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terça-feira, 22 de novembro de 2016

22NOVEMBR2016 - O MUNDO MARAVILHOSO DOS GRAFFITIS































HOMENS CRUÉIS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Durante os anos de 1939 a 1945, período em que se passou a Segunda Grande Guerra, cerca de 60 milhões de vidas humanas foram ceifadas. Sempre que falamos sobre o tema, os primeiros nomes que surgem na cabeça de muitos são o de Adolf Hitler, Joseph Stalin, Benito Mussolini e mais algumas figuras de destaque.
No entanto, é impossível imaginar que esses homens sozinhos tenham causado tantas mortes. Aqui você confere uma relação de nomes menores nas páginas da história do conflito, mas que nem por isso foram menos perversos na hora de cometer verdadeiros massacres sob as ordens de seus líderes.

Odilo Globocnik, líder austríaco da SS

Odilo Globocnik foi general da SS (SchutzStaffel - Tropa de Proteção, em alemão) na Áustria e teve papel importante na Operação Reinhard, o plano para exterminar os judeus europeus da Polônia ocupada pelo Governo Geral do partido nazista.
Durante seu mandato, mais de 1,5 milhão de judeus foram mortos nos campos de concentração de Treblinka, Sobibor, Belzec e Majdanek – instalações que ele mesmo ajudou a organizar e supervisionar. Historiadores acreditam que ele se inspirou nos programas nazistas de eutanásia quando teve a ideia de usar câmaras de gás.
Corrupto e completamente sem escrúpulos, ele explorou judeus e não judeus como mão de obra escrava em seus campos de trabalhos forçados. Mais tarde na guerra, ele foi transferido para a Itália ocupada pelos alemães, na Zona Operacional do Litoral Adriático (OZAK, na sigla em alemão).
Lá, converteu um antigo moinho de arroz em um centro de detenção equipado com um crematório. Milhares de judeus, prisioneiros políticos e guerrilheiros foram interrogados, torturados e assassinados. Globocnik foi capturado pelos aliados em 31 de maio de 1945, mas cometeu suicídio no mesmo dia, ao ingerir uma pílula de cianeto.

 General Mario Roatta, a “Besta Negra” da Itália

Apelidado de “Besta Negra” por seus próprios homens, o general italiano fascista Mario Roatta mandou matar milhares de cidadãos iugoslavos e enviou outros milhares para a morte em campos de concentração. Historiadores afirmam que a taxa anual de mortes no campo de concentração de Rab, na Croácia, era maior que o nível médio de mortalidade em Buchenwald.
Em 1942, Roatta implementou uma política de “terra arrasada” nos territórios da Iugoslávia em um esforço para limpar etnicamente a região. Ele ordenou a seus homens que matassem famílias inteiras, seja por meio de agressão física ou do uso de armas de fogo.
Como muitos criminosos de guerra italianos, a Besta Negra nunca foi a julgamento após a guerra, e viveu em Roma até 1968, quando faleceu.

Dr. Josef Mengele, “O Anjo da Morte”

Josef Mengele não foi o único médico nazista a cometer atrocidades, mas certamente é o mais famoso deles, por sua frieza, comportamento isolado, crueldade nos procedimentos que realizava, e principalmente por nunca ter sido capturado.
Como adepto fervoroso da pseudociência nazista, usou sua posição em Auschwitz para desenvolver suas pesquisas em experiências com cobaias humanas – muitas vezes com completo desprezo pelo bem-estar de seus pacientes e em completa violação aos princípios científicos.
Ele acreditava piamente na teoria da superioridade racial alemã. Para prová-la, se engajou em diversos experimentos que buscavam comprovar a falta de resistência dos judeus e ciganos a diversas doenças, que ele mesmo introduzia no organismo de seus pacientes, assim como extraía e colecionava amostras de tecido e de partes do corpo de suas vítimas para estudos posteriores.
Muitos dos seus “objetos de estudo” morriam durante os procedimentos desumanos que o nazista realizava ou eram assassinados para facilitar os exames que seriam feitos após a morte deles.
Depois da guerra, Mengele fugiu para a América do Sul, passando por Argentina e Paraguai até se estabelecer no Brasil, onde morreu afogado na praia de Bertioga, no litoral paulista, em 1979.

Generais Iwane Matsui e Hisao Tani, os “Açougueiros de Nanquim”

Algumas fontes históricas consideram que a Segunda Guerra Mundial começou oficialmente em 1937, com a invasão da China pelo Exército Imperial Japonês. Mais tarde naquele ano, depois de as tropas japonesas lançarem um ataque massivo à cidade de Nanquim, soldados chineses recuaram para o outro lado do rio Yangtze.
Durante as seis semanas seguintes, tropas japonesas cometeram o que hoje é conhecido como o Estupro de Nanquim – episódio particularmente terrível da guerra em que um número entre 200 mil e 300 mil soldados e civis chineses foram mortos e mais de 20 mil mulheres foram estupradas.
Depois da guerra, o general Iwane Matsui foi julgado e considerado culpado por “deliberada e imprudentemente” ter se evadido de seu dever legal de “tomar medidas adequadas para assegurar a observância e prevenir qualquer brecha do cumprimento da Convenção de Haia (tratado internacional sobre leis e crimes de guerra)”.
Da mesma forma, o general Hisao Tani foi considerado culpado pelo Tribunal dos Crimes de Guerra de Nanquim, sendo sentenciado à morte. Outros líderes do exército japonês que participaram da ação morreram antes do fim da guerra.

