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quinta-feira, 14 de abril de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO FANTASMA DA ÓPERA

A opulência da Opera 


VÍDEOS


O FANTASMA DA ÓPERA DOBRADO



O FANTASMA DA ÓPERA - TRADUÇÃO


FANTASMA DA ÓPERA 1


FANTASMA DA ÓPERA 2


FANTASMA DA ÓPERA 3


FANTASMA DA ÓPERA 



FANTASMA DA ÓPERA 5


FANTASMA DA ÓPERA 6



FANTASMA DA ÓPERA 7



FANTASMA DA ÓPERA 8



FANTASMA DA ÓPERA 9




FANTASMA DA ÓPERA 10




FANTASMA DA ÓPERA 11


FANTASMA DA ÓPERA 12



FANTASMA DA ÓPERA 13


FANTASMA DA ÓPERA 14




FANTASMA DA ÓPERA 15











A história do Fantasma da Opera é um romance de Gaston Leroux que se transformou em um dos musicais mais assistidos no mundo.

O drama se passa em meio século XIX na Opera de Paris. Contam que o escritor se baseou e se inspirou em fatos verídicos ocorridos no local, como o lustre que despencou em cima de um espectador que estava sentado no assento de número 13

Também, na história de um misterioso senhor que doava a soma de 20 mil francos por mês para a Opera, mas exigia que o camarote de número 5 estivesse sempre disponível (hoje há uma placa na porta do camarote 5 escrito Camarote do Fantasma da Opera)...







Outras histórias que vem desde a sua construção em um terreno tão úmido, que foi necessário criar uma piscina bem abaixo para manter o local livre de infiltrações e que ali vivia um pianista que teve o rosto desfigurado em um incêndio...  


Dizem - também- que funcionários da Opera afirmam que ela é assombrada... 


Seja de que forma for, o que não há sombra de dúvidas e nem é fruto da imaginação é a absoluta opulência do interior dela.
varanda
Construída a mando de Napoleão III, sob a administração do então prefeito Barão de Hausmann, entre 1961 e 1974 pelo arquiteto Charles Garnier, o edifício é considerado uma obra prima do neo-barroco.

Com uma superfície de 11.000 metros quadrados de pura ostentação entre mármores multicoloridos, querubins e ninfas folheadas a ouro, veludos vermelhos...


O candelabro central pesa mais de 6 toneladas e é emoldurado por uma pintura de Marc Chagal.

Teto pintado por Marc Chagal

Somente o palco pode abrigar 450 artistas que se apresentam a uma platéia de 1979 espectadores.

Grand Foyer





Busto de Charles Garnier
Entrada para os camarotes







Ao final da visita há uma lojinha com livros, CDs, DVD e vários objetos com a marca Opera de Paris. Há também um restaurante. Ideia na concepção original de Garnier somente foi construído 136 anos depois. Projeto 100% futurista, com formas orgânicas que permeiam a construção original. Para mim polui um pouco tanta informação contrastante, prefiro ficar no terraço! .

Para ir mais a fundo, você pode ver detalhes acessando aqui numa visita virtual!

www.sendocy.com

O QUE COMEM OS MUÇULMANOS NO RAMADÃO

Refeições do Ramadão fotógrafos registam o Iftar ao redor do mundo







Fiéis celebram o fim do dia de jejum com banquetes durante um mês.

Série de fotos mostra grupos de muçulmanos e suas refeições ao fim do dia. de diversos países fizeram um interessante registro sobre o Iftar, refeição feita ao fim do dia durante todo o mês do Ramadão entre praticantes da fé muçulmana. A ideia foi da agência americana Associated Press, que publicou a série de fotos nesta semana.

