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domingo, 31 de julho de 2016

Loulé: Segunda fase da venda de bilhetes para o concerto de Mariza começou hoje



A segunda fase da venda de bilhetes para o concerto da fadista Mariza, em Loulé, arrancou hoje. Os bilhetes estão disponíveis no Cineteatro Louletano desde as 14h00. O concerto está agendado para dia 15 de Agosto, às 21h30, no Largo do Monumento Engenheiro Duarte Pacheco.

Na primeira fase de venda de bilhetes era possível adquiri-los nas lojas de comércio tradicional, com desconto, mas, segundo a Câmara de Loulé, estes «rapidamente esgotaram».

A partir de hoje, a única opção é comprar no Cineteatro Louletano, que funcionará nos seguintes horários: de terça a sexta-feira, das 13h00 às 18h00 e, ao sábado, das 10h00 às 13h00 e das 16h00 às 22h00. Caso ainda restem bilhetes, será possível comprá-los, no dia do espetáculo e no local do concerto, a partir das 14h00.

Os preços variam entre os 15 euros, para a 2ª plateia, e os 20 euros, para a 1ª plateia

Este será o único concerto da fadista Mariza no Algarve durante todo o Verão.

www.sulinformacao.pt

Quatro argelinos invadiram pista do aeroporto de Lisboa




Quatro cidadãos de nacionalidade argelina foram detidos pela PSP por invadirem uma pista do aeroporto de Lisboa.

A situação, ao início da noite de sábado, gerou pânico e impediu a aterragem de vários aviões, obrigando a desvios para os aeroportos do Porto e de Faro.

Ao que soube o JN, tudo terá começado após a chegada de um voo da TAP proveniente de Argel, pelas 19.55 horas. Os indivíduos saíram do avião e entraram no autocarro que conduz os passageiros até à zona de recolha de bagagens e controlo de passaportes. Mas quando chegaram a esta zona de entrada do edifício do aeroporto, fugiram para a zona da pista - zona de acesso proibido.

Esta situação anómala obrigou os agentes da PSP do aeroporto a intervirem. Encetaram uma perseguição aos argelinos e acabaram por detê-los. Os motivos deste incidente ainda estão por esclarecer. Contudo, ao JN foi dito que poderá tratar-se de um caso de imigração ilegal, já que o incidente e a fuga dos cidadãos argelinos aconteceu antes do momento em que teriam de mostrar os seus passaportes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Não havia qualquer indicação de ligações dos argelinos detidos a grupos terroristas.

Um dos indivíduos ficou ferido na sequência do incidente, o que obrigou as autoridades a proporcionar-lhe assistência hospitalar, confirmou o subcomissário Hugo Abreu, da PSP, numa curta declaração no aeroporto. A PSP remete mais explicações para segunda-feira, dizendo que ainda está a apurar as motivações dos indivíduos.

Este episódio obrigou o aeroporto de Lisboa a encerrar as pistas de aterragem durante 34 minutos. Alguns voos tiveram de ser desviados para Faro e Porto, disse à Lusa o porta-voz da ANA-Aeroportos de Portugal, Rui Oliveira.

"As operações estiveram encerradas durante 34 minutos e alguns voos foram divergidos para Faro e para o Porto", afirmou. Por sua vez, André Serpa Soares, porta-voz da TAP, confirmou ao JN o desvio de voos da companhia.

De acordo com um passageiro de um dos voos desviados para o Porto, o comandante comunicou aos passageiros que não ia aterrar em Lisboa "por se encontrarem na pista pessoas não identificadas que obrigaram a suspender o movimento dos aviões".

Depois de abastecer e já no regresso a Lisboa, o comandante voltou a transmitir a mesma informação aos passageiros.


http://www.jn.pt

Iluminação das ruas no passado


A ideia de iluminar as ruas de Lisboa foi do intendente da polícia Pina Manique, no reinado de D. Maria I.

Mas nessa época usavam-se candeeiros de azeite, que proporcionavam uma luz ténue, em todo o caso melhor do que nenhuma.

