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domingo, 3 de abril de 2016

MUITOS MINUTOS DE BOA MÚSICA COM FLAUTA DE PAN










VÍDEO

A câmara não é o olhar


Imagem, logo existe.



A câmara não é o olhar


Clichês à parte, há momentos em que é necessário recordar que o modo como as “câmaras” mostramo mundo são decisões planificadas por alguém que, no seu modo de ver, a partir dos seus interesses e limitações, quer que vejamos. O mundo está infestado de câmaras que servem múltiplas finalidades. Câmaras de televisão, de cinema, de fotografia, de vigilância, de espionagem… câmaras nos estúdios de filmagem, em “caixas automáticas” nas avenidas, em gravatas, em lápis… câmaras para espetáculo e de controle. A realidade fragmentadapelo orifício de uma câmara.
Quase que não existe atividade individual ou coletiva em que as câmaras não estejam presentes. As câmaras consolidaram uma cultura, espécie de praga pela sua presença e pelo que “mostram”, e que sistematicamente impõem um modo de conhecimento determinado pelo “enquadramento”, o movimento, a profundidade, a nitidez ou o repouso do enfoque do operador de câmara ou do fotógrafo. É a ditadura do modo de ver, uma imposição que dirige o olhar para uma forma de ver, de pensar e decidir o que deve ser visível, como se deve ver e com que determinações de mercado, de classe ou de vigilância. O poder controlando os olhos.
O olhar próprio das câmaras nos seus “enquadramentos” é muito diferente daquele com o qual contempla a realidade. O olhar é mais amplo, mais fundo, mais colorido e mais direto. Mais tátil. É uma experiência que não necessita de intermediários nem de segmentações. Olhar é um processo do conhecimento, da sobrevivência, do próprio desenvolvimento do indivíduo e do conjunto das suas relações sociais. É muito mais que uma função fisiológica. Olha-se em amplitude e em detalhe num entrelaçar de funções complexas que interagem entre o objetivo e o subjetivo.
Isto implica, entre milhares de coisas, o desenvolvimento necessário de uma ética do olhar, ou seja, centrar a investigação científica no comportamento dos que escolhem e exibem os fragmentos da realidade que elegem e de que são responsáveis. Expor o que a câmara vê não é uma dádiva, não é um presente filantrópico nem dos céus. Salvo casos excecionais uma câmara não grava por si mesma nada do que mostra. Necessita que alguém a maneje, a instale e determine o campo visual que lhe convém. E por trás de cada campo visual eleito com os seus “enquadramentos” e “recolhas de imagens”, quem regista os fragmentos da realidade assume a responsabilidade não inocente e que é sempre ideológica, que tem carga ética e estética. E o problema multiplica-se como se multiplicam os milhões de câmaras que se acendem noite e dia para constituir um universo fragmentado com “enquadramentos” visuais. Merece uma referência especial, pelo menos uma menção, a manipulação descarada da recolha de imagens para que se vejam ou se invisibilizem os protestos sociais e a situação objetiva das batalhas territoriais.
O alfabeto visual dos “close up” (primeiros planos) ou as panorâmicas com todos os seus espaços e gradações é o alfabeto de um discurso da imagem que nada tem de inocente nem de inócuo. É o desenrolar de uma técnica de intervenção sobre a realidade e sobre as consciências, não só com o poder da fragmentação como também com o poder da articulação de fragmentos fazendo-os passar como um todo. E isso, com frequência, parece e confunde-se com a mentira. Nada de novo até aqui.
A fase mais perigosa, ao reduzir o olhar para o visível num enfoque, é a hipótese alienante de imaginar que se cegam os povos quando se apagam as câmaras. É a moralidade subterrânea que grita, aos quatro ventos, que só existes quando alguém te faz visível, quando te enquadrae te separa da realidade com a objetiva de uma câmara. É um exagero? É o culminar de um processo de alienação.
Também é bom explicar que não se trata de promover negações nem vinganças contra o desenvolvimento tecnológico de instrumentos para registos visuais. É impossível negar o significado da contribuição para a ciência, para as artes, para a política e para a educação (por exemplo). É impossível ignorar a contribuição que o conhecimento humano tem adquirido com o aperfeiçoamento de câmaras em locais onde ninguém ou muito poucos chegam no globo terreste ou no extra-terrestre.
O que se devia submeter a debate filosófico, ético, epistemológico e político é essa forma de uso que fez das câmaras, voluntária ou involuntariamente, uma fonte de conhecimento, uma didática da realidade, uma ponte de interação com princípios que nunca se comportaram como um quebra-cabeças, que jamais conseguirão substituir o todo  pela dialética de um conjunto de inter-relações que não podem ser satisfeitas só com registos fragmentados a que está condenada por definição uma câmara. Só a inteligência humana, por ser social, é capaz de completar a paisagem, sintetizando e universalizando a sua relação com a matéria concreta e as suas experiências transformadoras. E isso não está ao alcance de nenhuma câmara. E ainda bem.

