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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Os mais estranhos tratamentos de beleza do mundo



Saúde e Beleza sempre foram duas preocupações importantes para a espécie humana desde os tempos pré-históricos. E hoje em dia isso é ainda mais verdadeiro. No oriente e no ocidente, de norte a sul, as pessoas estão perseguindo loucamente todos os tipos de terapias para realçar a beleza e a saúde. Métodos primitivos, assim como sofisticados são igualmente bem-vindos, mais bem-vindo ainda se eles tiverem a tag ‘natural’ em anexo. Alguns são tratamentos tradicionais de grupos menos conhecidos, alguns são bem conhecidos e comercializados com nomes atraentes, como “Apiterapia” ou “Ultimate Total Body Resurfacing Hydra Dermbrasion”. 
Aqui estão exemplos de tratamentos de beleza muito estranhos em diferentes partes do mundo.

01 – Massagem com caracóis africanos
Um funcionário faz uma massagem médico-cosmética para uma cliente usando caramujos africanos em um salão de beleza na cidade da Rússia siberiana de Krasnoyarsk. O salão de beleza é o único na região usando o método dos moluscos, que acredita-se, ajuda a acelerar a regeneração da pele, eliminando rugas, cicatrizes e sinais de marcas de queimaduras, de acordo com a proprietária Alyona Zlotnikova. 

02 – Máscara com ouro 24 quilates
Uma mulher recebe o “Tratamento Facial de Ouro” em Tóquio, Japão. Seu rosto foi coberto com uma máscara feita com folhas de ouro de 24 quilates, que dizem ser um eficaz anti-envelhecimento, se funciona eu não sei, mas tenho certeza de que não deve ser nada barato fazer este tipo de tratamento.

03 – Peixes que eliminam pele morta
Esta terapia é feita em alguns spa’s de Tel Aviv, Israel. Os clientes sentam-se com os pés em um tanque cheio  de peixes que retiram toda a pele morta ao mordiscar e sugar os pés.

04 – Proteína de sêmen de touro para os cabelos
Em Londres, um especialista em tratamento de salão de beleza , aplica um tratamento de sêmen em uma cliente. Este tratamento é considerado novo, alternativo e intenso em salões de beleza ingleses. O cabeleireiro usa sêmen orgânico da raça de touros “Angus“, que vêm fresco da Fazenda Brooklet em Cheshire. Proteína pura, a substância, combinada com katera, uma outra proteína extraída da raiz de plantas, penetra em cada fio e profundamente nutre o cabeloNo Brasil acho que isso ficaria conhecido como cabelo gozado… 

05 – Veneno de abelhas
Um paciente recebe tratamento com veneno de abelha em uma clínica em Xian, no norte da China. A Apiterapia tem uma história de 3.000 anos na China, utilizando veneno de abelha para  tratamentos de saúde. Apiterapia é o uso de produtos da colméia, incluindo o mel, pólen, própolis, geléia real e veneno de abelha. Ela tem sido usada desde os tempos antigos para tratar a artrite, reumatismo, dor nas costas, doenças de pele e atualmente como uma terapia alternativa para tratar a esclerose múltipla. 

06 – Sanguessuga Terapia – Expurgação de sangue
Uma enfermeira coloca sanguessugas sob a orelha do paciente iraniano Manouchehr Najafi em uma clínica médica tradicional em Teerã. O uso de sanguessugas para tratamentos de saúde remontam os tempos antigos e ainda sobrevivem em algumas partes do mundo, como pode se ver.

07 –  Banho de cerveja
Vestindo apenas um colar de ouro e segurando um grande caneco, o empresário russo Andrei relaxa voluptuosamente em sua banheira cheia de cerveja na República Tcheca. O banho de cerveja à base de plantas é oferecido como tratamento de beleza em spa’s do país. “Nós russos adoramos produtos naturais. Aqui, a cerveja é de  melhor qualidade, fabricada no velho estilo, sem produtos químicos”, explica ele. Proprietários da cervejaria Chodovar, continuam a produzir ao longo dos anos as linhas artesanais e lançaram os banhos de cerveja com a meta de atrair mais turistas ao seu novo hotel, em vez de aumentar a produção.  

