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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

COMO É ESCULPIDO UM BUSTO EM MÁRMORE - VÍDEO


Você já tentou imaginar como é feita uma obra de arte em mármore? Por exemplo, o David de Michelangelo com 5,17 metros. Pois da mesma forma que se trabalharia com estealtito (pedra-sabão) ou madeira, mas com um grau de dificuldade aumentado um milhão de vezes devido a dureza da rocha metamórfica de calcita. Este vídeo incrível mostra como o escultor bósnio Stijepo Gavric dá forma a um bloco de pedra, começando com um busto de argila criado com a presença de uma modelo. Com base neste busto, então, ele começa a reproduzir a estátua final.

Começando com um grande bloco de mármore, ele usa cinzéis adequados para obter a forma medindo o busto de argila com réguas e compassos. Uma vez que ele "desbastou" a maior parte do mármore e chega à forma básica da escultura, ele passa a usar grosas para suavizar as arestas. Finalmente ele pule (areia) a peça para obter o acabamento desejado. Certifique-se de ver a obra-prima ao lado da modelo. Simplesmente sensacional!

VÍDEO
www.mdig.com.br

SÃO BRÁS DE ALPORTEL - “À DESCOBERTA DOS OFÍCIOS TRADICIONAIS”

VERSOS POPULARES


DISTRAÍDO OS SAPATOS ATOU
OS DOIS COMO SE FOSSE UM
E QUANDO NO CHÃO SE ESPALHOU
DOS CORNOS NÃO SOBROU NENHUM 


POR MOR DUMA DÔR CÁ MUNTO TEMPO Ê SINTE
QUE ME DEXÔ MÁS PRA LÁ DO QUE PRÁ CÁ
Ê MORAVA NO 120
MAS O 112 TERÔME DE LÁ

António Garrochinho

A Chaputa





A chaputa era, há alguns anos, um peixe muito vulgar na mesa dos Portugueses.

Abundante em todo o Atlântico Norte e Mediterrâneo, a chaputa (brama, brama) é um peixe de carne muito firme e consistente que aguenta cocções prolongadas sem perda de qualidade, o que é raro num peixe.

Desaparecida durante anos, sabe-se lá porquê, o certo é que ultimamente tem regressado em força aos nossos mercados e supermercados, a um preço excelente de "carapau".

Porque alguns visitantes mais novos terão forçosamente crescido durante o período em que não houve chaputa e porque é um peixe que pela sua firmeza de carne e delicadeza de sabor vale a pena ser degustado, aqui ficam algumas dicas sobre a preparação dos seus suculentos e firmes filetes.

Preparação:
A chaputa apresenta uma pele coriácea e difícil, pelo que deve pedir, onde a adquirir, que lhe tirem os filetes. Cada chaputa produz dois filetes grossos triangulares.
Esses filetes apresentam uma linha média de pequenas espinhas difíceis de retirar uma a uma, pelo que deve deitar o filete na tábua com o sulco avermelhado para cima e depois, com uma faca bem afiada, corte de um lado e de outro desse sulco vermelho, retirando uma fina tira de peixe que contém todas as espinhas e deixa o triângulo dividido em duas metades, uma mais grossa, outra mais fina.
Se prefere filetes mais finos, pode então abrir o filete grosso em dois.

Esta chaputa que comprei e fotografei ainda inteira (e com o anzol na boca) no Mercado de Benfica, foi simplesmente temperada com Flor de Sal, passada por farinha e ovo e frita, sendo a seguir regada generosamente com sumo de limão.

Nota:
Leve consigo a cabeça e a espinha da chaputa, excelentes para fazer uma sopa, caldo de peixe ou um arroz ou risoto, que foi o que acompanhou os meus filetes.



outrascomidas.blogspot.pt

Entre o mar e a pedra - o Percebe


Considerado por muitos apreciadores como o rei do marisco, o Percebe é um crustáceo cuja apanha necessita urgentemente de legislação adicional para proteger a espécie. Dura e arriscada é a vida dos Percebeiros, que alguém chamou os Guerreiros do Mar.
Percebe ou perceve? independentemente do nome comum que lhe atribuam, quem nunca experimentou este crustáceo, que em algumas regiões do nosso País é aclamado como o rei do marisco? Um petisco com um forte sabor a mar!

Entre as rochas e o mar assim cresce e vive este crustáceo, de nome científico Pollicipes pollicipes (Gmelin, 1790), e que de ano para ano, vê a sua procura e o rol de apreciadores aumentar exponencialmente bem como o seu valor comercial, na razão inversa em que a sua abundância diminui.

A apanha deste crustáceo ao longo da nossa costa faz-se com maior ou menor intensidade, consoante a tradição existente nas regiões onde ocorre.


É uma actividade que tecnicamente conta com as mesmas ferramentas que, desde tempos antigos e com as mesmas manhas de então, eram utilizadas na busca do local ideal e do melhor percebe, mas longe vão os tempos em que o percebe era apanhado com o auxílio de uma enxada, tal era a sua abundância.
Hoje em dia, fruto desta procura desenfreada, existem zonas em que quase desapareceu, e o pouco que ainda lá cresce é rapidamente apanhado para evitar que outros o façam.
Sem legislação nacional que o proteja eficazmente (com excepção para a Reserva Natural das Berlengas), nomeadamente em termos de tamanho mínimo de apanha e de quantidades máximas diárias por apanhador (seja lúdico ou profissional), o percebe conta apenas com o mar e com os apanhadores mais experientes que conhecedores como ninguém deste recurso marinho, teimam em tentar ensinar a quem nada percebe desta arte quando se deve parar para preservar o futuro.

