AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Bombas nucleares para a Itália “não nuclear






JPEG - 36.6 kb
“Obrigado, presidente Obama. A Itália prosseguirá com grande determinação o empenho pela segurança nuclear”: escreve em seu twitter o premier Renzi, após participar na cúpula de Washington sobre este tema em abril. “A proliferação e o uso potencial de armas nucleares – escreve o presidente Obama na apresentação da cúpula – constituem a maior ameaça à segurança global. Por isso, há sete anos em Praga, assumi o compromisso de que os Estados Unidos deixem de difundir armas nucleares”.
Exatamente enquanto declara isto, a Federação dos Cientistas Americanos (FAS) fornece outras informações sobre o B61-12, a nova bomba nuclear estadunidense em fase de desenvolvimento, destinada a substituir a atual B61 instalada pelos EUA na Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia.
Estão em curso testes para dotar a B61-12 de capacidade anti-bunker, ou seja, de penetrar no subsolo, explodindo em profundidade para destruir os centros de comando e outras estruturas subterrâneas em um first strike nuclear.
Para o uso desta nova bomba nuclear guiada com precisão e com potência variável, a Itália fornece não só as bases de Aviano e Ghedi-Torre, mas também pilotos que são treinados para o ataque nuclear sob o comando dos EUA. É o que demonstra, escreve a FAS, a presença em Ghedi do 704º Munitions Support Squadron, uma das quatro unidades da U.S. Air Force deslocada para as quatro bases europeias “onde as armas nucleares dos EUA são destinadas ao lançamento por parte de aeronaves dos países hóspedes”.
É o que confirma, sempre dos EUA, o Bulletin of Atomic Scientists (uma das mais autorizadas fontes sobre armas nucleares) que, em 2 de março de 2016, escreve: “À força aérea italiana (com a aeronave Tornado PA-200) são destinadas missões de ataque nuclear com armas nucleares dos EUA, sob controle de pessoal da U.S. Air Force até que o presidente dos Estados Unidos autorize o uso”.
De tal modo, a Itália, oficialmente um país não nuclear, é transformada em primeira linha e portanto em potencial alvo, no confronto nuclear entre os EUA/Otan e a Rússia. Confronto que se tornará ainda mais perigoso com a implantação na Europa das novas bombas nucleares dos EUA, que abaixam o limiar nuclear: “Armas nucleares deste tipo mais precisas – advertem diversos especialistas entrevistados pelo New York Times – aumentam a tentação de usá-las, inclusive de usá-las em primeiro lugar”.
Em face do crescente perigo que paira, não advertido pela esmagadora maioria devido ao blecaute político-midiático, não bastam apelos genéricos ao desarmamento nuclear, terreno fácil de demagogia. Basta pensar que o presidente Obama, depois dessa escalada nuclear de 1 trilhão de dólares, declara querer “realizar a visão de um mundo sem armas nucleares”. Devemos denunciar – como faz o Comitê Não à Guerra, Não à Otan – o fato de que, hospedando e preparando-se para usar armas nucleares, a Itália viola o Tratado de Não-Proliferação das armas nucleares, ratificado em 1975, o qual estabelece: “Cada um dos Estados militarmente não nuclear se compromete a não receber de ninguém armas nucleares, nem o controle sobre tais armas, direta ou indiretamente” (Artigo 2).
O único modo concreto que temos na Itália de contribuir para desarmar a escalada nuclear e realizar a completa eliminação das armas nucleares, é exigir que a Itália deixe de violar o Tratado de Não-Proliferação e, com base nisso, impor aos Estados Unidos que removam quaisquer armas nucleares do nosso território nacional e não instalem as novas bombas B61-12.
Há alguém no Parlamento disposto a exigir isto sem meios termos?

VÍDEO
Tradução
José Reinaldo Carvalho 
Editor do site Resistência 
Fonte
Il Manifesto (Itália)

