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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

mas andam a dormir, oh quê??!!


Uma das linhas argumentativas mais desconcertantes dos defensores do candidato do PSD e do CDS à presidência da República tem sido a de que Marcelo Rebelo de Sousa está a ser alvo de ataques ao seu caráter, quando o que deveria estar em causa seriam questões de ordem política.
O próprio candidato ficou zangado por ter sido confrontado com o facto, aparentemente confirmado, de dormir pouco, esquecendo que tinha sido o próprio – ou alguém a seu mando – a usar tal caraterística pessoal, há anos atrás, como argumento valorativo da sua capacidade intelectual, pois dormir pouco permitir-lhe-ia ler mais, saber mais, ver mais. Marcelo era o homem que nunca dormia, a suprema inteligência, o homem que tudo lê e acumula sabedoria infinita. Tal asserção encontra paralelo na expressão popular que se grita aos distraídos e tontos e que, com mais ou menos variações, pode ser grafada assim: “mas andas a dormir, oh quê??!!” Mandam as regras que não se utilizem duplos pontos de interrogação, mas aqui são claramente utilizados para transmitir a ênfase colocada na expressão que compara o sono à estupidez. Portanto, Marcelo não dorme, logo é inteligentíssimo...
O desconcerto motivado pela oportunista argumentação que contesta os ataques de caráter, se é que de ataques de caráter se trata, radica na simples constatação de que o cargo de Presidente da República é um cargo unipessoal, eleito diretamente pelo voto popular e que não depende da propositura de partidos ou resulta de eleição em qualquer câmara parlamentar. Ou seja, é de esperar que quem vai exercer o mais alto cargo de magistrado da nação seja sério, não minta, não tenha, no passado, sido um delator de gente que apenas cometia o crime de pensar de forma diferente sob ditadura. E isto é uma constatação bastante simples. Assim, estranhar que se ataque Marcelo por hoje dizer o contrário do que disse ontem, revelando ser um oportunista que diz o que lhe dá jeito perante as circunstâncias apenas para ganhar (enganar os incautos) votos (até diz que é a esquerda da direita - como é se põe aqui um emoticon daqueles com um grande riso?), por ter sido um delator na PIDE, por ter inventado jantares secretos com vichissoises (embora Portas mereça sempre ser enganado) é que é verdadeiramente estranho.
Em português corrente, Marcelo é o que se pode chamar, com toda a razão, um verdadeiro troca-tintas, alguém desprovido de caráter (no sentido da coerência e da firmeza de convicções e de ser um puro oportunista). Ora, julgo que ter um presidente desprovido de caráter, um troca-tintas, é tudo o que não precisamos. Por isso, aos que ainda pensam em votar Marcelo, só lhes devemos perguntar uma coisa: “mas andam a dormir, oh quê??!!”


pracadobocage.wordpress.com

GRUPOS NAZIS INTEGRADOS NA NATO



 
 

Membro da Guarda Nacional da Ucrânia (foto AP)

