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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Plano Estratégico de Transportes deixa de fora electrificação da linha do Algarve


Electrificação da linha poupava 400 mil euros por ano à CP. Operação já esteve prevista e com verba afecta, mas última versão “optimizada” do plano pela Infraestruturas de Portugal deixou-a cair. Autarcas reclamam.
A Linha do Algarve mede 141 quilómetros, dos quais apenas o troço central de 40 quilómetros (Faro-Tunes) está electrificado
A electrificação dos troços Vila Real de Santo António-Faro e Tunes-Lagos, na linha do Algarve, permitiria à CP poupar 394.148 euros por ano, se as velhas automotoras diesel fossem substituídas por material circulante eléctrico. O PÚBLICO chegou a este resultado tendo em conta que uma UTE (Unidade Tripla Eléctrica) tem um custo de 38 cêntimos por quilómetro percorrido. As UTE são as automotoras que a CP tem para fazer o serviço regional no Algarve.De acordo com os horários da CP, os seus comboios percorrem mensalmente, entre Lagos e Vila Real de Sto. António, 86.436 quilómetros em serviço regional. Este é feito com automotoras UDD (Unidades Duplas Diesel), que consomem 76 cêntimos por quilómetro percorrido (o dobro das automotoras eléctricas): o serviço custa à CP 65.691 euros por mês.
Mas se fosse assegurado por material eléctrico, custaria apenas 32.846 euros, o que significa que a CP pouparia por ano 394.148 euros.
A esta economia de custos, haveria ainda que acrescentar o que a empresa ganharia em aumento de receita por passar a ter um serviço com maior velocidade, fiabilidade e comodidade. Por outro lado, ao uniformizar a circulação em toda a linha com material eléctrico, a CP poderia criar comboios directos para Lisboa e para o Porto a partir de qualquer estação algarvia.
Nada impediria que o Alfa Pendular fosse a Olhão, Tavira ou mesmo até Vila Real. E tecnicamente seria mais fácil ter comboios directos de Lagos e Portimão para Lisboa (sem o transbordo em Tunes). A isto há ainda que acrescentar os impactos externos à própria empresa, como a redução do tráfego rodoviário na região, a menor probabilidade de acidentes e a redução de emissão de CO2.
A modernização da linha do Algarve chegou a estar inscrita no PETI (Plano Estratégico de Transportes e Investimentos) com uma verba de 55 milhões de euros a gastar até 2020. O objectivo era electrificar a linha e construir inclusive um ramal de Faro ao aeroporto. Mas a última versão do PETI, que foi “optimizado” pela Infraestruturas de Portugal (empresa que substituiu a Refer e a Estradas de Portugal), já não contempla qualquer investimento naquele corredor.
A linha do Algarve mede 141 quilómetros, dos quais um troço central de 40 quilómetros (Faro-Tunes) já está electrificado. Dependentes do diesel ficaram as duas pontas: Faro-Vila Real de Santo António (57 quilómetros) e Tunes-Lagos (44 quilómetros). A sua electrificação, sem considerar uma linha para o aeroporto, custaria 10,5 milhões de euros.
É por isso que o presidente da CP, Manuel Queiró, considera prioritária a electrificação da linha mais a sul do país. No início deste mês, em declarações ao PÚBLICO, o gestor considerou que a decisão da Infraestruturas de Portugal “é um jogo que vamos ter que jogar para ver como fica”.
A presidente da câmara de Portimão, Isilda Gomes (PS), alinha na reivindicação, para recuperar os 55 milhões de euros de investimento antes previsto. “Os algarvios, certamente, farão sentir junto de quem de direito o seu descontentamento”, afirma. A autarca, dirigente nacional do PS, considera que a electrificação da linha do Algarve não traz apenas vantagens económicas. “É decisiva para que haja uma verdadeira política de transportes públicos e mobilidade na região”.
No mesmo sentido o presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, PSD, expressa um lamento. “Quando se fala em investimentos prioritários, já estamos habituados a que deixem cair o Algarve - só existe nos meses de Julho e Agosto”.
A construção do ramal da via-férrea da cidade ao aeroporto — que recebe mais de 6 milhões de passageiros por ano — chegou a ser equacionada antes da realização do Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004), mas não passou da intenção, num quadro em que se discutiam ideias para o futuro da região. Da parte da CP houve manifestações de interesse, mas a empresa então responsável pela infra-estrutura (Refer) não acompanhou essa vontade. 
Uma política de mobilidade, assente quase exclusivamente no transporte individual, diz Isilda Gomes, conduz aos “constrangimentos que são conhecidos na Estrada Nacional (EN 125) e aos impactos ambientais que tal situação acarreta”. Por seu lado, Rogério Bacalhau acrescenta que tentou minimizar a falta da ligação de comboio ao aeroporto, abrindo, em 2012, um concurso público para que esse percurso fosse servido de autocarro, mas acha que o problema tem de ser encarado a nível regional. “O Algarve necessita de um bom serviço de transporte ferroviário”, enfatiza.

