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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Município de Loulé saúda o Governo português pela suspensão da ameaça de petróleo no Algarve



O Município de Loulé saúda a decisão do Governo português de suspender a ameaça de prospeção e exploração de petróleo e de gás no Algarve, na sequência de autorizações do anterior governo PSD/CDS.
A corajosa decisão de rescindir os contratos de prospecção e exploração de petróleo revela que o governo ouviu os algarvios e decidiu em sintonia com as expectativas das populações e com a importância da vocação turística do Algarve para a economia nacional.
É a única decisão inteligente, sintonizada também com a ambição de estruturar o nosso desenvolvimento com base em fontes de energia não fósseis.
O Município de Loulé saúda e agradece a mobilização das instituições e dos movimentos de cidadania pelo impulso cívico e democrático, decisivo para os resultados agora alcançados.
A decisão do atual governo é a prova de que é possível exercer o poder e a cidadania de forma diferente, com resultados positivos para o nosso futuro comum.
Porém salienta-se ainda a situação da vigência do contrato ENI/Galp no sudoeste alentejano e costa vicentina relativamente ao qual o município de Loulé espera que o Governo prossiga na mesma senda de rigor e controle do contrato a fim de que seja possível anular o mesmo. Mais, aguarda-se a ponderação da consulta pública determinada em prorrogação de prazo por Sua Excelência a Ministra do Mar.
É no presente que se constrói o futuro. Como faz agora o Governo da República, como fazemos em Loulé com a Estratégia Municipal para as Adaptações às Alterações Climáticas.
Os riscos e as ameaças deixaram de existir com este governo, mas existirão sempre com outras soluções governativas. Contarão sempre com uma posição forte do Município de Loulé, na defesa dos interesses do Algarve e dos Algarvios.


planetalgarve.com

O Tweeter matou o jornalismo na guerra da Siria?



JPEG – 95.2 Koen. No canto superior esquerdo, o “jornalista” Hadi Abdullah (que faz pose com o seu amigo Al-Muhaysini, líder da Al Qaeda). No canto inferior direito, o “jornalista” Bilal Abdul Kareem. Sobre estes dois deve ler: http://bit.ly/2hCHaQj d-al-qaida.HTML
 







































Esta é a pergunta que Ramzy Baroud, do Palestina Chronicle nos coloca, agora que a libertação de Aleppo revelou tanta mentira anteriormente propagada para nos convencer do que, afinal, veio a carecer de qualquer base de sustentação documental, de qualquer tipo que fosse, e que assentou em frases espalhadas no tweeter, supostas declarações individuais de pessoas desinseridas dos meios, que “aparecem” para o microfone, de imagens falsificadas ou retiradas de outros contextos.
O jornalista palestiniano refere declarações de um repórter veterano de guerra Robert Fisk como desenvolve o seu argumento no banco de Aleppo na “visualização” do vídeo, entendemos a quase impossibilidade de cobertura da mídia a guerra na Síria.
Em um artigo publicado recentemente no jornal britânico The Independent site, Fisk traça um paralelo com o assento, elevação e massacres atrozes dos nazistas em Varsóvia, Polônia, em 1944. terrivelmente alto custo desta guerra leva a Francês rejeitar a afirmação de que este cerco de Aleppo é “o pior massacre desde a segunda guerra Mundial.”
“Por que não vemos combatentes rebeldes, como nos filmes de Varsóvia? Por que não falar de sua filiação política, como é feito nos tiros de Varsóvia? Por que não vamos ver o equipamento “rebeldes” militares -, bem como alvos civis – atingido por artilharia e ataques aéreos como vemos nos noticiários poloneses? “Ele pede, em seguida, mostrando o que ele percebe como uma comparação falho.
Fisk não duvidava de que as imagens de crianças mortas e feridas Aleppo Médio são verdadeiras; seu argumento se opõe principalmente a cobertura da mídia unidirecional, a demonização de um lado, enquanto o outro é isenta de críticas.
JPEG – 95.2 Koen superior esquerdo, o “jornalista” Hadi Abdullah (que levanta com seu amigo Al-Muhaysini, líder da Al Qaeda). Inferior direito, o “jornalista” Bilal Abdul Kareem. Sobre esses dois deve ler: http://bit.ly/2hCHaQj d-al-qaida.html
Eu sempre acho que comparar massacres – descobrir o que é pior – é de mau gosto, mesmo desumano. O que é, exceto para mitigar os efeitos de uma tragédia, para compará-lo com outra supostamente mais trágica? Ou, como o francês, talvez exagerando o número de mortos é usado para criar o tipo de medo que muitas vezes leva a empreender ações militares políticos e imprudente?
França e outros países membros da OTAN têm usado repetidamente essa tática várias vezes no passado. Além disso, esta é a forma como a guerra contra a Líbia foi inventada, supostamente para afastar o “genocídio” Tripoli iminente e o “banho de sangue” em Benghazi. Os norte-americanos têm usado durante a guerra do Iraque, de forma brilhante. Os israelenses avançaram em Gaza.
Na verdade, a intervenção dos EUA no Iraque sempre foi ligado a um tipo de ameaça global imaginário, não surpreendentemente, nunca foi comprovada. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair estava tão ansioso para tomar parte na conquista do Iraque em 2003, que fabricou em 45 minutos informações  de que o Iraque, sob Saddam Hussein, estava quase a obter armas de destruição massiva.

