AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sábado, 4 de junho de 2016

em rota de despedida


HOMEM PASSA 7 ANOS PRESO POR MATAR ESPOSA, MAS ELA ESTAVA VIVA


prisao
O caso de um homem que passou sete anos na prisão por ter matado e queimado sua esposa, que na verdade continua bastante viva, mostrou mais uma vez a fraqueza da Justiça do Afeganistão.
Abdul Kader, de 53 anos, foi preso em 2009 acusado de queimar e matar a sua esposa, Najiba, no salão de beleza que ela gerenciava na província ocidental de Herat.
A polícia encontrou o corpo carbonizado e irreconhecível de uma mulher que a família da esposa enterrou como se fosse de Najiba. O pai denunciou que sua filha tinha sido assassinada pelo marido e o entregou à polícia.
“Quando vi o que tinha acontecido com minha mulher, sua família me atacou, me bateu e me entregou à polícia, não me deixaram dizer nem uma só palavra”, disse Kader, que saiu de prisão em abril. O vendedor ambulante passou por três instâncias judiciais antes de ser condenado a 16 anos de prisão.
Após sete anos preso, Kader foi libertado, retornou para sua casa com seus filhos, e há seis dias recebeu o telefonema de uma mulher não identificada pedindo que se encontrassem em um parque próximo.

Era a mulher dele.

 Najiba contou que no dia do crime foi sequestrada por seu pai e irmãos e enviada para o Irão, onde passou os últimos sete anos, ameaçada por sua família, que disseram que tinham matado uma mulher e que se ela retornasse eles seriam presos, e decidiu voltar a Herat depois de saber que seu esposo fora libertado. 
Kader e sua família denunciaram o caso à polícia de Herat e exigiram que o presidente afegão, Ashraf Ghani, faça justiça a ele e aos seus quatro filhos, três meninas e um menino, que passaram sete anos sem os pais.
O porta-voz da Polícia de Herat, Abdul Raouf Ahmadi, confirmou os detalhes do caso e disse que foi aberta uma investigação que levou à detenção de cinco pessoas, incluindo o pai e três irmãos de Najiba. 
O caso ainda tem muita coisa em aberto, por exemplo, se tinha mais alguém envolvido, os motivos e quem era a mulher morta que se passou por Najiba e quem a matou.
A opinião de Ahmadi é compartilhada por organizações de direitos humanos e inclusive legisladores afegãos, que consideram o caso uma “vergonha”.
Um relatório divulgado em fevereiro pela Transparência Internacional revelou que a Justiça afegã é considerada a instituição “mais corrupta” de um país que é classificado como um dos três mais corruptos do mundo.



www.crackcomlasanha.com.br

Curiosidades sobre a Antártida que provavelmente você não sabia


1 -A Antártida, na verdade, é um deserto

Quando a gente pensa na Antártida, a primeira coisa que vem à cabeça é a imagem de um lugar coberto de gelo, aparentemente úmido, que em nada lembra os desertos onde são registradas altíssimas temperaturas; só que não só de dunas de areia são feitos os desertos: o continente antártico tem regiões extremamente secas, insanamente hostis ao surgimento de vida

2. Tentar atravessar o continente pode ser fatal

Em janeiro, o explorador britânico Henry Worsley morreu em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos enquanto tentava cruzar sozinho o continente gelado. Em 71 dias, ele havia percorrido 1469 quilômetros, sendo que restavam menos de 50 para que ele concluísse esta perigosa jornada

3. Todos os anos, o continente perde 60 quilômetros cúbicos de gelo

A taxa de derretimento no continente tem aumentado drasticamente desde o início da década: estima-se que a perda de gelo, anualmente, seja de cerca de 60 km³ — praticamente o abastecimento de água no Reino Unido de um ano inteiro

4. No inverno, seu litoral praticamente dobra de tamanho

No inverno, por causa da drástica diminuição na temperatura, a água que está ao redor do litoral da Antártida fica congelada, fazendo com que a superfície do continente quase dobre de tamanho

5. Apesar de ser o lugar mais frio do planeta, as temperaturas médias na Antártida aumentaram mais bruscamente do que no resto do mundo

Nos últimos 50 anos, a temperatura média do continente aumentou cerca de 3 °C — um acréscimo que aconteceu cerca de dez vezes mais rápido do que no restante da Terra

6. Para especialistas, a razão para o derretimento do gelo seria o aumento da temperatura do mar

Segundo um estudo sobre a perda de gelo na Antártida, o acelerado derretimento glacial seria motivado pela elevação da temperatura oceânica, visto que os cientistas não encontraram no continente indícios de aumento na temperatura ou diminuição na quantidade de neve

7. Caso ocorresse um eventual colapso no manto de gelo antártico, ilhas e cidades litorâneas ficariam submersas

Outro estudo publicado recentemente sugere que o derretimento do manto de gelo na Antártida Ocidental poderia elevar em quase 3 metros o nível do mar em todo o planeta, deixando ilhas e cidades costeiras debaixo da água

8. Tem sido cada vez mais difícil para os animais endêmicos da Antártida conseguir alimento

Este pequeno crustáceo chamado krill está na base alimentar de diversas espécies de animais que habitam o continente antártico, como os pinguins, as focas e as baleias. Especialistas acreditam que a elevação da temperatura, o aumento da acidez dos oceanos e, em certa medida, a pesca predatória, têm afetado a dieta dos animais da região e reduzido ainda mais as suas chances de sobrevida

