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sábado, 3 de dezembro de 2016

Sargento admite que corrupção na Força Aérea dura há 30 anos




Militar foi escutado a revelar contornos históricos do esquema de sobrefaturação da alimentação e pagamento de comissões

O esquema de corrupção nas messes da Força Aérea investigado pela Polícia Judiciária dura há mais de 30 anos. Pelo menos esta foi a informação recolhida pela investigação da Operação Zeus junto de um sargento da Base Aérea de Sintra que, ao telefone, terá confidenciado com o seu interlocutor os contornos do esquema de sobrefaturação de compras e posterior distribuição de comissões pelos militares envolvidos. O mesmo sargento terá adiantado ainda estar envolvido no esquema e que, por essa razão, até tinha pedido para não ser transferido.
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Este é um dos dados que consta da Operação Zeus, processo que no início do mês levou à detenção de seis militares da Força Aérea e que envolve mais de 40 suspeitos, e que foi transmitido aos arguidos pelo juiz de instrução que os interrogou. No despacho, o juiz declarou que o esquema de sobrefaturação nas messes "tem-se revelado universal" a quase todas as bases do país, com a exceção de Ovar e Açores, sendo que os principais militares envolvidos no esquema já tinham manifestado "preocupação" pelo facto de os responsáveis daquelas duas bases da Força Aérea não terem aderido, uma vez que isso poderia trazer problemas, caso o valor das compras de alimentos fosse comparado.

A tal comparação só não aconteceu porque, continuou o juiz, houve um "acordo entre os responsáveis das messes", que faziam as aquisições, e "quem fiscaliza". Havendo quase - continuou o magistrado - um clima de aliciamento de militares para o esquema baseado na "obediência hierárquica solidamente instituída".

Para "furar" o regime da tal obediência hierárquica e sigilo à volta do esquema, a Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária teve durante vários meses os militares sob escuta. As conversas ouvidas foram, posteriormente, complementadas com "a realização de inúmeras vigilâncias", bem como, explicou o juiz de instrução, "meios especiais de investigação", levados a cabo "no interior de uma das bases". Isto tudo "permitiu perceber o modus operandi da organização", concluiu o juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

E como funcionava? Em termos práticos e simples, os fornecedores entregavam determinadas quantidades de alimentos. No final do mês, quando apresentavam a fatura, esta apresentava um valor três vezes superior ao volume de alimentos entregue. "A diferença entre o valor faturado e dos produtos realmente entregues", sintetizou o juiz de instrução, "corresponde ao lucro a dividir pelos elementos do grupo".

Só na base aérea de Monte Real, a investigação apurou que, em onze meses, cinco militares com responsabilidades diretas na gestão da messe terão dividido 130 mil euros. O elevado número de militares envolvidos, aliás, levou o juiz de instrução a considerar existir um "enraizamento da conduta por todos os elementos das messes".

No início do mês de novembro, recorde-se, e depois de ouvir os seis detidos, o juiz decretou-lhes a prisão preventiva, considerando existir perigo de "perturbação do decurso do inquérito e de continuação da atividade criminosa". Todos foram conduzidos para a prisão militar de Tomar.
Entretanto, um dos detidos, um major, pediu para ser novamente interrogado pelo Ministério Público, o que aconteceu esta semana. Depois de se ter remetido ao silêncio quando foi sujeito a primeiro interrogatório judicial após ter sido detido com outros cinco militares, a 3 de novembro, este oficial da Força Aérea, que está em prisão preventiva, resolveu prestar declarações ao procurador titular do processo.

O objetivo do interrogatório, segundo uma fonte citada pela agência Lusa, é que o magistrado do Ministério Público promova uma alteração da medida de coação junto do juiz de instrução criminal. Do depoimento, a mesma fonte admitiu que poderiam resultar "novos elementos de prova" suscetíveis de "mudar radicalmente a investigação".

O esquema fraudulento, ainda de acordo com a PJ, terá lesado o Estado em cerca de 10 milhões de euros, segundo uma projeção da Polícia Judiciária, que, neste processo, investiga crimes de corrupção ativa e passiva, falsificação de documento e associação criminosa. No início do mês de novembro, a Operação Zeus envolveu 180 buscas em simultâneo em 12 bases militares, em 15 empresas e em diversas casas, tendo sido apreendidas elevadas quantias em dinheiro, que os investigadores presumem ser o produto da prática dos crimes. O processo é da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

http://www.dn.pt/

Racismo e insanidade, histórias que o mundo prefere esquecer - Parte 1


racisin topo1Das dunas do deserto da Namíbia, na África, um segredo terrível está começando a emergir. Estes restos mortais são das primeiras vítimas do primeiro campo de extermínio do mundo. Um lugar onde os africanos foram exterminados pelo exército alemão, 30 anos antes de os nazistas chegarem ao poder. Estes restos mortais estão esquecidos nessas dunas a mais de 100 anos. Mas este lugar terrível não é o único. Espalhados pelo mundo, existem locais de massacres e genocídios do imperilialismo onde milhões morreram num episódio da história colonial que a europa sempre prefere esquecer. Essas pessoas foram vítimas da verdade por trás do mito do fardo do homem branco.