Dr. Fernando Buen Abad Domínguez
Universidad de la Filosofía
Via: as palavras são armas http://ift.tt/2239h7I

VASCO ! O COMPANHEIRO VASCO ! - Vou só lembrar duas ou três coisas: foi um Governo chefiado por Vasco Gonçalves, que criou em Portugal o subsídio de desemprego, o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de natal.








Quinta-feira, 26 de Maio de 2011



Vasco, o Companheiro Vasco

Vasco, o Companheiro Vasco, foi um verdadeiro Homem de Abril.
Entre 18 de Junho de 1974 e 12 de Setembro de 1975, foi o Primeiro-Ministro de Portugal.
Foi um Homem que soube cumprir o seu destino e soube contribuir para melhorar o destino dos outros.
Vasco, o Companheiro Vasco, foi o único ocupante do Palácio de São Bento a quem o Povo tratava pelo nome próprio.
Os adversários e os inimigos vingaram-se, inventando o gonçalvismo – tentanto resumir num homem aquilo que para eles era a fonte de todos os medos, mas que mal ou bem nascia dos mais puros anseios de um povo que, pela primeira vez na história, tinha como chefe do Governo alguém  que o escutava e, mais importante, o compreendia.
Depois do 11 de Março de 1975, já lá vão 36 anos, Vasco Gonçalves, continua a ser o centro de todas as atenções: daqueles que o continuam a admirar e  daqueles que o continuam a temer.
Vasco, o Companheiro Vasco, foi um Homem sério que cumpriu sempre o seu dever para com o Povo Português.
Vou só lembrar duas ou três coisas: foi um Governo chefiado por Vasco Gonçalves, que criou em Portugal o subsídio de desemprego, o salário mínimo, o subsídio de férias e o subsídio de natal.
Neste momento, com a crise que vivemos, em que mais de 700 mil portugueeses se encontram em situações sociais desesperantes, o subsídio de desemprego é o único e magro provento com que contam. E recorde-se que esse subsídio é pago pelos seus  descontos enquanto trabalhador.
A medida da sua importância, nos dias que correm, pode ser avaliada, simultaneamente, em duas vertentes: é encarado naturalmente, como o ar que se respira, como se não tivesse história, por grande parte da população; e é alvo dos maiores ataques , no limite, visando liquidá-lo, por parte dos partidos da direita.
Vasco, o Companheiro Vasco, o primeiro - e até agora único - primeiro-ministro português que, no desempenho desse cargo, teve sempre como primeira prioridade, paralelamente à defesa da independência nacional, a defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, ou seja, da imensa maioria dos portugueses. 

ESTÁ EXPLODINDO POR TODO O MUNDO ! "PANAMÁ PAPERS" O NOVO WIKILEAKS


CORRUPÇÃO


“Panama Papers”: as reações e consequências


A empresa de advocacia Mossack Fonseca & Co já respondeu à divulgação de milhões de documentos, afirmando que sempre cumpriu os protocolos internacionais. Na Islândia fala-se em eleições antecipadas.

Mais de 11 milhões de documentos (e 2,6 terabytes de informação) foram divulgados este domingo, 3 de abril, revelando um intricado esquema de corrupção que envolve chefes de Estado, centenas de políticos em todo o mundo, banqueiros, criminosos e até celebridades, que usaram paraísos fiscais para esconder dinheiro e património. Os ficheiros que marcam a atualidade pertenciam à base de dados da Mossack Fonseca, sediada no Panamá — é a quarta maior empresa de advocacia do mundo especializada em paraísos fiscais; administra empresas offshore e faz gestão de fortunas.
A massiva fuga de informação está a provocar reações em diferentes pontos do globo, a começar pela própria Mossack Fonseca, que já emitiu um comunicado publicado pelo The Guardian.


A empresa começa por dizer que não pode providenciar respostas a questões que dizem respeito a assuntos específicos, uma vez que estaria a violar as suas políticas de confidencialidade e obrigações legais para com os clientes.
No entanto, podemos confirmar que as partes citadas em muitas das circunstâncias não são nem nunca foram clientes da Mossack Fonseca”, lê-se na resposta.
Assegurando que presta serviços amplamente disponíveis e utilizados em todo o mundo, a empresa garante que sempre cumpriu os protocolos internacionais de modo a garantir que “as empresas que incorporamos não estão a ser usadas para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou outros propósitos ilícitos”.