Os EUA fizeram melhor: foi recentemente revelado que os EUA haviam contratado uma empresa com sede em Londres, a Bell Pottinger, para criar vídeos falsos da Al Qaeda e fazer relatórios que parecem ser de meios de comunicação social verdadeiros.
Estes vídeos de propaganda foram “aprovados pessoalmente” pelo comandante da coligação, dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, assim como o site informativo Salon bem como outros sites como foi revelado.
Nós ainda não sabemos o conteúdo de vários dos vídeos, nem como este equipamento, que custou 540 milhões de dólares,para os contribuintes americanos tem influenciado os acontecimentos e a nossacompreensão deles.
Dado o elevado custo financeiro e o facto e que a empresa tem trabalhado directamente do “Camp Victory” em Bagdade, “ombro a ombro” com importantes funcionários dos EUA, só se pode especular sobre a importância de manipulação de espectadores e leitores durante todos estes anos.
Pior, se o associarmos com o facto e que a razão para a guerra era uma mentira, e que Donald Rumsfeld, então secretário de Defesa, não tinha a intenção de informar os jornalistas sobre o que estava realmente a ocorrer no terreno e que inúmeros jornalistas tinham concordado em ser “incorporados” nas forças americanas e  britânicas, a dimensão da distorção da cobertura mediática ainda se agrava. Sendo então de perguntar se qualquer coisa real nos foi relatado do Iraque.

Mas, contudo, sabemos que centenas de milhares de pessoas morreram durante esta aventura militar desastrosa, que o Iraque não fica melhor, e que milhares de pessoas irão ainda morrer, porque é isso que acontece quando países são invadidos, desestabilizados, costurados à pressa apenas para serem abandonados à sua sorte.










Via: antreus http://bit.ly/2hG49Hg

PSD afunda e PS segue caminho para a maioria


PSD afunda e PS segue caminho para a maioria



É uma trajetória que se mantém desde março deste ano. 

O PS reúne cada vez mais intenções de voto e o PSD não pára de cair. Na Sondagem de dezembro da Aximage para o Correio da Manhã a distância acentuou-se ainda mais. Os socialistas já conseguem 40,1% das intenções de voto (registaram 32,3% no barómetro de novembro) e os social-democratas 27,4% (depois de terem alcançado os 28,7% no mês passado).

Com estes resultados, o PS está cada vez mais próximo de alcançar a maioria absoluta sem precisar de nenhum partido. Entre a geringonça o Bloco de Esquerda acentuou este mês a ligeira trajectória de descida nas intenções de voto. 

O partido de Catarina Martins recuou 0,7 pontos percentuais e concentrou 8,3% das intenções de voto (tinha 9% no mês passado).


Já a CDU, que reúne as intenções de voto no PCP e no partido ecologista ‘Os Verdes’, ganhou algum fôlego: cresceu 0,2 pontos percentuais e alcançou os 7,5% de intenções de voto em dezembro.

Isto significa que, tanto PS com Bloco de Esquerda (48,4%), como PS com CDU (47,6%) têm percentagem suficiente para chegar à maioria absoluta. Juntos, os partidos da ‘geringonça’ reúnem 55,6% das intenções de voto. 

Muito longe de PSD e CDS juntos (34,1%). O partido de Assunção Cristas recuperou 0,3 pontos percentuais e chegou a dezembro com 6,7% das intenções de voto.


Popularidade de Passos em queda livre


Em apenas um mês, a avaliação de Passos Coelho caiu 1,1 pontos, de 6,3 para 5,2 valores. É o pior resultado de sempre para o ex-primeiro-ministro e presidente do PSD. O líder social-democrata, de resto, tem quase metade da nota da segunda pior classificada: Assunção Cristas. A presidente do CDS está próxima da linha de água com 9,4 pontos, uma descida de 0,6 pontos em relação ao mês de novembro.

Com nota positiva seguem Catarina Martins (11,2 pontos), Jerónimo de Sousa (11,3) e António Costa (13,7).

Esta sondagem realizou-se tendo por base 605 entrevistas telefónicas efectivas realizadas a cidadãos de várias zonas do País entre os dias 2 e 4 de dezembro. A taxa de resposta é de 83,9% e a margem de erro é de 4%.
Ficha Técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.

Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 605 entrevistas efectivas: 282 a homens e 323 a mulheres; 58 no Interior Norte Centro, 83 no Litoral Norte, 106 na Área Metropolitana do Porto, 120 no Litoral Centro, 163 na Área Metropolitana de Lisboa e 75 no Sul e Ilhas; 98 em aldeias, 171 em vilas e 336 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 2 a 4 de Dezembro de 2016, com uma taxa de resposta de 83,9%.

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 605 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%).

