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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

GUERRA COLONIAL - NOVAS PUBLICAÇÕES


O desenvolturasedesacatos está a preparar uma nova série de publicações que abordam o tema da Guerra Colonial.
Espero que os amigo(a)s e camaradas lhe dêem o mesmo tipo de atenção e compreensão quando da primeira abordagem a esta matéria que ainda tem muito para mostrar.
No que novamente vai ser publicado serão abordados os assuntos mais importantes respeitando várias opiniões e exposições da parte de quem como eu prestou serviço nas antigas colónias.
Desta vez e para poder fazer uma abordagem mais sucinta e mais esclarecedora o desenvolturasedesacatos fará uma publicação por semana ao sábado.
Dentro de dias sairá a primeira publicação.
Obrigado

em rota de despedida


ALGARVE - Fogo junto de casas assustou em Almancil mas acabou extinto com rapidez

Um incêndio que deflagrou num sobreiral rodeado por muitas casas, nas Escanxinas, Almancil, alarmou os habitantes da zona, mas acabou rapidamente extinto pelos Bombeiros.

O fogo deflagrou perto das 12h30, mas já estava dominado menos de duas horas depois, para alívio dos moradores da zona, muitos dos quais ajudaram nas ações de rescaldo.

O Sul Informação esteve no local, onde muitos moradores garantiam não ter ganho para o susto. «Tenho ali as minhas filhas em casa,  claro que fiquei preocupado», ilustrou um dos habitantes que viu a chamas a lavrar a pouco mais de 200 metros da sua casa.

No final, ficou o alívio pela rápida extinção do incêndio, sem danos de maior a registar, e o caraterístico cheiro a madeira queimada. Também no ar, ficou a suspeita de que teria havido mão criminosa, já que, segundo diversas pessoas, foi visto a sair do local um carro com desconhecidos no momento em que o fogo deflagrou.

  















www.sulinformacao.pt

Gioconda


SEM PAPAS NA LÍNGUA


O FACEBOOK PROIBIU A MAIS EMBLEMÁTICA FOTO DA GUERRA DO VIETNAME, CONFUNDIU-A COM PORNOGRAFIA INFANTIL.

SIM! É VERDADE SENHOR DONO DO FACEBOOK ! 
REALMENTE É DAS PIORES PORNOGRAFIAS DA HUMANIDADE, A GUERRA ! A MATANÇA DE INOCENTES, DE CRIANÇAS !

PORNOGRAFIA AMERICANA ! A PORNOGRAFIA DA QUÍMICA, DA NAPALM A ESFACELAR, A QUEIMAR, A CARNE DE GENTE DE OUTROS POVOS.

VIETNAME, HIROSHIMA, NAGASAKI ETC.

ATREVO-ME A DIZER QUE PARA LÁ DA CENSURA ESSA SIM PORNOGRÁFICA QUE O FACEBOOK FAZ A PUBLICAÇÕES QUE EM NADA CONSPURCAM QUEM AS VÊ, CHEIRA-ME QUE SE A FOTO FOSSE ORIGINÁRIA DE OUTROS PAÍSES "INIMIGOS" O FACEBOOK FECHARIA OS OLHOS COMO FAZ ÀS PAGINAS NAZIS E FASCISTAS E DE SEXO EXPLÍCITO QUE ENXAMEIAM A REDE SOCIAL.

António Garrochinho

QUINA

«Quina, a carteirista mais antiga do país, lamenta não ter tido oportunidades para estudar mais e hoje ser banqueira»

No dia de greve houve falhas na segurança do Aeroporto de Lisboa



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O Sitava denuncia à Autoridade Nacional da Aviação Civil várias falhas de segurança que ocorreram no dia de greve dos trabalhadores da Prosegur e Securitas, considerando que deviam ter sido tomadas medidas.
http://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/prosegur.jpg?itok=Qvekmad9

