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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Marx: "A Burguesia e a Contrarevolução"



















Artigo de Karl Marx, publicado na Neue Rheinische Zeitung de 15 de Dezembro de 1848



"As revoluções de 1648 e de 1789 de modo algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade europeia. Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade] sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome de família, da indústria sobre a preguiça heroica, do direito burguês sobre os privilégios medievais. A revolução de 1648 foi a vitória do século XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França."


Quando o dilúvio de Março — um dilúvio em miniatura — passou, não deixou à superfície da terra berlinense quaisquer prodígios, quaisquer colossos revolucionários, mas criaturas do estilo antigo, figuras burguesmente atarracadas — os liberais da Dieta unida, os representantes da burguesia prussiana consciente. As províncias que possuíam a burguesia mais desenvolvida, a Província Renana e a Silésia, forneciam o contingente principal para os novos ministérios. Atrás deles, todo um séquito de juristas renanos. À medida que a burguesia era empurrada para um plano secundário pelos feudais, nos ministérios, a Província Renana e a Silésia cediam lugar às primitivas províncias prussianas. O ministério Brandenburg só ainda tem ligação com a Província Renana através de um tory de Elberfeld. Hansemann e von der Heydt! Nestes dois nomes reside, para a burguesia prussiana, toda a diferença entre Março e Dezembro de 1848!

A burguesia prussiana foi atirada para os píncaros do Estado, porém, não, como tinha desejado, por meio de uma transição pacífica com a Coroa, mas por meio de uma revolução. Não eram os seus próprios interesses, mas os interesses do povo, que devia representar contra a Coroa, isto é, contra si própria, uma vez que um movimento popular lhe tinha preparado o caminho. Aos seus olhos, a Coroa era, porém, precisamente apenas o escudo pela graça de Deus por detrás do qual se deviam ocultar os seus interesses próprios profanos. A inviolabilidade dos seus interesses próprios e das formas políticas correspondentes ao seu interesse, traduzida na linguagem constitucional, devia soar [assim]: inviolabilidade da Coroa, Daí o entusiasmo da burguesia alemã e, especialmente, da prussiana pela monarquia constitucional. Daí que, se a revolução de Fevereiro com todas as suas sequelas alemãs, foi bem recebida pela burguesia prussiana, porque por ela o leme do Estado lhe foi posto nas mãos, ela igualmente foi um golpe nos seus cálculos, porque, deste modo, a sua dominação ficava ligada a condições que ela não queria cumprir nem podia cumprir.

A burguesia não tinha mexido um dedo. Tinha permitido que o povo se batesse por ela. A dominação para ela transferida não era, portanto, a dominação do general que vence o seu adversário, mas a dominação de um comité de segurança a quem o povo vitorioso confia a defesa dos seus interesses próprios.

Camphausen sentia ainda inteiramente o incómodo desta posição e toda a fraqueza do seu ministério deriva deste sentimento e das circunstâncias que o condicionaram. Uma espécie de rubor envergonhado ilumina, portanto, os atos mais desavergonhados do seu governo. A desvergonha e a impudência descaradas eram o privilégio de Hansemann. A teinte vermelha constitui a única diferença entre estes dois pintores.

Não se pode confundir a revolução prussiana de Março, nem com a revolução inglesa de 1648, nem com a francesa de 1789.

Em 1648, a burguesia estava ligada à nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja dominante.

Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo contra realeza, nobreza e Igreja dominante.

A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo menos, na Europa) apenas a revolução de 1648, a revolução de 1648 apenas a insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo, relativamente aos seus modelos.

Em ambas as revoluções, a burguesia era a classe que realmente se encontrava à cabeça do movimento. O proletariado e as fracções da população urbana não pertencentes à burguesia não tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam ainda quaisquer classes, ou sectores de classes, autonomamente desenvolvidas. Portanto, ali onde se opuseram à burguesia, como, por exemplo, de 1793 até 1794, em França, apenas lutaram pela prossecução dos interesses da burguesia, ainda que não à maneira da burguesia. Todo o terrorismo francês não foi mais do que uma maneira plebeia de se desfazer dos inimigos da burguesia, do absolutismo, do feudalismo e da tacanhez pequeno-burguesa.