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.




www.cmjornal.pt

VÍDEO - OURO DE LEI - HISTÓRIA DO OURO POPULAR PORTUGUÊS



VÍDEO


CAÇA ÀS BALEIAS/O TRANCADOR DE BALEIAS



Em conversa com um velho trancador de baleias na Calheta de Nesquim, concelho de Lajes do Pico, ilha do Pico, este homem do mar com os olhos no horizonte de saudade dizia-me: «Se existe céu na terra, o céu está aqui.»
Os velhos baleeiros
Eu vi os barcos parados prisioneiros
na sede de um museu. E os arpões
pendurados. E gravadas
em dentes de baleia as passadas navegações
dos velhos baleeiros.
E vi os olhos daquele que falava
da última baleia como quem
remasse ainda sobre a onda brava
para um mar onde nunca mais ninguém.
Manuel Alegre
Trancador de BaleiasDe facto, neste fim de tarde numa conversa amena com um velo trancador de baleias respira-se serenidade, num olhar que repousa no infinito do Atlântico, da Atlândida, sempre na expectativa de lá ao fundo encontrarmos sinais de um cachalote. Hoje que a caça à baleia está proibida, por aqui a visita às baleias virou a negócio normalmente explorado por pessoas estranhas a este triângulo dos Açores, que envolve a ilha do Pico, Faial e S. Jorge.
Na Calheta de Nesquim, terra de baleeiros, os trancadores, oficiais, mestre de lancha, remador, cigana e construtor naval, profissões ligadas a esta actividade, caíram em desuso e hoje são figuras de museu.
Longe vai o tempo em que sentado no cais da Calheta de Nesquim conversei sobre esta temática com o Manuel Pereira de Lemos, o Manuel Alfaiate, que obsessivamente e de forma recorrente desfiava a sua memória sempre à volta desta temática. A proibição legal e a emigração para a América que fica lá bem longe no horizonte, transformaram esta gente em coisa inútil confinando-os à vida do campo.
As autoridades locais nesta ilha, onde se sente um grande cuidado com as coisas da cultura, reabilitaram estes espaços de transformação de cachalotes, erigindo museus, lembrando ao visitante que por estas terras existe gente de coragem. Os museus de S. Roque do Pico e das Lages do Pico, são o orgulho desta gente do mar onde «nunca mais ninguém».
O trancador de baleias pela sua coragem e atitude destemida ao enfrentar animais que pesam toneladas em condições adversas em alto mar e em pequenos botes, traz-me à memória a coragem das gentes da raia que sobreviveu ao contrabando. A coragem das nossas gentes mede-se também na forma destemida como enfrentam um touro em pontas com o forcão.

capeiaarraiana.wordpress.com

Lenda de um Baleeiro da Ilha do Pico



Do Facebook de Feliciano das Neves
A Lenda de um Baleeiro da Ilha do Pico é uma tradição da ilha do Pico, no arquipélago dos Açores, que fala da coragem do que é ser-se baleeiro, e dos perigos que se corria para ganhar o pão nosso de cada dia.
A lenda passa-se há muito tempo, numa manhã ensolarada na localidade de São João do Pico, logo depois do raiar da aurora. O sol levantava-se para os lados das Lajes do Pico e a cor verde dos vinhedos e dos milheirais destacava-se por entre o negro das pedras queimadas dos vulcões.
Os homens dirigiam-se para as suas terras para a jornada do dia, para sachar o milho, bater tremoço, apanhar batatas ou cuidar das das uvas. Nas suas cozinhas, as mulheres preparavam o almoço que naqueles tempos era quase sempre composto por sopas de bolo, papas de milho ou batata com peixe.
Subitamente soou alarme de baleia à vista. Algures numa das vigias de baleia estrategicamente colocadas ao longo da costa foram disparados foguetes. Os homens largaram o que faziam. Os sachos caíram para o chão, os alviões ficaram enfiados na terra nos locais onde estavam. As burras de milho foram abandonadas com as canas por amarrar. Os animais foram presos a um galho de árvore próximo e os homens correram para os cais. As mulheres em casa prepararam uma merenda apressada e também elas correram para o cais a levar ao comida aos maridos numa saca de retalhos de pano antes de eles partirem para o mar.
Os primeiros a chegar arriaram os botes baleeiros, pondo-os na água, e partiram assim que tinham a tripulação completa. No cais, as mulheres ficaram a chorar sem saber se na luta entre o homem e o grande animal alguém morreria, como frequentemente acontecia.
Depois de algumas milhas de navegação à vela com o vento a favor, avistaram a baleia ali próxima. Era uma grande baleia adulta, um espermacete com mais de cem barris de óleo segundo os cálculos, o que seria uma fortuna. Logo se gerou com grande reboliço nos botes, uma baleia daquele porte não se via todos os dias. Representava não só a comida ganha para muitos dias, mas também um prazer para os homens que estavam habituados ao mar e à batalha desta pesca.
As velas foram arreadas e os homens começaram a remar para se aproximarem da baleia, que resfolgava, soltava esguichos de respingos no ar, mergulhava para voltar a aparecer metros mais á frente. No bote que primeiro se conseguiu pôr em posição, o arpoador curvara-se para a frente, fixara o olhar na baleia e acertara o arpão.
Ferida, a baleia acelerou o seu nadar, afastando-se do bote e levando no dorso o arpão amarrado a uma corda forte, que se ia desenrolando de uma selha no fundo do bote. A corda não teve comprimento suficiente e foi amarrada a uma segunda corda, numa segunda selha, até que não havia mais cordas. O trancador pegou na parte da corda que ainda estava na celha e antes que ela acabasse, amarrou-a à sua cintura. Assim, foi arrancado do bote e levado pelo mar, puxado pela baleia que nadava para o desconhecido, sem que alguém tivesse tempo de intervir.
Vigia nos Capelinhos - Faial
Podendo contar apenas com velas e remos para navegar, os botes não tinham velocidade para perseguir o animal, mas deram inicio a uma busca provavelmente fútil. Ao chegar da noite tiveram que rumar para terra, abandonando o trancador. A família deste vestiu-se de luto e as mulheres choraram e carpiram de dor durante toda noite.
Quando a manhã do dia seguinte nasceu, saíram novamente botes para o mar numa procura por muitos considerada vã, mas que era necessário, mais que não fosse se não por descargo de consciência. Era uma tentativa de encontrar o corpo do trancador para lhe ser dado um enterro digno.
Depois de muitas milhas de afastamento da costa, avistaram na linha do horizonte, que no mar é sempre baixo, uma mancha negra, e estranhando o fenómeno rumaram para lá. Ao chegarem encontraram uma grande baleia já morta a flutuar e em cima dela, de pé, o trancador, encostado ao cabo do arpão.
Perfeitamente bem, disse: "Agora é que vocês chegam? Tenho estado aqui toda a noite à espera!". Fumava um grosso cigarro, embrulhado em casca de milho, como se estivesse sentado a uma mesa. Reza a lenda que ele nunca disse o que se passou nem onde foi buscar o cigarro de folha de milho nem o lume com que o acendeu.




