sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

VÍDEO - PARA QUEM GOSTA DE IRON MAIDEN - Música | A balada da velha Donzela

Para os que não conhecem, ou que apenas já ouviram “The Number of The Beast”, Iron Maiden é comumente chamado de “gritaria”, “música do capeta” e outros adjetivos carinhosos.


Iron Maiden…gostando ou não de heavy metal você já ouviu falar, ou certamente já viu uma camiseta de caveiras por aí. Principal expoente do movimento “NWOBHM” (New Wave Of British Heavy Metal), a Donzela de Ferro sem dúvidas nenhuma ainda se mantém como uma das maiores bandas de rock do planeta, lotando estádios ao redor do mundo, lançando discos, vendendo diversos produtos licenciados como: cervejas, camisetas, games, bonecos, sempre apoiada pela legião fanática de fãs que os acompanham.
Para os que não conhecem, ou que apenas já ouviram “The Number of The Beast”Iron Maiden é comumente chamado de “gritaria”, “música do capeta” e outros adjetivos carinhosos.  Ledo engano de quem pensa assim.
Uma das coisas de que mais admiro na banda são os temas e a qualidade das letras, muitas delas são baseadas em figuras ou acontecimentos históricos, mas uma em especial baseada em um poema inglês é a que irei destacar hoje…

O poema

“The Rime of Ancient Mariner” foi escrito por um dos pais do Romantismo inglês, Samuel Taylor Coleridge (1772/1834),  o poema se caracteriza pelo tom místico e sobrenatural, contemplando a natureza e seus mistérios.
Vale muito a pena ser lido, recomendo a versão bilíngue de Weimar de Carvalho (DISAL Editora), onde a cada página é possível ver o texto original em inglês e o texto traduzido. Não entendo nada de traduções, mas imagino que poemas devam ser um dos tipos de textos mais complexos de se traduzirem,  pois precisam manter a essência e o sentido original, o resultado desta edição é formidável.

Samuel Taylor Coleridge




A música

Lançada com o mesmo nome do poema no álbum de 1984 “Powerslave”, “The Rime of The Ancient Mariner” narra de forma resumida a história abordada no poema, apesar dos seus quase 14 minutos de duração. Vamos a ela:
No primeiro arco da música somos apresentados ao Marinheiro abordando um convidado de um casamento,  para ele então começa a relatar sua história.
Diz que em uma de suas viagens sua embarcação se perdeu no pólo-sul, e ao meio da tempestade e nevoeiro um Albatroz aparece no céu e começa a guiar a embarcação de volta ao seu rumo. Porém mesmo assim o Marinheiro atira e mata o pássaro, inicialmente seus companheiros se revoltam, mas ao perceber que o nevoeiro se dissepara o perdoam, então todos se tornam parceiros no crime.
Chegamos ao primeiro refrão, afinal o que é uma boa música sem um refrão pegajoso?

“Sailing on and on and north across the sea…
Sailing on and on and north ‘til all is calm “

“Navegando e navegando para o norte através do mar…
Navegando e navegando para o norte até que tudo está calmo”

Seguimos o ritmo das “galopadas” conduzidas pelo baixo de Steve Harris, porém agora o Albatroz incia sua vingança, o vento que os guiava se extingue e a tripulação se encontra numa situação de “calmaria”, a maldição da sede assola a tripulação, e todos culpam o Marinheiro  pela má sorte, penduram então o pássaro morto em seu pescoço. Chegamos a uma nova versão do refrão, trocando o primeiro entusiasmo por uma agonia sem fim…

“And the curse goes on and on and on at sea…
And the thirst goes on and on for them and me “

“E a maldição continua, continua e continua no mar…
E a sede continua e continua para eles e para mim “

Neste ato o drama da história aumenta, a música acompanha tanto em sua melodia,  letra e execução, em vários pontos o tom aumenta, demonstrando a dramaticidade da situação.

“Water, water, everywhere, not any drop to drink!”
“Água, água por todo lado, e nem uma gota para beber!”

Uma esperança surge no horizonte, uma outra embarcação (apesar de causar estranheza pela movimentação sem vento), a música acelera.  Ao se aproximar primeiramente acham que a embarcação está vazia, depois notam que nela estão  “A morte” e “A vida na Morte”, jogando nos dados a sorte da tripulação.

“A Morte” e  “A vida na Morte”


“A vida na morte”, ganha a vida do Marinheiro, os demais 200 tripulantes caem mortos. O “prêmio” dado ao Marinheiro na verdade é uma punição por ter matado o Albatroz, uma vida pior que a própria morte. A música segue então acelerada por alguns instantes até diminuir e cessar abruptamente….

O Marinheiro e seu calvário


 
Após um breve silêncio, dedilhos de baixo começam acompanhados por uma lenta melodia de guitarra, é possível escutar o ranger das madeiras da fúnebre embarcação. Surge então uma narração fantasmagórica de Bruce Dickinson assumindo o papel do Marinheiro, neste trecho é citado partes do poema original onde o mesmo observa seus companheiros morrerem…

“One after one, by the star dogged moon
Too quick for groan or sigh
Each turned his face, with a ghastly pang
And cursed me with his eye
Four times fifty living men
And I heard nor sigh nor groan
With heavy thump, a lifeless lump
They dropped down, one by one”

“Um a um, sobre a lua rodeada de estrelas
Rápido demais para gemer ou suspirar
Cada um virou seu rosto atormentado
E me amaldiçoou com seu olhar
Quatro vezes cinquenta homens
E eu não ouvi suspiro ou gemido
Pesadamente, um vulto sem vida
Eles caíram, um por um”

Por um tempo ainda ouvimos a lenta melodia, o ranger e a agonia…

 

Então os dedilhados aceleram e a música começa a crescer novamente, Bruce Dickinson rasga o silêncio e começa a narrar a redenção do Marinheiro, ele desejara ter morrido, porém estava vivo, então a luz da lua ele reza para seu futuro horrível e abençoa as criaturas de Deus.
A melodia segue num ritmo crescente, a maldição do Marinheiro se quebra, o Albatroz cai de seu pescoço e afunda no mar, Dickinson fazendo jus ao apelido de “sirene” urra para nos avisar que a chuva chegou, a música explode! Chegam a hora dos solos de guitarra….
No arco final, a música retoma seu ritmo inicial, possuídos por bons espíritos os corpos da embarcação se levantam e guiam o barco para casa novamente, mas como pouca desgraça é bobagem a embarcação afunda, porém o Marinheiro é salvo por um Ermitão e seu filho, que o perdoa por todos os seus pecados.

 

Como punição o Marinheiro é destinado a andar pelo mundo e contar a sua história, a música retorna ao casamento, onde temos um convidado mais triste porém mais sábio.
E a história continua, continua e continua….
Escutar essa música atentando para as nuances da melodia e letra é realmente uma experiência incrível, não a toa sempre figura facilmente nas listagens de preferidas dos fãs, e como quem sabe faz ao vivo….

VÍDEO

igeneration.com.br

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