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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sarah Baartman: a chocante história da africana que virou atração de circo

Mulher foi levada da África do Sul para apresentar-se em feiras de 'fenómenos humanos' e virou símbolo de racismo colonial.


Em outubro de 1810, Sarah Baartman foi levada da África do Sul à Grã-Bretanha para aparecer em espetáculos (Foto: SPL)Em outubro de 1810, Sarah Baartman foi levada da África do Sul à Grã-Bretanha para aparecer em espetáculos (Foto: SPL)
Há dois séculos, Sarah Baartman morreu após passar anos sendo exibida em feiras europeias de "fenômenos bizarros humanos". Agora, rumores de que sua vida poderia ser transformada em um filme de Hollywood estão causando polêmica.
Sarah Baartman morreu em 29 de dezembro de 1815, mas o show, sob uma perspectiva ainda mais macabra, continuou.
Seu cérebro, esqueleto e órgãos sexuais continuaram sendo exibidos em um museu de Paris até 1974. Seus restos mortais só retornaram à África em 2002, após a França concordar com um pedido feito por Nelson Mandela.
Ela foi levada para a Europa, aparentemente, sob promessas falsas por um médico britânico. Recebeu o nome artístico de "A Vênus Hotentote" e foi transformada em uma atração de circo em Londres e Paris, onde multidões observavam seu traseiro.
Hoje em dia, ela é considerada por muitos como símbolo da exploração e do racismo colonial, bem como da ridicularização das pessoas negras muitas vezes representadas como objetos.
Boatos
Recentemente, começou a correr um rumor de que a cantora Beyoncé estaria planejando escrever e protagonizar um filme sobre Baartman.
Os representantes da artista negaram essa informação, mas o burburinho foi suficiente para provocar preocupação.
Jean Burgess, chefe do grupo khoikhoi- a etnia de Baartman - disse que Beyoncé não conta com "a dignidade humana básica para ser digna de escrever a história de Sarah, menos ainda para interpretá-la". Ela justificou que via com "arrogância" a suposta ideia de Beyoncé de "contar uma história que não pertence a ela" e sugeriu que a atriz fizesse um filme sobre indígenas americanos.
Já Jack Devnarain, presidente do Sindicato de Atores da África do Sul, disse que os cineastas têm "direito de contar a história de pessoas que as fascinam e não devemos nos opor a isso".
Ao negar qualquer vínculo com o filme, o representante de Beyoncé ponderou que "esta é uma história importante que deve ser contada".
Charges políticas foram feitas com figura de Baartman  (Foto: British Museum/BBC)Charges políticas foram feitas com figura de Baartman (Foto: British Museum/BBC)
História
A vida de Baartman foi marcada por penúrias.
Acredita-se que ela tenha nascido na Província Oriental do Cabo da África do Sul em 1789.
Sua mãe morreu quando ela tinha dois anos e seu pai, um criador de gado, morreu quando ela era adolescente.
Ela começou a trabalhar como empregada doméstica na Cidade do Cabo quando um colono holandês assassinou seu companheiro, com quem havia tido um bebê que também morreu.
Em outubro de 1810, apesar de ser analfabeta, ela supostamente assinou um contrato com o cirurgião inglês William Dunlop e o empresário Hendrik Cesars, dona da casa em que ela trabalhava, que disse que ela viajaria para a Inglaterra para aparecer em espetáculos.
Atração
Quando ela foi exibida em um estabelecimento em Piccadilly Circus, em Londres, causou fascinação.
"É preciso lembrar que, nesta época, nádegas grandes estavam na moda, e por isso muitas pessoas invejavam o que ela tinha naturalmente", diz Rachel Holmes, autora de A Vênus Hotentote: vida e morte de Saartjle Baartman.
O motivo para isso é que Baartman, também conhecida como Sara ou Saartjie, tinha esteatopigia, uma condição genética que faz com que a pessoa tenha nádegas protuberantes devido à acumulação de gordura. Essa condição é mais frequente em mulheres e principalmente entre aquelas de origem africana.
Mas a própria palavra é motivo de debate, porque, para muitos, seria racista o fato de ela sugerir que se uma mulher tem nádegas grandes e é negra, sofre de uma doença.
Já para as nádegas pequenas a palavra é 'calipigia", em referência à famosa estátua romana Vênus Calipigia - que significa 'a Vênus das nádegas belas".
Toda uma Vénus
No espetáculo, Baartman usava roupa justa e da cor da sua pele, contas e plumas, e fumava um cachimbo.
Clientes mais abastados podiam pagar por demonstrações privadas em suas casas, em que era permitido que os convidados a tocassem.
