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quarta-feira, 13 de julho de 2016

A arte de fazer bonecos de marionete acabou de ganhar mais um representante.


A arte de fazer bonecos de marionete acabou de ganhar mais um representante. O inglês Barnaby Dixon, um free lancer de 27 anos, criou um incrível boneco que consegue apontar os dedos e abrir as mãos com uma desenvoltura ainda não havia sido alcançada numa escala tão diminuta e com tanta precisão. Torna a arte dos titereiros muito mais apreciável, fazendo com que você queira entrar naquele mundinho de fantasia para interagir com o personagem.

VÍDEO




O segredo do boneco são alavancas que acionam cabos extremamente finos que movem um dos dedos ou a mão inteira do boneco. Necessita das duas mãos para ser operado e uma destreza que só alguém muito bem treinado consegue dar vida ao personagem. Quase todos os dedos da mão são usados nos pés, nos braços, na cabeça e nas alavancas que movem as mãos do boneco. A fluidez e a graça dos movimentos cria a ilusão de estarmos diante de uma versão diminuta de um guerreiro africano, ou como se estivéssemos no filme A Chave Mágica.

VÍDEO
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VÍDEO - MILITARES CAMUFLADOS


Um novo desafio visual chegou às redes sociais, mas já não se trata de um gato ou um pássaro escondido nas plantas de um jardim. Desta vez você deverá encontrar um militar aposentado, especialista em camuflagem. O homem postou um vídeo em que se esconde em diferentes cenários e onde, segundo eles, só aqueles que tenham olhar aquilino serão capazes do encontrá-lo antes que revele sua posição.

Brent Dowling é o homem por trás destes "mimetismos". Ele é um ex fuzileiro do exército dos EUA e tem mais de 70 publicações detalhando como criar a camuflagem perfeita para diferentes cenários e soma centenas de milhares de visitas em seu canal do YouTube com mais de 20 mil seguidores.

VÍDEO
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SUICÍDIO BEM DIVERTIDO


NO CORAÇÃO DAS TREVAS, AS GRANDES INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS, E NÓS À PROCURA DA LUZ AO FUNDO DO TÚNEL COMO SAÍDA PARA A CRISE? IMPOSSÍVEL – 3. PORQUE É QUE A FIRMEZA DE BRUXELAS CONTRA A ESPANHA E PORTUGAL É UM ENORMÍSSIMO ERRO – por ROMARIC GODIN




Uma série sobre o caminho da agonia do capitalismo

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Romaric Godin, Pourquoi la fermeté de Bruxelles contre l’Espagne et le Portugal est une erreur majeure

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A Comissão inicia os procedimentos de sanções contra Portugal e Espanha.

(Crédits: Reuters)

A Comissão europeia lançou o procedimento de sanções contra a política orçamental da Espanha e Portugal. Uma decisão tomada sob a ameaça da Alemanha e que está carregada de riscos para a UE e para a zona euro.

Como terá sido difícil tomar esta decisão! Previsto para terça-feira 5 de julho, o parecer da Comissão europeia sobre a trajetória orçamental da Espanha e Portugal foi finalmente publicado com um atraso de dois dias. Prova dos tormentos incríveis por que o executivo europeu terá passado, apanhado entre o martelo e a bigorna. O martelo, é a Alemanha que, desde há vários dias já não hesita em tornar pública a sua posição e a sua irritação no que diz respeito a uma Comissão julgada demasiado laxista e que, pela voz do seu ministro das Finanças Wolfgang Schäuble não hesita sequer em propor “procurar um caminho mais curto” para Bruxelas impor “o respeito das regras”. A bigorna, é o risco de forçar Portugal e a Espanha a efetuar um outro apertar do parafuso chamado austeridade orçamental mesmo no momento em que, após o Brexit, a hora está para o reaparecimento do risco financeiro e económico e em que se evoca “uma renovação” da integração europeia com mais solidariedade.

A caminho das sanções

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Durante dois dias, circularam as informações mais contraditórias. A imprensa portuguesa assegurava que Bruxelas mostrar-se-ia magnânima, a imprensa espanhola falava da abertura de um procedimento de sanções. Ainda aqui, é o reflexo de discussões muito intensas e sem dúvida tensas entre os partidários “da linha dura” e a do pragmatismo. Mas entre o realismo económico e a sua própria sobrevivência como instituição, a Comissão finalmente escolheu a segunda opção. Para acalmar Berlim e os países do Norte, optou pela firmeza, considerando que Portugal e a Espanha não tinham tomado suficientemente medidas para corrigir a sua trajetória orçamental.