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Ao longo do século 19, cientistas, escritores e filósofos europeus desenvolveram idéias para justificar os assassinatos em massa da época do império. Essas mesmas teorias continuaram a inspirar alguns dos horrores e da selvageria que iria consumir a europa no século 20.
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O século 19 iria terminar com um dos maiores crimes do império, mas ele começou com um grande momento de otimismo. Nos anos de 1830 nas grandes plantações colonias do Caribe, a Grâ Bretanha preparava-se para acabar com a escravidão. 750 mil escravos, Caribe a fora, iriam ser libertados e como a Grâ Bretanha se gabava de sua benevolência nacional, presumia-se que os escravos agradecidos iriam se transformar em camponeses trabalhadores e cristãos.
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A luta contra a escravidão tinha sido liderada do púlpito por uma aliança de abolicionistas e missionários cristãos. Eles defenderam esta campanha em suas igrejas e salas de reuniões. Nos anos 1830 era a visão deles que dominava o debate nacional sobre raça.
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"Quando a escravidão foi finalmente abolida, houve uma enorme sensação de júbilo e conquista por parte dos abolicionistas. Não esqueçamos que esta era uma campanha de 50 anos, a partir de 1787, envolvendo centenas de milhares de indivíduos britanicos comuns, petições, etc. Então, quando a escravidão foi abolida os abolicionista tiveram uma certa sensação de triunfo. Acho que eles também sentiram que aquela pergunta: Não são homens e nossos irmãos? Tinha sido respondida."
A resposta dos abolicionistas a essa grande questão foi que, embora homens e irmãos, os negros eram homens e irmãos... inferiores.
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"Acho que naquele momento a perpectiva dominante era da ordem racial hierárquica, mas como uma questão de cultura e civilização. Nesta época, com certeza, os abolicionistas não achava que o povo negro era igual a eles. Acham que talvez, em algum ponto no futuro, eles possam vir a ser iguais."
A missão para elevar os negros e morenos do mundo a um nível supostamente superior dos ingleses brancos não ficaria confinada aos antigos escravos. Essa era para ser a grande tarefa que iria justificar a expansão do império britânico.
Prof. David Badydeen: "Os abolicionistas satisfizeram o aspecto de sua tutela e seu controle dos negros por terem lutado e conseguido a liberdade deles. O próximo passo era mandar suas tropas, os missionários, para a África e o Caribe para terminar o trabalho, por assim dizer. Aqueles eram os pagãos que precisavam ser trazidos para os braços do cristianismo. Essa noção de dar valores e compartamentos civilizados a outro povo é a ideologia em que se baseia o império."
No império que os missionários e abolicionistas partiram para criar, os povos indígenas iriam ver suas culturas destruidas, suas religiões erradicadas e mesmo assim tudo isso parece benigno quando comparado a realidade cruel em que se torno o imperialismo. Por que durante o século 19 esse sonho foi gradualmente sobrepujado por outra visão que alegava que as raças escuras não poderiam ser civilizadas e deveriam, em vez disso, ser exterminadas. O fato que iniciou o lento colapso da visão dos missionários aconteceu perto de um pequeno posto avançado do vasto e crescente império da Grâ Bretanha.
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Esta é a Tasmânia, na costa sul da Asutrália. O que os britânicos fizeram nessa pequena ilha iria repercutir por toda a era vitoriana. Quando os britânicos começaram a colonizar a Tasmânia em 1803, encontraram os antigos povos aborígenes da ilha. Apenas 5000 indivíduos vivendo em isolameno completo havia 10 mil anos, a margem do mundo habitável. Os colonizadores viam essas pessoas pelo prisma de idéias trazidas da europa.
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"Logo houve expressões de nojo e choque pela forma com que os tasmanianos viviam. Para os europeus parecia que os tasmanianos não tinham cultura, nao tinham religião, não tinham um deus. Assim eles os viram como gente que tinham ficado para trás na história e também os ligaram a uma idéia muito popular no século 18, a da grande cadeia do ser. Várias raças do gênero humano foram arranjadas em ordem hierárquica e na qual os tasmanianos eram singularmente selvagens e primitivos, portanto podiam ser tratdos quase como animais."
Os britanicos construiram uma nova capital e colonizaram as áreas rurais ao redor, terra que por milênios tinha sido o campo de caça dos aborígenes. Nesses campos e pastos, longe do controle das autoridades, os colonizadores ficaram livres para desalojar e maltratar os nativos.
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"A partir de 1820, grandes quantidades de terras são tomadas de seus donos e há uma luta enorme entreo o povo aborígene e povo branco. Claro que é muito difícil documentar muito da violência dos conquistadores porque eles sabiam que era contra a lei matar o povo nativo. A eles foi dito que os nativos eram súdito britânicos, mas com certeza eles revelam em seus diários e anotações o desejo de eliminar esse povo."
O que ficou conhecido como guerra negra foi um conflito oculto. A paisagem em si foi a única testemunha. Os colonizadores britanicos matavam todos os aborígenes que encontravam. Grupos inteiros eram massacrados. Raptos e violência viraram lugar comum. Os nativos atacavam regularmente os colonizadores para defender deseperadamente a sua terra e enquanto o número de mortes subia, o medo fundia-se com a raiva.