Dezembro de 2015. A NATO e o governo instalado em Kiev pelas principais potências da aliança e da União Europeia anunciaram o “roteiro” para a integração da Ucrânia na organização militar comandada operacionalmente pelo Pentágono. O cerco europeu da Rússia pelas forças armadas às ordens dos interesses económicos, financeiros e militares dos Estados Unidos da América aperta-se; e quando se diz cerco está a falar-se de um passo fundamental de uma estratégia de guerra.
A palavra “roteiro” é enganadora, especialmente neste caso. Faria supor que ainda existem algumas etapas e percorrer para que a integração seja plena. Não é isso que acontece: falta apenas anunciar a adesão, na sequência de um “referendo” em relação ao qual as sondagens prevêem desde já um rotundo “sim”. Simples formalidades, portanto.
Antes que isso se concretize, o “roteiro” determina, desde já, a integração das forças armadas e da indústria militar da Ucrânia na estrutura da NATO – o que realmente interessa nestes casos. A partir de agora, afirma a Aliança Atlântica, a Ucrânia passa a ser “um dos mais sólidos parceiros da aliança, firmemente empenhado em realizar a democracia e a legalidade”.
Democracia, legalidade: duas palavras que dizem tudo sobre este acordo, que não passa da institucionalização de mais um protectorado político-militar da NATO e da União Europeia, a exemplo do que sucede no Kosovo, na Bósnia-Herzegovina e vem ocorrendo no Montenegro.
Quanto à democracia ucraniana, são muitos os exemplos de como é plena e vigorosa. O Partido Comunista acaba de ser ilegalizado, os símbolos comunistas proibidos, o acto de cantar a Internacional é punido com cinco a dez anos de prisão, jornalistas são assassinados por esquadrões da morte, foram encerrados dezenas de jornais, milhares de websites. No país onde foram reabilitados os carniceiros que colaboraram nas chacinas cometidas pelas tropas de Hitler, a área de defesa e de segurança é agora dirigida pela componente governamental nazi, escondida nas várias máscaras do Sector de Direita, da União Patriótica e dos grupos de assalto do tipo SA hitleriano, dos quais o mais conhecido é o Batalhão Azov.
O “roteiro” estabelece, portanto, a integração de forças organizadas nazis na estrutura militar da NATO, para defesa da “democracia” e da “legalidade”. No fundo, trata-se da formalização de uma cooperação que existe há muito. Em 2006, por exemplo, grupos de jovens ucranianos que vieram a destacar-se nos dias de terror na Praça Maidan – quando foi declarada a “libertação” do país – foram treinados em práticas terroristas numa base da NATO, na Estónia. Também não é novidade que centenas de instrutores da 173ª divisão aerotransportada da NATO, colocada em Vicenza, Itália, se deslocaram à Ucrânia para treinar os bandos nazis integrados na Guarda Nacional criada pelo novo regime. O assunto nem sequer é tabu para os súbditos da NATO em Kiev. Há menos de um ano, num programa da TV alemã, o embaixador do regime ucraniano em Berlim, Andriy Melnik, explicou que grupos neonazis como o Batalhão Azov, o Batalhão Donbass e o Sector de Direita integram de facto a Guarda Nacional, e com pleno direito, uma vez que sem eles o exército russo tinha chegado muito mais longe.
Teorização que nos leva da democracia para a legalidade subjacente à integração de Kiev na NATO. Sendo a Ucrânia um país em guerra civil, decorrente da limpeza étnica e cultural que o regime tenta efectuar nas regiões de língua russa, supõe-se que a integração da estrutura militar ucraniana na NATO terá como objectivo completar esse trabalho. Ou seja, a NATO achar-se-á dotada da “legalidade” para levar o poder de Kiev a todo o país, procurando dizimar a oposição dos ucranianos que têm o direito democrático de resistir às transformações arbitrárias impostas à sombra do golpe da Praça Maidan, na Primavera de 2014. Uma limpeza étnica que começou, aliás, com o massacre na Casa dos Sindicatos de Odessa, em 2 de Maio de 2014, cometido pelos bandos de assalto nazis – hoje na Guarda Nacional – massacre esse a que as estruturas dominantes no mundo fizeram vistas cegas e orelhas moucas. 
Hordas nazis integradas na estrutura militar da NATO. Aquilo que durante décadas foi secreto, clandestino, conhecido como “Gládio” e outras designações, é hoje assumido à luz do dia, em nome da democracia e da legalidade. E dirigentes da União Europeia curvam-se perante os avanços do fascismo, até em países que sofreram este regime na carne. Matteo Renzi, primeiro ministro de Itália que dizem ser “de esquerda”, saúda o presidente golpista ucraniano, Piotr Poroshenko, pela sua “sábia liderança”. Não há maior facilitadora do triunfo dos porcos que a prosápia amnésica dos irresponsáveis.


mundocaohoje.blogspot.pt

O CAMALEÃO


BOMBAS DA PAZ

BARACK OBAMA o PRÉMIO NOBEL faz a paz com bombas e assassinatos de crianças e civis inocentes
Durante 2015, o Governo do presidente Barack Obam que ganhou o prémio nobel da paz em 2009 lançou 23.144 bombas no Iraque, Siria, Afganistão, Pakistão, Yemen e Somalia

Marcelos para todos

FERNANDA CÂNCIO

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Marcelos para todos

Marcelo Rebelo de Sousa é um homem muito inteligente. E divertido. Tem sempre histórias e coscuvilhices para contar (mentira ou verdade, que importa), observações contundentes e avaliações certeiras para fazer, tudo embrulhado naquela expressividade conspirativa que relampeja malícia. Sim, é difícil não gostar de Marcelo - pelo menos de um deles.

E tantos há à escolha. Do homem que em 2010 foi a uma manifestação contra o casamento das pessoas do mesmo sexo fazer companhia a Isilda Pegado e PNR reclamando um referendo ao que nesta semana, no debate com Marisa Matias, asseverou que sendo presidente promulgaria o diploma da adoção por casais do mesmo sexo porque o importante, explicou, é assegurar o bem-estar das crianças, sejam os pais adotivos dois, um, de sexo diferente ou igual, devendo a decisão ser técnica.

Do homem que em 1998 defendeu - e conseguiu que fosse para a frente - um referendo para decidir se o aborto por vontade da mulher deveria continuar a ser crime, fez campanha pela manutenção desse crime e se congratulou com a vitória, ao homem que no referendo de 2007 veio dizer que nunca quis ver mulheres na prisão e que não concordava com os termos da pergunta (os mesmos da de 1998, que aprovou).

OK: evolui bués, Marcelo. E logo nas matérias normalmente caracterizadas (inclusive por ele) como "de consciência". Já nas outras como será? Vejamos por exemplo o caso do pedido de fiscalização de constitucionalidade dos cortes dos subsídios de férias e de Natal de pensionistas e funcionários públicos inscritos no OE 2012, a medida mais simbólica da era austeritária PSD-CDS. No citado debate com Marisa, negou ter criticado o pedido; mas em janeiro de 2012, na TVI, tinha sido claríssimo na sua censura aos deputados do PS que o assinaram e na certificação de que o TC jamais decretaria a inconstitucionalidade de um OE: "Não lembra ao careca", disse.