Os "empresários" de Baartman a apelidaram de "Vênus Hotentote" porque, nesta época, esse era o termo que os holandeses usavam para descrever os khoikhois e aos san, os principais membros de um importante grupo populacional africano, os khoisans.
Atualmente, o termo 'hotentote' é considerado pejorativo.
Livre ou assustada?
Nesta época, o império britânico já havia abolido o tráfico de escravos (em 1807), mas não a escravidão.
Mesmo assim, ativistas ficaram horrorizados com a forma como os empresários de Baartman a tratavam em Londres.
Eles foram processados judicialmente por deter Baartman contra sua vontade, mas foram declarados inocentes. A própria Baartman testemunhou a favor deles.
"Ainda não se sabe se Baartman foi forçada, como os defensores da abolição e os ativistas humanitários alegavam, ou se atuou por livre arbítrio", diz o historiador Christer Petley, da Universidade de Southampton, na Inglaterra.
"Se eles a estavam obrigando a trabalhar, é possível que tenha se sentido intimidada demais para dizer a verdade no tribunal. Nunca saberemos."
"O caso é complexo e a relação entre Baartman e seus chefes definitivamente não era igualitária."
A caminho de Paris
Holmes destaca que o show de Baartman incluía dança e interpretação de vários instrumentos musicais, e diz que um público "sofisticado" em Londres - uma cidade em que as minorias étnicas não eram raras - não teriam se encantado por muito tempo com ela apenas pela sua cor.
De qualquer forma, com o tempo, o show da Vênus foi perdendo seu caráter de novidade e popularidade entre o público da capital, e por isso ela saiu em tour pela Grã-Bretanha e Irlanda.
Em 1814, foi para Paris com seu empresário, Cesars, e outra vez virou uma celebridade, que tomava coquetéis no Café de Paris e ia às festas da alta sociedade.
Cesars voltou para a África do Sul e Baartman caiu nas mãos de um "exibidor de animais" cujo nome artístico era Reaux.
Ela bebia e fumava sem parar e, segundo Holmes, "provavelmente foi prostituída por ele".
'Grotesco'
Eventualmente, Baartman aceitou ser estudada e retratada por um grupo de cientistas e artistas, mas se recusou a aparecer completamente nua na frente deles.
Ela argumentava que isso estava além de sua dignidade: nunca havia feito isso em seus espetáculos.
Foi neste período que teve início o estudo que chegou a ser chamado de "ciência da raça", diz Holmes.
Baartman morreu aos 26 anos de idade.
A causa foi descrita como "uma doença inflamatória e eruptiva". Desde então, cogita-se que tenha sido resultado de uma pneumonia, sífilis ou alcoolismo.
O naturalista Georges Cuvier, que dançou com Baartman em um das festas de Reaux, fez um modelo de gesso de seu corpo antes de dissecá-lo.
Além disso, preservou seu esqueleto, pôs seu cérebro e seus órgãos genitais em frascos, que permaneceram expostos no Museu do Homem de Paris até 1974, algo que Holmes descreve como "grotesco".
De volta para casa
"A dominação dos africanos foi explicada com ajuda da ciência, estabelecendo que os khoisan eram um grupo menos nobre no progresso da humanidade", escreveu Natasha Gordon-Chipembere, editora de "Representação e feminilidade negra: o legado de Sarah Baartman".
Após sua eleição em 1994 como presidente da África do Sul, Nelson Mandela solicitou a repatriação dos restos mortais de Baartman e o modelo de gesso feito por Cuvier.
O governo francês acabou aceitando o pedido e fez a devolução, em 2002.
Em agosto do mesmo ano, seus restos mortais foram enterrado em Hankey, província onde Baartman nasceu, 192 anos após ela sair com destino à Europa.
Vários livros já foram publicados sobre a maneira como ela foi tratada e sua transcendência cultural.
"Ela acabou se tornando um molde sobre a qual se desenvolvem múltiplas narrativas de exploração e sofrimento da mulher negra", escreveu Gordon-Chipembere, que acha que, me meio à tudo isso, Baartman, "a mulher, permanece invisível".
Em 2010, o filme Black Venus e o documentário The Life and Times of Sara Baartman contaram a história dela. Em 2014, a revista Paper botou na capa uma foto da celebridade americana Kim Kardashian balançando um copo de champanhe sobre suas nádegas avantajadas. Vários críticos reclamaram que a imagem lembrava desenhos retratando Baartman.
No ano passado, uma placa no local em que ela está enterrada em Hankey foi vandalizado com tinta branca. Isso ocorreu na mesma semana em que a Universidade da Cidade do Cabo retirou, após protestos, a estátua de Cecil Rhodes, um empresário e político do século 19, que declarou notoriamente que os britânicos seriam "a primeira raça no mundo".
"As pessoas estão resolvendo sobre como querem lidar com essas questões", diz Petley. "Muitas vezes elas foram ocultadas e chegou a hora de reavaliá-las"
.
g1.globo.com