Homens em terra, com binóculos, ocupam-se das vigias em busca de baleias no horizonte. Uma vigia construída em quadrado na beira de uma ravina, de onde se vislumbra o mar numa grande amplitude. Por vezes, os vigias espreitam dias e dias sem se vislumbrar qualquer animal.
Muitos homens do campo dedicam-se às suas tarefas. Aguardam o sinal que poderá tornar as suas vidas melhores – numa economia agro-pecuária muito débil. A passagem dos cachalotes pode ser muitas vezes demorada. Um dia, o vigia dava o sinal – com um búzio ou com um foguete que estala no ar. A corrida para o calhau é espavorida, atropelada, muitos deixam a meio os seus afazeres no campo ou na vila. Mal há tempo para uma breve despedida das mulheres e filhos e um mal amanhado sinal da cruz ao passar em frente à igreja. Os mais velhos ficam de olhos fixos no mar para observarem os esguichos das baleias a resfolgar. Os miúdos acompanham os pais até à praia. As mulheres, porém, continuam na vida do campo ou da casa, de corações inquietos. Na sua memória, casos de um ou outro desastre, de um ou outro morto. Alguns dos homens nem levam de casa um pouco de pão, seguem para a dura faina do mar de estômagos vazios.
Arreados os botes, até os cães ficam na praia a ladrar. O esforço dos homens no mar é dobrado daquele que fazem na labuta da terra. Os botes, depois de ultrapassarem as ondas da costa, começam a deslizar. A sua velocidade só pode ser símbolo de uma boa jornada. Contudo, as baleias mudam de rumo e o vigia retira a bandeira. Os botes põem-se a fazer um círculo, até que o vigia hasteie novamente a bandeira. Estão no rumo certo – e avançam.
As baleias, lá bem longe, flutuam segundos e mergulham naquele mar bonançoso, mas que, de um momento para o outro, pode pôr-se rijo. Os botes continuam a deslizar com velocidade. O objectivo é aproximar-se da baleia, sem ruído. O trancador (arpoador) de pé, com os pés bem firmes, vai à proa de arpão em punho. Porém, quem dá as ordens é o mestre. Numa posição firme e de arremesso, o trancador observa o alvo, à espera de atingir a baleia num sítio crucial. O animal depois de arpoado deve sangrar bem.
Está tudo calado e ansioso, ninguém diz palavra inútil: homens, barco, arpoador e arpão, tudo tem o mesmo corpo e a mesma alma. São sete, à caça do monstro. Todos ganham: uma baleia dá muito óleo e o óleo dá muito dinheiro. Às vezes dá âmbar. Já outras canoas de aproximam. Mas, antes que lhe tirem a baleia, o trancador lança o ferro. O bicho tem um momento de hesitação e surpresa, como o touro quando lhe cravam a bandarilhas, o que permite ao barco desviar-se numa remada, antes de ser abafado na cauda ou envolvido no redemoinho das ondas. Não há um segundo de dúvida ou movimento falso. A baleia mergulha entre as vagas, com o risco de os arrastar para o fundo, e leva-os numa velocidade de expresso, pelo mar fora, porque aquela grande massa é de uma agilidade espantosa. E lá vão no curso entre as águas rasgadas, no grande sulco aberto com violência tomando tento na linha. A baleia mergulha. Corre agora linha de manilha americana, muito bem enrolada dentro de duas selhas, e os homens pálidos e imóveis, com o coração do tamanho de uma pulga, esperam. A baleia pode desaparecer durante vinte minutos. Às vezes a linha acaba-se quando a baleia mete muito para o fundo. Se está outro barco perto, fornece-lhe mais linha, senão a baleia perde-se: têm de cortar a manilha ou são arrastados para o abismo. A arça é o fim da linha, e é com pena que eles a vêm acabar-se. Passam a ponta de mão em mão, até ao último tripulante, que só larga com desespero. Mas em geral a baleia mergulha, vem à tona antes que se acabe a linha, e o que ela mostra primeiro é o focinho, para resfolgar. Aproxima-se e dão-lhe uma lançada ao pé da asa para a sangrarem. Mergulha, reaparece, esgotam-na e têm-na certa quando começa a esguichar sangue pelas ventas.
www.adiaspora.com