É verdade que quase se ia safando de ser confrontado com a contradição (anda tudo, media e campanhas adversárias, muito preguiçoso), mas das duas uma: ou no seu afã de fazer a corte à esquerda (e portanto de dar razão a quem lhe chamou cata-vento) mentiu deliberadamente ou não se recorda do que pensava e defendia há três anos. Lelé da cuca ou mentiroso: que bela opção. Vale que, se se confirmar a caminhada triunfal prenunciada nas primeiras sondagens, só o sofreremos um mandato. Foi ele que o jurou em 26 de janeiro de 2014 na TVI: "Deixo essa sugestão para os futuros candidatos presidenciais, que proponham aos partidos, porque têm de ser eles a rever a Constituição, que reduzam no futuro o mandato apenas a um, e não dois, mais longo, de seis anos ou sete anos, e, no caso de isso não acontecer, que assumam o compromisso de serem só por um mandato. Porque mais do que cinco anos, está provado, a meu ver, é mau." Olha que bom. A não ser que - oh, bolas, é o Marcelo.

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
08/01/16

apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

O VENDEDOR DE CAUTELAS


Leal da Costa, ex-secretário de Estado da Saúde e também Ministro da Saúde de muito curta duração, compareceu ao programa televisivo PRÓS E CONTRAS, para sofrer o vexame publico pela gestão da saúde nos últimos 4 anos. As acusações foram tantas e tão graves, provenientes de médicos, enfermeiros e utentes, e envolvendo  em geral a destruição do SNS, que Leal da Costa, empurrado ás cordas, só ousou dizer, repetidamente, e estoicamente, que “temos de ter alguma cautela”.

E deduzo assim que o ex- dirigente governativo, de imagem retocada por um proverbial corte de cabelo, se prepara para uma nova e mais básica profissão: o  de vendedor de cautelas. 


CR

cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt

DO PRESIDENCIÁVEL MALABARISMO DE UMA CANDIDATA. OU DE COMO METER OS PÉS PELAS MÃOS E AINDA TENTAR VIRAR O BICO AO PREGO SEM NADA APRENDER COM A HISTÓRIA…


A verdade é como o azeite, acaba sempre por vir ao de cima. 

Mais uma vez se cumpre o popular adágio.


Marisa Matias, no debate televisivo com Edgar Silva, faltou à verdade sobre o seu voto a favor de uma resolução do Parlamento Europeu que, em 2011, abriu caminho à agressão militar à Líbia e a toda a tragédia que se lhe seguiu e que ainda hoje persiste.

Confrontada por Edgar Silva, repetiu categoricamente quatro vezes que votou contra, por voto nominal, e aconselhou a consulta das respectivas actas.
Confrontada com as actas, que confirmam o seu voto a favor da resolução, eis que a candidata, em vez de admitir o duplo erro (o voto a favor, por um lado, e a falta à verdade, por outro), tenta virar o bico ao prego e vem acusar quem coerentemente votou contra a resolução: o PCP. 

