AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

em rota de despedida


ABORÍGENES NA AUSTRÁLIA, A SUA HISTÓRIA, IMAGENS, VÍDEOS, CURIOSIDADES

TEMPO DE SONHAR - ABORIGENES


Além de imensas belezas naturais e uma excelente qualidade de vida da população, a Austrália abriga também um povo muito curioso, que possui uma rica herança cultural, conhecimentos náuticos e de navegação, arte e filosofias religiosas, os Aborígenes. 

Eles foram os primeiros a povoar o país e outras partes da Oceania, mas é na Austrália que eles se sentem em casa, essa relação de familiaridade com a terra se dá porque os aborígenes acreditam que durante a criação, os espíritos emergiram da Terra e se transformaram no elemento que hoje conhecemos.


Segundo Robert Lawlor, que viveu 14 anos nas selvas da Tasmânia estudando, de forma inédita, o modo de vida antigo desses guardiões do "primeiro dia da Terra", a opinião ocidental predominante de que os aborígines australianos seriam primitivos e antiquados, um grupo de caçadores e extratores que recusam a agricultura, a arquitetura, a escrita, vestimentas e a domesticação de animais, está completamente equivocada.

A sobrevivência dos aborígines não é para ele uma curiosidade etnológica, objeto de estudos acadêmicos, mas de uma mensagem viva, "um tipo de inteligência decisiva e há muito ignorada", que na nossa luta desesperada contra a morte e a transformação fala diretamente ao coração da cultura supermoderna.

"Com as atividades e a religiosidade da agricultura começou a alienação da atenção humana, que se afastou dos sonhos e foi em direção à manipulação física do mundo material. Com o início da agricultura, a população foi ficando geograficamente cada vez mais presa e a sua sobrevivência dependia fortemente da fertilidade e do clima de uma determinada região. A terra era considerada como uma coisa que deveria ser limpa, explorada e tratada arbitrariamente." Diz Lawlor

Os aborígines rejeitam a agricultura porque ela, na sua essência, impede a sua participação no tempo de sonhar, que compõe a essência de sua existência.


A única palavra (expressão) da cultura dos aborígines que chegou até o nosso dicionário foi o "tempo de sonhar" ou o "sonhar", que na língua ancestral é tjukurrtjana. A percepção material viva do mundo é traduzida como yuti, que surge da região original do sonho, um estado criativo, fluente da lucidez astral. Segundo as palavras de Lawlor isso significa "o fundamento absoluto da existência ou a base universal do contínuo do qual se originou toda diferenciação".

Há também entre alguns dos povos aborígines da Austrália, este estado de ser conhecido como “dadirri”, um termo que traduzido significa “o escutar profundo”.

Para eles essa capacidade chamada de dadirri, se traduz como uma qualidade especial que permite que cada um de nós faça contato com uma fonte profunda que reside em nosso Ser. Para conectar-se com a essa fonte é necessário alcançar um estado contemplativo que os praticantes de xamanismo conhecem bem.

Para os aborígenes tradicionais, este enfoque contemplativo permeia seu modo de vida inteira. Ao praticarem o dadirri, eles encontram a paz, criam harmonia onde há desarmonia, produzem equilíbrio onde há desequilíbrio, restauram a saúde onde há doença.

Os aborígines que ainda vivem em seus tradicionais modos de vida, não se preocupando com o amanhã… que nunca se preocupam. Pois eles sabem que, na prática do dadirri – ao sentirem a profunda e tranquila quietude da alma -, que todos os caminhos vão ficar claros para eles no tempo certo.

Os aborígines australianos não “visam atingir um objetivo” da mesma forma que nós, ocidentais, e nem tentam “apressar o rio” pois sabem com certeza absoluta que isso é uma ação de absoluta futilidade.

Na cosmogênese dos aborígines, o campo da manifestação universal é a consciência, que simplesmente exterioriza ou sonha o mundo dos pensamentos, formas e matéria. 
Os ancestrais viajaram pelos desertos da despovoada Austrália caçando, guerreando, acampando, amando e organizando. Com isso, eles transformaram um mundo sem contornos em paisagem topográfica. Seus
sonhos e aventuras criaram vermes, cangurus, emas, pássaros, cacatuas, serpentes, lagartos, acácias e o homem do mundo inicial. Até o canto é uma ligação para os aborígines, o canto significa o som criador, mântrico.


