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domingo, 6 de novembro de 2016

AS BRUXAS DE ALJEZUR

Em 1929, um ritual de feitiçaria terminava com a morte de uma família de camponeses de Aljezur. O baile do Vidigal durou três dias, acabou em tragédia e nunca foi esquecido no Barlavento Algarvio. Há meses, foram encontrados os relatórios do município e da polícia a explicar os acontecimentos. História de uma manhã danada, que o povo transformou em lenda.

Escondida debaixo da cama, Custódia Tomé viu o pai matar a mãe à machadada numa manhã da primavera de 1929. A criança tinha então 4 anos, e demorou mais de meio século a contar o que tinha acontecido nesse dia no Monte Velho, uma fazenda isolada junto ao lugar do Vidigal, no interior do concelho de Aljezur. «Um dia, antes de morrer, a minha mãe contou‑me tudo», diz agora a filha, Manuela Fragoso, 62 anos. «Eu já tinha ouvido histórias sobre os meus avós, mas nada como o que ela me descreveu. Não posso saber quanto disto é real, mas sei que ela acreditava em tudo o que dizia. A única coisa certa é que começou tudo no baile do Vidigal. E acabou em tragédia.»
O Vidigal era uma comunidade isolada a sete quilómetros da vila algarvia, hoje um ermo desabitado e, segundo os locais, amaldiçoado para sempre. Em 1929, era palco de cerimoniais de bruxaria frequentes, a que o povo chamava bailes. «Quem entrava já não saía», dizem os antigos.
«Eram bailes sem música, mas onde toda a gente dançava nua dia e noite, sob o efeito de uma bebida alucinogénica», conta José António, o Cacetada, 78 anos.
Foi o pai, que na altura tinha 18 anos e trabalhava à jorna no Monte do Vidigal, que lhe contou a história. «Estava lá sempre uma bruxa de Bensafrim [aldeia de Lagos] a comandar as operações e à noite era uma barulheira de gente a gritar completamente histérica. Conta‑se que uma vez entrou dentro da casa uma gata faminta e lhe amputaram as quatro patas convencidos de que era um espírito maligno. Nestes eventos, as pessoas ficavam possuídas pelo demónio.»
No início deste ano, foi encontrado no sótão dos antigos Paços do Concelho um conjunto de papéis que ajudam a esclarecer a lenda. Debaixo de materiais de escritório, jaziam os arquivos da correspondência que a câmara de Aljezur tinha trocado com o Governo Civil de Faro e o Ministério do Interior, muitos deles marcados de confidenciais. Há uns meses, estes documentos serviram de base a uma reportagem publicada também na NOTÍCIAS MAGAZINE, sobre o abate de um avião nazi em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, a vinda de altas figuras do III Reich ao Algarve e a condecoração de quatro portugueses por Adolf Hitler. Mas o acervo escondia também uma série de relatórios oficiais sobre atividades de bruxaria no concelho no final dos anos 1920. Estão na posse da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur – e é a primeira vez que vêem a luz do dia.
A história começa três semanas antes da tragédia. A 22 de abril de 1929, o autarca Basílio Nobre Marreiros enviou uma carta ao governador civil de Faro a pedir reforço policial para combater atos de feitiçaria no município: «Fui informado que em um monte desta freguesia se passaram atos de bruxaria. Dirigi‑me ao local e fui encontrar cinco criaturas, dando sinais de idiotice e mostras de fome, que fiz conduzir para esta vila. No dia seguinte, dirigi‑me a outro monte onde tive de deter mais oito pessoas, entre elas a histérica que sobre todos exercia perniciosa influência. Era uma mulher de virtude [nome dado à época a feiticeiras e curandeiras] de Bensafrim, que de há muito vem exercendo passiva influência sobre os nossos habitantes, através de rituais em que se usa o Livro de São Cipriano, o que cria graves animosidades entre pessoas da mesma família e vizinhos.» O relatório aponta outras cinco bruxas e um feiticeiro de Alte (Loulé) que usavam recorrentemente a obra. «Peço que me seja concedida autorização para apreender todos os livros no concelho, assim como julgo conveniente que se faça o mesmo em toda a república.»
Entre os cinco primeiros detidos estavam Luís Tomé, ou Luís Penico, a sua mulher, Adriana Marreiros, e a sogra, Maria Marreiros. Adriana tinha acabado de engravidar, o ritual serviu muito provavelmente para proteger a criança que carregava no ventre. Foram levados para Aljezur e, após dois dias em isolamento, os três haveriam de ser soltos e regressar ao Monte Velho, onde moravam. Semanas depois, Luís seria convocado para nova cerimónia, onde participaria o seu lado da família. Aconteceu no Monte do Porto da Silva, casa materna, de 15 a 17 de maio. Na manhã de 18, acreditando que Adriana estava possuída pelo diabo, assassinou‑a, grávida de quatro meses, à machadada. Quando a sogra correu em socorro da filha, o genro espancou‑a com um pau, até lhe tirar a vida. O último baile do Vidigal acabou em mortandade.
Deitada debaixo da cama, Custódia – a filha única do casal – assistiu a tudo. Depois o pai pediu‑lhe que saísse do esconderijo, prometendo não lhe tocar.
«O que a minha mãe contava», diz Manuela, «é que o pai encheu um copo com o sangue das duas mulheres e, com um dedo, lhe desenhou as cinco chagas de Cristo no peito, dizendo que agora estava protegida. E a seguir bebeu o cálice inteiro. Depois é que vieram as autoridades detê-lo.»
Desta parte da história não há qualquer relatório, apenas o relato da sobrevivente. Mas há alguns factos provados. O sogro do Penico vira tudo mas conseguira escapar‑se, fugindo para casa de um vizinho e chamando a guarda. Entretanto, o assassino levava a filha a casa dos padrinhos, Rosendo e Catarina Portela. «Pediu‑lhes que tomassem conta da pequena e sentou‑se na eira, à espera da polícia», lê-se num telegrama enviado pelo administrador do concelho ao governador civil.
A notícia espalhou‑se pelo município como a peste. No dia 20 de maio, a pedido do autarca de Aljezur, viajou de Lisboa o agente Miguens, da Polícia de Investigação Criminal, a antecessora da Judiciária. Também por isso, o caso mereceu cobertura da imprensa. Na edição de 28 de maio do semanário A Voz, um artigo chamado «As Bruxas de Aljezur» dava conta do homicídio e clamava pelo castigo dos feiticeiros que operavam no concelho: «É grave, muito grave, o que estas mulheres de virtude fazem no concelho de Aljezur. Para que não tenhamos de assistir amanhã a façanhas ainda mais funestas, as autoridades não deixarão certamente, em nome do decoro público, passar impunes estes crimes sociais. São perpetrados por meia dúzia de gente que diz ter poderes sobrenaturais, para enganar os papalvos.»
