segunda-feira, 20 de março de 2017

Cronologia política de um naufrágio - A tempestade





Era uma vez um pai que com os seus três filhos e um barco viviam da faina do mar. Pescadores generosos vendiam quanto pescavam a preço justo às gentes da sua amada vila, o que muito inquietava os armadores ricos e açambarcadores.

Sabendo que esta seria a última viagem sob o mando do velho pai, ficaram os filhos na expectativa de quem iria assumir o lugar de futuro mestre.
Enquanto o mais novo, hábil pescador, se dedicava impávido à faina das redes, um dos irmãos mais velhos resolveu avariar o leme para depois o reparar, caindo assim nas boas graças do pai. Com o mesmo fito, o outro irmão avariou a máquina para também depois a aprontar, constando assim que só graças a ele poderiam regressar sãos e salvos ao porto.
Mas as forças da natureza são imprevisíveis, levantando-se uma tempestade medonha que não deu oportunidade a que cada um dos dois irmãos conseguisse reparar o mal feito, acabando o barco por se afundar.
Do pai e dos dois irmãos manobreiros consta terem-se salvo, dando à ilha do esquecimento onde se diz ainda permanecerem.
O irmão mais novo, recorrendo de todas as forças, chegou ao porto, exausto, mas salvo.
Triste com a perda, está agora a construir uma nova embarcação para mais tarde regressar ao mar e continuar a pescar para as suas gentes.
Contentes ficaram os armadores oportunistas, agora donos e senhores da pesca, podendo em conluio vender o peixe ao preço que quiserem a quem dele não pode prescindir.


Texto de Eduardo Ferreira

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