Mais tarde, o azeite foi substituído por óleo de purgueira ou de baleia, menos caro mas muito mal cheiroso, ou por petróleo.



lusgasa.jpg


Acendedor de iluminação pública.
Eram pessoas que iam pela cidade com uma vara que possuía um pavio na ponta, com o qual acendiam as lamparinas das ruas.


Em 1848 apareceram os primeiros candeeiros de rua alimentados a gás.

Em 1878 inauguraram-se os primeiros candeeiros eléctricos no Chiado.

Eram só seis e foram motivo de pasmo e de muita discussão, pois como sempre acontece, houve quem desconfiasse da novidade e garantisse que fazia mal à saúde.


Apesar dos protestos, em 1889 inauguraram-se 38 candeeiros eléctricos na Avenida da Liberdade, mas só em 1902 se generalizou a iluminação eléctrica nas ruas.

No entanto, durante a Primeira República é que a electricidade foi ganhando lugar dentro de casa.


De início, apenas em casas ricas por ser considerada um luxo. Mas em 1917, quando Portugal entrou na Primeira Guerra Mundial e foi preciso poupar energia, diminuiu-se a iluminação pública em Lisboa, pelo que as noites na capital voltaram a ser mais escuras e mais perigosas.


Autoria: Plano Nacional de Leitura  http://centenariorepublica.pt/
portugaldeantigamente.blogs.sapo.pt

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A pintura de Jeremy Mann







 Jeremy Mann

































Feira da Serra de São Brás terá tantas novidades que até camelos e cangurus as vêm ver



A Feira da Serra de São Brás vai ter mais área do que é habitual e muitas novidades, por isso o melhor é apanhar um balão de ar quente, para ver o novo recinto de cima. Depois, há sempre a opção de apanhar um burro ou mesmo um camelo, para ver as vistas e perceber aquilo que mudou.

A 25ª edição do certame, que decorrerá de 29 a 31 de Julho na escola EB 2,3 Bernardo de Passos, terá muita inovação e foi pensada para surpreender os visitantes, mesmo os mais fiéis, que voltam ano após ano.

A Câmara de São Brás de Alportel aproveitou as bodas de prata do evento para introduzir alterações a vários níveis. O recinto vai crescer «cerca de 3 mil metros quadrados» e haverá novos espaços, a juntar aos que já existiam. Ou seja, não se tratará de mudar, pois o conceito desta festa mantém-se, mas de acrescentar.



Assim, não é de espantar que a convidada de honra seja a inovação. «Inspirados neste tema, queremos mostrar formas inovadoras de trabalhar os produtos tradicionais da nossa terra: a amêndoa, o mel, o figo e a cortiça. Tudo aquilo que temos e o conhecimento que tem vindo a ser passado pelos nossos artesãos aos jovens», disse o presidente da Câmara de São Brás de Alportel Vítor Guerreiro, à margem da apresentação do evento, que decorreu na quinta-feira, na FNAC do Fórum Algarve, em Faro.

Uma das novidades é a parceria que a organização da feira encetou com o CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve, que «irá dinamizar um espaço novo, o palco inovação, onde se mostrará o que de inovador se faz no Algarve».

Esta não é a única zona nova a criar na Feira da Serra de 2016. A ampliação também vai permitir a instalação do Espaço Terra, onde cabem desde energias renováveis a alfaias agrícolas, e do palco Radical, onde os mais audazes poderão experimentar atividades menos convencionais.

Igualmente novos são o Spa Serrano, dedicado a momentos de lazer e relaxamento, e o palco Calçadas, onde será aguçado o apetite para o evento Calçadas, que as ruas de São Brás vão acolher em Agosto.

«Também promovemos a reorganização do espaço, criando uma área maior para a restauração, e mudámos um pouco a disposição da feira, o que incentivará as pessoas a ir à procura das surpresas. Além disso, a Feira da Serra deste ano será 100 por cento acessível para pessoas com mobilidade reduzida. Havia uma pequena parte que ainda não era, o sítio dos animais, mas este ano já criámos as condições», acrescentou o edil.