Miguens deu ordem de prisão a Penico e transferiu‑o para a cadeia de Lagos, onde, uma semana depois, o assassino confesso da mulher e da sogra se enforcaria com os lençóis. O auto refere ainda que a prática de bruxaria era frequente naquela região e reforçava a ideia de que era necessário apreender todos os Livros de São Cipriano à venda no concelho, o que viria de facto a acontecer. A 22 de junho, o agente da Polícia conseguia identificar a bruxa que tinha presidido ao fatídico baile do Vidigal. «Trata‑se de uma Maria Inácia Costa, residente em Bensafrim, concelho de Lagos, que há anos exerce o mister de “mulher de virtude”. É uma criatura perigosíssima, a quem o Luís Tomé, conhecido como Luís Penico, consultou várias vezes. Foi ela que o aconselhou a reunir toda a família, alegando que a mãe deixara de cumprir uma promessa e agora era necessário desfazer o enguiço.»
Aos poucos, ia‑se fazendo luz sobre o que se passara. Ao Monte do Porto da Silva tinha acorrido toda a família Tomé, mais alguns vizinhos que se juntaram aos rituais daqueles três dias de cerimónia.
«Tinham tomado um líquido qualquer e, após a ingestão, sentiram todos uma violentíssima impressão no cérebro», lê-se no relatório. «Não querem os sobreviventes dos horríveis acontecimentos declarar quem o preparou, com o receio de que a bruxa possa prejudicá‑los com sortilégios. Mas pela confissão de Luís Tomé sabemos ter sido Maria Inácia a preparar a seiva.» Sobre a constituição química, nem uma palavra. «Mas o meu pai sempre disse que tinham usado só limão, veneno para as formigas que atacavam os trigais», diz agora José António, padeiro da vila, o tal que era filho do rapaz que trabalhava no Vidigal. «Era um pó vermelho, comprava‑se na farmácia por 25 tostões e misturava‑se com vinagre.»
A casa onde o ritual aconteceu ainda existe, apesar de há muito ter sido remodelada. Fica na frente sul do vale do Vidigal e mal se dá por ela, escondida no meio do arvoredo. Maria Nunes, a atual proprietária, avança informações sobre o monte antigo, e o lugar preciso onde a bebida teria sido ingerida. «Há esta parte da casa que é de taipa, tinha a cozinha ao fundo e um quarto anexo. O que aconteceu só pode ter acontecido aqui», e aponta para o chão diante dos seus pés, uma assoalhada larga onde caberiam dez pessoas sentadas, senão mais. «O que sempre ouvi dizer foi que espalharam o trigo no chão e andaram três dias aos pulos, sem comer, e que acreditavam que estavam a ascender aos céus.» O habitante de um monte vizinho, Manuel Vicente, juntar‑se‑ia à família Tomé – e acabaria por ficar louco. Segundo vários relatos da população, impossíveis de verificar, houve vários habitantes daqueles montes que perderam a vida em situações bizarras. Sobre o Vidigal, começou a dizer o povo, tinha‑se abatido uma maldição.
O caso não terminou com a morte de Luís Penico, e ainda muita água rolou debaixo da ponte. A 22 de junho de 1929, Basílio Marreiros, o autarca, envia um telegrama ao Manicómio Bombarda, em Lisboa, a pedir o internamento de Manuel, o irmão do homicida, que também tinha estado no baile: «Absolutíssima necessidade internato imediato. Vítima bruxedos. Loucura furiosa. Influência perigosa. Rogo ida urgente referido louco.» O pedido é aceite de imediato e, um ano e meio depois, a 16 de dezembro, «o alienado» é transferido para o Manicómio Conde de Ferreira, no Porto, onde acaba por morrer. Augusta, a irmã mais nova, também é internada no Conde de Ferreira no final desse ano, mas não permanece mais de uns meses. O último relatório sobre o assunto, de 1930, esclarece que a loucura não abrandava e se manifestava «por atos de malvadez, já por mais de uma vez tentou assassinar os filhos, com quem vive». Muita gente lembra ainda hoje a figura da mulher quando saiu do hospital, vagueando pelas ruas, sem dizer coisa com coisa. Ficou louca para sempre.
Muita gente lembra‑se de Maria Inácia do Carmo, a Ti Maria Inácia Espírita, era assim que o povo a conhecia. «Íamos dar uma volta grande só para não vermos a bruxa. Toda a gente tinha um medo dela que se pelava.»
Francisca Norte e o seu irmão Adelino estão a almoçar junto à casa onde cresceram – e recordam a vida na aldeia em 1929. «Não havia estrada, nem água, nem luz. Ler quase ninguém sabia. A bruxa lia, por isso dizia‑se que era uma mulher de virtude.» Viúva, pobre, com três filhos para alimentar, arranjava sustento em mezinhas e crendices. «Aquilo era uma família que estava sempre suja, ela costumava usar saias compridas e avental, os cabelos despenteados.» De vez em quando, deixava a canalha entregue a si e desaparecia de carroça, semanas inteiras. Aljezur ficava a 23 quilómetros mas, para lá chegar pelos caminhos de lama, demorava‑se um dia inteiro. «Deve ter sido numa dessas viagens que aconteceu tudo.»
No início de 1930, uma delegação da freguesia de Bensafrim visitou a Câmara de Aljezur e pediu a Basílio Marreiros clemência em nome da feiticeira. O caso haveria de se resolver com a promessa de fim de conjuros e cerimoniais, mas nenhuma pena de prisão – até porque, como o administrador do concelho refere num ofício, a única voz que tinha acusado Maria Inácia era a de Luís Penico, que agora estava morto.
Custódia, a criança que viu tudo, cresceu aos cuidados dos padrinhos, sem carinhos de maior nem a solidariedade do povo. Aos olhos das gentes do Vidigal, era a última descendente de uma família maldita.
Não aprendeu a ler nem a escrever, os dias a semear feijão e nas mondas do arroz no verão. A sua libertação do passado foi o casamento, que lhe deu três filhos e estabilidade. «Só quando eu era adulta é que conseguiu contar‑me o que tinha sido a sua infância», diz Manuela Fragoso, filha da sobrevivente. «Ela sofreu muito.» Na verdade, a criança ainda tinha uma avó viva, a matriarca dos Tomé, mas laços nenhuns. «O Estado não deixou a minha bisavó ficar com a minha mãe por ter participado também nos bailes do Vidigal. E a verdade é que ela nunca gostou da minha bisavó paterna, tentou esconder‑me sempre da vista dela.» Nos montes do Vidigal também não voltou a pôr o pé. Custódia Tomé morreu há dois anos, acompanhada pelos três filhos e em paz.
Hoje, o Vidigal tem duas casas onde não vive ninguém e as ervas há muito que começaram a invadir as propriedades. No vale está escondido um cemitério do Neolítico, há quem vaticine que resulta daí tanta tragédia. Há 87 anos, numa manhã de maio, as bruxas organizaram o último baile que a povoação viu. Depois disso, a terra foi sendo engolida pelo esquecimento. Se não fosse o acaso de alguém entrar no sótão de uma casa algarvia, descoberto um molho de papéis antigos, a lenda tinha‑se tornado lenda para sempre. «Mas lá que aconteceu, aconteceu», diz José António, o padeiro. «E eu nunca acreditei em bruxas. Só sei que ao Vidigal não vou. Aquilo é uma terra de morte e de loucura. Mais vale não arriscar.»