08 – Banho de lama profundo: para os nervos e articulações 
Um grupo de pessoas desfruta de uma sessão de terapia na lama, onde são enterrados até o pescoço, em um sanatório em Anshan, província de Liaoning, nordeste da China, O tratamento, que remonta à dinastia Tang, diz que traz alívio da dor para várias doenças, incluindo artrite reumatóide, traumatismos e desordens do sistema nervoso.

socoisaestranha.wordpress.com

FEZ - A CIDADE DOS CURTUMES

Estou em Fes-el-Bali, a Velha Fez. A cidade medieval,qualificada como Património Mundial pela Unesco, é uma das mais bem preservadas da África do Norte. Suas vielas intrincadas e seus labirintos estonteantes fazem com que apenas pessoas e burricos (e algumas insolentes motos) possam trafegar pelos estreitos caminhos. Com mais de 150 mil habitantes, a medina amuralhada, a Velha Fez, pode ser considerada como o maior distrito sem tráfego de carros do mundo.
Fez possui outros superlativos. Fundada ao redor dos anos 800, a capital espiritual e cultural do Marrocos alberga a mais antiga universidade da planeta, Al Karaouine. No século XII, durante a dinastia dos Almoadas (que então dominavam o sul da península ibérica), Fez floresceu como polo comercial e, com seus 200 mil habitantes, teria sido a maior metrópole do planeta na ocasião.
Caminho pelas mesmas ruelas da medina que há 30 anos e não vejo muita diferença – a não ser algumas irritantes motos. Quando passo por Derb Chouwara, sinto um cheiro familiar,embora desagradável: uma mistura de ácidos e elementos putrefatos. Este odor penetrante me dá a certeza de onde estou: o bairro do curtume!
O melhor ponto de vista para observar o trabalho dos artesãos do couro é do alto de qualquer prédio que circunde o espaço. Estrategicamente, os comerciantes que vendem produtos de couro adquiriram quase todos os imóveis na redondeza. Aproveitando da curiosidade nata do turista, os comerciantes convidam o visitante a entrar na loja e subir até o último andar, onde terão a melhor vista – de verdade – dos poços onde o couro é curtido e tingido. (Depois da visita. é hora da venda e da barganha.)
O espectáculo é extraordinário. Três grandes quadriláteros (em forma de um L) comportam mais de 300 poços circulares. Em cada reservatório, de cerca de um metro de profundidade, há um líquido de uma cor diferente. A grande maioria tem a coloração marrom, em suas mais diversas matizes. Um terço do espaço contem uma poção esbranquiçada. Alguns poucos, que chamam logo a atenção, possuem dentro uma tinta vermelha ou amarela. Difícil saber por onde começo a fotografar…
As peles dos diversos animais – cabra, ovelha, vaca e até camelo – passam primeiro pelas tinas esbranquiçadas, onde uma mistura de cal – com excrementos de pombas e urina de vaca –amolecem o couro e destroem os pelos dos bichos. Após ficarem de molho durante vários dias, as peças passam por um processo de limpeza e de enxague.
Até algumas décadas, o tingimento era feito com colorantes vegetais. Para o amarelo usava-se o açafrão-da-terra (cúrcuma ou turmérico), para o vermelho a papoula, para o azul o índigodos tuaregues e para o preto o antimónio. Mas hoje, os corantes industrializados tomaram conta do mercado, mesmo se os marroquinos preferem negar a mudança. Uma vez tingidos, os couros são, então, expostos ao sol para secagem.
Texto: Haroldo de Castro, Revista Época
Fotografias: JMPhoto

cxnegra.wordpress.com

colchão no penteado


Chaves na mão, melena desgrenhada,
batendo o pé na casa, a Mãe ordena
que o furtado colchão, fofo e de pena,
a filha o ponha ali, ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada
Lhe diz co´a doce voz que o ar serena:
- Sumiu-se-lhe o colchão, é forte pena!
Olhe não fique a casa arruinada...

- Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por teu pai embarcado,
já a mãe não tem mãos? E dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado;
Eis senão quando – caso nunca visto! –
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.


Nicolau Tolentino


Balada do não me chateiem


Quando religiões, seitas e afins
tentam colonizar a minha opinião.
eu utilizo o golpe de rins
e bato com eles no chão
e depois de tombados, caídos
de sua retórica esvaídos
começo eu a falar
seus falsos profetas, vendilhões
eunucos, capados cabr....
porque me vêm chatear
não será melhor ò tristes
que vós com os cornos em riste
marrassem no que devem marrar
vão lá investir com paredes
curem vossos males, febres e sedes
os delírios tresloucados
eu sou filho da água do ar
do sol pra me alimentar
e não de deuses castrados
António Garrochinho

VAREIRAS E VARINAS: DO MOCAMBO Á MADRAGOA (inclúi fotogaleria)