9. Nova base de pesquisa do Brasil no continente deve ficar pronta em 2018

Como você deve saber, nenhuma nação do globo pode exercer sobre a Antártida poder político ou explorá-la economicamente, sendo permitida somente a realização de estudos científicos. A base de pesquisa do Brasil, chamada Comandante Ferraz — destruída por um incêndio quatro anos atrás —, deve ser substituída por esta instalação, que, em seus 4,5 mil m², vai abrigar 17 laboratórios, biblioteca, ambulatório, área de convivência e acomodações para até 64 pessoas

10. O iate de um brasileiro que naufragou na Antártida

Em 2012, o jornalista João Lara Mesquita levou um susto enquanto navegava pelas perigosas águas antárticas: por causa do acúmulo de gelo ao redor da sua embarcação e pelas condições climáticas desfavoráveis, o iate em que ele e mais três tripulantes estavam afundou. Na ocasião, ele gravava um documentário sobre o continente gelado. Felizmente, todos foram resgatados sãos e salvos e levados para a base chilena que ficava próxima do local do naufrágio


www.humorwx.net

A Avenida mais larga do mundo

  Sabe onde fica a avenida mais larga do mundo? 

Fica na Argentina na cidade de Buenos Aires, com 140 metros de largura. 

Sua construção se iniciou em 1912 e concluída somente em 1930. Ela recebeu o nome de Avenida 9 de julho em homenagem ao dia da declaração da independência da Argentina de 1816.


http://ocastelododuque.blogspot.pt/

OLHA, O JOSÉ MANUEL FERNANDES NÃO SABE FAZER JORNALISMO




José Manuel Fernandes escreveu ontem no Observador, num texto intitulado Olha, o Ministério da Educação não sabe fazer contas de somar*, “há apenas 9 concelhos em que as escolas particulares não perdem turmas, e desses 8 são geridos por autarcas do PS.
É o tipo de informação que gosto de confirmar, até porque as fontes são de muito fácil acesso. Basta cotejar os concelhos onde não houve qualquer corte de turmas com os resultados eleitorais das últimas autárquicas.
Comecei logo por torcer o nariz –  mesmo antes de ir para o site do MAI – quando percebi que havia 12 concelhos e não 9 que mantinham o número de turmas inalterado. E o mais divertido estava, contudo, para vir. Se analisarmos a “cor política” das câmaras desses 12 concelhos chegamos à conclusão que 7 são dirigidos por autarcas do PSD ou CDS-PP, 4 do PS e 1 do PCP. E, acrescento eu, a freguesia com o maior número de novas turmas financiadas, Fátima (concelho de Ourém), é do PSD.
Diria que José Manuel Fernandes deu um grandessíssimo tiro no próprio pé (para além de, ao contrário do que lhe exige a deontologia da sua profissão – presumo que ainda tenha carteira de jornalista -, não se ter dado ao trabalho de confirmar a informação).


Odemira – PS
Sabugal – PSD
Peso da Régua – PSD
Macedo de Cavaleiros – PSDTorres Vedras – PSAlcobaça – PSDBatalha – PSD
Fundão – PSD
Ourém – PS
Beja – PCP
Arruda dos Vinhos – PS
Albergaria-a-Velha – CDS-PP


* o título, neste contexto, é uma deliciosa ironia.

Maria João Pires

http://geringonca.com/

A nova extrema-direita mistura de neoliberalismo e racismo












A nova extrema-direita mistura de neoliberalismo e racismo

por Anthony Fano Fernandez*

"Sem resposta para a crise do sistema do capital, são vários os caminhos a que se recorre para criar uma nova extrema-direita com todos os ingredientes de sempre e uma embalagem nova, aparentemente e por enquanto, com uma cara diferente que pretendem mostrar como lavada. 

A maioria dos alemães está convencida que os trabalhadores imigrantes vivem á custa do trabalho dos alemães e dos imigrantes qualificados e instruídos. E, apesar de um estudo do Centro Europeu de Investigação Económica concluir que cada imigrante na Alemanha tem uma contribuição líquida positiva (em 2012 pagou, em média, mais 3.300 euros anuais), persiste o perigo de novas formas de racismo, agora de raiz cultural e religiosa, fruto de uma confluência da doutrina neoliberal atual com um racismo cultural.


O abismo que medeia entre a ideologia e a realidade não poderia ser mais apelativo: de acordo com um estudo do Centro Europeu de Investigação Econômica, publicado em Novembro passado, os imigrantes trazem uma contribuição líquida positiva aos sistemas de previsão e segurança social na Alemanha. O autor do relatório, o economista Holger Bonin, demonstra que, em 2012, cada residente na Alemanha que não tinha passaporte alemão pagou em média mais 3.300 euros de impostos e cotizações para a segurança social que o que recebeu sob a forma de transferências do Estado. Apesar disso, as sondagens dizem que dois terços dos alemães estão convencidos que os imigrantes são um encargo para o sistema de bem-estar do seu país. Independentemente do mau gosto que é avaliar a vida humana por critérios econômicos, a combinação do cálculo de Bonin com as sondagens mostra uma imagem surpreendente da mentalidade atual dos alemães em matéria de imigração, e a convergência da reconfiguração neoliberal da sociedade alemã com formas racistas de entender estas alterações.

