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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

MULHERES NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (2)



A fotografia reflete parte do treinamento dado às mulheres da Força Aérea Auxiliar Feminina (então órgão auxiliar da Força Aérea Britânica). Fotografia: AP Photo. O registro teria ocorrido em 15 de janeiro de 1942.
A fotografia reflete parte do treinamento dado às mulheres da Força Aérea Auxiliar Feminina (então órgão auxiliar da Força Aérea Britânica). Fotografia: AP Photo. O registro teria ocorrido em 15 de janeiro de 1942.

Nos difíceis dias da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), “trabalho, sangue, suor e lágrimas” eram as palavras de ordem e mulheres do mundo inteiro atenderam ao chamado de sua respectiva nação e partiram para a labuta nos campos, cidades e praias, dedicando cuidados únicos e administrando impetuosa força rumo à Vitória — e mostraram “como pôr um homem no seu devido lugar”.

Em alguns países, principalmente na Europa, as mulheres ocuparam os lugares dos homens em grande número. Enquanto estes sangravam nas cruéis frentes de batalhas, aquelas trabalharam com firmeza e dedicação nas mais diversas áreas, destacando-se na defesa territorial e industrial.
Mulheres trabalhando na construção de um porta-aviões. Fotografia: Margaret Bourke-White — Time & Life Pictures/Getty Images
Mulheres trabalhando na construção de um porta-aviões. Fotografia: Margaret Bourke-White — Time & Life Pictures/Getty Images
Rainha Elizabeth trabalhou como mecânica e motorista de caminhão. Fotografia: autor desconhecido.
Rainha Elizabeth trabalhou como mecânica e motorista de caminhão. Fotografia: autor desconhecido.
Mulheres alemãs trabalhando nas comunicações do III Reich. Fotografia: autor desconhecido.
Mulheres alemãs trabalhando nas comunicações do III Reich. Fotografia: autor desconhecido.
Duas mulheres soldando, EUA, 1943. Fotografia: Margaret Bourke-White, Time & Life Pictures / Getty Images.
Duas mulheres soldando, EUA, 1943. Fotografia: Margaret Bourke-White, Time & Life Pictures / Getty Images.
Japonesas procurando eventuais falhas em munições, ca. 1941. Fotografia: AP Photo.
Japonesas procurando eventuais falhas em munições, ca. 1941. Fotografia: AP Photo.
Jovem francesa como parte da resistência parisiense, ca. 1944. Fotografia: AP Photo.
Jovem francesa como parte da resistência parisiense, ca. 1944. Fotografia: AP Photo.
Trabalhadoras finalizando "narizes" de bombardeiros A-20J na Douglas Aircraft, em Long Beach, Califórnia, em outubro de 1942. Fotografia: AP Photo / Office of War Information.
Trabalhadoras finalizando “narizes” de bombardeiros A-20J na Douglas Aircraft, em Long Beach, Califórnia, em outubro de 1942. Fotografia: AP Photo / Office of War Information.
Linha de confecção de cartazes. Fotografia: AP Photo / Marty Zimmerman.
Linha de confecção de cartazes. Fotografia: AP Photo / Marty Zimmerman.
Mulheres soviéticas do Quirguistão trabalhando duro na plantação, ca. 1942. Fotografia: AP Photo.
Mulheres soviéticas do Quirguistão trabalhando duro na plantação, ca. 1942. Fotografia: AP Photo.
REFERÊNCIAS:
WHITE, Margaret Burke. Women of Steel: LIFE With Female Factory Workers in World War II. Acesso em: 14 jan. 2015.
MASSON, Philippe. A Segunda Guerra Mundial: História e Estratégias. trad. Angela M. S. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2011.
CARDONA, Gabriel. O mundo durante a guerra: A Batalha da Inglaterra. Coleção 70º Aniversário da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Sangue, Suor e lágrimas: A Inglaterra resiste. São Paulo: Abril, n. 9, 2009.
IMAGEM: A equipe do Museu de Imagens buscou informações para creditar a(s) imagem(ns), contudo, nada foi encontrado. Caso saiba, por gentileza, entre em contato.
www.museudeimagens.com.br

MULHERES NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL



1 – Lyudmila Pavlichenko

A atiradora soviética Pavlichenko era tão temida que os alemães falavam com ela à distância, por meio de um megafone. A oficial adquiriu respeito com a experiência que teve desde jovem – aos 14 anos já trabalhava em uma fábrica de munição e não demorou muito para que logo aprendesse a atirar. Quando a guerra começou, ela se voluntariou a lutar para defender seu país.
No início, obviamente, o exército a aceitou apenas como enfermeira, ainda que ela tivesse mostrado seus certificados de boa atiradora. Depois de insistir, ela finalmente teve a chance de fazer um teste de tiro e, ao mostrar seu talento, foi imediatamente aprovada. Durante a Segunda Guerra Mundial, Pavlichenko matou 309 pessoas, sendo que, dessas, 36 eram atiradores alemães de alto escalão.
Apesar de ter sofrido vários ferimentos durante os combates, a atiradora só foi removida de suas atividades depois de ferir gravemente o rosto. Após isso, ela passou a se dedicar ao treinamento de novos atiradores. Apesar de tudo isso, quando deu algumas entrevistas nos EUA, em 1942, ouviu perguntas sobre o estilo de seu uniforme e seus hábitos de maquiagem.
De volta à Rússia, recebeu vários prêmios, incluindo a Medalha Estrela de Ouro e o título de “Heroína da União Soviética”. Depois, graduou-se na Universidade de Kiev e se tornou historiadora.