www.voltairenet.org

video muestra la cruda realidad del Estado Islámico

Conmovedor video muestra la cruda realidad de soldados del Estado Islámico


isisEn YouTube ha aparecido recientemente un video que muestra la cruda realidad a la que se enfrentan los soldados del grupo terrorista Estado Islámico. Grabado en primera persona por uno de los combatientes, el video refleja la poca destreza, el caos, la descoordinación y la falta habilidad de los yihadistas en combate, lo que contrasta con los videos propagandísticos de victorias bélicas que normalmente difunden los terroristas por Internet.
Las imágenes, obtenidas presumiblemente en marzo de este año en una región desértica a unos 50 kilómetros al norte de Mosul, Irak, fueron grabadas por un combatiente del Estado Islámico con una cámara incorporada en el casco que habría muerto luchando contra las unidades Peshmerga en el curso de esta escaramuza, como se puede inferir al final del video.
El video arranca con varios milicianos despidiendo a un suicida que se dispone a partir hacia el frente en una camioneta cargada de explosivos. Poco después, varias formaciones de yihadistas a bordo de varios vehículos con blindaje improvisado siguen la misma dirección que el primero, pero esta vez cargados con armas de gran calibre y lanzagranadas. Cuando se adentran en un terreno abierto estalla un intenso tiroteo.
En medio de la confusión de la batalla y de la incesante lluvia de balas, los terroristas caen presa del pánico y de la confusión, como cuando uno de ellos se pregunta si “los lanzacohetes son para atacar a gente o a vehículos blindados”.
Llama la atención el momento en que un miliciano llamado Abu Abdullah es objeto de una reprimenda por disparar contra los suyos, así como la discusión que estalla entre ellos por nos prestarse los proyectiles necesarios para atacar y por no saber utilizarlos correctamente.
Casi al final de la secuencia, el vehículo del cámara es alcanzado por un proyectil Peshmerga, por lo que los terroristas deciden abandonarlo, batiéndose en retirada, unos rodando por el suelo y otros corriendo mientras intercambian disparos.
(Tomado de Russia Today)
periodicodigitalwebguerrillero.blogspot.pt

A PINTURA DE AN HE

































VÍDEO

Brasil: O Império do Caos ataca outra vez


por Pepe Escobar [*]
Temer & Cunha.






















Logo depois de a moção de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ter sido aprovada no Congresso brasileiro, no que denomineiGuerra híbrida das hienas , o ansioso para ser presidente Michel "Brutus" Temer, um dos articuladores do golpe, despachou um senador para Washington como garoto de recados especial a fim de dar notícias do golpe em curso. O senador em causa não ia em missão oficial do Comité de Relações Exteriores do Senado.

Brutus Temer estava alarmado pela reacção global dos media, os quais estão progressivamente a interpretar o que ele está a fazer – aliado a Brutus Dois, o notoriamente corrupto líder da câmara baixa Eduardo Cunha – como aquilo que realmente é: um golpe.

A missão do senador, alegadamente, era lançar uma ofensiva de RP a fim de contrariar a narrativa do golpe, a qual, segundo Brutus Um, "desmoralizava instituições brasileiras".

Asneirada. O senador garoto de recados foi enviado para contar ao Departamento de Estado dos EUA que tudo estava processar-se de acordo com o plano.

Em Washington, o senador garoto de recados resmungou:   "nós explicaremos que o Brasil não é uma república de bananas". Bem, não era, mas agora, graças à Guerra híbridas das hienas, já é.

Quando se tem um homem que possui 11 contas bancárias ilegais na Suíça, listado nos Panama Papers e já sob investigação pelo Supremo Tribunal a controlar o destino político de toda uma nação, tem-se uma república de bananas.

Quando se tem um farisaico juiz provinciano a ameaçar prender o ex-presidente Lula por causa de um modesto apartamento e uma quinta que ele não possui, mas que ao mesmo tempo é incapaz de por um dedo sobre Brutus Dois, ao lado de juízes pomposos do Supremo Tribunal, tem-se uma república de bananas.

Agora compare-se a não reacção de Washington com a de Moscovo. O Ministério das Relações Exteriores russo, através da irrepreensível Maria Zakharova, enfatizou a crucial parceria BRICS bem como as posições comuns Brasil-Rússia no âmbito do G20. E Moscovo deixou claro que os problemas do Brasil deveriam ser resolvidos dentro da "estrutura constitucional legal e sem qualquer interferência externa".

Toda a gente sabe o que significa "interferência externa".

Retomada da Dominância de Espectro Pleno (Full Spectrum Dominance) 

Tenho estado a seguir o golpe em curso no Brasil com uma ênfase especial na Guerra Híbrida apoiada/dirigida pelos EUA, determinada a destruir "o projecto neodesenvolvimentista para a América Latina – unindo pelo menos algumas das elites locais, investindo no desenvolvimento de mercados internos, em associação com as classes trabalhadoras". O objectivo chave da Guerra Híbrida, neste caso, é instalar uma restauração neoliberal.

Obviamente o alvo chave tinha de ser o Brasil, um membro do BRICS e a 7ª maior economia do mundo.