A isso acrescentam-se as primeiras consequências do escândalo associado à divulgação de milhões de documentos: segundo o The Guardian, o primeiro-ministro islandês, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, deverá ter de enfrentar pedidos de eleições antecipadas no Parlamento já na próxima semana.O escândalo dá conta da existência de empresas offshorecontroladas por figuras de renome, incluindo o primeiro-ministro que agora deverá ter de enfrentar os líderes da oposição.
Já antes Gunnlaugsson tinha abandonado uma entrevista a meio, realizada pela televisão sueca SVT, quando lhe foi colocada uma pergunta sobre impostos. Em causa estava uma questão relacionada com uma empresa chamada Wintris, que o primeiro-ministro islandês garantiu estar declarada às autoridades fiscais islandesas. Gunnlaugsson disse não estar preparado para responder a tal pergunta e decidiu descontinuar a entrevista dizendo “O que estão a tentar fazer aqui? Isto é totalmente inapropriado”.

observador.pt

PORTUGAL - AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1958



Intervenção de Arnaldo Mesquita na sessão pública da URAP, em 14/05/2008, no Porto

1.ª PARTE


Estamos aqui para evocar as "eleições presidenciais de 1958"? Pois bem: Em 1958, eu tinha 28 anos de idade e era um jovem cheio de vigor e saúde! Hoje, a saúde atraiçoa-me e as forças faltam-me, infelizmente!

Permitam-me porém que vos diga:
Em 1958, já há praticamente vários anos que eu lutava contra o fascismo, organizado no PCP e no MUD Juvenil. Tal como, aliás, luto hoje, na medida do possível, organizado na URAP (e não só).
Luto, antes de tudo, para que o fascismo não possa voltar, nunca mais, essa besta hedionda.
Mas também, é claro, para que o nosso Povo possa desfrutar quanto antes de melhores condições de vida (que hoje lhe estão a ser outra vez insidiosamente cerceadas, quando não retiradas de todo, com a pobreza a aumentar cada vez mais).
Veja-se só, por mais recente, a escandalosa demagogia do actual ataque em curso, contra os direitos de quem trabalha, no caso do Código do Trabalho e da "flexigurança", contra o que vigora da Constituição de Abril!
Posto isto, evoquemos, sim, as ditas "eleições presidenciais", no fascismo de há 50 anos, dando testemunho de alguma da experiência nelas recolhida (na luta legal e ilegal), até que me vi preso pela 2.ª vez, em Janeiro de 1959, pela PIDE maldita, torcionária e assassina (do próprio Delgado, mas não só)!
Na 2.ª metade da década de 50, sem falsa modéstia o digo, tive a nível local, o meu próprio papel como militante do PCP na luta política legal e ilegal das forças democráticas e antifascistas. Na nossa cidade (e não só).
Depois a PIDE prendeu-me e torturou-me sadicamente, arruinando-me a saúde; e tive de me limitar durante anos, atendendo ao estado em que fiquei, embora lutando sempre, sobretudo contra a repressão, na defesa dos presos e perseguidos políticos, com a preciosa ajuda e colaboração do meu colega de escritório, Dr. Sousa e Castro, há muito já falecido.
Permitam-me que recorde, mais, a propósito, o Dr. Silas Cerqueira, meu camarada de partido, com quem muito trabalhei politicamente nesse tempo: então também organizado no Porto. Já preso antes, no âmbito das lutas do Movimento da Paz; de novo o foi pela PIDE durante a campanha eleitoral de 58, como aliás o foram centenas e centenas dos que nela mais se destacavam. Para o não voltar a ser (como aliás, eu próprio também fui, mas depois das eleições), teve ele de se exilar para França, permanecendo ali até ao 25 de Abril.
Permitam-me ainda que recorde um velho democrata e antifascista, de seu nome João Xavier, comerciante desta cidade, já há muito falecido, estabelecido frente ao Teatro de S. João, que em tudo nos apoiou e ajudou nas lutas eleitorais desse tempo, pelo menos desde 1957; isto é, desde que, então, mais se tentou forjar e alargar uma ampla unidade para derrubar o fascismo nas eleições de 1958, primeiro à volta da figura de Cunha Leal (o qual acabaria porém por não aceitar ser candidato) e depois à volta do Dr. Arlindo Vicente, tudo como meio de podermos dar um amplo conteúdo democrático e inequivocamente antifascista, quer à campanha eleitoral, quer à luta que lhe andava e andaria associada.
Falei de João Xavier, porque reputo exemplar a sua indefectível coerência de típico homem sem partido, modesto comerciante, já idoso, apostado em lutar abnegadamente contra Salazar, pela Liberdade e pela Democracia, sem sofismas nem subterfúgios.
            Mas poderia falar de muitos outros, também já falecidos (e não só, como é o caso de Papiniano Carlos e Olívia Vasconcelos, felizmente vivos e aqui presentes).
Poderia falar, por exemplo, de Viriato Ribeiro, funcionário público, antifascista igualmente sem partido, com quem percorri, aos fins de semana, praticamente todo o distrito, na realização de contactos com vista à mobilização e obtenção dos necessários apoios para uma candidatura da oposição democrática, ganhadora e inequivocamente antifascista, nas "eleições" que se avizinhavam.