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) denunciou ao supervisor do sector da aviação – Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) – as falhas de segurança no Aeroporto de Lisboa que ocorreram a 27 de Agosto, dia de greve dos trabalhadores das empresas de segurança Prosegur e Securitas.
No ofício enviado à ANAC, o Sitava refere-se a «inúmeras irregularidades» que, em alguns casos, puseram em causa a segurança da aviação civil, das pessoas e dos bens. A ANA – Aeroportos de Portugal havia garantido que as medidas tomadas para responder à greve dos trabalhadores do raio-x do aeroporto de Lisboa não punham em causa o controlo de segurança. No entanto, parece que não foram tomadas as devidas medidas.
Segundo o Sitava, as normas de controlo de acessos do aeroporto Humberto Delgado foram violadas, uma vez que «qualquer posição de rastreio e controlo é da responsabilidade dos APA [Assistentes de Portos e Aeroportos]», isto é, os trabalhadores da Prosegur e da Securitas. E, segundo o sindicato, o controlo foi feito por funcionários de informação do aeroporto e por trabalhadores da Vinci.
No rastreio do staff (trabalhadores do aeroporto e das companhias que têm que passar pelo controlo) e das viaturas, o sindicato aponta várias ocorrências «alarmantes e graves», que resultam de relatos dos trabalhadores do aeroporto que acedem diariamente às áreas restritas. «Desde os próprios motoristas terem que avisar para que as viaturas fossem rastreadas, passando por relatos de pórticos desligados; os artigos proibidos que não foram retirados ou imagens duvidosas que não eram esclarecidas devido à pressa que havia em despachar de qualquer forma», lê-se no ofício enviado à ANAC.
O Sitava denuncia ainda o desrespeito pelos tempos de descanso obrigatórios para os trabalhadores que fizeram o controlo de segurança e pelo número de trabalhadores por posto ou por máquina de raio-x.

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50 anos do Dia Internacional da Alfabetização - América Latina na vanguarda da luta contra o analfabetismo




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O relatório da Unesco de 2015 refere que 98% da população jovem latino-americana estuda e possui níveis básicos de educação e alfabetização. Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua são países livres de analfabetismo.
http://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/cuba-yo-si-puedo.jpg?itok=t_vB4Fl0


