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sábado, 30 de janeiro de 2016

EDITORIAL – SOMOS UM PAÍS DE SUICIDAS?


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Uma série da autoria de José Brandão sobre suicidas famosos em Portugal por nós publicada, tem colhido grande número de visualizações. É um tema recorrente que o grande humanista basco, Miguel de Unamuno, ao estudar a Alma portuguesa, não deixou de abordar. Seremos, de facto, um país de suicidas? Será a nostalgia do fado um sintoma da angústia de viver e de saudade de uma não-existência que  um precipício, um tubo de comprimidos, ou um revólver nos podem proporcionar? Ou será um mito, como aquele que o conceito de saudade contido num vocábulo, só existe na nossa língua?

Suicídio em Portugal: determinantes espaciais num contexto de crise económica, um estudo que a revista internacional Health & Place publicou em Agosto passado, analisando com rigor os últimos vinte anos repõem a questão Os reflexos da crise económica, assumem uma incidência visível a partir de 2009, havendo uma relação causa-efeito,visível no maior número de casos nos locais com índices mais elevados de privação material – a taxa de desemprego, a taxa de iliteracia e más condições de habitabilidade.

«Às vezes, em horas de desânimo, chego a crer que esta tristeza negra nos sobe da alma aos olhos; e, então, tenho a impressão intolerável e louca de que em Portugal todos trazemos os olhos vestidos de luto por nós mesmos.» Diz Unamuno na obra referida. Claro que esta reflexão tem de ser enquadrada numa realidade social que não é a de hoje. Quando diz que para os portugueses, a vida « não tem um sentido transcendente. Querem viver, sim, talvez; mas para quê?, diríamos que um jovem português tem as mesmas motivações que um francês ou um sueco para viver e os mesmos motivos que podem conduzir ao suicídio. Mulheres excepcionais, como Florbela Espanca, grandes homens,  como Antero,  Camilo Castelo Branco, António Laranjeira, Soares dos Reis, de Camilo, de Mouzinho de Albuquerque, tal como o foram Obermann, Thomson, Leopardi,  Kierkegaard, impedem-nos de classificar o suicídio como «uma estupidez ou como uma cobardia. Será talvez uma disfunção que. em dado momento, no-lo apresenta como a única saída. Porque há alternativas, há-as sempre. Diz o estudos que nos espaços rurais havia mais suicídios[…].“As características dos locais de residência têm um efeito relevante no comportamento suicidário a nível local”,[…]O interior alentejano continua a apresentar um risco muito alto de suicídio, mas nos mapas incluídos no trabalho nota-se que, de 2008 a 2012, os maiores aumentos das taxas maiores de suicídio incluem municípios rurais do distrito de Bragança junto a Espanha, assim como o interior centro do país.O director do Programa Nacional para a Saúde Mental, o psiquiatra Álvaro Carvalho, que hoje se vai referir a este estudo na conferência “Prevenção do Suicídio: Responsabilidade Partilhada”, que se realiza em Beja, assinalando o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, constata que o estudo “mostra uma relação dos suicídios com a crise”. E se é verdade que mais pode ser feito ao nível do diagnóstico precoce de situações de depressão, “em situação de crise não é com antidepressivos e psicoterapia que se resolvem os problemas, pode-se amenizar o desespero”. O médico sublinha que é “com medidas concretas que levem à redução do desemprego é que se pode alterar o estado de humor das pessoas. A solução não está na saúde mental, está na segurança social, no desenvolvimento de programas activos de criação de trabalho”.

 A coordenadora do estudo, a geógrafa Paula Santana, nota que encontraram uma relação entre o suicídio e os municípios “com maiores graus de privação material e social”, medidos através do chamado “índice de privação material”. Este indicador junta a taxa de desemprego, a taxa de iliteracia (Ou seja, “independente ou além das características individuais de cada um, o local onde se vive pode influenciar actos de suicídio”, explica o artigo. Nos municípios com maiores níveis de privação o risco de suicídio é de mais 46% do que no grupo dos municípios mais afluentes».

 

  http://aviagemdosargonautas.net

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