Quando o ministro da Fazenda do Estado de Berlim, Thilo Sarrazin, publicou o seu livro Deutschland schafft sich ab (Alemanha condena-se), em 2010, poucos observadores reconheceram que anunciava o nascimento de uma nova extrema-direita modernizada na Alemanha, que se separava significativamente da extrema-direita nazi e nacional-conservadora populista da velha escola de há décadas. Ficaram esquecidos os modelos sociopolíticos anteriores e o racismo biológico, substituídos pelo casamento da doutrina neoliberal moderna com o racismo culturalista. Esta nova extrema-direita está agora dar forma a uma entidade coerente com contornos bem definidos e a uma divisão do trabalho entre diferentes componentes: um partido eleitoral denominado Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha, AfD); uma ala extraparlamentar combativa, encarnada no movimento PEJIDA (Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente) e um centro ideológico representado pela revista mensal Compact, editada por Jürgen Elsässer, um jornalista que era de esquerda radical, hoje convertido em nacional-populista de extrema-direita.

Exige algum esforço desencadear a genealogia deste novo movimento, visto que todos estes componentes têm origens diferentes: a AfD surgiu como um protesto eleitoral de conservadores contrários à União Europeia e aos resgates do euro praticados pelo governo de Ángela Merkel, enquanto as manifestações convocadas pelo PEJIDA representam uma mobilização de base com raízes no racismo antimuçulmana que impregna o discurso público alemão desde há algum tempo. A revista Compact representa a tentativa de criar um bloco «anti-imperialista à volta de um fantasmagórico eixo Paris-Berlim-Moscovo, para contrariar a hegemonia estadounidense. Não obstante, visto que o racismo antimuçulmano serve presentemente de ponto de convergência destas diversas forças, tem sentido esboçar a função do discurso racista contra os muçulmanos na Alemanha durante os últimos anos.

Em 2007, o sociólogo George Klauda observou que havia um racismo especificamente antimuçulmano confinado fundamentalmente à intelectualidade: «A islamofobia tem, pelo menos neste país, alguma relevância não como fenómeno de massas, mas como discurso de elite que, partilhado por um considerável número de intelectuais de esquerda, liberais e conservadores, permite articular ressentimentos contra imigrantes e militantes antirracistas, de forma que cada um possa aparecer como um brilhante campeão dos ilustrados europeus.» Ainda que esta observação fosse correta, quando foi escrita há sete anos, o que, hoje em dia, o PEJIDA representa é a transformação do racismo antimuçulmano num fenómeno de massas, capaz de mobilizar grandes manifestações com mais de 20.000 pessoas.

O agora defunto Gruppe Soziale Kämpfe (Grupo de Lutas Sociais, GSK) teorizou esta transformação do discurso racista como parte de uma «culturalização da questão social» especificamente neoliberal. O GSK acentuou que, no período imediato ao pós-guerra, o racismo na Alemanha concretizou-se na qualificação da população de trabalhadores imigrantes como «não alemã, sobretudo italianos, turcos e jugoslavos. O racismo dirigido contra esta população imigrante estava assente na sua posição de estrato mais baixo de uma classe operária industrial gerada ao abrigo do pacto social fordista na República Federal do «milagre económico».

Um novo racismo neoliberal e cultural

Com a chegada de Helmut Kohl à chancelaria em 1982 – cavalgando a mesma onda conservadora que levou ao poder Ronald Reagan e Margareth Taetcher – a proclamação de uma «reviravolta espiritual-moral» marcou um novo regresso ao conservadorismo «baseado em valores». De um modo idêntico à reação conservadora no mundo anglo-saxónico, à volta de questões como o aborto e os direitos dos gays e lésbicas, foram-se recuperando questões de «cultura» e «identidade» por parte da direita e, paralelamente, deu-se uma alteração do discurso racista. Durante o período que vai da reunificação alemã e a primeira Guerra do Golfo aos atentados de 11 de Setembro e as subsequentes guerras do Afeganistão e Iraque, os trabalhadores imigrantes do sul da Europa foram substituídos por uma população imigrante caracterizada, racial e culturalmente, como muçulmana.

Enquanto as antigas formas populistas e fascistas não desapareceram de todo – basta recordar os pogroms que houve em Rostok-Lichtenhagen, em 1992, o ataque mortal a uma família turca na cidade de ocidental de Solingen em 1993 ou o êxito eleitoral do Nationale Partei Deutschlands (Partido Nacional da Alemanha, NPD), um partido abertamente fascista, na Saxónia em 2004 – desenvolveu-se um lento processo de conversão no novo racismo «cultural». Esta interação mistura uma ideologia neoliberal utilitária, que avalia os estrangeiros em termos de «utilidade» para a «nossa sociedade», com a construção de uma narrativa que atribui a pouca sorte ou à falta de êxito dos que se encontram no escalão mais baixo da escala social à sua «alteridade» cultural e à sua «falta de vontade» de se «integrarem» na sociedade «alemã» ou «ocidental» devido ao inveterado compromisso com os ideais religiosos ou culturais islâmicos.

Escusado será dizer que esta narrativa cultural não costuma compreender a realidade destes alemães ou residentes de origem turca ou curda – que em muitos casos são laicos e situam-se politicamente na esquerda – nem a diversidade e as discrepâncias internas das comunidades muçulmanas da Alemanha. Mais, essa narrativa serve para racionalizar o estribilho do capitalismo neoliberal em termos de vontade ou incapacidade do «eu empreendedor» para tomar nas suas próprias mãos as rédeas do próprio destino. O perverso é que este racismo cultural e neoliberal representa uma espécie de «vitória» sobre o velho racismo populista. Em 2000, quando o relativamente novo governo de coligação do Partido Social-democrata (SPD) com o Partido Verde tentou instituir um programa de «cartão verde», com o objetivo de atrair os trabalhadores estrangeiros altamente qualificados em informática e telecomunicações e outros campos muito especializados, o presidente da União Democrata-Cristã do Estado da Renânia do Norte-Westfalia, Jürgen Rüttgers, apelidou o mobilizador lema racista de «Kinder sttat Inder!» (Crianças em vez de índios!) para resumir a posição do seu partido, favorável à formação de alemães nativos em carreiras de alta tecnologia em vez de se importarem trabalhadores qualificados.