As revoluções de 1648 e de 1789 de modo algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade europeia. Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade] sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome de família, da indústria sobre a preguiça heroica, do direito burguês sobre os privilégios medievais. A revolução de 1648 foi a vitória do século XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França.

Na revolução prussiana de Março nada disto [se dá].

A revolução de Fevereiro tinha abolido a monarquia constitucional, na realidade, e a dominação burguesa, na ideia. A revolução prussiana de Março devia instituir a monarquia constitucional, na ideia, e a dominação burguesa, na realidade. Muito longe de ser uma revolução europeia, foi apenas a repercussão atrofiada de uma revolução europeia num país atrasado. Em vez de estar avançada em relação ao seu século, estava mais de meio século atrasada em relação ao seu século. Era desde o princípio secundária, mas é sabido que as doenças secundárias são mais difíceis de curar e simultaneamente desgastam mais o corpo do que as primitivas. Não se tratava do estabelecimento de uma nova sociedade, mas da ressurreição berlinense da sociedade falecida em Paris. A revolução prussiana de Março nem sequer era nacional, alemã; desde o princípio, era provincial-prussiana. As insurreições de Viena, de Kassel, de München, toda a espécie de insurreições provinciais, se deram nas proximidades dela e disputaram-lhe o primado.

Enquanto 1648 e 1789 tinham o infinito orgulho de estarem no cume da criação, a ambição de 1848 berlinense era constituir um anacronismo. O seu brilho assemelhava-se ao brilho das estrelas que só chega até nós, habitantes da Terra, 100.000 anos depois de os corpos que o irradiavam estarem extintos. A revolução prussiana de Março era, em ponto pequeno — aliás, era tudo em ponto pequeno —, uma dessas estrelas para a Europa. O seu brilho era o brilho de um cadáver de sociedade, há muito apodrecido.

A burguesia alemã tinha-se desenvolvido tão indolente, cobarde e lentamente que, no momento em que se contrapôs ameaçadoramente ao feudalismo e ao absolutismo, avistou frente a si própria, ameaçadores, o proletariado e todas as fracções da população urbana cujos interesses e ideias se aparentam com o proletariado. E viu como inimiga não apenas uma classe atrás de si, mas toda a Europa diante de si. A burguesia prussiana não era, como a francesa de 1789, a classe que defendia toda a sociedade moderna face aos representantes da velha sociedade, a realeza e a nobreza. Tinha descido a uma espécie de estado [ou ordem social — Stand], tão marcadamente contra a Coroa como contra o povo, desejosa de opor-se a ambos, indecisa face a cada um dos seus adversários tomado isoladamente, uma vez que os via sempre atrás ou diante de si; inclinada desde o princípio para a traição contra o povo e para o compromisso com o representante coroado da velha sociedade, uma vez que já ela própria pertencia à velha sociedade; representando não os interesses de uma nova sociedade contra uma velha, mas interesses renovados dentro de uma sociedade envelhecida; ao leme da revolução não porque o povo estivesse atrás de si, mas porque o povo a empurrava para diante de si; à cabeça não porque representasse a iniciativa de uma nova época da sociedade, mas o rancor de uma velha; um estrato do velho Estado, que não conseguiu vir ao de cima, atirado por um tremor de terra para a superfície do novo Estado; sem fé em si própria, sem fé no povo, resmungando contra os de cima, tremendo perante os de baixo, egoísta para com os dois lados e consciente do seu egoísmo, revolucionária contra os conservadores, conservadora contra os revolucionários, desconfiando das suas próprias palavras de ordem, com frases em vez de ideias, intimidada pela tempestade mundial, explorando a tempestade mundial — energia em nenhuma direção, plágio em todas as direções, vulgar, porque não era original, original na vulgaridade — traficando com os seus próprios desejos, sem iniciativa, sem fé em si própria, sem fé no povo, sem vocação histórica universal — um velho amaldiçoado que se viu condenado a dirigir e a desviar no seu próprio interesse senil os primeiros arroubos juvenis de um povo robusto — sem olhos, sem ouvidos, sem dentes, sem nada — assim se encontrava a burguesia prussiana depois da revolução de Março ao leme do Estado prussiano.