CAÇA À BALEIA



O TIO RAXA (O VIGIA)

Em São Caetano, na minha infância, o vigia, era o Tio Raxa, uma figura carismática e respeitada.
Diziam os que melhor o conheciam, que o Tio Raxa gostava muito duma pinguinha de vinho.
A vigia das baleias, ficava num alto, entre os dois moinhos de vento, que existiam na freguesia, o do Domingos e o do mestre Pompeu, ali no meio das adegas, do chamado Caminho do Meio. Muitas pessoas o convidavam para ir à sua adega beber uma tigela (de barro) de vinho.
Eu e outros rapazes amigos, gostava-mos muito de ir visitar o Tio Raxa à sua vigia, para ele nos deixar pôr os olhos por alguns momentos no seu binóculo de 18 vezes. Aquilo tinha um sabor especial, no tempo. Coisa engraçada e não rara, é que, muitas vezes, passava-mos no caminho e, víamos o chapéu do Tio Raxa pela fresta horizontal da vigia sobre o binóculo. Chegava-mos lá, era de facto o chapéu e o binóculo do Tio Raxa, mas, o resto tinha andado. Tinha ido consular o corpo e a alma para a adega dum amigo qualquer, que o havia convidado. A certa altura por volta dos meus 13, 14 anos, era mestre da lancha Espartel o Sr. João Abraão (filho); trancador (ou arpoador) de um dos dois botes o irmão Manuel Abraão, e oficial ou mestre do mesmo bote o pai destes, o mestre João Abraão (velho). Pessoa boa, bom conversador e contador de histórias, mestre João Abraão tinha estado emigrado nos Estados Unidos. Era amigo de dar atenção aos mais novos. Gostava muito de mim, e prometeu-me um passeio na lancha Espartel - o que seria um sucesso - à Festa de Nossa Senhora de Lourdes, que se venera na Igreja das Lajes do Pico, no último Domingo de Agosto, na certeza de que o filho João, não lho havia negar. Eu, esfregando as mãos de contente, dei a notícia em casa aos meus pais e irmãos. No tempo, já era muito bom ir à Vila àquela festa, e para mais na lancha Espartel.
Qual não foi o meu espanto quando o Mestre João Abraão me informou de que o seu pedido não tinha sido atendido por aquele seu filho de quem ele tinha muito orgulho? Acreditem que fiquei talvez com mais pena dele, do que ele de mim.
Tantos nomes de baleeiros célebres, outras figuras carismáticas, que ficaram na história da caça à baleia em São Caetano. O povo duma maneira geral, era bom. Respeitava toda e qualquer pessoa de fora da terra que por lá vivesse ou passasse. Alguns baleeiros – normalmente os mais simpáticos – eram convidados para as matanças dos porcos, para ir à adega beber umas tigelas de vinho, para ajudar a vindimar as uvas, etc. Estes, agradeciam, pois normalmente gostavam muito daquele precioso líquido e sempre levavam para casa um cesto de asa de uvas para comer mais a família. Recordo-me ainda dos tempos do Caçoila do Capão do Loiro, etc. profissionais da baleia, que mais para o fim da festa, até cantavam o desafio.
Muito novo ainda, parece-me estar a ver e ouvir o Capão a cantar ao desafio a sua cantiga ao Caçoila:
O Raxa mais o Caçoila
São dois amigos leais
Se o raxa gosta de vinho
O Caçoila muito mais

Com a entrada de Portugal na União Europeia, no ano de 1978, foi proibida a caça à baleia na Comunidade Europeia e por conseguinte, também nos Açores.
No Pico, onde houve forte actividade, resta apenas e ainda bem, o museu da baleia nas Lajes do Pico que vale a pena visitar, onde se pode ver tudo em artesanato, a tenda do ferreiro, o bote, a palamenta, as ferramentas e utensílios que eram utilizados, e se podem recordar aqueles saudosos tempos.
No cais do Pico (São Roque), existe a Fábrica-Museu com todos os seus equipamentos, caldeiras, máquinas, etc., muito bem conservados.