E fá-lo disparatando: afirma que o PCP decidiu legitimar o regime de Khadafi. Sucede que a resolução (ver aqui: http://goo.gl/xjzvEj) não tratava de legitimar ou deslegitimar o regime de Khadafi, tratava, ocultando-o demagogicamente, de legitimar a intervenção militar. Depois de aprovada, os acontecimentos seguiram exactamente o guião estabelecido pelos falcões da guerra…
Para os interessados, a história mais completa segue abaixo.
1. Marisa Matias, no debate televisivo com Edgar Silva de 6 de Janeiro, respondendo à crítica de que tinha votado favoravelmente no Parlamento Europeu a intervenção militar externa na Líbia, repetiu categoricamente quatro vezes que votou contra, por voto nominal, e aconselhou a consulta das respectivas actas.
Posteriormente, alguns dos seus apoiantes fizeram circular um comunicado, reproduzido pela própria, que exibia a imagem da pretensa votação e onde constavam os votos contra de Marisa Matias, Ilda Figueiredo e o meu próprio, entre outros.
No entanto, tratava-se apenas de uma votação intermédia para a inclusão ou retirada de um parágrafo (o parágrafo 10) da proposta de resolução a submeter ao Parlamento. A votação contra foi muito minoritária e o parágrafo foi incluído na resolução a ser votada.
Na votação final da resolução, que constituiu a deliberação do Parlamento Europeu (Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011), Marisa Matias votou a favor, como pode ser comprovado na respetiva acta, na p. 6 (http://goo.gl/yCT88o).
É agora transparente, depois da generalizada consulta da acta, que Marisa Matias faltou à verdade quando disse que votou contra. A verdade é que votou a favor. Também não fica bem, a ela e alguns dos seus apoiantes, tentar, com a reprodução da imagem da votação intermédia, passar a ideia de que se tratava da votação final.
2. O funesto parágrafo 10, incluído e aprovado com a resolução, solicitava à Alta Representante da UE e aos Estados-Membros a disponibilidade para uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) sobre a imposição de uma zona de exclusão aérea (com a justificação demagógica de impedir o regime de atacar a população civil).
Na verdade, a imposição de uma zona de exclusão aérea era o pretexto para a intervenção militar, pois não é possível impô-la sem o recurso a meios militares. E o parágrafo, na habitual linguagem diplomática, instava na verdade a Alta Representante e os Estados-Membros a cumprir a provável decisão do CSNU de impor essa zona e, mais do que isso, a reclamar e incitar essa decisão, nomeadamente através dos Estados-Membros que aí tinham assento (França e Reino Unido, membros permanentes, Alemanha e Portugal) e das pressões que a UE poderia fazer sobre alguns dos restantes.
Os EUA, a França, o Reino Unido, os falcões da guerra estavam impacientes para lançar a guerra. A resolução aprovada pelo Parlamento Europeu serviu os seus objectivos.
Todos sabíamos disto. Não foi por acaso que este foi o único parágrafo a ser votado previamente se integraria a proposta final. No debate televisivo e faltando à verdade, Marisa Matias afirmou que votara contra a “intervenção militar externa na Líbia” (a crítica que lhe era feita, a que respondeu “votei contra e foi voto nominal”), referindo-se precisamente a este parágrafo, só que na votação intermédia e não na final.
Marisa Matias mudou o sentido do seu voto da votação intermédia, na práctica, preparatória da proposta, para a votação final da resolução, definitiva. Na primeira votou contra, na segunda votou a favor.
Nada a obrigava a ter procedido assim. Os deputados do PCP, coerentemente, votaram contra numa e noutra, como aliás o fez a grande maioria dos camaradas do nosso grupo (GUE/NGL). A incoerência não foi dos deputados do PCP.
3. No jornal Público de ontem, 9/01/2016, interpelada pela jornalista a explicar esta sua incoerência (estando já claro que, ao contrário do que afirmou no debate, votara a favor da resolução, com o funesto parágrafo incluído), Marisa Matias afirma: «o voto final tinha que ver com legitimar ou não o regime de Khadafi, eu não legitimei, o PCP decidiu legitimar».
Esta é uma acusação sem pés nem cabeça. A resolução não tinha nada a ver com legitimar ou deslegitimar o regime de Khadafi. Como facilmente se pode concluir com a sua leitura (aqui: http://goo.gl/xjzvEj). A resolução procurava, isso sim, ocultando-o demagogicamente, legitimar a intervenção militar, submetendo a decisão final do Parlamento o fatídico parágrafo 10 nela integrado.
Marisa Matias contradiz-se novamente. Invocou o facto de ter votado contra esse parágrafo, na votação preparatória da proposta, como exemplo de que votou contra a intervenção militar, reconhecendo assim que o parágrafo desencadearia o processo. Mas quando votou a favor do exacto mesmo parágrafo, agora submetido a votação final integrado na proposta de resolução, a intervenção militar desaparece, como se o parágrafo não constasse. Muito conveniente, mas inconsistente. O parágrafo 10 é o mesmo nas duas votações. Só que a primeira votação era intermédia e preparatória, a segunda era definitiva e constituía a deliberação oficial do Parlamento Europeu.
Na verdade, como evidenciou toda a preparação da resolução e a votação intermédia, esmagadoramente aprovada, o que se pretendia era uma “cobertura”, prolongada depois na do CSNU, para desencadear as operações militares, com o pretexto da zona de exclusão aérea.
Não se tratava de legitimar ou não o regime, tratava-se de legitimar a agressão militar. Foi fundamentalmente por esta razão que os deputados do PCP votaram contra a resolução, tal como já tinham votado contra a inclusão do parágrafo 10 na proposta de resolução.
Depois de aprovada a resolução, com o nosso voto contra e o voto a favor da Marisa Matias (além do BE, também o PS, o PSD e o CDS votaram a favor), os acontecimentos seguiram o guião estabelecido pelos falcões da guerra. Uma semana depois, o CSNU, pressionado pelos EUA e impulsionado pela resolução da UE, decidiu a imposição da “zona de exclusão aérea” e as forças militares, já em estado de prontidão, iniciaram dois dias depois os ataques.
Todos os problemas foram agravados e a Líbia mergulhou no inferno. O curso posterior dos acontecimentos, nomeadamente as vagas de refugiados que procuram atravessar o Mediterrânio daí provenientes, são como pedras lançadas à cara da UE a recordar-lhe as responsabilidades na instabilidade, na guerra, na devastação e no colapso de um Estado agora muito mais falhado do que alguma vez o possa ter sido.
O controlo dos recursos naturais líbios foi o motivo fundamental da intervenção militar, que nunca teve como verdadeira preocupação o povo líbio, tal como a intervenção militar foi o verdadeiro motivo da resolução aprovada pela Marisa Matias, que nunca teve como verdadeira preocupação os direitos humanos.
Foi triste ver Marisa Matias contradizer-se e passar a votar a favor a resolução aguardada pelos falcões da guerra. É triste vê-la negar que tivesse votado favoravelmente e depois apresentar a votação intermédia como a definitiva. E é triste, quando a verdade é reposta, vê-la alijar as responsabilidades no voto e nas inverdades que acerca dele proferiu lançando-se numa disparatada e indigna acusação ao PCP, que foi coerente desde o primeiro ao último instante, pronunciando-se sempre contra uma intervenção militar, que não estava interessada no povo líbio e que resultou na destruição do seu país.
4. A declaração de voto de Ilda Figueiredo então proferida em nome dos deputados do PCP recorda o que estava em causa e desmente cabalmente a descabelada acusação lançada por Marisa Matias:
«Manifestamos a nossa profunda inquietação relativamente aos mais recentes acontecimentos na Líbia, mas defendemos a resolução pacífica e política do conflito, sem ingerências externas. Ora, lamentavelmente, a Resolução do PE defende a intervenção militar, dado que não pode haver zona de exclusão aérea sem intervenção militar.
Por isso, esta resolução, em vez de contribuir para uma solução pacífica, parece visar a preparação de actos de agressão, pelos EUA, a NATO e talvez da União Europeia, contra a Líbia, pelo que expressamos a nossa firme oposição a qualquer intervenção militar externa neste país.
Qualquer agressão contra a Líbia, independentemente dos pretextos e “mandatos”, teria graves consequências para um povo que vive já numa situação de profunda tensão e insegurança; seria profundamente prejudicial para todos aqueles que, na Líbia, prosseguem a luta pelos seus direitos, a democracia, a soberania e a paz e introduziria sérios factores de instabilidade e conflito na região.
Qualquer agressão militar pelos EUA e seus aliados – inseparável dos seus objectivos de controlo dos recursos naturais líbios – seria direccionada não só contra o povo Líbio, mas contra todos os povos da região que se levantaram e prosseguem a luta pelos seus direitos sociais e políticos, pela liberdade, a democracia e a real soberania e independência dos seus países. São lutas que apoiamos. 
Por isso, votámos contra a Resolução.»
João Ferreira

