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terça-feira, 21 de março de 2017

A Argélia deu sistemas de mísseis S-300 à Frente Polisario para alterar a correlação de forças no conflito do Sahara? Pergunta o Alifpost, órgão digital marroquino.


Fonte: La Realidad Saharaui com base na notícia do diário marroquino Alifpost.



Segunda-Feira, 20 de março de 2017 – Os saharauis liderados pelo seu novo dirigente Brahim Ghali parece quererem empreender uma ação definitiva que acabe com a persistente ocupação do Sahara Ocidental. Há novos fatores que surgem na situação atual do processo de descolonização e ocupação, em dois níveis:

– O Diplomático, a nível dos organismos da ONU, União Europeia e União Africana.
– E a via militar, após 41 anos de deceção ante a indiferença da Comunidade internacional.
Acontece que todos os «players» estão agora vendo o perigo desta nova situação, o que poderá ser catastrófico para os interesses e a estabilidade de toda a região. A 3 de março, o jornal La Realidad saharaui publicou um editorial em que perspetivava este novo cenário que poderia conduzir a uma solução conquistada pelos próprios saharauis.

Brahim Ghali, na sua recente reunião com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, na passada Sexta-feira 18 de março, mostrou-se intransigente ao pedido de Guterres de retirada do exército saharaui de Guerguerat, afirmando que qualquer tentativa de solução tem que passar pela realização do referendo de autodeterminação que Marrocos e a Frente Polisário assinaram em 1990, e que esse é o eixo sobre o qual a ONU se deve concentrar.

Parece agora que Marrocos e a Europa começam a sentir a tensão por que passa o conflito. O Alifpost, jornal digital independente marroquino que apoia a pretensa “marroquinidade” do Sahara Ocidental, num artigo de análise escrito pelo seu Diretor, El Houssine Majdoubi Bahida, alerta para este novo cenário que está pairando sobre a região.

O Alifpost, na edição de do passado dia 13, refere que “a tensão de Guerguerat [no sul do Sahara Ocidental, junto à fronteira com a Mauritânia] foi o prelúdio de acontecimentos que se poderão tornar perigosos para a região. E, nesse sentido, as capitais europeias procuram resposta para as seguintes questões: “Qual a sofisticação das armas que a Argélia entregou recentemente à Frente Polisário? Incluem os sofisticados tanques T90 e unidades de sistema de mísseis russos S-300? “, questiona o Alifpost **.
Quando o tecido social do adversário começa a inquietar-se, então algo de sério começa a preocupar a corte do Rei, o seu Makhzen e os seus aliados.

“Desde a eclosão da crise Guerguerat, a Frente Polisario aumentou as suas ameaças de guerra a um nível que nunca o fizera nos últimos anos. Deslocou as suas forças militares para muito perto das unidades de Marrocos no Estreito de Guerguerat. Impôs procedimentos humilhantes aos camiões que se dirigiam de Marrocos para a Mauritânia e ao restante tráfego, retirava dos veículos a bandeira marroquina e tudo o que tivesse a ver com a soberania de Marrocos. E mesmo as suas unidades de combate deslocaram-se no Oceano Atlântico na zona de separação entre [os territórios ocupados do Sahara] Marrocos e Mauritânia “.

Tanque T90


O diário Alifpost, na análise que faz da nova fase e ante a postura combativa do Exército saharaui afirma: “Este ato militar hostil ou revela uma indiscrição que se manifestará com a aventura de uma guerra que vai ter resultados drásticos no futuro, ou assenta numa autoconfiança proporcionada à Polisario pelo fornecimento de novas armas sofisticadas cedidas pela Argélia e com as quais será capaz de criar preocupação e problemas reais ao exército marroquino “.

E neste contexto de preocupação, o jornal marroquino acrescenta: “Além da preparação da Frente Polisario, há outro fator utilizado pela Argélia neste contexto, o aumento considerável do apoio político e diplomático à Frente Polisario, especialmente em fóruns internacionais, Nações Unidas e União Europeia”.

O jornal marroquino reaviva então os argumentos da sua tese e do discurso oficialista que sempre alimentou os órgãos de comunicação do reino: “Ao mesmo tempo, a Argélia autorizou a Polisario a entrar em guerra com Marrocos, se necessário”. E aduz um aspeto que aquele órgão tem referido por variadíssimas vezes: “Também se assiste a um aumento da coordenação militar estratégica entre as duas partes que não é mais segredo, incluindo a visita do comandante militar da Terceira Região do Exército argelino aos acampamentos de Tindouf no dia 12 de março de 2017 “.
E o Alifpost acrescenta: “Além disso, há o reforço das tropas do Exército argelino nas fronteiras com Marrocos, o que levou o exército marroquino a aumentar a presença das suas forças na fronteira oriental, um movimento que não estava nos seus planos “.
“Resta a questão deste tema, relacionada com as perguntas que se fazem nas capitais ocidentais: Qual a sofisticação tecnológica do arsenal que a Argélia deu à Frente Polisário? Não se está falar de armas ligeiras, como os veículos blindados e alguns carros todo-o-terreno que foram propositadamente fotografados, mas de tanques de tecnologia sofisticada, como os T90, armas de fabricação russa, com que contam unidades do exército da Polisario, e de sistemas de mísseis russos S-300 “.
O órgão digital marroquino, próximo da corte alauita, conclui ante a sua visão do conflito, que “a obtenção por parte do exército saharaui do sistema de defesa antiaérea de mísseis S-300 será um ponto de viragem muito perigoso, já que é uma ameaça iminente ao papel da força aérea de Marrocos, em caso de um confronto futuro com a Frente Polisario “.
E conclui o jornal a sua análise: “Os observadores em questões militares pensam que o cuidado que adotou Marrocos em controlar o que estava acontecendo em Guerguerat se deve à perceção de que a Frente Polisário possui armas sofistYicadas e que, portanto, se eclode uma guerra ela será regional no conceito. “
E esta é a análise do Alifpost, publicação marroquina digital em língua árabe, que liga verdades a anacrónicos argumentos
Nota **:
S-300  – Sistema de mísseis terra-ar 300 km, apto a intercetar objetivos aéreos, como helicópteros, aviões de combate, ou de observação, e mísseis. O sistema é transportável em camiões com rodas ou lagartas, funcionando em conjunto com vários camiões equipados com radares e estações de comando.
T90 – Poderoso tanque de combate de fabricação russa. Produzido desde 1992, teve várias alterações posteriores.


Este artigo encontra-se em: Sahara Ocidental Informação http://bit.ly/2n236E

abrildenovomagazine.wordpress.com

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