A responsabilidade ritual e cíclica de cada tribo é a de conservar os caminhos de sonhar dos ancestrais, quando não a de reviver o ciclo das canções da tribo entoado "na seqüência correta" como parte da sua viagem no sonhar através da paisagem simbólica.
Dessa maneira, eles praticam um tipo de ecologia coletiva, um tipo de consultório ecológico em um nível metafísico. Negligenciar ou errar o canto pode "descriar" o que já foi criado.

Segundo sua filosofia, eles acreditam que esses espíritos estão vivos nas terras australianas, o que faz com que eles enxerguem e tratem a terra como um lugar sagrado. Isso é uma parte do que sabemos desta cultura, pois as histórias e sonhos de um período chamado por eles de Tempo dos Sonhos, são mantidos em segredos e também são considerados sagrados, o que faz com que anciãos desenhem tais histórias numa série chamada de rastro de sonho, isso através de símbolos, para que depois os mais jovens aprendam a traduzi-los e possam então repassar a história para a próxima geração. 

A maioria dos aborígenes considera os sonhos como sendo um registro inquestionável da história, uma verdade absoluta.

Segundo lawlor, para os aborígines a paisagem e o espiritualismo são indissolúveis e cada momento é a revelação do primeiro dia. "O ritual dos aborígines, fundamenta sua cultura como um todo, é uma confirmação efetiva do tempo de sonhar da criação. Com sua forte convicção nessa dimensão mística, cada tribo recebe seu próprio trecho das trilhas que percorrem o continente australiano, como lembrança do sonhar original do protótipo invisível e metafísico carregando suas vozes e sementes."

O lugar, “ngurra”, é para os aborígines até mesmo o fundamento da identidade pessoal. Ngurra significa terra, jazigo ou lugar, uma região que foi criada através das ações metafísicas dos ancestrais míticos quando eles sonhavam transformando o mundo em existência.
A região pertence apropriadamente ao espírito desta espécie, e não ao clã que ele representa. Por isso, a sociedade aborígine se entrelaça, desde o seu nascimento, numa rede de geomancia, animismo, totemismo e a experiência da iniciação.
"Um novo iniciado aborígine aceita um ponto predeterminado no tecido do caminho do sonhar, que forma a paisagem sagrada como um prolongamento do seu próprio corpo. Enquanto eles caminham e ampliam o seu conhecimento cultural, a memória e o mundo espacial também são ampliados como um prolongamento de si mesmos. O caminho do sonhar que atravessa a terra corre como suas próprias veias e artérias." 
Como no corpo humano, a terra também é considerada indivisível. 

A Terra é a base para todos os estudos espirituais durante os primeiros estágios da vida e os intermediários. Mas com a aproximação do fim da vida, o estudo básico da Terra é concluído e não há uma reorientação do espírito ainda encarnado do individual para o alcance infinito do céu.
Assim, para os Aborígines australianos, a maior espiritualidade não está associado com a Terra, mas com a infinitude do espaço com a Consciência Cósmica em si.

Os anciãos aborígines acreditam que o espírito de um ser humano está sempre em contato com os reinos espirituais mais elevados do ser, mesmo que não haja consciência desse contato em seu estado normal de consciência. Isto dá a cada um de nós um dom extraordinário em que pode haver comunicação direta entre o humano e o divino, sem a necessidade de qualquer tipo de intermediário.


Em outras palavras, o pensamento Aborígine, não há simplesmente nenhum grande abismo intransponível entre o humano e o divino, uma percepção que está em oposição direta à maioria das escolas esotéricas e teológicas. Por esse motivo os aborígenes não tinham necessidade de desenvolver qualquer religião organizada dirigida por uma classe sacerdotal estratificada. O que eles têm é um igualitarismo espiritual autêntico em que, como indivíduos, podem acessar o “Dreamtime” (Tempo de Sonhar) através das técnicas xamânicas do êxtase, dando-lhes acesso direto e imediato para as dimensões espiritual.

Essa capacidade dá-lhes uma autoridade inabalável para fazer observações filosóficas altamente evoluídas. Os Aborígenes descrevem a evolução da consciência humana depois da morte como “a sobrevivência no infinito". 
Eles sabem, por experiência direta que o ponto de contato individual com a infinitude da consciência cósmica continua a se expandir depois da morte até que ele é coextensivo com ela… até que literalmente ‘se torne’ ela. 