Prof. Henry Reynolds, Universidade da tasmânia: "Em tais circunstâncias era muito fácil, nos dois lados sem dúvida, ver o outro lado como sendo totalmente subhumano. Não tenho ´duvida de que os aborígenes achavam que os europeus não tinham moralidade alguma ou comedimento algum. Igualmente os europeus passaram rapidamente a ver aquelas pessoas como animais selvagens. Em uma sociedade tão racialmente dividida o conflito deriva facilmente para um sentimento de ódio."
O número de mortos da guerra negra teve implicações apavorantes para os aborígenes tasmanianos. Os britanicos que chegavam em quantidades cada vez maiores podiam substituir os mortos, os aborígenes (apenas 5000 indivíduos antes da guerra) não. E ao fim da década de 1820 eles corriam o risco de ser totalmente aniquilados. o único homem que tinha esperança de que a violência parasse era o governador colonial Jorge Arthur.
Prof. Henry Reynolds, Universidade da tasmânia: "O governador da Tasmânia é evangélico, conhece Wilderforce, e está ciente de que o seu futuro e sua reputação dependem, acima de tudo, de como irá lidar com esse problema. No fim dos anos 1820 ele ja tinha sido avisado pelo governo britânico de que o rápido declínio do número de aborígenes sugeria que eles poderiam acabar exterminados e que se isso acontecesse seria uma mancha indelével no império britânico. Além disso, por implicação, seria desastroso para sua carreira."
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O governador Arthur partiu para salvar os aborígenes da violência dos colonizadores e para convencêlos de suas boas intenções, mandou fazer cartazes que foram afixados em árvores na terra natal aborígene. Os cartazes mostravam uma fantasia de união interracial, falavam da justiça britânica, prometiam igualdade perante a lei. Um matador branco de um aborígene seria enforcado, mas se um aborígene matasse um colonizador, ele seria enforcado. Os cartazes também propagaram a mentira que os britânicos queriam integrar-se com os nativos. isso foi uma ficção e um completo fracasso, ja que nos campos continuavam as mortes dos dois lados.
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Robinson
Após anos de guerrilha, as ultimas centena dos 5000 nativos originais tinham aprendido a esconder-se no mato. Determinado a salva-los e tomar suas terras para a colonização branca o governador recorreu a um missionário Jorge Augustos Robinson. Ele era o líder de um grupo de aborígenes convertidos e tinha sido contratado para ir aos campos buscar os aborígenes remanescentes.
Prof. Henry Reynolds, Universidade da tasmânia: "Robinson recebeu a mensagem de que o governo queria chegar a algum tipo de acordo, uma negociação, um tratado de paz. Robinson e seus intermediários convenceram os nativos de que eles deveriam ir, temporariamente, para uma ilha, onde seriam cuidados e alimentados e que depois voltariam para sua terra natal."
A ilha chamava-se Flinders e 300 aborígenes recolhidos por Robinson foram transportados para la. Robinson foi com eles no papel de protetor chefe dos aborígenes. Foi construido um ascentamento completo para eles com casas, terras para cultivar e uma capela. Robinson o chamou de "Ponto de civilização". E um artista local foi trazido para pintar os retratos dos últimos tasmanianos.
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Um deles, Jeany, tinha sido capturada por Robinson logo após a quase aniquilação de seu povo pelos colonizadores.
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Unrad tinha sido chefe até sua comunidade ser eliminada por um vírus europeu.
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Outro líder local Malalarquena fora atraido para a ilha Flinders com a promessa de que os presos que atacaram seu povo seriam levados a justiça.
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E havia Tregalili, cujo marido tinha sido assassinado diante dela.
Todos eles tinha visto sua cultura sendo quase extinta. O pouco que restou, Robinson agora tentava apagar. Porque "ponto civilização" não éra apenas um acentamento, era essencialmente uma fábrica para transformar os chamados selvagens em cristãos civilizados.
Prof. Henry Reynolds, Universidade da tasmânia: "Ele acredita que para ser um cristão bem sucedido era preciso se ascentar, morar em uma vila. Ele quer mandar as crianças para a escola, quer ensina-las a arar, semear e torna-las agricultoras."
Forçados a adotar um modo de vida estrangeiro e confinados a uma ilha a centenas de quilometros de casa, os aborígenes começaram a sucumbir a doenças européias e ao que o médico local chamava de "espíritos deprimidos".
Prof. Bain Attwood, Universidade Monash: "Eles morrem, um a aum, não nascem crianças e deve ter havido um trauma imenso para eles. Um povo que ja tinha sido forte, saudável e sofre esse declínio enorme no período de uma geração."
Jorge Robinson. um suposto salvador dos aborígenes, ficou reduzido a um planejador dos seus futuros túmulos.
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Prof. Henry Reynolds, Universidade da tasmânia: "Frequentemente ele chora pelos enlutados porque esta muito comovido com o destino deles. Mas depois diz: "é melhor morrerem aqui tendo aprendido a mensagem dos evangelhos do que nos campos assassinados pelos colonizadores. Ele acha um jeito de aliviar a própria consciência. para que suas próprias crenças os proteja do relato total do que, em parte, era sua responsabilidade."
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Dos 300 aborígenes que foram atraidos para a ilha Flinders, na metade dos anos 1840, cerca de 260 estavam mortos. Jeany, Malalarquena e Unrad, todos sucumbiram. Tregalini foi uma das poucas sobreviventes, ela viveu até a velhice. Quando finalmente morreu em 1876 foi considerada por alguns como a última tasmaniana de sangue puro. Um povo cuja história pode remontar a 10 mil anos tinha sido, no período de uma única vida, quase exterminado.