Esta decisão é essencial: é o primeiro passo para iniciar sanções contra os dois países que podem chegar aos 0,2% do PIB. Certamente, não há no imediato a questão de sanções. O Conselho de Ministros das Finanças (ECOFIN) deve confirmar a apreciação da Comissão para lançar oficialmente o procedimento. Será pedido de seguida aos dois países “novos esforços”. Mas, em suma, no quadro das diretivas TwoPack e Six -Pack, a Comissão pode pedir sanções e será necessário “uma maioria invertida” para bloquear esta decisão ou, por outras palavras, será necessário que dois terços das vozes ponderados do conselho europeu votem contra as sanções de modo a que estas sejam abandonadas. Sobretudo, trata-se efetivamente de uma mensagem enviada a Madrid e Lisboa: corrijam as vossas trajetórias ou será aprovada a aplicação de sanções. Está por conseguinte efetivamente colocado em cima da mesa um convite à austeridade.

Aqueles que, em Maio, quando a Comissão tinha adiado a sua decisão por dois meses, após as eleições espanholas do 26 de junho, tinham proclamado “a morte do pacto de estabilidade e de crescimento”, por conseguinte, enganaram-se. Bruxelas vem confirmar frontalmente que a zona euro dispõe de uma política económica fundada sobre a austeridade e a obediência cega a regras “metafísicas” tomadas fora de qualquer realidade económica concreta. Esta obediência às regras é uma das estruturas fundadoras do pensamento ordoliberal alemão que registou neste 7 de julho uma vitória importante.

Urgência em bater?

Certamente, no final de 2015, os défices portugueses e espanhóis eram de 4,4% e 5,1% do PIB, ou seja acima dos 3% do PIB respetivamente autorizados, mas é necessário recordar que a zona euro luta ao mesmo tempo contra um crescimento e uma inflação fraca e que o seu défice público acumulado é de 2,4% do PIB, enquanto que afixa um excedente na balança corrente de 3% do PIB. Não há por conseguinte nenhum problema “global” de défice: “os desvios” português e espanhol não põem em perigo a estabilidade da zona euro. Estes verificam-se numa altura em que os dois países têm sido as vítimas de violentas políticas de austeridade que provocaram recessões importantes. Por fim, o ajustamento unilateral das finanças públicas não permitiu que se reduzisse os défices e a dívida. É uma estratégia que falhou. E em que a Comissão se obstina em continuar. A sua decisão deste 7 de julho poderá contudo ser um erro enormíssimo cheio de consequências, e por várias razões.

Resposta inadaptada

Primeiro, porque coloca os dois países em situações económicas difíceis. A Espanha teve, seguramente, desde 2013 um crescimento vigoroso, mas este último explica-se em grande parte pelo fim da austeridade e pela baixa do preço da energia. O ciclo desta última está quase a acabar. Se o país tiver de se lançar num ajustamento orçamental de grande amplitude como quer a Comissão, o crescimento poderia ressentir-se muito fortemente. Em Portugal, a austeridade não permitiu fazer retornar um crescimento forte, e o crescimento tem sido inferior a 2% desde 2013. Os dois países viram a emigração acelerar, as desigualdades explodir e têm taxas de inflação muito baixas. A cura que propõe a Comissão não poderá tratar destes mal causados em grande parte pela mesma medicamentação. Ela ameaça enfraquecer o crescimento e aumentar ainda a dívida e os défices.

Acrescentar o risco deflacionista ao risco deflacionista

Do resto, atingindo de forma extremamente dura os orçamentos espanhóis e portugueses, a Comissão envia uma mensagem ao resto da zona euro: o respeito das regras é a única “agulha na sua bússola”. Esta coloca-se no sentido inverso ao do BCE. Sem dúvida, um tal rigor teria sentido se fosse acompanhado de uma solidariedade europeia real que permitisse apoiar a atividade destes dois países. Mas como esta solidariedade é reduzida ao nível do fantasmagórico do plano Juncker, o efeito arrisca-se a ser muito negativo: a Comissão exige com efeito uma política deflacionista  quando o BCE tenta reavivar a inflação à custa de centenas de milhares de milhões de euros colocados nos mercados. Bruxelas faz por conseguinte tudo o que lhe é possível para isolar ainda mais o BCE e tornar a sua política inoperante.