 Marechal do ar Arthur Harris e General Curtis LeMay

Uma das vantagens de se ganhar uma guerra é o benefício de não ter que prestar contas por todas as coisas hediondas necessárias para que isso acontecesse. É o caso do marechal do ar britânico Sir Arthur "Bombardeiro" Harris e do general da Força Aérea americana Curtis LeMay, ambos responsáveis por campanhas de bombardeio a territórios civis que resultaram em milhares de mortes na Alemanha e no Japão, com resultados bastante questionáveis.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Harris dirigiu o Comando Aliado de Bombardeio. Convencido de que o conflito por ar poderia ser decisivo, ele certa vez declarou: “Os nazistas entraram na guerra sob a ilusão infantil de que eles iriam bombardear todo mundo, e ninguém os bombardearia. Em Roterdã, Londres, Varsóvia e meia centena de outros lugares eles puseram sua ingênua teoria em operação. Eles semearam vento, e agora vão colher o turbilhão”.
Seu tom era indubitavelmente de vingança. Ele acreditava que bombardeios em massa sobre civis faria com que a população alemã se voltasse contra Hitler. Seu “turbilhão” daria fim à guerra em meses e, com esse objetivo, organizou diversos ataques, incluindo os feitos às cidades de Colônia, Hamburgo e Berlim, e o mais controverso deles, que atingiu Dresden quando a guerra já estava praticamente vencida pelos aliados.
Em suas memórias, o marechal do ar nunca fraquejou em suas convicções: “Levando-se em consideração tudo o que aconteceu... o bombardeio se provou um método relativamente humano”.
Sobre o Pacífico, o general Curtis LeMay perpetrava sua própria campanha brutal contra alvos civis. Seis meses antes da rendição do Japão, os ataques de bombardeiros ordenados por LeMay resultaram em estimadas 500 mil mortes e o deslocamento de 5 milhões de habitantes.
O mais infame desses bombardeios aconteceu entre 9 e 10 de março de 1945, quando investidas sobre a cidade de Tóquio mataram aproximadamente 100 mil civis, o que é hoje considerado o mais brutal ataque único a civis da história da Segunda Guerra.
No entanto, diferente de Harris, o general americano estava plenamente ciente de sua própria brutalidade, declarando depois que o conflito acabou: “Matar japoneses não me incomodava muito na época... Eu suponho que se tivéssemos perdido, eu seria julgado como um criminoso de guerra”.

 Oskar Dirlewanger, Comandante especial da SS

Mesmo se considerarmos toda a brutalidade do regime nazista, o comandante especial da SS, Oskar Dirlewanger, ainda é considerado uma das pessoas mais depravadas a vestir um uniforme alemão durante a guerra. Ele era alcoólatra, viciado em drogas, pedófilo e tinha forte tendência à violência, e sua unidade era considerada a mais sanguinária de todas dentro da SS.
Em 1940, Heinrich Himmler colocou Dirlewanger como responsável por uma Brigada de Caça formada inteiramente de criminosos condenados, todos eles ex-caçadores. Quando ficaram arregimentados na Bielorússia, Dirlewanger e seus homens enfrentaram guerrilheiros na região, mas também mataram civis que moravam em vilas que estavam “no lugar errado, na hora errada”.
Seu método de execução em massa favorito era prender a população local dentro de um celeiro, atear fogo à estrutura e atirar com metralhadoras em todos que tentassem fugir. Credita-se a ele a morte de pelo menos 30 mil pessoas, isso somente no tempo que passou na Bielorússia. Ele foi preso em 1º de junho de 1945 e espancado até a morte por seus captores poloneses.

Hans Frank, “O Açougueiro da Polônia”

Amplamente ignorado pela história, Hans Frank governou e aterrorizou a Polônia ocupada entre 1939 e 1945. Como ex-advogado de Hitler, ele tentou espelhar o seu estilo de governo no do próprio führer.
Conhecido como o “Açougueiro da Polônia”, milhões de vidas foram tiradas sob seu julgo, e, apesar de não se considerado um dos homens mais poderosos do terceiro Reich, ele foi um dos principais responsáveis pelo reino de terror alemão sobre a Polônia durante toda a guerra.
Sua indiferença ao sofrimento humano não conhecia limites. Em 1940 ele teria dito: “Em Praga, grandes cartazes vermelhos estavam expostos, e neles podia-se ler que sete tchecos foram fuzilados naquele dia. Eu disse para mim mesmo, ‘Se eu tivesse que colar um cartaz para cada sete polacos fuzilados, as florestas da Polônia não seriam suficientes para manufaturar tanto papel’”.
Frank foi um dos 10 criminosos de guerra enforcados em Nuremberg em 1946.