Welcome to Jazz Cabaret!





E agora, vamos conhecer um pouquinho mais sobre esta dança? As aulas de Jazz Cabaret  baseiam-se na criação de coreografias inspiradas nos antigos filmes hollywoodianos, bem como nos famosos musicais da Broadway. Portanto, é importante conhecer a história do jazz dance, suas origens e principais representantes:



A origem do Jazz Dance tem raízes populares, surgindo no final do século passado, evoluindo paralelamente à jazz music norte-americana. Suas influências são obviamente na cultura negra e suas características mais marcantes são visivelmente inspiradas nas DANÇAS AFRICANAS, com trabalho de isolação muscular, marcação de quadril, ritmo pulsante e balanço.



Durante a época da escravidão, quando os navios negreiros viajavam da África para a América, os negros eram obrigados a dançar para manterem sua saúde. Para isso, imitavam os brancos e suas danças tradicionais da época (polca, valsa) e faziam desta imitação uma forma de ridicularizar seus opressores, mas também misturavam a isso suas danças tribais.



Por volta de 1740, quando os tambores foram proibidos no Sul dos EUA, os negros passaram a executar sua música e sua dança de outras formas, e para isso se utilizaram do som de suas palmas, do banjo e do sapateado. Por volta de 1900, as danças afro-americanas começaram a se propagar pelo país e a entrar nos salões de baile, sofrendo assim novas influências.



Logo esta dança passou a ser dançada por negros e brancos, e a tomar conta dos palcos, se transformando no que era chamado antigamente de Comédia Musical, que nada mais era do que os primeiros passos da dança que hoje conhecemos como Jazz.



Esta dança é hoje considerada uma forma de expressão pessoal baseada no improviso, embora muitos dos trabalhos nesta modalidade sejam coreograficamente montados, principalmente no Jazz-Teatro.



O grande triunfo desta dança nos EUA é visto principalmente nos espetáculos da Broadway. Já houve grande preconceito quanto à esta modalidade, sendo até mesmo considerada uma arte menor em qualidade coreográfica, mas atualmente o crescimento do interesse e da qualidade de bailarinos e coreógrafos faz com que muitos confundam suas peças com trabalhos de dança moderna.



O primeiro grande mestre do Jazz foi Jack Cole, mais conhecido como O Pai do Jazz.



Começou pela dança moderna, com Ruth Saint Dennis e Ted Shawn, e durante a era da depressão norte-americana, trocou a dança moderna pela dança comercial, passando a fazer shows em nightclubs, posteriormente passando a trabalhar nos musicais da Broadway.



O jazz dance já era conhecido naquela época, mas faltava técnica apropriada, e Cole foi o primeiro bailarino desta modalidade a fundir as técnicas da dança moderna aos movimentos "populares" do Jazz.



A técnica Cole trabalha com pliés profundos, explosão dos movimentos, isolação muscular, sincopação, deslizes em trabalho de solo, ou seja, características ainda hoje mantidas no jazz e comuns em todas as aulas e à todas as diversas técnicas que foram posteriormente criadas. Cole também foi pioneiro em fundir à esta modalidade movimentos das danças orientais, seguindo a linha de seus professores em dança moderna da Dennishawn School.



Jack coreografou diversos musicais na Broadway e também chegou à Hollywood, trabalhando como coreógrafo para cinema, em películas como Eles Preferem as Loiras, com Marilyn Monroe. Trabalhou também com outras estrelas da época como Humphrey Bogart, Rita Hayworth, Gwen Verdon, Matt Mattox e Mitzy Gaynor.



Um dos grandes nomes do jazz estilo cabaret foi Bob Fosse.