Esta não é uma teoria para os Aborígenes, nem é um conceito. É uma percepção baseada em sua própria experiência direta, uma revelação que se manifesta também no Livro Tibetano dos Mortos.
Os hindus e os budistas usam a palavra Samadhi para descrever esse estado. Os aborígenes chamam de Dreamtime, ainda é evidente a partir de suas descrições que empírica e fenomenologicamente, esses estados são os mesmos.


Para aqueles que julgam o grau de cultura, o grau de sofisticação tecnológica, o fato de que os nativos australianos vivem da mesma forma agora como fizeram milhares de anos atrás pode significar que eles são incivilizados ou inculto. No entanto, se a civilização fosse definida pelo grau de polimento da mente de um indivíduo e a construção de seu caráter, e se essa cultura refletisse a medida de nossa auto-disciplina, bem como o nosso nível de consciência,os aborígines australianos seriam realmente um dos mais civilizados e altamente cultos povos no mundo de hoje. 

É tempo, de reconhecer que os povos indígenas tribais não foram e não são povos de consciência “primitiva”. Pelo contrário, chegou o tempo para nós supostamente “civilizados” ocidentais para reconsiderar seriamente sua visão de mundo e suas práticas espirituais. Eles mantiveram suas sociedades vivas por mais de 40 mil anos … enquanto nós que nos consideramos tão evoluídos só estamos aqui por algumas centenas de anos… e pelo visto as coisas não estão indo muito bem nesses dias.
RELIGIÃO E ARTE

A cultura aborígene caracteriza-se pela forte união de todos os seres – O Sol, o ar ,a chuva, os animais, as plantas, os humanos…,com a Natureza, o ser superior que integra tudo. Nesta concepção, o ser humano não é superior, mas partilha a Natureza com os demais seres e todos são indispensáveis. E os humanos devem honrar a Natureza em tudo o que fazem.
Quando trabalham, rezam, se divertem e em qualquer outra atividade , os aborígenes usam a arte como meio de comunicação . Os instrumentos de trabalho  são feitos com mestria e destreza e levam pinturas e inscrições, onde se contam as histórias do povo, do clã ou da pessoa, e se evoca a relação com as divindades. As pinturas do corpo ou em cascas de eucalipto usam como tema a mitologia ou retratam cenas do quotidiano .
A música é sobretudo vocal. O principal instrumento musical é o “ didgeridu”, que é a representação da Mãe serpente, a criadora da Terra, e que consiste num tronco oco que amplia sons vocais. Para marcar o rítimo das mímicas e danças usam-se bastões.

Agrupamos alguns vídeos bastante interessantes  para compartilhar com todos vocês , pois no nosso ponto de vista , os aborígenes são os representantes mais antigos  da nossa essência cósmica  aqui neste lindo Planeta.

VÍDEOS

A MÚSICA DOS ABORÍGENES - O SOM DO DIDGERIDU




ABORÍGENES NAS RUAS DE AUSTRÁLIA , TOCANDO  E DANÇANDO, IMITANDO OS ANIMAIS.


http://muitoalem2013.blogspot.pt/



É oficial: a Austrália foi invadida



Por John Pilger

A cidade de Sydney votou pela substituição, em sua história oficial, das palavras "chegada dos europeus" por "invasão". A prefeita, Marcelle Hoff, diz que é intelectualmente desonesto utilizar qualquer outra palavra para descrever como a Austrália aborígene foi despojada pelos ingleses.

"Fomos invadidos", disse Paul Morris, um assessor indígena do Conselho. "É a verdade e não devemos diminuí-la, assim como não podemos pedir aos judeus que aceitem uma versão suavizada do Holocausto."

Em 2008, o então primeiro-ministro, Kevin Rudd, pediu desculpas formalmente aos aborígenes separados de suas famílias quando crianças sob uma política inspirada na teoria criptofascista da eugenia. Afirmava-se que a Austrália branca estava conseguindo aceitar seu passado e presente rapinantes. Sério?

Um editorial do jornal Sydney Morning Herald observou que o governo de Rudd "atuou rapidamente para apagar essas manchas de seu passado político de um modo que atenda a algumas das necessidades emocionais de seus seguidores; mas isso não muda nada. É uma simples manobra".

