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sábado, 25 de março de 2017

Catarina Martins diz que trabalhadores das pedreiras devem ser equiparados aos mineiros nas reformas



Dirigente dos bloquistas justifica equiparação com natureza dos riscos.


A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu esta sexta-feira, em Penafiel, que os trabalhadores das pedreiras sejam equiparados aos mineiros, para efeito de antecipação da idade da reforma sem penalizações.
"Quem trabalha numa pedreira deve ser equiparado a um mineiro, está certo, por causa dos riscos que corre para a sua saúde", afirmou.
Falando para dezenas de trabalhadores do setor reunidos em Peroselo, uma das freguesias da região dos granitos com maior número de pedreiras, a dirigente bloquista considerou que aquela profissão deve ser considerada de desgaste rápido.
Catarina Martins prometeu empenho BE nesta questão no parlamento e junto do Governo e exortou os trabalhadores do setor a subscreverem a petição pública que está a ser preparada e que reclama a antecipação da reforma para quem já tiver 40 anos de descontos para a Segurança Social. A petição já foi subscrita por mais de 3.000 trabalhadores do setor.
Acompanhada pelo deputado José Soeiro, a dirigente ouviu vários trabalhadores queixarem-se do desgaste rápido a que são sujeitos nas pedreiras da região, um tipo de trabalho que, alertaram, provoca várias doenças do foro respiratório, na audição e na coluna, entre outras.
Vários pedreiros na sala disseram ter pouco mais de 50 anos de idade, outros até menos, e já enfrentarem problemas graves de saúde, nomeadamente de silicose, uma das situações mais comuns naqueles profissionais.
Outros alegaram ter mais de 40 anos de descontos, por terem começado na profissão com 12 ou 14 anos de idade. No entanto, devido às doenças que contraíram têm cada vez mais dificuldade em trabalhar, não podendo, porém, parar por estarem ainda longe da idade de reforma.
Os trabalhadores também se queixaram das dificuldades que têm na realização de exames médicos, que dizem demorar demasiado tempo.
Catarina Martins recordou que está a ser negociada na concertação social a proposta do Governo que permite aos trabalhadores com 60 anos de idade e 48 anos de descontos a reforma sem penalizações.
A dirigente considerou que os 48 anos de descontos obrigatórios do novo regime avançado pelo Governo devia diminuir para 46, porque muitos profissionais, como no caso dos pedreiros, no princípio da década de 70 do século passado, começaram a trabalhar com 12 anos ou até com menos, mas só puderam fazer descontos a partir dos 14, como era obrigatório na época.
"Nós não queremos uma solução para as reformas que seja para quase ninguém ou para uma minoria. Nós achamos que é preciso respeitar a geração que foi mais sacrificada neste país, a geração que não teve direito a ser criança e teve de começar a trabalhar", afirmou.
A coordenadora do BE defendeu, por outro lado, que no caso específico dos pedreiros os serviços de saúde pública deviam proceder ao levantamento da situação concreta do setor e melhorar o atendimento, nomeadamente o tempo de resposta às situações de doença profissional que a maioria apresenta.
Catarina Martins mostrou-se também empenhada em trabalhar para que seja melhorada a fiscalização das condições de trabalho por parte do Estado, nomeadamente na utilização de equipamento de proteção dos trabalhadores.


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