Karl Marx


TIRA E PÕE - Bloco tira tapete ao Governo nos ordenados da CGD




Com António Costa sentado na bancada governamental, Catarina Martins garantiu. "Este não é um assunto encerrado"

A líder e deputada do BE afirmou no Parlamento, num debate com o primeiro-ministro sobre o próximo Conselho Europeu, que o Governo tem a "integral oposição" do seu partido "aos salários da administração da Caixa Geral de Depósitos."

A questão daqueles salários "milionários" "é "pura e simplesmente inaceitável" para o Bloco, reforçou a líder bloquista. Ou seja, "este não é um assunto encerrado", pelo que o partido tomará proximamente uma iniciativa (não disse qual). Costa teve oportunidade de responder mas escolheu não o fazer, passando ao lado do assunto.

A tomada de posição do BE surge um dia depois de se saber que o novo presidente do conselho de administração do banco público, António Domingues, vai ganhar 423 mil euros/ano - valor que, segundo o Executivo, é a mediana dos que se praticam no setor, ao nível dos administradores de topo.

Este vencimento foi possível depois de o Governo ter aprovado um decreto-lei, já promulgado pelo Presidente da República, acabando com os limites salariais nos vencimentos dos gestores da CGD. Decorrem na AR tentativas de o alterar - até agora falhadas.

www.dn.pt

Os EUA admitem que Israel caminha para um regime permanente de apartheid


Com o apoio sistemático dos EUA, o sionismo prossegue a sua acção de ocupação territorial e de discriminação e negação de qualquer espécie de direitos ao povo palestino. Constrói um regime idêntico ao da África do Sul do apartheid. Mas deve acrescentar-se que a política de Israel não é só de discriminação, é também de genocídio. Os seus antecedentes históricos não estão só na África do Sul.



Em 2010 Ehud Barak, então ministro da Defesa israelita, advertiu explicitamente que Israel se tornaria um regime de “apartheid” se não chegasse a um acordo de paz com os palestinos em que estes tivessem a sua própria nação soberana e plenos direitos políticos. “Enquanto neste território a oeste do rio Jordão existir apenas uma entidade política chamada Israel esta ou será não-judia ou não-democrática”. Disse Barak: “Se este bloco de milhões de palestinos não puder votar, isso será um regime de apartheid”.

Observadores honestos situados em ambos os lados do conflito há muito reconheceram que a perspectiva de uma solução de dois Estados é virtualmente inexistente: uma outra maneira de dizer que o status de Israel como regime de apartheid permanente é inevitável. Com efeito, as agências de Inteligência dos EUA já há 45 anos advertiam explicitamente que a ocupação israelita seria permanente se não terminasse de imediato.

Todos os acontecimentos relevantes confirmam que foi justamente isso que sucedeu. Durante muitos anos não houve qualquer progresso no sentido da solução de dois Estados. A composição da população judia de Israel – que se tornou de longe mais beligerante e de direita que as gerações anteriores - afastou cada vez mais o país desse objectivo. Há ministros-chave no governo de Israel, incluindo o genuinamente extremista ministro da Justiça, que são aberta e explicitamente opostos à solução dos dois Estados. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou claro, tanto em palavras como em actos, que se opõe a um tal acordo. Em suma, o objectivo de Israel é continuar governando uma Palestina ocupada, negando indefinidamente aos palestinos o direito à autonomia, às liberdades políticas e o direito de voto.