Um crime que não era nada raro

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O que aconteceu na Tasmânia estava longe de ser um fato raro. Mundo afora, povos indígenas estavam sendo empurrados para a beira da extinção. No caso sul-africano, os povos khoisan foram retirados de suas terras, escravizados e mortos aos milhares por colonizadores britânicos e pelos Bôeres, um grupo de fazendeiros de origem holandesa lutou contra o domínio dos ingleses em territórios africanos. As mesmas força também atacaram os antigos bosquímanos do Calaari, caçando-os como se fossem animais.
Na região do norte do Canadá os povos Biotuquis, nativos, tinham sido totalmente dizimados pelos europeus. E na Améria do sul, guerras de extermínio, permitidas pelo governo argentino, estavam inrrompendo contra os índios pampas. Parecia que por toda a parte, colonizadores brancos estavam destruindo povos indígenas. E nesses mesmos anos o velho racismo que tinha nascido na era da escravidão começou a ressurgir.
Após a abolição, a concorrência dos novos produtores de açucar começa a minar as outrora poderosas plantações de cana-de-açúcar britânicas, e enquanto sua propriedades apodreciam os antigos donos de escravos começou a culpar o povo que os tinha deixado ricos, por sua ruina.
Prof. David Badydeen, Universidade de Warnick: "Quando as plantações caribenhas começam a perder muito dinheiro, eles cairam no estriótipo do negro indolente. Os donos de terras então puderam dizer para os abolicionistas e para os britânicos: "agora estamos arruinados porque não temos mais a liberdade de forçar os negros a trabalhar", Essas pessoas são intrinsecamente preguiçosas, vocês argumentos que eles são seres humanos, irmãos, mas na verdade não são. Ainda estão no nível das bestas."
Os que argumentaram que a abollição tinha sido um fracasso, devido a preguiça e selvageria dos escravos, agora alegavam que a visão cristã de um império civilizador também estava com os dias contados.
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"Pode se dizer que o impuso moral fugiu do movimento aboliciionista. As pessoas viram que aquelas raças não estavam se tornando civilizadas. Havia alguma coisa "difícil", elas resistiam,pareciam não aprender tão rápido quanto se apreciaria a ser mais dóceis. O otimismo cristão pela difusão da civilização e a cristianização mundo a fora dos povos de cor começou a se esvair."
Se as raças não brancas pareciam rejeitar a mensagem dos missionários, alguns britânicos começaram a perguntar se eles poderiam chegar a ter alguma civilidade. Certas idéias novas sobre raça na era vitoriana, tiraram sua evidência do mundo dos mortos. Baseado no estudo de cadáveres e esqueletos, a ciência burguessa da anatomia, fixou as bases de um novo racismo científico. Na Gra Bretanha, o mais importante cientista racial era um cirurgião de Edimburgo, agora esquecido. Arruinado por um escândalo de roubo de cadáveres nos anos 1820 ele fugiu da Grã Bretanha em desgraça, mas nos anos 1840 o Dr Robert kNox ressurgiu com a publicação de um novo livro: The Races of Man: A Fragment (As raças do homem: um fragmento)
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"A RAÇA É TUDO! LITERATURA, CIÊNCIA, ARTE.... EM UMA PALAVRA, A CIVILIZAÇÃO DEPENDE DELA. AS RAÇAS NEGRAS PODEM SER CIVILIZADAS? EU DEVO DIZER QUE NÃO. A RAÇA SAXÔNICA JAMAIS AS TOLERARÁ, JAMAIS SE MISIGENARÃO, JAMAIS VIVERÃO EM PAZ. É UMA GUERRA DE EXTERMÍNIO."
Prof James Moore, Instituto Durham de Estudos Avançados: "Ele via conflito racial e extermínio, acontecendo no mundo todo. Era natural para ele acreditar que os tipos raciais nasceram para lutar e que as raças superiores iriam dominar as naturalmente inferiores."
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Robert Knox não era uma voz solitária. Nos EUA um grupo liderado pelo renomado craniologista Samuel George Morton tinha começado a recolher crânios de diversas raças e a commpara-los.
Os crânios eram escolhidos para serem medidos, porque se reconhecia que crânio continha a parte mais importante do corpo humano, o cérebro. Quanto maior o crânio, maior o cérebro. O formado do crânio, o formato do cérebro. A escola norte americana de cientistas raciais concluiu que as raças, medidas por seus crânios, eram tão diferentes quanto as de espécies animais distintas.
Tasmanianos, africanos, índios americanos não eram raças mais baixas, talvez nem chegassem a ser totalmente humanas. Um escritor comparou o extermínio dessas raças por colonizadores brancos como sendo o derretimento da neve diante dos avanços dos raios do sol. Mas a teoria que teria mais impacto sobre a raça não veio dos anatomistas ou das medidas dos crânios, mas do trabalho de uma das maiores mentes do século 19.
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"A origem das espécies realmente jogou uma granada antes de tudo na ciência. Ela inventou a ciência da biologia, depois da religião e depois na sociedade. De certo modo o que Darwin fez foi dar um alibi para ser juiz. Se a evolução tinha mudado as raças e as espécies do mundo porque nao fez o mesmo com os humanos?"