A decisão da cidade de Sydney é um gesto muito diferente, e admirável, porque não reflete uma "campanha de lamentações" liberal e limitada, em busca de uma "reconciliação" que os faça sentir-se bem em vez de procurar a justiça, mas sim reage a um covarde movimento de revisão histórica no qual um grupo de políticos, jornalistas e acadêmicos menores de extrema direita afirmava que não havia ocorrido nenhuma invasão, nenhum genocídio, nem uma geração roubada, nem racismo.

A plataforma para esses negadores do Holocausto é a imprensa de Murdoch, que mantém sua própria e insidiosa campanha contra a população indígena, apresentando-a como vítima de si mesma ou como nobres selvagens que requerem mão dura: a teoria dos eugenistas. Alguns "líderes" negros que dizem à elite branca o que esta quer ouvir, enquanto culpam seu próprio povo por sua pobreza, oferecendo cobertura a um racismo que frequentemente causa impacto para os visitantes estrangeiros.

Hoje, os primeiros australianos têm uma das expectativas de vida mais baixas do mundo e são cinco vezes mais propensos a ser presos do que os negros na África do Sul do apartheid. No deserto australiano, há crianças australianas cegadas pelo tracoma, uma doença bíblica, totalmente evitável e erradicada nos países do terceiro mundo, mas não na rica Austrália. Os povos aborígenes são, por um lado, o segredo obscuro da Austrália, e, por outro, o distintivo mais surpreendente da nação: a sociedade mais antiga do mundo.

Por meio deste rechaço transcedental da propaganda histórica, Sydney, a maior e mais antiga cidade do país, reconhece a "resistência cultural" da Austrália negra e, sem dizê-lo diretamente, fala de uma crescente resistência a um escândalo conhecido como "a intervenção": em 2007, John Howard enviou o exército à Austrália aborígene para "proteger as crianças" que, segundo seu ministro de assuntos indígenas, sofriam abusos em "números inimagináveis". Chama a atenção a maneira como a incestuosa elite política e midiática da Austrália frequentemente se concentra em uma pequena minoria negra com todo o fervor dos culpados, sem saber talvez que a mitologia e a psique nacionais continuam sendo prejudicadas, enquanto a nação, que foi uma vez roubada, não retorna a seus habitantes originais.

Os jornalistas aceitaram a justificativa oferecida pelo governo de Howard para "intervir" e saíram à caça do mórbido. Um programa de televisão nacional usou um "jovem trabalhador anônimo" que denunciava cartéis de "escravidão sexual" entre o povo Mutitjulu. Ele foi exposto mais tarde como um funcionário do governo federal e suas "provas" foram desacreditadas. De 7.433 crianças aborígenes examinadas pelos médicos, apenas quatro foram identificadas como possíveis vítimas de abuso. Não havia um "número inimaginável" - o índice identificado era similar ao do abuso de crianças brancas. A diferença é que não há soldados invadindo os subúrbios litorâneos, nem pais brancos postos de lado, seus salários reduzidos e seu bem-estar colocado "em quarentena". Tudo resultava ser uma farsa, mas com um propósito sério.

Os governos trabalhistas que sucederam Howard reforçaram os novos poderes de controle sobre as terras ancestrais de origem negra: especialmente a rigorosa Julia Gillard, uma primeira-ministra que dá aulas a seus compatriotas sobre as virtudes das guerras coloniais que "nos fazem ser quem somos hoje" e encarcera indefinidamente os refugiados dessas guerras, incluindo as crianças, em uma ilha em alto-mar que não é considerada Austrália, embora o seja.

No Território do Norte, o governo de Gillard de fato está conduzindo as comunidades aborígenes a verdadeiras zonas de apartheid, onde possam ser "economicamente viáveis". A razão declarada é que o Território do Norte é a única parte da Austrália onde os aborígenes têm direitos abrangentes sobre a terra, e que ali se encontram algumas das maiores reservas mundiais de urânio e outros minérios. A força política mais poderosa da Austrália é a multimilionária indústria da mineração.

Canberra quer explorar e vender esses recursos e os "malditos negros" estão no caminho de novo. Mas desta vez eles se organizaram, estão articulados, são militantes, uma resistência de consciência e cultura. Sabem que se trata de uma segunda invasão. Tendo finalmente pronunciado a palavra proibida, os australianos brancos devem ficar de seu lado.