 http://www.noticiasmagazine.pt/2016/as-bruxas-de-aljezur/#ixzz4PFTKXSSI

EUA: assim funciona o sistema de assassinatos


EUA: assim funciona o sistema de assassinatos
Por Jeremy Scahill | Tradução: Inês Castilho

"As equipes de inteligência dos EUA coletam informações sobre alvos potenciais obtidas a partir de “listas de observação” e do trabalho das agências de inteligência, militares e policiais. Na época do estudo do ISR, quando alguém era colocado na lista de mortes, analistas de inteligência criavam um retrato do suspeito e da ameaça que aquela pessoa significava, juntando-os “num formato condensado conhecido como baseball card [semelhante a uma figurinha de um álbum de jogadores de futebol, numa aproximação cultural como o Brasil (Nota da Tradução)]. As informações eram em seguida articuladas, junto com dados operacionais, numa “ficha informativa sobre o alvo” a ser “enviada para escalões mais altos” para ação. Na média, indica um dos slides, demorava cinquenta e oito dias para o presidente assinalar um alvo. A partir daquele momento, as forças norte-americanas tinham sessenta dias para executar o ataque. Os documentos incluem dois estudos de caso que são parcialmente baseados em informação detalhada nos baseball cards.'

Quase dez mil “inimigos” de Washington já foram mortos por meio de drones. Como são escolhidos os alvos. Qual o papel de Obama. Por que tantos civis são liquidados “por engano”

O texto a seguir é um excerto do novo livro The Assassination Complex, de Jeremy Scahill & equipe do The Intercept (Simon & Schuster, 2016), que será publicado no Brasil pela Autonomia Literária, editora parceira de Outras Palavras.

Desde seus primeiros dias como comandante em chefe, o presidente Barack Obama fez do drone sua arma preferida, usada pelos militares e pela CIA para perseguir e matar as pessoas que seu governo considerou – por meio de processos secretos, sem acusação ou julgamento – merecedores de execução. A opinião pública tem colocado foco na tecnologia do assassinato remoto, mas isso tem servido frequentemente para evitar que se examine em profundidade algo muito mais crucial: o poder do Estado sobre a vida e a morte das pessoas.

Os drones são uma ferramenta, não uma política. A política é de assassínio. Embora todos os presidentes norte-americanos, desde Gerald Ford, mantivessem uma norma executiva que bania assassinatos por funcionários dos EUA, o Congresso evitou legislar sobre esse assunto ou até definir a palavra “assassinato”. Isto permitiu que os proponentes de guerras por meio de drones renomeassem assassinatos [assassinations] com adjetivos mais palatáveis, como o termo da moda, “mortes seletivas” [targeted killings].

mafarricovermelho.blogspot.pt

10 Mistérios de Assassinatos Que Fizeram História


Os assassinatos de presidentes e reis não são os únicos crimes que mudam o nosso mundo. As vítimas destes 10 assassinatos não exerciam o poder nacional e foram mais rapidamente esquecidas. Mesmo assim, os seus assassinatos levaram a mudanças no sistema de justiça, educação, assuntos nacionais, sociedade e cultura. Alguns destes casos foram fáceis para as autoridades resolverem; outros permanecem um enigma. Todos eles fizeram história.

10- O Primeiro em Nova Iorque


Na noite de 22 dezembro de 1799, Gulielma Sands "Elma" deixou a sua casa numa pensão em Manhattan após confidenciar ao seu primo que ia casar-se com o seu colega pensionista, Levi Weeks. Ela não foi visto novamente até 02 de janeiro de 1800, quando o seu corpo foi descoberto.

A morte de Elma produziu uma lista de "primeiros" da história dos EUA. Para começar, foi o primeiro mistério de assassinato escandaloso de Nova Iorque. De acordo com os seus pensionistas companheiros, Levi e Elma eram amantes, o que era muito chocante em 1799. Panfletos e jornais proclamavam que Levi havia prometido casamento a Elma e que depois a assassinara. Fascinados, os nova-iorquinos leram que, na noite do crime, os moradores ouviram Elma e Levi a sair da casa ao mesmo tempo. Apenas meia hora depois, testemunhas ouviram gritos perto do poço. Essa foi também a área onde as pessoas alegaram que tinham visto um trenó puxado por cavalos a carregar dois homens e uma mulher. O cavalo e o trenó assemelhavam-se a uma propriedade do irmão de Levi, Ezra. No momento em que Levi foi a julgamento a 31 de março, as multidões gritavam: "Crucifica-o!"

Felizmente para Levi, o seu irmão tinha algo que ainda aparece de forma proeminente na justiça americana: dinheiro. Ezra contratou três advogados de defesa famosos, incluindo dois fundadores: o ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton e o futuro vice-presidente Aaron Burr. Ele também contratou o futuro Supremo Tribunal de Justiça Harry Livingston. Mais de um século antes do julgamento notório de OJ Simpson fazer o termo famoso, Levi foi defendido pela primeira legal "equipa dos sonhos".

Os advogados experientes de Levi conceberam uma estratégia para a criação de qualquer dúvida razoável, nas mentes dos jurados que ainda está em uso hoje. Eles apresentaram teorias de assassinato alternativas, lançando suspeitas sobre um outro pensionista, Richard Croucher, e até mesmo plausivelmente demonstraram que Elma poderia ter cometido suicídio. Eles atacaram o caráter de Elma, alegando que ela tinha dormido com o senhorio casado e estabeleceram álibis para Levi com as suas próprias testemunhas ao plantar dúvidas sobre testemunhas de acusação.

Em 1800, os ensaios poderiam correr até a madrugada e o sensacional julgamento de Levi terminou às 02h00, depois de dois dias de trabalho. Um juiz possivelmente cansado e irritadiço anunciou que a acusação não tinha provado o seu caso e deixou claro que Levi deveria ser declarado "não culpado." Dentro de 10 minutos, os jurados exaustos tinham a missão cumprida. De alguma forma, o funcionário do tribunal ficou acordado para transcrever tudo, fazendo julgamento registados pela primeira vez na América criminal.