Executivo Camarário de São Brás na apresentação da Feira da Serra 2016No campo da animação do recinto, destaque para a presença de um balão de ar quente, numa parceria com a Rubis Gás, «que irá levar pessoas a ver a feira lá do alto». «Também teremos inovação no espaço dos animais. Os nossos animais daqui do barrocal e da Serra do Caldeirão convidaram amigos de outras serras e locais, como camelos, cangurus e zebras. Também haverá passeios de camelo, além dos que já existiam, de burro», revelou o edil são-brasense.



Vítor Guerreiro destacou, ainda, a parceria que será criada com o Zoomarine, «que também celebra 25 anos». «Eles vão dinamizar um espaço para os mais jovens e mostrar os seus projetos».

Aos palcos, subirão muitos artistas locais e da região, mas haverá, todos os dias, um nome sonante do panorama musical nacional. No dia 29, sexta-feira, atuam os Átoa, «que foram nomeados para o Globo de Ouro de banda revelação de 2015». No sábado, depois do já tradicional desfile de moda, sobe ao palco Áurea. No domingo, dia 31 de Julho, há concerto do cantor popular Emanuel. Sexta e sábado, a noite termina com um baile tradicional.

Aproveitando a onda inovadora, a organização alargou os pontos de venda dos bilhetes, que passam a estar disponíveis nas lojas FNAC algarvias (Faro e Guia), além dos locais habituais, nomeadamente a tesouraria da autarquia e a na escola Poeta Bernardo de Passos, nos dias do evento. O bilhete diário custa 3,5 euros, mas os visitantes podem optar pelo ingresso de 3 dias (7 euros). Para as famílias, há uma oferta especial: 4 bilhetes pelo preço de três, a 10,5 euros.

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ALGARVE - SANTA CATARINA DA FONTE DO BISPO - Hotel Rural Quinta do Marco põe os hóspedes a ajudar na apanha da alfarroba


O Hotel Rural Quinta do Marco, situado em Santa Catarina da Fonte do Bispo, no interior do concelho de Tavira, vai integrar nas suas atividades, pela primeira vez, a Apanha da Alfarroba, entre 1 e 7 de agosto.

Esta tradição será levada a cabo por um grupo de habitantes, todos com idades entre os 70 e 80 anos, sendo que os homens derrubam o fruto das árvores, com recurso a varas de pau, e as mulheres recolhem os frutos para as alcofas, que depois são colocadas em sacas de 50 quilos cada.

Haverá ainda um almoço na Quinta do Marco para os trabalhadores, um piquenique no qual os hóspedes do Hotel se podem juntar depois da ajuda na Apanha. O almoço terá no menu o máximo de produtos à base de alfarroba.

A alfarroba, uma vagem comestível de cor escura, é conhecida como o ouro algarvio e a sua utilização remonta aos tempos ancestrais, quando as suas sementes eram utilizadas pelos mercadores da Antiguidade para avaliar o peso das joias – daqui nasce a palavra “Kilat” ou “carate”.

Também designada por “chocolate saudável”, este fruto, com muita implantação na bacia mediterrânica, apresenta várias vantagens para a saúde e, por isso, muitos dos alimentos servidos no restaurante do Hotel são oriundos das alfarrobeiras criadas na Quinta.

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OLHÓ AVANTE ! - A nomeação de Dillary Crump


Nem mesmo a revelação de que o Comité Nacional do Partido Democrata (PD) sabotou a campanha de Bernie Sanders fez o senador do Vermont retirar o apoio político que, no dia 12, entregara a Hillary Clinton. Se já todos sabíamos que as primárias democráticas foram tudo menos democráticas, a fuga de mais de dez mil emails da Comissão Nacional, prontamente atribuída por Hillary à Rússia, veio revelar os requintes anti-semitas e fundamentalistas com que a direcção daquele partido procurou denunciar as raízes judaicas de Sanders ou, pior ainda, expor o seu alegado ateísmo. «Para a minha malta baptista no Sul há uma grande diferença entre um judeu e um ateu», pode ler-se num email divulgado pela Wikileaks em que Brad Marshall, chefe das finanças do PD, pondera a estratégia de ataque a Sanders na comunicação social.