AS "ELEIÇÕES" PRESIDENCIAIS DE 1958
2.ª PARTE


Não virá a despropósito referir que a candidatura de Humberto Delgado, (de que de início só muito vagamente se falava, e de que muito se passou a falar, sobretudo depois da desistência de Cunha Leal) era inicialmente olhada com justificada desconfiança política pelas forças democráticas mais consequentes, os comunistas incluídos, como é óbvio.

Com efeito, tratava-se de um general no activo, provindo da élite das forças armadas do fascismo e por este promovido e colocado em posições de manifesto destaque, até a nível internacional; e que aparecia rodeado por algumas das mais conservadoras e suspeitas forças políticas da época, inclusive legionários, como foi o conhecido caso de Rodrigo de Abreu, comprovado informador ao serviço da PIDE, que o acompanhava.
Assim, inicialmente, as pessoas perguntavam-se, e com inteira razão, o que é que de bom poderia sair daquilo tudo para a Liberdade e o inerente tão desejado derrubamento do fascismo.
Também por tudo isso se punha a própria questão da ida ou não ida às urnas, por de mais conhecidas as deficiências dos cadernos eleitorais (com a generalidade das mulheres não inscritas e sem direito a voto), bem como cortados daqueles praticamente todos os oposicionistas conhecidos: o que tudo mais impediria pois, na prática, a necessária (indispensável!) fiscalização e controle do próprio acto eleitoral, etc., etc.
Por tudo isto, viríamos a decidir oportunamente, em Lisboa, numa ampla reunião unitária da chamada Oposição Democrática, intervir autonomamente, aprovando e lançando a inequívoca candidatura democrática (e antifascista) do Dr. Arlindo Vicente, logo depois que o escritor Ferreira de Castro não aceitou ser candidato.
Arlindo Vicente era, aliás, um conceituado e bem conhecido advogado, além de prestigiado artista plástico de muito renome, que aceitou encabeçar a batalha eleitoral que se avizinhava, consciente das dificuldades que o esperavam e nos esperavam a todos; o qual viria aliás a ser preso pela PIDE e condenado no Tribunal Plenário de Lisboa, depois das eleições, precisamente por isso.
            Entretanto, perante estas realidades, Humberto Delgado definia-se melhor; e na sua apresentação pública, como candidato, empolgou todo o País, mormente quando em resposta à pergunta de um jornalista sobre o que faria a Salazar caso fosse eleito, respondeu com o seu célebre


"OBVIAMENTE, DEMITO-O!"


O que foi uma autêntica bomba e dinamizou o País, duma ponta à outra.

Estávamos todos fartos (refartos) da ditadura terrorista do grande capital que Salazar encarnava.
Humberto Delgado foi por tudo isso recebido e aclamado aqui no Porto (e não só) por uma nunca antes vista, imensa e entusiástica multidão de populares! Mas atenção:
A candidatura de Arlindo Vicente estava melhor organizada; e não só já tinha, como manteve, depois, igualmente, muitos e muitos populares, democratas, e antifascistas a apoiá-la, quer no Porto (cujo comício presidido pelo candidato encheu e extravasou muito para fora do edifício do Coliseu) quer sobretudo no Sul do País - Alentejo e Algarve - que ele percorreu; sendo sempre entusiasticamente recebido em todo o lado.
O passado não democrático de Delgado (ex-legionário e ex-prosélito do ditador) pesava muito contra ele.
Mas perante a sua atitude, pôs-se, cada vez mais, a necessidade de uma rápida definição e fusão das duas candidaturas, com a enunciação e aceitação de prévias e concretas medidas de conteúdo democrático que pudessem assegurar a vitória e impedir uma ditadura de novo tipo! E isso fazia-se sentir, sim, cada vez mais, em cada dia que passava.
Humberto Delgado aliás afirmava-o, por si próprio, embora muitos dos que o rodeavam tentassem impedir o entendimento com Arlindo Vicente (esse era aliás, de resto, o real, senão, único objectivo deles).
Por fim, e para se poder progredir, a candidatura de Arlindo Vicente realizou, sempre de forma organizada, uma reunião nacional em Beja que evidenciou claramente os seus apoios e a sua inegável força a nível de todo o País.