À ESQUERDA DA DIREITA

COMO SE PODE CONSTATAR NAS CARTAS ARQUIVADAS NA TORRE DO TOMBO, O FASCISTA EMBUSTEIRO MARCELO SEMPRE ESTEVE À ESQUERDA DA DIREITA
SÓ OS FACHOS, OS RICOS, OS DOIDOS, OS IGNORANTES É QUE PODERIAM ELEGER UM HOMEM DESTES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

O Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo sobre o assoreamento da barra e do canal de navegação da Fuseta.





Paulo Sá (facebook)

O Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo sobre o assoreamento da barra e do canal de navegação da Fuseta.
Na maré baixa, a profundidade da água na barra não ultrapassa os 30 centímetros e no canal de navegação há zonas onde não é possível a circulação de embarcações. Esta circunstância ameaça a segurança dos pescadores e das tripulações e passageiros das embarcações marítimo-turísticas, além de diminuir a rentabilidade das atividades de pesca e marítimo-turísticas, já que a entrada e saída da barra e a utilização do canal de navegação está fortemente condicionada pelas marés.
A Fuseta vive essencialmente das atividades ligadas ao mar, pelo que o assoreamento da barra e do canal de navegação, se não for contrariado, pode mesmo pôr em causa a sobrevivência desta comunidade piscatória.
O Grupo Parlamentar do PCP já havia questionado o anterior Governo PSD/CDS sobre o assoreamento da barra e do canal de navegação, tendo o Governo descartado a possibilidade de realizar dragagens para repor condições normais de navegabilidade e de segurança. Ou seja, o PSD e CDS abandonaram a comunidade piscatória da Fuseta à sua sorte!
O PCP, não se conformando com a opção do anterior Governo PSD/CDS, questionou o atual Governo sobre a realização de dragagens na barra e no canal de navegação da Fuseta que reponham condições normais de navegabilidade e de segurança.
O texto integral da pergunta ao Governo pode ser consultado em:

CLIQUE ABAIXO

PARLAMENTO.PT


Polémica na saúde. - Eduardo Barroso bloqueia nomeações para centro hospitalar




Os nomes estavam escolhidos e os convites feitos. Mas a oposição do cirurgião obrigou Adalberto Campos a passar ao plano B na nomeação dos novos responsáveis hospitalares.

O cirurgião Eduardo Barroso obrigou o ministro da Saúde a segundas escolhas no convite que tinha feito para substituir a direção do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC). Teresa Sustelo apresentou a demissão em dezembro, juntamente com outros responsáveis de saúde da Grande Lisboa, na sequência da morte de um jovem de 29 anos enquanto aguardava por uma cirurgia no Hospital de São José, mas as objeções do médico levaram Francisco Ramos a recusar o convite de Adalberto Campos Fernandes.
Os momentos deste filme a cinco tempos – escolha de nomes, convite, objeção, recusa e segundas escolhas – passam-se entre os últimos dias de 2015 e a primeira semana e meia de 2016.

Os convites Dois dias antes do Natal, os presidentes da Administração_Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), do Centro Hospitalar de Lisboa Norte e do CHLC apresentaram a sua demissão em bloco – estavam todos em final de mandato e, com a morte de David Duarte a ecoar na comunicação social, decidiram afastar-se de imediato.
Cerca de uma semana depois, o ministro liga a Francisco Ramos, atual presidente do IPO de Lisboa, e convida-o para o lugar de Teresa Sustelo na direção do CHLC. Para o lugar de Luís Cunha Ribeiro na direção da ARSLVT, Adalberto Campos Fernandes terá escolhido Rosa Zorrinho (mulher do eurodeputado socialista Carlos Zorrinho e atual presidente do conselho de administração da Saudaçor).

Depois de receber o convite do ministro, Francisco Ramos começou a preparar a sua equipa. E para a direção clínica do centro hospitalar, o médico convidou Isabel Fragata. Foi aí que o conselheiro do ministro interveio.