Debbie Schultz, presidente do Comité Nacional do PD e responsável política pela trapaça, foi célere no pedido de demissão e desembaraçada no álibi. Clinton, por seu turno, devolveu o obséquio com a distinção de chefe honorária da campanha. A Convenção Nacional do PD, que terminou esta quinta-feira em Filadélfia, na Pensilvânia, lá coroou Clinton, sem louros nem surpresas, candidata democrata às próximas eleições presidenciais nos EUA. Mas nem a monstruosa retórica de Donald Trump nem a perspetiva de vê-lo na presidência parecem bastar para unir os progressistas em torno de Clinton.

Valendo o que proverbialmente valem, as últimas sondagens realizadas nos EUA à escala federal convergem em dois fenómenos: Trump à frente de Hillary (com os votos de Sanders) e a meteórica emergência de outros candidatos que ameaçam romper o dédalo bipartidista. Segundo um estudo divulgado, esta segunda-feira, pela CNN, Trump recolhe 44 por cento das intenções de voto e Clinton 39, enquanto o liberal de direita Gary Johnson pode chegar aos nove por cento e, à esquerda, Jill Stein, do Partido Verde, poderá ultrapassar os três por cento.

Mesmo que enviesados, os estudos de opinião parecem traduzir um sentimento facilmente palpável na atmosfera política estado-unidense: Clinton encosta-se à direita e fala ao centro; Trump encosta-se ao centro e fala à direita. Esta dinâmica conheceu, na semana passada, momentos catárticos, com ambos os candidatos a anunciarem as respectivas escolhas para vice-presidente. Trump escolheu Mike Pence, governador do Indiana, uma escolha pacífica no universo conservador que aplaca os receios dos republicanos mais moderados. Já Clinton, menosprezando o apoio de Sanders e de metade do eleitorado democrata, escolheu o ex-governador da Virgínia, Tim Kaine, homem de mão de Wall Street conhecido pelas suas posições homofóbicas, contra os direitos sociais, contra a interrupção voluntária da gravidez e a favor da guerra imperialista.

Rumo aos anos vinte?

Entretanto, Trump continua uma perigosa deriva fascizante. Prometendo «fazer do Partido Republicano um partido dos trabalhadores», o magnata cavalga as frustrações da pequena e média burguesia e alimenta-se dos medos da classe trabalhadora branca. Empregos, aumentos salariais, expulsão dos imigrantes, repressão dos negros, supressão da resistência nas ruas: é esta a mensagem do candidato que pode ganhar as eleições. Mas se tão bem se dá a semente do fascismo é porque, semeada na sociedade estado-unidense, encontrou aconchego em leira para o efeito aberta por republicanos e democratas. Daí a aflitiva incapacidade de Clinton para responder a Trump: o governo de Clinton foi o governo da história dos EUA que mais imigrantes deportou; descreveu jovens negros como «super-predadores»; patrocinou golpes de Estado nas Honduras, no Paraguai, na Ucrânia e em outros tantos países; levou a guerra e a morte a 10 mil líbios; atirou a Síria para o caos, provocando meio milhão de mortos; promoveu uma política neoliberal de destruição de direitos dos trabalhadores…

Quer isto dizer que Trump é igual a Clinton? Não, mas as diferenças fundamentais não são retóricas mas económicas: representando diferentes interesses da mesma classe, Trump é mais aprazível aos interesses de sectores, actualmente minoritários, da alta burguesia dos serviços e do imobiliário que procuram uma aliança com a pequena e a média burguesia atascadas na crise. Clinton, não desdenhando nenhum destes propósitos, é mais favorável ao «capital fictício» da especulação financeira e da integração económica prevista no âmbito da NAFTA, do TTIP e do TTP.