O Ramadão, 9º mês do calendário islâmico, é conhecido como o mês de jejuns. Todos os dias desse período, assim que anoitece é celebrado o Iftar, uma ceia que é tida tanto como evento social quanto como festa gastronômica.
Essas refeições, celebradas em família ou em grupos, dão aos fiéis a possibilidade de se aproximarem ou reaproximarem uns dos outros enquanto dividem pratos de comida. Os jejuns são feitos como forma de buscar proximidade com Deus em um exercício físico e mental de disciplina.
Família de refugiados sírios aguardam o início do Iftar ao lado do Centro para Imigrantes em Melilla, na Espanha. Moradores de Aleppo, eles fugiram da cidade em meio ao conflito armado há 4 meses (Foto: Santi Palacios/AP)Família de refugiados sírios aguardam o início do Iftar ao lado do Centro para Imigrantes em Melilla, na Espanha. Moradores de Aleppo, eles fugiram da cidade em meio ao conflito armado há 4 meses (Foto: Santi Palacios/AP)
Mulheres chinesas posam para foto na pesquita de Niujie, em Pequim, em frente ao banquete do Iftar (Foto: Andy Wong/AP)Mulheres chinesas posam para foto na pesquita de Niujie, em Pequim, em frente ao banquete do Iftar (Foto: Andy Wong/AP)
Família Aazzab aguarda para a primeira refeição do dia, o Iftar, no cair da tarde em Casablanca, Marrocos (Foto: Abdeljalil Bounhar/AP)Família Aazzab aguarda para a primeira refeição do dia, o Iftar, no cair da tarde em Casablanca, Marrocos (Foto: Abdeljalil Bounhar/AP)
Família sudanesa aguarda a quebra do jejum no Iftar perto da cidade de Khartoum (Foto: Abd Raouf/AP)Família sudanesa aguarda a quebra do jejum no Iftar perto da cidade de Khartoum (Foto: Abd Raouf/AP)
Família muçulmana se reúne para o Iftar em Sydney, na Austrália (Foto: Rob Griffith/AP)Família muçulmana se reúne para o Iftar em Sydney, na Austrália (Foto: Rob Griffith/AP)
Família afegã celebra o Iftar na cidade de Cabul (Foto: Massoud Hossaini/AP)Família afegã celebra o Iftar na cidade de Cabul (Foto: Massoud Hossaini/AP)
Família celebra o Iftar ao fim de um dia do Ramadã em Nairóbi, no Quênia (Foto: Sayyid Azim/AP)Família celebra o Iftar ao fim de um dia do Ramadão em Nairóbi, no Quênia (Foto: Sayyid Azim/AP)
Iftar é celebrado em família na cidade de Tucker, Geórgia (EUA) (Foto: David Goldman/AP)Iftar é celebrado em família na cidade de Tucker, Geórgia (EUA) (Foto: David Goldman/AP)
Imam Siswanto (esq.) posa com sua família antes do Iftar em Jacarta, na Indonésia (Foto: Achmad Ibrahim/AP)Imam Siswanto (esq.) posa com sua família antes do Iftar em Jacarta, na Indonésia (Foto: Achmad Ibrahim/AP)
Família iemenita aguarda o Iftar na cidade de Sanaa (Foto: Hani Mohammed/AP)Família iemenita aguarda o Iftar na cidade de Sanaa (Foto: Hani Mohammed/AP)
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Família malaia celebra o Iftar em Kuala Lumpur (Foto: Vincent Thian/AP)Família malaia celebra o Iftar em Kuala Lumpur (Foto: Vincent Thian/AP)

Refeições do Ramadão fotógrafos registam o Iftar ao redor do mundo


Fiéis celebram o fim do dia de jejum com banquetes durante um mês.

Série de fotos mostra grupos de muçulmanos e suas refeições ao fim do dia. de diversos países fizeram um interessante registro sobre o Iftar, refeição feita ao fim do dia durante todo o mês do Ramadão entre praticantes da fé muçulmana. A ideia foi da agência americana Associated Press, que publicou a série de fotos nesta semana.