A maioria dos nova-iorquinos continuaram convencidos da culpa de Levi (embora alguns mudassem de ideia meses depois, quando Richard Croucher foi condenado por estupro). Diz a lenda que a morte de Elma afetou a história americana de uma última forma: o primo de Elma supostamente lançou uma maldição sobre Hamilton, que foi morto a tiros num duelo famoso. O atirador foi desonrado, cuja vida e carreira nunca foram os mesmos. 

9- A Dama e o Toxicologista


Marie Cappelle era um membro elegante, realizado da aristocracia francesa. Ela ficou apavorada quando os seus parentes a fizeram casar-se com Charles Lafarge que, descobriu-se, vivia num castelo em ruínas infestado de ratos.

Enquanto Charles viajava a negócios, Marie enviou-lhe uma carta carinhosa e um bolo caseiro. Charles comeu o bolo, ficou gravemente doente e morreu. O arsénico foi encontrado no quarto de Marie, mas ela alegou que só o usava para matar os roedores terríveis.

Em 1840, Marie foi a julgamento por assassinato e argumentou sobre a sua culpa ou inocência, na disseminação pela Europa e América. O processo penal foi instaurado em farmácias locais, que descobriram o arsénico na comida que Marie tinha enviado a Charles, assim como no estômago dele. O advogado de defesa de Marie respondeu com uma carta do mundialmente famoso toxicologista de França, Mathieu Orfila. Um pioneiro no estudo forense de venenos, Orfila reclamou que a acusação tinha usado testes desatualizados. Ele alegou que só o novo teste inventado pelo químico britânico James Marsh poderia detetar com segurança o arsénico.

O tribunal ordenou ao Ministério Público que realizasse o teste de Marsh. Houve um tumulto quando os resultados não demonstraram arsénico no corpo de Charles. Os partidários de Marie pensou que ela iria sair livre mas, em vez disso, o tribunal realizou o teste Marsh novamente, desta vez pelo próprio Orfila. Embora Orfila tivesse estado primeiro envolvido no julgamento do lado da defesa, ele proclamou que, quando fez o teste de Marsh (mais corretamente do que os cientistas da promotoria), os resultados mostraram que o corpo de Charles continha arsénico, na verdade.

Para Marie, o julgamento significava um veredicto de culpada e condenação à prisão perpétua. Para o público, isso significava um novo entendimento que os forenses precisavam que poderia determinar a culpa ou a inocência. O testemunho de cientistas tornaram-se comuns nos tribunais, como o teste Marsh. Ao arsénico tinha sido dado o apelido de "pó de herdeiro", porque era popular entre aqueles que queriam matar um membro da família. Foi fácil chegar ao arsénico como veneno de rato e os seus sintomas mortais assemelhavam-se aos de doenças naturais. Após o julgamento de Lafarge, todos sabiam que mesmo pequenas quantidades de arsénico poderiam ser detetadas e usadas para prova de assassinato. Os assasssinos tiveram de procurar novas maneiras de realizar o crime perfeito.

8- Apanha-me se Puderes


Se gosta de histórias de detetives britânicos, deve muito a um certo par de calças. Em 1842, um par de calças foi roubado de uma casa de penhores, em Londres, por Daniel Good, que logo teve a polícia no seu encalço.

A polícia prendeu Good nos estábulos onde viveu como cocheiro e começou a busca pelas calças roubadas. Em vez delas, no entanto, encontraram um torso humano queimado, sem membros e com a cabeça debaixo de uma pilha de feno. Foi quando Good decolou, travando o policial dentro do estábulo. Até ao momento em que o polícia contatou os seus superiores, Daniel Good tinha ido embora.

O torso pertencia a Jane Jones. Ela estava grávida e era esposa de Good, que a tinha assassinado pois assim ficaria livre para  o seu mais novo amor. O público estava com medo deste assassino brutal e Scotland Yard dedicou nove divisões de rastreamento. Naqueles dias de pré-telefone, os oficiais de diferentes divisões encontraram-se para trocar pistas sobre o paradeiro dele. Infelizmente, esse sistema era ineficiente. A polícia conseguiu localizar o paradeiro dele, mas nunca foram rápidos o suficiente para o apanhar. Os jornais publicaram artigos sobre a incompetência da Scotland Yard. Finalmente, alguém reconheceu Daniel Good em Tonbridge, a cerca de 50 quilómetros (30 milhas) de Londres e informou a polícia de Tonbridge. Good foi preso, mas a Polícia Metropolitana de Londres e Scotland Yard não teve nenhum crédito.

Good foi executado em maio. Em agosto, a Scotland Yard tinha decidido melhorar a eficiência na captura de assassinos como Good através da criação da sua primeira força policial oficial, que se tornou conhecida como o Departamento de Investigação Criminal (CID).

7- Apontar Para o Assassinato


Thomas Farrow era gestor da Oil and Colour, uma oficina de pintura de Chapman, em Londres. Ele e a sua esposa, Ann, viveram acima da loja até março de 1905, quando um rapaz de recados descobriu que Thomas tinha sido espancado até à morte. Ann estava inconsciente e não foi capaz de identificar os seus agressores antes de também acabar por falecer.

Scotland Yard determinou que o assassinato havia ocorrido mais cedo naquela manhã e que o motivo tinha sido roubo. A loja e o apartamento tinham sido roubados e uma caixa de dinheiro vazia estava no chão. O Detetive Inspetor Charles Collins, chefe da divisão de impressão digital, examinou a caixa e encontrou uma impressão digital desconhecida, que não pertencia à polícia na cena do crime ou às vítimas, nem a quaisquer criminosos, cujas gravuras estavam em arquivo.

Dois irmãos, Albert e Alfred Stratton, logo foram dados como suspeitos. Na manhã do crime, um leiteiro viu os dois rapazes a correr para a loja de tintas e uma outra testemunha afirmou que tinha visto Alfred na área, naquele momento. Quando foram recolhidas as impressões digitais dos dois irmãos, a polícia descobriu que uma cópia do polegar de Alfred correspondia à da caixa.

Scotland Yard foi pioneira na recolha de impressões digitais para identificação de criminosos, mas até agora só tinha usado provas de impressão digital para uma prisão: o "assaltante bola de bilhar" que foi condenado por roubo depois de deixar a sua impressão digital numa janela recém pintada. A polícia estava preocupada com a hipótese dos júris não considerarem que meras impressões digitais poderiam ser usadas para considerar um suspeito de assassinato.

No julgamento, o inspetor-chefe Collins deu ao júri uma lição de identificação através das impressões digitais. Usando um quadro-negro e fotografias ampliadas das gravuras, mostrou como a impressão na caixa registadora e a impressão do polegar de Alfred eram idênticas de 11 maneiras cruciais. Ele também explicou como trabalhou com estampas criminais para fins de identificação. A sua apresentação convenceu o júri, que deu um veredicto de culpado. Scotland Yard foi tão influente que o sucesso de Collins abriu a porta para provas de impressão digital nas salas de audiência em todo o mundo.