Fosse desenvolveu um estilo de dança de jazz que foi imediatamente reconhecido e caracterizado por seu ar sensual. Outras distinções notáveis eram seus joelhos internos, ombros arredondados e isolações do corpo. Com a influência de Fred Astaire, ele usou como acessórios chapéus côco, barras e cadeiras.



Aclamado no teatro, onde foi várias vezes premiado, Bob Fosse ganhou também no cinema um Oscar em 1972 pelo filme "Cabaret", além de várias homenagens na TV pelo especial com a atriz e cantora Liza Minelli, "Liza com Z".



As filmagens de "Cabaret" tiveram uma característica específica: lembravam Vaudeville e burlesque.



ladyburly.blogspot.pt

25 Novembro o golpe contra-revolucionário - fascista- O golpe militar em preparação

25 Novembro o golpe contra-revolucionário - fascista

excerto do blog página um





1- O golpe militar em preparação
O 25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975 .

Talvez que as mais esclarecedoras informações dessa preparação em curso muitos meses antes de Novembro sejam as que dá o comandante José Gomes Mota no seu livro, esquecido ou guardado nas estantes, A Resistência. O Verão Quente de 1975 , Edições jornalExpresso , 2ª ed., Junho de 1976.

Segundo José Gomes Mota, o golpe foi preparado pelo «Movimento», que define por ser contra o que chama «os dissidentes», — nomeadamente «os gonçalvistas» e o PCP. Fala em «novas estruturas reorganizadas». Diz que o «Movimento» deveria ter presença activa no Conselho da Revolução ( ob. cit. , p. 93) e aceitar a «manutenção formal dos órgãos de cúpula do Movimento — Conselho da Revolução e Assembleia do MFA» ( ob. cit. , p. 95).

O «Movimento» chamava a si a preparação e decisão do golpe militar, mas, «preservando e garantindo a legitimidade revolucionária do Presidente da República» ( ob. cit. , p. 94). Segundo José Gomes Mota, a cúpula efectiva era o «Movimento», que dispunha de dois grupos dirigentes.

Um «militar», «inicialmente constituído por Ramalho Eanes, Garcia dos Santos, Vasco Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Tomé Pinto e José Manuel Barroso». A sua «tarefa» principal era a «elaboração de um plano de operações» ( ob. cit. , p. 99), tarefa que «cumpriu rigorosamente», tendo «para isso muito contribuído a liderança de Ramalho Eanes» ( ob. cit. , p. 100).

Outro «político», de que faria parte o «Grupo dos Nove», «veio a desempenhar o papel de um verdadeiro estado-maior de Vasco Lourenço», que «assumira a chefia do Movimento» ( ob. cit. , p.100).

O livro encerra muitas contradições e obscuridades sobre o «Movimento». Diz que «a iniciativa [de um confronto militar] teria de partir sempre dos «dissidentes» ( ob. cit. , p. 93), que o «Movimento» tinha por objectivo «evitar qualquer possibilidade de uma guerra civil» e a criação da «Comuna de Lisboa» ( ob. cit. , p. 94). Mas o facto, que importa sublinhar, é a revelação de um efectivo centro político-militar a preparar um golpe ao longo do verão quente .

Melo Antunes, por seu lado, fala da acção militar do «Grupo dos Nove» na preparação para o golpe: «Além das acções legais ou semilegais a que deitámos mão para obter a supremacia militar, também desenvolvemos acções clandestinas para nos prepararmos para uma confrontação que eu julgava inevitável.[...] Tínhamos uma organização militar em marcha. » ( Vida Mundial , Dezembro de 1998, p. 50.)

A preparação do golpe «para pôr fim a uma situação insustentável» vinha pois de longe.

Foi ulteriormente dado a conhecer que, no verão quente , muitos Comandos «deixaram os postos civis e se alistaram de novo para estarem operacionais».

A colocação de Pires Veloso no Norte em Setembro de 1975, substituindo Corvacho, que Freitas do Amaral intitula de «famigerado Brigadeiro» «afecto ao PCP» ( O Antigo Regime e a Revolução , ed. cit., pp. 245 e 406), fazia parte dessa preparação. Não foi por acaso que, no 25 de Novembro, vieram ajudar o golpe várias Companhias do Norte, que depois levaram os presos para Custóias.

O papel de Ramalho Eanes é sublinhado nas valiosas informações que, no 20º aniversário do golpe, revela Vasco Lourenço, designado em 22 de Novembro e confirmado a 24 Comandante da Região Militar de Lisboa em substituição de Otelo Saraiva de Carvalho.