Neste estado de coisas, o movimento encabeçado por Bernie Sanders irá entornar-se por todas as candidaturas, reforçando, como nunca desde os anos 20, os resultados das candidaturas à esquerda do PD. Entre as seis principais, a de Jill Stein, do Partido Verde (GP) e apoiada pela Alternativa Socialista (SA); a de Gloria la Riva, do Partido pelo Socialismo e Libertação (PSL) e apoiada pelo Partido Paz e Liberdade (PFP) e pelo Partido da União para a Liberdade (LUP) e a de Monica Moorehead, do Partido do Mundo dos Trabalhadores (PWW). À esquerda, outra minoria conta a velha história de que para evitar Trump é necessário apoiar Hillary. Será Hillary, comparada com Trump, o mal menor? Em quê?


António Santos 

Algo está podre na guerra contra o terrorismo



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Os terroristas são abatidos liminarmente, mesmo quando não estão na posse de armas de fogo, não ficando cá nenhum para contar as suas histórias às autoridades – que deveriam ter o maior interesse em conhecê-las. 
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Os dirigentes europeus, comandados pela desastrosa dupla Hollande/Valls, fazem rufar diariamente os tambores do combate ao terrorismo. «Estamos em guerra», repetem em incansável cassette, enquanto os actos de violência se multiplicam sem repetir o método e as sociedades europeias, com a francesa muito à frente, se encaminham para o formato do Estado policial.
De que terrorismo falam os dirigentes europeus? Do que agora lhes entrou em casa, dizendo-se, por tudo e por nada, que se trata de «terrorismo islâmico» do qual o único acusado é o Daesh, ou Isis, ou Estado Islâmico, embora se saiba cada vez menos se é o responsável ou não. Assim se criando um mito de grandeza, mimetismo e invencibilidade de uma entidade que muito agradece tais deferências e, principalmente, a brandura da guerra que contra ela consta existir lá longe, na Síria e no Iraque.
Se o tal Daesh é o verdadeiro responsável pela vaga de violência que assola a Europa não o sabemos; provavelmente nunca o chegaremos a saber, embora a responsabilidade por essa anomalia da «sociedade da informação» não deva ser assacada aos terroristas, antes aos guerreiros contra o terrorismo.
Em primeiro lugar porque, como já repararam, os terroristas são abatidos liminarmente, mesmo quando não estão na posse de armas de fogo, não ficando cá nenhum para contar as suas histórias às autoridades – que deveriam ter o maior interesse em conhecê-las. Assim sendo, o que apuramos dos factos é através de interpostas pessoas ou documentação supostamente confiscada nos locais frequentados pelos assassinos, tudo isso trabalhado, filtrado e servido como versão oficial.
Por aqui se percebe como é pesada a carga de subjectivismo e de conveniências com que a narração dos factos chega até nós – que somos efectivamente, todos nós, as potenciais vítimas simultâneas do terrorismo e dos efeitos do combate oficial ao terrorismo.
Além do silenciamento sumário dos terroristas – como Sarkozy fez calar Khaddafi, que muito sabia sobre os dinheiros que fizeram dele presidente da França – outros comportamentos dos que estão supostamente em guerra contra o terrorismo adensam os mistérios sobre a eficácia e a sinceridade das suas proclamações.
«Seis operacionais do Projecto Sentinelle, corpo especial de segurança do Ministério da Defesa, estiveram à porta do Bataclan em 13 de Novembro de 2015, enquanto decorria o massacre no interior da sala de espectáculos parisiense.»
O jornal Le Figaro noticiou em 21 de Julho, sem que até agora tenha sido desmentido quanto ao fundo da questão, que o Ministério francês do Interior, através de um departamento antiterrorista, ordenou a destruição de todas as imagens obtidas pelas câmeras de vídeo vigilância na zona onde foi cometido o atentado de Nice, em 14 de Julho. Os investigadores policiais consideram que o material filmado por essas câmeras, cerca de 140, provavelmente continha «elementos interessantes para o inquérito», mas assim não o entenderam os subordinados do ministro Cazeneuve, mais preocupados com a hipótese de tais imagens serem «divulgadas sem autorização e sem controlo», ou servirem de «propaganda» ao próprio Daesh, ou atentarem contra a privacidade das famílias das vítimas. Muito estranho, sabendo-se que o ministro Cazeneuve é autor da máxima segundo a qual «a vida privada não é um direito fundamental».