Os falcões imperiais vão directamente ao ponto quando listam as ferramentas da Guerra Híbrida e os objectivos que nos idos de 2002 o Pentágono definiu como Dominância de Espectro Amplo. Assim, "o poder estado-unidense decorre do nosso poder militar sem par, sim. Qualquer coisa que expanda o alcance de mercados dos EUA – tais como a Parceria Trans-Pacífico no comércio, por exemplo – aumenta o arsenal do poder estado-unidense. Mas num modo mais profundo, é um produto da dominância da economia dos EUA". 

Mas a economia dos EUA está longe de dominante. O que importa agora é o que conduz "negócios para longe da América, ou permite a outros países construírem uma arquitectura financeira rival que esteja menos sobrecarregada por uma grande variedade de sanções". 

"Arquitectura financeira rival" tem a palavra BRICS gravada sobre ela. E uma "grande variedade de sanções" não foi suficiente para fazer o Irão gritar pelo tio; Teerão continuará a praticar uma " economia de resistência ". Não por acaso, dois dos BRICS – Rússia e China – bem como o Irão, caracterizados pelo Pentágono como as cinco principais ameaças existenciais, juntamente com a Coreia do Norte com armamento nuclear e, como última prioridade, o "terrorismo".

A Guerra Fria versão 2.0 é essencialmente acerca da Rússia e da China – mas o Brasil também é um actor chave. Edward Snowden revelou como a espionagem da NSA estava centrada na Petrobrás, cuja tecnologia proprietária era responsável pela maior descoberta de petróleo do jovem século XXI, as reservas do pré-sal. O Big Oil dos EUA está excluído da sua exploração. Isso é um anátema e exige a aplicação de técnicas de Guerra Híbrida embutidas na Dominância de Espectro Amplo.

As elites compradoras brasileira têm jogado alegremente este jogo. Há mais de dois anos analistas do [banco] JP Morgan já dirigiam seminários com aplicadores da macroeconomia neoliberal a ensinarem como desestabilizar o governo Rousseff.

Os lobbies da indústria, comércio, banca e agronegócio favoreceram ostensivamente o impeachment, como representando o fim do experimento social-democrata Lula-Dilma. Assim, não é de admirar que o presidente expectante Brutus Temer faça um acordo abrangente com o Grande Capital – incluindo juros ilimitados sobre a dívida pública (bem acima da norma internacional); com a relação entre dívida e PIB destinada a subir; com crédito caro e o corolário de cortes na saúde e educação.

No que se refere a Washington, e isso é bi-partidário, está absolutamente fora de questão permitir uma potência regional autónoma no Atlântico Sul, abençoada com riquezas ecológicas sem rival (pense-se nas florestas pluviosas da Amazónia e em toda aquela água, a par com o aquífero Guarani) e ainda por cima estreitamente ligada a membros-chave do BRICS, a Rússia e a China, os quais têm as suas próprias parcerias estratégicas.

O factor pré-sal é a cereja neste bolo tropical. Está fora de causa para o Big Oil dos EUA permitir à Petrobrás ter o monopólio da sua exploração. E por precaução, se necessário for, a 4ª Frota dos EUA já está posicionada no Atlântico Sul.

Um BRICS abaixo, dois que vão 

A declarada "guerra à terra" do regime Cheney perturbou o Império do Caos por demasiado tempo. Agora finalmente vem uma ofensiva do caos – coordenada, global. Desde o Sudoeste asiático ao Sul da Ásia, o sonho da Guerra Híbrida seria alguma espécie de caos iraquiano a substituir os governos da Arábia Saudita, Irão, Paquistão e Egipto – como, actuando por trás, o Império do Caos está a tentar arduamente na Síria apesar de a dinastia Assad ter sido um aliado "secreto" dos EUA durante décadas.

Os Mestres do Universo que estão acima do jornaleiro Obama decidiram apunhalar a Casa de Saud pelas costas – o que não é necessariamente uma coisa má – quanto ao Irão. O desejo profundo prevalecente era ter o gás natural do Irão a substituir na Europa o gás natural da Rússia, levando assim ao colapso da economia russa. Grande fracasso.

Mas ainda há uma outra opção: o pipeline de gás natural do Qatari através da Arábia Saudita e da Síria, também a substituir o gás natural russo no mercado europeu. Este continua a ser o objectivo principal da CIA na Síria – pouco importa o Daesh, o falso califado, isso é só propaganda.

A CIA também se entusiasma com [a possibilidade] de destruir a economia russa através de uma guerra de preços no petróleo – e eles não querem que pare. Portanto, faz pairar sobre os sauditas aquelas famosas 28 páginas sobre o 11/Set a fim de manter em andamento a guerra de preços no petróleo .