O JUÍZO DE ALGUNS JUÍZES


O rapaz foi condenado pois o Tribunal deu como provado o seu comportamento lesivo da empresa que, aliás, era recorrente.
Entretanto, a REFER numa estranha quanto injusta decisão face a tão competente e leal funcionário instaurou-lhe um processo que acabou com o despedimento por justa causa.
O rapaz sentiu-se injustiçado foi para Tribunal e ... ganhou, não havia justa causa para despedimento.
A REFER recorreu e o Tribunal da Relação do Porto voltou a considerar a não existência de justa causa condenando a REFER numa indemnização de 80 000 € ao seu ex-diligente e honesto funcionário.
Vale a pena recordar que foi também este Tribunal que em 2011 absolveu um psiquiatra que, comprovadamente, sublinho comprovadamente, violou uma paciente que acompanhava num quadro de depressão. A justificação para a absolvição foi que o psiquiatra criminoso violou a paciente mas não usou de violência. Notável e criminosa esta decisão: Tal como a que agora se conhece parece incompreensível 
Por onde anda o juízo de alguns juízes?
Muitas vezes tenho referido no Atenta Inquietude que uma das dimensões fundamentais para uma cidadania de qualidade é a confiança no sistema de justiça. É imprescindível que cada um de nós sinta confiança na administração equitativa, justa e célere da justiça. Assim sendo, a forma como é percebida a justiça em Portugal, forte com os fracos, fraca com os fortes, lenta, mergulhada em conflitualidade com origem nos interesses corporativos e nos equilíbrios da partidocracia vigente constitui uma das maiores fragilidades da nossa vida colectiva.


atentainquietude.blogspot.pt

O DIREITO A OUVIR, COM IMPLANTES PAGOS PELO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE



 clara castilho

Tomei conhecimento da petição “Temos o direito de ouvir com Implantes Cocleares pelo Serviço Nacional de Saúde – Gratuitamente!”, que convosco partilho.

“Somos duas pessoas, cidadã adulta com Deficiência Auditiva e portadora de Implante Coclear, também Pai de uma menina de 9 anos com Deficiência Auditiva e portadora de Implante Coclear. O Estado comparticipou a aquisição de um implante coclear, que lhes permitiram terem alguma audição, entretanto, neste momento anos mais tarde os aparelhos externos estão quase a avariar e a qualquer momento estarão sem ouvir. Segundo, há muitas outras situações em que o Estado não intervém com celeridade na troca de novos processadores de fala por falta de verbas fornecidas aos Hospitais através do Estado. Estima-se que haja cerca de 1200 portugueses com implante coclear e não podemos permitir que o Estado fique indiferente a isso ao deixar que uma criança ou adulto esteja sem ouvir, é como dar um doce para depois ser retirado à força o sentido da Audição essencial para o desenvolvimento da criança e integridade da pessoa adulta com Deficiência Auditiva integrados na sociedade ao longo da vida.
funcionamento-implante-coclear
Todos nós conhecemos, segundo a legislação portuguesa, que em Hospital público, o Estado Português diz que comparticipa integralmente a bilateralidade de Implante Coclear, porém isto não é verdade por falta de meios pois segundo o Hospital enquanto existir uma enorme de lista de espera de utentes para a primeira cirurgia de Implante Coclear, quer de crianças, quer de adultos, o Implante Coclear Bilateral está a ser dificultado a todos os que tem direito de usufruir através do Serviço Nacional de Saúde pela Constituição da República Portuguesa por não haver verba suficiente que suprimem as necessidades.
Queremos uma resposta consistente a este assunto, que o mesmo seja discutido e esclarecido de uma vez por todas em plena Assembleia da República de forma constar as condições dignas para qualquer cidadão português meios adequados para a rápida troca de processador de fala quando os mesmos avariarem e implementar o Implante Coclear Bilateral no SNS gratuitamente!
Assinado por uma cidadã adulta com deficiência auditiva, portadora de Implante Coclear unilateral e Pai de uma criança surda de 9 anos portadora de Implante Coclear unilateral.”