Nela se aceitou negociar e até desistir a favor de Delgado, mas em concretos termos políticos democráticos (mínimos) e mediante a enunciação de várias medidas e princípios antifascistas, claros e inequívocos. Para tal se realizou por fim, em Almada, o comício donde viriam a sair os traços essenciais do chamado Pacto de Cacilhas.






AS "ELEIÇÕES" PRESIDENCIAIS DE 1958
3.ª PARTE


Humberto Delgado, creio tê-lo já dito, era favorável a um rápido entendimento com a candidatura de Arlindo Vicente. Manifestamente, tinha compreendido bem serem-lhe necessárias, senão imprescindíveis, para poder ter sucesso, as forças organizadas e os apoios de que dispúnhamos.

A repressão pidesca, aliás, acentuava-se de dia para dia, tendo já sido (e estando a ser) presos cada vez mais numerosíssimos antifascistas (sobretudo figuras das mais activas e destacadas das duas candidaturas) com o óbvio propósito de desactivar, desmobilizar, intimidar, desorganizar e desarticular a necessária fiscalização do acto eleitoral (a que se entendera dever concorrer), etc. etc.

Nestas condições, o chamado Pacto de Cacilhas acabou por ser ultimado em casa do próprio General, sendo assinado por ele e por Arlindo Vicente que desistiu mediante a aceitação por Humberto Delgado de condições políticas mínimas muito concretas e precisas.
Do lado da candidatura de Arlindo Vicente, estavam, pelo menos, os meus camaradas já falecidos Eng. António Abreu (de Lisboa) e Dr. Mário Sacramento (de Aveiro); e eu próprio (do Porto).

Se bem me recordo, esteve ainda Câmara Reis (e também terão estado outros, cujos nomes lamentavelmente não fixei).

Passo a transcrever, permitam-me, por bem esclarecedor, o famoso Pacto de Cacilhas, datado de 30 de Maio de 1958 e assinado pelos dois candidatos. Ei-lo:
 "Portugueses: a Oposição Independente e a Oposição Democrática, representada pelos seus Candidatos à Presidência da República, o Senhor General Humberto Delgado e o Senhor Dr. Arlindo Vicente, em face da necessidade de estabelecer, nas urnas, uma unidade de acção contra o governo da Ditadura, verificaram ser útil, e até decisivo, proceder imediatamente a tal unidade e, para isso, estabelecer a actuação comum nos seguintes termos, que se comunicam à Nação:

As Candidaturas prosseguirão, a partir desta data, a trabalhar em conjunto, e afinal, serão representadas nas urnas por um só Candidato, o General Humberto Delgado, que se compromete, por sua Honra e salvo caso de força maior, a tornar efectivo o exercício do voto até às urnas e a estabelecer, em caso de êxito, o seguinte:

a) Condições imediatas de aplicação do artigo 8.º da Constituição;
b) Exercício de uma lei eleitoral honesta;
c) Realização de eleições livres até um ano após a constituição do seu governo;
d) Libertação dos presos políticos e sociais;
e) Medidas imediatas tendentes à democratização do País.

Viva Portugal! Viva à Liberdade!"

O último ponto atrás transcrito, em que depois de assinar o compromisso da libertação dos presos políticos, Humberto Delgado, se obrigava a, chegado ao poder, tomar "medidas imediatas tendentes à Democratização do País" foi proposta minha, que ele aliás aceitou imediatamente, e que contribuiu muito, na prática para a inexistência posterior de reservas por parte da generalidade dos que apoiavam a candidatura de Arlindo Vicente e desconfiavam do passado de Humberto Delgado.

Infelizmente, os infiltrados e as outras forças retrógradas que o rodeavam e lhe acenavam com um mero golpe militar palaciano, viriam a dificultar imenso, pelo menos aqui no Porto, que se pudesse organizar um poderoso movimento de massas para fiscalizar a sério o acto eleitoral e impedir as "chapeladas" mais do que previsíveis, da fascistada.

As eleições acabaram por ser assim, como é sabido, uma autêntica burla, em que o vencedor indiscutível - Humberto Delgado - figurou oficialmente como derrotado, até com os números oficiais indicados ao contrário, além de logo queimados em vários lados os próprios votos comprovativos da fraude!

O que, sobretudo nos arredores de Lisboa e no Alentejo, se viria a traduzir em greves e levantamentos populares de protesto, que não foram todavia suficientes para o ansiado derrubamento do fascismo! Os militares "comprometidos" não se moveram sequer! E teria de se aguardar, como todos sabemos, embora lutando sempre, pelo 25 de Abril, vindo 16 anos mais tarde!

Para terminar: Eu fui preso pela PIDE poucos meses depois das eleições, e por ela, logo "cientificamente drogado" na própria alimentação que reclamei (dieta), além de torturado depois com 160 horas de privação do sono.