 Dr. Shiro Ishii, Líder da Unidade 731

Antes da guerra, o governo japonês pôs o Dr. Shiro Ishii como encarregado do “Departamento de Purificação e Abastecimento de Água Para o Combate de Epidemias”, mais conhecido como Unidade 731.
Na verdade, o órgão servia de fachada para uma unidade de pesquisa e desenvolvimento de armas químicas e biológicas. Localizada perto da cidade de Harbin, na China, a instalação empregava cerca de 3 mil funcionários.
Ishii certa vez afirmou que a missão que os deuses deram aos médicos é a de bloquear e tratar doenças, mas ele fez questão de deixar bem claro que o trabalho que realizaria naquele local seria o exato oposto desse princípio.
Durante a guerra, ele presidiu um time de cientistas que experimentou algumas das doenças mais terríveis do mundo – antraz, peste, gangrena gasosa, varíola, botulismo, entre outras – em cobaias chinesas e até mesmo em alguns prisioneiros de guerra aliados, que eram obrigados a inalar e ingeriresses agentes patogênicos e até receber injeções que os contaminariam.
Estima-se que mais de 200 mil chineses tenham morrido em experimentos de guerra bacteriológica, enquanto muitos outros sucumbiram por causa de pragas relacionadas aos testes realizados pelos membros da Unidade 731.
Ao fim da guerra, o Dr. Ishii simulou sua própria morte e se escondeu das forças americanas de ocupação, mas sua farsa foi descoberta e ele foi capturado. Ao ser interrogado, inicialmente negou ter feito experiências com cobaias humanas, mas depois fez um acordo para revelar todos os resultados de suas descobertas em troca de anistia total por seus crimes de guerra.
Os militares aceitaram a barganha, em busca das informações que eles mesmos não conseguiram desvendar, mas os dados do médico japonês se provaram de pouco valor. Mesmo assim os Estados Unidos mantiveram sua parte no trato e Ishii nunca foi julgado por seus crimes, tendo morrido como um homem livre em 1959.Heinrich Himmler, Reichsführer da SS
Heinrich Himmler serviu a Adolf Hitler como reichsführer da SS – cargo mais alto dentro da organização, equivalente à patente de marechal de campo – e foi um importante membro do partido nazista.
Longe da imagem de lunático geralmente associada a ele, Himmler era a força ideológica e organizacional por trás da ascensão da SS. Contudo, em meio às suas múltiplas atividades, a mais lembrada é o seu papel no planejamento e na implementação da “Solução Final” para o “problema judeu”, função dada a ele pelo próprio führer. Em 4 de outubro de 1943, Himmler fez seu discurso mais famoso, em uma reunião de generais da SS na cidade de Poznan.
Ele justificou o genocídio dos judeus na Europa com as seguintes palavras: “Aqui diante de vocês, eu quero tratar explicitamente de um assunto muito sério... Quero dizer aqui... a aniquilação do povo judeu... Muitos de vocês saberão o que isso significa quando houver 100 corpos deitados um ao lado do outro, ou 500 ou 1 mil... Essa página de glória em nossa história nunca foi escrita e nunca será escrita... Nós temos o direito moral, nós somos obrigados para com nosso povo a matar as pessoas que queriam nos matar”.
Para esse fim, Himmler formou o Einsatzgruppen (grupo de intervenção, em alemão) e ordenou a construção dos campos de extermínio. Junto a Adolf Eichmann e Reinhard Heydrich, ele supervisionou o assassinato de 6 milhões de judeus, entre 200 mil e 500 mil ciganos, além de integrantes de várias outras etnias.
Ele foi capturado em 1945, tentando se passar por um policial alemão, e teve marcada a data de seu julgamento por crimes de guerra, mas se suicidou engolindo uma pílula de cianeto antes de ser interrogado.

www.megacurioso.com.br

TERRORISTAS FAMOSOS SÉCULO XX


 Ze’ev JabotinskyUcrânia


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Os Maiores Terroristas do século 20 - Zeev JabotinskyUcraniano nascido em Odessa, o judeu Ze’ev Jabotinsky foi o chefe supremo da Irgun Zvai Leumi (Organização Nacional Militar), fundada em 1937 com objetivo de estabelecer um estado judeu-fascista na Palestina. Apesar de judeu, Jabotinsky compartilhava das mesmas ideias racistas que o austríaco Adolf Hitler colocaria em prática anos depois. Em “A muralha de ferro”, livro escrito por ele em 1926, Jabotinsky diz: “Nunca poderemos permitir coisas como o matrimônio misto porque a preservação da integridade nacional só é possível mediante a pureza racial, e para tal, temos de ter esse território onde nosso povo constituirá os habitantes racialmente puros.” Em 1946, o Irgun Zvai Leumi explodiu parte do hotel Rei Davi, sede do poder britânico em Jerusalém, matando 91 pessoas. No mesmo ano, um ataque a bomba no escritório do governo britânico em Jerusalém deixou nove mortos. O terror continuou no restante da década com vários assassinatos de lideranças britânicas na Palestina, policiais, soldados e civis.
Zeev Jabotinsky