A CIA também tenta como louca atrair Moscovo a uma armadilha síria, tal como no Afeganistão na década de 1980. E tal como fizeram com o golpe de Kiev, chegaram a ordenar aos militares da Turquia, a qual é sua agente, o derrube de um Su-24 russo. O "problema" é que o Kremlin não mordeu a maçã envenenada.

Remontando à década de 1980, a combinação da Casa de Saud libertando suas reservas em conjunto com a gang petrodólar do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) conduzindo o preço do barril para os US$7 em 1985, juntamente com a operação Afeganistão-Vietname, acabou por levar a URSS à bancarrota. Comprovadamente, toda a operação foi brilhante – na concepção e na execução; uma Guerra Híbrida de análise económica mais Vietname. Agora, "a liderar por trás", o Dr. Zbig "Grand Chessboard" Brzezinski – mentor da política externa de Obama – está a tentar alcançar um truque semelhante.

Mas atenção, temos um problema. A liderança de Pequim, já preocupada com o aperfeiçoamento do modelo chinês de desenvolvimento, viu claramente o esforço do Império do Caos para dividir e dominar (e conquistar) o mundo todo. Se a Rússia fosse abaixo, a China viria a seguir.

Foi apenas em 2010, virtualmente ontem, que a inteligência dos EUA encarou a China como a sua maior ameaça militar e começou então a movimentar-se contra o Império do Centro por meio da "rotação para a Ásia". Mas subitamente a CIA percebeu que Moscovo havia gasto um milhão de milhões (trillion) de dólares saltando duas gerações à frente em mísseis defensivos e ofensivos – sem mencionar submarinos; as armas preferenciais para a III Guerra Mundial.

É nesta altura que a Rússia é entronizada como a grande ameaça. A vigiar cuidadosamente o tabuleiro de xadrez, a liderança de Pequim acelerou então a aliança com a Rússia e os BRICS como força alternativa, criando em Washington um terramoto de proporções absolutamente devastadoras.

Agora, Pequim articulou habilmente os BRICS como uma séria estrutura de poder alternativa – com seu próprio FMI, sistema de pagamentos SWIFT e Banco Mundial.

Cuidado com a fúria de um Império do Caos encurralado. É o que está agora em jogo contra os BRICS, com o Brasil sob cerco, a queda da África do Sul, a fraqueza da Índia, a China e a Rússia progressivamente cercadas. Variações da Guerra Híbrida desde a Ucrânia até o Brasil, pressões crescente na Ásia Central, o barril de pólvora "Siraque", tudo aponta para uma ofensiva concertada tipo Dominância de Espectro Pleno a fim de romper os BRICS, a parceria estratégica russo-chinesa e finalmente as Novas Estradas da Seda unindo a Eurásia. As guerras do preço do petróleo, o colapso do rublo, a inundação de refugiados na UE (provocada pelo "errático" sultão Erdogan), a Operação Gládio do século XXI remistura tudo, distrai as massas com inimigos imaginários enquanto o terrorismo da falsa variedade Daesh é manipulado como uma refinada táctica diversionista.

Isto pode ser brilhante, mesmo magistral, na sua concepção e na sua execução. E é também impressionante num sentido cinematográfico. Mas sem dúvida haverá contra-resposta. 
26/Abril/2016

Do mesmo autor: 
  • Brazil's Golpeachment: The 1 % Solution , 30/Abril/2016

    [*] Autor de Globalistan (2007), Red Zone Blues (2007), Obama does Globalistan(2009) e Empire of Chaos (2014) e 2030 (2015).

    O original encontra-se em www.strategic-culture.org/... 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  • Pingo Doce (ou o dia em que os elderes apanharam)