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Racista e cruel, a história colonial da Alemanha


A exposição no Museu Histórico Alemão, em Berlim, é a primeira grande exibição que explora os capítulos do domínio colonial da Alemanha. Uma história da ambição falhada de uma superpotência.












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Refugiados: Mão de obra barata para o Ocidente “humanitário”




"Segundo um comunicado de imprensa do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, “estamos explorando a criação de zonas econômicas especiais (ZESs, em inglês) e investimentos alentadores em projetos municipais e trabalhos que demandem muita mão de obra”. Segundo a propaganda do Banco Mundial, a meta é ajudar a aliviar as dificuldades a que fazem frente os refugiados na Jordânia, desenvolvendo cinco zonas econômicas especiais ao longo da fronteira síria. “Estamos utilizando uma abordagem holística para dirigir a afluência de refugiados para o desenvolvimento do setor privado”, disse um porta-voz do Banco Mundial citado por Lazare. No entanto, como fez notar Lazare, apesar de suas múltiplas tentativas de obter mais informação do Banco Mundial sobre as ZESs propostas, os detalhes específicos continuam sendo escassos. Além disso, denunciou a história das zonas econômicas especiais existentes na Jordânia (operadas “muitas vezes por companhias de serviço dos EUA sob uma variedade de nomes”), fustigadas pelo tráfico humano, pela tortura e pelo furto do salário."

70 milhões de habitantes de todo o mundo são agora refugiados devido a conflitos em suas nações de origem, segundo a Agência para os Refugiados da ONU.

O informe publicado em junho de 2015 indicou que, em 2014, uma a cada 122 pessoas era um refugiado, um deslocado interno ou um solicitante de asilo; e mais da metade destes refugiados eram crianças.

Enquanto os refugiados sírios explicam o seu maior aumento (estimado em 11,5 milhões), em outras localidades como a Colômbia, parte da África subsaariana e Ásia existem grandes populações de refugiados que não aparecem em nenhum informe. Segundo Antonio Guterres, alto comissionado da ONU para os Refugiados até a data do informe: “estamos presenciando uma mudança de paradigma, uma explosão descontrolada em uma era em que se multiplica a escala de deslocamento global forçado, assim como se restringe claramente a resposta agora requerida, algo nunca visto antes”.

Ainda que a expansão da crise global de refugiados seja coberta pelos meios hegemônicos (incluindo, por exemplo, New York Times e Washington Post), a exploração dos refugiados foi menos coberta. Em fevereiro de 2016, Sarah Lazare publicou um artigo no AlterNet, onde advertiu que o deslocamento seria a solução para a crise da empresa privada e do Banco Mundial. “Sob uma aparência de ajuda humanitária, o Banco Mundial está estimulando as empresas ocidentais a colocar em marcha ‘novos investimentos’ na Jordânia para beneficiar-se da mão de obra dos refugiados sírios. Em um país onde os trabalhadores emigrantes fazem frente à servidão forçada, tortura e furto, existem razões para suspeitar que esta ‘solução’ da crise crescente de deslocamento estabelecerá fábricas onde se explorará o trabalhador fazendo expressamente dos refugiados um alvo de guerra para a hiper exploração”, escreveu Lazare.

Segundo um comunicado de imprensa do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, “estamos explorando a criação de zonas econômicas especiais (ZESs, em inglês) e investimentos alentadores em projetos municipais e trabalhos que demandem muita mão de obra”. Segundo a propaganda do Banco Mundial, a meta é ajudar a aliviar as dificuldades a que fazem frente os refugiados na Jordânia, desenvolvendo cinco zonas econômicas especiais ao longo da fronteira síria. “Estamos utilizando uma abordagem holística para dirigir a afluência de refugiados para o desenvolvimento do setor privado”, disse um porta-voz do Banco Mundial citado por Lazare. No entanto, como fez notar Lazare, apesar de suas múltiplas tentativas de obter mais informação do Banco Mundial sobre as ZESs propostas, os detalhes específicos continuam sendo escassos. Além disso, denunciou a história das zonas econômicas especiais existentes na Jordânia (operadas “muitas vezes por companhias de serviço dos EUA sob uma variedade de nomes”), fustigadas pelo tráfico humano, pela tortura e pelo furto do salário.

“Nesta era de deslocamentos de massas humanas pelas guerras em curso, devemos fazer perguntas difíceis sobre as implicações políticas de animar as companhias ocidentais a apontar e a beneficiar-se do trabalho das pessoas desarraigadas violentamente de seus lares”, escreveu Lazare. O programa do Banco Mundial “desperta perguntas mais profundas sobre a responsabilidade global de dirigir o dano humano a grande escala sobre a Síria, onde o Ocidente desempenhou o papel de desencadeá-lo”.