Estes homens, os verdadeiros percebeiros ou marisqueiros, que fazem vida desta apanha, são possuidores de uma licença profissional e de um cartão de apanhador emitidos pela Direcção Geral das Pescas e Aquicultura e estão colectados, sendo obrigados a passar facturas, o que apesar do que se possa pensar, de nada serve, nem para eles nem para o percebe.
As lacunas existentes na legislação aliadas à falta de fiscalização, faz crescer o número de indivíduos que, sem grande consciência, apanham todo o percebe que conseguem, independentemente do tamanho e da qualidade, fazendo florescer um mercado paralelo, em que o que interessa unicamente é vender.
O dia a dia (quando o é) dos marisqueiros que enfrentam o mar por um “punhado” de percebes, é difícil e cheio de incertezas.

A apanha de percebe não tem época definida, é quando o patrão deixa, e o patrão ... é o mar! No Inverno é raro o dia em que os deixa trabalhar, mas no Verão quase sempre lhes dá mais hipóteses, mas onde o percebe cresce, a vida nunca é fácil.


Cedo na manhã, quase sempre antes do sol nascer, muitas vezes debaixo de nevoeiro, estes homens vão ver o mar. Àquela hora da manhã, o ar ainda gela e o rebentar das ondas contra as rochas marca os minutos do fim da madrugada, os rostos destes homens confundem-se no nevoeiro e na condensação da sua própria respiração, não falam... ouvem e sentem o mar que no fundo da falésia os espera. Sem vertigens, eles esperam pelo momento da descida.
De véspera têm uma ideia de como o mar poderá estar na manhã seguinte, mas nem sempre a previsão se revela acertada, o mar é temperamental, ele é quem sabe da sua disposição, e pode levar à alteração do local decidido no dia anterior.

A decisão de trabalharem naquele local é tomada quase sem palavras, rapidamente voltam ao carro para trocar a sua roupa pelos fatos de mergulho, talvez ainda húmidos do dia anterior. Calçam botas de cabedal ou ténis, colocam à cintura um saco de rede que dentro leva mais um saco de rede e uma saca de serapilheira, penduram também umas barbatanas, colocam uma corda a tiracolo e na mão levam a arrilhada, instrumento de trabalho e de amparo nos caminhos mais difíceis.


Fazem-se ao carreiro que os leva para a falésia escarpada, uma parte do carreiro faz-se a caminhar num equilíbrio precário sobre uma rocha íngreme e escorregadia. O carreiro acaba, a partir deste ponto o “equilíbrio” desaparece, o carreiro é agora uma corda presa numa anilha cravada na rocha, os pés apoiam na rocha à medida que se desce (quais escaladores profissionais), e nas mãos sente-se o suor misturado com a salsugem do mar.
Lá em baixo, caminham com rapidez e desembaraço, de cabeça baixa espreitando o mar, procuram um sítio onde colocar o que para já não faz falta.

Olha-se outra vez o mar, há que espiá-lo, ler o retortelo das ondas e a escrita da espuma nas rochas, medir mentalmente a cadência das ondas.

Depois inicia-se o trabalho, nadam, saltam de uma pedra para a outra atrás do percebe, ao capricho das ondas e rodeados de mexilhões e rochas cortantes, parecem brincar como pardelas em rochas de espuma, com o mar sempre de olho neles e eles sempre de olho no mar, contando os segundos do ritmo das ondas. E quando traiçoeiro o mar rebenta, que não os apanhe nem de flanco e nunca de costas.
Moldam tanto quanto possível o seu corpo às rochas, e suportando a ondulação, apoiam cotovelos e joelhos nos sítios mais adequados para poderem trabalhar, olham e entre uma onda e outra fixam o que querem. Com a arrilhada ferem a rocha, e desta soltam-se pequenas pinhas de percebe. A escolha não é aleatória, os seus olhos estão ensinados, só lhes serve o de melhor qualidade e que seja tão grosso como um polegar, esse é então colocado no saco que transportam à cintura.
Saco de rede cheio, voltam ao local onde deixaram o resto do equipamento para trocar de saco, e regressam ao duelo com o mar.
Em 2-3 horas dão por finalizado o seu trabalho, olha-se para as pedras e quase nem se dá pela falta das pinhas que colocaram dentro dos sacos de rede, “o que lá fica”, dizem, “é para daqui a um mês, há que dar tempo a que cresçam e engordem”.


O percebe, ainda dentro dos sacos, é lavado numa poça e liberto de um outro habitante desta zona, o seu vizinho inseparável – o mexilhão, que em menos de nada se torna a agarrar às rochas com os seus filamentos.
Transferido para dentro da saca de serapilheira, para evitar a perda de humidade, o percebe é colocado às costas e inicia-se então a etapa mais difícil que remata a jornada: escalar o caminho de volta com um peso extra.
De volta ao carro, a saca é colocada dentro de um alguidar, e troca-se de roupa novamente. O resto do trabalho é feito em casa ou armazém ou numa garagem.
O dia ainda vai a meio, o percebe tem de ser “limpo” do pouco mexilhão que teimou em continuar agarrado e das algas que surgem muitas vezes pelo meio das pinhas, e separado do pouco percebe que pelo seu tamanho poderá desvalorizar o restante, “fica para comer em casa”, dizem (mas acreditem, é tão pouco que nem para um dá).

Para acabar o dia, falta a venda, mas mercê da sua experiência, da qualidade do seu trabalho e da qualidade do produto que apanham, desenvolveram com os clientes, essencialmente restaurantes, uma relação de confiança que lhes permite não andarem a correr para passar à frente de outros, têm a venda garantida e nós, consumidores finais, a qualidade do rei do marisco.

