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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Rapazes certos nos lugares certos


Quando estoirou o caso BANIF a A. Cristas da “Política positiva ” disse candidamente que nunca tinha sabido de nada , que o assunto nunca tinha sido debatido em Conselho de Ministros . Agora com as transferências para os paraísos fiscais é Passos Coelho que diz que nunca soube de nada ! 
Procurando dar a ideia que não têm nada a esconder dizem bem alto que querem que se apure toda a verdade contando com os seus mercenários na RTP e não só, para tentarem lançar a confusão . Mas parece que a  “toda a verdade ” é muito feia para o governo dos grandes senhores e senhoras do dinheiro
                            D. N.
” A Autoridade Tributária pediu publicação das estatísticas sobre transferências para paraísos fiscais não uma mas três vezes. Em vão.
A resposta do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) no governo PSD-CDS (2011-2015), Paulo Núncio, ao último pedido que a Autoridade Tributária lhe fez para publicar as estatísticas das transferências financeiras para offshores ficou mais de um ano e meio na gaveta. A publicação havia sido iniciada por determinação do seu antecessor no cargo, Sérgio Vasques, o último SEAF dos governos de José Sócrates.
A 8 de novembro de 2012, deu entrada no gabinete de Núncio um processo, assinado na véspera pelo então diretor-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), José Azevedo Pereira, em que se punha “à consideração” a publicação das estatísticas relativas a 2010 e 2011. A primeira revelava um volume total de transferências de 2,6 mil milhões de euros e a segunda de 4,3 mil milhões. Entre 2011 e 2015 foram transferidos dez mil milhões de euros de contas nacionais para paraísos fiscais sem passarem pelo crivo do fisco.
Núncio, que durante toda a governação PSD-CDS tutelou os Assuntos Fiscais, sobrevivendo em 2013 à mudança da pasta das Finanças de Vítor Gaspar para Maria Luís Albuquerque, respondeu ao processo mais de um mês depois, a 30 de dezembro de 2012. Limitou-se a escrever “visto”.
Mas fez mais: não devolveu logo o processo à AT (pelo que esta oficialmente ficou sem conhecer a resposta). Na folha de capa do processo – a que o DN teve ontem acesso, depois de o pedir ao ministério das Finanças – surge, a meio, do lado esquerdo, uma outra indicação: “Por determinação de Sua Excelência o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais à AT devolvendo o processo.” Data: “13 de junho de 2014.” Assinou o então chefe de gabinete de Núncio, Manuel Gonçalves. Dito de outra forma: entre o dia em que o processo chegou ao gabinete do então SEAF (8 de novembro de 2012) e o dia em que foi devolvido à AT (13 de junho de 2014) passaram exatamente um ano, sete meses e seis dias.
No mês seguinte, Azevedo Pereira – professor no ISEG – deixaria a AT (que liderava desde 2007). Durante todo o consulado PSD-CDS, os números das transferências financeiras de contas nacionais para offshores ficaram por publicar. A publicação seria retomada em abril de 2016, por ordem do atual secretário de Estado, Rocha Andrade.
Numa declaração publicada ontem no DN, Núncio remeteu para a responsabilidade da AT a decisão de não publicar as referidas estatísticas: “Essa divulgação não estava […] dependente de uma aprovação expressa a posterior do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Assim, o despacho de visto não é uma oposição à respetiva divulgação, uma vez que a AT já estava obrigada a publicar a estatística com base no despacho do meu antecessor.”
Num esclarecimento enviado ao DN, o então diretor da AT, Azevedo Pereira, refuta de alto a baixo esta visão. Com um despacho de “visto”, “a mensagem é, sumariamente, “vi e tomei conhecimento daquilo que propõe, mas uma vez que não lhe estou a responder afirmativamente, não o autorizo a proceder como sugere””. Ou seja, “declarou ter tomado conhecimento dos elementos que lhe foram comunicados mas não autorizou a sua divulgação, tal como lhe foi solicitado”.
José Azevedo Pereira vai ainda mais longe: o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais – que o DN tentou ontem, em vão, contactar – foi solicitado pela Autoridade Tributária para publicar as estatísticas não uma mas sim três vezes. O resultado final foi sempre o mesmo: não foram publicadas.”
Este artigo encontra-se em: FOICEBOOK http://bit.ly/2mvm3hQ

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