Segundo Vasco Lourenço, Eanes , « responsável por organizar o plano de operações», «desempenhou papel fundamental» , e «acabou por ser o principal comandante operacional », não cedendo às pressões dos militares mais radicais (artigo «Não aconteceu o pior», in Revista História , nº 14, Novembro de 1995, pp. 37-38).

Também Jaime Neves, sublinhando que se tratou de «um golpe contra o PCP», confirma o papel de Eanes: « Conspirávamos [...] e o Eanes [...] passou a ser ele a coordenar as coisas. » (Entrevista à revista Indy , 21-11-1997.)

O papel de Eanes expressou-se aliás publicamente, logo após a vitória do golpe, em factos tão significativos como a sua ascensão a Chefe do Estado-Maior do Exército (interino em 27-11-1975 — posse em 9-12-1975) e ulteriormente a Presidente da República eleito.

Está mais que provado, assumido e confessado, que se tratou de um golpe militar contra-revolucionário há muito em preparação num turbulento processo de arrumação e rearrumação de forças.

Cerca das 10 horas da própria manhã do dia 25, prontos para desencadear as operações, os conspiradores — numa diligência conjunta do «Grupo dos Nove», Eanes, Jaime Neves e oficiais dos Comandos da Amadora — procuraram e conseguiram obter a aprovação e cobertura institucional do Presidente da República, Costa Gomes (entrevista de Costa Gomes a Maria Manuela Cruzeiro, in Costa Gomes, o Último Marechal , Editorial Notícias, 3ª ed., Lisboa, 1998, p. 357; e in revista Indy, 27-11-1998).

Para a compreensão do golpe e do que dele resultou é necessário ter em conta que, na sua preparação, participaram forças muito diversas associadas num complexo enredo de alianças contraditórias.

Todas estavam aliadas para pôr fim à influência do PCP e ao processo revolucionário, restabelecer uma hierarquia e disciplina nas forças armadas e extinguir o MFA insanavelmente em vias de destruição pelas suas divisões e confrontos internos. Mas, como resultado do golpe relativamente ao poder político e às medidas concretas a tomar, havia importantes diferenças.

Na grande aliança contra-revolucionária, internamente muito fragmentada, participavam fascistas declarados e outros reaccionários radicais, que visavam a instauração de um nova ditadura, que tomasse violentas medidas de repressão, nomeadamente a ilegalização e destruição do PCP. Participava também oGrupo dos Nove, de que alguns membros, receosos da possibilidade de saírem vitoriosas do golpe as forças mais reaccionárias, pretendiam a continuação de um regime democrático.

Da parte dos fascistas e neofascistas, a ilegalização e repressão violenta do PCP era, não apenas um desejo mas um objectivo que pretendiam fosse alcançado no imediato.

As organizações terroristas deviam também participar. Paradela de Abreu diz que «sempre tinha estado convencido de que o Plano Maria da Fonte só deveria ser desencadeado no seu «programa máximo — um programa de violência ou de guerra — em ligação com um golpe militar » ( Do 25 de Abril ao 25 de Novembro , ed. cit., p. 204), intervindo com «muitos grupos capazes de executar quem quer que fosse» ( ob. cit. , p. 197). Na noite de 25 de Novembro foi-lhe comunicado para não avançar com o «Plano» ( ob. cit. , p. 208).

Este objectivo de desencadear uma vaga repressiva de extrema violência já na altura era abertamente proclamado nas campanhas anticomunistas. E muitos anos volvidos, mais claramente o dizem, nas suas confissões, alguns dos participantes.

Jaime Neves, num jantar em sua homenagem realizado em Janeiro de 1996, declarou que « o "problema" seria resolvido "muito simplesmente com a prisão do líder do PC", Álvaro Cunhal » ( Público , 11-1-1996). O seu estado de espírito é transparente, ao dizer que, se «havia uma manifestação realizada pelo Partido Comunista, eu recusava-me a ir com a tropa para a rua se não fosse para prender o dr. Álvaro Cunhal» (entrevista ao Semanário , 26-11-1983).