Durante os anos de governo social-democratas e verdes, os Estados federados presididos por políticos da CDU conseguiram, apesar de disso, bloquear efetivamente os planos de implementação de uma cidadania dual para os que o desejassem adquirir a cidadania alemã sem ao mesmo tempo perder a do seu país de origem. Depois, em 2014, a CDU comprometeu-se a promulgar uma lei de dupla nacionalidade com o seu aprceiro de coligação, o SPD, com o que colocou o velho racismo de tipo Rüttgers completamente fora de jogo de uma CDU modernizada e neoliberal da chanceler Ángela Merkel. O que os conservadores tradicionais chamam amiúde de «social-democratização da CDU»representa de facto uma convergência entre o SPD e a CDU na base de uma adoção comum da ideologia neoliberal e a «culturalização da questão social».

Sarrazin, o pioneiro

Presentemente podemos ver na nova extrema-direita da AfD, PEGIDA e outras organizações uma radicalização na base do que essencialmente é um discurso próprio do sistema. Sarrazin desempenhou sobre isso o papel de pioneiro. Como membro do senado berlinense presidido pelo social-democrata Klaus Wowereit de 2002 a 2009, durante o do governo de coligação do SPD e PDS (um dos partidos predecessores do Die Linke), Sarrazin ganhou nome tanto pela defesa da uma radical aplicação da austeridade fiscal no Estado de Berlim que se encontrava em falência, como pelas suas inflamadas declarações sobre os pobres e outras pessoas marginalizadas. Numa entrevista publicada no seminário Stern, Sarrazin declarou que os beneficiários do seguro de desemprego crónico destruidores de energia porque «costumam estar mais em casa, querem estar quentes e regulam a temperatura com a janela», defendendo uma alteração no sistema de bem-estar em que «cada um pode melhorar o seu nível de vida tendo mais filhos, como sucede hoje em dia».

Depois de abandonar Berlim para assentar em águas mais calmas de um breve mandato no conselho do Bundesbank em Frankfurt, durante uma entrevista com a revista Lettre International sobre a sua experiência como senador responsável pelas Finanças, Sarrazin declarou o seguinte, a propósito da população muçulmana de Berlim: «Não tenho qualquer razão para respeitar quem viva do Estado, ao mesmo tempo rejeita esse Estado, não se ocupa de forma razoável com a educação dos seus filhos e faz continuamente pequenas meninas com véu». Tudo isto foi um prelúdio da publicação, em 2010, do seu citado livro, onde desenha um hiperbólico afundamento da Alemanha enfraquecida por uma taxa de natalidade da sua população autóctone e de um suposto declive do coeficiente de inteligência coletivo nacional devido à imigração «muçulmana» contribuir para o crescimento de uma subclasse permanente.

O livro de Sarrazin, que foi um estrondoso êxito de vendas, tocou a corda sensível do zeitgest, ao mesmo tempo que constituiu uma espécie de manifesto de uma versão radicalizada da nova síntese racista neoliberal-cultural. Este racismo de novo tipo conserva traços do velho racismo, como o lamento de Sarrazin de que «os turcos estão a conquistar a Europa exatamente forma como os kosovares conquistaram o Kosovo: através de taxas de natalidade mais altas. Eu preferiria que fossem os judeus da Europa Oriental que têm um coeficiente de inteligência 15% mais elevado que a população alemã».

Enquanto o livro de Sarrazin tivesse arrasado entre a população alemã, ainda teria que passar algum tempo entre o seu êxito de vendas em 2010 e o sucesso eleitoral da AfD e o surgimento do PEJIDA em 2014. Uma espécie de «ponte» ideológica foi estendida com a criação em 2010 da revista Compact, editada por Elsässer. Na capa do primeiro número aparecia uma foto de Sarrazin sob o seguinte título: «O próximo chanceler federal?» A biografia política de Elsässer é uma ilustração fascinante de como a nova extrema-direita consegue ganhar nomes da «esquerda» dentro da tentativa de configurar uma nova «rebelião conformista». Antigo professor de formação profissional em Estugarda, Elsässer foi primeiramente conhecido como membro da Kommunistischer Bund (Liga Comunista, KB), um partido maoista, em 1990, no decorrer de manifestações que provocaram a dissolução da República Democrática Alemã.

Elsässer: da extrema-esquerda à extrema-direita

Num artigo publicado na revista KB, Arbeiterkampf, intitulado «Por que é que a esquerda tem de ser antialemã?, Elsässer expressou o medo da esquerda radical alemã ocidental sobre o possível ressurgimento de uma Alemanha unificada como grande potência, e ao mesmo tempo estreou o que no decurso do decénio seguinte apareceria como tendência diferenciada no seio da própria esquerda radical alemã. Como repórter do diário da esquerda Junge Welt, cofundador do semanário Jungle World e, finalmente, como editor da revista mensal da extrema-esquerda, Konkret, Elsässer passou o resto do decénio a escrever artigos de cariz marcadamente antinacionalista e contrários à emergência de um suposto «IV Reich» alemão, um temor que parecia confirmar-se com o papel desempenhado pela Alemanha na fragmentação da antiga Jugoslávia, com o reconhecimento das repúblicas da Eslovénia e da Croácia em 1991 por parte do então ministro das Relações Exteriores, Hans, Dietrich Genscher e da participação da Alemanha na guerra do Kosovo em 2000.