Ter-se-ia podido imaginar que a Comissão tomasse conhecimento da recusa de Berlim de fazer funcionar as suas margens de manobra orçamentais deixando os países em défice ir no seu comboio tendo em conta as taxas de inflação fracas que complicam ainda mais as suas tarefas. Mas não, a Comissão continua  em não pensar senão em termos de ajustamento unilateral. Portanto, não são somente os Portugueses ou os Espanhóis que são visados: os franceses, italianos ou belgas devem ter também que apertar um pouco mais os parafusos da austeridade. A consequência desta decisão é por conseguinte incentivar os agentes económicos à prudência e a poupança. Exatamente o que não se deve agora de modo nenhum incentivar enquanto as tensões reaparecem na sequência do Brexit. Pierre Moscovici, o Comissário para os Assuntos Económicos, pode pretender que só aplica “regras inteligentes”, esta decisão é uma inépcia económica na situação atual.

Risco para Portugal

Tanto quanto ela coloca um grave perigo sobre Portugal, em especial. A dívida deste país é mantida na flexibilidade quantitativa (“QE”) do BCE, o seu programa de resgate de títulos públicos, e isto devido apenas ao facto de que a agência de notação canadiana DBRS lhe atribuiu ainda uma notação “de investimento”. Com esta decisão da Comissão, a agência estará sob pressão para baixar a nota portuguesa. Ora, se o fizer, Portugal imediatamente será excluído do QE. A taxa da sua dívida arrisca-se a  explodir. Ainda tanto mais quanto nestes tempos estamos numa situação “de fuga para a qualidade”. O QE do BCE age como uma espécie de seguro para os investidores. Se ele desaparecer, Portugal arrisca-se a ter que enfrentar uma nova crise da dívida. Deverá então aceitar um novo “programa de ajustamento” para beneficiar quer do QE com uma derrogação, ou então do programa OMT de resgates ilimitados de uma dívida soberana pelo BCE. O país arrisca-se então a afundar-se numa nova recessão. A decisão da Comissão é grave porque em plena tormenta pós Brexit, corre o risco de criar uma nova crise financeira.

Decisão política

O governo português, dirigido pelo PS com o apoio de dois partidos de esquerda radical, não poderia sobreviver a uma tal crise. O presidente da República conservador pode não perder a ocasião de dissolver a Assembleia para trazer a direita ao poder. A decisão da Comissão, imposta por Berlim, é eminentemente política, mas é extremamente perigosa, porque pode alimentar a corrente eurocética. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista português não deixarão então de fazer campanha contra a UE. Terão ainda mais argumentos que, este 7 de julho, a Comissão sancionou a ação do governo conservador precedente sem estar a deixar nenhuma possibilidade ao atual governo, em exercício desde o fim de Novembro de 2015…

Na Espanha, a Comissão impõe ao próximo governo cortes nas despesas na mesma altura em que o PP de Mariano Rajoy tem dificuldade em alcançar uma coligação e que, ele mesmo, prometeu não ir recorrer a novas baixas de despesas, prometendo mesmo baixas de impostos. Com esta decisão, Mariano Rajoy arrisca-se a ter ainda mais dificuldade em  construir uma maioria: quem aceitará governar para restabelecer a austeridade? Além disso, estas medidas arriscam-se a atingir duramente as comunidades autónomas (regiões) espanholas, entre as quais a Catalunha. Tudo isto será mais uma razão para os Independentistas desta região, que se dividem precisamente sobre a questão orçamental, reencontrarem  a sua unidade contra um Estado espanhol que mina as bases do Estado providência. A decisão da Comissão é tanto politicamente como economicamente um verdadeiro absurdo.