6- O Clássico Assassinato


"Frankie e Johnny" é uma das baladas mais famosas de homicídio da América. Tem sido entoada por centenas de artistas, incluindo Leadbelly, Louis Armstrong, Mae West, Sam Cooke, Bob Dylan, Johnny Cash e até mesmo Elvis. A canção é baseada no assassinato do compositor africano-americano, Allen Britt, que foi morto pela sua namorada Frankie Baker, em 1899.

Frankie era uma bela prostituta, bem-sucedida, que usava brincos de diamante "tão grande como ovos de galinhas." Britt era o seu amante e cafetão. O casal chateou-se quando Frankie o apanhou com outra mulher. Ela pediu-lhe para voltar para casa com ela, mas ele foi a uma festa com a sua nova mulher. Britt chegou em casa muito tarde na noite, quando Frankie estava na cama. De acordo com Frankie, eles discutiram e, quando o seu amante veio para cima dela com uma faca para "cortá-la", ela agarrou na sua pistola que estava debaixo do travesseiro e atirou nele.

No seu julgamento, o júri concordou com a necessidade de Frankie de se defender. O juiz ainda lhe devolveu a arma dela. Mas muitos no seu bairro sentiam que havia outras respostas para o mistério do que aconteceu naquela noite no seu apartamento.

Poucos dias após o julgamento, uma canção chamada "Frankie matou Albert" foi composta por Bill Dooley. A canção, que evoluiu para a balada popular "Frankie e Johnny", foi apreciada por quase todos, exceto Frankie. Ela odiava a forma como as pessoas cantavam quando ela passava. Odiava as letras que proclamavam que ela matara Allen porque ele a traiu e não porque ela tinha que se defender. Há quem diga que a canção a perseguia, até fora de St. Louis. Finalmente, acabou no Oregon, executando um salão de engraxate.

Mesmo assim, a popularidade da história de Frankie assombrava. Foi a base para o filme de 1933, Loira, que começou a carreira de Mae West e Cary Grant. Frankie, com raiva, processou a Paramount Studios, mas perdeu. Ela processou Hollywood novamente pelo filme de 1936, Frankie & Johnny, mas perdeu novamente. Frankie morreu em 1952, antes que pudesse processar também o filme de Elvis Presley, Frankie e Johnny, em 1966.

5- O Secreto Massacre de Stanford


"Esta é uma forma horrível de morrer." Estas foram as últimas palavras de Jane Stanford, que foi envenenada em 1905. Foi um final inesperado para a co-fundadora amada da Universidade de Stanford. Em 1891, Jane e o seu marido Leland Stanford, um barão ferrovio e senador, criou a Universidade de Stanford como um memorial para o seu único filho. Dois anos mais tarde, o senador morreu e Jane assumiu-a.

Durante anos, Jane Stanford supervisionou quase todos os aspetos da sua gestão. Em 1904, estava prestes a ir contra o presidente Stanford David Starr Jordan, que não estava a criar a escola que Jane pensava que o seu marido tinha a intenção que fosse. Mas por essa altura, a garrafa de água diária de água mineral de Jane, ficou com um gosto amargo. Ela cuspiu a água e submeteu a garrafa de água a testes. Os resultados mostraram que a bebida havia sido atacada com estricnina. Assustada e doente, Jane fugiu para o ensolarado Havaí com a sua secretária de confiança, Bertha Berner. Ela parecia estar segura, mas, a 28 de fevereiro de 1905, bebeu mais um copo contaminado e, apesar dos melhores esforços dos médicos do Havaí, morreu de envenenamento por estricnina.

Se nunca soube que a mãe da fundação de Stanford foi assassinada, foi porque o presidente de Stanford queria que as coisas fossem dessa forma. Quando Jordan chegou ao Havaí para retornar o corpo de Jane para a Califórnia, anunciou que os médicos especialistas havaianos foram todos incompetentes e Jane tinha realmente morrido de causas naturais. Ele até pagou a um médico inexperiente, que nunca tinha examinado a Sra. Stanford enquanto viva, para escrever um relatório que dissesse que ela morreu de insuficiência cardíaca. Esta explicação prevaleceu até 2003, quando o professor de medicina de Stanford, Dr. Robert Cutler, publicou o seu livro investigativo A misteriosa morte de Jane Stanford, que usou provas médicas para mostrar que Jane tinha sido envenenada.

A secretária de Jane estava presente em ambas as intoxicações, mas foi dito que não tinha um motivo, uma vez que ela levava uma vida mais confortável com a sua entidade patronal do que sem ela. A pessoa que tinha um motivo era o presidente Jordan (embora seja difícil ver como ele poderia colocar o veneno na água mineral da Sra. Stanford). A visão de Jordan para Stanford tinha sido muitas vezes bloqueada por "uma velha inculta", como um membro da faculdade, chamada Jane. Em vez de ser demitido, Jordan ficou como presidente e a sua visão para a faculdade prevaleceu, com uma forte ênfase em ciências.

Nós nunca saberemos o que a Universidade de Stanford, a universidade mais intimamente ligada à tecnologia inventiva do Vale do Silício, teria sido se Jane tivesse permanecido no controle, assim como provavelmente nunca saberemos quem a matou.

4- A Peça de Teatro


A mais longa peça de teatro do mundo é um mistério de assassinato, por Agatha Christie. O Mouse Trap tem funcionado por mais de 60 anos e a sua trama é vagamente baseada num assassinato que chocou a Grã-Bretanha no tempo de guerra. Em 1945, um médico foi chamado a uma fazenda remota em Shropshire, Inglaterra, para examinar uma criança doente. O médico declarou que o menino havia sido morto há horas e uma investigação de assassinato começou.

Reginald e Esther Gough eram os pais adotivos de Dennis O'Neill, de 13 anos de idade, e de Terence, de 11 anos de idade. Os irmãos sofriam de desnutrição que beirava a fome e ambos tinham feridas ulceradas e cicatrizes que provavelmente proviam de golpes constantes. Quando o legista determinou que Dennis tinha morrido após lhe baterem muito, os Goughs foram presos.

No início, a história deles era que as lesões eram devidas ao fato dos rapazes lutarem entre si e que as suas feridas ulceradas eram tratadas. Mas, no julgamento, Esther Gough admitiu que Dennis estava morto quando ela chamou o médico e que ela tinha negligenciado os meninos por ordens do seu marido. Ele controlava a casa, batia na sua esposa e cruelmente batia nos meninos O'Neill quase todas as noites e deixava-os passar fome.

O júri só foi capaz de dar a Esther seis meses, por negligência, porque havia menos provas contra ela. Quando Reginald foi condenado por homicídio culposo, o público levantou um clamor e um tribunal de apelação mudou o veredicto do homicídio. A falta de proteção a Dennis e Terence tornou a chave para o mistério na famosa peça de Agatha Christie. Mais importante, resultou na Lei da Criança de 1948, que estabeleceu oficiais treinados em toda a Grã-Bretanha para garantir o desenvolvimento saudável das crianças adotivas e protegê-los de maus-tratos.