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT79316








http://aviagemdosargonautas.net

Sistema financeiro ou associação de malfeitores?

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Durante anos Cavaco Silva gabava-se do processo de privatização da banca que tinha conduzido, ainda que casos como a privatização do BPA, conduzido por Eduardo Catroga enquanto ministro das Finanças, tenha sido tudo menos exemplar. Cavaco nunca perdeu a oportunidade de exibir a banca como um exemplo das virtudes do sector privado e como o maior sinal do processo de modernização do país.
  
Hoje a tal banca de que Cavaco se gabava está em escombros, se não fossem as montras luzidias e as fachadas bem cuidadas das suas sedes teria uma imagem muito semelhante à das cidades da Síria depois de por lá passarem os vendedores de primaveras. A tal banca que era o sector modelo do cavaquismo empresarial está em escombros, o BES despareceu, o BCP está tuberculoso, o BPI vai sobrevivendo, o Montepio está cai não cai, o BANIF foi o que se viu, o BPN foi o que se viu. Sobrevive a banca estrangeira e a CGD. Curiosamente, ainda há poucas semanas Passos queixava-se de que a CGD não pagava o que devia ao Estado e escondia o buraco do BANIF.
  
A nossa banca privada, o tal sector exemplar, o modelo das virtudes empresariais do cavaquismo não passou de um sector altamente corrompido e corruptor, que durante anos criou um ambiente de promiscuidade entre banca, políticos e Banco de Portugal com o objectivo de maximizar os lucros, gerir o poder e não pagar impostos. Nomearam ministros e primeiros-ministros, escolheram presidentes, produziram leis favoráveis, beneficiaram despudoradamente de esquemas como a zona franca da Madeira, corromperam o Estado e o sistema político.
  
Aqueles de hoje se foge como se tivessem lepra são os mesmos que eram recebidos em Belém para saírem a falar mal do governo, que no passado foram em procissão a São Bento para exigirem a defesa dos centros de decisão nacional. O jet set do nosso sector privado não passa hoje de um bando de maltrapilhos ou de bandidos, gente que vive da mendicidade daqueles que há pouco tempo diziam que aguentariam tudo o que o seu poder decidisse.
  
O país aprendeu que a banca é um negócio perigoso, talvez mais perigoso do que se a força aérea, a armada ou o exército fossem entregues a empresários com os escrúpulos do Dias Loureiro, do Ricardo Salgado e de muitos outros. O resultado de mais de vinte anos de corrupção, vigarices, promiscuidade entre Estado e bancos é aquele que está à vista, se não fosse a CGD e um ou outro pequeno banco estrangeiro Portugal não teria sistema financeiro, o tal sistema financeiro de que o Cavaco se gaba e cuja estabilidade exigiu a Costa.
  
O que Portugal tem é uns quantos mafiosos armados em banqueiros uma meia dúzia de senhores que num dia presidem à CGD, no outro são administradores do BdP para depois irem presidir a associação de bancos, uma falsa elite de gestores que não passam em especialistas de gestão de influências. É por isso que a bana cobrou os juros que quis, que emprestou a quem lhe apeteceu, que não pagaram impostos e no fim está falida.
  
Com gente como a que lidera o BdP, com os gestores bancários formados na escola da corrupção, com políticos que andaram anos e anos a serem eleitos com a ajuda dos bancos a nossa banca privada não é um sistema financeiro, é antes uma associação mafiosa, uma associação de malfeitores apoiada em corrupção, compadrio e oportunismo.