Shoko AsaharaJapão


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Shoko AsaharaO acupunturista Shoko Asahara foi o fundador do Aum Shinrikyo (Ensinamento da Verdade Suprema). Fundado em 1984, o movimento prega o fim do mundo através de um Armagedom nuclear; a raça humana será destruída exceto aqueles que se juntarem ao Aum Shinrikyo. Aos seus seguidores, Asahara dizia ter poderes sobrenaturais tais como levitar e ler mentes. Além disso, sua urina era vendida como bebida mágica. O Aum Shinrikyo é o responsável pelo pior ataque terrorista da história do Japão, quando em 1995 lançou o gás letal Sarin no metrô de Tóquio, matando 13 pessoas e intoxicando mais de seis mil. Mais de mil pessoas ficaram com sequelas, que vão desde a cegueira a problemas de locomoção. Antes do ataque ao metrô, o Aum havia assassinado um advogado e toda sua família e testado o gás Sarin em uma cidade rural matando oito pessoas. Asahara foi condenado à pena de morte em 2006 e aguarda execução. Vinte anos depois do ataque, o apocalipse pregado pelo guru ainda não aconteceu.
Shoko Asahara

Timothy McVeighEstados Unidos


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Timothy McVeighTimothy James McVeigh, ex-fuzileiro das forças armadas dos Estados Unidos, foi um excelente soldado, tendo ganho a medalha de bronze por seus feitos na Guerra do Golfo em 1990. Durante sua estadia no exército, era notória sua disposição para aguentar a dor nos mais terríveis exercícios impostos por seus superiores; o que para os outros era uma tortura, para Timothy, era um prazer. Depois de deixar o exército, começou a destilar sua raiva contra o governo americano que acusava de tirano. Escreveu cartas para jornais acusando o governo americano de roubar seu próprio povo através dos altos impostos. Em 1995, arquitetou e executou sozinho o segundo pior ataque terrorista da história dos Estados Unidos: deixou um caminhão bomba em frente ao edifício Alfred P. Murrah na Cidade de Oklahoma. A explosão matou 168 pessoas. Ele esperava, com esta ação, inspirar uma revolta contra o governo americano. Acusado de 11 crimes federais, McVeigh foi executado com uma injeção letal no dia 11 de junho de 2001, apenas quatro anos após receber a pena de morte.
Timothy McVeigh - Os Maiores Terroristas do Século 20

 Theodore Kaczynski (Unabomber)Estados Unidos


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Ted KaczynskiTheodore Kaczynski, o Unabomber, escritor, ativista político e brilhante matemático norte-americano graduado pela Universidade de Harvard. Tinha PhD em matemática e era especialista na “teoria da função geométrica”. Em sua tese de PhD, um membro da banca chegou a dizer: “Provavelmente apenas 10 pessoas em todo país entenderiam essa tese“. Em 1969, aos 26 anos, abandona o posto de professor na Universidade de Berkeley para iniciar segundo ele: “A guerra contra o desenvolvimento da sociedade industrial”. Segundo Kaczynski, a Revolução Industrial e suas consequências foram um desastre para a raça humana, roubando das pessoas a autonomia e infligindo no mundo natural danos irreversíveis. Em sua cruzada para tentar reverter essa situação, enviou dezenas de bombas para cientistas nos EUA, deixando um rastro de medo, mortes e amputações. Seu alvo preferido eram cientistas da computação e geneticistas. Foi preso em 3 de abril de 1996 após uma denúncia do seu irmão. Foi condenado a prisão perpétua. 
Unabomber

Einstein, a bomba e o FBI

por Jean Pestieau [*]












Albert Einstein (1879-1955) é considerado o físico mais importante do século XX pelas descobertas revolucionárias que levou a cabo entre 1905 e 1925 [1] . Residente nos Estados Unidos desde 1933 até 1955, o seu prestígio foi-se ampliando até chegar ao grande público, não apenas pela sua notoriedade científica mas principalmente pelas suas tomadas de posição e acções no domínio politico-moral. No presente artigo, iremos considerar (a evolução da) a posição de Einstein relativamente ao armamento nuclear dos Estados Unidos entre 1939 e 1955. Pelo seu combate antifascista e anti-racista e sobretudo pela sua rejeição evidente do anticomunismo, aliada à sua oposição determinada face ao armamento nuclear dos Estados Unidos, Einstein tornou-se, depois de 1945, na sombra negra de Edgar Hoover, o chefe do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. Edgar Hoover por esta altura tinha já constituído um dossier secreto de 1800 (mil e oitocentas) páginas [2] contra Einstein, com o intuito de o desacreditar, e até mesmo, de o expulsar dos Estados Unidos!



Durante a Primeira Guerra Mundial, Einstein estava na Alemanha, e rejeitava firmemente a guerra, que ele via como uma vasta matança dos povos. Era pacifista e tido como um inimigo para belicistas de toda a espécie.

Contudo, com a escalada de agressividade fascista e principalmente com a tomada do poder pelos nazis na Alemanha em 1933, a sua posição muda: era agora necessário resistir ao fascismo fazendo uso das armas. Durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), ele alia-se claramente às forças republicanas espanholas na luta contra as forças fascistas de Franco. Einstein é um partidário ardente da brigada internacional dos Estados Unidos, a Brigada Abraham Lincoln – organizada pelos comunistas – que havida partido para a Espanha para combater do lado republicano.