Há 50 anos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) declarou 8 de Setembro como Dia Internacional da Alfabetização, tendo como propósito mobilizar a comunidade internacional para a questão, e fomentando a alfabetização como instrumento de poder para as pessoas, as comunidades e as sociedades.
O 50.º aniversário da declaração do Dia Internacional da Alfabetização é comemorado pela Unesco sob o lema «Ler o passado, escrever o futuro» e visa assinalar cinco décadas de esforços e progressos, realizados à escala nacional e internacional, para aumentar as taxas de alfabetização no mundo, informa a TeleSur.
América Latina na vanguarda
O último relatório da Unesco, relativo a 2015, aponta os grandes avanços registados na América Latina e nas Caraíbas, sendo que 98% da sua população jovem estuda e possui níveis básicos de educação e alfabetização – o que a situa muito à frente de outras regiões do mundo.
Ainda assim e de acordo com os dados a Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (Cepal), 9% da população latino-americana encontra-se em situação de analfabetismo absoluto.
No ano 2000, a Unesco estabeleceu um conjunto de objectivos a alcançar no âmbito do programa Educação para Todos (EPT). No relatório de monitoramento publicado o ano passado, intitulado «Educação para Todos 2000-2015: progressos e desafios», refere-se que apenas um em cada três países alcançaram essas metas – e Cuba foi o único no contexto da América Latina e das Caraíbas.
Com o programa de alfabetização «Yo, sí puedo» [Sim, eu posso], criado em Março de 2001, estima-se que a ilha caribenha tenha ajudado a alfabetizar oito milhões de pessoas em 30 países, incluindo a Venezuela e a Bolívia, que foram declarados livres de analfabetismo em 2005 e 2008, respectivamente.
Em 2009, também o Equador e a Nicarágua passaram a ser reconhecidos como países de onde o analfabetismo foi erradicado. Em Setembro de 2014, o Equador recebeu, da Unesco, o prémio de alfabetização «Rei Sejong», para destacar a excelência e a inovação nesta área.
Infografia da TeleSur
Redução drástica do analfabetismo
Baseando-se em dados de diversas entidades, como a Unesco e a Cepal, a TeleSur sublinha que, nos últimos cinco anos, a taxa de analfabetismo na América Latina e nas Caraíbas sofreu uma redução de 38%, persistindo, no entanto, indicadores preocupantes em diversos países.
Os países com o menor índice de analfabetismo são, de acordo com os dados referidos, o Uruguai (1,7%), a Argentina (1,9%), o Chile (4,2%) e o Paraguai (5,4%).
Países como o Peru (6,3%), o México (7,2%), a República Dominicana (9,7%), El Salvador (11,8%), o Brasil (14%) e a Guatemala (23,2%) são apontados como estando «no caminho para erradicar o analfabetismo». No caso da Guatemala e das Honduras, refere-se ainda que entre 10% e 14% dos jovens não sabem ler nem escrever.
Programas na Argentina e no Brasil com futuro?
O Programa Brasil Alfabetizado (PBA) foi criado em 2003 pelo Ministério da Educação brasileiro, com o intuito de combater o analfabetismo entre os jovens com mais de 15 anos, os adultos e os idosos. O programa, que envolve um grande número de entidades, formadores e alunos, desenvolve-se em todo o território brasileiro, com especial incidência nos municípios onde as taxas de analfabetismo são mais elevadas.
No entanto, o programa pode estar em risco, na sequência do golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e com os pacotes de medidas neoliberais anunciados e já implementados pelo presidente em exercício, Michel Temer.
Também na Argentina a questão do risco se coloca, uma vez que o actual presidente, Mauricio Macri, não tem sido parco na aplicação de medidas contra as camadas populacionais mais desfavorecidas. O Programa Nacional de Educação Básica para Jovens e Adultos, lançado em 2004 e fomentado pelos governos kirchneristas através do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia, visa alcançar 100 mil analfabetos, reduzindo de forma drástica o número de pessoas que não sabem ler e escrever.

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A vigência da crítica leninista acerca da “via parlamentar” ao socialismo




A vigência da crítica leninista acerca da “via parlamentar” ao socialismo
Posições do KKE na 10ª Conferência Anual “V.I.Lenin e o mundo contemporâneo”


"O debate indicado acima é a reflexão da contraposição acerca do estado burguês e a democracia burguesa. Os oportunistas entendem o estado burguês – particularmente na forma da democracia burguesa parlamentar – como um estado que condensa a correlação entre as várias classes sociais, essencialmente como um estado “que supera as classes”, um estado que expressa a vontade dos membros da sociedade burguesa, de maneira democrática, independentemente das classes sociais a que pertencem. Partindo desta concepção, os oportunistas se aproximam da democracia burguesa – a forma democrática do estado burguês – como se fosse algo positivo que se poderia usar a favor do socialismo. Ao contrário, os marxistas se inteiram do caráter de classe do estado burguês independentemente da imensa variedade que possa ter em suas formas de aparência no transcurso do tempo histórico. Entendem a democracia burguesa como uma das várias formas da ditadura do capital e, para ser mais preciso, como a forma “mais segura” da defesa da “onipotência da riqueza”, como escrevia Lenin em Estado e Revolução."

1 - A história inteira do movimento político operário, desde o século XIX até a nossa era, possui como campo fundamental de contradição a maneira segundo a qual se pode construir a sociedade sem classes.

2 - Nesta trajetória, apareceram duas opiniões básicas: a opinião oportunista da possibilidade da reforma do estado, da “tomada” do estado burguês e de seu uso a favor do socialismo e a opinião revolucionária, que fala sobre a necessidade do “esmagamento” do estado burguês. Lenin, em sua época, colocou a linha de divisão entre as duas opiniões assim: “Marxista se chama aquele que estende o reconhecimento da luta de classes até o reconhecimento da ditadura do proletariado” [1].