Tradução do Opera Mundi

Mecha de cabelo pode desvendar mistério de imigração humana a partir da Austrália


Uma mecha de cabelos ajudou uma equipe internacional de pesquisadores a desvendar o genoma de aborígenes australianos e reescrever a história da imigração dos humanos pelo mundo.

O DNA retirado dos cabelos doados por um jovem aborígene a um antropólogo britânico em 1923 demonstrou que aborígenes australianos foram o primeiro grupo a se separar de outros grupos humanos modernos, há cerca de 70 mil anos. E isto desafia a teoria que afirma que houve uma única fase de diáspora, vinda da África.

Enquanto as populações de aborígenes cruzavam a Ásia e a Austrália, o restante dos humanos permaneceu na região do norte da África e no Oriente Médio até 24 mil anos atrás, saindo apenas depois disto para colonizar a Europa e Ásia.

Mas, os aborígenes tinham se estabelecido na Austrália há 25 mil anos e, portanto, estavam há mais tempo no local onde vivem atualmente do que qualquer outra população conhecida.

A pesquisa, publicada na revista Science, também destaca as novas possibilidades de, no futuro, comparar os genomas de vários indivíduos para rastrear a imigração de pequenos grupos.

DiferençasRestos arqueológicos encontrados na Austrália tiveram a idade calculada em cerca de 50 mil anos, o que determinava a idade máxima dos assentamentos de aborígenes no continente.

Mas a história da jornada deste grupo e sua relação com povos da Ásia e Europa ainda não tinha sido desvendada.

Anteriormente se pensava que os grupos humanos modernos tinham se dispersado em apenas uma onda a partir da África e do Oriente Médio e, devido às distâncias envolvidas, os europeus modernos teriam se separado dos asiáticos e dos australianos em primeiro lugar.

Mas, estas informações do DNA retiradas da mecha de cabelo aborígene mostravam que os australianos iniciaram sua jornada bem antes.

Ao examinar as pequenas diferenças entre o DNA de aborígenes e de outros humanos antigos, os cientistas mostraram que os indígenas australianos ficaram isolados pela primeira vez há 70 mil anos.

François Balloux, do Imperial College de Londres e que participou da pesquisa, descreveu como "uma população se expandiu pela costa devido à fartura de recursos na região. Eles podiam andar quase pelo caminho todo, pois o nível do mar era bem mais baixo". Apenas uma pequena viagem pelo mar era necessária para alcançar a Austrália a partir da Ásia.

Mas, qualquer vestígio arqueológico desta jornada, que durou cerca de 25 mil anos, deve estar perdido no fundo do mar, devido ao aumento do nível das águas.

Parque dos Dinossauros
Técnicas de análise de DNA como as que foram usadas neste estudo poderão ser usadas de forma mais ampla para analisar as imigrações humanas.

A equipe internacional de cientistas agora planeja examinar mais profundamente a imigração dos humanos modernos a partir da África além de tentar descobrir como e quando as Américas foram colonizadas.

Balloux afirmou que está animado com o potencial desta técnica, descrevendo-a como um tipo de ciência que é "quase (como a mostrada no filme) Parque dos Dinossauros".

A pesquisa foi feita a partir de uma mecha de cabelo doada por um jovem aborígene a um antropólogo britânico em 1923.

Os pesquisadores decidiram examinar a mecha de cabelo e não outro tipo de resto por razões legais, já que cabelo não é classificado como tecido humano.

"O mais importante para nós que a pesquisa fosse aceitável de um ponto de vista social e moral", disse François Balloux.

Para surpresa dos cientistas, todos os consultados apoiaram a pesquisa. Balloux afirmou que, no passado, grupos indígenas sempre foram "extremamente sensíveis a respeito das motivações de cientistas ocidentais" neste tipo de pesquisa.

Mas, o último estudo foi publicado com "forte apoio" do Conselho de Terra e Mar de Goldfields, a organização que representa os proprietários tradicionais de partes da Austrália ocidental, aborígenes.


Leila Battison

BBC Brasil




O pró-Sionismo alemão relaciona Wagner com o Nazismo

No filme Lisztmania é um vampiro que suga o sangue aos melómanos. Com o titulo "O Génio Louco" o semanário Der Spiegel fez capa com Richard Wagner, debitando, mais ou menos traduzida a frase-chave:


O mais controverso Compositor alemão. A sua música continua a intoxicar as pessoas, e elas ainda acham difícil adoptá-la, porque os Nazis se intoxicaram com ela. Quem se sente pertença de Richard Wagner?"