Vindo a ser julgado, por fim, no Tribunal Plenário (do Porto) para onde consegui que o meu processo acabasse por ser remetido, com a preciosa ajuda de Arlindo Vicente, meu advogado em Lisboa, vindo a ser julgado e absolvido 14 meses depois de ter sido preso!

Também o Dr. Arlindo Vicente viria a ser preso algum tempo depois, pela sinistra Pide, julgado e condenado, no Tribunal Plenário de Lisboa, às ordens dela.
Humberto Delgado, que se refugiou na Embaixada do Brasil, e pediu asilo político, salvo erro, no próprio dia em que eu fui preso, acabaria por vir a ser mais tarde assassinado pela PIDE, numa armadilha ou emboscada que esta lhe montou, em Espanha, através dos provocadores infiltrados (com que ele, infelizmente se deixou enredar, apesar dos inúmeros avisos muito concretos do PCP, e não só).

Delgado era realmente o General Sem Medo e queria acabar o quanto antes com a ditadura de Salazar, assim perdendo a própria vida! Curvemo-nos perante a sua memória!

E também ante a de Arlindo Vicente, cujo centenário de nascimento passou em 2007, e que então foi comemorado oficialmente na sua terra, cuja Câmara Municipal (Oliveira do Bairro) editou depois em sua homenagem um livro magnífico com reproduções da sua obra de artista plástico (que dá gosto manusear e ver de perto) atestador que é do seu inegável talento! Honra lhes seja!


FASCISMO NUNCA MAIS!







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O Mural que o 25 de Abril deixou em Évora


O 25 de Abril de 1974 teve em Évora uma vivência que em muito se estendeu no tempo. 


A cidade tornou-se palco de acções e planos políticos de âmbito nacional e, cerca de um ano depois da revolução, durante o chamado Verão Quente, nos dias 5 e 6 de Julho de 1975, Évora viu nascer uma das mais simbólicas representações pictóricas da Reforma Agrária, então a decorrer, integrada no PREC. 

Tratou-se de um mural, com 40 metros de comprimento e 6 de altura, que foi pintado numa parede na Praceta Duques de Cadaval, próximo da entrada do Largo dos Colegiais.
A iniciativa partiu da Comissão Dinamizadora Central do MFA que, naqueles dois dias, um sábado e um domingo, trouxe para a cidade um enérgico grupo de artistas portugueses, nomeadamente: Gracinda Candeias, Vespeira, Rogério de Amaral, Rodrigo de Freitas, Sá Nogueira, Júlio Pereira, Sílvia Chico, Henrique Ruivo, Teresa Magalhães, Henrique Manuel, David Evans, Moniz Pereira e Sérgio Pombeiro. 


O mural representava grandes momentos de ruptura com o antigo regime e destacava a Reforma Agrária, cujas imagens eram dominantes, assim como a frase “A terra a quem trabalha”. 

A liberdade, as nacionalizações, a aliança do MFA com o povo e o nascimento da República da Guiné-Bissau figuravam também entre as imagens do mural.

Actualmente nada resta deste mural, pois o passar dos anos apagou todos os vestígios desta pintura, restando apenas fotografias sobre esta manifestação artística do pós 25 de Abril.



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A conquista das 8 horas nos campos do Sul foi há 54 anos







 ANTÓNIO GERVÁSIO

Já passaram cinco décadas desde 1962. As gerações com menos de 55 anos não conhecem o desenvolvimento do processo desta luta histórica, nem as duras condições de trabalho e de vida do operariado agrícola do Sul.
Ao relembrar os 50 anos da conquista das 8 horas estamos a valorizar esta extraordinária conquista e a homenagear os seus protagonistas – o proletariado agrícola do Sul e o seu Partido, o Partido Comunista Português.
Passados 50 anos, vemos as forças governantes da política de direita a ameaçar o horário das 8 horas, arrancado ao fascismo com muita luta e sacrifício. É necessário afirmar bem alto: não podemos deixar que os exploradores roubem as 8 horas e imponham de novo o odioso horário de sol a sol!
Não esquecer que sob o fascismo os assalariados agrícolas eram trabalhadores sem direitos, brutalmente explorados. Não tinham sindicatos. O horário de trabalho era de sol a sol. No verão trabalhavam 10 e 12 horas, fazendo uma ou duas horas a pé, de casa para o trabalho e vice-versa. O transporte era as pernas de cada um. Passavam meses durante o ano sem ganhar um tostão, passavam fome.
Nos anos 60, as jornas rondavam, em média, os 25 a 30 escudos para os homens e 13 a 17 escudos para as mulheres. A mais modesta luta ou reclamação era motivo para a intervenção repressiva da GNR ou da PIDE, com prisões e espancamentos.
O proletariado agrícola do Sul, tendo sempre ao seu lado o PCP no esclarecimento, na organização e na luta, foi um dos mais fortes baluartes da luta sem tréguas contra o fascismo, pela liberdade. Muitas centenas de trabalhadores, entre eles comunistas, conheceram os Tribunais e as masmorras da PIDE – Caxias, Aljube, Peniche e outras. Nesta luta sem tréguas vários militantes comunistas alentejanos e ribatejanos perderam a vida. Citamos: GERMANO VIDIGAL, Montemor-o-Novo, assassinado à pancada no posto local da GNR, em 09-06-1945; JOSÉ ANTÓNIO PATULÉIA, Vila Viçosa, assassinado na sede da PIDE, em Lisboa, em 1947; CATARINA EUFÉMIA, Baleizão, assassinada a tiro por um oficial da GNR de Beja, em 19-05-1954, quando lutava por melhores jornas; JOSÉ ADELINO DOS SANTOS, Montemor-o-Novo, assassinado a tiro quando reclamava trabalho, numa concentração junto da Câmara, em 23-06-1958; ALFREDO LIMA, Alpiarça, assassinado a tiro pela GNR, na praça da vila, na luta por melhores jornas em 1950.
O ódio do fascismo ao proletariado agrícola do Sul era violento.