3- A Lei dos Três Strikes


Polly Klaas, de 12 anos de idade, vivia com a mãe em Petaluma, uma tranquila cidade no norte da Califórnia, que tem sido o local para filmes nostálgicos como American Graffiti e Peggy Sue Got Married. A 1 de outubro de 1993, Polly e dois amigos estavam numa festa de pijama quando um homem corpulento, com uma faca, entrou no quarto de Polly e disse às meninas que as mataria se elas gritassem. Ele amarrou todas as meninas e saiu com Polly.

Após o rapto, os voluntários procuraram na área de Petaluma, na esperança de encontrar Polly viva. Mais de dois mil milhões de imagens foram distribuídas em todo o mundo e o rapto foi destaque no programa de TV da América Most Wanted. A mídia chamava a Polly "A Criança dos Estados Unidos."

A 29 de novembro, a polícia prendeu Richard Allen Davis, que acabou por confessar e revelar detalhes que levaram à descoberta do corpo da menina numa encosta. Davis tinha estado na prisão durante quase 20 anos por raptar e violar mulheres. A revista People classificou o caso como "uma onda de crimes de um homem só".

A publicidade sobre Davis coincidiu com uma petição liderada por Mike Reynolds. A filha de Reynolds também tinha sido assassinada por um criminoso condenado e ele precisava de milhares de assinaturas para colocar uma iniciativa na cédula de votação de uma nova lei. Apelidada de "três strikes", esta lei obriga que qualquer um condenado por três crimes sirva automaticamente de 25 anos à prisão perpétua.

Reynolds não estava nem perto do total de assinaturas que precisava para obter o direito nas urnas, até à prisão de Davis. Depois disso, uma estação de rádio de San Francisco lançou uma petição de assinaturas e as pessoas faziam fila para participar. O assassinato de Polly também inspirou a Legislação Estadual da Califórnia para passar uma lei dos três strikes ela própria, que entrou em vigor em 1994. Em 1999, 24 estados, bem como o governo federal, tinham alguma forma da lei dos três strikes nos seus livros.

2- Um Assassinato Independente


Em 1996, a repórter Veronica "Ronnie" Guerin estava sentada no seu carro num engarrafamento em Dublin quando dois homens numa motocicleta pararam ao lado dela, a mataram e sairam em disparada. Este estilo de gangues chocou a Irlanda, mas ninguém ficou surpreso que Guerin tivesse sido alvejada.

Guerin era uma repórter de crime para a Sunday Independent, da Irlanda. A sua coluna expunha os crimes dos reis gangster de Dublin e os barões da droga que tinham atacado antes. Tiros foram disparados na sua casa e um estranho uma vez apontou-lhe uma arma à cabeça antes de disparar na perna. O lord das drogas John Gilligan deu-lhe um soco no rosto e ameaçou o seu filho de seis anos de idade. Mas as tentativas de intimidação apenas irritaram Guerin, que continuou a expor as histórias que os gangsters queriam escondidas.

O inquérito sobre o assassinato de Ronnie Guerin foi o maior da história da Irlanda. A suspeita caiu sobre John Gilligan porque ela tinha pressionado acusações de agressão contra ele e ele tinha dito a amigos que não ia deixá-la colocá-lo na cadeia. Os resultados da investigação foram longe de perfeitos mas, eventualmente, Gilligan, juntamente com a maioria dos homens que tinham conspirado para matar Ronnie, estavam na prisão ou por homicídio ou por tráfico de drogas.

Essa não foi a única mudança que o seu assassinato provocou. Por causa de Guerin, o Parlamento criou o Criminal Assets Bureau (CAB) para confiscar quaisquer bens que fossem adquiridos através de atividades criminosas. Eles também instituiram um programa de proteção à testemunha, de modo que aqueles que queriam testemunhar contra chefes da máfia não teriam mais nada a temer pelas suas vidas. Muitos criminosos fugiram da carreira na Irlanda. Em 2013, o Sunday Independent escreveu que CAB teve custos de bandidos irlandeses de 250.000.000 €. Outros países europeus adotaram a sua própria forma de CAB, permitindo que ainda mais criminosos pagassem o preço pelo assassinato de Guerin.

1- A Tomada Abaixo do Chefe


Neil Heywood era um expatriado britânico fino em Beijing, China, que dirigia uma empresa de consultoria que ajudou empresas britânicas a expandirem-se para a China. Em novembro de 2011, Heywood foi encontrado morto no Chongqing Sorte Holiday Hotel.

O chefe da polícia altamente respeitado de Chongqing, Wang Lijun, investigou a morte de Heywood. Wang não encontrou nenhuma evidência de homicídio e o veredicto da polícia era que Heywood morrera de envenenamento por álcool.

Em 2012, Wang apareceu num consulado americano na China, em busca de asilo. Ele admitiu que a esposa do seu chefe, Gu Kailai, tinha assassinado Neil Heywood. Quando contou a Bo Xilai sobre o assassinato, Bo queria o crime encoberto. O relacionamento deles havia deteriorado ao ponto em que Wang estava com medo do seu poderoso chefe. O programa anti-crime de Bo Xilai, a sua atenção para as necessidades dos pobres e os seus discursos comunistas fizeram dele um político muito popular no caminho certo para se tornar um dos governantes mais poderosos do país.

Wang nunca recebeu asilo, mas depois das suas acusações de assassinato, Bo foi retirado do poder e Gu foi a julgamento. Ela confessou que a sua amizade com Heywood (alguns disseram que eram amantes) começou na década de 1990, quando ele tinha ajudado o seu filho entrar em Harrow, uma escola aristocrática britânica. Heywood também fez negócios com Gu e Bo, que lhe deviam dinheiro. No seu julgamento, Gu afirmou que Heywood havia ameaçado prejudicar p seu filho a menos que lhe pagassem e que foi por isso que o envenenou.

Gu foi condenado pelo assassinato de Heywood e Wang e Bo foram condenados por terem encoberto o crime. Todos estão na prisão. Mas as perguntas permanecem sobre se o mistério do assassinato de Heywood realmente foi resolvido ou se os inimigos políticos de Bo a usaram para líder popular da ferrovia. Enquanto isso, o assassinato destacou a corrupção dos governantes da China, juntamente com os seus estilos de vida não exatamente comunistas da riqueza, influência de negócios e escolas de inglês extravagantes para os seus filhos. O escândalo agitou a ira do público e da agitação terminou a ascensão de Bo Xilai, o liberal mais poderoso e carismático da China, mantendo o poder em mãos mais conservadoras.

