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quinta-feira, 7 de abril de 2016

ONDE ARRANJOU ESSE PANAMÁ !?


A invenção que está ajudando milhares de famílias transportarem água na África do Sul


A ideia é bastante simples e até faz você se perguntar: por que não fizeram isso antes? E é exatamente por ser simples que ela é revolucionária.
Os engenheiros sul-africanos Pettie Petzer e Johan Jonkerbolaram um jeito simples e prático para facilitar a tarefa nada simples de transportar água enfrentada por milhares de pessoas (principalmente as mulheres e as crianças) no seu país.
Hippo-Water-Roller-Barril-de-água-1
Essa dupla de engenheiros criou o Hippo Water Roller, um tipo de barril que rola sobre o chão conectado a um eixo. A invenção permite substituir os baldes no transporte da água.

O projeto existe desde 1994 e já se expandiu e provocou impacto social em outros 20 países. Muito mais fácil de carregar, o Hippo Water Roller consegue armazenar 90 litros de água: volume praticamente impossível de ser transportado em um balde na cabeça. Ainda existem versões equipadas com um filtro que torna a água apropriada para o consumo.
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Segundo os idealizadores do projeto, até setembro de 2015, aproximadamente 46 mil barris foram distribuídos, beneficiando até 300 mil pessoas, considerando uma média de 7 pessoas por família.
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Hippo-Water-Roller-Barril-de-água-5razoesparaacreditar.com


ÚLTIMA HORA - Chefe do Estado-Maior do Exército pediu a demissão


Recente polémica sobre alunos homossexuais no Colégio Militar pode estar na origem da demissão mas não será o motivo principal


O chefe do Estado-Maior do Exército, general Carlos Jerónimo, pediu a demissão esta tarde ao Presidente da República, avança o Diário de Notícias. O pedido terá ocorrido na sequência de uma entrevista do subdiretor do Colégio Militar em que admitiu que os alunos homossexuais são convidados a sair. O Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, já aceitou a demissão, "agradecendo os relevantes serviços prestados ao país". Foram invocados motivos de "ordem pessoal".
O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tinha pedido explicações ao Exército sobre o que se passava efetivamente no Colégio Militar. Em entrevista ao jornal Observador, o subdiretor António Grilo afirmou que, "como é lógico, a sexualidade é um tema aberto na sociedade e a homossexualidade é aceite legalmente. Podemos dizer que [haver esse tabu] é uma maneira de salvaguarda do são relacionamento entre eles no internato. Repare, eles não se cobrem para nada, não se escondem para nada, não têm armários fechados… para poderem viver como irmãos que são. E na salvaguarda desse relacionamento, é bom que não haja afetos”.
Mas o Expresso apurou que o caso do Colégio Militar não será o motivo principal que levou à decisão do general Carlos Jerónimo.

VENHAM CONSELHOS DE ESTADO


INDEPENDÊNCIA NACIONAL
VENHAM CONSELHOS DE ESTADO DESTES MARCELO !
SÓ O QUE ME FALTA AQUI É A RAPARIGA EM CIMA DA MESA !
NADA DE CONFUSÕES ! NADA DE ORGIAS, ESTAVA A PENSAR NA TAL MOÇA QUE SUBIU À MESA LÁ EM BRUXELAS E QUE ME FEZ APANHAR UM GRANDE CAGAÇO !

Para mais tarde recordar






Francisco Assis hoje no Público:«Não será por acaso que até à data,  com a excepção imediatamente resolvida da Islândia, não detectámos a presença de qualquer dirigente político do espaço democrático ocidental na lista dos eventuais prevaricadores. Está lá Putin, estão lá dirigentes chineses, estão lá autocratas de todo o estilo e natureza, não estão líderes europeus. E não estão por uma razão simples: pela qualidade das instituições que estruturam os regimes democrático-liberais. O resto é conversa fiada de espíritos ou muito retorcidos ou pouco abonados. Uns deploram-se, outros lamentam-se.»

Creio que Francisco Assis convenientemente se esquece que há muitas Mossak & Fonseca e já não se lembra, antes do Panamá Papers, do caso so seguinte ministro das Finanças de F. Hollande:

«L’affaire Cahuzac est un scandale politico-financier français mettant en cause Jérôme Cahuzacministre délégué chargé du Budget lors du déclenchement de l’affaire, en décembre 2012. Accusé par le site d’information en ligne Mediapart d’avoir possédé des fonds non déclarés sur un compte en Suisse, puis à Singapour, Cahuzac clame à plusieurs reprises son innocence, y compris devant les députés à l’Assemblée nationale. Des personnalités comme Jean-Michel Aphatie1demandent à Médiapart de publier ses preuves2, quitte à divulguer ses sources. Le jour de l’ouverture d’une information judiciaire, le 19 mars 2013, le président de la République François Hollande annonce le départ de son ministre du gouvernement3. Jérôme Cahuzac finit par reconnaître les faits le 2 avril 2013 devant les juges d’instruction. Il est alors mis en examen pour blanchiment d’argent provenant de fraude fiscale.» (Wikipedia)
Via: o tempo das cerejas 2 http://ift.tt/1PX0I7v