Quando rebentou a segunda Intifada em Setembro de 2000, Elsässer começou a ver o candidato israelense a primeiro-ministro, Ariel Sharon, como uma espécie de Slobodan Milosevic do Levante, um chefe de Estado «antifascista» atribulado, vítima do imperialismo hegemónico liderado pela Alemanha. No entanto, depois da reafirmação da hegemonia global dos EUA durante a Guerra do Afeganistão em 2001, seguida da Guerra do Iraque, que teve a oposição da França e da Alemanha sob a direção de Jacques Chirac e Gerhard Schröder, respetivamente, Elsässer viu-se obrigado a rever totalmente as suas teorias. Depois de tudo, a Alemanha, apesar da sua importância dentro da União Europeia, não era mais que uma potência regional de segunda classe que oscilava entre o atlantismo e as renovadas apostas de se contituir numa «grande potência» rival.

Elsässer começou a publicar livros e artigos onde defendia a constituição de um «eixo Berlim-Paris-Moscovo» oposto a Washington. Depois de uma série de intervenções explicitamente nacionalistas e de se lhe terem fechado praticamente as portas em todas as principais publicações de esquerda, Elsässer lançou a Compact, criando deste modo um centro ideológico coerente para uma política de extrema-direita de novo tipo: abertamente de extrema-direita passa a bramir temas tradicionais de extrema-direita contra o «capital financeiro», defende a formação de uma potência «euroasiática» como polo de oposição aos EUA e mostra-se decididamente contrário à imigração, ao mesmo tempo que apoia países como o Irão ou a Síria, em política externa. Esta despropositada mistura encontrou uma audiência entusiasta na nova extrema-direita e alguns elementos da ideologia estão profundamente arreigadas no coração da própria sociedade alemã, como o atesta a presença destacada de Compact nos quiosques das estações de caminho-de-ferro.

As duas alas da AfD

Era inevitável que a Elsässer saudasse com entusiasmo o aparecimento da candidatura eleitoral da AfD. Fundada em 2013 como partido monotemático contrário ao euro, a AfD expressou os interesses de uma direita conservadora que já não se sentia representada pela CDU, supostamente «social-democratizada» de Merkel. Com uma direção composta pelo economista de Hamburgo Bernd Lucke e o ex-editor do Frankfurter Allgemeine Zeitung Konrad Adam, a AfD começou por manter um perfil decididamente «burguês», distanciando-se dos partidos neonazis tradicionais como o NPD e a Deutsche Volkunion (União Popular Alemã, DVU). Esta insólita aliançadepois do colapso do Freidemoktarische Partei (Partido Liberal Democrático, FDP) converteu-se num irresistível polo de atração para toda a espécie de direita que viu na AfD a oportunidade de criar uma poderosa formação eleitoral à direita da CDU e dos seus aliados Bávaros da CSU.

Com as insuspeitas credenciais burguesas de Lucke e Adam, a AfD parecia estar bem apetrechada para acabar com o tabu do pós-guerra, expresso pelo que foi durante muito tempo presidente da União Social Cristã (CSU) bávara, Franz Josef Dtrauss, com a famosa frase de que «não pode haver nenhum partido mais à direita que a CSU». Ainda que a AfD não conseguido superar a barreira dos 5% para entrar no Bundestag (parlamento federal) nas eleições de 2013, em 2014 teve 7,1% nas eleições para o Parlamento Europeu e elegeu 7 deputados. Nas eleições regionais dos Estados federados orientais de Saxónia, Brandeburgo e Turíngia, a AfD já alcançou percentagens melhores percentagens: 9,7%, 12,2% e 10,6%, respetivamente.

A posição política da AfD balança entre o liberalismo «respeitável» de um Lucke, que se considera ligado à tradição do ministro da Economia do pós-guerra, Ludwig Erhard, e da CDU anterior a Merkel, e uma direita mais radical, representada pela presidente da Saxónia ,Frauke Petry. Entretanto ambas as alas se procuram distanciar do tradicional racismo biológico populista a favor de um populismo neoliberal que preconiza uma política de imigração «no interesse da Alemanha», isto é, de braços abertos para com os imigrantes «economicamente úteis», e mão pesada contra os que procuram asilo e os «delinquentes estrangeiros», pelo que os conflitos entre elas aparecem claramente na controvérsia que se verificou quando quatro eurodeputados da AfD, entre os quais Lucke e Henkel, que votaram a favor das sanções à Rússia, por causa da anexação da Crimeia. Este facto provocou a oposição de Petry e Alexander Gauland, ex-membro da CDU e diretor da chancelaria do Estado de Hesse. Tinha razão Elsässer quando descreveu o conflito político surgido no interior do partido como uma confrontação entre uma «ala PEJIDA» e uma ala EUA» (seria a que mantém a posição atlantista tradicional da CDU pós-guerra). As tensões atingiram o ponto crítico em começos de 2015, quando Lucke declarou que havia que mudar a estrutura do partido de modo houvesse um presidente (ainda que ambos os lados se tivessem posto de acordo nesta questão).