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HISTÓRIA - MULHERES COMUNISTAS - Teresa Flores


Entre tantas comunistas bravas e aguerridas que nos inspiram em nossa batalha diária revolucionária, anti-imperialista e feminista classista, vale a pena espichar os olhos à Latinoamérica e mais do que observar com atenção, reivindicar a história de luta de Teresa Flores.
tereza flores
Teresa Flores nasceu em 1891, num contexto social onde as mulheres sequer podiam ler e escrever. Primeira mulher dirigente sindical no Chile, passou a se interessar pelo debate de emancipação das mulheres trabalhadoras e impulsionou uma importante mobilização feminina no país, a Greve das Cozinhas (Huelga de las cocinas apagadas), liderada por inúmeras donas de casa que se negavam a cumprir o dever de cozinhar que recaía sobre suas costas, obrigando assim seus maridos a participarem das paralisações e de comparecer aos sindicatos para escutar o que as mulheres tinham a dizer. Essas manifestações culminaram em uma unidade entre as mulheres que lutavam pelos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, que fundam a Federação Obreira Feminina, cuja dirigente eleita foi Teresa Flores.
Em janeiro de 1912, Teresa é a única mulher a participar da fundação do Partido Obrero Socialista, que mais tarde veio a ser o Partido Comunista do Chile – de Pablo Neruda e Ramona Parra – o PCCh.
Desde as vitórias no Leste Europeu, passando pela história de luta da América Latina, nós mulheres comunistas temos muito o que dizer, muito a contar sobre nossas lutas. A nosotras, un feliz día.
“amiga nuestra, corazón valiente,
niña ejemplar, guerrillera dorada:
juramos en tu nombre continuar esta lucha
para que así florezca tu sangre derramada.”
(Neruda)
Por Mariana Pahim Hyppolito

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06 de Novembro de 1893: Morre, em São Petersburgo, o compositor russo Petr Ilitch Tchaikovski


Compositor russo, nasceu em 1840, em Votkinsk, na Rússia, e morreu em 1893, em São Petersburgo. Ficoucélebre pela inspiração melódica dos seus trabalhos e pela sua orquestração. É considerado o "pai" do balletclássico, como o demonstrou com o Lago dos Cisnes, com o Quebra-Nozes e com a Bela Adormecida.

Só com vinte e um anos é que despertou para a arte dos sons, depois de terminar o curso de Direito e de já seencontrar a trabalhar no Ministério da Justiça russo. A partir daí, resolveu dedicar-se inteiramente à música. Em1862, ingressou no Conservatório de Música de São Petersburgo e, dois anos depois, compôs uma aberturabaseada na peça de Aleksandr Ostrovsky, The Storm, que revelou o seu estilo musical. Em 1865, o irmão deRubinstein ofereceu-lhe o cargo de professor de harmonia no Conservatório de Moscovo. Depois desse momento,começou a dedicar-se à composição. Após um breve contacto com Mili Balakirev e com o "Grupo dos Cinco",viveu um período de intensa criatividade, em que compôs uma boa parte das suas obras mais importantes. Masesse esforço tão intenso acabou por originar uma grave doença nervosa.

Entre as várias obras que compôs destacam-se Symphony N.º 1 in G Minor (Winter Dreams), Opus 13 (1866); afantasia Romeo and Juliet (1869); a ópera cómica Vakula the Smith (1874); Symphony N.º 4 in F Minor, Opus 36(1877); a ópera Eugene Onegin (1877-78), baseada no poema de Aleksandr Pushkin; Piano Sonata in G Major,Opus 37 (1878); o trabalho para orquestra Suite N.º 1 in D Minor, Opus 43 (1878-79); The Maid of Orleans (1878-79); Violin Concerto in D Major, Opus 35 (1878); Serenade For Strings in C Major, Opus 48 (1880); CapriccioItalien, Opus 45 (1880); 1812 Overture, Opus 49 (1880); Manfred Symphony, Opus 58 (1885); a ópera A Rainha deEspadas (1888); o bailado A Bela Adormecida (1890) e Symphony N.º 5 in E Minor, Opus 64 (1888).

Tchaikovski morreu depois de a apresentação da Symphony N.º 6 in B Minor, Opus 74 (1893), que considerou asua obra-prima, ser um verdadeiro fracasso. Na altura, pensou-se que a sua morte teria sido causada pela cólera,mas, na segunda metade do século XX, segundo várias investigações, concluiu-se que ele se teria suicidado,devido ao fracasso da sua última obra.

Petr Ilitch Tchaikovski. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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Petr Ilitch Tchaikovski em 1863
File:Tchaikovsky 1906 Evans.PNG

Petr Ilitch Tchaikovski
File:Sleeping beauty cast.jpg

O elenco original de "A Bela Adormecida"1890


VÍDEO

06 de Novembro de 1929: Morre o pintor Columbano Bordalo Pinheiro


Pintor português, nascido a 21 de novembro de 1857, em Almada, Columbano Bordalo Pinheiro pertencia a uma família ligada às artes e era irmão de Rafael Bordalo Pinheiro. É considerado o pintor mais significativo dos finais do século XIX. Foi aluno de seu pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, de Miguel Ângelo Lupi e de Simões de Almeida. Parte para França em 1881, descobrindo a obra de Degas e Maneie, mas também a de Courbet e Deschamps. Foi professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa e diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, vindo a falecer a 6 de novembro de 1929. Embora frequentando os naturalistas, os temas do amor pela Natureza não o atraiam, conservando-se essencialmente como um retratista, influenciado pela escola flamenga e pela vertente sombria dos mestres espanhóis. Em Concerto de Amadores (1882), uma obra da juventude, apresenta já as linhas de força que virão a ocupar o sentido plástico do seu espaço pictural. Os castanhos e os negros imperam, o tratamento do claro-escuro acentua a encenação dramática. O retrato de D. José Pessanha (1885) constitui uma variação de ocres e cinzentos e toda a composição assume uma postura sabiamente informal. Columbano foi uma testemunha angustiada do quadro político-social dos finais do século. O Retrato de Antero de Quental (1889) parece profetizar o fim próximo do poeta-filósofo, ao mesmo tempo que simboliza toda a geração dos "Vencidos da Vida".

