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terça-feira, 28 de junho de 2016

Explosões em aeroporto turco mataram pelo menos 28 pessoas







ENTRADA DO AEROPORTO



ARMA DEIXADA PELOS TERRORISTAS



VÍDEO - MOMENTO DA EXPLOSÃO







Governador de Istambul afirmou que foram três os bombistas suicidas no aeroporto de Istambul (Em atualização)

Pelo menos 28 pessoas morreram e 60 ficaram feridas nos atentados no aeroporto de Ataturk, em Istambul. Os mais recentes números foram confirmados pelo governador de Istambul, Vasip Sahin, citado pelo site turco Hurriyet Daily News.

Acrescentou ainda que foram três os bombistas suicidas que realizaram o ataque. Seis dos feridos estão em estado grave.

Uma testemunha explicou à CNN que foram ainda ouvidos tiros no estacionamento do aeroporto. Disse também que os taxistas começaram a transportar pessoas para o hospital antes das ambulâncias conseguirem chegar ao local.

Inicialmente, fontes oficiais do governo turco disseram, citadas pela Sky News, que dois homens fizeram-se explodir no maior aeroporto do país. As explosões ocorreram antes dos homens terem chegado às máquinas de raios-X. Uma delas foi no terminal de voos domésticos e a outros no de voos internacionais. Porém, o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, apenas tinha confirmado o atentando no terminal internacional.

Explicou ainda que o homem começou por disparar uma Kalashnikov e depois fez-se explodir. A Reuters escreve que a polícia disparou na direção dos homens para os tentar deter, mas estes acabaram por acionar as bombas, antes de chegaram à zona de controlo de segurança.



A Turquia tem sido alvo de vários ataques terroristas ligados a separatistas curdos ou ao Estado Islâmico, mas ainda não há qualquer confirmação do que motivou o ataque no aeroporto de Istambul.

VÍDEO
video

Os voos já começaram a ser desviados para outros aeroportos, mas a Sky News avança que alguns estão a ser autorizados aterrar no aeroporto Ataturk. A Reuters dá conta que alguns passageiros que estavam no local já começaram a ser transportados para hotéis.

O aeroporto Ataturk é um dos três mais movimentados na Europa, sendo ultrapassado apenas por Heathrow (Londres) e o Charles de Gaulle (Paris). É o 11.º a nível mundial. Em 2015 passaram naquele aeroporto 61 milhões de passageiros.

VÍDEO




 PESSOAS PROCURAM ABRIGO NUMA LOJA APÓS A EXPLOSÃO

www.dn.pt

LESADOS


TODOS SABEMOS QUE HOUVE MUITA GENTE OPORTUNISTA QUE COM A GANÂNCIA DE ARRECADAR GRANDES LUCROS E DINHEIRO FÁCIL FOI VÍTIMA DE OUTROS GANANCIOSOS E DESONESTOS QUE POR AÍ ANDAM E QUE AINDA SÃO DONOS DE QUASE TUDO.
CLARO QUE FALO DE LESADOS DO BES E SALVO AQUI NO QUE ESCREVO ALGUNS QUE PODERÃO TER SIDO VÍTIMAS DESSAS BURLAS, ENDROMINADOS E ENGANADOS SEM QUE NÃO SOUBESSEM O QUE ESTAVAM A FAZER.
O QUE NÃO ESTÁ CERTO É QUE VENHA A ACONTECER QUE SEJA MAIS UMA VEZ O ZÉ POVINHO, TESO, SEM EMPREGO, E A CONTAS COM A MERCEARIA E A RENDA DA CASA, A TER QUE PAGAR A GENTE QUE SE ILUDIU NOS CIFRÕES E QUE SABE PERFEITAMENTE QUE NÃO CABE AO ESTADO PAGAR AS SUAS AVENTURAS. E AMBIÇÕES DESMEDIDAS.
LESADO, LESADO, ANDA O POVO A PAGAR A VIDA LUXUOSA DE ALDRABÕES E GATUNOS SEM TER PARA ONDE SE VIRAR E SEM DINHEIRO ALGUM NO BANCO E A QUEM PEDIR INDEMNIZAÇÕES.
VOCÊS SABEM DO ESTOU A FALAR E EU TAMBÉM SEI O QUE ESTOU A DIZER !
QUEM TEM CALOS NÃO SE META EM APERTOS E POR VEZES NEM TUDO O QUE 
LUZE É OURO !|


António Garrochinho

Quantos mais casos haverá !?

O DESCOBRIR A CARECA, A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA NAS REDES SOCIAIS A QUEM SE APROVEITA DO DINHEIRO QUE PERTENCE AO ERÁRIO PÚBLICO DÁ RESULTADOS !
Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, decidiu prescindir do subsídio de alojamento que estava a receber desde que tomou posse por ter indicado como residência permanente a sua casa de Tavira embora não residisse nela.