2 – Nancy Wake

Conhecida como “rato branco” devido à sua habilidade de nunca ser capturada, Nancy Wake foi considerada pelos alemães, durante muito tempo, como a mulher mais procurada do país. Casada com um francês, Wake transportava documentos falsos e materiais contrabandeados – na única vez em que foi capturada e interrogada por muitos dias, nunca revelou nenhuma das informações secretas que sabia.
Em 1943, fugiu para a Grã-Bretanha, onde se juntou ao Serviço de Inteligência Britânico. Depois de um treinamento intenso de paraquedismo e manuseamento de armas, voltou à França como espiã oficial dos britânicos.
Chegou a comandar 7 mil tropas de guerrilha, explodiu construções nazistas e sabotou veículos – sem falar em quando matou um sentinela com as próprias mãos. Aos 89 anos disse, durante uma entrevista: “Alguém uma vez me perguntou: ‘Você já sentiu medo?’. Eu nunca senti medo em toda a minha vida!”.

3 – Susan Travers

Única mulher presente na Legião Estrangeira Francesa, Susan Travers chegou a passar 15 dias dentro de um forte, ao lado de outros soldados, na tentativa de não ser alvo da artilharia pesada dos alemães. Então a comida acabou e, ao lado do marido, o General Marie-Pierre Kœnig, Travers saiu do forte para buscar alimento.
Em meio a uma perseguição ferrenha, Travers chegou a conduzir um caminhão pegando fogo e conseguiu chegar à fronteira, onde encontrou 2,5 mil soldados franceses cujas vidas havia ajudado a salvar. Ela só conseguiu se tornar um membro oficial da Legião ao não informar seu gênero no formulário.
Entre suas conquistas, Travers conseguiu ser membro de honra da Legião, recebeu a Medalha Militar Francesa e a Cruz de Guerra, ambos símbolos de alta honraria para o exército francês.

4 – Hedy Lamarr

Conhecida como “a mulher mais bonita da Europa”, a atriz austríaca Hedy Lamarr e o compositor George Antheil criaram, durante o início da Segunda Guerra Mundial, um sistema de rádio que guiava o disparo de torpedos. A invenção de Lamarr impedia que houvesse interferência de frequência de rádio, o que deu início, em termos tecnológicos, à criação de sistemas de WiFi e Bluetooth.
O esquema desenvolvido por Lammar foi patenteado em 1941, mas só foi realmente usado em 1960, durante a crise dos mísseis de Cuba. Em 1997, Lammar foi homenageada por um dos prêmios mais importantes em termos de tecnologia, o EFF Pioneer Awards – foi como se ela tivesse recebido um “Oscar dos Inventores”. Em 2014, postumamente, a invenção de Lammar passou a fazer parte do National Inventors Hall of Fame.

5 – Noor Inayat Khan

Descendente da realeza indiana, Inayat Khan treinou para ser enfermeira da Cruz Vermelha Francesa. Sempre interessada pelos ensinamentos pacifistas do pai, surpreendeu a todos quando decidiu participar da Força Aérea depois de fugir para a Inglaterra durante a ocupação alemã na França. Em território inglês, ela foi treinada a operar rádios sem fio.
Tempos depois, Inayat Khan foi recrutada para trabalhar como executiva de operações especiais em ocupações nazistas na França. Usando o codinome Madeleine, e apesar da dúvida de todos, Inayat Khan aproveitou o fato de ser fluente em francês para aceitar o trabalho de operadora de rádio para as redes de resistência.
Na França, ela continuava trabalhando clandestinamente, mandando mensagens a Londres até que, em 1943, foi traída, denunciada e presa. Acabou escapando depois de algumas horas, mas foi recapturada e mantida em uma solitária na Alemanha, onde permaneceu amarrada e foi torturada, sem nunca revelar qualquer informação secreta.
Da prisão alemã, a guerreira indiana foi enviada ao campo de concentração de Dachau, onde foi torturada e estuprada – mesmo assim, continuou sem revelar qualquer informação. Depois da tortura e da violência sexual, Inayat Khan foi morta com um tiro na parte de trás da cabeça, e sua última palavra foi “liberdade”.
Postumamente, recebeu a Cruz de Jorge, por sua bravura, e Cruz de Guerra do Exército Francês.

www.megacurioso.com.br

***

HISTÓRIA DA RESISTÊNCIA FRANCESA (1)

Resistência Francesa: legado de bravura e liderança é lembrado décadas depois

Movimento, capitaneado pelo general de Gaulle, não aceitou a submissão do Estado Francês ao poder nazista na Segunda Guerra Mundial
Henri Philippe Pétain, militar que ganhou notoriedade na Primeira Guerra, foi convidado a integrar o governo francês em maio de 1940. Neste período, a Segunda Guerra já havia sido deflagrada e fazia poucos dias que as forças alemãs tinham invadido a França.


