumente a probabilidade de ocorrer um conflito violento”, avalia o pesquisador. 

Pequena Idade do Gelo 
O quadro representa a vitória do rei sueco Gustavo Adolfo na Batalha de Breitenfeld, travada em 1631 durante a Guerra de Trinta Anos, conflito de origem religiosa ocorrido na Europa entre 1618 e 1648. Essa foi uma das inúmeras guerras que assolaram aquele continente no século 17. O estudo sugere que as mudanças climáticas estão por trás dos ciclos de guerra e paz verificados na Europa nos últimos séculos, embora não possa explicar a causa de guerras individuais.
O período estudado no estudo foi caracterizado pela ocorrência da chamada Pequena Idade do Gelo, em que a temperatura média no hemisfério Norte foi menor do que a verificada durante a Idade Média. A ocorrência de ciclos na temperatura global entre os anos de 1400 e 1900 ocasionou perdas na produção agrícola e a escassez de alimentos. As conclusões do estudo indicam que, em uma época de poucos recursos tecnológicos e sanitários, essa escassez aumentou a probabilidade de ocorrência de conflitos, fome e epidemias, que motivaram por sua vez o declínio populacional. 

A relação entre os padrões cíclicos de ocorrência de guerras e as variações de temperatura ficou clara quando os pesquisadores compararam os séculos mais frios do intervalo considerado e o mais ameno, o 18. Durante os períodos mais gelados, o número de conflitos no mundo foi 1,93 vezes maior do que no século de temperatura mais branda. Se a Europa for considerada isoladamente, a ocorrência de guerras foi 2,24 vezes mais freqüente nos períodos mais frios. 

O estudo analisou de perto os casos da Europa e da China, para os quais há registros históricos detalhados de fatores como o tamanho populacional, a produção agrícola e o preço de alimentos ao longo dos séculos considerados. Nesse período, ambas tinham juntas aproximadamente 60% da população mundial. Nos dois casos, os ciclos de guerra e paz puderam ser notados de forma mais nítida durante a chamada Grande Crise do Século 17, quando houve uma forte redução na produção agrícola e o preço do trigo disparou no mercado, o que fez aumentar a incidência de guerras no período. 

"É improvável que seja acidental a coincidência entre os múltiplos ciclos de guerra e paz e os episódios de declínio populacional em várias escalas temporais", avaliam os autores no artigo publicado na PNAS. "Os casos da Europa e da China ilustram que a ligação entre a variação da temperatura, os ciclos de guerras e o declínio populacional tem origem em grande parte nas mudanças climáticas." 

Resta agora esperar que o passado não se repita. "Vivemos agora a fase climática mais quente dos últimos dois milênios, um extremo climático como o século 17 na Pequena Idade do Gelo, que foi o período mais frio dos últimos dois milênios", comparam os pesquisadores. "O impacto direto mais importante do resfriamento do clima foi sobre a produção agrícola", lembram eles. "A maior parte da população atual continua a depender da agricultura em pequena escala, que permanece tão vulnerável às flutuações climáticas quanto estava no período histórico contemplado no estudo."  

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