O pitoresco bairro da Madragoa, habitado predominantemente por gentes oriundas de Ovar e da sua praia do Furadouro, às quais se juntaram os da Murtosa, Estarreja e Ílhavo foi primitivamente um pequeno aglomerado de casebres onde viviam antigos escravos negros trazidos nas naus e que sobreviviam da pesca, tirando partido da proximidade do rio, onde outrora se formava a praia que, após o aterro, deu origem à atual avenida 24 de Julho e ao Jardim de Santos. Designava-se então o bairro por Mocambo e ficava próximo dos terrenos que o casal flamengo, Cornélio Vandali e Martha de Bös haveriam de doar às religiosas da Ordem da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos para ali edificarem uma capela de invocação a Nossa Senhora da Soledade e, posteriormente, um edifício que as acolhesse – o Convento das Trinas do Mocambo.
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Da foz do rio Douro às lagunas do Vouga e dunas de São Jacinto, na Costa Nova e no Furadouro, na Murtosa, as gentes vareiras distinguem-se pela sua peculiar forma de ser e de trajar, o seu falar característico e o seu modo de vida geralmente associado às lides do mar. Desde há séculos que estas gentes laboriosas partiram para outras paragens em busca do sustento que nem sempre logravam alcançar na sua terra ou, melhor dizendo, no mar que o banha. E, vai daí, os ilhavenses aventuraram-se por esse mundo fora, enfiados nos velhos bacalhoeiros que demandavam à Terra Nova ou em qualquer actividade de embarcadiço. Ainda hoje é difícil não encontrar um natural de Ílhavo num qualquer navio a navegar em mar alto sob qualquer pavilhão, fazendo juz à fama que conquistaram os portugueses de quinhentos.
De Ovar e da Murtosa formaram as suas gentes novas colónias de pescadores que se estenderam ao longo da costa até às praias do Algarve, fixando-se muitas delas nos mais antigos bairros lisboetas, constituindo talvez a Madragoa o núcleo populacional mais homogéneo constituído por gente vareira. Quem não se lembra ainda das graciosas varinas que, de canastra à cabeça, saracoteando as ancas e apregoando com o seu jeito característico, percorriam a cidade da ribeira às colinas, vendendo o peixe que arrematavam na lota ou iam buscar ao cais à chegada das velhas faluas.
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Com efeito, a expressão varino ou varina tornou-se usual sobretudo em Lisboa para designar as gentes oriundas daquela região à beira-mar, entre Aveiro e o Porto, provavelmente pela sua maioria ser oriunda da área do concelho de Ovar e, por esse facto, talvez aquela designação constitua uma corruptela dos gentílicos ovarino e ovarina. Em todo o caso, quaisquer das expressões está associada às características geomorfológicas daquela zona do rio Vouga e das formas que os seus naturais tiveram para se adaptar ao meio. Antes de mais, convém lembrar que o topónimo Ovar possuí a sua origem na raiz Var em acoplação com o artigo definido resultou na sua designação actual: Ovar, de O Var.
Var e vau são designações que significam laguna ou estuário, tornando-se por conseguinte lugares de varadouro ou seja, sítio propício para as embarcações poderem varar. Precisamente ao invés de fundeadouro que se refere a um local fundo onde apenas é permitido fundear. Ora, para as pessoas menos familiarizadas com as lides do mar, também se designam por varadouros as pequenas rampas de acesso a terra que existem junto de muitas lotas e portos de pesca no nosso país, onde frequentemente são deixadas as embarcações em terra firme.
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Por seu turno, vareiro é também designado o barco caraterístico deste região, pequeno e estreito, de fundo chato como convém e que geralmente é conduzido à vara. Aliás, tal como sucede com os barcos saleiros e moliceiros que na realidade são sucedâneos dos velhos barcos vareiros. Ora, este género de embarcações muito usual nesta zona do rio Vouga contrasta profundamente com os barcos saveiros que se aventuram na costa e enfrentam a forte ondulação. Precisamente, o seu fundo chato permite a varação e também navegar... à vara !
Mas, a designação vareiro e varino acaba associado a muitos outros aspectos da vida destas gentes. Assim, por vareiros são também designadas as varas que os homens levavam às costas com um cesto em cada ponta, geralmente para neles transportarem o peixe. Neste caso, o vareiro consiste numa vara comprida e delgada. E, por vareiros eram também designadas as varas com que outrora formavam as latadas antes de serem substituídas pelo esticadores de arame. Por vareiro ou varino era também designado o gabão que as gentes desta região vestiam, uma espécie de capa que as agasalhava do frio cortante e da brisa marítima nas longas manhãs à espera que os barcos regressassem da faina. Finalmente, a vareira é juntamente com o vira uma das danças tradicionais mais características das gentes varinas.
Com o seu chapéu de copa alta e aba curta forrada a veludo como usam os de Ílhavo e de Ovar ou de copa baixa e aba larga como agrada aos da Murtosa, as gentes vareiras constituem um tipo étnico que se distingue facilmente de outras regiões. Com o decorrer do tempo, os usos foram alterando-se e as varinas da Madragoa já não trajam como antigamente. Mas o bairro não perdeu as suas caraterísticas e Lisboa não esquece as suas origens!
Carlos Gomes (Adapt.) / http://www.folclore-online.com/
Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa
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FOTOGALERIA 

































































































































































fotos retiradas da net por :António Garrochinho