Franco tomou o poder em 1939 porque recebeu ajuda militar de Mussolini e de Hitler enquanto as grandes potências ocidentais (França, Reino Unido e Estados Unidos) poucos esforços faziam, impedindo os Republicanos de serem devidamente auxiliados pelos comunistas e pelos antifascistas do mundo inteiro. Em 10 de Novembro de 1938 é a "Noite de Cristal" na Alemanha, noite em que trinta mil judeus são presos e enviados para os campos de concentração de Dachau, Oranienburg-Sachsenhausen e Buchenwald. Aí, eles juntam-se a comunistas, sindicalistas, socialistas e outros antifascistas. Em final de 1938, os Nazis têm a Checoslováquia nas mãos. A França, o Reino Unido e os Estados Unidos não mexem uma palha. Simultaneamente, eminentes físicos nucleares sabem, a partir de descobertas (fissão nuclear e possibilidade de reacções em cadeia) feitas em finais de 1938, nomeadamente na Alemanha, que em princípio será possível conceber uma bomba nuclear milhares de vezes mais poderosa que uma bomba clássica. Einstein fica ainda mais alarmado quando sabe que o urânio extraído das minas da Checoslováquia fora retirado do mercado e retido pela Alemanha. Consequentemente, conclui que a exclusividade do armamento nuclear não podia ser deixada aos nazis, e sente-se perseguido pela questão: até onde os Estados Unidos permitirão que [a bomba] seja feita na Alemanha de Hitler? É assim que em 2 de Agosto de 1939, Einstein resolve enviar uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Roosevelt, com o intuito de o persuadir a encetar um programa de desenvolvimento de uma bomba nuclear antes que os alemães construíssem a deles. Roosevelt recebe esta carta apenas em Outubro. Vendo que não há reacção, Einstein envia uma nova carta alarmante ao presidente Roosevelt em 7 de Março de 1940. Somente em Outubro de 1941 – os Estados Unidos entram na Segunda Guerra Mundial em Dezembro de 1941 – é que Roosevelt dá luz verde ao lançamento do programa nuclear. A administração americana não apresenta uma posição antifascista firme durante a Segunda Guerra Mundial, e Einstein está farto de esperar. Em Setembro de 1942, por exemplo, no início da Batalha de Stalingrado, ele escreve: "Porque é que Washington ajudou a estrangular a Espanha lealista [republicana]? Porque é que Washington tem um representante oficial na França fascista? (…) Porque é que Washington mantém relações com a Espanha franquista? Porque é que não é feito qualquer esforço para ajudar a Rússia que é a mais necessitada? Este governo é controlado em larga escala por banqueiros cuja mentalidade se aproxima do estado de espírito fascista. Se Hitler não se encontrasse em pleno delírio, ele poderia ter tido excelentes relações com as potências ocidentais." [3]

Quando o gigante nazi, aparentemente imbatível, é travado em Stalingrado, Einstein declara: "Sem a Rússia, estes cães sanguinários alemães poderiam ter atingido os seus fins ou, em todo o caso, estariam muito perto disso. (…) Nós e os nossos filhos temos uma enorme dívida de gratidão para com o povo russo que suportou tão grandes perdas e sofrimento."






"A maneira como a Rússia dirigiu a sua guerra provou a sua excelência em todos os domínios da indústria e da técnica. (…) Nos sacrifícios sem conta e na abnegação de cada um, eu vejo uma prova de determinação geral em defender o que eles ganharam (…) finalmente, um feito que se reveste de uma importância particular aos nossos olhos, a nós os judeus. Na Rússia, a igualdade de todos os povos e de todos os grupos culturais não é palavra vã: ela existe verdadeiramente na realidade. (…)" [4]

Porque razão foi Einstein afastado do programa de aperfeiçoamento da bomba? 

O facto de Einstein ter sido afastado do programa de desenvolvimento das primeiras bombas nucleares não se deveu propriamente ao facto de ser considerado pelo FBI e pelas autoridades militares americanas como antifascista e promotor da amizade e ajuda à URSS. Na verdade, vários físicos conceituados que trabalharam na bomba partilhavam das mesmas posições políticas de Einstein. Sem eles, a bomba não poderia ter sido concluída em tempo recorde.

Um outro argumento avançado por um dos principais responsáveis pela finalização da bomba, Hans Bethe (Prémio Nobel da Física 1967), é o seguinte: "tínhamos necessidade de peritos em física nuclear e em explosivos. Einstein, ainda que seja o maior físico do século nunca trabalhou nesses domínios." [5] Este argumento não é válido, se pensarmos que Einstein, na mesma época, resolveu diversos problemas no domínio dos explosivos clássicos para a Marinha dos Estados Unidos. A verdade é que o FBI e as autoridades militares suspeitavam, e com razão, que Einstein queria a Bomba americana somente para um único fim: impedir Hitler de aterrorizar o mundo inteiro com a sua própria Bomba. De outro modo, Einstein era determinadamente contra a Bomba. Se Einstein tivesse sido membro da equipa que construiu as primeiras bombas nucleares, com o seu enorme prestígio, ele poderia ter empatado o projecto de utilizar a Bomba para outros fins que não aquele de confrontar a possível Bomba de Hitler. Quando, no final de 1944, se soube que Hitler não possuía a Bomba, vários cientistas antifascistas que haviam trabalhado no aperfeiçoamento da Bomba dos Estados Unidos pediram que esta não fosse utilizada contra o Japão ou qualquer outro país. Mas eles estavam subjugados e condicionados pelos seus dirigentes militares. Não foram além do protesto intelectual e continuaram a trabalhar lá. Apenas o físico nuclear britânico J. Rotblat (Prémio Nobel da Paz em 1995) teve coragem de não mais colaborar no projecto. Uma vez mais se Einstein tivesse feito parte da equipa, ele poderia ter prejudicado os projectos da Administração, do FBI e da Armada dos Estados Unidos. Deste modo, Einstein foi deixado numa ignorância quase completa sobre o aperfeiçoamento da Bomba até ao bombardeamento de Hiroshima (6 de Agosto de 1945) e de Nagasaki (9 de Agosto de 1945).