Myriam Francois, uma jornalista e investigadora associada a SOAS (School of Oriental and African Studies), Universidade de Londres, disse a Lazare que o desenvolvimento de ZESs na Jordânia “transformará acampamentos de emergência para refugiados e respostas temporárias a uma crise, em acordos muito permanentes. As ofertas de ZESs são menos sobre necessidades sírias e mais sobre a custódia de refugiados sírios fora da Europa criando (apenas) condições sustentáveis dentro dos campos que, então, trariam demandas ao asilo muito mais duras de reconhecer”, disse Myriam Francois.

Descrevendo como “trato entre diabos” o acordo entre Turquia e a União Europeia (UE) de impedir a entrada de milhões de refugiados na Europa, Glen Ford, do Black Agenda Report, disse que a Turquia “cobrou dinheiro pelas pessoas desamparadas que ajuda a se refazer”. Como divulgou Al Jazeera, a Turquia aceitou 3,3 bilhões de euros da União Europeia “em troca de controlar o fluxo de refugiados através do Mar Egeu”. A Turquia, segundo informações, pediu para dobrar essa soma para cobrir os custos de traficar com os refugiados. Antes, em março de 2016, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, advertiu aos refugiados da Ásia e da África que “não venham à Europa… É tudo para nada”.

Observando que “a grande quantidade dos refugiados na Turquia é vítima do papel turco na guerra contra a Síria, em aliança com a Europa, Estados Unidos e as aristocracias reais petroleiras do Golfo Pérsico”, Ford descreveu que o tráfico humano na Turquia avança “a uma escala não vista desde o comércio de escravos pelo Atlântico”.

Além do dinheiro da UE, a Turquia também visa buscar a admissão à União – e com isto, o direito a que 75 milhões de turcos entrem na Europa sem restrição de visto – como uma condição para controlar sua população de refugiados. Assim, segundo Ford, a Turquia engatou “em uma enorme estafa de proteções”, acordando efetivamente proteger a Europa contra outras incursões “de pessoas antes colonizadas, cujo trabalho e terras fez engordar durante meio milênio a Europa e seus estados colonialistas brancos”. Dessa forma, concluiu Ford, “os europeus nunca aceitarão a Turquia porque é muçulmana e não-muito-branca”.

A exploração corporativa da crise global dos refugiados foi subutilizada pela imprensa e apresentada com uma cobertura pró-empresa, como um artigo do Wall Street Journal de setembro de 2015 sobre o número de pequenas empresas e grandes corporações que estão encontrando maneiras de beneficiar-se da inundação de imigrantes. Diferente do informe de Lazare no AlterNet, a cobertura do Journal somente focou nos sírios que conseguiram manejar imigrantes aos países europeus. Segundo o Journal, grupos privados de equidade perseguiam através da Europa a criação de campos e serviços para refugiados como uma nova oportunidade de investimento “com promessas de crescimento potencial orgânico e aquisitivo”. O artigo do Journal citou Willy Koch, fundador aposentado da companhia suiça ORS Service AG, dizendo “As margens são muito baixas. Certamente, o volume é uma das chaves”.


Notas:

– Jennifer Baker, “Global Refugee Crises Reaches an Unprecedented 60 Million,” Revolution News, June 24, 2015, http://revolution-news.com/global-refugee-crises-reaches-an-unprecedented-60-million/.

– Sarah Lazare, “World Bank Woos Western Corporations to Profit from Labor of Stranded Syrian Refugees,” AlterNet, February 24, 2016, http://www.alternet.org/labor/world-bank-woos-western-corporations-profit-labor-stranded-syrian-refugees.

– Glen Ford, “Turkey and Europe: Human Trafficking on a Scale Not Seen since the Atlantic Slave Trade,” Black Agenda Radio, Black Agenda Report, broadcast March 8, 2016, transcript, http://www.blackagendareport.com/turkey_europe_human_trafficking.

– Student Researchers: Mark Nelson (Sonoma State University), Sean Donnelly (Citrus College), and Elizabeth Ramirez (College of Marin)

– Faculty Evaluators: Anne Donegan (Santa Rosa Junior College), Andy Lee Roth (Citrus College), and Susan Rahman (College of Marin)



Ernesto Carmona Ulloa





Fonte em português: Partido Comunista Brasileiro (PCB)