Ter em conta realidades

Para melhor entendimento do processo das 8 horas, devemos ter em conta a realidade histórica existente. A batalha das 8 horas não nasceu de um dia para o outro, tem causas históricas.
Até às décadas de 60-70 existiu nos campos do Alentejo e Ribatejo uma grande concentração de assalariados agrícolas. Cada freguesia ou concelho contava com centenas ou milhares de trabalhadores, homens e mulheres.
Sublinhar que o operário agrícola não é um camponês, não é um agricultor com terra, ou seareiro. O seu único rendimento para sobreviver é a venda da sua força de trabalho, tal como um operário industrial, ou um empregado de serviços. Isso ficou claro na Reforma Agrária com as UCPs. O operário agrícola do Sul tem características muito próprias. Em relação à terra só a quer para a trabalhar colectivamente. É uma classe com um elevado espírito combativo, de unidade, organização e consciência política. O avanço para a Reforma Agrária é uma referência.
A partir dos anos 40 o PCP viu crescer de ano para ano a sua organização e influência política no seio do proletariado agrícola. Nasceram fortes organizações e quadros a saltarem para funcionários. O PCP gozava (e goza) da profunda confiança e credibilidade do operariado agrícola. Há um grande conjunto de localidades do Sul que se tornaram baluartes conhecidos da resistência antifascista. Citamos alguns, sem qualquer ordem: Pias, Vale de Vargo, Baleizão, Aljustrel, Serpa, Beja, S. Domingos, Mértola, Aldeia Nova, Ficalho, Amareleja; Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Escoural, S. Cristovão, Lavre, Cabeção, Montoito, Évora; Avis, Benavila, Alcórrego, Campo Maior, Montargil, Sousel; Grândola, Santiago do Cacém, Alvalade, Ermidas, Alcácer do Sal, Sines; Couço, Alpiarça, e outras.
Não exageramos se dissermos que nos anos 60-70 não havia nos campos do Sul localidade importante que não tivesse organização ou ligação ao Partido. Não há lutas do proletariado agrícola, económicas ou políticas, onde não esteja a mão organizativa ou a influência do Partido.
O jornal O Camponês apareceu nos campos do Sul em 1947, tornou-se um jornal querido dos trabalhadores e exerceu um papel de capital importância na luta dos assalariados agrícolas do Sul. Em muitos ranchos era lido às claras.

Não foi uma luta de semanas

A batalha das 8 horas não surgiu ali atrás de um cabeço. Não foi uma luta esporádica nesta ou naquela localidade. Não foi uma luta de semanas ou meses. Foi uma batalha longa de anos, de 1957 até à vitória. Atravessou ampla discussão com centenas de reuniões e plenários dos 10 aos 100 e 200 participantes, realizados de dia e de noite, alguns dos quais dentro de searas praganosas. Envolveu vários funcionários e muitos quadros intermédios locais activos e influentes. Foram criadas muitas comissões de unidade de Freguesia; Concelhias; Distritais; uma Regional – Alentejo e Ribatejo. A luta teve o seu desenvolvimento e amadurecimento.
Havia algumas dúvidas, quem achasse que as 8 horas não se «ajustavam» aos serviços agrícolas. Camaradas responsáveis com dúvidas se esta luta não seria uma «aventura» que acabaria numa onda repressiva, com duros golpes na organização do Partido. Eram dúvidas sensatas. Contudo, a discussão continuou.
As 8 horas, na altura, eram uma das reivindicações mais sentidas e desejadas dos assalariados agrícolas do Sul. Quem se movia no seio deste grande movimento sentia essa realidade. Sentia a vontade de pôr fim ao horário escravizante de sol a sol e alcançar as 8 horas. A luta confirmou isso claramente.