ilhamaior.blogspot.pt

O CONTRABANDO EM PORTUGAL

Antes da difusão generalizada dos chamados lares académicos, um dos problemas mais complicados que se punham às famílias que pretendiam matricular filhos no ensino secundário e residiam fora dos centros populacionais onde não existiam liceus ou colégios, era o do alojamento.
Os hotéis e até as pensões, mesmo humildes, eram manifestamente inacessíveis para a quase totalidade das bolsas, além de não condizentes com o ambiente pretendido.
A solução foi propiciada por muitos particulares que, recebendo estudantes, obtinham reforço para os seus orçamentos, por via de regra magros.
E havia até pessoas, muitas vezes viúvas ou filhas-família, que, por qualquer razão, não haviam casado, para as quais esta actividade era a única fonte de rendimentos.
Os candidatos a hóspedes eram na generalidade descendentes de lavradores meãos que, tendo embora abundância do que a terra lato sensu ia dando, padeciam já de uma endémica falta de dinheiro. Daí que o alojamento fosse em parte sustentado pelo fornecimento de determinados víveres. Aliás, em casos extremos, o pagamento poderia ser feito unicamente com géneros.
Era o regime do farnel, que habitualmente se compunha de batatas, feijões, chicharos, gravanços, toucinho, enchidos, queijos, ovos, aves de capoeira e até caça.
As hospedeiras controlavam os regimes de modo a equilibrar os gastos.
Genericamente, vigorava uma divisão equitativa entre as duas formas de pagamento. Mas eram raros, raríssimos mesmo, os casos em que o dinheiro era o único meio.
Nisto se distinguiam os filhos dos contrabandistas, ou mais precisamente dos empresários de contrabando, que mesmo de pequenos negócios – e os grandes eram raridade – dispunham de dinheiro fresco e vivo. E que, para além de pagarem ao contado, por vezes até adiantadamente, deixavam nos bolsos dos estudantes mesadas que os distinguiam do comum.
Sob este duplo aspecto, os filhos dos contrabandistas eram um escol.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire
Se para ser cargueiro não se exigia mais que uma mediana robustez de peito e pernas e para ser empresário o problema era de fundo de maneio e capacidade de relacionamento, o guia, só o poderia ser, se aliasse a um perfeitíssimo conhecimento do terreno, uma velocidade e capacidade de carga que a Natureza só concede excepcionalmente e, acima de tudo, uma coragem a roçar o temerário.
Este vocábulo guia, na sua simplicidade dissilábica é dos que mais linhas exige dos dicionaristas e dos que mais nótulas e comentários lhes suscita.
Comum de dois, quando relativo a pessoas – que podem ser celícolas, como o anjo da guarda, simplesmente feminino quando referido a autorizações de marcha ou despacho – os tratadistas dizem, para a primeira hipótese, que guia é pessoa que conduz outra ou outras, a ou as acompanha e lhe ou lhes mostra o caminho.
Para a segunda hipótese, tanto pode ser roteiro que indica o caminho que se há-de seguir, como obra que encerra instruções; como a famosa carta de guia de casados do nosso Dom Francisco Manuel de Melo,,,
Nas operações de contrabando, a primeira tarefa é a da escolha da rota – caminho pouco simpático e acessível às patrulhas fiscais, de horizontes muito curtos e com obstáculos naturais a corridas de perseguição.
Mas, porque há sempre o receio de qualquer iscariotes que faça denúncias ou se espera comunicação dos vigilantes de serviço que inculquem perigo para o delineado trajecto, logo desde a primeira hora se estabelecem alternativas. E, conjecturando-se sempre a hipótese de aparecimento de guardas ou carabineiros, estudam-se cenários de diversão, a partir dos possíveis nós de intervenção.
Iniciada a travessia, o lugar da frente pertence sempre a um guia, que leva uma pseudo-carga, logo abandonada a voracidade dos homens do fisco, caso apareçam.
Mas o guia não foge do perigo, busca-o mesmo para decobrir e entreter possíveis apreenssores. A carga serve de negaça. Mas quando dela se despoja, atira para os ares com um fortíssimo ahhuu que alerta toda a fila.
Os cargueiros, embora no encalce, vão separados um a um por algumas dezenas de metros. E, enquadrados – de tantos a tantos, segundo o valor das cargas, podendo ser um para dois, no caso de mercadorias muito caras – por outos guias, que à ordem de debandada, fornecem aos seus protegidos, novo itinerário. Aliás, quando um cargueiro, por mais timorato ou acossado, perde a carga, o seu guia tudo fará para recuperá-la.
Meu pai, que foi guarda fiscal, contou muitas vezes, apontando o autor comum dos mais famosos guias de toda a Raia, que o Zé Júlio, das Batocas, se safou com três cargas de estanho, de vinte e cinco quilos cada uma, fugindo com elas pelos brejos…
Houve muitos guias que deixaram fama, como o Chicata, das Naves, o Berrnau, que sendo da Bismula, passava por batoqueiro, em virtude de viver amancebado com uma estalajadeira das Batocas… Os mais decantados de todos foram, no entanto, os quadrasenhos.
Porque alguns morreram crivados de balas pelos civiles que, vindos das crueldades da Guerra Civil de Espanha, tinham pouco respeito pela vida – sua e dos outros…
Os folhetos de cegos davam-se conta dos insucessos:
Era valente e sem manha
Amado pelos cargueiros
Quando ia para Espanha
Foi morto pelos carabineiros
Assim rezava o libreto, alusivo ao Aristides Perricho, que se podia transcrever só com mudança do identificativo para Leu, Léi, Balhé ou Balecho, nome de alguns dos caídos nas ravinas de Gata e Gredos.