O racismo do PEJIDA

Em todo o caso, o movimento PEJIDA continua a ser a prova palpável da amplitude da base social desta nova extrema-direita. As manifestações, que no ponto mais alto, reuniam mais de 20.000 pessoas todas as segunda-feira nas marchas pelo centro de Dresden, foram um tema de debate importante durante grande parte do inverno de 2015. O nome do movimento – Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente – parece indicar que se trata de uma iniciativa monotemática, nascida de uma visão paranoica e ridícula de uma iminente conquista da Alemanha pelo islão. Mas ficar por esta imagem seria subestimar o astuto oportunismo tático de uma iniciativa que pretende criar um movimento xenófobo moderno, para o que a palavra «islão» mais não é do que uma referência útil. Isto torna-se evidente na forma como foi criada a organização: o fundador, Lutz Bachmann, uma estranha personagem com um passado delitos menores, criou no Facebook um grupo chamado PEJIDA com o objetivo de mobilizar o protesto contra uma marcha de simpatizantes do Partido dos Trabalhadores Turcos (PKK) pelo centro de Dresden. Por outras palavras, apesar da pretensão de ser um movimento contra a «islamização», na realidade, o PEJIDA formou-se para protestar contra os que apoiam uma organização curda laica que atualmente está a combater o Estado Islâmico (EI).

É um movimento contra a imigração, como demonstra a declaração de 19 pontos, que reclama uma «política de tolerância zero» contra os candidatos a asilo e imigrantes «criminosos»; defende uma política de imigração baseada nos modelos «utilitaristas» da Suíça, Canadá e Austrália; propõe-se defender a «cultura judaico-cristã do Ocidente» e formula denuncias tão atoleimadas como a que se opõe à inclusão da perspetiva de género em todas as políticas públicas, juntamente com apelos paranoicos a favor da proibição da sharia e das «sociedades paralelas».

O apoio a uma melhor atenção aos candidatos a asilo e a procura condições mais humanas nas habitações que se põem à sua disposição são incluídos para criar a imagem de PEJIDA como uma formação moderna, «tolerante», contrária à imigração, mas a base abertamente racista do movimento fica perfeitamente refletida numa série de vídeos não editados com entrevistas feitas por Panorama, um programa de notícias da televisão pública. Aí, articulam os participantes nas manifestações do PEJIDAos pontos de vista típucos da extrema-direita, como o de que «Alemanha não é um país soberano» e que os imigrantes não são «refugiados de guerra», mas sim «parasitas».

O caráter racista do PEJIDA levou Merkel a criticar publicamente o movimento no seu discurso de Ano Novo e a defender a urgência dos cidadãos não participarem nas suas manifestações. Apesar disso, o PEJIDA granjeou as simpatias políticas de procedência previsível: em janeior de 2015, Petry convidou a direção do PEJIDA para uma reunião com o grupo parlamentar da AfD no parlamento regional da Saxónia para falarem das coincidências entre o movimento e aquele partido. Petry defendeu nos media o PEJIDA das acusações. Apesar disso, as mesmas tensões inerentes ao projeto AfD também provocou uma crise aguda no PEJIDA devido à contradição entre a postura de respeitabilidade burguesa e a necessidade de manter uma base fiel e o apelo ao eleitorado tradicionalmente de extrema-direita. O discurso racista antimuçulmano herdado da intelectualidade liberal ajudou a nova extrema-direita a pôr um pé na porta da respeitabilidade discursiva, mas à medida que esta posição dava lugar a convites para debates televisivos e manifestações de «preocupação» dos políticos pelos «legítimos» temores dos cidadãos, acaba por entrar em conflito com o núcleo claramente racista do movimento.

Um exemplo claro foi a controvérsia que surgiu à volta do fundador, Lutz Bachmann, devido à publicação na sua página do Facebook de uma fotografia em que aparecia disfarçado de Hitler. Além de algumas declarações em que qualifica os estrangeiros de «alimanhas» e «escória suja». Ainda que Bachmann, inicialmente, se tenha demitido com espetacularidade da presidência do PEJIDA, para não prejudicar o movimento (que desde 2014 tinha adquirido a condição legal de «associação registada»), insistiu em manter um papel na organização, o que provocou a demissão de apoiantes de Kathrin Oertel, a autonomeada «assessora económica» e «perita imobiliária» que desempenhava a função de tesoureira do movimento, e pretendia mostrar um PEJIDA de uma respeitável cara burguesa no epónimo debate televisivo de Günther Jauch.

Um Bachmann irremediavelmente manculado e contrário a qualquer associação com o movimento LEJIDA da cidade de Leipzig, cuja direção está ainda mais explicitamente ancorada na extrema-direita organizada, o grupo de apoiantes de Oertel fundou a organização Direkte Demokratie für Europa (Democracia Direta para Europa, DDfE). A declaração fundacional da DDfE constitui a tentativa de alargar a fixação inicial do PEJIDA no islão e na imigração à inclusão do apoio ao pedido de plesbicitos, iniciativas legislativas populares, à «liberdade de expressão», à «segurança cidadã», à oposição ao tratado TTIP de livre comércio, à retirada das sanções da UE à Rússia decretadas devido à crise da Ucrânia, mas mantendo a respeitabilidade pequeno-burguesa, que tinha ficado prejudicada com a revelação de que Bachmann não passava de um arruaceiro racista.