Soldado norte-americano e partisan francês durante batalha em cidade francesa recuperada dos nazistas em 1944

Pétain rapidamente chegou ao posto de primeiro-ministro, o que aconteceu na noite do dia 16 de junho, quando o então chefe de Estado, Paul Reynaud, por discordar da condução passiva que o poder francês vinha assumindo frente à invasão dos alemães, tornou público seu pedido de desligamento.

Substituição feita, no primeiro dia após sua nomeação, Pétain anunciou um armistício cuja assinatura aconteceria já no dia 22 seguinte, no mesmo vagão de trem, na cidade francesa de Compiègne, onde o general francês Ferdinand Foch havia definido na Primeira Guerra os moldes da rendição alemã. A escolha do mesmo lugar para a celebração do cessar-fogo foi uma exigência de Adolf Hitler, que fez questão de se sentar na mesma cadeira que antes havia sido ocupada por Foch.


Através do Segundo Armistício de Compiègne, estavam então confirmadas todas as condições para que a Terceira República, que vigorava em território francês na época, fosse dividida em Zone ocupée (Zona Ocupada), ao norte, e Zone libre (Zona Livre), ao sul, através daquela que ficou conhecida como Ligne de démarcation (Linha de Demarcação) e impôs ao país uma severa fronteira interna.

A Zone ocupée ficou sob a orientação dos códigos do III Reich, e a Zone libre, conhecida como La France de Vichy, teve uma gestão administrativa que somente na fachada era francesa, pois não deixou de ser interferida pelos alemães.

O chamado de De Gaulle


A cessão ao domínio alemão foi avaliada como impertinente por parte do general Charles de Gaulle, antigo Secretário-Geral do Estado no governo de Reynauld, e que ao saber que um armistício tinha sido anunciado foi imediatamente a Londres solicitar aos britânicos apoio para que a França permanecesse lutando.

Foi então que munido deste ideal, De Gaulle no dia 18 de junho de 1940 se dirigiu aos estúdios da Rádio BBC e, através de uma emissão radiofônica, convocou os franceses a fugirem da servidão, continuarem a luta e a não se renderem, “pois a pátria estava em perigo e era preciso salvá-la”.


Líderes da França Livre, Henri Giraud e Charles de Gaulle, com Franklin Roosevelt e Winston Churchill, em 14 de janeiro de 1943

Novos apelos seguiram ao do dia 18, de modo que De Gaulle, a partir de Londres, suscitou no povo francês a necessidade de fazer frente ao nazismo e estruturar um movimento, que além de reagir à ocupação alemã, precisava se opor ao governo vigente.

E foi a esse combate político-militar, que aconteceu entre 1940 e 1944, dotado de teor patriótico e contornos revolucionários, constituído por homens e mulheres contrários à ação de Pétain e à consequente conversão da França num país colaboracionista, que foi dado o nome de “Resistência Francesa”.

A Resistência chegou a reunir 450 mil pessoas; mas considerando os leitores da imprensa clandestina, alcançou o número de 2 milhões de simpatizantes, aproximadamente.

Perseguição


Segundo estudiosos, a Wehrmacht, forças armadas alemãs, contava com 900 espaços de detenção; eram campos de internamento, de concentração, prisões e fortalezas, para aonde foram encaminhados judeus, comunistas, alemães antifascistas e detentos políticos.

Georges Duffau-Epstein, presidente da Associação Nacional das Famílias de Fuzilados e Massacrados da Resistência Francesa e Seus Amigos (ANFFMR), afirma que “140 mil resistentes foram deportados ou levados a campos de concentração, dos quais quase 100 mil morreram”. 




A Resistência contou com duas grandes frentes: a Résistance intérieure (Resistência interior), organizada dentro da França, e a France libre (França Livre), constituída fora das suas fronteiras, e que na Inglaterra desencadeou a FFL – Forces françaises libres (Forças Francesas Livres). A France libre, no entanto, não se restringiu somente à capital britânica, pois ganhou terreno na África do Norte.

Jornais e panfletos circulavam na França disseminando as ideias da Resistência, em torno das quais gravitavam distintas perspectivas, a saber: nacionalista, cristã, socialista e comunista. Alinhá-las tornou-se, então, uma urgência, de modo que foi desencadeado um processo de unificação sob a liderança de Jean Moulin, que em janeiro de 1943, criou o MUR – Mouvements unis de la résistance (Movimentos Unidos da Resistência).

Os partisans e suas estratégias


Os resistentes eram chamados de partisans (partidários), adotavam pseudônimos, costumavam usar barba, bigode e óculos falsos como disfarces e fizeram da música Chant des partisans, de Anna Marly, seu hino. Entre eles, havia comerciantes, professores, funcionários públicos, universitários e empresários.

Segundo o historiador Jean-François Muracciole, apesar dos esforços empregados para conseguir fundos e se armar, o movimento sofria de uma contínua falta de dinheiro e sua quantidade de armas era insuficiente.

Para minar o poder alemão, os partisans recorreram à sabotagem, espionagem, rede de informação, greve de setores estratégicos, corte de cabos telefônicos e à formação de maquis, grupos camuflados que se posicionavam em pontos estratégicos para desestabilizar as ações da Wehrmacht.