Journal du Dimanche, por seu lado, informa que a funcionária policial responsável pelo relatório dos acontecimentos da noite de 14 de Julho em Nice foi pressionada durante uma hora por um quadro do Ministério do Interior para alterar a sua versão dos factos, incluindo no documento supostos posicionamentos das polícias nacional e local que ela não podia objectivamente testemunhar e não eram observáveis nos elementos de vídeo vigilância. O ministro do Interior anunciou depois que irá processar a funcionária policial «por difamação».
A imprensa francesa e belga tem dado destaque a uma outra estranha anomalia do combate contra o terrorismo. Seis operacionais do Projecto Sentinelle, corpo especial de segurança do Ministério da Defesa, estiveram à porta do Bataclan em 13 de Novembro de 2015, enquanto decorria o massacre no interior da sala de espectáculos parisiense. Explicação das autoridades: os militares não intervieram porque o seu mandato não incluía ordens para o fazer, «devendo antes proteger-se a si próprios», segundo o deputado belga Georges Dallemagne citado pelo jornal Le Soir de Bruxelas.
«As vítimas são sempre os povos do Médio Oriente e agora também os povos europeus que, caso não se previnam, além do terrorismo estão cada vez mais cercados pelo fascismo a que ele serve de pretexto.»
Dados como estes acumulam-se sobre as especulações geradas anteriormente em torno do estranho suicídio do comissário policial adjunto Helric Fredou, de Limoges, encarregado de fazer um relatório sobre as ligações dos autores do massacre no Charlie Hebdo, que viveram muito tempo nesta cidade. O polícia investigava também as ligações de uma antiga secretária de imprensa de Sarkozy, próxima dos dirigentes do Movimento Sionista Francês, a uma das vítimas do assalto ao jornal satírico. A versão oficial da morte de Fredou foi suicídio com um tiro na cabeça, mas a mãe alega que o corpo – sonegado à família durante 24 horas – não tinha sinais desse desfecho.
O mundo provavelmente ainda se recorda da veemência com que o presidente francês prometeu atacar imediatamente o Daesh no Iraque e na Síria em resposta ao atentado de Nice. Mas se não existem evidências de que haja ligação entre este acontecimento e a organização terrorista, também é verdade que o Daesh não pagou por ele. De acordo com queixa apresentada pelo governo sírio ao secretário-geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança, os bombardeamentos então efectuados por aviões franceses, no quadro da «coligação internacional», mataram 120 civis, na sua maioria idosos, mulheres e crianças, na aldeia de Tukhan al-Kubra, ao norte de Manjib, próximo da fronteira com a Turquia. Não consta que tenha sido abatido qualquer terrorista do Daesh.
Aliás, segundo um trabalho publicado pelo New York Times, jornal certamente insuspeito nestas matérias, a «coligação internacional» inibe-se frequentemente na alegada guerra contra o Daesh na Síria porque este grupo, tal como a Frente al-Nusra (al-Qaida), enquadra operacionalmente os mercenários «moderados» ao serviço dos Estados Unidos, França e outros «amigos da Síria»; a contenção da «coligação internacional» em relação aos dois mais importantes grupos terroristas é ainda maior quando as posições que estes ocupam podem ser decisivas para derrubar o governo de Damasco, o principal objectivo de Washington e Paris, confirma o New York Times.
Os dirigentes europeus podem fazer rufar os tambores de guerra contra o terrorismo, mas haja a noção de que grande parte do ruído não passa de propaganda. As vítimas são sempre os povos do Médio Oriente e agora também os povos europeus que, caso não se previnam, além do terrorismo estão cada vez mais cercados pelo fascismo a que ele serve de pretexto.

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