Ameaças de demissão 

Ao i, o cirurgião limita-se a dizer que “é preciso confiar nas escolhas do sr. ministro”. Eduardo Barroso recusa fazer comentários sobre os nomes apontados por Francisco Ramos, mas admite que o seu esteve na lista de opções a considerar: “Eu próprio fui convidado para diretor clínico do centro hospitalar.”

Quando a opção foi outra, Eduardo Barroso, diretor do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação do Hospital Curry Cabral, terá ameaçado demitir-se. “O dr. Eduardo Barroso achou que eu não merecia ser diretora clínica do hospital, possivelmente porque pensou que, sendo eu uma mulher de decisão, poderia mexer nos serviços e ameaçar o seu statu quo”, diz ao i Isabel Fragata, atual diretora do serviço de anestesiologia e dos blocos centrais.

A posição de Barroso terá sido de tal forma intransigente que, passados poucos dias de apresentar o convite a Isabel Fraga, Francisco Ramos volta a ligar-
-lhe para retirar a proposta.

As consequências não ficaram por aí: o próprio diretor do IPO decidiu recusar o convite do ministro Adalberto Fernandes. De acordo com o jornal digital “Observador”, a (segunda) escolha do governante para a direção do CHLC acabou por recair sobre Ana Escoval. Para o lugar que caberia a Isabel Fragata, Escoval terá chamado Sousa Guerreiro.
O i não conseguiu obter uma posição de Francisco Ramos. Apesar de garantir que não tem “ambições políticas”, Isabel Fragata não esconde a “mágoa” com o episódio, ao mesmo tempo que se mostra surpresa com o facto de, “num Estado de direito, o dr. Eduardo Barroso poder influenciar decisões desta maneira”.

Isabel Fragata não aponta razões para o bloqueio levantado por Barroso ao seu nome. Mas o marido, José Fragata, também ele cirurgião e diretor da unidade de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, não nega uma certa “rivalidade” que existirá entre os dois cirurgiões. E considera mesmo que a posição “tentacular” de Eduardo Barroso “é um problema que o Estado de direito devia atacar de frente”.

388º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DO ESCRITOR FRANCÊS CHARLES PERRAULT, O PAI DA LITERATURA INFANTIL

Charles Perrault. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (imagens)



VÍDEO



338º Aniversário de Charles Perrault


Homenagem Google a Charles Perrault




estoriasdahistoria12.blogspot.pt

A propósito das experiências com a bomba atómica na URSS" e a bomba H da Coréia do Norte na atualidade.