“Inicialmente o movimento era pulverizado, com iniciativas isoladas. A Resistência no começo era somente escrever palavras anti-Pétain nos muros e espalhar frases como ‘Viva De Gaulle’. Meu pai, por exemplo, em 1941, recolhia armas e explosivos, mas eles não sabiam o que iam fazer com aquilo”, explica Georges Duffau-Epstein, filho de Joseph Epstein, fuzilado em abril de 1944, no Mont-Valérien, onde houve aproximadamente 1000 fuzilamentos e onde, hoje, existe um monumento consagrado aos mortos pela França.

Por parte da sociedade civil muitas táticas foram usadas para comunicar a discordância com as ordens alemãs, como, por exemplo, ondas de assobios coletivos atrapalhando a veiculação dos cinejornais pró-alemães e a destruição sistemática dos cartazes assinados pela Ocupação ou pelo Estado.

Já interromper rotas, confundir informações e gerar um caos no transporte público foram ações empreendidas pelos cheminots (ferroviários, em francês), peça-chave no progresso da Resistência.

Embora o Brasil tenha participado da Segunda Guerra, através da FEB (Força Expedicionária Brasileira), houve um brasileiro que desempenhou importante papel na Resistência: trata-se de Apolônio de Carvalho, que comandou uma guerrilha em de Lyon, e em virtude deste engajamento, Apolônio foi condecorado com a Medalha Legião de Honra.
http://operamundi.uol.com.br/


Charles de Gaulle


Estadista francês (1890-1970). Comandou a resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial.

O nome mais importante da vida política francesa desde Napoleão Bonaparte, Charles Andre Marie Joseph de Gaulle nasceu em Lille, no norte da França, no dia 22 de novembro de 1890, e ingressou na academia militar francesa em St. Cyr em 1910. Ele se formou poucas semanas antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante a qual serviu em combate como tenente do exército francês. Depois da guerra, ele atuou na ocupação militar da Alemanha e nas colônias ultramarinas francesas, antes de retornar à França para aceitar uma nomeação para o Conselho Supremo de Guerra e para o Conselho da Defesa Nacional. Na década de 1930, a estratégia defensiva da França – ou seja, proteger-se da vizinha Alemanha, seu inimigo tradicional – baseava-se na concepção de um perímetro defensivo fixo, altamente fortificado, conhecido como Linha Maginot. De Gaulle começou a irritar seus superiores militares quando passou a criticar a Linha Maginot e a idéia de uma defesa fixa. Em vez disso, ele propunha uma força móvel de tanques e de veículos armados, semelhantes aos que os alemães estavam desenvolvendo. Depois do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em 1º de setembro de 1939, os alemães não fizeram nenhuma tentativa imediata de atacar a Linha Maginot. Mas, em maio de 1940, forças alemãs investiram contra a França, seguindo para o norte da Linha Maginot. Coube a De Gaulle liderar várias ações de sucesso com os poucos tanques que possuía. De forma geral, no entanto, os franceses não estavam bem preparados para enfrentar os alemães e, em 14 de junho, os invasores capturaram Paris e derrotaram a França.

De Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde enviava vários mensagens ao povo francês para continuar a resistência. O governo de Vichy da França, instaurado sob os auspícios das tropas de ocupação alemãs, condenaram De Gaulle, mas, com o apoio dos ingleses (e posteriormente dos americanos), ele conseguiu reunir seu Exército Livre Francês. Em 6 de junho de 1944, quando os Aliados desembarcaram na Normandia para libertar primeiro a França e depois a Europa, De Gaulle e seu exército estavam presentes. E ele os liderou vitoriosamente na libertação de Paris dez semanas depois. De Gaulle, então, formou um governo provisório francês, em que ele mesmo ocupou o cargo de presidente. Pouco tempo depois, em 1946, ele se aposentou.

Em 1958, quando a guerra na colônia francesa da Argélia ameaçava desencadear um conflito dentro na própria França, De Gaulle decidiu deixar a aposentadoria de lado e se elegeu presidente por uma esmagadora maioria de votos. Ele resolveu o problema argelino, dando-lhes a independência e então se preocupou em reconstruir a vida econômica e política francesa. Sob sua Quarta República, a França voltou a ocupar seu lugar de destaque como uma das principais forças políticas da Europa e, claro, do mundo.
Em 1968, no entanto, uma revolta que uniu estudantes e trabalhadores enfraqueceu a confiança do povo francês no governo de De Gaulle e em 28 de abril de 1969 ele renunciou, passando a Quarta República para Georges Pompidou (1911-1974). De Gaulle morreu em Colombey les Deux Églises em 9 de novembro de 1970.