O dia de amanhã destes homens será o que o “patrão” deixar...
Por:Dora Jesus _ Naturlink

VÍDEO
 


VÍDEOS - PROGRAMA BOMBORDO





VÍDEOS














Gastronomia Algarvia - Carapaus Alimados




Ingredientes:
Para 4 pessoas

800 grs de carapaus médios ou pequenos ;
2 dl de azeite ; 
1 dl de vinagre ; 
100 grs de cebolas ; 
2 dentes de alho ; 
1 molho de salsa ; 
sal grosso q.b.

 

Confecção:

Amanhe os carapaus em cru, tirando-lhes a serrilha, a espinha do umbigo, as tripas e a cabeça. Lave-os bem em água. Em seguida, salgam-se, utilizando o sal grosso, colocando os carapaus em camadas alternadas com sal.
Deixe repousar cerca de 24 horas. Retire o sal aos carapaus e lave-os em água fria.
Leve um tacho com água ao lume. Deite dentro os carapaus e deixe cozer. Depois de cozidos, metem-se em água fria. Limpe as peles, as escamas e algumas espinhas da barriga, ficando com uma carne dura e de bom aspecto.
Coloque os carapaus na travessa onde vão ser servidos, regue com azeite, alho picado, cebola descascada e cortada ás rodas e o vinagre. Polvilhe com salsa picada.

Conselho: Os carapaus a utilizar deverão ser do tamanho médio e bem frescos. Há pessoas que, no momento de temperar os carapaus, adicionam tomate maduro, cortado ás rodas.

nossoalgarve.blogspot.pt

A RIQUEZA DA RIA FORMOSA - ALGARVE


A Fauna na Ria Formosa

Um dos mais importantes aspectos da Ria Formosa é a existência de muitas espécies de animais, encontrando--se algumas delas em vias de extinção, sendo por isso importante ter muita atenção especial em relação à conservação da natureza.
Em vários estudos que foram feitos na Ria Formosa concluiu-se que existem as seguintes espécies de animais:

- 288 Moluscos
- 79 Peixes
- 15 Répteis
- 11 Anfíbios
- 214 Aves
- 18 Mamíferos
- 8 Aracnídeos (aranhas)
- 5 Crustáceos (lagosta, carangueijo, etc.)
- 6 Anelídeos (minhocas)



A pouca profundidade das águas da Ria Formosa permite uma temperatura favorável, o que faz com que a riqueza dos alimentos favoreça o desenvolvimento de animais marinhos nas suas águas. A Ria, para além de local de abrigo é, também, uma zona privilegiada para reprodução e permanência das várias espécies de peixes, bem como de moluscos e crustáceos.


Na Ria Formosa já foram identificadas mais de 50 espécies de peixes, das quais se destaca a Dourada, o Sargo, a Enguia, o Robalo e a Tainha. Para além dos peixes, também existe o camarão de Monte Gordo, ou de Quarteira, o camarão da Ria, o Caranguejo Morraceiro e a Boca. Temos também o Polvo, o Choco, a Lula e Bivalves como as Amêijoas, Berbigão, a Conquilha e o Lingueirão.

Dourada
Sargo
Enguia
Robalo
Linguado

Descrição de alguns peixes que se podem encontrar na Ria Formosa

 
Biqueirão (Família Engaraulidae)
Peixes de corpo geralmente alongado, frequentemente comprimido, com olhos grandes e focinho agudo proeminente, barbatanas sem raios espinhosos, barbatanas pélvicas de posição abdominal, barbatana dorsal curta, maxila inferior mais curta que a superior.



Enguia (Família Angulosidade)
Peixes de corpo serpentiforme (aneliforme), barbatanas dorsal e anal confluentes com a cauda, geralmente bem desenvolvida, origem da barbatana dorsal bem atrás das barbatanas peitorais, barbatanas pélvicas ausentes, ânus situado a meio do corpo, boca terminal muito fendida atingindo o nível do meio olho, com a mandíbula ligeiramente projectada para a frente.

Safio (Família Congregai)
Peixes de corpo serpentiforme (aneliforme), sem escamas, barbatanas dorsal e anal confluentes com a cauda, barbatanas pélvicas ausentes, ânus situados na metade anterior do corpo, maxila superior mais saliente que a inferior.


Agulha (Família Begónias)
Peixes de corpo alongado, maxilas prolongadas num bico e revestidas por dentes campaniformes, todas as barbatanas apenas com raios segmentados, barbatanas dorsal e anal localizadas no terço posterior do corpo, barbatanas peitorais curtas, com 6 raios e implantadas acima da linha média do corpo, linha lateral com início junto ao bordo ventral do opérculo, correndo próxima do perfil ventral do corpo e com um uma ramificação ao nível das barbatanas peitorais.



Cavalo-Marinho (Emília Syngnathidae)
Peixes de corpo delgado e alongado, protegido por placas durmais organizadas de modo a formarem séries de anéis, focinho geralmente prolongado em forma de tubo, na extremidade do qual se abre uma pequena boca, sem linha lateral, sem dentes, sem barbatanas dorsal e pélvicas espinhosas.





Na Ria Formosa também se podem encontrar consumidores de insectos como a rã comum, as ralas e os sapos, todas elas protegidas pela convenção de Berna. Estas espécies estão em vias de extinção.
 
Sardanisca Hispânica
 
Sapo
 


  

 







De entre os répteis salientam-se a sardanisca-do-mato, a cobra-de-Água e a cobra-rateira, para além do camaleão, espécie existente em Portugal apenas no sotavento algarvio e, portanto, também na Ria Formosa.
O camaleão é uma espécie em perigo de extinção e está protegida pelo Conselho das Comunidades Europeias desde Dezembro de 1981.

