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sábado, 18 de março de 2017

A Sandra, a Cáritas, as "massas" e o jornalismo de investigação



Só para ouvir o responsável máximo das finanças da Igreja dizer o que disse já valeu a pena ter a Sandra "feito" VEJA VÍDEO ABAIXO. Sublinho, do muito dito, duas afirmações: uma, a tranquilizadora, é que a Cáritas não coloca o pecúlio arrecadado em off-shores, pelo que se poderá considerar que a Igreja não se inclui no rol das entidades que lá meteram milhares de milhões; a outra, revela uma Igreja ingénua, possui uma fé tremenda na banca. Pelo meio fica aquela ideia de que os carenciados, por hábitos acumulados de necessidades, podem perfeitamente esperar (até indefinidamente) que o dinheiro renda, na presunção de que rende.

Contudo, não é exactamente isso da tal nega, enquanto podia, que me faz e trazer à liça o programa da Sandra. Nem sequer se trata de tanta história mal contada... A questão é outra.
É ou não, o que se está a passar no "6ª às nove", jornalismo de investigação? Em rigor, fica a dúvida. A mim parece-me quase. E quase, é tanto!
Por este caminho, temo, que quando me levantar para aplaudir o programa deixe de existir...

NOTA:
SOBRE JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO
- parte de um texto editado em 2010 - «Isto não é um jornal. É uma droga! (será que ainda vou preso por ser consumidor?)»

Muito pouco do que é feito em Portugal cabe no conceito de jornalismo de investigação, defende o jornalista Óscar Mascarenhas na sua tese de mestrado, com o título “Detective historiador” (que mereceu 19 valores). No seu trabalho procurou criar uma grelha de caracterização desse conceito tendo encontrado dez pontos que podem definir o jornalismo de investigação. Segundo a Lusa, OM terá emitido a seguinte opinião:
“Quase nada o que é feito em Portugal cabe no jornalismo de investigação porque se baseia em fontes não identificadas e não garante que as coisas tenham uma verdade. O que sai do jornalismo de investigação tem de ser uma verdade que resiste ao tempo (…) com a verificação dos dez pontos da grelha de caracterização vão cair muitos ídolos de pés de barro".


Os dez pontos da grelha que permite identificar um jornalismo de investigação:
  1. Mais do que assegurar a verdade dos testemunhos, garante a verdade dos factos, depurada mediante a verificação e confronto de fontes;

  2. Procura situações ocultas ou deliberadamente escondidas;

  3. Foge à agenda institucional ou, quando eventualmente a acompanha, fá-lo com propósitos de denúncia ou de revelação de situações não desejadas pelas entidades que a estabeleceram;

  4. Selecciona os seus temas entre aqueles cuja relevância pode eventualmente mudar um juízo de valor dominante;

  5. Ser jornalista de investigação pressupõe uma obra pessoal e personalizada e não apenas e só a mera divulgação de documentos ou informações passadas por outras entidades que prepararam a sua difusão;

  6. O jornalismo de investigação não é equívoco nem insinua – É afirmativo e factual, fornecendo os elementos necessários para que o público faça livremente o seu juízo de valor ponderado e autónomo;

  7. É um jornalismo que redobra o escrúpulo e a lealdade para com o público, as fontes e os visados sem deixar de ouvir ninguém com relevância para o caso, bem como não omitir qualquer informação importante;

  8. Para se ser jornalista de investigação é necessário não encarar o "double checking" (verificação da informação) como uma formalidade, mas antes como uma essencialidade: é a prova dos noves obrigatória - ou da operação inversa - para cada afirmação que se faz;

  9. A verdade difundida pelo jornalismo de investigação, tem de estar munida de robustez que lhe permita enfrentar as intempéries de um tempo longo sem poderem ser postas em causa;

  10. Finalmente, o jornalista de investigação tem de possuir coragem, não forçosamente física, para assumir por si só, sem transferências, todas as responsabilidades do que foi publicado.
VÍDEO


conversavinagrada.blogspot.pt

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