Apesar desta agressão e opressão, ou talvez por causa delas, a administração Obama tem protegido continuamente Israel com uma lealdade inquebrantável e tem-lhe oferecido generosamente armas e dinheiro. Este prémio à conduta israelita teve o seu ponto mais alto com o anúncio, há três semanas [13 de Setembro de 2016], da assinatura de um “memorando de entendimento”, no sentido de incrementar significativamente o quantitativo de dinheiro que os EUA dão a Israel cada ano, apesar de Israel ser já, de longe, o país que mais dinheiro recebe dos EUA. Segundo este acordo os EUA darão a Israel 38.000 milhões de dólares ao longo de 10 anos, um novo record na ajuda internacional dos EUA, embora os cidadãos israelitas gozem de todo o tipo de beneficios estatais que os estado-unidenses (cujo dinheiro é entregue a Israel) não têm - porque lhes é dito que são demasiado onerosos - incluindo o acesso universal aos cuidados de saúde que melhoraria a esperança de vida e diminuiria a mortalidade infantil.

Com o acordo que lhe dará 38.000 milhões de dólares no bolso o governo de Israel anunciou a aprovação um novo colonato na Cisjordânia, em marcada oposição às posições formais dos EUA, ao consenso internacional e a qualquer perspectiva de fim da ocupação. Segundo The New York Times: “o novo colonato foi desenhado como uma cadeia de complexos habitacionais que ameaçam dividir a meio a Cisjordânia. O objectivo é alojar colonos de um colonato ilegal próximo, Amona, cuja demolição foi ordenada por um tribunal israelita”. Este novo colonato estende-se em profundidade na faixa oeste: fica efectivamente mais próximo da Jordânia do que de Israel.

Em resposta a este anúncio, o Departamento de Estado dos EUA publicou um comunicado em que denuncia as acções de Israel em termos invulgarmente duros: “Condenamos energicamente a recente decisão do governo de Israel de avançar com um plano que iria criar um importante novo colonato profundamente avançado na Faixa Ocidental”, começava. Sugeriu que Netanyahu tem vindo a mentir publicamente, fazendo notar que “a aprovação contradiz anteriores declarações públicas prévios do governo israelita de que não tinha a intenção de criar novos colonatos”. O Departamento de Estado invocou o pacote de ajuda que os EUA acabavam de conceder, descrevendo como “profundamente preocupante, no momento em que Israel e os EUA concluem um acordo de assistência militar sem precedentes, delineado para fortalecer a segurança israelita, que Israel tomasse uma decisão tão contrária aos interesses da sua segurança a longo prazo nos termos de uma resolução pacífica do seu conflito com os palestinos”.
Boa parte disto, ainda que algo mais claro retoricamente do que é costume, é para a galeria: os EUA - segundo a modalidade Obama – divulgam belos comunicados, agradáveis declarações proclamando estar incomodados com os colonatos israelitas, enquanto prosseguem incessantemente acções que protegem e viabilizam as mesmas políticas a que Obama finge opor-se. Mas esta denúncia do Departamento de Estado foi efectivamente notável pelo seu reconhecimento explícito e severo – e há muito devido - de que Israel está clara e irreversivelmente empenhado em dominar perpetuamente os palestinos, tornando-se o exacto regime de apartheid acerca do qual Ehud Barak advertira.

“Os israelitas devem em última análise decidir entre expandir os colonatos ou preservar a possibilidade de uma solução pacífica de dois Estados. Desde o último relatório trimestral da Comissão Quadripartida, em que foi feito um apelo a ambas as partes a que invertessem o rumo em curso e avançassem no sentido da solução de dois estados, o que se verificou, infelizmente, foi o contrário. Avançar com este novo colonato é mais um passo no sentido da consolidação de uma realidade de um só Estado de ocupação perpétua, que é fundamentalmente incoerente com o futuro de Israel como um Estado judeu e democrático. Iniciativas destas apenas gerarão condenação por parte da comunidade internacional, o afastamento de Israel de muitos dos seus parceiros, e porão ainda mais em causa o empenho de Israel em alcançar acordo de paz negociado.”