O Corvo", de Allan Poe



 "O Corvo", de  Allan Poe traduzido por outro grande autor, Machado de Assis 

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais." 

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minha alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atónito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demónio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demónio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demõnio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demónio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

A mulher, o cerco e o cavalo. - No século XII aC, após uns longos dez anos de cerco, a cidade de Tróia na Ásia Menor desmorona-se sob os ataques de uma coligação grega. Lenda ou realidade, perdura como mistério, mas a queda da cidade subsistirá durante séculos na memória quer de Gregos, quer de Latinos. Porém, descobertas dos último anos trazem à luz provas de que Tróia poderá ter sido mais do que lenda.






     Cenas de massacre e devastação, um pânico que se apoderou dos habitantes assim que os sitiadores entraram na cidade, invadindo habitações, palácios, reduzem os templos a escombros e cinza. São vistos gigantescos incêndios, tais são os episódios e memórias que os Antigos guardavam no seu espírito durante séculos, símbolos do horror da guerra.

Páris, o sobrevivente

     Príamo, rei de Tróia havido tido mais um filho com sua esposa, Hécuba: Páris. Diz a lenda que quando Páris nasceu, uma sacerdotisa haverá dito a Príamo que a criança deveria ser imediatamente morta, caso contrário, viria a destruir toda a cidade…
     Por forma a impedir a profecia, os pais de Páris abandonam a criança fora das muralhas da cidade, com o intuito da criança morrer, longe. Contudo, o destino ter-lhe-á dado uma oportunidade e o bebé é descoberto por pastores, entre os quais cresceu,  lá bem longe, nas colinas do monte Ida. Quando homem, casa-se com Enone, camponesa da região.

    Anos mais tarde, Páris regressa a Tróia por forma a competir nos jogos da cidade, tendo sido reconhecido pela família real. Coberto de profundo remorso, o soberano acolhe de imediato o seu filho, tornando-o de imediato embaixador de Tróia


.
     Durante uma sua expedição como embaixador a Esparta, Páris não consegue um encontro com o soberano local, Menelau que se encontrava ausente. Pelo contrário, encontra Helena.

Helena, Ulisses e um cavalo

     Na origem da luta impiedosa que opõem os gregos aos troianos, contam as fontes que terá existido um romance: Páris rouba a estonteante e bela Helena, esposa do rei Menelau.

    Rei sem esposa, vergonha pela certa, dado esta ter sido “raptada” pela sua própria vontade, não fosse Páris também ele um belo exemplar troiano…Para vingar a honra de Menelau, Agamémnon seu irmão reúne uma verdadeira irmandade de vários povos gregos, vindos de diferentes Cidades - Estado. Sob o seu comando, Tróia ficará cercada.



    Não terá sido só em Esparta que Páris causaria estragos: em Tróia, Páris renega Enone e o seu filho, tendo os dois de fugir, de novo, para as montanhas. Diz a lenda que terá sido a estupidez de Páris que, afinal, acabaria por salvar a vida quer a Enone, quer ao filho de ambos, Corito.





     Porém, voltando ao assunto da invasão grega, a construção das muralhas da cidade era de tal forma perfeita (atribuída a Poseidon) que os diversos assaltos dos sitiadores não lhe alteram a estrutura. Durante dez anos, frente à impenetrável muralha, nenhum dos heróis gregos – Ulisses, Nestor, os dois Ajax- conseguem produzir qualquer efeito na fortaleza. O futuro parecia eternamente longo, tendo pela frente apenas e só… a muralha.



      Desta forma, o mais astucioso dos gregos, Ulisses, tem a ideia de camuflar a entrada na desejada cidade, construindo um fabuloso cavalo, monstruosamente grande, com lugares para centenas de guerreiros no seu interior. Outros, porém, começavam a abandonar o exterior da muralha, para incredulidade troiana. No final, o que resta no exterior do recinto é o vazio. E um presente dos gregos. Um cavalo, um espectacular cavalo de madeira, tão grandioso que só Tróia se lhe compara. O cavalo é trazido para dentro das muralhas, para o seio da cidade.




     Diz a lenda que durante a noite os soldados escondidos no interior  da estátua saem para a escuridão da noite, abrindo as portas da cidades para os restantes soldados gregos que, afinal não se tinham retirado. Entram numa cidade adormecida e não vigiada, afinal, o perigo já tinha passado…




Aniquilação total: o nascimento de uma lenda

     Para os troianos, dispersos nas suas casas, adormecidos, indefesos e desarmados, a resistência é impossível. Enquanto inúmeros incêndios deflagram em vários pontos da cidade, os gregos entram nas casas, roubam tudo, matam, massacram.

“Nas ruas obscuras, os homens são mortos, as mulheres feitas prisioneiras.”




