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quarta-feira, 15 de março de 2017

A Imperatriz do Blues: Bessie Smith


    Em 15 de abril de 1894 nasceu, em Chattanooga, Tennessee, na mais absoluta pobreza aquela que mais tarde seria a Imperatriz do Blues: Bessie Smith. Órfã de pai e de mãe desde os nove anos, cresceu em uma cabana miserável e buscou ganhar a vida cantando e dançando nas esquinas de Chattanooga em troca de algumas moedas.

    Bessie Smith não foi a primeira, mas foi a melhor e a mais radical, aquela que reinou soberana em uma forma expressiva puramente feminina, que traz em si a revelação de todo o espectro das emoções humanas. Com Smith é possível passar do riso ao pranto a cada nota.
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    Autodidata, dona de uma voz extraordinariamente bela e hipnotizante, sua primeira gravação, Down Hearted Blues, de 1923, um lamento sobre os “malditos homens” e sua forma de tratar as mulheres, foi um enorme êxito em uma época na qual a difusão da música negra era muito limitada. Em seis meses vendeu quase oitocentas mil cópias. 
    Foi a maior artista de jazz e blues de sua época, embora ultrapasse as barreiras de qualquer estilo e tempo, mas seu declínio veio com a Grande Depressão, do vício em álcool, de sua promiscuidade e da caótica gestão que fez dos extraordinários lucros que obteve com o sucesso. Exemplo de sua importância é o fato de ter conseguido que a gravadora lhe oferecesse quatrocentos mil dólares, uma quantia elevadíssima em um tempo em que os negros cobravam dez dólares por gravação.

    Sua voz poderosa, que nunca necessitou ser amplificada quando cantava em teatros e bares, era também vulnerável e majestosa. Gravou cento e sessenta músicas e cantou com os melhores músicos de sua época: Fred Longshaw, Porter Grainger, Fletcher Henderson, Coleman Hawkins, Sidney Bechet, Charlie Green, Buster Bailey, Don Redman e Louis Armstrong (com quem gravou temas legendários, como St Louis Blues, Cold in Hand Blues, Careless Love Blues, I ain’t Gonna Play no Second Fiddle). 
    Viveu bem, bebeu muito, cultivou uma seleção de amantes que a exploraram e maltrataram e foi capaz de amenizar os golpes sofridos, inclusive, da Klu Klux Klan, que tentou impedir uma de suas apresentações.

    Chegou a um ressurgimento passageiro após a Depressão e a chegada da era do swing, com Benny Goodman, mas naquela época, para uma estrela negra as coisas se tornavam difíceis.

    Em 26 de setembro de 1937, sofreu um acidente de trânsito, na mítica Highway 61, a estrada que os bluesman do Delta percorriam para emigrar para Chicago e dar origem ao blues urbano e elétrico das décadas seguintes. Faleceu aos quarenta e três anos.

    Alguns cronistas brancos e sensacionalistas afirmaram que teria falecido por hemorragia, porque um hospital racista havia se negado a atendê-la, embora a verdade é que não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda na ambulância que a conduzia.

    Foi enterrada em um cemitério próximo ao local do acidente. Estava arruinada e não havia fundos para pagar um túmulo. Sua sepultura permaneceu sem lápide até 1970, quando Juanita Green (que fora criada de Smith) e Janis Joplin (que dispensa apresentações) arrecadaram os fundos necessários para pagar uma lápide de mármore na qual se inscreveu: “A maior cantora de blues do mundo nunca deixará de cantar”.
    Uma oportunidade ímpar de ver e ouvir Bessie Smith cantando se encontra no curta-metragem St. Louis Blues, de 1929, que narra a história da canção do mesmo título, escrita por W. C. Handy.

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