Que justifica o estigma? A Alemanha derrotada em 1945 converteu-se no pós guerra numa colónia do imperialismo norte-americano, ocupada imagine-se por que lobye. 

Basta relembrar a Acta do Chanceler assinada secretamente em 1949. Como aliás ainda admite o nosso ex-ministro Luis Amado (convidado Bilderberg 2012 e actual gestor de Banco) num livro de entrevistas por Teresa de Sousa que anda por aí: "Por razões de segurança persiste na Alemanha o estacionamento de forças militares aliadas ocidentais" (pp). Segurança contra o quê? medo que algo desagradável aconteça a mais de metade do imobiliário e do capital constante na Alemanha hoje propriedade de judeus norte-americanos e israelitas? que o motor capitalista da economia europeia deixe de pagar as chorudas indemnizações de guerra que vão direitinhas para financiar a politica religiosa, racista e sionista do Estado de Israel?



"Para se saber quem governa, basta saber quem é que não se pode criticar” (Voltaire)

Richard Wagner escreveu ensaios literários em maior número que propriamente obras musicais. "Arte e Revolução" e "A Obra de Arte no Futuro" (1849), "O Judaísmo na Música" (1850), "Ópera e Drama" (1851, “O que é Ser Alemão?" (1865) e "Arte e Religião" (1880) entre outras. Wagner foi um revolucionário! Contudo 130 anos após a sua morte persiste um estigma contemporâneo que invalida tudo o resto. A obra quase desvanecida num cinzento clarinho foi assim descrita numa recente série de conferências na Culturgest: "foi uma coisa tão infeliz que mais valia que Wagner nunca a tivesse escrito, passemos adiante"...  De que se trata então olhando retrospectivamente? no artigo publicado sob pseudónimo (para evitar ser arrastado para questões pessoais) na revista Neue Zeitschrifft für Musik, Wagner descrevia os judeus como: "ex-canibais, agora treinados para ser agentes de negócios da sociedade (...) judeus que corromperam a língua do país onde vivem desde há gerações. 

A sua natureza torna-os incapazes de penetrar na essência das coisas. 

Os judeus que vivem na Alemanha devem abandonar a prática do judaísmo e integrar-se totalmente na cultura alemã". Apesar de, por esta opinião, Wagner ser geralmente acusado de "anti-semitismo" ( uma expressão criada por William Marr só 30 anos depois, em 1881) , Wagner sempre teve amigos e colaboradores judeus durante a sua vida inteira, como o judeu e amigo de longa data Hermann Levi que foi o maestro na estreia do teatro de Bayreuth. Nem havendo uma única referência explícita aos judeus em nenhuma das óperas de Wagner, que é o que mais importa (1).



Estamos na época inicial da explosão dos nacionalismos. 

A Europa central está ainda pulverizada numa infinidade de pequenas Monarquias, Ducados, Principados e Estados onde cada familia de oligarcas reina incondicional- mente sobre os súbditos invocando como autoridade o nome de Deus pelo qual tinham sido empossados - "o liberalismo encontra porém expressão nos regimes saídos da revolução francesa e belga (depois de 1832) no entanto evitava o problema da participação politica dos cidadãos ao limitar esses direitos apenas aos homens que possuiam propriedades, bens e educação adquirida (um bem caro, logo escasso, de descendência aristocrática, ou seja, a cultura está no sangue)" (2). 

Quando o povo de Dresden se levanta em armas contra a repressão Wagner era um desses aristocratas liberais que nas revoluções europeias de 1848 milita com o anarquista russo Mikhail Bakunin, o lider revolucionário August Róckel, integra o movimento "Jovem Alemanha" onde pontifica o judeu-alemão Heinrich Heine, enfim com o seu grande mentor na filosofia da "vontade de um povo" Arthur Schopenhauer, igualmente amicissimo de uma vida de Friedrich Nietzsche, o filósofo que tinha declarado a morte de Deus (logo do Poder dos tronos terrenos).