    Muito antes das infames promoções do 1.º de Maio do Pingo Doce, mais precisamente no dia 25 de Abril de 2007, aconteceu um episódio engraçado. Tinha ido ao desfile popular, em Lisboa, quando, mal saio metro, mete-se à minha frente um tipo alto, muito loiro, vestido de camisinha branca e calcinha preta, engomadinho como se fosse para um baptizado, e diz-me assim: «Tem um minuto Deus nozo sinor?» era um elder, vulgo mórmon americanus.
    Subimos avenida juntos, com o gajo a tentar convencer-me a juntar-me aos mórmones e eu, por outro lado, a tentar convencê-lo a juntar-se ao desfile. A páginas tantas, o elder, cujo nome já se me foi da alembradura, confessou-me que para ele o 25 de Abril não queria dizer nada. Primeiro porque não era de cá e, segundo, porque o reino dele não era deste mundo. Tentei explicar-lhe que ele, como imigrante que, no fim de contas, era, tinha boas razões para descer avenida, nem que fosse por solidariedade. O elder disse-me que não lhe interessava a política: o desemprego, a pobreza, a injustiça e as desigualdades pareciam-lhe detalhes irrelevantes no grande esquema de deus.
    Só depois é que a conversa azedou: então não é que o cabrão do elder, que há segundos jurava não se interessar por política, me explicou que achava muito bem que se trabalhasse neste feriado, porque afinal, o 25 de Abril não estava na bíblia. Mais, e aqui é a porca torceu o rabo, a igreja dele aproveitava sempre a tarde do 25 de Abril e do 1.º de Maio para ir às compras. 
    A conversa acabou aí e nunca mais falei com ele. Mas, nessa mesma tarde, vi-o no Chiado. Os anarquistas tinham feito a sua própria mini-concentração, voluntariamente segregados do desfile popular que, aparentemente, não era suficientemente «combativo». A bófia carregou à bruta. De todos os lados, os extensíveis acertavam em tudo o que se mexesse. Era mesmo «para limpar» e ia tudo à frente. Foi uma coisa terrível: havia sangue no chão, mulheres aos gritos e a polícia batia, batia, batia… 
    Mas no meio da carga, vejo o elder, com dois sacos do pingo doce nas mãos, a correr à frente de um polícia, que diligentemente o apanha e, sem qualquer travo de xenofobia, lhe presta um enorme enxerto de porrada. O elder, desesperado, sem largar os saquinhos, tentava explicar ao polícia que não tinha nada a ver com aquilo, que não queria saber de política e só tinha ido às compras, que não sabia o que se estava a passar. Mas o polícia não falava inglês e o elder não levou menos por isso.
    Via: Manifesto 74 http://ift.tt/1TIUop9

    A ficção da finança.* Era uma vez um banco que emprestava dinheiro à fundação X que comprava casas e arrendava ao Partido X.



    Era uma vez um banco que emprestava dinheiro à fundação X que comprava casas e arrendava ao Partido X. Esse banco também emprestava muito dinheiro aos seus acionistas A e B. 
    O banco emprestou à fundação X 10 milhões de euros e aos acionistas A e B, 150 a cada um.
    As casas compradas pela fundação X valiam, no entanto, apenas uma parte do valor do dinheiro emprestado pelo banco. 
    O Partido X não pagava as rendas pelas casas da fundação compradas com o dinheiro do banco que, por sua vez, era dinheiro dos depositantes. 
    Como o Partido X não pagava, a fundação também não conseguia pagar ao banco as prestações dos empréstimos. O banco podia ficar com as casas de volta, mas já não valiam nada. 
    Os acionistas pegaram no dinheiro emprestado e investiram no seu próprio luxo. 
    O banco ficou sem 310 milhões de euros e precisou de ajuda do Estado para poder continuar a remunerar os depósitos dos cidadãos. O Estado emprestou o dinheiro necessário e ficou dono do banco porque o valor do banco era já muito pequeno  ou mesmo negativo porque tinha emprestado dinheiro a mais e cobrado a menos.
    Portanto, a fundação X ficou a dever 10 milhões ao banco, e os acionistas A e B, 300 milhões.
    Aparece a empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente, e oferece ao banco 40 milhões para que o banco lhe venda o buraco de 300 milhões deixados pelo não pagamento. A empresa-internacional-assim-meio-desconhecida recebe 40 milhões dos acionistas A e B, que assim lhe compram de novo a dívida por 20 milhões cada um. Portanto, como tinham ficado com 150 milhões de crédito, precisam apenas de dispender 20 desses 150, levando de borla para casa 130 milhões roubados ao banco, pagos pelo Estado. Ao mesmo tempo, como o banco era do Estado, a Ministra das Finanças do Partido X que deve 10 milhões à fundação X, autoriza ou fecha os olhos à venda daqueles empréstimos à empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente. A empresa-internacional retribui vendendo também à fundação X por um euro a dívida de 10 milhões. A fundação X fica com 9.999.999€ de borla e sem dívidas a ninguém. A empresa-internacional apresenta lucros com a operação de 1 euro. O acionistas A e B apresentam lucros de 130 milhões cada. A fundação tem um lucro de 9.999.999€. O Banco perde 260 milhões. Não faz mal, o Estado paga.
    A Ministra do Partido X trabalha hoje para a empresa-internacional-assim-meio-desconhecidas-de-toda-a-gente.
    * este pequeno conto é baseado em factos, mas ficciona em torno de possibilidades hoje não desmentidas nem comprovadas. Como no mundo da finança, a realidade supera, muitas vezes a ficção, o conto serve apenas como ilustração das grandes potencialidades do empreendedorismo no mundo da banca e do partido X.
    Via: Manifesto 74 http://ift.tt/1Z8vOiJ