  Stálin : "A propósito das experiências com a bomba atômica na URSS"  e a bomba H da Coréia do Norte na atualidade
Entrevista de J. V. Stalin concedida ao Jornal Pravda, de Moscou, publicado na Revista Problemas nº 37 - Nov-Dez de 1951.
"Os políticos dos Estados Unidos não podem deixar de saber que a União Soviética se coloca não somente contra o emprego da arma atômica, como também pela sua proibição e pela cessação de sua fabricação. Como se sabe, a União Soviética já reivindicou por várias vezes a proibição da arma atômica e todas as vezes em que o fez esbarrou com a recusa das potências que constituem o bloco do Atlântico Norte. Isso significa que, em caso de agressão dos EE. UU. contra o nosso pais, os círculos governantes dos Estados Unidos empregarão a bomba atômica. É precisamente esta circunstância que obriga a União Soviética a possuir a arma atômica para receber os agressores devidamente preparada. Certamente, os agressores gostariam que a União Soviética estivesse desarmada em caso de agressão contra ela. Mas a União Soviética não está de acordo com isso e pensa que é necessário receber os agressores devidamente preparada. Por conseguinte, se os EUA não pensam agredir a União Soviética, o alarme dos políticos dos Estados Unidos deve ser considerado supérfluo e falso, pois a União Soviética jamais pensou em agredir os EUA ou qualquer outro país."
Pergunta: — Que pensais da gritaria levantada nestes dias na imprensa americana a propósito das experiências com a bomba atômica na União Soviética?
Resposta: — De fato, há pouco, no país soviético, foi feita a experiência com um dos tipos da bomba atômica. As experiências com bombas atômicas de diversos calibres continuarão também, no futuro, de acordo com o plano de defesa de nosso país contra qualquer ataque do bloco agressivo anglo-americano.
Pergunta: — Em relação às experiências com a bomba atômica, diversos políticos norte-americanos levantam alarme e gritam, dizendo que a segurança dos Estados Unidos está ameaçada. Existe acaso algum fundamento para tal alarme?
Resposta: — Não existe fundamento algum para tal alarme. Os políticos dos Estados Unidos não podem deixar de saber que a União Soviética se coloca não somente contra o emprego da arma atômica, como também pela sua proibição e pela cessação de sua fabricação. Como se sabe, a União Soviética já reivindicou por várias vezes a proibição da arma atômica e todas as vezes em que o fez esbarrou com a recusa das potências que constituem o bloco do Atlântico Norte. Isso significa que, em caso de agressão dos EE. UU. contra o nosso pais, os círculos governantes dos Estados Unidos empregarão a bomba atômica. É precisamente esta circunstância que obriga a União Soviética a possuir a arma atômica para receber os agressores devidamente preparada. Certamente, os agressores gostariam que a União Soviética estivesse desarmada em caso de agressão contra ela. Mas a União Soviética não está de acordo com isso e pensa que é necessário receber os agressores devidamente preparada. Por conseguinte, se os EUA não pensam agredir a União Soviética, o alarme dos políticos dos Estados Unidos deve ser considerado supérfluo e falso, pois a União Soviética jamais pensou em agredir os EUA ou qualquer outro país.
Os políticos dos EUA estão descontentes pelo fato de que o segredo da arma atômica seja posuido não só pelos Estados Unidos, como também por outros países e, antes de mais nada, pela União Soviética. Eles gostariam que os Estados Unidos fossem os monopolistas da fabricação da bomba atômica para que os Estados Unidos tivessem a ilimitada possibilidade de amedrontar e fazer chantagem nas suas relações com os outros países. Mas, em que se baseiam e com que direito pensam assim? Os interesses da manutenção da paz exigem, por acaso, semelhante monopólio? Não! Será mais certo dizer que acontece precisamente o contrário. Que os interesses da manutenção da paz exigem antes de mais nada a liquidação de semelhantes monopólios e, depois, a proibição incondicional da arma atômica.
Penso que os partidários da bomba atômica só aceitarão a proibição da arma atômica se virem que já não são mais os monopolistas de tal arma.
Pergunta: — Que pensais do controle internacional da arma atômica?
Resposta: — A União Soviética pronuncia-se pela proibição da arma atômica e pela cessação da fabricação de tal arma. A União Soviética pronuncia-se pelo controle internacional, a fim de que a decisão da proibição da arma atômica e da cessação da fabricação de tal arma, bem como da utilização exclusivamente para fins civis das bombas atômicas já fabricadas, seja cumprida rigorosa e conscientemente.
A União Soviética manifesta-se precisamente por esse controle. Os políticos americanos também falam em "controle", porém o "controle" deles não se baseia na cessação da fabricação da arma atômica, mas na continuação dessa fabricação e, além disso, em número correspondente à quantidade de matérias primas de que este ou aquele país dispuser. Por conseguinte, o "controle" americano não se baseia na proibição da arma atômica, mas na sua legalização e legitimação. Desse modo, é legitimado o direito dos incendiários de guerra de exterminarem, com auxilio da arma atômica, dezenas e centenas de milhares de pessoas da população civil.
Não é difícil compreender que isso não significa controle algum, mas uma fraude de controle, um escárneo aos anseios de paz dos povos. Compreende-se que semelhante "controle" não pode satisfazer aos povos amantes da paz, que reivindicam a proibição da arma atômica e a cessação de sua fabricação.
Entrevista de J. V. Stalin concedida ao Jornal Pravda
Fonte: Nova Cultura
O exercício é uma medida auto defensiva para defesa estrita da soberania do país e o direito a existência da nação diante das crescentes ameaças e chantagens nucleares das forças hostis encabeladas pelos Estados Unidos e assegurar a paz na Península Coreana e a estabilidade regional. Após o surgimento da palavra “hostilidade” neste mundo, não houve outra como a tão arraigada, extremada e tenaz do império contra a RPDC.
 
Os Estados Unidos são a horda de gângsteres cruéis, que insatisfeitos com executar o isolamento político, o bloqueio econômico e a pressão militar sem precedentes, faz esforços desesperados para arrastar até a catástrofe nuclear a RPDC que tem a ideologia e o regime diferentes e não obedece sua cobiça de agressão. Se converte na zona mais candente do mundo e ponto de gatilho da guerra nuclear a Península Coreana e seu entorno onde se introduzem sucessivamente o coletivo de ataque de porta-aviões nucleares, a aviação estratégica nuclear e outros meios de ataque nuclear das tropas agressoras estadunidenses.
 
Os Estados Unidos fazem esforços desesperados para impedir a construção de um Estado prospero e a melhoria de vida do povo da RPDC e para conseguir “a derrubada do regime norte coreano” instigando as forças hostis à sanção econômica de diferentes formas e a intrigante campanha de “Direitos Humanos” contra a RPDC.
A posse da bomba de hidrogênio pela RPDC, que enfrenta os EUA, caudilho da agressão que espreita a oportunidade de ataque, vem do legítimo direito à auto defesa de um Estado soberano e uma justa medida incensurável para ninguém.
 
A paz e a segurança verdadeiras não se conquistam pela solicitude oprimida nem pelo diálogo conciliador. A severa realidade de hoje volta a comprovar mais claramente que se deve defender seu destino somente com sua própria força.
Seria estupidez abandonar o rifle de caça diante da alcateia de lobos que ataca ferozmente.
 
O grande êxito alcançado pela RPDC no teste da bomba de hidrogênio constitui um grande acontecimento da história nacional, que garante o eterno futuro da nação coreana. A RPDC é o verdadeiro Estado amante da paz que realiza todos seus esforços para frustrar a imoral intenção de guerra nuclear dos EUA e assegurar a paz na Península Coreana e a segurança na região.
Como já foi declarado anteriormente pela RPDC, país proprietário responsável de armas nucleares, não será o primeiro a usar tais armas, nem aplicará em qualquer caso os meios e as técnicas relativas enquanto que as forças hostis e agressivas não violem sua soberania.
 
Enquanto não cesse a atroz política hostil dos EUA contra a RPDC, não haverá jamais o fim do desenvolvimento nuclear ou a renúncia a esta política.