O contrabando era nas terras raianas um modo de vida legitimado pela comunidade e fonte de receitas para quase todos.
Amigos meus, que, no Sabugal, exerceram funções de magistrados judiciais – juízes de direito e procuradores – me relataram repetidamente que, inquirindo, aos costumes, em sede processual, réus, queixosos e simples testemunhas, quanto à profissão exercida, muitas vezes ouviram a resposta: «sou contrabandista».
Pessoas, que viveram longos anos como cargueiros de jorna, não se haviam tais depoentes apercebido da ilegalidade da condição, pelo que se lhes afigurava tão legítimo ser contrabandista como pastor ou cavão, moço de servir ou carregador de número.
Aliás, para um raiano, de qualquer extracto social ou grau académico, a actividade sempre será de baixo delito e nunca será pecaminosa para aqueles que arriscam a vida como carregueiros e guias e, nem mesmo desqualifica socialmente os que se sujeitam à perda de património.
Outro tanto não se poderá já dizer de onzeneiros que se aproveitam das aflições ou debilidade financeira dos operacionais, para engrossar a conta, emprestando a juros altíssimos dinheiro próprio ou adrede sacado na banca, com exorbitâncias inimagináveis.
Comecemos a nossa análise pelos cargueiros de jorna, recrutados noite a noite para levarem a bom termo uma dada porção de mercancia – cinquenta quilos nas de valor semelhante ao da uva mijona, vinte a vinte e cinco nas de valor mediano e cargas levíssimas quando a coisa era valiosa. De café, artigo permanente numa transacção de séculos, as cargas rondavam os vinte quilos. Mas a incursão aventurava-se muito para além da linha de fronteira por dez léguas ou mais.
Durante a Segunda Grande Guerra, a Espanha, conotada com as potências do Eixo e devedora para com a Alemanha dos meios de combate propiciados a Franco, sofria internamente de terríveis carências e queria propiciar a Berlim materiais que lhe eram vedados, mas se poderiam obter em Portugal.
Minérios de estanho e volfrâmio, além de outros de grande raridade, passaram a Raia de Poço Velho aos Fóios, ocupando todas as noites centenas de cargueiros alombando cada um os seus vinte e cinco quilos.
A viagem era curta e de pouco risco, que, do lado espanhol, não havia apreensões e do lado de cá o trânsito só era condicionado quase rente ao limes.
Aos milhares de toneladas, mas em cargas individuais de quintal, passavam todas as noites para centros de armazenagem que iam dos Campanários de Azaba a Sant Esteban de Bejar desperdícios de borracha – da virgem à das ligas mais pobres – e de cornos de qualquer animal que os tivesse ostentado.
Foi meia década de pleno emprego.
O rapazola que acabara de tomar corpo cabonde podia ganhar a jorna todas as noites. E os homens feitos enquanto aguentassem dispunham de igual oportunidade.
A jorna ia dos vinte escudos na veniaga dos cornos aos cinquenta na dos minérios. Atendendo a que um cavador ganhava ao dia dez escudos a seco e cinco a de comer, trabalhando de sol a sol, e que neste jornadear, Espanha vai, Espanha vem, o percurso se faria, correndo tudo bem em quatro, cinco horas, a paga era tentadora.
E até estudantes em férias se atreviam a experimentar embora depois as pernas e sobretudo as costas dessem de si.
Com a rendição incondicional da Alemanha, acabou aquele ciclo.
E uma nova era de quase emprego só surgiu com o contrabando de vacas mas já no fim da era do escudo.
Cada passador trazia só uma rez e recebia, se a operação se finalizava com êxito, cinco contos de reis. Os rapazes da Confraria dos Solteiros não queriam outro modo de vida e muitos bons e honrados pais de família obtiveram um excelente reforço para os seus quase sempre muito baixos orçamentos de passigo.