Tribos Urbanas – Movimento Hippie: História, roupas, personagens



Movimento de juventude que nasceu na Califórnia, na América do Norte em 1966. Hip significa zombar e melancolia. Pacifista, pregava a filosofia do amor (filosofo significa amigo do saber). Jovens estudantes reuniram-se para expor ao ridículo a guerra do Vietnã. Foi um ato de zombaria que revelou o desencantamento de uma juventude sem ideal.
O traje desse movimento era composto de calças de jeans, pantalonas com boca de sino, e no lugar de camisas e blusas, ambos os sexos usavam batas indianas, como apego a culturas distantes deste mundo massificado e corrompido pela guerra e pela sociedade de consumo. A estética hippie é também conhecida como a estética da flor e do amor.
Tribos Urbanas   Saiba tudo sobre o Movimento Hippie: História, roupas, personagens (Parte 1/4)
A característica básica dessa moda foi o uso da cor. Introduziu o estilo unissex e seu gosto pelo colorido estava associado à cultura psicodélica. As roupas eram, em geral estampadas e faziam alusão aos símbolos do movimento: paz e amor, além de flor e motivos orientais. Moços e moças usavam cabelos longos, repartidos ao meio com ar angelical. Os sapatos e bolsas tinham aspectos artesanais, próprios de culturas não industrializadas. Houve grande valorização de adornos de origem folclórica.
Sobre a revolução que estava começando pregavam que questionaria não só a sociedade capitalista como também a sociedade industrial. Para eles a sociedade de consumo deveria morrer de forma violenta. A sociedade da alienação deveria desaparecer da história.
Estavam inventando um mundo novo e original, e com a imaginação estavam tomando o poder. Estas eram as palavras do manifesto afixado à entrada da tradicional Universidade de Sourbonne, durante as manifestações estudantis que abalaram Paris e o mundo em maio de 68. Suas palavras poderiam figurar em qualquer texto de qualquer canto do planeta nos anos 60.
A guerra fria se acirrava por meio da obsessiva corrida armamentista e espacial.. Neste contexto, ganhava o centro das atenções à revolução socialista em Cuba. A ofensiva do Tio Sam disseminou o vírus das ditaduras militares .
Tribos Urbanas   Saiba tudo sobre o Movimento Hippie: História, roupas, personagens (Parte 1/4) Tribos Urbanas   Saiba tudo sobre o Movimento Hippie: História, roupas, personagens (Parte 1/4)
Che Guevara
 Guerra do Vietnã
Outras manifestações do jogo da guerra fria foi a guerra do Vietname, onde morreram milhares de jovens americanos, crianças, jovens e velhos vietnamitas, em nome da absurda causa alheia, somando-se também a isso o assassinato de John e Bob Kennedy, e do líder negro pacifista Martin Luther King, o crescimento da sociedade industrial de consumo e o ascendente fenómeno da juventude como nova força, incluindo a política. 
Muitos Power surgiram como o Black Power, o Gay Power, o Wamens Lib.
Os anos 60 foram, sobretudo, de uma nova juventude, que também transviada, substituiu James Dean e Elvis Presley pela rebeldia política de Che Guevara e a moral sinalizada por Jimi Hendrix e toda uma constelação de pop-stars que morreu vítima da overdose de drogas.
Tribos Urbanas   Saiba tudo sobre o Movimento Hippie: História, roupas, personagens (Parte 1/4)
Jimi Hendrix
Novos posters na parede, novas idéias na cabeça – estranho apresentar um líder da revolução cubana, morto em combate nas selvas bolivianas, ao lado do revolucionário guitarrista de Woodstock, morto em 1970, em Londres por uma intoxicação de barbitúricos.
Representaram as duas faces da mesma moeda da década, duas maneiras de viver, sonhar e morrer; ou se vivia, ou se sonhava, ou se morria com eles, ou tudo isso junto. O que importava era a revolução, desde que em benefício do homem, em nome da liberdade. Assim, se chamava para agir sobre o seu tempo, gente como o Zaratustra do rock, Jim Morrison e sua melancólica banda The Doors.
Dois ideais corriam paralelos, de um lado a revolução política, de outro, a cultural, propondo chacoalhar as bases da cultura oficial, propondo transformações comportamentais. Uns adaptados à disciplina militar partidária, outros, inadaptados a tudo que não fosse o próprio desejo. Os primeiros atuavam por meio de partidos e grupos políticos, os segundos, pelas formas alternativas dos grandes encontros comunitários, happenings e concertos de rock. O que para uns era o ponto de partida para outros era o ponto de chegada, fazer a revolução coletiva partindo da individual ou a individual pela coletiva.
Acreditava-se que apenas numa sociedade livre da exploração capitalista do homem pelo homem é que o indivíduo podia gozar de liberdade, de autonomia. Os que faziam o caminho inverso, da parte para o todo, afirmavam que apenas o homem consciente da sua individualidade poderia libertar a sociedade de toda a milenar carga opressiva. A equação pode assim ser resumida: é preciso ser livre, para libertar a sociedade, ou, só se é livre em uma sociedade livre.
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Sobre esses jovens Eric Hobsbawm (1995) em A Era dos Extremos, fala que pregavam “que sem revolução não há tesão, e sem tesão não há revolução”. Isto levou a que, enquanto alguns jovens levantavam a bandeira socialista, outros erguiam o pensamento existencialista. Os mais afinados com os acordes de Hendrix defendiam que a maior contribuição se dava, sem dúvida, no plano comportamental que materializava uma nova cultura, a contracultura.
Para o time de Che, os anos 60 significaram a prisão, exílio ou a tortura. Habitavam apartamentos clandestinos ou viviam na selva em guerrilhas, num momento de tensão e participação. Para os de Hendrix, em comunidades espalhadas pelo mundo sem fronteiras, habitando barracas e colchonetes ao ar livre, num momento de alegria e descompromisso, assistindo a festivais de rock, curtindo o corpo nu, o poder das flores e a distância dos males da civilização. Jovens da baioneta e da guitarra. No slogan “sexo drogas rock’n roll” e política, no fundo buscavam apenas o direito de o homem ser livre e feliz longe das guerras através da oposição à cultura dominante que os convocava para morrer numa guerra sem pátria.
O movimento de contracultura foi à guerra dos ideais contra a guerra da idéia de dominação da cultura capitalista ocidental norte-americana contra a cultura comunista russa e asiática que tentava avançar pelo resto do planeta.
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A cultura oficial se assentava sobre os valores que exaltavam o trabalho, a especialização da mão-de-obra, o elogio à máquina, à razão, à objetividade, etc. A cultura underground, marginal se opunha a tudo isso, propondo um retorno hedonista à natureza, onde o novo homem deveria estar de acordo com seus instintos, diferentes dos que são artificialmente instituídos pela indústria cultural.
Para a contracultura, há coisas mais importantes do que ficar lustrando carros e contando notas verdes, acumulando eletrodomésticos; havia chegado a hora do poder da flor se opor ao das armas e das máquinas. A filosofia do flower and power era drop out, saltar o muro e cair fora do sistema desacreditado. Sexo, drogas e rock’roll: a imaginação, um poder novo, dentro de um submarino amarelo.
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LACK POWER: INSTRUMENTO DE RESISTÊNCIA E CULTURA