Einstein, depois de Hiroshima e Nagasaki 

Einstein condenou imediatamente o bombardeamento nuclear do Japão, atribuindo esse desastre à política estrangeira anti-soviética do presidente Truman que, em Abril de 1945, tinha substituído o presidente Roosevelt entretanto falecido. Durante a guerra, ele havia apoiado com entusiasmo a aliança de Roosevelt com Moscovo contra o nazismo [6] .

Em Maio de 1946, é constituído o "Comité de Emergência de Cientistas Atómicos" (Emergency Committe of Atomic Scientists – ECAS). A sua missão é, desde logo, a de recolher fundos para outros grupos antinucleares. À excepção de Einstein, todos os outros membros do ECAS haviam trabalhado na construção da Bomba. Entre eles estavam os prémios Nobel, Harold Urey, Linus Pauling, Hans Bethe. O apoio da opinião pública americana à arma nuclear, mal assegurado desde o início, declina consideravelmente durante os anos que se seguem a Hiroshima. Em Outubro de 1947, uma sondagem da Gallup mostra que a tendência a favor da bomba tinha descido de 69% em 1945 para 55%, e que o sentimento antinuclear havia mais que duplicado, passando de 17% para 38%. [7]

Em 23 de Junho de 1946, Einstein declara ao New York Times: "Muitas pessoas noutros países olham agora a América com grande desconfiança, não apenas por causa da bomba mas porque temem que esta se torne imperialista; (…) Nós continuamos a fabricar bombas (atómicas), e as bombas fabricam o ódio e o medo. Nós guardamos os segredos (da fabricação da bomba) e os segredos alimentam a desconfiança".

A partir do início da Guerra Fria (1946), a histeria anticomunista e a caça às bruxas não cessou de aumentar, alimentada nomeadamente pela surpreendente notícia anunciada em 1949 de que a URSS possuía igualmente a Bomba, e pela Guerra da Coreia (1950-1953). Quem estava contra a arma nuclear era automaticamente suspeito de trabalhar contra os Estados Unidos.

Em 12 de Fevereiro de 1950, Einstein aparece na televisão fazendo advertências contra a construção da bomba de hidrogénio (também chamada de bomba H ou bomba termonuclear) pelos Estados Unidos. Ele declara que esta bomba será mil vezes mais destruidora que a bomba atómica. [8] Esta emissão põe em furor anticomunistas belicistas americanos como Edgar Hoover.

Em 1952, a bomba de hidrogénio é finalmente testada pelos Estados Unidos. Segue-se a vez da URSS em 1953, perante a estupefacção dos Estados Unidos. A pretensão americana de ter direito absoluto de vida e de morte nuclear sobre o mundo havia acabado. A virulência anticomunista tinha agora longos anos à sua frente. Em 10 de Março de 1954, Einstein – com a idade de 75 anos – escreve a propósito deste assunto: "A meu ver, a 'conspiração comunista' é sobretudo um slogan (…) que torna as pessoas completamente indefesas. De novo, sou obrigado a pensar na Alemanha de 1932, cujo corpo social democrático tinha já sido enfraquecido por meios similares, dando a Hitler a possibilidade de aplicar o seu golpe fatal. Estou convicto de que aqui se passará o mesmo, a menos que pessoas informadas e capazes de sacrifício intervenham em nossa defesa." [8]

Em 28 de Março de 1954, ele escreve à rainha Elisabete da Bélgica: "Tornei-me uma espécie de 'enfant terrible' na minha nova pátria, e tudo isto por causa da minha incapacidade de guardar o silêncio e engolir tudo o que se passa aqui. Cada vez mais, acho que as pessoas mais velhas que não têm praticamente nada a perder deveriam ter vontade de se expressarem a favor dos jovens e daqueles que estão submetidos a tantos constrangimentos. Gosto de pensar que isso os poderá ajudar". [9]

Einstein inquieta-se com o facto de a maioria dos intelectuais ocidentais permanecerem sem reacção simultaneamente perante a História e perante o resto do mundo: "Nada mais me espanta do que a constatação de que a memória do ser humano é tão curta quando se trata de acontecimentos políticos" (Carta à rainha Elisabete da Bélgica, 2 de Janeiro de 1955) [10] Imediatamente antes da sua morte (18 de Abril de 1955), Einstein assina o célebre Manifesto pela paz Russell-Einstein [ver anexo]

Nota: o termo "bomba atómica" foi colocado em circulação, em 1945, pelos militares americanos com a intenção de a fazer aceitar pela opinião pública. O termo exacto é, na verdade, "bomba nuclear", mas isso pareceria demasiado rebarbativo!
[*] Professor de física teórica na Universidade de Católica de Lovaina. 