Alpoim Calvão, operacional nº 1 da rede bombista, não deu por definitivamente derrotada a extrema direita depois do 25 de Novembro. Num encontro com Pinheiro de Azevedo (então Primeiro-Ministro), solicitou que fosse permitido o regresso a Portugal de Spínola e de todos os spinolistas exilados. Não são conhecidos os termos em que colocou o problema. Pedido? Exigência? O que diz é que uma tal decisão seria «uma solução pacífica», porque, apesar do 25 de Novembro, « muitos queriam pegar em armas e vir por aí abaixo matar comunistas » (entrevista a Eduardo Dâmaso, publicada no seu livro A Invasão Spinolista , Círculo de Leitores, 1997, p. 98). É o que teriam feito, pelo que se vê, se tivessem sido eles a impor o resultado.

No próprio dia 25, não estando ainda certo como o golpe iria terminar política e militarmente, todos envolvidos num objectivo geral comum anticomunista, cada qual pretendia que o resultado correspondesse aos seus próprios objectivos.

Mário Soares e o PS tinham representado um papel importante na acção política preparatória do 25 de Novembro. Mas o golpe do 25 de Novembro não foi o que projectaram. Nenhum dos seus três objectivos centrais imediatos se concretizou. Nem a liquidação da dinâmica revolucionária e das suas conquistas. Nem o esmagamento militar do PCP, do movimento operário e da esquerda militar, nem, como resultado do golpe, ser Soares o vencedor, aquele que teria salvado a democracia de um golpe e de uma ditadura comunista e que por isso assumiria naturalmente de imediato, no poder do Estado, as responsabilidades daí decorrentes. Tal operação foi tentada mas falhou. Não é por isso exagero dizer-se que Soares ficou de fora do 25 de Novembro .

Os fascistas e neofascistas, participantes na preparação e no golpe, não conseguiram tão-pouco o que pretendiam.

Quanto ao «Grupo dos Nove», Melo Antunes (tal como Eanes e Costa Gomes) defendia uma solução política da crise. Indo no dia 26 à televisão declarar que «a participação do PCP na construção do socialismo era indispensável», deu importante contribuição para a defesa da democracia.

Como na altura considerámos, essa atitude expressava um objectivo político e uma apreensão: o objectivo de assegurar um regime democrático para o que considerava indispensável o contributo do PCP e a apreensão de que, se a extrema direita desencadeasse a repressão contra o PCP, ele e seus amigos acabariam também por ser reprimidos.

Poucos dias depois, o chefe do EMGFA, general Costa Gomes, enviou aos três ramos das Forças Armadas uma directiva na qual se afirmava que «só os militares [...] estão em condições de servir o projecto de construção da sociedade proposta pelo Movimento do 25 de Abril, sociedade onde não seja mais possível a exploração do homem pelo homem» ( Jornal de Notícias , 2-12-1975).

E, ao tomar posse como Chefe do Estado-Maior do Exército, no dia 6 de Dezembro, Ramalho Eanes, então promovido a general, declarou como «objectivos políticos prioritários a independência nacional e a construção de uma nova sociedade democrática e socialista.» ( Jornal de Notícias , 7-12-1975)


pagina--um.blogspot.pt

Faz hoje 41 anos


Os acontecimentos de 25 de Novembro de 1975 surgem na sequência de um intenso “verão quente”, da queda do V Governo Provisório e do afastamento do General Vasco Gonçalves dos cargos e estruturas superiores das Forças Armadas e do Movimento das Forças Armadas, objectivo há muito perseguido pela social-democracia, sob a batuta da direcção do PS, pelas forças de direita e por outros reaccionários radicais e fascistas

Um pouco antes de escrever


(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 25/11/2016)

As coisas, por vezes, não me percorrem: assaltam-me e sinto-me muito só e magoado. Sempre vivi entre a premonição da fuga e o desgosto de estar só.