www.sohistoria.com.b

saudades



Durante muitos anos li muito, comecei cedo lendo os jornais O Século, Diário de Lisboa, Diário Popular etc onde lia e coleccionava os recortes da história de Portugal, o resto dos jornais eram para limpar as chaminés do candeeiro a petróleo e o pitromax "Hipólito" da barbearia, a seguir vieram as cowboyadas que comprava em livrinhos de segunda mão em Faro. Nas bibliotecas da Gulbenkian onde chateava o funcionário para que me deixa-se ler livros mais adultos, li um romance que me fascinou "As minas de Salomão", depois com os livros de bolso da Europa América e muitos anos como sócio do Círculo de leitores adquiri quase todos os clássicos russos e franceses..
Comprei dezenas e dezenas que eram as minhas pérolas e acariciava-os olhando orgulhoso o seu encardenamento. Gostava e gosto do cheiro dos livros.
A minha hora preferida de leitura era na cama onde lia até à exaustão .O meu pai era barbeiro e depois de fechar a oficina eu instalava-me na cadeira de barbear e ali devorava as histórias até sonhar. Continuei sempre um apaixonado pela literatura e ainda o sou , na tropa devorava livros, na Guiné, li Che Guevara que cá só se conseguia na clandestinidade.
Veio a internet, tenho lido pouco e tenho saudades de um bom livro, tenho ainda dois para ler e não consigo arranjar coragem. Possuo uma razoável biblioteca dentro das minhas possibilidades e os livros que tenho li-os todos.
Há dias fui ler e pouco depois de abrir o livro caí no sono
Como disse atrás passava noites a ler e o que sei devo-o aos livros e depois na prátrica revolucionária com os neus camaradas cruzando este Portugal que hoje não reconheço o muito do que tinha nas suas gentes.
Os primeiros livros que lemos têm de ter aquele gancho, o querer saber logo o desfecho mas depois vamo-nos habituando, disciplinando e a leitura é um prazer enorme. Tenho o defeito de sublinhar de escrever notas nos meus livros. Dizem que não é elegante mas eu não me importo, gosto de o fazer.
Foi pela saudade de ler que estou a escrever isto, tenho que arranjar coragem e afastar-me um pouco das redes sociais que confesso estão a desiludir-me embora sejam de grande utilidade.
António Garrochinho

Este guia de 2016 dá 18 dicas para mulheres serem "boas esposas"


Porque o mundo muda
e precisamos nos atualizar – e também porque
não somos obrigadas