     Também o palácio do rei Príamo é invadido: Cassandra, a filha do rei, é arrancada do altar de Atena onde se tinha refugiado, tornando-se presa de Agamémnon; já a sua cunhada, Andrómaca, diz a lenda que fica “aos cuidados” do filho de Aquiles; quanto ao jovem Astíanax, filho de Heitor, é lançado do alto das muralhas. Quanto ao rei Príamo, apesar da sua idade avançada ousa pegar em armas para defender o que é seu, mas a verdade é que acaba decapitado.




     Todo o processo é feito ao som de lamúrios, gritos de agonia e terror. Depois de tudo, reina então, o silêncio final em Tróia. O espólio retirado do palácio real é posto à disposição de Ulisses. Percorrendo as longas muralhas, vê-se uma longa, longa fila de mulheres e crianças, acorrentadas, sangrando, assustadas e em silêncio, pensando no horrível destino que as aguarda.
      Já nada mais resta de Tróia, a não ser ruínas fumegantes.




Confusão histórica?

     Se por um lado grande terror rodeia os poemas de Homero, o chamado “inventor de Tróia”, o que é facto é que nos séculos seguintes ninguém tinha bem a certeza se a narração de Homero teria ou não sido verídica. Nos finais da Antiguidade, a história passa a ser olhada como lenda e não tanto como narração verídica:

“Este famoso cavalo de madeira era certamente uma máquina de guerra capaz de arrasar muralhas; ou então somos obrigados a acreditar que os Troianos eram muito estúpidos, insensatos e sem sombra de juízo”
(Pausânias, geógrafo grego século II)




     Progressivamente, a descrição da aniquilação da cidade é tida como uma peça literária brilhante e admirável, mas completamente desprovida de sentido histórico. Assim foi até que, em finais do século XIX, o alemão Heinrich Schliemann, um admirador e apaixonado pela literatura grega, decide provar que toda a narração de Homero existiu verdadeiramente, que Tróia existiu e que conheceu todo aquele fim trágico. Na década de 1870, o especialista traz à luz do dia,  na colina de Hissarlik (actual Turquia), não uma, mas nove cidades soterradas e sobrepostas, sendo que a mais antiga remontava ao IV milénio. Uma destas cidades era bastante rica em ossadas e vestígios de incêndios, pelo que muitos arqueólogos acreditavam ter-se finalmente encontrado a perdida Tróia, sendo que a lenda teria bastante material credível e real.



Imagem alusiva ao transporte do corpo de Heitor



      Porém, a datação da(s) cidade(s) não permitiu quer afirmar, quer excluir que Tróia havia sido encontrada. Actualmente, atribuiu-se a Tróia homérica a uma das cidades encontradas, sendo designada por Tróia VII.

A arqueologia das "várias Tróias"

      O grande interesse arqueológico por Tróia, prende-se, obviamente, com o interesse suscitado pela obra de Homero. A existência das nove cidades foi comprovada por estudos entre 1932-1938 pelo americano Carl W. Blegen, académico da Universidade de Cincinnati. Nessas escavações, foram identificados 46 estratos construtivos agrupados em nove grupos.



- Tróia I: sendo o estracto mais antigo, ocupa um pequeno espaço fortificado com menos de 50 metros na parte mais larga, datada de 3 000 – 2 600 aC, na 1ª fase do Bronze Antigo.

- Tróia II, também de pequenas dimensões, é também ela fortificada, com cerca de 100 m de extensão máxima. Pensa-se que seria um castelo, simples, porém abastado. Terá sido destruída pelo fogo cerca de 2300 aC, tendo nela sido descoberto um tesouro contendo jóias e objectos preciosos que Schliemann, pensando tratar-se da Tróia homérica, denominou Tesouro de Príamo. De facto, o descobridor oferece à sua esposa um bom conjunto de jóias, pensando tratar-se das jóias de Tróia, mais precisamente das jóias de Helena. 

Fotografia de 1874, de Sophia Schliemann, utilizando as jóias encontradas no local de escavação

- Tróia III, IV e V terão sido pequenas cidades de importância local, entre 2300 e 1900 aC, perto do final da época do Bronze Antigo;


- Surge, então, Tróia VII-a, a verdadeira Tróia épica, alegadamente destruída pelos gregos cerca de 1200 AC.

- Tróia VIII é da época clássica da Grécia;



     E, por fim, Tróia IX que pertencerá ao período helenístico-romano. A partir do século IV dC, desaparecem completamente os vestígios históricos da cidade.

      Apesar de não existir grande consenso entre o que é lenda e o que é História, diversos arqueólogos têm, ao longo dos séculos, encontrado demasiadas coincidências entre a trágica história de Homero e as ruínas que vão encontrando, sempre na esperança de um dia observarem um qualquer nome gravado, quer seja Príamo, quer seja Páris, quer seja o de qualquer um herói daqueles tempos já imemoriais.


Fontes:
Astier et al., (2000), Memória do Mundo, Círculo de Leitores
perdidanahistoria.blogspot.pt