O Ramadão, 9º mês do calendário islâmico, é conhecido como o mês de jejuns. Todos os dias desse período, assim que anoitece é celebrado o Iftar, uma ceia que é tida tanto como evento social quanto como festa gastronômica.
Essas refeições, celebradas em família ou em grupos, dão aos fiéis a possibilidade de se aproximarem ou reaproximarem uns dos outros enquanto dividem pratos de comida. Os jejuns são feitos como forma de buscar proximidade com Deus em um exercício físico e mental de disciplina.
Família de refugiados sírios aguardam o início do Iftar ao lado do Centro para Imigrantes em Melilla, na Espanha. Moradores de Aleppo, eles fugiram da cidade em meio ao conflito armado há 4 meses (Foto: Santi Palacios/AP)Família de refugiados sírios aguardam o início do Iftar ao lado do Centro para Imigrantes em Melilla, na Espanha. Moradores de Aleppo, eles fugiram da cidade em meio ao conflito armado há 4 meses (Foto: Santi Palacios/AP)
Mulheres chinesas posam para foto na pesquita de Niujie, em Pequim, em frente ao banquete do Iftar (Foto: Andy Wong/AP)Mulheres chinesas posam para foto na pesquita de Niujie, em Pequim, em frente ao banquete do Iftar (Foto: Andy Wong/AP)
Família Aazzab aguarda para a primeira refeição do dia, o Iftar, no cair da tarde em Casablanca, Marrocos (Foto: Abdeljalil Bounhar/AP)Família Aazzab aguarda para a primeira refeição do dia, o Iftar, no cair da tarde em Casablanca, Marrocos (Foto: Abdeljalil Bounhar/AP)
Família sudanesa aguarda a quebra do jejum no Iftar perto da cidade de Khartoum (Foto: Abd Raouf/AP)Família sudanesa aguarda a quebra do jejum no Iftar perto da cidade de Khartoum (Foto: Abd Raouf/AP)
Família muçulmana se reúne para o Iftar em Sydney, na Austrália (Foto: Rob Griffith/AP)Família muçulmana se reúne para o Iftar em Sydney, na Austrália (Foto: Rob Griffith/AP)
Família afegã celebra o Iftar na cidade de Cabul (Foto: Massoud Hossaini/AP)Família afegã celebra o Iftar na cidade de Cabul (Foto: Massoud Hossaini/AP)
Família celebra o Iftar ao fim de um dia do Ramadã em Nairóbi, no Quênia (Foto: Sayyid Azim/AP)Família celebra o Iftar ao fim de um dia do Ramadão em Nairóbi, no Quênia (Foto: Sayyid Azim/AP)
Iftar é celebrado em família na cidade de Tucker, Geórgia (EUA) (Foto: David Goldman/AP)Iftar é celebrado em família na cidade de Tucker, Geórgia (EUA) (Foto: David Goldman/AP)
Imam Siswanto (esq.) posa com sua família antes do Iftar em Jacarta, na Indonésia (Foto: Achmad Ibrahim/AP)Imam Siswanto (esq.) posa com sua família antes do Iftar em Jacarta, na Indonésia (Foto: Achmad Ibrahim/AP)
Família iemenita aguarda o Iftar na cidade de Sanaa (Foto: Hani Mohammed/AP)Família iemenita aguarda o Iftar na cidade de Sanaa (Foto: Hani Mohammed/AP)
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Família malaia celebra o Iftar em Kuala Lumpur (Foto: Vincent Thian/AP)Família malaia celebra o Iftar em Kuala Lumpur (Foto: Vincent Thian/AP)

PUBLICAÇÃO ESPECIAL DESENVOLTURAS & DESACATOS -O DIA EM QUE SALAZAR ESCAPOU POR UM TRIZ (INCLÚI VÍDEO)


A missa de domingo era um dos rituais de Salazar. Podia ser no Patriarcado ou na capela privada de um dos seu amigos, Josué Trocado, na Barbosa du Bocage. O sol brilhava na manhã do dia 4 de Julho de 1937 e o Buick do ditador parou em frente à moradia. Por volta das 10h20 um estrondo sacudiu as Avenidas Novas, em Lisboa. O livro 1937 - O Atentado a Salazar (Esfera dos Livros) revela os pormenores do único atentado conhecido contra a vida do ditador. O historiador João Madeira atribuiu à Frente Popular (um triunvirato entre PCP, anarquistas e sindicalistas) a autoria do atentado que até agora era apenas atribuído aos anarquistas. Salazar escaparia por um triz. Conta-se que depois de sacudir a poeira terá dito com indiferença: "Vamos assistir à missa".