O sol bate em cheio no prédio em frente e ouço fragmentos de conversas que provêm da rua. Gosto muito desta hora da tarde e, antes de me sentar à frente do computador, tenho por hábito colocar-me por trás do vidro amplo e observar quem passa na rua. Não faço juízos de valor, mas, às vezes, invento histórias sobre quem passa lá em baixo. Vivo há quase vinte anos nesta casa perfumada com os perfumes dos corpos de quem a habita. Nunca vivi tão bem. A casa é ampla, tem um corredor que vai dar à porta, e os ruídos do interior e da rua embalam o meu coração desassossegado.
Escrevo devagar, acerca de coisas com as quais sonho ou junto das quais vivi. Nesta etapa da vida, a ideia da presença dos meus três filhos e dos meus dois netos é quase impositiva. As coisas, por vezes, não me percorrem: assaltam-me e sinto-me muito só e magoado. Sempre vivi entre a premonição da fuga e o desgosto de estar só. É quando escrevo. Não escrevo acerca de tudo, mas é o suficiente para que me entendam. Ou para quem me queira entender.
Aprendi que a vida não é um mar de rosas e que, por vezes, ia a escrever e, ocasionalmente, aconteciam-me e ainda me acontecem coisas dilacerantes. Mas passo logo adiante. Restam-me as memórias, os factos e os acontecimentos, e essas e esses não são nunca sepultados. Comecei logo de muito novo a ter de conhecer e de enfrentar a solidão. Foram as ruas e os amigos de então, o Descasca Milho, os irmãos Baltazar, o Daciano, outros, que ajudaram a sepultar a minha dor. Mas eu não sentia essa dor: nem sequer a adivinhava.
Há muitos anos, escrevi sobre eles: estava a envelhecer e precisava de os lembrar como uma espécie de salvação interior. E também recordei as miúdas que me haviam animado e querido. Sei o nome de todas ou de quase todas. Tinha esquecido os seus nomes, mas eles regressaram, com episódios por mim julgados abandonados e sepultos. Aprendi que nada, nenhum facto, nenhum episódio, dito ou feito, é olvidado para sempre. Regressam sempre. De um modo ou de outro, basta a ideia de uma voz antiga para a memória desbobinar o assunto que lhe diz respeito.
Ninguém está só e ninguém, no fundo, morre: o cérebro possui reservas por vezes inexploradas, que se reavivam, e, em certas alturas e ocasiões, suportam a nossa dor. Por exemplo, à minha frente está o último retrato de solteira da minha mãe, a Vicência, morreu nova e espantada com o que lhe estava a acontecer. Por vezes, dá-me a impressão de que sorri longamente para mim. E eu quase a esqueci, nem sei o tom e a tonalidade da sua voz. Houve uma altura, há muitos, muitos anos, que acordava sobressaltado, parecia ouvi-la. Nunca contei isto a ninguém: só agora e não sei porquê.
Lembro-me mais da minha avó e do meu tio Zé Inácio, casado com a minha tia Lucinda. Tudo guardado e resguardado na memória. Não perdoo muitas coisas, nem muitas pessoas pertencem ao rol dos meus afectos. Esqueci-as. Só de vez em quando as revejo, sem desprezo e sem afecto. Quando me sinto muito só revivo alguns desses factos antigos e desses acontecimentos nefastos. Talvez um dia escreva sobre eles. Talvez. Agora, tenho de escrever a crónica habitual da semana.

PROPRIETÁRIO DA CERVEJA "CORONA" DEIXOU MAIS DE 178 MILHÕES DE EUROS À ALDEIA ONDE NASCEU

O proprietário da empresa que produz a cerveja Corona deixou uma herança de quase 170 milhões de euros à aldeia onde nasceu e cresceu, em Espanha. Cerezales del Condado vai ter um futuro diferente, sobretudo os seus 80 habitantes, que receberam cada um mais de dois milhões de euros.
Antonino Fernández, que morreu em agosto aos 98 anos, cresceu em Espanha e apenas se mudou para o México quando já tinha 32 anos.

Conheça a história do médico que socorreu mais de 6 mil vítimas da bomba de Hiroshima

Há 71 anos a cidade de Hiroshima foi devastada pela primeira bomba atômica da História. Cerca de 80 mil pessoas foram mortas instantaneamente após o ataque aéreo de 6 de agosto de 1945. Shuntaro Hida, médico do exército japonês, sobreviveu quase que por acaso e é até hoje homenageado pela sua coragem e dedicação ao cuidar de mais de 6 mil vítimas da bomba.
medico-hiroshima