Sardanisca-do-mato



A introdução do camaleão em Portugal deu-se por volta dos anos 20, altura em que os trabalhadores ou pescadores algarvios os trouxeram do sul de Espanha ou de Marrocos são animais não venenosos, que não causam qualquer tipo de prejuizo, a sua pele  muda de cores dependendo do sítio onde se encontra e é bastante útil na captura de insetos.
Camaleão

Finalmente, os mamíferos também fazem parte desta enorme fauna que a Ria Formosa contém. A lontra, o Saca-rabos, a Geneta, a Fuinha,  o Texugo e a Raposa são alguns dos exemplos de espécies que podemos encontrar no PNRF.

Saca-rabos                                            Texugo

Fuinha dos Juncos                              Raposa

 Lontra                                    Geneta


Publicado por: António Afonso


Bivalves

A Região Algarvia, da qual faz parte a Ria Formosa, produz 90% dos bivalves que os portugueses consomem durante o ano, cerca de 7000 toneladas. Não há dúvidas de que a Ria Formosa é bastante rica em bivalves, como o berbigão, amêijoa boa, amêijoa branca, conquilha, lingueirão e amêijoa de cão.

Os bivalves são seres que vivem nos fundos dentro da areia e do lodo. O seu habitat vai desde a zona verde até às águas mais ou menos profundas. A sua distribuição é mais densa no centro dos viveiros, porque estão sempre cobertos de água. Os bivalves são fáceis de identificar.



Todos nós já vimos, no mercado ou no "prato", amêijoas ou berbigão e certamente reparou que a característica morfológica mais evidente destes animais é o facto de terem o corpo dentro de uma concha constituída por duas partes. Cada uma dessas partes tem o nome de valva, daí o nome de bivalves, «bi» significa duplo, ou seja “duas valvas”.

As valvas ou conchas podem ser iguais ou diferentes, apresentando várias formas, conforme as espécies. As valvas podem ser arredondadas ou ovais.
As valvas estão unidas por um ligamento elástico. Por baixo deste ligamento encontram-se saliências em forma de dentes que encaixam de forma perfeita com a valva oposta. As mais conhecidas são as amêijoas boas, amêijoas de cão, amêijoa branca, berbigão, mexilhão e lingueirão.
A superfície externa da concha pode ser lisa ou esculpida em linhas de crescimento, uma vez que se vão formando à medida que o animal cresce.

A parte interna da concha apresenta-se ligeiramente brilhante, devido a um revestimento de madre pérola. Na parte interna encontram-se as marcas de inserção dos músculos, especialmente dos músculos muito fortes que o animal contrai ou distende para abrir ou fechar a concha. Dentro da concha está o corpo, mole, formado por (vários órgãos: fígado, estômago, intestino e outros), manto, pé e brânquias.

Os bivalves são animais dotados de grande capacidade filtradora. Um só organismo pode filtrar diariamente várias dezenas de litros de água. Como tal, eles são os responsáveis por muitas doenças de ordem hídrica tais como, cólera, febre tifóide e hepatite. Assim, os seus locais de crescimento e exploração devem ser mantidos em boas condições sanitárias. Além disso, em locais com poluição industrial, os bivalves concentram os resíduos industriais altamente perigosos para a saúde, daí que quando é detectada alguma toxina é necessário fazer um intervalo na apanha desses bivalves.

Os moluscos bivalves de água doce vivem em charcos, lagoas, lagos e rios, alguns em águas mais ou menos paradas e outros em águas correntes.
Durante a noite, podem deslocar-se para locais pouco profundos e retirar-se para lugares mais profundos, durante o dia.

A produção de pérolas é um subproduto que resulta da sua defesa quando um objecto estranho penetra no manto. O manto segrega muitas camadas de nácar (Substância dura, irisada, rica em calcário, produzida por alguns moluscos, no interior de sua concha, que é utilizada em bijuteria e marchetaria) sobre o objecto estranho e irritante. As pérolas de cultura são obtidas inserindo pequenas partículas de nácar, retiradas das conchas de outros bivalves, entre a concha e o manto de certas espécies de ostras. Esta técnica é muito utilizada pelos japoneses.

 Na Ria Formosa os bivalves apresentam valores muito elevados de potássio e valores de cálcio inferiores ao limite de detecção. As amostras de amêijoas de Aljezur e Olhão apresentaram valores muito elevados de Cobre, sendo a quantidade de Cálcio e Ferro inferior aos apresentados na tabela de composição de alimentos.

A Ganchorra é uma arte de arrasto, rebocada por uma embarcação destinada à captura de moluscos bivalves ex: (amêijoa branca e berbigão.) É composta por uma armação metálica dotada de um pente de dentes na parte inferior à qual está ligado um saco de rede. A pesca com ganchorra pratica-se de norte a sul do país. Na zona sul do país entre Vila Real de St. António e Sagres utiliza-se o arrasto de cintura, o arrasto de popa ou Vara e o arrasto de mão. Esta arte de arrasto está devidamente regulamentada por vários decretos.
Nos viveiros podemos ver os mariscadores na apanha manual da amêijoa boa, utilizando uma faca de mariscar ou uma raspadeira.



A reprodução dos bivalves.

Os sexos estão geralmente separados. Na maior parte dos bivalves a fecundação é externa, mas na maioria dos bivalves de água doce a fertilização é interna. Os óvulos são lançados nos túbulos das brânquias e são fecundados pelos espermatozóides que são arrastados pela água. Os ovos desenvolvem-se e quando a larva é expulsa e fixa-se nas guelras dos peixes, onde os moluscos vivem numa fase inicial.



Locais de Observação na Ria Formosa
    
São vários os locais da ria formosa, para observação de bivalves:

1º- Nas praias podem encontrar-se grande variedade de conchas. Apesar de muitas delas estarem erodidas, e portanto desprovidas das suas cores e traços originais, as praias constituem mesmo assim um local de fácil acesso, onde é possível recolher grande número de conchas.