Mafarrico Vermelho

Patriotismo e interesses classistas

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Um dos nossos cavalos de batalha tem sido desde o primeiro dia o da defesa da independência da Catalunha, do País Basco, da Galiza…- em suma, o da aniquilação do «iberismo castelhanista» que propugna um Estado com capital no centro geodésico da Península.

É óbvio que em Portugal a ideia não colhe simpatia e os governos que têm passado por Madrid, de esquerda, de direita, monárquicos, republicanos, sempre têm respeitado a soberania portuguesa – embora perdure a questão de Olivença; porém, neste pormenor as culpas cabem  exclusivamente a Portugal que, praticando uma diplomacia cobarde, não aborda o problema e entende que a pequenez do território, roubado durante a ridícula «guerra das laranjas», não justifica criar um conflito internacional com um estado vizinho.

Mas temos plena consciência da complexidade do problema da Catalunha – não podemos dividir, como nos filmes de índios e cow-boys,  os catalães entre «bons» e «maus» em função da sua posição face ao problema da independência – há espanholistas de esquerda, independentistas de direita; há catalães que ficarão arruinados com a independência, pois perderão um mercado onde deixarão de ter protecção, há catalães que, fora da tutela centralista, expandirão os seus negócios. Há quem apenas aspire a uma independência cultural e à prevalência do  catalão – coisa que já acontece e que satisfaz plenamente uma parte da população. É um xadrez complexo.

No Portugal de 1640, o asco à presença castelhana estava generalizado, mas foi só quando os interesses dos poderosos foram afectados que a revolução eclodiu.-De uma coisa não pode duvidar-se: os catalães,  na sua esmagadora maioria, querem a independência. Mas sabemos que, em democracia, mandam as maiorias – cada cidadão um voto e que todos são iguais. Porém, como dizia, George Orwell, um amigo da Catalunha, «uns são mais iguais do que outros.

 

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MARCELO e CAVACO....

https://abrildenovomagazine.wordpress.com

A economia social


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O país pode estar de rastos, a economia pode ter borregado, os quadros qualificados podem estar em fuga forçada para países onde são tratados normalmente e não como mulas fiscais, mas há um sector florescente, é o da bondade, da caridade, dos subsídios do Estado para boas causas, das fundações de gente bondosa, das santas casas e de outras coisas mais ou menos santificadas ou pelo menos beatificadas, a economia real afunda-se mas a economia social está florescente.
  
Em torno da podridão da miséria as ONG, fundações bondosas santa iniciativas e outras manifestações de gente voluntariosa e desinteressada floresce, entre anúncios ao Calcitrim as nossas apresentadoras criam iniciativas e Popotas, o pessoal da democracia representativa cria muitas ONG que dão apoio desde aos velhinhos aos gatos que infestam a escola da minha rua.

É tudo boa gente, tudo iniciativas que devemos apoiar todos os sábados de manhã quando vamos ao super, tudo gente cuja bondade não tem limites, cidadãos dedicados e desinteressados que gerem honestamente os cada vez mais milhões ou mesmo centenas de milhões, dinheiro tão em gasto que é pecado questionarmos se foi em gasto ou sugerir que se façam auditorias. Não raras vezes esta bondade é genética e vemos famílias inteiras deixarem de ter uma vida de interesse para se dedicarem coletivamente a uma causa, entregando-se por inteiro a uma ONG.
  
Esta economia social não só está florescente como começa a querer estar por detrás do poder, mas podemos estar descansados que não e com o intuito de conseguirem mais recursos públicos ou para assegurar que se faça vista grossa sobre os seus negócios. É para garantir que a imensa bondade, honestidade e competência irradie a partir deste oásis nacional para o exercício da política. Mas os senhores da economia social já não se limitam a dar o seu exemplo, sustentam partidos, apoiam políticos bondosos, têm candidatos para presidirem à AR e até apoiam candidaturas presidenciais com os seus padres do regime e as estruturas das suas antas casas, nalguns casos apoiadas por poderosos orçamentos publicitários que garantem a boa imprensa de todos os seus patrocinadores e patrocinados.
  
Num país onde os jovens fogem e os que ficam não se reproduzem os velhos estão sendo transformados em tropas de choque de políticos manhosos, nas eleições é raro ver um político numa escola porque os jovens não votam e são escassos, a campanha faz-se nos lares da terceira idade. É aí que se ganham as eleições para as juntas de freguesia como a minha, que depois organiza excursões a Fátima para a agradecer à santinha os favores eleitorais, é aí que se conseguem deputados e até se podem ganhar as presidenciais, é aí que está a diferença de votos, os tais 4 ou 5% que podem fazer a diferença. Não admira que em todas as eleições apareçam candidatos especializados em dar beijinhos a velhinhos arregimentados por esse imenso polvo que começa a dominar a política portuguesa.
  
Mas podemos estar descansados porque com essa economia social a escolher autarcas, deputados, ministros e presidentes, a patrocinar partidos e políticos defensores da doutrina social da Igreja e imbuídos de uma imensa bondade o país vai ser um paraíso. Não admira que haja quem ande a fazer campanha com um roteiro das santas casas e aposte nesse franciscanismo político que tende a dominar a política portuguesa, a ter os seus candidatos a primeiro-ministro e a presidente.






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