SOBRE O QUE LEVAVA NA MOCHILA SE FOSSE REFUGIADO - Se eu fosse a Joana Vasconcelos levava uma vergonha infinita


Dir-lhes-ia que se é para viajar assim, sem ler as críticas dos hotéis, sem “o meu caderno para poder fazer os desenhos”, sem dinheiro no cartão para gastar em Paris,  mais valia ficar em casa.
Se eu fosse a Joana Vasconcelos, e visse, como no poema de António Gedeão, “o sangue gorgolejar das artérias abertas e correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas” e visse “as crianças de olhos lívidos e redondos como luas, órfãs de pais e de mães, andarem acossadas pelas ruas como matilhas de cães” e visse “o grande pássaro de fogo e alumínio  cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas amassando na mesma lama de extermínio os ossos dos homens e as traves das suas casas”, eu agarraria “nas lã e na agulha, para qualquer eventualidade” e faria uma obra de arte inócua: qualquer coisa  não tivesse nada a ver com os vivos; qualquer coisa estéril e senil, como um naperom gigante ou um cacilheiro em filigrana ou uma pirâmide de plástico ou qualquer coisa que dissesse, assim bem alto “o meu reino não é deste mundo” ou, simplesmente, “estou-me a cagar”.




É que se eu fosse a coqueluche travestida de artista da direita neoliberal, não poderia, mesmo que quisesse, saber como é. Se a minha carreira artística tivesse sido um passeio de mãos dadas com os responsáveis pela destruição dos países de onde vêm os refugiados (que nem turistas sabem ser), eu levaria comigo uma absoluta indiferença pela vida de quem é obrigado a deixar tudo: a família, a casa, a segurança, e também os “óclos” de sol, “as lãs” e o i-pad, para saber o que se passa no mundo.
Se eu fosse a Joana Vasconcelos não poderia parecer solidária mesmo que o piano na música de fundo mo exigisse. Porque, se eu fosse a Joana Vasconcelos e fugisse da morte, saberia que só se pode ser solidário com quem partilha, por mais ínfima que seja a partilha, da nossa condição. É que se eu fosse a Joana Vasconcelos nunca, nunca (!) estaria naquela condição porque estaria sempre do outro lado: do outro lado das jaulas de arame farpado onde dormem as crianças que não podem passar; do outro lado da linha mediática que separa, por classes, os refugiados, migrantes, os viajantes e os turistas; do outro lado da Europa fortaleza; do outro lado da Comissão Europeia; do outro lado da arte, com o bricolage anabolizante e hiperbolizante; do outro lado da barricada.
Se eu fosse a Joana Vasconcelos não valeria a pena pedir-me para, como no poema, “lutar até ao desespero da agonia” nem para escrever “com alcatrão nos muros da cidade ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA”. Mas, se eu fosse a Joana Vasconcelos e fugisse da morte, como, de uma certa forma mais demorada, todos nós fugimos, teria que levar comigo, para o resto da vida, uma vergonha infitina.

Via: Manifesto 74 http://ift.tt/1RHaakO

Quem não pode com o pote, não pega na rodilha ou será a sogra !

Quem não pode com o pote, não pega na rodilha ou será a sogra !

 A rodilha (ou “sogra”, como também é conhecida), é uma pequena almofada em forma circular, aberta no centro, ou um simples pano enroscado em que assentam os objectos que se levam à cabeça. As mais elaboradas eram feitas de trapos, lãs e linhas de bordar, entrançadas e bordadas
Varina de Lisboa


Na realidade trata-se de uma protecção utilizada pelas mulheres para facilitar o transporte à cabeça dos mais variados e pesados objectos.

Distinga-se aqui a rodilha (um pedaço de pano, torcido e enrolado redondo e que podia ter outros usos) da “sogra” (uma rodela almofadada de tecido ornamentado, mais a gosto das mulheres e com maior comunidade de uso), sendo esta a denominação mais comum em todo o território nacional.

Sardinheira nas aldeias 
Num passado não muito distante,naquele Portugal esquecido, onde por todos serem miseráveis, a miséria notava-se menos, tempos duros sem  água canalizada, sem luz, sem transportes, foi a rodilha ou a sogra a melhor amiga a maior ajuda .
Que o digam as tricanas e lavadeiras de Coimbra, as varinas de Lisboa, as aguadeiras de Caneças, britadeiras das minas de volfrâmio, as mulheres da beira no transporte da lenha e das pinhas e quantas e quantas vezes no transporte dos filhos .