2º- Nos mercados é possível encontrar as espécies comerciáveis. As mais comuns pertencem ao género tapes(amêijoas boas e amêijoas comum), cerastoderma (berbigão) e ensis (lingueirão). Algumas espécies como a amêijoa branca, muito comuns no mercado, provêm na maior parte das vezes da região marinha adjacente.

- Locais de estrutura sólida (acessos portuários, locais rochosos, pontes, ancoradouros, etc…) servem para a fixação de algumas espécies sedentárias, das quais as mais abundantes são as pertencentes ao género Mytilus(mexilhões).

4º- Viveiros e interior da laguna. Nos viveiros podem-se observar os mariscadores na sua actividade de apanha. Entre as espécies aí cultivadas a Ruditapes decussatus (amêijoa boa) é a mais explorada.


Exploração de Bivalves – Viveiros

A ria formosa as únicas dirigida a bivalves é os viveiros. Segundo o plano de ordenamento da ria, a área ocupada por viveiros é aproximadamente de 100 hectares, espalhados um pouco por todo o parque.
Os viveiros começaram por ser uma exploração familiar, mantida pelas mulheres e crianças, uma vez que os homens se ocupam na pesca.
Hoje o panorama é diferente, no entanto a mão-de-obra dos viveiros continua a ser maioritariamente feminina, e muitos continuam ainda a ser explorações familiares.

Os viveiros parecem ter surgido algures nos anos 50 e 60, quando alguns indivíduos resolveram delimitar determinadas áreas de terreno com estacas.
Dado que as capitanias não dificultaram a legalização dos terrenos, as áreas delimitadas foram aumentando, hoje praticamente não existe mais espaço livre para os novos viveiros.

Actualmente as autoridades antes da concessão de terreno para viveiros averiguam se a zona é salubre, se não é banco natural e se a instalação do viveiro não prejudica a navegação. Cada licença é válida por dois anos podendo ser renovada. No que diz respeito a localização, os viveiros situam-se na zona entre as marés, o que permite o acesso humano para a preparação do terreno, povoamento de apanha de espécies.

No entanto não deverão ficar situados em terrenos muito expostos ao ar, uma vez que a insolação directa prolongada tem efeito nefasto sobre os bivalves. Os melhores locais encontram-se na parte central do terreno onde a falta de água menos se faz sentir. As espécies aí colocadas crescem mais rapidamente.
Captura-se "semente" para povoamento de viveiros e posteriormente para venda. O substrato é revolvido utilizando uma colher de mariscar.
Revolvendo o terreno, pode-se utilizar um pequeno tractor para o efeito (motoenchada).






Publicado por: Lídia Inverno



O Cão de Água


O Cão de Água é natural do Algarve, mais concretamente da Ria Formosa. Em Portugal esta raça de cães foi aproveitada para o trabalho dos pescadores no alto mar, para auxiliar os homens na pesca.

Conta-se que há muitos anos o Cão de Água salvou um marinheiro na Ria Formosa. Este cão tinha pêlo comprido e preto, tosquiado até à primeira costela, na cauda tinha uma bola de pelo, para embelezar o animal e diferenciá-lo das outras raças.

O Cão de Água foi muito útil para os pescadores, em todas as embarcações e traineiras, eram utilizados dois cães. Era um bom companheiro e ajudava nas actividades de pesca, sempre que o peixe caía ao mar os homens mandavam o cão buscá-lo e ele mergulhava, com gosto, trazendo o peixe. O cachorro detectava o maior inimigo do homem no mar, mesmo quando este estava ao longe, isto é, quando se recusava entrar na água, era porque estava por perto, um Tubarão. O cão também conduzia os cardumes de peixes para as redes e ficava a guardar o património (o barco e as redes do seu dono enquanto os homens descansavam). Em terra o cão tinha também direito a um quinhão do peixe pescado.

No século XX esta raça foi quase extinta, mas Vasco Bem Saúde, empresário na Ria Formosa, criador de cães, comprou duas fêmeas para a sua empresa, para o negócio e exploração.
No início do referido Século, o Cão de Água da Ria Formosa deixou de acompanhar os pescadores, mas começou a ser utilizado noutras actividades, como em torneios no mar, em Vilamoura e Quarteira.

Na opinião dos pescadores o Cão de Água não devia ser vendido, mas sim oferecido.

Esta raça foi exportada para a França, Estados Unidos, Inglaterra e Espanha, para além disso surgiram muitos criadores no nosso país que asseguraram a procriação da raça.


A Origem

Na Costa Algarvia o cão de água tinha como donos, predominantemente, as pessoas mais humildes, que nasciam e morriam sem lhe dar o devido valor. Um grande empresário, Vasco Bem Saúde, viu o leão (raça do Cão de Água) na exposição Internacional de Lisboa e ficou muito interessado por esta raça.
Vasco Bem Saúde veio de Lisboa ao Algarve visitar o dono do Leão, mas este recusou-se a vendê-lo. No entanto, com muita insistência o empresário acabou por comprar o Leão e mais três cães.



Características:

É um cão com carácter, bravo e resistente à fadiga. É atento, tem uma boa visão, inteligência e olfacto apurado. Tem um carácter obediente e é amigo do seu dono.
Geralmente os machos medem entre 50 e 60 cm de altura, já as fêmeas medem entre 43 e 55 cm de altura.
Quanto ao tipo de pelo, podemos encontrar cães com pêlo encaracolado, mas curto, ou ondulado e comprido. Podem ser malhados, pretos, brancos ou castanhos. Vivem aproximadamente entre 10 a 15 anos.