[1] Jean Pestieau et Jean-Pierre Kerckhofs, Einstein, "La personnalité du 20e siècle", 7 mars 2005, http://www.ecoledemocratique.org/article.php3 ?id_article=249 - 42k .
[2] Fred Jerome, "Einstein ... Un traître pour le FBI. Les secrets d'un conflit", Editions Frison-Roche, Paris, 2005. A leitura deste livro é recomendada em especial. Fred Jerome, The Einstein File : J. Edgar Hoover's Secret War Against the World's Most Famous Scientist, St.Martin's Griffin Edition, New York, 2003, http://www.theeinsteinfile.com/
[3] Fred Jerome, "Einstein ... Un traître pour le FBI. Les secrets d'un conflit", p.58
[4] ibidem, p.175
[5] ibidem, p.70
[6] ibidem, p.80
[7] ibidem, p.87
[8] ibidem, p.179
[9] ibidem, p.282
[10] ibidem, p.178

Manifesto Russell – Einstein

Na situação dramática em que se encontra a humanidade, achamos que os cientistas se deveriam reunir em conferência para analisar conjuntamente a extensão dos perigos criados pelo desenvolvimento de armas de destruição maciça e examinar um projecto de resolução cujo espírito será o do projecto abaixo mencionado. 

Não é em nome de uma nação, de um continente ou de uma fé em particular que nós tomamos hoje a palavra, mas sim enquanto seres humanos, enquanto representantes da espécie humana cuja sobrevivência se encontra ameaçada. Os conflitos abundam em todas as partes do mundo… 

Cada um de nós, ou pelo menos, a maioria, por pouco consciente que seja politicamente, tem opiniões bem definidas sobre uma ou várias questões que agitam o mundo; pedimo-vos, todavia, que se possível, se abstraiam dos vossos sentimentos e que se considerem exclusivamente como membros de uma espécie biológica que tem atrás de si uma história excepcional e da qual nenhum de nós pode desejar o desaparecimento. 

Esforçar-nos-emos por não dizer nada que possa constituir um apelo a determinado grupo em detrimento de outro. Toda a humanidade está em perigo, e talvez, se tomarem consciência disso, possam conseguir livrar-se colectivamente. 

Temos de aprender a pensar de uma nova forma. Temos de aprender não a questionarmo-nos sobre qual a maneira de assegurar a vitória militar do grupo da nossa preferência, porque isso já não é possível, mas antes como impedir um afrontamento militar cujos resultados não poderão ser senão desastrosos para todos os protagonistas. 

O grande público, e muitos entre aqueles que exercem o poder, não compreenderam plenamente o que implica uma guerra nuclear. O grande público raciocina ainda em termos de cidades destruídas. Ele sabe que as novas bombas são mais poderosas que as antigas, e que se uma bomba A foi suficiente para riscar Hiroshima do mapa, uma única bomba H poderá apagar as principais metrópoles: Londres, Nova Iorque ou Moscovo. 

É certo que numa guerra no decurso da qual se utilize a bomba H, as grandes cidades desaparecerão da superfície da terra. Mas isso seria apenas um desastre menor para a humanidade. Mesmo se a população inteira de Londres, Nova Iorque e Moscovo fosse exterminada, o universo poderia, em alguns séculos, recuperar. Mas nós sabemos a partir de agora, em particular depois do ensaio de Bikini, que o efeito destrutivo das bombas nucleares pode estender-se por zonas muito mais vastas do que aquilo que se tinha pensado no início. 

Sabe-se de fonte autorizada que a partir de agora é possível fabricar uma bomba 2500 vezes mais poderosa do que aquela que destruiu Hiroshima. Uma tal bomba, ao explodir perto do solo ou debaixo de água, projecta partículas radioactivas até às camadas superiores da atmosfera. Essas partículas caem depois lentamente sobre a superfície da Terra sob a forma de poeira ou de chuva mortais. Foi essa poeira que contaminou os pescadores japoneses e as suas capturas. 

Ninguém sabe até onde se poderá estender essa nuvem mortal de partículas radioactivas, mas as personalidades com mais autoridade no campo são unânimes em afirmar que uma guerra no decurso da qual sejam utilizadas bombas H poderá sem dúvida marcar o fim da raça humana. O que mais se teme é que se várias bombas H forem utilizadas, toda a humanidade encontrará a morte, morte súbita para uma minoria apenas, mas a lenta tortura da doença e da desintegração para a maioria. 

As advertências não faltaram por parte dos maiores sábios e especialistas em estratégia militar. Nenhum deles chega a afirmar que o pior é certo. O que eles afirmam é que o pior é possível e que ninguém pode dizer que ele não se produzirá. Nunca constatámos que a opinião dos peritos sobre este ponto dependesse de alguma forma das suas posições políticas ou dos seus preconceitos. Essa opinião depende apenas, por aquilo que as nossas pesquisas nos permitem afirmar, daquilo que cada perito sabe. O que nós constatámos é que aqueles que sabem são os mais pessimistas. 