Karl Marx não escreveu nada de muito diferente n`"A Questão Judaica": "os Judeus, esses alienigenas do Lucro só poderiam ser redimidos renunciando ao Judaismo (como prática que mistura religião e especulação com dinheiro) e integrando-se nas comunidades para onde, por séculos, tinham escolhido emigrar, ou seja, como judeus de nacionalidade alemã, praticantes religiosos ou não, como quaisquer outros cidadãos livres - assim, "atingida a idade da Razão, tarefa da história, depois do desaparecimento do Além da verdade, a Verdade deste mundo. 

Isto é principalmente a tarefa da filosofia, que está ao serviço da história, uma vez desmascarada a forma sagrada da auto-alienação do homem, para desmascarar a auto alienação nas suas formas não sagradas . A crítica do céu transforma-se, assim, na crítica da terra, a crítica da religião na crítica do direito, a crítica da teologia na crítica da política" (3).



Embora contemporâneos e ambos alemães Marx e Wagner nunca se conheceram. 

Percebe-se porquê. Nesses anos de revolução enquanto Marx (com Engels) publica o "Manifesto do Partido Comunista" (1848) em nome da classe operária, Wagner pertence a outra classe social, a grande paixão da sua vida é Mathilde Wesendonck casada com um negociante rico de Zurique e um segundo casamento é com a Condessa Francesca Gaetana Cosima Listz von Bülow (que desabafa "essa coisa do Socialismo é uma moda passageira" (4) por fim, depois da revolução falhada, delfim do Rei Ludwig II da Baviera que, apaixonado pela sua música, lhe passa a conceder os patrocinios financeiros.



Richard Wagner é um revolucionário, mas da revolução burguesa em ascenção, pensa mudar o mundo com a verdade e as lições da sua grande música, mas na perspectiva da sua classe social. Insurge-se contra os vendedores de música em espectáculos de divertimento como os da Ópera de Paris, então o centro europeu das Artes onde a burguesia se aperaltava de luxo mais para se verem uns aos outros nos seus privilegiados camarotes do que propriamente para adquirir cultura. E quem são os maiores mestres neste tipo de espectáculo de opereta na Europa? - para além dos clássicos italianos, precisamente dois compositores judeus-alemães: Meyerbeer, nascido Jacob Liebmann Beer (adoptando depois o nome italianizado de "Giacomo" Meyerbeer..."



...e Jakob Ludwig Felix Mendelssohn-Bartholdy, filho do Banqueiro Abraham Mendelssohn, e sobrinho de Jakob Ludwig Salomon que tinha adquirido o apelido cristão-luterano "Bartholdy" pelo casamento com a irmã de Abraham, e era diplomata, proprietário de latifúndios e grande patrono das Artes... e ainda, neto do filósofo judeu-alemão Moses Mendelssohn, precisamente quem se tinha encarregado de transcrever e adaptar a filosofia das Luzes da revolução francesa para a lenga-lenga religiosa judaica. Esta foi a crítica contra a perniciosa influência do judaismo na Música (5).

Por isso Wagner associou o teatro comercial aos interesses dos judeus, e nos seus ensaios teóricos em que inclui todas as disciplinas e Artes advoga para si a plena liberdade face aos condicionalismos do lucro, afirmando que o artista deve levar a cabo as suas criações livre do regime de salariato artístico. A Arte só pode ser colectiva, produzida em nome do Povo, aqueles que sofrem as privações em comum, e não na forma de espectáculo de alienação cultural e religiosa.

vamos então aos factos relevantes:

VÍDEO


  


notas:
(1) Óperas que não são simples óperas – são Dramas sobre as mais variadas áreas da vida, Dramas do Amor (Tristão e Isolda), Dramas da Morte (Parsifal), Dramas sobre o Heroismo (Rienzi) Dramas sobre as Origens (o Mito dos Nibelungos) e o Destino dos Homens (Götterdämmerung), os Dramas da Religião, etc.
(2) Eric Hobsbawm, "A Questão do Nacionalismo"
(3) Karl Marx, "Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (1844)
(4) "Autobiografia de Wagner", publicada apenas em 1911. 
(5) Ao contrário do panorama de sucesso dos autores judeus nas "artes" românticas na Europa, a representação do "Tannhauser" de Wagner em Paris foi boicotada, mesmo depois das alterações exigidas pelos empresários do gosto burguês dominante, às quais Wagner respondeu com uma provocação, introduzindo-lhe uma cena de bacanal.

  xatoo.blogspot.pt