Como se chegou a Maio de 1962

Na discussão, muitos camaradas colocavam a questão de que não se devia deixar cansar a luta. Encontrar uma data concordante para pôr no terreno as 8 horas, escolher a altura de maior aperto dos serviços agrícolas, como as ceifas, debulhas, cortiça, carvoaria, e outros. O mês de Maio simboliza unidade e luta.
Estava feita uma larga discussão. Havia organização unitária. O Partido contava com fortes organizações. Havia vontade de avançar. Crescia a luta contra a guerra colonial, crescia a luta nas empresas e outros sectores. Crescia o isolamento do fascismo. Em Março de 1962 surge a Rádio Portugal Livre (RPL) com grande impacto na vida nacional, um duro golpe na censura fascista. As condições objectivas e subjectivas estavam maduras para dar esse passo em frente. Foi apontado o 1.º de Maio de 1962, exigir as 8 horas, não trabalhar mais de sol a sol!
Em Março de 1962 foi editado um número do jornal O Camponês e uma separata com um APELO dirigido aos trabalhadores agrícolas do Sul: «AOS TRABALHADORES AGRÍCOLAS DO SUL! NO 1.º DE MAIO NINGUÉM DEVE TRABALHAR MAIS QUE AS 8 HORAS! LÁ ONDE OS CAPATAZES SE OPONHAM; SEJAM OS TRABALHADORES A IMPOR AS 8 HORAS.»
Resultados: a adesão é massiva. O apelo é reproduzido pelas organizações. A RPL repete dias seguidos o apelo. Do Litoral Alentejano chega ao Partido um relatório informando que 30 000 trabalhadores tinham conquistado as 8 horas nos primeiros dias do mês de Maio! A RPL repete esta vitória. Chegam ao Partido outros relatórios e informações. Não sabemos quem foram os primeiros a conquistar as 8 horas…
O movimento assume o carácter de um levantamento geral, massivo e organizado, avança em força no Alentejo e Ribatejo e vai até às serras do Algarve, abrangendo cerca de 200 000 trabalhadores e mais de um terço do território nacional.
Dezenas e dezenas de grandes grupos avançam de terra em terra, de rancho em rancho, a falar com os outros trabalhadores: NÃO TRABALHAR MAIS DE SOL A SOL, AGORA SÓ COM AS 8 HORAS! A luta era a sério… Muitos ranchos de fora aderiram à luta, outros abalaram para a terra.
O fascismo reagiu: Governadores Civis, agrários, INT, Comandantes da GNR e PIDE procuram esmagar a luta, realizando reuniões em Évora, Estremoz, Alcácer do Sal, Grândola e outras. O plano recuou, a luta era mais forte. Houve em várias zonas do Sul prisões e espancamentos, como em Alcácer, Montemor-o-Novo e outras.
Agrários teimosos recusaram durante meses dar trabalho; só davam de sol a sol. Nos largos das aldeias, onde se juntavam trabalhadores em greve porque os agrários não davam as 8 horas, aparecia a GNR a questionar: «Por que não querem trabalhar?» A resposta era sempre a mesma: «Queremos trabalhar mas só com as 8 horas!».
No final de 1962, apesar de haver, aqui e ali, agrários teimosos, as 8 horas estavam, indiscutivelmente, implantadas nos campos do Sul. Tinha acabado, na história de séculos do operariado agrícola, o horário escravizante de sol a sol!...
As 8 horas têm atrás de si milhares de pequenas e grandes lutas nas mondas, ceifas, debulhas, carvoarias, cortiça, esgalhas, azeitona, arroz, contra o longo desemprego, na luta do «ir buscar o comer onde houver», caçadas às perdizes e lebres, na luta política pela liberdade.
A conquista das 8 horas sob o fascismo produziu um extraordinário impacto nos campos do Sul, pela sua abrangência e conteúdo. Trouxe grandes melhorias nas condições de vida e de trabalho. Era a primeira vez na história que os trabalhadores agrícolas saíam de casa com sol e regressavam com sol. Foi um dos maiores motivos de alegria dos trabalhadores! À tarde poderem ir ao café, ao largo falar com amigos. Em várias localidades dizia-se: «Deixámos de ser bichos da noite!»…
Importa sublinhar: sem um operariado agrícola numeroso, organizado e revolucionário, sem uma forte organização unitária e do Partido, sem a intervenção dirigente do PCP, do começo até à vitória, não teria sido possível a conquista das 8 horas antes da Revolução de Abril.
Esta é uma vitória histórica do proletariado agrícola do Sul e do PCP!
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