Gosto de pensar que se eu vivesse nos anos 50, seria uma revolucionária queimadora de revistas como a Good Housekeeping e Housekeeping Monthly – cuja publicação de uma lista de 18 dicas para boas esposas viralizou nessa última semana –, mas eu sou também uma mulher produto das referências e estímulos que recebo durante a vida e, apesar da minha propensão interna a encher o saco das pessoas com perguntas, provavelmente seria uma compradora dos periódicos.
De qualquer forma, o resgate dessa lista é bem produtivo já que nos bota pra refletir sobre o que mudou, mas principalmente sobre como muito disso ainda segue igual.
Ponha a mesa, organize sua cozinha, prepare o jantar de ação de graças, economize dinheiro, seja uma mulher mais calma e cuide mais da sua pele. Ah, e ao menos finja que sua casa é limpa!
O número de mulheres que ainda são cobradas pelo estereótipo de boa esposa dos anos 50 é enorme, apesar de estarem ativas no mercado de trabalho. Acumularam as funções da casa e da vida profissional, sem trégua.
Ainda bem que os veículos de comunicação agora abrem algum espaço pra que a gente subverta essas ideias – e foi isso que tentei fazer. Bom deixar claro que esse não é um guia definitivo de como se comportar, apesar do trocadilho do título, e que você não deve se casar se não quiser. Tire daqui o que quiser, afinal, o exercício de escrever não pode ser mais do que oferecer.
As imagens distribuídas ao longo do texto são fotografias e fotomontagens de Martha Rosler e Laurie Simmons, duas americanas porretas que desde os anos 60 e 70 vêm questionando o papel atribuído à mulher e a nossa construção da feminilidade.
O fato é que já não somos os mesmos. Ainda bem.
* * *
1. Tenha o jantar sempre pronto. Planeje com antecedência. Esta é uma maneira de deixá-lo saber que se importa com ele e com sua necessidades.
1. Certifique-se de que não está casando com uma criança antes do grande dia. Além de eu estar quase certa de que isso é ilegal, queremos evitar que você assuma papel maternal na relação.
2. A maioria dos homens estão com fome quando chegam em casa, e esperam por uma boa refeição (especialmente se for seu prato favorito), faz parte da recepção calorosa.
2. A maioria das pessoas está com fome quando chega em casa. Combinar que o primeiro a sair do trabalho é o cozinheiro do dia é uma opção. Você pode, ainda, dividir a tarefa por dias da semana ou até mesmo compartilhar o fogão.
Bowl of Fruit, Martha Rosler, 1966-72: O corpo  assim como os afazeres que executa , é o lugar estável da identidade da mulher no início do século XX, mas é objeto de crítica quando retratado de forma erótica
3. Separe 15 minutos para descansar, assim você estará revigorada quando ele chegar. Retoque a maquiagem, ponha uma fita no cabelo e pareça animada.
3. Separe 15 minutos para descansar. Tire a maquiagem, desmonte o coque do cabelo e queime arranque o sutiã.
4. Seja amável e interessante para ele. Seu dia foi chato e pode precisar que o anime e é uma das suas funções fazer isso.
4. Seja generosa com você mesma. Trocar carinhos é uma delícia nos dias bons e ruins, mas ame a si mesma e não aceite menos do que doa.
5. Coloque tudo em ordem. Dê uma volta pela parte principal da casa antes do seu marido chegar. Junte os livros escolares, brinquedos, papel, e em seguida, passe um pano sobre as mesas.
5. Coloque tudo em ordem. Dê uma volta pela parte principal do seu coração antes do seu marido chegar. Junte as memórias, as sensações, lembre-se de quem você é. Passe um pano sobre as retinas e desembace a sua visão. Amor pleno vem de dentro e só emerge quando somos inteiros.
Red, Laurie Simmons, 1988: A função doméstica da mulher parecia ser tão natural quanto sua biologia
6. Durante os meses mais frios você deve preparar e acender uma fogueira para ele relaxar. Seu marido vai sentir que chegou a um lugar de descanso e refúgio. Afinal, providenciando seu conforto, você terá satisfação pessoal.
6. Durante os meses mais frios você deve consumir chocolate quente e caldos variados afim de colaborar com a homeostase do seu corpo sempre que quiser. Comprar um lençol térmico também é uma opção. Afinal, providenciando seu conforto, você terá satisfação pessoal.
7. Dedique alguns minutos para lavar as mãos e os rostos das crianças (se eles forem pequenos), pentear os cabelos e, se necessário, trocar de roupa. As crianças são pequenos tesouros e ele gostaria de vê-los assim.
7. Dedique algumas horas para refletir sobre a sua vontade ou desgosto de ter filhos. Especialmente se a responsabilidade sobre eles for cair prioritariamente no seu colo, essa decisão deveria pesar mais do seu lado. Os desejos só tem o mesmo peso se as responsabilidades forem assim distribuídas.
8. Minimize os ruídos. Quando ele chegar desligue a máquina de lavar, secadora ou vácuo. Incentive as crianças a ficarem quietas.
8. Minimize os ruídos. Quando ele te desrespeitar, desligue o contrato de casamento. Incentive as crianças a não suportarem violência verbal.
Hot Meat, Martha Rosler, 1966-72: A prisão do corpo feminino na domesticidade, representada pelo fogão, evidencia a dominação patriarcal também no âmbito privado
9. Seja feliz em vê-lo. O receba com um sorriso caloroso, mostre sinceridade e desejo em agradá-lo. Ouça-o.
9. Seja feliz em vê-lo. Caso contrário, divorcie-se.
10. Você pode ter uma dúzia de coisas a dizer para ele, mas sua chegada não é o momento. Deixe-o falar primeiro, lembre-se, os temas de conversa dele são mais importantes que os seus.
10. Você pode ter uma dúzia de coisas a dizer para ele, e tudo bem. Fale, escute, troque ideias.
11. Nunca reclame se ele chegar tarde, sair pra jantar ou outros locais de entretenimento sem você. Em vez disso, tente compreender o seu mundo de tensão e pressão dele, e a necessidade de estar em casa e relaxar.
11. Nunca reclame se ele chegar tarde, sair pra jantar ou outros locais de entretenimento sem você. Vocês são adultos e não precisam de permissão para tocarem suas vidas. Em vez disso, torne-se consciente do seu próprio direito à uma vida autônoma, a chegar tarde, sair pra jantar ou outros locais de entretenimento sem ele.
12. Seu objetivo: certificar-se de que sua casa é um lugar de paz, ordem e tranquilidade, onde seu marido pode se renovar em corpo e espírito.
12. Seu objetivo: certificar-se de que sua relação é um lugar de paz, respeito e tranquilidade, na qual você e seu marido podem nutrir corpo e alma com amor.
Cleaning the Drapes, Martha Rosler, 1967-72: Aqui, a mulher extrapola a domesticidade e entra no domínio público, representado pela Guerra do Vietnã
13. Não o cumprimente com queixas e problemas.
13. Não construam uma comunicação com base em queixas e problemas. Eles existem, mas é mais saudável que o foco seja as soluções.
14. Não reclame se ele se atrasar para o jantar ou passar a noite fora. Veja isso como pequeno em comparação ao que ele pode ter passado durante o dia.
14. Reclame se ele demonstrar descaso para com os seus carinhos e vontades. A relação deve ser uma troca e consideração pelas necessidades emocionais de ambos os parceiros é essencial.
15. Deixe-o confortável. Faça com que ele se incline para trás numa cadeira agradável ou deitar-se no quarto. Dê uma bebida fria ou quente pronta para ele.
15. Esteja confortável. Faça do seu corpo seu templo de prazer e reflexão e certifique-se de que só faz uso dele para fins benéficos.
16. Arrume o travesseiro e se ofereça para tirar os sapatos dele. Fale em voz baixa, suave e agradável.
16. Faça de sua cama e travesseiros um refúgio do mundo. Um lugar acolhedor, no qual você pode extravasar quaisquer emoções que precisar.
Red Stripe Kitchen, Martha Rosler, 1967-72: E sua função doméstica ainda pesa, ao mesmo tempo que o espaço público é hostil e masculinizado
17. Não faça-lhe perguntas sobre suas ações ou que questionem sua integridade. Lembre-se, ele é o dono da casa e, como tal, irá sempre exercer sua vontade com imparcialidade e veracidade. Você não tem o direito de questioná-lo.
17. Não só faça-lhe perguntas sobre suas palavras, mas observe como age. Lembre-se: ele é o dono de si e, como tal, deve sempre exercer responsabilidade sobre seus atos, com sensibilidade e veracidade. Você tem todo o direito de impulsioná-lo a ser um homem melhor.
18. Uma boa esposa sabe o seu lugar.
18. Uma boa esposa sabe se amar.


papodehomem.com.br

Patti Smith | Mulheres que você deveria conhecer


VÍDEO




Cantora, compositora, escritora, poeta, ativista política, Patti Smith é uma das mais importantes mulheres no cenário cultural atual



Em preto e branco, com o paletó nos ombros tipo Frank Sinatra, cabelo desalinhado, em uma foto que não poderia ser capturada por outro que não seu amante Robert Mapplethorpe, Patti Smith surgiu de rompante declarando com vigor poético sua posição transgressora: "Jesus died for somebody's sins, but not mine" ou "Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus", em tradução livre.