    «CONSTITUIÇÃO ANO QUARENTA» – por Pedro de Pezarat Correia


    GIRO DO HORIZONTE

    by carlosloures



    Agradecemos ao autor e ao editor de O Referencial (os argonautas general Pezarat Correia e coronel Vasco Lourenço) a autorização para aqui transcrevermos este oportuno texto.
     Este número de O Referencial encerra-se nas vésperas do 40.º Aniversário da Constituição da República Portuguesa. 2 de abril de 1976, data grande da democracia portuguesa em que a Assembleia Constituinte, sob a presidência do cidadão ilustre e combatente antifascista professor Henrique de Barros, reunida em plenário, aprovou a Lei Fundamental que regeria o regime democrático, dando sequência ao compromisso assumido pelo MFA em 25 de abril de 1974. É, por isso, justamente, matéria de fundo e tema de capa desta edição.

    Em torno da Constituição da República se desenvolve, no essencial, a entrevista com o presidente da Assembleia da República, doutor Eduardo Ferro Rodrigues, conduzida pelo nosso editor, na qual aquele fez questão de destacar que a passagem dos anos se encarregou de confirmar o que Henrique de Barros previa, que a Assembleia aprovara uma “Constituição à prova do tempo”.

    Num Estado democrático e de direito a Constituição é a coluna dorsal da democracia. A democracia não é a invocação teórica de valores abstratos adaptáveis aos caprichos dos governantes. A democracia só se cumpre no respeito pela vontade de uma comunidade que, soberanamente e em liberdade, definiu as regras a que devem submeter-se as instituições e os representantes que escolheu para exercerem o poder. Uma constituição reúne essas regras básicas e consagra uma vontade soberana.

    A Constituição da República Portuguesa de 1976 foi aprovada em total liberdade pelos representantes do povo português, eleitos em 25 de Abril de 1975, no sufrágio mais participado e mais livre alguma vez realizado em Portugal. Foi elaborada no decurso de um processo revolucionário, é certo. Como escreveram Vital Moreira e Gomes Canotilho na sua Constituição da República Portuguesa – Anotada (Coimbra Editora, 1980), «A CRP nasceu de uma revolução e a ela deve muito do seu conteúdo. Mais do que constituinte de uma revolução a CRP foi constituída pela revolução.» (p. 7) Mas foi votada e aprovada já findo o processo revolucionário, depois do 25 de Novembro de 1975, quando o processo contra-revolucionário até já dava os primeiros passos, e os 16 deputados do CDS puderam, no ato da aprovação na generalidade, votar contra sem qualquer constrangimento. Resultantes de revoluções são algumas das mais respeitáveis e emblemáticas constituições de potências liderantes do atual sistema internacional e ninguém ousa contestar a sua legitimidade.

    A Constituição, de 1976 até hoje, já foi objeto de sete revisões mas continua a ser a Constituição da República Portuguesa. Ironicamente continuam a ser aqueles que mais se bateram por aquelas revisões que mais a põem em causa e que, uma vez no poder, mais a têm atropelado, chegando a governar nas margens da constitucionalidade, o que é o mesmo que dizer nas margens da legitimidade democrática. Portugal ainda está a sofrer os efeitos negativos de um período em que esteve dominado por uma conjuntura política que afrontou, abertamente, a legalidade constitucional. A Constituição foi a bandeira em torno da qual se demarcaram fronteiras pela defesa do regime democrático, do nosso regime democrático.

    A A25A decidiu, na sua Assembleia Geral do passado dia 19 de março, por proposta da Direção, promover e participar em comemorações condignas do 40.º Aniversário da Constituição da República Portuguesa. Faz bem, é justo e é oportuno. E congratulamo-nos com a intenção, anunciada pelo presidente da Assembleia da República nestas páginas, de submeter à votação no Parlamento, em 31 de março, de «um Projeto de Deliberação para atribuir o título de Deputado Honorário às Deputadas e Deputados à Assembleia Constituinte.» É uma forma condigna de consagrar uma data emblemática da democracia portuguesa e de perpetuar a ligação àquela Casa das portuguesas e dos portugueses que se tornaram os construtores do edifício constitucional que teve os seus alicerces em 25 de abril de 1974.


    aviagemdosargonautas.net

    PCP faz audição pública sobre o sector dos media


    PCP faz audição pública sobre o sector dos media
    Para «aprofundar o conhecimento da realidade vivida no sector da comunicação social», o grupo parlamentar do PCP promove uma Audição Pública no dia 3 de maio, pelas 17 e 30, na Assembleia da República.