VÍDEO


SALAZAR
O DITADOR SOLITÁRIO

António de Oliveira Salazar nasceu há cem anos, que se completam nesta sexta-feira, 28 de Abril, e governou o País, ditatorialmente, durante quase quarenta. Morreu solteiro e, durante ,muito tempo, foi considerado avesso a mulheres, mas hoje sabe-se que teve vários caos amorosos, alguns prolongados. Ainda criança, era um solitário: à companhia das outras crianças, preferia o seu cão, e divertia-se a manter pintassilgos numa gaiola.



Quando, em 1916, disse ao cardeal Cerejeira: “Sabes? Sinto que a minha vocação é a de ser primeiro-ministro de um rei absoluto”, Salazar estava talvez, a ser sincero (Cerejeira foi sempre um dos seus maiores amigos e confidentes), mas enganou-se num pormenor que não é pequeno. Foi presidente do Conselho de Ministros primeiro-ministro), mas não de um rei absoluto: o rei absoluto também foi ele. Ao longo de quatro décadas, os golpes das oposições não conseguiram derrubá-lo. As manobras de salão, quase sempre ingénuas, foram insuficientes para o afastar. O próprio coração, frio como pedra, aguentou. O ditador só não resistiu à queda de uma cadeira: a sua carreira chegou ao fim em 6/9/68, tendo sido substituído por Marcello Caetano em 25 do mesmo mês. Salazar tinha então 79 anos.
Como foi possível tudo isto? “Ditador contra a sua vontade”, como pretende T. Serstevens, ou “um detentor do Poder que não lutou pelo Poder, mas a quem este foi imposto pelo céu como um fado imprevisto”, como escreveu Sieburgo? O próprio Salazar defendeu esta ideia diversas vezes, apresentando-se (e deixando-se apresentar) não como o político ávido de poder, sacrificando-se pela nação, mesmo que essa não fosse a vontade do povo. “Podemo-nos sentir capazes de governar, embora não tenhamos de modo algum gosto pelo poder!... E eu não tenho gosto pelo poder porque ele não me seduz. Não me dá nenhuma satisfação, nem ao menos a compensação natural das canseiras, das desilusões e dos sacrifícios que implica”.
Até que ponto estas palavras, proferidas em 1951, correspondem á verdade? A dúvida justifica-se, uma vez que Salazar deteve o poder ainda por mais dezassete anos e mesmo quando a doença o afastou, em 7 de Agosto de 1968, continuou , até á morte, como símbolo do poder, ele próprio convencido, na sua semi-lucidez, que era ainda presidente do Conselho de Ministros. mas uma pessoa que bem o conheceu e muito o admirou, Christine Garnier, não hesitou em escrever: “Parece-me... que Salazar se preparou, desde a mocidade, para assumir os mais altos cargos públicos e eu, mesmo sem o querer, fico um pouco céptica quando ele me assegura... que é indiferente ao poder”.
Compreende-se bem tal cepticismo. Embora afirmasse que detestava fotografias, fugindo “a todas as formas de publicidade”, Salazar não descurou nunca a sua imagem. Pelo contrário, soube garantir as condições que lhe permitissem criar uma “imagem de marca” e, se é preciso, podem recordar-se o Secretariado nacional da propaganda Nacional e as entrevistas de António Ferro, assim como a censura á imprensa que impedia a veleidade de qualquer crítica, mesmo que esta fosse expressa numa simples caricatura. Embora explicasse a sua relutância em assistir a cerimónias oficiais, com as exigências do seu cargo e que ele entendia sobre a sua prática (“Estado não me paga para que me entregue a mundanismos, mas para que empregue o meu tempo a resolver os problemas essenciais”), ele soube, sempre, aparecer quando achava oportuno. Nunca deu uma conferência de imprensa, mas deu inúmeras entrevistas a jornais estrangeiros, depois transcritas avidamente pelos de Lisboa, esmagados pela censura. Nunca saiu do País, enquanto primeiro-ministro, com excepção de breves idas a Espanha, junto á fronteira, para encontros com Franco. Nunca foi a África, ele que tanto teorizou sobre as defesas da colónias e redigiu, em 1930, o Acto Colonial. Não visitava ninguém, não tinha amigos, dá a impressão que não gostava sequer dos seus colaboradores, despedindo ministros com um simples cartão de visita, apenas os aconselhando a ir descansar. Seu grande admirador, Costa Brochado é lapidar: “Salazar não tinha amigos, não tinha família, não tinha grupo nem partido!”.
De onde veio este homem que alguns biógrafos descrevem como tímido, associal, orgulhoso, frio, medroso e instável, e que, apesar disso, em 1935, afirmava: “Infelizmente há muitas coisas que sou o único capaz de fazer”?