Publicado por: Antero Pinheiro



As Aves na Ria Formosa

A Ria Formosa revela-se uma área protegida de grande interesse, uma vez que se trata de uma zona protegida, para as aves migratórias que aqui chegam, vindas de África, do Norte, e do Centro da Europa, esta constitui uma importante zona de passagem para as migrações entre e durante a migração outonal. O Outono é caracterizado pela migração de passeriformes (aves de pequeno ou médio tamanho, que constroem os ninhos muitas vezes com perfeição).

O que são passeriformes?

São um grupo de aves numeroso e diversificado, há cerca de 5400 espécies, o que representa mais de metade do total de espécies de aves. Geralmente alimentam-se de sementes, frutos e pequenos invertebrados.
Entre as principais características dos passeriformes encontram-se as patas com quatro dedos ao mesmo nível uns dos outros, três virados para a frente e um para trás A ausência de membranas interdigitais.
Penas, nove a dez penas primárias, doze rectrizes que são as penas da cauda que geralmente são simétricas. As crias nascem indefesas e requerem cuidados parentais durante pelo menos algumas semanas.
As zonas de caniçais são também muito importantes para muitas espécies de passeriformes migradores e é classificada como uma zona húmida de importância internacional, sem dúvida um local extraordinário para observar as aves.

De entre as aves migratórias que visitam a Ria Formosa encontram-se por exemplo, o picanço-barreto, a perdiz-do- mar, o cuco-rabilongo, a garça-vermelha e a Galinha-sultana.


Nome Vulgar: Picanço-Barreteiro
Nome Científico: Lanius Senator
O Picanço-Barreteiro (Lanius senator) é uma ave passeriforme com cerca de 17 cm. A nuca e a garganta são de um castanho-encarniçado. O resto da plumagem é em tons de branco e preto. A fêmea apresenta um padrão semelhante, contudo as suas cores são menos vistosas.
O Picanço-Barreteiro aparece nos países do Mediterrâneo, incluindo Portugal, habitando pomares soalheiros e secos e terrenos de arbustos. A sua alimentação é composta basicamente por insectos, tais como os gafanhotos, comendo, por vezes, pequenas aves, como os pardais.
O ninho é construído pela fêmea e encontra-se nas árvores a uma grande altura. É decorado com flores e penas de outras aves. O choco dura à volta de 16 dias e inicia em finais de Maio.
Em Portugal é uma espécie abundante, sobretudo no Sul, sendo rara no Litoral Centro e Norte, onde o clima é mais húmido.

Nome Vulgar: Perdiz-do-Mar 
Nome Cientifico: Glareola Pratincola
É uma ave da família Glareolidae. Tem um comprimento de 24 a 28 cm e é muito diferente das outras limícolas, fazendo lembrar uma andorinha gigante. Talvez por esse motivo o nome que foi dado a esta espécie foi Hirundo pratincola. Esta espécie distribui-se de forma dividida pelo sul da Europa. Nidifica em colónias dispersas, geralmente nas proximidades de zonas húmidas. É uma ave migradora, que inverna na África subsariana. A África Subsariana é a região do continente Africano a sul do deserto do Saara. É a mais pequena das andorinhas do mar e tem algumas características que a permitem diferenciar de outras espécies semelhantes, como a sua testa branca, barrete e máscara facial pretas e o bico amarelo com a ponta escura. Voa, especialmente, pela zona costeira encontrando-se nas grandes zonas húmidas do litoral. É uma espécie que nidifica em Portugal e vai para África no Inverno, estando presente no nosso território principalmente entre princípios de Abril e princípios de Setembro.

Nome Vulgar: Cuco-Rabilongo
Nome Científico: Clamator Glandarius
O Cuco-Rabilongo é relativamente grande. Distingue-se sobretudo pelo contraste entre o castanho das partes superiores e o bege do peito, pela cauda muito longa, pela pequena poupa e, naturalmente, pelas vocalizações dos adultos (uma sequência de "Tchak-
tchak-tchak-tchak", muito diferente do tradicional "cu-cu" do Cuco-Canoro).
Os juvenis caracterizam-se ainda pelas manchas arruivadas nas asas. Este cuco ocorre de norte a sul do país, mas é em geral uma espécie mais abundante no sul. É uma espécie estival, com um calendário de migração bastante prematuro, os primeiros indivíduos chegam em Janeiro ou Fevereiro, mas a maioria deverá chegar apenas durante o mês de Março.
Os juvenis voadores são vistos sobretudo em Junho, altura em que o cuco-Rabilongo abandona o nosso território.

Nome Vulgar: Garça Vermelha
Nome Científico: Árdea Purpúrea
A Garça-Vermelha, é normalmente encontrada em terras pantanosas e pântanos no sul e centro da Europa, migrando de Inverno para a África construindo o ninho em colónias, geralmente em caniçais.
A Garça-Vermelha tem entre 78 e 80 cm de comprimento e um tamanho de 120 a 150 cm, não existem características sexuais diferentes nesta espécie e a variação sazonal da plumagem é pequena. O adulto apresenta a cabeça e o pescoço avermelhados, com uma coroa preta (na plumagem nupcial tem um penacho preto) e com duas riscas pretas de cada lado da cabeça, uma que sai da base do bico continuando ao longo do pescoço e outra que sai da zona sub-orbital e chega até à nuca. As faces são brancas, bem como a garganta. O dorso e as coberturas são acinzentados, com as penas escapulares cor cor-de-vinho e mais longas na época de reprodução; a cauda é cinzenta. Os ombros e o peito são castanho-avermelhados, os flancos são cinzentos. O bico é amarelo, com a extremidade escura, os olhos são amarelos e as patas são castanhas. A plumagem do juvenil é mais castanha e não apresenta os padrões da cabeça e pescoço presentes no adulto.
A área de reprodução da Garça-Vermelha na Europa estende-se desde a Holanda e da Polónia, a Norte, até Espanha, Portugal e Itália, a Sul, e até à Turquia e ao Mar Cáspio, a Este. Em África nidifica em Marrocos, Argélia e ainda na África Ocidental e do Sul. A população reprodutora europeia está estimada entre 49.000 e 100.000 casais.