3 - O debate indicado acima é a reflexão da contraposição acerca do estado burguês e a democracia burguesa. Os oportunistas entendem o estado burguês – particularmente na forma da democracia burguesa parlamentar – como um estado que condensa a correlação entre as várias classes sociais, essencialmente como um estado “que supera as classes”, um estado que expressa a vontade dos membros da sociedade burguesa, de maneira democrática, independentemente das classes sociais a que pertencem. Partindo desta concepção, os oportunistas se aproximam da democracia burguesa – a forma democrática do estado burguês – como se fosse algo positivo que se poderia usar a favor do socialismo. Ao contrário, os marxistas se inteiram do caráter de classe do estado burguês independentemente da imensa variedade que possa ter em suas formas de aparência no transcurso do tempo histórico. Entendem a democracia burguesa como uma das várias formas da ditadura do capital e, para ser mais preciso, como a forma “mais segura” da defesa da “onipotência da riqueza”, como escrevia Lenin em Estado e Revolução.

4 - A oposição para o denominador comum entre a democracia burguesa e o fascismo foi historicamente ratificada por meio da troca entre administrações fascistas e parlamentares a favor da estabilização do poder burguês sob as condições turbulentas nos campos econômicos e políticos da sociedade. Os exemplos mais típicos são o estado alemão durante o período entre as duas guerras mundiais e, em nosso próprio país, o caminho da democracia burguesa à ditadura de Metaxas, em 1936, implantada com o apoio quase unânime do parlamento burguês.

5 - A experiência histórica demonstrou – sem lugar para dúvidas – que a entrega dos ministérios do estado burguês às mãos dos comunistas não ajuda para que sejam usados a favor do socialismo. Pelo contrário, funciona como um elemento de aceleração da assimilação dos Partidos Comunistas no sistema burguês. Exemplos históricos disso podem ser observados na participação ou na sustentação de PCs em governos burgueses na Espanha, França, Itália, Chile e também em nossos tempos em países da América Latina, no Chipre, em Portugal, etc.. Outro exemplo importante é a participação do KKE no governo de “unidade nacional”, em 1944, e o acordo dos ministros comunistas – ante o perigo da dissolução deste governo – com os cortes salariais e demissões. Em todos estes exemplos históricos, a participação dos comunistas ou seu apoio a governos burgueses nunca funcionou a favor do socialismo.

6 - A defesa da “via parlamentar” pelo socialismo não se apresenta sempre de maneira explícita. Muitas vezes se esconde por trás da elaboração de vários Programas de Transição, os quais aceitam a possibilidade de participação em um governo no terreno da propriedade capitalista e do estado capitalista a favor de melhorias para a vida dos trabalhadores e do aprofundamento da vontade revolucionária das massas populares. Esta análise nega essencialmente as leis econômicas do capitalismo (opinando que o PC poderia administrar estas mesmas leis a favor do povo) e também o caráter de classe do estado burguês (porque apresenta a “tomada” do estado como meio para sua derrubada).

7 - As opiniões que indicamos acima estão em plena contradição com a análise teórica de Marx, Engels, Lenin acerca do estado. A maneira segundo a qual Lenin explica a necessidade do “esmagamento” do estado burguês em Estado e Revolução se remete a um exemplo clássico. Esta análise de Lenin é resultado proveniente da aprovação da estratégia da revolução socialista pelo Partido dos Bolcheviques com a ratificação das Teses de abril. Lenin aplicou as conclusões desta obra não só nas palavras, mas na prática, repudiando com tenacidade os chamados fortes – alguns de dentro do Partido dos Bolcheviques – acerca da participação no Governo Provisório (que naquela época foi considerado como o governo mais democrático de toda Europa) e fazendo uma preparação de todo o partido, orientando para a derrubada do próprio governo.