Lavadeiras de Coimbra


Britadeiras da Beira





Mães de Portugal


O Museu Nacional de Etnologia possui alguns exemplares de “sogras” representativos de várias regiões portuguesas
Eis alguns exemplares _

Rodilha Murtosa -Aveiro


Rodilha Coimbra 






Rodilha Sertã -Castelo Branco




Rodilha  Estreito -Oleiros



Quem não pode com o pote não pegue na rodilha ou será sogra?
Bem hajam 
Carlos Fernandes



Alentejo ! Às sopas chamam-lhe açorda À açorda chamam-lhe migas....

Terra de grandes barrigas,
Onde há tanta gente gorda,
Às sopas chamam açorda
E à açorda chamam-lhe migas;
Às razões chamam cantigas,
Milhaduras são gorjetas,
Maleitas dizem malêtas,
Em vez de encostas, chapadas,
Em vez de açoites, nalgadas
E as bolotas são boletas.
Terra mole é atasquêro,
Ir embora é abalári,
Deitar fora é aventári,
Fita de couro é apero;
Vaso com planta é cravêro,
Carpinteiro é abegão,
A choupana é cabanão
E às hortas chamam hortejos
Os cestos são cabanejos
E ao trigo chama-se pão.

No resto de Portugáli
Ninguém diz palavras tais;
As terras baixas são vais
Monte de feno é frascáli
Vestir bem parece máli
À aveia chamam cevada
Ao bofetão orelhada
Alcofa grande é gorpelha
Égua lazã é vermelha
Poldra “isabel” é melada.

Quando um tipo está doente
Logo dizem que está morto.
A todo o vau chamam porto
Chamam gajo a toda a gente
Vestir safões é corrente
Por acaso é por adrego,
Ao saco chamam talego
E, até nas classes mais ricas
Ser janota é ser maricas
Ser beirão é ser galego.

Os porcos medem-se às varas,
O peixe vende-se aos quilos
E a gente pasma de ouvi-los
Usar maneiras tão raras;
Chamam relvas às searas
Às vezes, não sei porquê
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero;
“não quero” diz-se “nã quero”
“eu não sei” diz-se “ê nã sê”!


"Terra de grandes barrigas
onde só há gente gorda
Ás sopas chamam-lhe açorda
à açorda chamam-lhe migas "

Foi com estes versos que, Vasconcelos de Sá  nos anos trinta do século passado cantou a diferença entre o uso destas palavras no Alentejo e fora dele .(in revista músical Palhas e Moínhas ).




A açorda alentejana tem origem na  tharid dos invasores árabes,talvez o seu segredo esteja na simplicidade da sua confecção,pedaços de pão mergulhados num caldo quente, aromatizado e enriquecido com azeite e ervas aromáticas que só o Alentejo nos pode oferecer .





Diz-se ainda que durante o tempo da ocupação romana,se consumia no Alentejo, uma sopa feita de ervas aromáticas, alho azeite, pão e água quente . Como podemos constatar esta iguaria atravessou, assim, as culturas dos povos invasores que se seguiram,tendo sido os árabes que a fixaram e lhe deram a importância que tiveram não só entre eles como entre nós . A açorda em árabe ath thurda é pois uma herança da  presença muçulmana neste Garb al Andaluz entre os séculos VII e XIII.


As açordas do pobre não têm conduto, para o pobre. São as açordas de mão no bolso , só precisam da mão que levam a colher à boca.São as açordas peladas, não fazem bem nem mal, é só pão e água ..- caem nas calças e não põem nódoas, como escreveu Falcato Alves em "Os comeres dos Ganhões 1994".
 Mas como tudo na vida, há sempre quem pode e então temos as açordas bem temperadas, com a água de coser bacalhau, pescada, ou amêijoas, e ainda ovo escalfado ou cozido as azeitonas, e,até nalgumas famílias, os figos frescos.
Para quem gosta deste prato típico do nosso Alentejo sabe que as açordas são quase sempre de alho , coentros e poejos . À falta destas ervas há quem as faça com pimento verde esmagado .



Para os Alentejanos, o termo migas significa um alimento à base de pão migado,embebido num caldo e a seguir amassado e esmigalhado . Esta confecção  noutras regiões é denominado de açorda , são famosas de marisco que proliferam país .
Mas no Alentejo açorda é açorda, e migas são normalmente confeccionadas no pingo da carne de porco com mais gordura, inclusive dos enchidos, e, ao contrário do aforismo " migas de pão duas voltas e já estão ", as migas dos nossos antepassados árabes e as que ainda hoje se fazem no nosso Alentejo são enroladas continuamente até tostarem levemente e ganharem uma casquinha estaladiça .
Este é também um prato principal na mesa de ricos e pobres no Alentejo só se diferenciando na quantidade da carne consoante o estatuto social .
Sem dúvida uma boa opção a cozinha tradicional alentejana cheia de história e estórias por desvendar, visite o Alentejo de paixão
Bem Hajam
Carlos Fernandes
skywaterland.blogspot.pt