Tal é assim, na sua terrível simplicidade, o dilema que nós vos apresentamos: iremos nós pôr um fim à raça humana, ou irá a humanidade renunciar à guerra? Se os indivíduos se recusarem a encarar esta alternativa, isso significa que é imensamente difícil abolir a guerra. 

A abolição da guerra exigirá limitações desagradáveis para a soberania nacional. Mas o que, acima de tudo, impede talvez uma verdadeira tomada de consciência da situação é que o termo "humanidade" é sentido como algo de vago e abstracto. As pessoas têm dificuldade em imaginar que são elas próprias, os seus filhos e netos que estão em perigo, e não apenas uma humanidade confusamente vislumbrada. Elas têm dificuldade em apreender que elas próprias e aqueles que elas amam se encontram em perigo imediato de morrer no final de uma longa agonia. E é por essa razão que elas esperam que a guerra possa eventualmente continuar a existir, desde que os armamentos modernos sejam proibidos. 

Essa é uma esperança ilusória. Sejam quais forem os acordos de não-utilização da bomba H que estaria concluída em tempo de paz, eles não seriam mais considerados impeditivos em tempo de guerra, e os dois protagonistas apressar-se-iam a fabricar bombas H desde o início das hostilidades; na verdade, se apenas um deles fabricasse bombas e o outro se abstivesse de o fazer, a vitória iria necessariamente para o primeiro. 

Um acordo através do qual os partidos renunciassem às armas nucleares no quadro de uma redução geral de armamentos não resolveria o problema, mas teria uma utilidade relevante. Em primeiro lugar, de facto, todo o acordo entre Oriente e Ocidente é benéfico na medida em que contribui para o apaziguamento. Em segundo lugar, a supressão das armas termonucleares, na medida em que cada um dos protagonistas esteja convencido da boa fé do outro, diminuirá o medo de um ataque súbito ao estilo daquele que se deu em Pearl Harbour, medo que é actualmente mantido pelos dois protagonistas num estado de constante apreensão nervosa. Um tal acordo deverá então ser considerado como desejável, ainda que represente apenas um primeiro passo. 

A maioria de nós não é neutra nas suas convicções, mas enquanto seres humanos, nós temos que nos lembrar que, se os problemas entre Oriente e Ocidente deverão ser resolvidos de modo a oferecer alguma satisfação a quem quer que seja, comunistas ou anticomunistas, asiáticos, europeus ou americanos, brancos ou negros, então esses problemas não devem ser resolvidos através da guerra. Temos que desejar que isso seja compreendido tanto a Oriente como a Ocidente. 

Depende de nós progredir sem cessar na direcção da felicidade, do conhecimento e da sabedoria. Iremos nós, em vez disso, escolher a morte só porque somos incapazes de esquecer as nossas querelas? O apelo que nós lançamos é de seres humanos para seres humanos: lembrai-vos que sois da raça humana e esqueçam o resto. Se conseguirdes fazer isso, um novo paraíso se abrirá; senão, estareis a provocar o aniquilamento universal. 

Resolução 

Convidamos o presente congresso e, por seu intermediário, os cientistas do mundo inteiro e o grande público, a subscrever a seguinte resolução: 

Tendo em conta que no decurso de futuras guerras mundiais as armas nucleares irão certamente ser utilizadas e que essas armas põem em perigo a sobrevivência da humanidade, apelamos veementemente aos governos do mundo que compreendam e admitam publicamente que não procurarão mais atingir os seus objectivos através de uma guerra mundial, e pedimos-lhe ainda veementemente que, em consequência disso, utilizem meios pacíficos para resolver todos os seus diferendos.

23 de Dezembro de 1954

Este texto foi subscrito por: 

  • Professor Max Born (professor de física teórica em Berlim, Frankfurt e Göttingen, e professor de filosofia da natureza em Edimburgo; Prémio Nobel de física) 
  • Professor P. W. Bridgman (professor de física na Universidade de Harvard; Prémio Nobel de física) 
  • Professor Albert Einstein 
  • Professor L. Infeld (professor de física teórica na Universidade de Varsóvia) 
  • Professor J. F. Joliot-Curie (professor de física no Colégio de França; Prémio Nobel de química) 
  • Professor H. J. Muller (professor de zoologia na Universidade de Indiana; Prémio Nobel de fisiologia e de medicina) 
  • Professor Linus Pauling (professor de química no Instituto de Tecnologia da Califórnia; Prémio Nobel de química) 
  • Professor C. F. Powell (professor de física na Universidade de Bristol; Prémio Nobel de física) 
  • Professor J. Rotblat (professor de física na Universidade de Londres; Medical College of St Bartholomew's Hospital) 
  • Bertrand Russell 
  • Professor Hideki Yukawa (professor de física teórica na Universidade de Kyoto; Prémio Nobel de física)

  • A versão em francês do manifesto encontra-se em
    http://radio-canada.ca/par4/_Notas/manifeste_russell_einstein.htm
    O original do artigo encontra-se em
    http://www.ecoledemocratique.org/article.php3?id_article=270
    Tradução de Rita Maia. 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .