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domingo, 12 de março de 2017

A incompatibilidade do nacionalismo com a democracia



(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 11/03/2017)

nacionalismo
A utilização do velho truque de Nero, de lançar fogo a Roma e acusar os cristãos, pelos jovens neofascistas do movimento “Nova Portugalidade” a propósito de uma conferência/comício de Jaime Nogueira Pinto numa faculdade, trouxe o tema da relação do nacionalismo com a democracia à actualidade. Jaime Nogueira Pinto sabe de história e de política. Conhece a teoria e a prática. Jaime Nogueira Pinto sabe da incompatibilidade entre nacionalismo e democracia, mas sabe também que com verdades, como dizia um júnior do partido popular, não se ganham eleições. Na atual fase da história aqui em Portugal é conveniente afirmar exactamente o contrário, a compatibilidade entre nacionalismo e democracia. O caminho faz-se caminhando e chegará o tempo de retirar a máscara e chamar à ditadura democracia orgânica.
Passe a redundância, o nacionalismo é incompatível com a democracia porque o nacionalismo se baseia em conceitos incompatíveis com a democracia. O nacionalismo baseia-se no conceito da superioridade. Os nacionalistas defendem a superioridade do seu grupo e logo a inferioridade dos outros. O nacionalismo defende a desigualdade entre grupos. A democracia defende a igualdade. A afirmação da superioridade causa naturais reacções nos que são considerados inferiores. Daí a violência dos nacionalistas. A superioridade só pode ser imposta pela força. O nacionalismo defende a violência. Mas a violência só pode ser eficaz se for dirigida e executada pelos mais fortes. O nacionalismo defende a desigualdade interna, daí os corpos especiais e os privilégios e os direitos das elites.
O nacionalismo tem um contraditório conceito de povo e de nação baseados na genealogia e no território. Em princípio, para os nacionalistas, na terra mãe, a Nação, ou a Pátria, só são povo, os que ali nasceram, descendentes de habitantes originários. As excepções (a hipocrisia nacionalista) diz respeito à classe social (e fortuna) e com preconceitos racistas. Os milionários brancos Champalimaud, ou Sommer são/eram portugueses, mas a pobre mulata mulher a dias é sempre caboverdeana. António Costa é indiano, mas Narana Coissoró é um português originário dos nobres parses!
Na sua terra, os nacionalistas são isolacionistas de conveniência. Quando ocupam ou invadem as terras dos outros, os nacionalistas integram os ocupados e invadidos em membros da nação e do povo, mas na condição de se manterem docilmente ao seu serviço, concedendo o estatuto de assimilado, ou evoluído aos que melhor os sirvam.
O nacionalismo assenta na hipervalorização de um passado mítico, nas glórias de um passado que quase sempre tem pouco de glorioso e muito de mentiroso, ou fantasioso.
Parece evidente que o nacionalismo, um regime baseado na desigualdade entre nações e povos, na desigualdade entre habitantes num dado território baseada na classe social, na fortuna, na cor da pele, na violência interna e externa para imposição de uma proclamada superioridade individual ou coletiva, na glorificação de passados fantasiosos, na força em vez da lei é incompatível com o regime a que nas sociedades ocidentais se designa como democracias liberais, da igualdade, do respeito, do primado da lei, da busca da paz e do bem estar, de procurar um futuro melhor que o passado.

A mistificação de Nogueira Pinto é afirmar que o seu nacionalismo é apenas o direito a uma afirmação de identidade… e de elidir que essa afirmação implica a sua imposição, inevitavelmente pela força.

 estatuadesal.com

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