Resposta inadaptada ao Brexit

É-o tanto mais inadaptada quanto parece estar a fechar a discussão sobre o futuro da zona euro depois da terrível bofetada do voto britânico sobre o Brexit. Dois dias depois desta votação, os ministros franceses e alemães dos Negócios estrangeiros, Jean-Marc Ayrault e Frank-Walter Steinmeier tinham proposto terminar com “os ajustamentos unilaterais”, julgando-os “politicamente perigosos”. A lição não foi retida pela Comissão que procura claramente doravante assemelhar-se à “instância independente” encarregada aplicar as regras sem mais considerações com que tanto sonha Wolfgang Schäuble. Seguindo esta via, Bruxelas terá efetivamente dificuldade, amanhã, em vir defender  mais solidariedade na zona euro. A proposta Ayrault/Steinmeier parece já morta e enterrada. Não há necessidade de esperar pela cimeira de Bratislava do mês de setembro para o saber: não haverá “salto qualitativo” da zona euro com mais solidariedade.

Este 7 de Julho de 2016 marca a vitória de Wolfgang Schäuble na zona euro. As regras são seguramente respeitadas mas os que acreditam que este respeito irá salvar a zona euro bem podem estar a cometer um grande erro. Porque os défices são apenas o reflexo dos desequilíbrios internos na zona euro. Recusar regular estes desequilíbrios, recusar ver o impacto da inflação fraca sobre as contas públicas, recusar levar em conta os efeitos desastrosos da inflação passada sobre o capital produtivo dos países atingidos e compreender que a zona euro não pode sobreviver com um excedente corrente alemão de 8% do PIB, é recusar querer realmente “reformar” a zona euro. É estar cego sobre uma doutrina que fez já bem a prova dos seus grandes fracassos. É no entanto o comportamento da Comissão. A resposta ao Brexit será por conseguinte fraca e inadaptada. Os eurocéticos de todos os quadrantes podem esfregar-se as mãos: a incapacidade de reforma da UE, hoje, foi provada com um grande estrondo.

Romaric Godin, La Tribune,  Pourquoi la fermeté de Bruxelles contre l’Espagne et le Portugal est une erreur majeure.

Texto disponível em:http://www.latribune.fr/economie/union-europeenne/pourquoi-la-fermete-de-bruxelles-contre-l-espagne-et-le-portugal-est-une-erreur-majeure-585162.html

Fonte: La Tribune, Romaric Godin, 07/07/2016



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A grande mentira da guerra




«A "ameaça" das "armas de destruição maciça" revelou-se uma ilusão. Saddam era o alvo. O petróleo, a jóia desejada. E o resto serviu apenas como menu para uma guerra devastadora.

O Iraque continua a ser uma terra de ninguém. Em poucos dias, dois acontecimentos recordaram o apocalipse que se abateu sobre um dos berços da civilização: o atentado do Daesh junto a uma geladaria na zona de Karrada, no centro de Bagdade, que fulminou cerca de 250 vidas inocentes, mostrando que a violência dos terroristas já não respeita qualquer fé ou limite moral; e a divulgação do relatório Chilcot, onde muitos políticos envolvidos na invasão do Iraque (e no derrube de Saddam Hussein) saem chamuscados, a começar por Tony Blair. Do relatório percebe-se a conexão entre as causas e os efeitos. E, sobretudo, a montanha de mentiras que forjou uma invasão cujos efeitos (nomeadamente o terrorismo do Daesh) estamos a sentir agora na máxima força. E que sentiremos nos próximos anos.

O relatório é claro: o Governo britânico de Blair exagerou os dados e manipulou-os e decidiu-se pela acção militar ao lado de George W. Bush. Não estava claramente para a invasão e para a ocupação e gestão do Iraque pós-Saddam. Treze anos de caos e violência foram o resultado. Basta olhar para o Iraque de hoje: é um país dividido religiosamente, com um Governo incapaz de gerir o país, com um exército deficiente e uma administração ineficiente (que os ocupantes americanos e ingleses ceifaram, julgando que todos os funcionários eram adeptos de Saddam), com uma violência mortal diária e parte do país ocupado pelo Daesh ou sob controlo curdo. A "ameaça" das "armas de destruição maciça" revelou-se uma ilusão. Saddam era o alvo. O petróleo, a jóia desejada. E o resto serviu apenas como menu para uma guerra devastadora e para um encontro nas Lajes sob os auspícios de Durão Barroso.