8 - Com o transcurso dos anos, esta mesma análise estratégica – ratificada pela vitoriosa Revolução de Outubro – não se manteve ao passo do tempo. O Movimento Comunista Internacional (MCI) foi dominado por concepções estratégicas anteriores que portaram de maneira mecânica (em condições totalmente diferentes) a elaboração estratégica antiga da “ditadura democrática do proletariado e do campesinato”. As opiniões acerca da possibilidade de uma transição parlamentar ao socialismo se consolidaram com o passar do tempo em uma corrente distinta nas fileiras do MCI, a corrente do Eurocomunismo, dominando os partidos de estados capitalistas grandes (França, Itália, Espanha) com consequências graves para o movimento operário. Posições essenciais da corrente do Eurocomunismo se manifestaram na análise do MCI inteiro. Hoje em dia se acumulou experiência histórica importante das tentativas de utilizar a participação em uma gestão no terreno da propriedade capitalista a favor do socialismo.

9 - O ano de 2017 marca os 100 anos da escrita da obra Estado e Revolução de Lenin. Este aniversário deve ser utilizado para recordar – como disse ele em sua obra – as “palavras esquecidas do marxismo” (e do leninismo, complementamos nós) acerca do assunto do Estado. Os PCs devem lutar pelo agrupamento de forças para a destruição do estado burguês e pela construção da economia socialista-comunista e das instituições estatais correspondentes, têm que repudiar a gestão da economia capitalista e do estado burguês. Dito em outras palavras, devemos transformar as conclusões do Estado e Revolução em uma guia para nossa atividade de dia a dia.


Posições do KKE na 10ª Conferência Anual “V.I.Lenin e o mundo contemporâneo”, que ocorreu em 22 de abril de 2016, em Leningrado


[1] V. I. Lenin, Estado y Revolución, ed. Sinchroni Epochi, pp.43



Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)


Fonte: KKE



Mafarrico Vermelho

Em visita às populações afectadas pelos incêndios no Funchal PCP: aumento de impostos para os grandes grupos económicos e financeiros


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 Jerónimo de Sousa defendeu um aumento de impostos daqueles «que mais têm e mais podem», como os grandes grupos económicos e financeiros, em benifício dos que menos têm.

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Jerónimo de Sousa no Funchal, em contacto com as populações afectadas pelos incêndios de Agosto
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje à Lusa que medidas de aumento de impostos devem incidir sobre «quem mais pode».«A nossa proposta, por exemplo, é de que cerca de 1% daqueles que mais têm e mais podem, em benefício de 99%, pagassem mais impostos», afirmou Jerónimo de Sousa face à eventual alteração dos escalões do IRS no Orçamento do Estado para 2017.
O dirigente comunista, que falava aos jornalistas à margem de uma visita às zonas do Funchal afectadas pelos incêndios de Agosto, sublinhou que «não viria mal ao mundo» se os impostos aumentassem para os grandes grupos económicos e financeiros.
«Nós pensamos que [o Orçamento do Estado para 2017] é o momento para conseguir alguma justiça fiscal, aliviando rendimentos dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, da maioria dos portugueses», vincou.
Sobre o Funchal, onde ardeu 22% da área do município, o secretário-geral do PCP, que contactou directamente com as populações afectadas, afirmou que são necessárias «medidas excepcionais» para reconstruir as áreas afectadas pelos incêndios e defendeu que o processo deve envolver o Governo da República.
«O orçamento regional tem, naturalmente, de dar resposta, mas temos a consciência que não pode dar a resposta toda», afirmou, realçando que o Governo da República deve assumir o «princípio da coesão, da unidade nacional e da solidariedade», de modo a contemplar verbas para a reconstrução no Orçamento do Estado para 2017.
«Sabemos que algo está a ser feito, mas aquilo que vimos demonstra o muito que há para fazer, particularmente no plano das medidas mais emergentes», advertiu, lembrando a importância de evitar que medidas provisórias se transformem em definitivas.
Jerónimo de Sousa manifestou-se, por outro lado, preocupado com o facto de não ter sido ainda desbloqueada qualquer ajuda por parte da União Europeia. «Da parte do PCP, na Assembleia da República, na Assembleia Regional, no Parlamento Europeu, poderemos dar o contributo máximo que esteja dentro das nossas possibilidades para impedir que a catástrofe se repita e se agrave», sublinhou.