VÍDEO
Essa é nada mais, nada menos que a primeira frase que emite em seu álbum de estréia – Horses –, produzido por John Cale, de Velvet Underground.
Estamos somente na primeira faixa, Gloria, que acabou se transformando em algo além de um simples cover de Van MorrisonHorses, conceituado por alguns críticos como um dos melhores álbuns de estreia já lançados por um artista, nos oferece ainda mais – um concerto apaixonado que mistura relatos sobre amores exacerbados com o cenário confuso das ruas. Vai de Rimbaud a Jim Morrison e nos arrasta para um horizonte multifacetado, uma perspectiva composta de recortes.
“A gratidão que eu sentia pelo rock and roll por ter me ajudado a atravessar a adolescência difícil. A alegria que sentia ao dançar. A força moral que eu reunia ao me responsabilizar pelas atitudes de alguém. Essas coisas estão todas entranhadas em Horses assim como uma saudação àqueles que pavimentaram o caminho antes de nós.
Em 'Birdland', embarcamos com o jovem Peter Reich enquanto ele esperava que seu pai, Wilhelm Reich, descesse do céu e o fizesse nascer.
Em 'Break it up', Tom Verlaine e eu escrevemos um sonho em que Jim Morrison, amarrado feito Prometeu, de repente se liberta.
Em 'Land', imagens de meninos gays mesclados com cenários da morte de Hendrix.
Em 'Elegie', lembrando de tudo, passado, presente, futuro, daqueles que perdemos, estávamos perdendo e acabaríamos perdendo.”
Ao nos apresentar todas as suas referências, Patti Smith narra seu nascimento como pessoa, mulher, cantora e poeta à luz de tais influências, emergindo entre elas de maneira singular para nos falar sobre os anseios e pretensões de uma geração que aguardava um porta-voz para os anunciar.

Antes de acordar em Nova York

Patti Smith nasceu no dia 30 de dezembro de 1946 em Chicago, Illinois, em meio há uma tempestade de neve, logo após a Segunda Guerra Mundial. Era a primogênita da união de um pai ateu e uma mãe religiosa seguidora das Testemunhas de Jeová.
Em 1949 sua família mudou-se para a Filadélfia, onde Patti passou parte da sua infância, até 1957. Foi então que seguiram para Nova Jersey, lugar em que ela viveria por dez anos, até encontrar Nova York, a cidade que lhe acolheria como artista.
Nova Jersey foi um período difícil para Smith. Sua família nunca contou com dinheiro em abundância, o que a levou a largar os estudos aos 16 anos para trabalhar numa fábrica, onde recebia apenas 36 dólares por 40 horas de trabalho semanais. A experiência excruciante foi registrada pela cantora na canção Piss Factory (ou Fábrica de Mijo).

VÍDEO
I'm gonna be somebody, I'm gonna get on that train, go to New York City, I'm gonna be so bad I'm gonna be a big star and I will never return
Patti foi mãe aos vinte anos e como as condições do momento não lhe permitiam assumir a maternidade, entregou o bebê para a adoção. contudo, sempre havia livros em sua casa, e sua mãe lhe ensinou a ler esses livros.
Foi a casa cheia de livros e o incentivo da mãe que a salvaram da melancolia, assim como trouxeram-lhe simultaneamente uma sensação de desconforto, inquietação e despertencimento.
"Quando morava em Nova Jersey não tinha tempo para sonhar acordada, a vida era simples, e isso podia ser bom para alguns, mas eu sempre me senti diferente. Eu sabia que havia algo que poderia florescer em mim, mesmo que fosse a minha ruína."