 http://jumento.blogspot.pt/

Conversa sobre o que nos dá na real gana…

Conversa sobre o que nos dá na real gana…

“JÁ CHEGA !
Na “ressaca” de uma consoada que pela primeira vez em 6 anos consecutivos pude festejar junto da família, reservo uns momentos para maçar quem quiser ler estes desabafos.
A maior parte dos meus amigos do FB conhece-me bem, porque muitos são mais do que amigos virtuais. Conhecem o meu modo de estar por vezes truculento, o espirito não alinhado e rebelde, a intolerância para o disparate e a displicência, a falta de corporativismo. Costumam resumir tudo na designação “mau feitio” . Os mais contaminados pelos eufemismos em voga dirão que tenho um baixo quociente de inteligência emocional. Não discordo do veredicto , prefiro ter mau feitio a ter mau carácter e o meu QI (não emocional) avaliado, em tempos de juventude, em 138 e 140, parece afastar-me dos níveis de debilidade e embotamento de raciocínio.
Vem tudo isto a propósito.de que sendo médica me sinto diariamente agredida, insultada e difamada pelos profissionais do “eu acho” e do “eles deviam”.
Para quem me conheça menos eu apresento-me ;
médica anestesista, 57 anos, 31 de profissão dedicada nos últimos 14 anos sobretudo à Neuro-anestesia, 10 dos quais no H. de S.José.
Para esclarecimento de muitos que transformam os honorários médicos em mistérios de sociedades secretas, a minha remuneração na categoria de assistente hospitalar graduada, com exclusividade na função publica, horário de 42 horas semanais (actualmente 39, pela redução anual de 1 hora após os 55 anos) é de 4107€ (preço hora ~ 22€) dos quais receberei no fim do mês ~ 2400 € (preço hora ~ 9€). A condição contratual de exclusividade obriga-me à prestação de mais 12 horas extra semanais se a instituição hospitalar o exigir ( e exige), resultando em 53 horas semanais, das quais 24 são um período continuo. Posso ser solicitada (e pressionada) a realizar mais horas semanais . Actualmente, face à carência de recursos na área de anestesiologia, perfaço em média 70 horas semanais (39 em actividade de bloco operatório programado, o resto em urgência) e tenho 1 fim de semana por mês sem urgência, (nos meses mais compridos posso chegar à loucura de ter 2 ). Por lei poderia não realizar trabalho nocturno a partir dos 50 anos e ter isenção total de trabalho de urgência a partir dos 55. Se eu e os meus colegas do H de Faro cumprirmos a lei do trabalho à risca, a urgência cirúrgica será encerrada porque restam 3 elementos para garantir o apoio anestésico 24/24h 7 dias por semana. Em resumo com o ordenado base e as horas acrescidas, recordo – 70 horas semanais- a minha remuneração fica em – 3800€. Acima da média dos ordenados em Portugal ? Sem dúvida ! Mas 70 horas representam a soma do horário de dois médicos sem exclusividade que é de 35 h.
Portanto meus senhores os malandros dos médicos trabalham ao fim de semana, mesmo quando a lei os isenta – e também trabalham nos feriados.
Perguntam alguns porque têm os médicos que ganhar mais do os maquinistas do metro, do que os policias, do que os licenciados em geral ;
Faço um pequeno desvio para falar das forças da ordem . Os que têm como dever zelar pela nossa segurança são talvez a única categoria profissional mais odiada do que os médicos. Desprestigiados, mal remunerados, sujeitos a julgamentos e em alguns casos penas de prisão quando cumprem a missão que lhes é profissionalmente exigida. Ridículo e afrontoso que um policia tenha que pagar o próprio equipamento, surreal que se responsabilize por danos em viaturas usadas em serviço. Não há salário demasiado alto para quem arrisca a vida para que a nossa esteja segura. Existem abusos, sabemos que sim, protestamos contra a caça à multa e algumas arbitrariedades de que somos vitimas. Mas imagino como será difícil ver uma e outra vez sair pela porta da frente o marginal que horas antes detiveram, não raramente arriscando a vida, e que um juiz, de interpretação mais liberal da lei, põe e liberdade.
Vivemos numa sociedade acéfala de faz de conta, de inversão de valores, do politicamente correcto, do fundamentalismo da tolerância, dos chavões momentâneos gritados em ondas emocionais bem orquestradas, em proveito próprio, pelos bonecreiros da política.
Somos formatados para pensar o que os media querem que pensemos, sem contraditório, sem interrogação, adormecidos e embalados em conceitos pre fabricados