Nome vulgar: Galinha-sultana ou caimão-comum
Nome cientifico: Porphyrio porphyrio
Ave de plumagem azul-escuro, com pernas altas, bico vermelho e a parte menor da cauda em tons de branco, a galinha-sultana era, até há pouco tempo, uma espécie em vias de extinção.
A galinha-sultana parece uma ave tropical e é uma das espécies protegidas mais emblemática e, por isso, a que representa o Parque Natural da Ria Formosa.
Frequenta lagos com vegetação emergente abundante, à qual recorre como zona de refúgio.


Nesta zona é possível encontrar algumas aves aquáticas que aí permanecem o ano inteiro, como por exemplo, o Colhereiro, o Perna-vermelha-comum, o Alfaiate, o Alcaravão, o Pernilongo, o Borrelho-de-coleira-interrompida e o Flamingo. 

Nome Vulgar: Colhereiro
Nome Científico: Platalea leucorodia
Tem de altura cerca de 87cm e de envergadura 130cm. Tem plumagem de tons rosa, adquirida depois do terceiro ano de vida, caracterizando-se, também, pela forma do bico, que é largo e espalmado (tem a forma de uma colher, vindo daí o nome de colhereiro). Machos e fêmeas são parecidos, mas contém algum dimorfismo sexual (é considerado quando há ocorrência de sujeitos do sexo masculino e feminino de uma espécie com características físicas não sexuais marcadamente diferentes). Ou seja, machos são superiores e requerem a muda nupcial, exibindo tons fortes de rosa nas asas durante a época de acasalamento.
Habita em praias enlameadas do Litoral, charcos, lagos, atalhos e matas ciliares.
Habitam em grupos procurando alimentos em charcos de pouca profundidade, imergindo e sacudindo a «colher» do bico lateralmente, peneirando a água. Dispersam-se levemente curvando para baixo, com as asas em forma de concha, juntando-se com outras espécies. Alimentam-se de minúsculos peixes, insectos, moluscos, crustáceos e sobretudo larvas.
Durante o tempo de reprodução nidificam no alto das árvores, é nessa época que dão um enorme espectáculo, manchando as árvores de rosa. As fêmeas põe três ovos, após 24 dias de incubação nascem as crias, sendo alimentadas pelos pais até partirem do ninho. Quando sai do ninho já estão emplumadas, mas em tons de branco.
O colhereiro destaca-se pelas cores vivas do exemplar adulto. O bico é amarelado, sendo que na temporada de reprodução apresenta uma bolsa esverdeada na base. As penas da cauda são amareladas, vagamente cobertas pelas penas rosas da barriga.
A ave, jovem, no entanto, sai do ninho com uma plumagem rosa clara, quase branca e durante um período de 5 anos vai modificando, pouco a pouco, para a plumagem adulta. A cabeça e o pescoço, emplumados no inicio da vida, vão perdendo as penas e obtendo as características adultas.
Além dessas cores lindas o colhereiro tem uma outra característica única.

Nome Vulgar: Flamingo
Nome Cientifico: Phoenicopterus Ruber
São aves enormes. Têm pernas longas, finas e de cor vermelha, tendo o pescoço comprido e o bico bem longo e curvo (parecido com um nariz de papagaio), num corpo forte. A cor comum da plumagem é rosada, com tendências avermelhadas. As pontas das asas são pretas. Em pé pode ter de altura 1,5m e pesar cerca de 1,8kg. A fêmea é um pouco mais pequena do que o macho. As asas são enormes e a cauda é pequena.
Habita em lagos, rias rasas, águas salobras, sem vegetação e à beira-mar. 
Vive em enormes bandos, sendo aves aquáticos estão activos de dia e de noite. Quando o flamingo dorme, imóvel, tem uma das pernas junto ao peito sendo o peso do corpo suportado apenas por uma perna, com uma admirável estabilidade. Já o pescoço é mais complicado de equilibrar, principalmente por causa do peso do bico. Para ajeitá-lo o flamingo apoia-o, baixando-o sobre o lombo e encaixa a cabeça entre a asa e o tronco. Quando está em actividade as longas pernas adaptam-se aos costumes alimentares do flamingo, assim a ave pode vasculhar águas rasas e lamas pouco profundas em busca de alimento. O voo em grupo, em linha oblíqua, ou em forma de cunha produzem um rumor que faz lembrar uma trovoada.
Ao pescar em águas rasas, com o pescoço curvado para baixo, a maxila fica inclinada para o fundo lamacento e filtra com o bico o seu sustento, constituído por minúsculos animais aquáticos como larvas de moscas, moluscos pequeninos, crustáceos e algas. 
Reproduzem-se na primavera, agrupam-se em colónias para fazerem os seus ninhos, cada um deles produz um cone truncado de lama esmagada com o bico. Normalmente põem 2 ovos azulados, a incubação pode durar de 28 a 32 dias. Por ser difícil baixar-se constrói o seu ninho a uma altura de 10 a 40cm. As crias ao nascerem são de cor branca, mas com o passar do tempo ficam cinzento-escuro.

Nome Vulgar: Perna-vermelha-comum
Nome Científico: Tringa Tatanus           
O Perna-vermelha-comum é uma ave de Inverno e é habitual nos estuários e salinas da Ria Formosa.

De comprimento médio, com patas muito distintas, compridas, de cor vermelha vivae bico mais pequeno.