Bem-vinda, NY

“New York me seduziu, NY me formou, NY me deformou, NY me perverteu, NY me fez.”
Em busca de iluminação, inspiração, caos, sucesso ou fracasso, Patti Smith finalmente desembarcou em Nova York.
A cidade grande não sorriu tão logo assim para ela, que chegou a dormir nas ruas e passar fome até conseguir um emprego como caixa em uma livraria. Mas o que nem ela imaginaria é que essa primeira chance que lhe foi ofertada a levaria em direção ao grande amor da sua vida.
Era verão em New York quando Robert Mapplethorpe entrou na livraria em que Patti trabalhava para comprar um colar persa – já que o lugar, estranhamente, também vendia joias. É claro que, por coincidência, essa era a peça favorita da cantora.
Ela, que sempre sonhou em encontrar um companheiro com que pudesse dividir uma vida de artista, tal como Diego e Frida, confessou que, ao ver Robert, soube que ele era o cara.
Mas Patti só pode se apresentar ao seu futuro parceiro no segundo encontro: um cliente da livraria convidou-a para passear num parque, mas chegando lá ela se deparou com Robert. Na tentativa de fugir do cliente, pediu a Robert para se apresentar como namorado dela para o outro homem. Ele aceitou, e os dois logo se mandaram dali prontos para começar uma história de amor, cumplicidade e companheirismo que se revelaria na arte que ambos construíram.
Para alguns, o romance dos dois poderia parecer um tanto excêntrico já que Robert era homossexual e estava agora a se relacionar com uma mulher. O amor dos dois não era motivo de dúvida, contudo, e apesar de Patti ter rompido com ele em 69, quando foi morar por um tempo em Paris com a irmã, assim que voltou para NY regressou para seu amor.
Patti e Robert mudaram-se para o Chelsea Hotel, o único na cidade cujo aluguel podia ser pago com arte. Muitos dos artistas da época também viviam no Chelsea, o que contribuiu para que o novo casal de artistas fossem aos poucos se inserindo na cena cultural nova-iorquina
Ávidos por mostrar seus trabalhos a quem admiravam e sedentos por produzir cada vez mais arte, desejo e êxtase, Patti e Robert viveram uma relação completamente livre, onde um estava sempre a apoiar o outro a seguir suas vontades, mesmo que que isso se significasse se envolver física ou emocionalmente com outras pessoas.
Robert foi quem começou incentivar Patti a escrever poemas e a cantar o que sentia, e foi ele também quem financiou seu primeiro singlePiss Factory/Hey Joe, em 1974. Além disso, também foi o artista responsável pela foto mais icônica de Patti até hoje, capa do seu primeiro álbum em 1975.
Depois de Horses, Patti lançou mais dez álbuns de estúdio, sendo o último de 2012, mas só quatro deles foram produzidos antes de Robert morrer devido à AIDS, em 1989. Ele queria ter fotografado Patti para a capa de Dream of life (1988), mas o último retrato que fez da cantora foi dela com sua filha Jesse – fruto de sua união com Fred Smith – no colo.
Robert dizia que a filha de Patti era perfeita e lamentava nunca ter tido nenhum filho com ela. Patti retrucava afirmando que os filhos deles foram os trabalhos. Sobre ele, Patti escreveu:
“Aprendi que, muitas vezes, a contradição é o caminho mais desimpedido para a verdade.”
Mapplethorpe faleceu em março de 89, deixando a artista em Detroit com sua família. Mas Patti não esperava que apenas cinco anos depois, experienciaria mais uma vez o luto pela perda de um amor: em 94 foi a vez de Fred partir. Como se não bastasse, seu irmão Todd também faleceu em seguida.
Seguindo as recomendações de Allen Ginsberg e John Cale, Patti foi procurar ajuda terapêutica para se recuperar da dor, tornando-se, mais tarde, grande incentivadora do tratamento para doenças mentais, defendendo a formação de serviços de atendimento a suicidas por telefone.
Em dezembro de 1995 fez uma breve turnê musical ao lado de Bob Dylan (que foi registrada em um livro de fotografias de Michael Stipe), e quando seu filho Jackson completou 12 anos, Patti regressou ao seu lar, de volta para Nova York.

Alcançando o sonho

Desde que comecei a fazer uso da razão eu tento ser livre, escapar dos limites do mundo, da existência mundana, sair da fábrica.”
Em 1996, Patti retornou para a música e gravou o álbum Gone Again, no qual fez uma homenagem à Kurt Cobain, na faixa About a Boy. Depois desse, vieram mais quatro álbuns, sendo o último de 2012.
Mas quem conhece Patti Smith sabe que ela foi muito além da música. A própria artista confessa que "nunca pensou em cantar numa banda de Rock and Roll, mas que isso acabou acontecendo, já que tudo na sua vida sempre mudou rapidamente" no documentário Dream Of Life (2007) de Steven Sebring, que faz um apanhado sobre a sua vida. Talvez tenha sido esse mundo particular e em constante oscilação que permitiu que Patti se expressasse através de múltiplas facetas.
Mulher, homem, cantora, compositora, atriz, escritora, poeta, pintora, ativista política, filósofa e revolucionária, ela garantiu o reconhecimento de sua arte, tendo recebido inúmeros prêmios ao longo de sua carreira.
Por sua literatura (ela possui 16 livros publicados), conquistou em 2003 o Prêmio de Poesia de Turim, em 2005 foi nomeada pelo Ministro da Cultura da França líder da Ordre des Arts et des Lettres, em 2010 venceu o National Book Award na categoria não-ficção por seu belíssimo relato autobiográfico em Just Kids (Só Garotos) e,  em 2011, foi reconhecida pela Real Academia Sueca de Música por ter dedicado sua vida à expressão da arte nas mais diversas formas. Segundo a Academia, a cantora-poeta demonstrou quanto rock’n’roll há na poesia, assim como quanta poesia há no rock’n’roll.   
Aos 69 anos, considerada pela revista Rolling Stone como uma das cem artistas mais influentes de todos os tempos, Patti Smith conseguiu seu lugar na história do mundo e da arte, e seu grito que fez uma geração inteira levantar não deixa de reproduzir ecos.


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