A DDfE não conseguiu reunir em 8 de fevereiro de 2015 mais de 500 pessoas na sua primeira manifestação em Dresden, ao passo que o PEJIDA juntou cerca de 2.000, um número muito inferior ao que costumava verificar-se uns meses antes. O que é interessante na cisão da DDfE é que a sua tentativa de se distanciar do PEJIDA não implica, de forma alguma, um afastamento real das posições políticas da extrema-direita; na verdade, a sua «expansão» num movimento mais amplo e favorável à democracia popular e a uma política mais conciliadora com a Rússia e contrária ao livre comércio, etc., encaixa perfeitamente na orientação preconizada por Elsässer e nas «manifestações das segundas-feiras» do novo «Movimento pela Paz 2014». Em vez disso, a aposta da DDfE pela respeitabilidade não se baseia em nenhuma rejeição da política de extrema-direita, mas antes no desejo de se apresentar como uma organização formada por gente «normal» do «centro da sociedade».

Um estudo publicado em janeiro de 2015, feito por uma equipa de investigação da Universidade Técnica de Dresden, deu credibilidade a esta imagem, dizendo que 70% dos participantes tinham emprego e trabalhavam, tinham rendimentos ligeiramente superiores à média e um nível educativo universitário ou de formação profissional especializada. Apesar de outros académicos do Centro Científico de Berlim e do instituto de opinião pública FORSA, o classificarem de não representativo (65% dos pedido de resposta à sondagem recusaram fazê-lo), o estudo lança uma luz interessante sobre o movimento PEJIDA, do ponto de vista da sua continuidade com os movimentos tradicionais da extrema-direita.

Naturalmente, qualquer análise que trate de uma manifestação contemporânea da extrema-direita tem de responder à questão «que fazer?» Em várias cidades da Alemanha Ocidental tem havido admiráveis manifestações contra as tentativas dos nazis locais de formar PEJIDAs e outros grupos com nomes diferentes terminados em «gida». A potencial base de massas da extrema-direita na Alemanha Ocidental é bastante limitada e continuará a sê-lo num futuro previsível. Muito mais impressionantes foram as manifestações massivas contra a marcha LEJIDA em Leipzig, ainda que as circunstâncias também fossem mais favoráveis, devido ao caráter abertamente fascista deste movimento e à continuidade de um forte sentimento antifascista no seio da esquerda nesta cidade.

Um elemento problemático que não foi suficientemente analisado nos debates da esquerda radical sobre a nova extrema-direita é a resistência de muitos ativistas de esquerda em abordar a especificidade do racismo antimuçulmano. Se é certo que a hostilidade abertamente expressa contra os muçulmanos oculta uma posição mais alargada de caráter racista para com os estrangeiros que, demasiadas vezes, os ativistas de esquerda alemães recusaram tratar o tema de como racismo antimuçulmano, dominante na intelectualidade liberal e até em partes da esquerda radical, abriu caminho à extrema-direita.

Uma admirável oposição ao antissemitismo que ainda grassa na sociedade europeia conduziu, depois da segunda Intifada e das guerras do Afeganistão e Iraque, a um alarmante racismo antimuçulmano numa parte da esquerda radical alemã. Até os setores que não caíram nessa armadilha não tiveram o cuidado de não confundir uma crítica materialista geral da religião, enquanto tal, com um discurso racista que pretende apresentar os muçulmanos como pessoas particularmente patológicas ou ameaças à «ilustração» ou à «civilização». A transição de uma figura como Elsässer, de propagandista «antialemão» a figura de proa da nova extrema-direita nacionalista, deveria dar que pensar àqueles militantes da esquerda radical alemã que procuram evitar o confronto com discursos especificamente antimuçulmanos e os difusos entre a defesa da «racionalidade da ilustração» e os movimentos que clamam pela proteção do Ocidente.


* Ativista antirracista e escritor residente na Alemanha.

Este texto foi publicado em https://www.rebelion.org/noticia.php?id=211042



Fonte: O Diário


04 de Junho de 1798: Morre Giacomo Casanova


Aventureiro e escritor italiano, Giacomo Girolamo Casanova nasceu a 2 de abril de 1725, em Veneza, numa casanas proximidades do Teatro San Samuele. Filho de Getano Giuseppe Casanova e de Zanetta Farussi, ambos atores, Giacomo Casanova viria mais tarde a afirmar ser filho ilegítimo do nobre veneziano Michele Grimani,proprietário do teatro onde os seus pais trabalhavam.

Teria sido educado sobretudo pela avó materna, Marzia Farussi, já que os pais se haviam deslocado em tournée a Londres, de onde regressariam em 1728. Com a morte do pai, em 1733, a mãe decidiu rejeitar consequentes propostas de casamento e dedicar-se à criação e ao provimento dos seus filhos, resolução que pouco durou, pois cedo deixaria Veneza, acabando em Dresden, trabalhando com o grupo Comici Italiani.

Assim sendo, o jovem Casanova foi enviado, em 1734, para casa de um Doutor Gozzi, em Pádua, onde recebeu uma boa educação, dando sinais de precocidade extraordinária. Ter-se-ia apaixonado pela irmã mais nova do médico.

Em 1738 começou a estudar Direito na Universidade de Pádua, mas como os seus estudos não requeriam presença absoluta, passou a maior parte do seu tempo em Veneza, deslocando-se apenas a Pádua em época de exames. Prestou serviço no exército durante algum tempo, foi violinista de parco sucesso e trabalhou para um advogado, de nome Manzoni

Em 1742 obteve o seu diploma em Direito Canónico e Civil pela Universidade de Pádua. A sua mãe, então em Varsóvia, decidiu entregar ao senhorio a sua casa em Veneza. Casanova foi aceite no Seminário de São Cipriano,acabando por ser expulso por conduta escandalosa, como resultado da sua vida de dissipação, entre álcool e aventuras amorosas.