A montanha de mentiras, encenada por Blair e pelos seus aliados, alimentou a criação de uma violência sem limites. Há um exemplo claro: um bandido secundário, al-Zarqawi, foi declarado por Colin Powell, no seu discurso pré-guerra na ONU, como um terrorista aliado de Saddam. Era falso. Só que isso levou a que fosse promovido rapidamente dentro da Al-Qaeda e se tornasse o líder da insurgência sunita no Iraque. Ele acabaria por estar no núcleo inicial do Daesh, pelos seus requintes violentos, inspirando matanças em diversos países. O relatório Chilcot (que serve agora apenas para acalmar as consciências face às trágicas decisões de então) não fala muito das consequências: o sofrimento do povo iraquiano surge apenas em notas de rodapé. E é disso que muitos se continuam a esquecer no grande jogo do poder, da energia e da guerra.»

Fernando Sobral
entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt


Divulgue o artesanato português


(…) uma história de encantar (…) | Joana Amaral Dias



Parece uma história de encantar. Na europa racista dos fortes com os fracos e fracos com os fortes, uma equipa dos PIGS, dos porcos, dos dégueulasse, nojentos, das femme de ménage com bigode e dos pedreiros dos bidonville, ganhou o caneco. Cum caneco.
É o dia em que o velho continente não é pertença e propriedade do eixo franco-alemão, nem das patroas do 6º arrondissement, nem da Goldman Sachs. Parece uma história de encantar. Uma equipa com um seleccionador humilde, católico devoto e confesso, meio ensimesmado e cachaço tenso, fora do estrelato do dente branco e do cantinho dos special ones, empata, empata, empata. Mas não perde. Não brilha mas não cai. Aguenta firme, não é obra de arte, arquitectura de arrebites e modernices, mas está ali firme, de pedra e cal. Fernando Santos, o engenheiro da electricidade, engenheiro da energia, dizia-se, tinha um único trunfo, o grande sétimo selo Cristiano Ronaldo, atleta de profissão. Parece uma história de encantar. Ninguém queria acreditar. Quase ninguém acreditava. E esse campeonato começado no dia 10 de junho, no dia de Portugal, havia de terminar em França, país hospedeiro mas pouco hospitaleiro.
França-Portugal, final do euro 2016. Foi o dia em que o imigrante português em terra gaulesa, “o avec”, foi, finalmente, vingado. Tantos anos cuspido para as margens, a esfregar latrinas e a ser cinicamente louvado como “grande trabalhador” para, por fim, mostrar aos franceses que está ali por direito. Os franceses estavam a jogar no seu território mas nós também. Paris é o delta da diáspora portuguesa e o Stade de France, ali na Saint-Dennis dos nossos avós, foi construído com as mãos, o sangue, o suor e as lágrimas do trolha tuga. Jogámos em casa.
Uma história para contar. A equipa do comandante discreto e da estrela fulgurante entrou em campo depois de mais vexames. Sanção para aqui, má imprensa desportiva para acolá. Dez minutos e um médio francês, cujo nome nunca ficará para a história, pobre diabo, joga sujo, bem porco, contra CR7. Rei Ronaldo ainda insiste mas acaba por sair lesionado e em lágrimas. Sentado no relvado, enquanto chorava de dor e raiva, uma borboleta poisa-lhe na na pálpebra, como se fosse borboleta com borboleta. Mas não uma bonita, de encher o olho, como a Rainha Alexandra ou a Esmeralda. Uma vulgar traça, um patinho feio do mundo panapanás, como uma selecção degoulasse. A borboleta feiosa beijou o olho choroso do capitão. E o tempo foi bonito.
A equipa tomou-se de revoltas fidagais, gritou chega de humilhações e desdém, basta de rebaixar. Corações ao alto, peito feito, olho vivo e pé ligeiro. Afinal, não estavam decapitados, afinal erguia-se um gigante. Golias tremeu. E quando a morte súbita já espreitava sobre o ombro, Éder, o órfão dos arrabaldes de Coimbra, da Adémia terra de enguias e comboios, outro maldito desta vida e desta selecção, outro herói inesperado, dispara, marca, resolve, ganha, vence. Portugal festeja, finalmente festeja, finalmente alegre. Portugal ergue os seus luso-africanos, luso-brasileiros, os seus luso-franceses e o seu cigano português. Portugal pode ser essa mistura, sopa da pedra, rapa o tacho, desenrasca, safa e já está. Pátria amada, amor de mãe, frança 2016. A memória ficará tatuada. Santos da casa fazem milagres.
 Facebook | Mural de Joana Amaral Dias

13JULHO2016 - O MUNDO MARAVILHOSO DOS GRAFFITIS