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Bocage e os médicos


Há 250 anos, no dia 15 de setembro de 1765, nascia em Setúbal, Portugal o poeta Manoel Maria Barbosa du Bocage, considerado um dos grandes poetas portugueses. Teve uma vida atribulada, numa Europa atribulada, no meio da Revolução Francesa, num Portugal complicado. Sua produção poética é extensa, que não cabe aqui analisar, por me faltar conhecimento e capacidade para isso. Na sua poesia, entretanto, uma coisa parece certa: decididamente Bocage não gostava de médicos.

Quiron* foi médico insigne,
Segundo nos livros acho;
Porém cavalo o descrevem
Da cintura para baixo

Doutor, em nada o semelhas;
Ele foi besta nos pés
Nas ancas, mãos, e costado
Tu, só na cabeça o és.


*(Quíron na mitologia grega é um centauro (cabeça e tronco de homem, corpo de cavalo) que detinha os segredos da cura. Foi ele quem ensinou Asclépio, o deus da medicina)


Na obra do poeta, são várias as referências satíricas e sarcásticas, principalmente na forma de epigramas, aos doutores de seu tempo. Vejam alguns deles:

Doutor, até do hospital
Te sacode enfermo brando
Qual será disto a causal?
É porque, em tu receitando,
Qualquer doença é mortal.


"Ante mim não vales nada
(Disse a morte à medicina)
Eu de tudo quanto existe
Sou a fatal assassina."
"Ui (a mãe dos aforismos
Responde à parca amarela)
Olha a tola! Eu sou o mesmo, 
Mas com mais método que ela"


Grátis pespega o verdugo
No pescoço, ou laço ou corte
O espadachim mata grátis
O médico vende a morte

A ligação da medicina com a morte é constante nas suas rimas:

Trouxe-se  à pobre doente
Um récipe singular
Morreu do récipe*? Não:
Só da tenção de o tomar.

(*Récipe= receita médica)

Lê-se numa sepultura
De antiguidade afonsina
“Aqui jaz quem não jazera
Se jazesse a medicina”

Aqui jaz um homem rico
Nesta rica sepultura
Escapava da moléstia,
Se não morresse da cura.


No século XVIII, os médicos se valiam de tratamentos agressivos, baseados em sangrias, purgativos, eméticos, sudoríficos, para “equilibrar os humores”, provocando muitas vezes a piora dos infelizes pacientes.  Vista com os olhos de hoje, a medicina era cruel. Bocage tinha essa percepção. E não perdoava:


Um homem rico, outro pobre
Grave moléstia prostrou
Qual deles morreu? O rico,
Que mais remédios tomou.

Consta que um médico fora
Inventor da guilhotina
Deu bem rapidez à morte!
Mostrou saber medicina.


Lavrou chibante receita
Um doutor com todo o esmero:
Era para certa moça,
Que ficou sã como um pero
“Tão cedo! É milagre!”(assenta
A mãe, que de gosto chora)
“Minha mãe, não é milagre:
Deitei o remédio fora”





Em 1805, o poeta foi acometido por grave e incurável doença e tinha plena consciência dessa gravidade. Seus últimos meses foram de intensa produção poética.

Nestoreos dias, que sonhava Elmano, 
Brilhantes de almos gostos, de áurea sorte
Pomposa fantasia, audaz transporte,
As asas cerceai do orgulho insano

Plano dum Numen contradiz meu plano,
E quer que se esvaeça. E quer que aborte
Eis, eis palpita, precursor da morte,
No túmido aneurisma, o desengano. 


Num soneto famoso, a reflexão ante a enfermidade que se prenunciava fatal:
Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana. 

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.


Manoel Maria Barbosa du Bocage morreu em 21 de dezembro de 1805, com 40 anos de idade, vítima de umaneurisma da artéria cervical interior do lado esquerdo.

Pelo menos foi isso o que os médicos disseram.