No ano seguinte, Casanova foi aprisionado no Forte de Sant'Andrea, morreu-lhe a mãe e, posto em liberdade, foi nomeado secretário de Bernardo da Bernardis, bispo de Martirano, na Calábria. Impressionado pela pobreza daregião, recusou o posto. Foi então secretário do Cardeal Acquaviva, em Roma, mas um novo escândalo forçou-o aabandonar a cidade, viajando em consequência para Nápoles, Corfu e Constantinopla, acabando por tornar aVeneza, onde teve uma aventura amorosa com uma Signora F.. Em 1746 foi violinista no Teatro de San Samuel,em Veneza.

Os diferentes períodos da vida de Casanova foram marcados pelas aflições provocadas por doenças venéreas.Tendo contraído gonorreia ainda na adolescência, com a experiência aprendeu a tratar as doenças sexualmente transmissíveis, auto-medicando-se e expurgando as purulências.

Em 1749 conheceria o grande amor da sua vida, uma francesa jovem e misteriosa, de nome Henriette, que logo o abandonou para regressar à alçada familiar. Casanova partiu então para Lyon, onde foi aceite na Maçonaria.Suspeito de heresia pela Inquisição, foi forçado a permanecer em movimento. Viajou por Paris, onde, em co autoria com François Prévost d'Exiles escreveu uma peça de teatro, Les Tessaliennes, representada quatro vezes, em 1752, no Comédie Italienne; por Dresden, onde, em 1753 foi estreada a sua paródia à Thébaïde deRacine; e por Praga e Viena, acabando por retornar a Veneza.

Denunciado como mágico em 1755, Casanova viu apreendidos os seus manuscritos, os seus tratados de magia e o livro de posições sexuais de Arentino. Condenado a cinco anos de prisão numa câmara de chumbo no sótão do palácio do Doge, que chegava a atingir temperaturas de um calor extremo, conseguiu escapulir-se ao fim de um ano. Exilando-se em Paris, foi considerado uma celebridade pela notícia da sua fuga.

Jogador inveterado, introduziu, em 1757, a lotaria, invenção que o tornou milionário. Montou também uma fábrica de estampagem de seda, a qual era mantida por vinte jovens operárias. Para além disso, desviou grandes quantias de dinheiro das mãos da Marquesa D'Urfé.

Durante os seus anos no exílio, Casanova conheceu personalidades como Luís XV, Rousseau e a Madame Pompadour. Em 1760 foi obrigado a fugir aos seus credores, deambulando de novo pela Europa, passando por Nápoles, Inglaterra, Alemanha e Espanha. Em 1772 escreveu, na língua italiana, a História do Desassossego na Polónia, e entre 1774 e 1782 trabalhou como espião ao serviço da Inquisição de Veneza. Conheceu, na cidade de Praga, em 1787, Amadeus Mozart, tendo estado presente na estreia da sua ópera Don Giovanni. Mozart teria alegadamente retirado parte da sua inspiração de episódios da vida do aventureiro para a composição da ópera.

A partir de 1785 trabalhou como bibliotecário no Castelo de Dux, na Boémia, ao serviço do Conde de Waldstein,como ele maçon e interessado em magia. Começa a escrever, em 1790, a Histoire de Ma Vie (1960-62)Desdentado, enfermo e há muito impotente, Casanova veio a falecer a 4 de junho de 1798, na companhia e cuidados de Cecile von Roggendorf, uma canonesa de vinte e dois anos, e de Elise von der Recke. Segundo o Principe de Ligne, as suas últimas palavras teriam sido: "Vivi como um filósofo, morro como um cristão".



Casanova. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (imagens)





Retrato de Casanova - Alessandro Longhi
 


File:Calonghi.jpg

Milionário usa mulher em fraude com faturas


 Jovem está na Roménia e diz que voltará em breve. 

Milionário usa mulher em fraude com faturas Carlos Pinto, que está preso em Vigo, Espanha, por suspeitas de ter tentado matar a mulher num hotel, há mais de um mês, terá usado o nome de Eliza Pinto para criar uma empresa que se suspeita ser apenas de fachada. 

O objetivo passaria por colocar em prática mais um esquema de emissão de faturas falsas. 

A jovem, de 26 anos, seria sócia e gerente de uma empresa relacionada com a venda de aço e corre agora o risco de ser responsabilizada por eventuais dívidas que aquela empresa tenha ao Fisco. 

Terá sido, aliás, a pretexto de reuniões de negócios que Carlos levou a mulher, com quem era casado há seis meses, a Vigo. Alegou à jovem modelo que precisava da sua assinatura em vários documentos. 

Fonte ligada à vítima diz que aquela não sabe o que constava dos papéis. A jovem está atualmente na Roménia, onde tem família, e a mesma fonte já garantiu ao CM que aquela não está em fuga e que regressará, muito em breve, a Portugal. 

A modelo já negou também a versão alegada por Carlos - que diz agora ter transferido 300 mil euros para uma conta em nome de Eliza. A modelo garante não ter qualquer dinheiro em sua posse. O casal também não terá bens em seu nome. 

A casa onde viviam, em S. Félix da Marinha, Gaia, era alugada. Os poucos bens que Carlos teria colocado em nome de Eliza foram passados para um dos filhos do empresário. 

Carlos, que sofreu um ataque cardíaco após a agressão à mulher, está na ala prisional do Hospital de Pontevedra

VÍDEO


video





 http://www.cmjornal.xl.pt