Portanto Israel - segundo as palavras do seu mais leal benfeitor - está a mover-se inexoravelmente no sentido “da consolidação de uma realidade de um só Estado de ocupação perpétua ” que é antidemocrático: ou seja, que é o equivalente do apartheid. E o principal protector e promotor deste regime de apartheid são os EUA – tal como fizeram com o regime de apartheid na Africa do Sul nos anos oitenta.
Pior ainda, Hillary Clinton, que com alta probabilidade será a próxima presidente dos EUA, prometeu não só continuar tudo isto como aumentar tanto a ajuda a Israel em geral e a Netanyahu em particular. Com efeito, a sua única crítica à política dos EUA foi de que estes não têm sido suficientemente leais a Israel. O seu opositor, Donald Trump, exprimiu de início algumas discordâncias acerca da política relativa a Israel, mas desde então entrou na linha. A absoluta ausência de discordância política sobre este tema no círculo político dos EUA está reflectida no facto de que a única oposição ao pacote de 38.000 milhões de dólares veio de um grupo de senadores que - fazendo eco de Netanyahu – manifestaram irritação por não ter havido ainda maior generosidade para com Israel, à custa dos cidadãos estado-unidenses. Em resumo, o apoio incondicional a apartheid de Israel é virtualmente consenso inquebrantável entre as elites políticas dos EUA.

O pior de tudo é que a ortodoxia política dos EUA não só tem financiado, alimentado e protegido este Estado de apartheid como tenta ilegitimar todas as forma de resistência a este. Tal como fez antes com o Congresso Nacional Africano e Nelson Mandela, os EUA denunciam hoje como “terroristas” todos os grupos e indivíduos que usam a força contra o exército de ocupação israelita. Tem denegrido os programas não-violentos contra a ocupação - como el movimento pelo boicote, as sanções e a retirada de investimentos - catalogando-os como intolerantes e anti-semitas (uma postura que Clinton tem defendido com especial veemência). E o movimento pelo boicote tem sido alvo de ataque crescente em todo o Ocidente, onde é censurado e até criminalizado. Segundo a ortodoxia política dos EUA a única via de acção aceitável para os palestinos e os que apoiam o seu direito a libertarem-se da ocupação é a submissão total.

Apesar de consenso ocidental continuar a venerar os mais incondicionais apoiantes do regime sul-africano do apartheid - Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Shimon Peres - ao menos agora considera o apartheid naquele país como uma desgraça histórica. A história deveria considerar exactamente do mesmo modo os que promovem a marcha de Israel no sentido de um apartheid permanente. Os mais agressivos e constantes promotores deste apartheid encontram-se no estrato mais alto da classe política dos EUA.


www.theintercept.com.
Texto completo en: http://www.lahaine.org/eeuu-admite-que-israel-marcha
www.odiario.info

De “lobos” a «cordeirinhos»


Uma maneira de
ver nada inocente
Apesar das permanentes (embora em grau variável) demarcações do PCP e do BE dos chamados «compromissos europeus», Manuel Carvalho, em artigo hoje no Público, considera que «António Costa amarrou, finalmente, o PCP e o Bloco ao compromisso europeu».
 
Além de não se perceber aquele «finalmente», o que se pode dizer é que naturalmente não deu a Manuel Carvalho para escrever algo mais rigoroso que seria por exemplo «PCP e Bloco amarraram o PS outra vez, embora de forma insuficiente, a medidas e orientações que ele nunca tomaria caso tivesse tido a maioria absoluta ou se tivesse coligado com o PSD».
 
E estamos assim: entre a gritaria delirante sobre a «sovietização» do país e estes espasmos sobre um PCP e um BE tornados sacristãos junto ao altar do «compromisso europeu», o que fica de fora é sempre a complexa mas cristalina verdade das coisas.
 
Não digo outra vez que «vou-me embora para Pasárgada» porque é de lá que escrevo.

Via: o tempo das cerejas 2 http://bit.ly/2e1q8rC

19OUTUBR2016 - FOTOS COM HISTÓRIA











































19OUTUBR2016 - O MUNDO MARAVILHOSO DOS GRAFFTIS