Na época com apenas 28 anos, Shuntaro Hida foi chamado na noite do dia anterior para atender a uma emergência médica em uma vila a poucos quilômetros de Hiroshima. O médico foi acordado por um fazendeiro que buscava ajuda para a sua neta. Ele já havia tratado da menina uma outra vez, quando esteve de passagem pela vila de Hesaka. Na garupa de uma bicicleta, Hida então se dirigiu para a casa do homem, que acabou salvando a sua vida. Se tivesse passado a noite no hospital, teria morrido junto com os seus colegas na manhã do dia 6, quando “Little Boy” (como foi apelidada a bomba) caiu na cidade.
Shuntaro testemunhou o exato momento em que a bomba atingiu Hiroshima. Pouco depois das oito horas da manhã, da janela da casa do fazendeiro, enquanto preparava uma injeção com remédios para a criança, ele viu um clarão forte o suficiente para deixá-lo tonto. Só para ter uma noção de como os efeitos da bomba foram longe: ele estava a quase 7km de distância do epicentro do ataque. O médico logo percebeu que aquela era uma situação bem fora do comum. Pediu a bicicleta emprestada e voltou correndo para o hospital. Pelo caminho, viu dezenas de pessoas feridas e mortas, muitas se arrastando em busca de ajuda. Em suas memórias, publicada pelo site WCPeace (http://wcpeace.org/Hida_memoir.htm), ele conta os tempos de terror que se seguiram após a bomba.
O médico ajudou a cuidar de mais de 6 mil pacientes no hospital. Infelizmente, nenhum deles sobreviveu até o fim daquele ano. Hida pensou em largar a medicina após isso, mas continuou tratando dos sobreviventes em Hiroshima e dedicou sua vida em pesquisas e na luta contra as bombas nucleares. Hoje, aos 98 anos, ainda dá entrevistas sobre sua experiência como testemunha do ataque.

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NO CANTO INFERIOR DIREITO DO PRÓPRIO VÍDEO CLIQUE NO RECTÂNGULO E PROCURE ACTIVAR LEGENDAS, DEPOIS NA RODA DENTADA A SEGUIR AO RECTÂNGULO TERÁ A OPÇÃO DE ACTIVAR LEGENDAS AUTOMÁTICAMENTE. DEPOIS É PROCURAR O IDIOMA

Muitos não sabem, mas o YouTube possui um sistema de reconhecimento de fala que coloca legendas automáticas em seus vídeos. As legendas automáticas usam o Google Tradutor. Estas não ajudam apenas deficientes auditivos, mas permite também que pessoas de todo o mundo acessem o conteúdo em qualquer dos 51 idiomas disponíveis, além de melhorar o sistema de busca. Veja como ativar as legendas traduzidas automaticamente:

Passo 1. Clique no ícone de legendas na parte inferior do vídeo;
Ativando legendas automáticas )

Passo 2. Clique em “Traduzir legendas”;
Ativando legendas 

Passo 3. Selecione um idioma;

Passo 4. Clique em OK;
Legendas automáticas ativadas )

Passo 5. Pronto! As legendas serão traduzidas automaticamente para o idioma escolhido.


VÍDEO

Os países mais ricos do mundo


Os suíços são o povo mais rico do mundo enquanto os britânicos ficam em décimo lugar nessa classificação.
Global Wealth Report do Credit Suisse descobriu que o país alpino é de longe o mais rico do mundo.
A riqueza por adulto supera os 500 mil dólares (400 mil libras esterlinas), uma marca com a qual nenhum outro país se compara.
O Reino Unido, em contrapartida, registou uma riqueza de 288 mil dólares (232 mil libras) por adulto.
A França, conseguiu o décimo quinto lugar com 244 mil dólares, ou 196 mil libras por adulto.


10. Suíça
A Suíça é oficialmente o país mais rico do mundo (Rex)


9. Islândia
A Islândia ficou em segundo lugar com uma fortuna pessoal de 328 mil libras (Getty)


8. Austrália
Os australianos aparecem depois com 300 mil libras (Getty)


7. Estados Unidos da América
Os EUA ficam com o quarto lugar, com 276 mil libras (Gordon Donovan/Yahoo News)


6. Bermudas
A vida realmente é um paraíso nas praias das Bermudas, que aparecem em quinto lugar, com uma riqueza de 270 mil libras por pessoa adulta. (Rex)


5. Groelândia
É provável que a maior surpresa dessa lista seja a Groelândia, que acaba muito bem colocada ao lado das Bermudas. (REUTERS/Alister Doyle)


4. Luxemburgo
O pequeno país europeu ficou com a sétima colocação, com 254 mil libras (AP Photo/Paul Ames, File)


3. Noruega
A Noruega confirmou seu status como um dos países mais ricos do mundo, com uma fortuna de 250 mil libras por pessoa (PHOTO: Getty Images)


2. Nova Zelândia
A Nova Zelândia ficou em nona posição, com 239 mil libras per capita (Stephen Brashear/Getty Images)


1. Reino Unido
O Reino Unido ficou em décimo, com uma riqueza por adulto de 231 mil libras, desbancando Singapura pela posição (Getty)

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