    Os deputados comunistas entendem que «a realidade de precariedade e desrespeito pelos direitos dos trabalhadores atravessa vários sectores da economia nacional, sendo que o sector da comunicação social não é exceção – um ambiente de instabilidade, pressão e desrespeito pelos direitos dos profissionais da comunicação social, que se tem vindo a acentuar, ao qual acresce a realidade dos despedimentos que têm ocorrido em vários órgãos de comunicação social, que até já conduziram ao desaparecimento de publicações.»
    Também «o processo de concentração dos órgãos de comunicação social nas mãos de um reduzido número de grupos económicos e financeiros, bem como a situação atual do serviço público de rádio e televisão são matérias que preocupam o Grupo Parlamentar do PCP».
    Via: GPS & MEDIA http://ift.tt/24o4nJ1

    OS ABENÇOADOS DO ESPÍRITO SANTO E A ORDEM SOCIAL – por Carlos de Matos Gomes



    by joaompmachado
    biscates

    Parece que a partir dos papéis do Panamá foi descoberta e anda por aí numa clandestinidade de bordel para famosos, uma lista de políticos e de jornalistas abençoados pelo BES. Em termos da moda existe uma guest list, ou vip list de políticos e jornalistas que recebiam uns dinheiros extra, por fora, para agirem nas suas actividades em prole do bem comum, da competitividade, da liberdade da grandeza da Pátria tão ofendida com o 25 de Abril de 74 também em benefício do grupo ou da família Espírito Santo.
    A notícia tem várias leituras. A primeira e mais óbvia: não foi exposta no Correio da Manhã. Logo Sócrates não recebia do saco azul (não devia ser verde?) do BES.

    Depois, a lista também não interessa nem aos meninos jesuses, diga-se, nem ao juiz Alexandre, nem ao procurador Teixeira, nem à procuradoria em geral, que parece terem-na caçado numa rusga aos escritórios do Espirito Santo. Nem interessa, e isto apesar de estar em segredo de justiça, à comunidade comentadeira, nem sequer a Marques Mendes. Em conclusão: para a justiça oficial (a que pagamos com os impostos), não há perigo de fuga de nenhum dos beneficiários nem para o estrangeiro, nem para os ouvidos da populaça. Para a justiça da praça pública também não interessa – não há Sócrates e o resto é, como se depreende, uma lista de gente de posição, séria e de boas contas. Siga a dança que é pessoal de confiança!

    Também se depreende da ausência de interesse que a lista não indicia crime de fuga aos impostos, dado o inspector tributário que acompanha as investigações mais seleccionadas não ter colocado os nomes na lista de devedores da AT, da Segurança Social, nem haver penhoras de salários, pensões ou de bens móveis ou imóveis. À brasileira: tudo nos conformes, portanto. Para a Fisco, todos pagaram na hora os serviços do saco azul do BES. Em conclusão: o saco azul do BES tinha a contabilidade em dia e até emitia faturas com número do contribuinte! Vivemos no melhor dos mundos: O Estado Português exige fatura por um bolo, o Panamá passa fatura de sacos azúis! Nós, os portugueses, gente de fé, acreditamos em ambas as afirmações! É a fé que nos salva! O IRS desses ilustres não engana.

    A questão fiscal é, neste caso, apenas um pormenor. O que ressalta à primeira vista é o respeito pela velha e boa ordem social do país do respeitinho que somos. A cortina de silêncio à volta da lista revela o melhor que existe na nossa sociedade: de um lado a bíblica benemerência dos senhores, do outro a humilde modéstia dos pobres e servos da gleba ao recolheram a esmola. Cada classe e cada português e portuguesa no seu lugar.

