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sábado, 18 de março de 2017

A crítica não sobrevive à estupidez. O espaço da crítica reduz-se e extingue-se à medida que a estupidez avança.


Pedro Penilo

A crítica não sobrevive à estupidez. O espaço da crítica reduz-se e extingue-se à medida que a estupidez avança.
Mas para além da estupidez há o sentido de classe.
Isabel Moreira em defesa de Teresa Leal Coelho não desenhou o seu alvo. Falou genericamente em redes sociais carregadas de ódio às mulheres, sabendo que Teresa Leal Coelho é figura primeira e reconhecível dos mais negros quatro anos da história da nossa democracia, quatro anos que arrasaram este país e as vidas de milhões. E que é odiosa por isso.
Que Isabel Moreira seja indiferente a este facto, como o seu percurso político ao longo desses anos provará, é já uma parte da explicação desta ocorrência, em que um elemento da burguesia acorre a salvar outro par. Vimo-lo recentemente acontecer com o Dr. Jaime Nogueira Pinto.
A outra face da explicação reside no facto de Isabel Moreira ser uma dessas figuras que hoje constituem a estratégia da burguesia para a dominação, e que passa por substituir no espaço mediático, cultural e institucional figuras, representações e causas do movimento operário e progressista por sucedâneos. Assim, o feminismo que pensa a tripla exploração e discriminação das mulheres e luta pela eliminação das estruturas e processos que sustentam essa exploração é ofuscado nessas esferas pelo "feminismo das famosas" que se ocupa dos costumes, da discriminação entre pares - ou seja, entre burgueses, ou entre as camadas vizinhas, os intelectuais, os artistas, os "mediatizáveis".
É assim um feminismo que saúda a eleição de Assunção Esteves e nem sabe quem foi Georgette Ferreira. Um feminismo que prefere discutir a repartição de cargos na administração das empresas. Um feminismo que ignora a real organização das mulheres na sociedade em defesa dos seus interesses, nas associações e colectividades, nos sindicatos, nos partidos, e entrega a sua acção a "personalidades". Um feminismo que ignorou e procurou ocultar a grande manifestação de mulheres do passado sábado, essa sim verdadeiramente fora do sistema. Um feminismo carregado da linguagem tecnocrática da classe dominante, que trabalha para a fragmentação, em vez de trabalhar para a unidade. Essa unidade, onde os diferentes se sentem iguais. A unidade onde e pela qual se operam as mudanças fundamentais.

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