Os adultos em plumagem nupcial apresentam a maior parte do corpo de tom cinzento-acastanhado e as zonas menores brancas, muito manchadas por riscas castanho-escuras no peito. A plumagem de Inverno é mais clara, as partes superiores são de tom cinzento claro e nas partes menores as riscas tornam-se menos visíveis. Os jovens têm uma plumagem mais negra, com as penas das partes maiores acastanhado-escuro orladas a claro e as partes menores muito tingidas de negro. O bico é direito, de cor vermelho na base e negro na ponta.
Metade da área de reprodução desta ave situa-se na Europa.
Na Escandinávia e Países Bálticos a sua distribuição é assim regular. Na Rússia e na Ucrânia apresentam uma distribuição uniforme. A Islândia, Noruega, Bielo-Rússia, Reino Unido e Holanda suportam mais de três quartos de toda a população reprodutora europeia, que está estimada em 300.000-630.000 casais.

Nome Comum: Alfaiate
Nome Científico: Recurvirostra avosetta
Os Alfaiates chegam a Portugal para passar o Inverno, sendo essa a melhor altura para serem observados. No sul do país, podem ainda ser observados alguns indivíduos reprodutores na Primavera e no Inverno
A principal condição de ameaça para esta espécie está relacionada com a perda e destruição do seu habitat. O principal interesse sobre a faixa litoral para a instalação de empreendimentos turísticos, tem prejudicado zonas habituais de descanso destas aves. Outros factores de preocupação relativamente à sobrevivência desta ave são a poluição das águas, a destruição dos ovos por animais domésticos e selvagens e, casualmente, a caça. A população nidificante em Portugal tem o estatuto de «Quase Ameaçada» e a multidão invernante de «Pouco Preocupante». Em termos de estatuto de ameaça a nível da Europa o Alfaiate não está considerado entre as espécies ameaçadas.
Tem de altura 38 cm. O tarso e a tíbia visível medem, juntos, 16 cm. A superfície do branco na cabeça e no dorso varia em relação à idade, época do ano e região geográfica; suas asas completamente pretas atraem a atenção.
Nidificam numa cavidade esgravatada no solo, os ovos têm a forma de um pião ou de uma pêra, são manchados, confundindo-se perfeitamente com o solo. Quando os adultos são admiradíssimos no ninho fingem-se de feridos a fim de desviar dali o inimigo; o macho torna-se bravo, até mesmo para os homens.

Nome vulgar: Borrelho-de-coleira-interrompida
Nome científico: Charadrius alexandrinus
O Borrelho-de-coleira-interrompida pertence à ordem dos Charadriiformes e é das três espécies de borrelho, que aparecem vagamente em Portugal, aquela que tem as patas mais longas. Tem de altura entre 15 e 17 cm de comprimento e 42 a 45 cm de envergadura, sendo acentuadamente mais baixo que o Borrelho-grande- descolaria. A tintura críptica do lombo, peito e barriga torna-o complicado de encontrar, principalmente na areia. No entanto, é espontaneamente identificável pelo seu comportamento: corre rápido e pára, baloiçando o corpo e a cabeça. O lombo é creme acastanhado, o peito e a barriga são de cor brancas e a coleira escura, ao contrário dos outros borrelhos, não está junta à frente, mas sim interrompida. O macho, em plumagem nupcial, expõe uma linha preta desde o bico até à zona pós-orbital e uma cor laranja. A fêmea e o macho, em plumagem de Inverno, têm as riscas da cabeça acastanhadas. O bico e as patas são escuros ou cor acinzentado-escuro. Nos jovens a linha facial e a coleira são pouco claras. Em voo é aparente uma risca branca ao longo das asas, mais estreita e menos notável do que a do Borrelho-grande-de-coleira.
Em Portugal, a grande maioria das aves é residente, estando dividida no Inverno por toda a costa litoral.



Nome vulgar: Alcaravão
Nome científico: Burhinus oedicnemus

É uma ave que se vê mais durante o dia, tem 40 cm de tamanho e encontra-se sempre em campo aberto. É muito barulhento durante o Verão, sobretudo de noite. Uma ave alta de tamanho médio com um forte bico amarelo e negro, enormes olhos amarelados que lhe dão um ar reptiliano, e plumagem de cor castanha clara riscada.
Preferindo habitats abertos, matos secos com superfícies de areia e pedras.
Alimenta-se, sobretudo, de pequenos insectos, de outros pequenos invertebrados, de pequenos lagartos e até de ratos.
Põe dois ou três ovos, num pequenino orifício no solo, sentindo-se por isso muito visível aos predadores.
O Alcaravão surge em toda a Europa temperada onde chega na primavera e volta para África no fim do verão, sendo por isso uma ave de chegada, embora, em Portugal possam ser vistos todo o ano.

Nome vulgar: Pernilongo
Nome científico: Himantopus
Caracteriza-se por ser uma ave aquática excepcional, com pernas compridas, enormes asas pontiagudas, cauda pequena e dedos unidos por uma curta película. Pescoço longo e bico muito comprido, estreito e repto. A tintura em geral é preta no lombo, inclusivamente nas asas, tendo superfícies com reflexos verdes. Pernas e patas avermelhadas e bico preto. Fêmea e machos são semelhantes, têm de altura 38 cm.
Caminham com passos largos sobre os aguapés, salvínias e outras plantas flutuantes à procura de sustento.
É um animal que come moluscos, crustáceos, larvas, peixes e anfíbios, além de algas.
Fazem o ninho em pequenos arbustos ou numa cova feita no solo. A postura é de 2 a 4 ovos de cor azeitona, com pintas escuras, confundindo-se completamente com o solo. O tempo de procriação vai de Outubro a Janeiro.

Publicado por: Daria Babo

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