    Já houve quem fizesse as contas. Não existiu até hoje nenhum governo constitucional que não tivesse como ministro um ou mais empregados do ex-BES. Acrescentem-se advogados, engenheiros, contabilistas que trabalhavam para o ex-BES e eram deputados, autarcas e consultores dos governos. A família Espírito Santo colocava empregados no governo, na Assembleia, nas grandes empresas, nas câmaras municipais e eles davam pareceres sobre terrenos onde iam ser construídos prédios do BES, pareceres sobre serviços de saúde que iam para o BES saúde, sobre estradas financiadas pelo BES e até o Estado português comprava, com o bom conselho dos empregados da família, empresas que davam prejuízo, como a Portugália. O BES fazia publicidade nos jornais, nas rádios, nas televisões. A família Espírito Santo auxiliava comentadores políticos, económicos e do futebol a serem independentes, imparciais. Tudo pelo bem. A família Espírito Santo não era Dona Disto Tudo. Era isto tudo connosco lá dentro.
    Através dos seus empregados, a família comprava submarinos para a armada, helicópteros para apagar fogos e aviões para a defesa aérea, blindados para patrulhar as fronteiras. 
    Os jornalistas recebiam uns trocos para garantirem aos portugueses de terra, mar e ar, fardados ou à paisana, que o Espírito Santo os protegia e defendia. Os avençados prestavam um serviço à comunidade!
    É evidente que, praticando o Espírito Santo o bem e apenas o bem, defendendo o Espírito Santo apenas o interesse dos portugueses e de Portugal, garantindo o Espírito Santo a segurança e o bem-estar dos portugueses através dos seus empregados no governo, nas empresas públicas, nos meios de comunicação, porque teria ainda o Espírito Santo que pagar-lhes gorjetas além dos salários e das comissões? É a tal pergunta do milhão de dólares.

    Só encontro explicação na velhíssima anedota da mulher do construtor civil (o pato bravo dos anos 60) que, ao passar por um outro construtor civil, este acompanhado por uma daquelas vampes das capas dos livros do Vilhena, diz ao marido: «Ó Zé, a nossa amante é melhor do que a do compadre!»

    Acredito que os Espirito Santo queriam os seus políticos, os seus jornalistas, os seus e a suas serviçais mais bem vestidos e vestidas, com melhores carros, mais bem perfumados e perfumadas, em melhores hotéis e praias de férias, acompanhados por melhores amantes (agora namorados e namoradas) do que os e as dos seus compadres…

    Os Espírito Santo eram mais generosos, mais fartai vilanagem do que a concorrência dos Melos, dos Belmiros, dos Champalimauds…Eles queriam que os seus animais de estimação, do ministro ao cavalo de cortesias, do deputado ao lulu, do edil ao pavão se apresentassem melhor do que os dos seus vizinhos da Quinta da Marinha, ou da Foz do Douro! A gorjeta era, afinal, apenas uma técnica de imagem e marquetingue institucional. Tudo em prol de Portugal.

    Por outro lado, é compreensível o silêncio dos beneficiários. Se os senhores de posição são discretos na ajuda à pobre jovem a quem poem casa, a jovem também não deve andar por aí a espalhar pela vizinhança que está por conta. Dirá, quando muito, que recebe apenas uma bolsa para estudos e investigações. Discrição e respeitinho.

    Só gostava de ver a cara dos políticos e jornalistas avençados pelos compadres dos Espírito Santo ao saberem que se venderam por tuta e meia a uns pelintras, a uns unhas de fome, que andaram por aí a dormir em pensões e a comer em tascas, acompanhados por manhosas e manhosos de dentes tortos e sovacos pestilentos. Uns andaram a fazer de acompanhantes de luxo, os outros de prostitutas de vão de escada! Os sindicatos deviam protestar contra esta discriminação. A trabalho igual, salário igual!

    E há a questão do bom nome. No tempo do doutor Salazar, da moral do come e cala, não foram divulgadas as listas dos clientes dos Ballets Rose, mas só o da patroa. O bom nome dos clientes era um bem que o Estado Novo preservava! Devemos seguir esse exemplo, ou ainda temos más surpresas. A clientela das avenças, tal como a carne é fraca, mas o povo vota nela.

    Preserve pois o novo Estado o bom nome dos clientes do bordel, que é o que resta. Daí o meu apoio ao bom recato das listas dos abençoados do BES. E também ao das listas dos, neste caso, avençados do Paulo Fernandes da Cofina, dona do Correio da Manhã, dos Melos, dos Belmiros, sem esquecermos as listas dos por conta dos chineses da EDP e da REN, dos franceses da ANA, para não falarmos dos avençados dos clubes da bola, das empresas de sulfitos, sulfatos e transgénicos, incluindo a Monsanto, dos da Santa Madre Igreja, do Calcitrin, do BPN (tão esquecidos), do BANIF…

    A lista dos trolhas que trabalham ao negro ao domingo, a remendarem uma parede sem passarem fatura, é que tem de ser pública! É a transparência!


    https://aviagemdosargonautas.net/