 
Erykah Badu, que tem fortes ligações com o continente africano (Foto – Reprodução)


“Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado…” Considerado por muitos apenas um instrumento estético, o cabelo vai muito além disso. Uma simples opção por um corte ou penteado diz bastante sobre a personalidade de uma pessoa. Para os negros especialmente, que desde a década de 1950 desfilam com seus black power imponentes, ele transcende o campo da beleza e significa um encontro com a identidade e, por quê não, uma ferramenta de afirmação.



 
Ativista dos direitos civis dos negros nos anos 60, Angela Davis não abriu mão do black power. (Foto – Reprodução)


A trajetória do black power tem início ainda nos anos 20, quando Marcus Garvey, tido como o precursor do ativismo negro na Jamaica, insistia na necessidade de romper com padrões de beleza eurocêntricos e a partir disso promover o encontro dos negros com suas raízes africanas. Décadas depois, nos Estados Unidos, o afro também começou a ganhar espaço e se tornou um dos protagonistas na luta pelos direitos civis nos anos 60. No entanto, foram as mulheres as grandes protagonistas dessa história. Condicionadas desde o tempo da escravidão a alisar o cabelo, elas bateram o pé e decidiram andar pelas ruas ao natural, o que causou espanto e resistência da comunidade branca.


Entre muitos, o nome de Angela Davis surge como um dos principais marcos nesta luta. Ativista desde os primeiros anos de sua juventude, a norte-americana fez parte do Partido Comunista e também do movimento Panteras Negras. Em pouco tempo Angela havia se tornado uma das principais referências na luta pelos direitos dos negros e muito deste respeito vinha de seu afro, que de tão imponente, se tornava mais uma maneira de intimidar opressores.



 
Esperanza Spalding também adotou o afro como estilo. (Foto – Reprodução)


Mesmo durante os tempos de opressão, os negros sempre estiveram presentes no campo das artes, estilos consagrados como jazz e blues, o último precursor do rock, são exemplos desta presença. Além de brindar o público com seu talento, estes artistas foram responsáveis por um braço da afirmação da estética afro nos quatro cantos do mundo. Jimi Hendrix, revolucionando com sua guitarra, criou tendência ao deixar seus esvoaçados cabelos crespos crescerem ao natural.


Ainda no rock, o tecladista Billy Preston, famoso por ter tocado com os Beatles, também aderiu ao movimento e passou boa parte dos anos 70 excursionando com um black power de dar inveja. Por fim pinçamos o nome da sul-africana Miriam Makeba, carinhosamente chamada de Mama Africa, que durante seu exílio nos Estados Unidos, adotou o black power. Ainda em 1970, o fenômeno da disco music ganhou espaço e liderado pelos negros, surgiu com força total e logo caiu nas graças do público, tendo sido o black power um dos principais ícones do movimento, destacado na cabeça de membros de grupos como o Earth Wind and Fire.



 
Billy Preston durante os anos 70 (Foto: Reprodução)


Apesar de sair de moda nos anos 80, o afro voltou com força total no começo do século 21, mais uma vez amplamente difundido na música. A partir de 2000, Lauryn Hill e Lenny Kravitz e um pouco antes, a cantora Erykah Badu repescaram o fluxo da estética como mensagem de afirmação. Com o avanço dos anos, o estilou ganhou ainda mais força, e nomes como a baixista Esperanza Spalding e a cantora brasileira Anelis Assumpção foram exemplos da preferência aos cabelos naturais.


São quase 70 anos na luta da afirmação de estética como identidade na diáspora, em que o cabelo e sua naturalidade sobressaem aos padrões de beleza ocidentais para se afirmar como instrumento de resistência e cultura. Nesse contexto, seja na política ou nas artes, o black power foi e é um símbolo que transcende as fronteiras da beleza e significa para o negro o resultado da luta de seus antepassados e também a determinação em manter viva a identidade de quem lutou pelos seus direitos. Na busca de direitos, cabelo é identidade e é também um símbolo de respeito.


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