Natural do Vimieiro Santa Comba Dão), António de Oliveira Salazar nasceu em 28 de Abril de 1889, às três da tarde, no seio de uma família modesta que vivia da agricultura (o pai era feitor da casa dos Perestrelos) e do comércio (uma loja de hóspedes, vinhos e petiscos), mas que, com o tempo, viu melhorar a sua situação. Quando nasceu, o pai (António de Oliveira) já passava dos 50 anos e a mãe, Maria do Resgate Salazar, ia nos 44, tendo já quatro filhas. O baptizado realizou-se em 16 de Maio, servindo de padrinho o Dr. António Xavier Perestrelo Corte-Real e sua filha, Maria de Pina Perestrelo, que não compareceram na igreja, fazendo-se representar por Francisco Alves da Silva, carpinteiro, e sua mulher Luísa da Piedade. Fez a instrução primária com um mestre-escola particular, funcionário da Câmara (no Vimieiro, não havia escola) e foram os pais que, a conselho do padre, lhe escolheram o destino, aos dez anos: António iria estudar para padre, em Viseu. Quando o informaram da decisão, aceitou-a, não mostrando alegria nem contrariedade. E em 10 de Agosto de 1899 fez, em Viseu, o exame da instrução primária e matriculou-se no seminário.
Nem alegria nem contrariedade. Seria de estranhar esta atitude passiva noutra criança, mas não em António Salazar que, em pequeno, “era medroso, tímido, acanhado, grave e sisudo”. Gostava de árvores e principalmente de flores, “mas a sua paixão eram os pássaros”. Para os ver voar, em liberdade, ou pousados nos galhos das árvores? Que ideia! tinha gaiolas, apanhava pintassilgos, cuidava-os”, mas “se lhe fugia algum, possuía-o um choro convulso e não descansava enquanto não o substituísse. Sabe-se enfim, que era uma criança de olhar pensativo”, brincava pouco, e à companhia dos rapazes da sua idade, preferia a do seu cão (o Dão), com o qual passeava pelos campos horas seguidas.
Estes traços impressivos do carácter da criança que, nos últimos anos do século passado, se isolava nos campos do Vimieiro, hão-de persistir pela vida fora e todos os seus biógrafos se lhe referem. quando, aos 30 anos, se decide pela política, Salazar “é um celibatário austero que não bebe, não fuma, não conhece mulheres”, embora em 1950, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, assinalasse: “ aprecia a companhia das mulheres e a sua beleza e, no entanto, leva uma vida de frade”.
Durante muito tempo, colou-se a Salazar “a reputação austera de um misógino”, talvez alimentada por ele próprio: “Persuadido de que a mulher que tem em mente a preocupação do seu lar não pode produzir fora dele um trabalho impecável, lutarei sempre contra a independência das mulheres casadas”. Mas não se pode atribuir à política e responsabilidade de ter ficado solteiro, como também se pretendeu fazer crer: quando optou pela política, não se lhe adivinhava qualquer perspectiva de casamento”. Por outro lado, sabe-se hoje, que existiram várias mulheres na sua vida - desde os amores clandestinos com uma professora primária, no tempo em que era seminarista em Viseu, até ao “affaire” com a jornalista francesa Christine Garnier.
A verdade é que Salazar era “um misantropo, um ser sedento de solidão, inacessível, e desconfiado”, que suportava “o contacto de outro solitário mas não de um grupo, um homem frio, desprovido de magnetismo, mais frequentemente cercado de fracos que de fortes, talvez por ser tímido, e desdenhoso para com os seus semelhantes”. Quando era professor na Faculdade de Direito de Coimbra “os seus olhos frios nunca revelavam aprovação ou descontentamento”. E Cerejeira, ao recordar os tempos de juventude, diz que ele era um “homem de gelo. Os seus alunos, que amargamente lhe censuravam a dureza, teriam ficado muito surpreendidos se vissem a sua emoção. A frieza de Salazar ocultava nessa época, como hoje, uma sensibilidade quase doentia. Sim, a frieza era o seu escudo e a sua defesa!... Hoje, como antigamente, o seu primeiro gesto é tímido. Hesita antes de se lançar na acção. Necessita de ser apoiado, e depois lança-se. Nunca vi tantos contrastes na mesma pessoa... Nele, chocam-se a todo o instante o cepticismo e o entusiasmo, o orgulho e a modéstia, a desconfiança e a confiança, a bondade mais tocante e por vezes a dureza mais inesperada”.
Não é, pois abusivo concluir que a criança que, no Vimieiro, evitava as outras crianças, preferindo a companhia do seu cão, se manteve um solitário pela vida fora. Nunca gostou do contacto com pessoas e, muito menos de enfrentar multidões, os seus discursos, sempre escritos destinados a serem lidos, eram “a manifestação de um espírito pouco inclinado ao contacto com as massas” e reflectiam o ambiente da cela e o isolamento em tinham sido escritos.
Medo, timidez, desprezo pelos outros? “Há várias maneiras de governar e a minha exige isolamento... O isolamento muito me ajudou, na verdade, a desempenhar a minha tarefa e permitiu-me no passado como hoje, concentrar-me, ser senhor do meu tempo e dos meus sentimentos, evitar que fosse influenciado ou atingido”.