Columbano Bordalo Pinheiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Auto retrato - Columbano Bordalo Pinheiro
Ficheiro:Columbano Bordalo Pinheiro 003.jpg
Um Concerto de Amadores - Columbano Bordalo Pinheiro
Grupo do Leão - Columbano Bordalo Pinheiro
Ficheiro:Grupo do Leão by Columbano Bordalo Pinheiro.jpg

DESABAFO


A inveja e a mesquinhez está no ADN de muitos portugueses.
O sucesso de um português que singra na vida com transparência e dignidade incomoda muitos outros. Os que querem enriquecer rápido e não têm escrúpulos alguns.
Frustação?
Insucesso?
Desemprego?
Nada justifica tamanha inveja.
Critiquem, não votem na direita e nos governos do chamado arco da governação neo liberal que não criaram os postos de trabalho que deveriam ter criado, fecharam fábricas, empresas, venderam sectores fundamentais da nossa economia ao desbarato e aos estrangeiros.
Gente mesquinha e invejosa auto destrói-se e destrói os outros. Trabalhem, lutem, e mostrem a vossa obra. Não sejam chulos sempre à espera de enganar explorar o próximo mesmo aquele que se mata a trabalhar no duro para levar para casa meia dúzia de tostões.
Sejam honestos, unam-se com gente honesta e terão resultados. Deixem de lamber o cu a quem vos ignora e maltrata, a quem só se lembra de vocês em actos eleitorais precisamente para manter o ciclo de domínio onde a escravidão e a falta de respeito pelos que são íntegros é uma constante.
António Garrochinho

06 de Novembro de 1919: Nasce a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen


Poetisa e ficcionista, nascida em 1919, natural do Porto, frequentou o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. O seu nome encontra-se ligado ao projeto Cadernos de Poesia, tendo colaborado ainda, ao lado de nomes como o de Jorge de Sena, David Mourão-Ferreira, Ruy Cinatti, António Ramos Rosa, entre outros, entre adécada de 40 e 50, em várias publicações, como Távola Redonda e Árvore, que marcaram, na história da literatura contemporânea, a busca de uma terceira via, a do objeto literário em si enquanto projeto intrinsecamente humanista, num panorama literário dividido, até meados do século, entre o princípio social e o princípio estético do objeto artístico. Autora também de traduções, a sua obra recebeu os mais reconhecidos prémios literários, dos quais se destacam, por exemplo, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, em 1994, o Prémio Camões e o Prémio Pessoa, ambos em 1999, e o Prémio Rainha Sofia da Poesia Ibero-Americana, em junho de 2003. Desde a publicação de Poesia, em 1944, Sophia afirma-se no panorama da literatura nacional com uma conceção de poesia que, sem deixar de dar continuidade a uma tradição lírica que passa por autores comoCamões ou Teixeira de Pascoaes, recupera valores da cultura clássica, funde-os com um humanismo cristão,para contrapor um tempo absoluto a um "tempo dividido", numa aspiração à comunhão do homem com uma natureza de efeito lustral, produzindo uma impressão global de a temporalidade e de inexauribilidade da escrita. O privilégio da essencialidade, da unidade, implica ainda a consciência de que a literatura só cumpre a sua função social e de desalienação do homem quando repudia uma cultura de separação e persegue a "inteireza", "o verdadeiro estar do homem na terra", quando "estabelece a relação inteira do homem consigo próprio, com os outros, e com a vida, com o mundo e com as coisas" (cf. comunicação lida no 1.º Congresso de Escritores Portugueses, in O Nome das Coisas, 1977, p. 76). Deste modo, a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen não deixa de relevar de um sentido ético, radicado num sentido cristão da existência, que impõe à escrita o assumir de uma função social, na denúncia da injustiça, da desigualdade, de qualquer tipo de alienação ou atropelo à dignidade humana, quer em volumes poéticos de maior empenhamento como Livro Sexto, quer em algumas das belíssimas narrativas de Contos Exemplares, como o conto "O Jantar do Bispo" ou "O Homem". Por outro lado, a poesia de Sophia vem resolver o impasse que as cisões do modernismo tinham imposto à palavra poética e apresentar-se como a evolução possível para a escrita poética pós-Pessoa, na medida em que"Enquanto em Pessoa a aspiração à unidade como totalização subjetiva coincide com um movimento de multiplicação e divisão [...], em Sophia a dispersão corresponde a um movimento, não subjetivo, que encontra plenitude em cada coisa, pois a plenitude está na relação e não na totalização por uma subjetividade". (LOPES, Silvina Rodrigues - Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, Lisboa, ed. Comunicação, 1989, p. 22). Política,católica, helénica, a poesia de Sophia remete o homem para um espaço utópico que, comparável ao lugarbuscado pelo casal que protagoniza o conto alegórico 'A Viagem' (in Contos Exemplares), não deixa de corresponder à imagem mais perfeita de uma felicidade humana terrena e possível desde que o homem contemporâneo readmita a sua fidelidade ao tempo, às palavras, à natureza, às coisas: "Ali parariam. Ali haveria tempo para poisar os olhos nas coisas. Ali poderiam respirar devagar o perfume das roseiras. Ali tudo seria demora e presença. Ali haveria silêncio para escutar o murmúrio claro do rio. Silêncio para dizer as graves e puras palavras pesadas de paz e de alegria. Ali nada faltaria: o desejo seria estar ali." Aprendizagem da simplicidade, a arte poética perfilhada por Sophia "É uma poética da experiência, da necessidade de mergulhar de olhos abertos e retirar da diversidade, profusão, estranheza, a forma simples e perfeita que é o poema. Sem que simplicidade e perfeição anulem em absoluto o caos, matriz de todas as formas" (LOPES, Silvina Rodrigues, op. cit., p. 44) ou,segundo as suas próprias palavras, numa das várias "artes poéticas" que formulou: "A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é a arte de ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência, nem uma estética, nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser,uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta,corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre,que nunca durma, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta. // pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes, as imagens." ("Arte Poética II" in Antologia, Lisboa, 1968, p. 231.).

Foi casada com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, de quem teve cinco filhos. Esteve desde cedo ligada a movimentos de luta anti-fascista, tendo sido uma notória ativista contra o regime salazarista: apoiou, como marido, a candidatura do General Humberto Delgado; subscreveu o "Manifesto dos 101", um documento da autoria de um grupo de ativistas católicos contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política do Governo de Salazar; fundou e integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos; e, depois do 25 de abril, foi Deputada à Assembleia Constituinte. Desde sempre, foi público o seu apoio à causa timorense.

Na sua obra, que inclui, para além da poesia, a literatura infantil - sobretudo contos - e o ensaio, coexistem referências marcantes e recorrentes como o mar e a praia, a infância e a família, e ainda a civilização grega,reflexo da sua cultura clássica e da sua paixão por aquele país. 

Sophia de Mello Breyner Andresen faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa.

Sophia de Mello Breyner Andresen. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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 Ficheiro:Sophia Mello Breyner Andersen.png

Retrato de uma princesa desconhecida

      Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
      Para que a sua espinha fosse tão direita
         E ela usasse a cabeça tão erguida
    Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
     De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
     Servindo sucessivas gerações de príncipes
         Ainda um pouco toscos e grosseiros
            Ávidos cruéis e fraudulentos

         Foi um imenso desperdiçar de gente
        Para que ela fosse aquela perfeição
           Solitária exilada sem destino

          Sophia de Mello Breyner Andresen