«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire


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A ORIGEM DO PÃO








A ORIGEM DO PÃO

O Pão O trigo é geralmente semeado nos primeiros dias do mês de Novembro, nos campos, previamente lavrados. Neste período o calor da terra é suficiente para fazer inchar a semente e para fazer do seu interior, logo que esta abra, uma pequena raiz. Seguidamente, começam a aparecer no terreno, pequenas folhinhas verdes, as quais recobrem toda a superfície do campo. Com a chegada dos primeiros frios, estas pequenas folhinhas param de crescer. Muitas pessoas acreditam que a neve prejudica a planta do trigo, mas pelo contrário, e os camponeses sabem-no bem, e a própria neve que protege o trigo, dos rigores do Inverno. Mais tarde, com a chegada da Primavera, as pequeninas plantas começam de novo a crescer e, no cimo dos seus caules, surgem as primeiras espigas. A estas espigas dá-se o nome de florescências, o que significa que, cada pequena espiga é composta de muitas e pequeninas flores sem corola, sem néctar, sem pétalas e sem perfume. Em poucos dias a florescência está concluída e a espiga fica repleta de pequenos frutos verdes os quais vêem substituir as flores já caídas.
O fruto do trigo chama-se grão, é pequeno, de forma oval, com uma fenda no sentido do comprimento e recoberto por uma casca dura. No interior da casca, encontra-se o amido e o glúten. Estas substâncias são muito nutritivas e, além de serem preciosas para o homem, dão a necessária força à planta, para que ela cresça. Finalmente, durante os meses de Junho e Julho, procede-se à ceifa, seguida da debulha, ou seja:


á operação de cortar o trigo e separá-lo da espiga. Logo que estas duas operações estão realizadas, o grão vai para o moinho e as espigas, transformadas em palha, são armazenadas nos celeiros, para servirem de alimentação ao gado, durante os meses frios de Inverno. Dos grãos de trigo, uma vez esmagados pela pesada nó do moinho, extrai-se a farinha, que serve para fazer pão, massas alimentícias, biscoitos e doces. Para fazer o pão, usa-se o grão tenro, muito rico em amido. Para fazer as massas, o grão rijo, o qual é muito rico em glúten.
O pão é um alimento que resulta do cozimento de uma massa feita com farinha de certos cereais, principalmente trigo, água e sal.
Seu uso na alimentação humana é antiquíssimo. Pelas informações que se têm, a história mais remota do pão se origina em milhares de anos a.C., quando era feito com glandes de carvalho e faia trituradas, sendo depois lavado com água fervente para tirar o amargor. Em seguida, essa massa secava-se ao sol, e se faziam broas com farinha.

Conta ainda a história que, antes de servirem para fazer pão, as farinhas, de diversos cereais, eram usadas em sopas e mingaus. Posteriormente se passou a misturar nas farinhas mel, azeite doce, mosto de uva, tâmaras esmagadas, ovos e carne moída, formando-se espécie de bolos, que teriam precedido o pão propriamente dito. Esses bolos eram cozidos sobre pedras quentes ou sob cinzas.
Os primeiros pães também foram assados sobre pedras quentes ou debaixo de cinzas, datando, ao que consta, do VII milênio a.C. a utilização de fornos de barro para cozimento de pães. Foram os egípcios os primeiros que usaram os fornos, sendo atribuída a eles também a descoberta do acréscimo de líquido fermentado à massa do pão para torná-la leve e macia.
No Egito, o pão era o alimento básico. Segundo Heródoto, era amassado com os pés, e normalmente feito de cevada ou espelta, espécies de trigo de qualidade inferior. Os pães preparados com trigo de qualidade superior eram destinados apenas aos ricos. Com o pão no Egito também se pagavam salários: um dia de trabalho valia três pães e dois cântaros de cerveja. Os judeus também fabricavam seus pães na mesma época, porém não utilizavam fermentos por acreditarem que a fermentação era uma forma de putrefação e impureza. A Jeová só ofereciam pão ázimo, sem fermento, o único que consomem até hoje na Páscoa.
Na Europa o pão chegou através dos gregos. O pão romano era feito em casa, pelas mulheres, tendo passado, posteriormente, a ser fabricado em padarias públicas, surgindo, então, os primeiros padeiros. Isto teria acontecido, segundo o filósofo romano Plínio, o Antigo, depois da conquista da Macedônia, em 168 a.C. Na Antiguidade, os deuses - e os mortos - egípcios, gregos e romanos eram honrados com oferendas de animais, flores em massa de pão. Era comum, ainda, entre egípcios e romanos, a distribuição de pães aos soldados, como complemento do soldo, tendo perdurado este costume na Idade Média.



Com a queda do Império Romano e da organização por ele imposta ao mundo, as padarias européias desapareceram, retornando o fabrico doméstico do pão na maior parte da Europa. O senhor feudal permitia apenas o uso do moinho e dos fornos. Voltou a se consumir, pela comodidade no fabrico, o pão ázimo, sem fermento e achatado, que acompanhava outros alimentos, como a carne e sopas.
Nessa época, somente os castelos e conventos possuíam padarias. Os métodos de fabrico de pães eram incipientes e, apesar das limitações na produção, as corporações de padeiros já tinham alguma força. No século XVII, a França se tornou o centro de fabricação de pães de luxo, com a introdução dos modernos processos de panificação, apesar de desde o século XII já ser habitual o consumo de mais de vinte variedades de pães naquele país. Depois, a primazia no fabrico de pão passou a Viena, Áustria.
A invenção de novos processos de moagem da farinha contribuiu muito para a indústria de panificação.
Os grãos de trigo, inicialmente, eram triturados em moinhos de pedra manuais, que evoluíram para o de pedra movido por animais e depois para os movidos pela água e, finalmente, pelos moinhos de vento. Apenas em 1784 apareceram os moinhos movidos a vapor. Em 1881 ocorre a invenção dos cilindros, que muito aprimorou a produção de pães.

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