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EMIDIO SANTANA - HISTÓRIA DO ATENTADO A SALAZAR

Biografia
Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antigaConfederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura (1974), Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.
Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política



Atentado contra Salazar

ATENÇÃO ! CLIK NAS IMAGENS PARA AMPLIAR

O anarco sindicalista Emídio Santana, em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Oliveira Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa.
Salazar costumava ouvir missa na capela privada de um amigo, Josué Torcato, que vivia num palacete na Rua Barbosa do Bocage, n.º 96, nas Avenidas Novas, em Lisboa. A bomba foi colocada num esgoto, frente à casa, para ser detonada no momento em que o Presidente do Conselho chegasse de carro, manhã cedo. Assim se fez, mas o engenho estava mal colocado e a bomba explodiu para o lado contrário do automóvel.
Salazar saiu abalado, mas ileso, da explosão
              


Buraco em resultado da explosão da bomba                                     O mesmo local nos anos 60
 
Na sequência do atentado, Emídio Santana, que militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa, é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
                                                            Notícia do atentado no “Diário de Lisboa
                               1937 Atentado a Salazar.3
                                clicar para ampliar
Nos jornais, durante dias, as vozes do regime publicaram orações à Rainha Santa Isabel (a padroeira do 4 de Julho), porque o “Doutor Oliveira Salazar fora miraculosamente salvo dum infamíssimo atentado contra a sua vida”.