De uma era em que as saídas profissionais se estruturavam na adolescência, em que ser “bom aluno” nos permitia antecipar um vasto leque de escolhas, passamos para a era do “todos licenciados mas poucos com emprego” A iniciativa privada rejubilou com a possibilidade de fazer crescer universidades como cogumelos que vomitam todos os anos ufanos jovens diplomados em áreas de denominação exótica e cuja utilidade social carece de ser provada. Orgulhosos progenitores, que gastaram “uma nota preta” em mensalidades, exibem orgulhosos os filhos doutores a quem está reservado o desemprego, a emigração , o prolongar da agonia (deles e dos pais) em mestrados tão úteis quanto as licenciaturas ou, injustiça das injustiças, aceitar um trabalho abaixo do que é devido a um “licenciado”.
A questão agrava-se com as licenciaturas modelo expresso, em que plantar uma árvore no dia da dita ou assistir a 3 comícios, pode dar direito a equivalência numa cadeira e com o padrinho certo, chegar até ministro ou primeiro ministro. Nivela-se por baixo no esforço, mas pretende-se nivelar por alto nos direitos.
Em Medicina não se obtêm créditos por colar pensos rápidos ou assistir a todas as temporadas do Dr. House. Prescinde-se de muitas saídas com os amigos, de muitas horas de divertimento.
Num mundo governado pelos licenciados fast banaliza-se o trabalho acrescido que implica atingir os patamares cimeiros da elite universitária. Sim ELITE, sem falsas modéstias, sem sentimentos de culpa.
Sim, sabemos o que nos espera, as horas de estudo intenso que se prolongam após a licenciatura. Sim, adoptamos o juramento de Hipocrates, de que muitos falam e poucos fora da área médica conhecem. Mas saberá quem nos diaboliza, como é morrer por dentro cada vez que temos que anunciar um desfecho trágico, saberá quem nos acusa de sermos frios e distantes, como exorcizamos os nossos demónios e os nossos medos, porque ninguém como nós entende a fragilidade da vida e o pouco que é necessário para que tudo se desmorone ? Entenderá quem tanto nos critica, como é recomeçar uma e outra vez esta luta desigual contra o fatalismo “do destino”, da “sua hora” ou da “vontade de Deus” ?
Na ordem social das coisas considerava-se adequado remunerar de acordo com o contributo para o bem comum e a importância desse papel na sociedade. Hoje somos todos licenciados, mas um engraxador licenciado continuará a engraxar sapatos (e muita ciência é necessária na arte de engraxar), e um médico continuará a tratar doentes. Terão a mesma relevância social ? Terá a função de maquinista do metro, para usar uma comparação que li na imprensa, equiparação à actividade clinica ? Existe um facto muito simples que permite dar a resposta; qualquer médico em 6 meses, vá lá, um ano de treino, será um apto engraxador ou condutor de metro, o inverso é verdade?
O endeusamento de que alguns falam vem da relação amor/ódio que a sociedade sempre estabeleceu com a classe médica. Como disse no inicio sou pouco corporativa e tenho plena consciência de que na minha, como em todas as profissões, existe muita erva daninha. Cometo erros como todos. Só não os comete quem não se aproxima dos doentes. Entre erro e negligência há um diferença abissal ; cometemos um erro, quando escolhemos uma estratégia terapêutica que julgávamos a mais adequada e a evolução revelou que não era, cometemos um erro quando equacionamos mal um diagnostico ou o timing de uma intervenção. Somos negligentes quando nos estamos nas tintas para reflectir sobre uma solução diagnostica ou terapêutica e optamos pelo que nos dá menos trabalho ou melhor nos remunera. O erro não deverá ser repetido se as mesmas circunstâncias ocorrerem. Chama-se experiência e não envolve só os mais novos. A negligência deve ser severamente punida. Convém não confundir estes dois conceitos.
Neste tu cá tu lá da democracia porreiraça, temos um franja da população formada em Medicina na Anatomia de Grey, nos diagnósticos surreais do Dr. House e na pesquisa Googleniana frequente. Surgem assim os opinadores que restruturam uma e outra vez o SNS e que a darem-lhes poder acrescentariam ás leis que nos regem, uma alínea especial para a pena de morte a aplicar aos médicos.
Estranhamente não raro são elevados aos píncaros da fama, ao Olimpo dos deuses da medicina, clínicos a quem os pares não confiariam um panarício. São normalmente médicos de sorriso fácil, palmadinha nas costas, que gostam de introduzir uma nota de ansiedade acrescida antecipando diagnósticos catastróficos que “felizmente não se confirmam porque chegámos a tempo”, que incutem no doente o sentimento de auto congratulação pela decisão tomada, pelo dinheiro investido, pelo acerto da escolha. São os médicos do “principio de enfarte” , do “principio de AVC”‘, do “principio de pneumonia”, entidades patológicas desconhecias dos tratados universais de medicina mas que se perpetuam de boca em boca disseminando a fama e a simpatia do senhor doutor. São os médicos das longas prescrições e muito mais longas requisições de exames.
É diferente no SNS puro e duro, onde o sorriso se apaga ao fim de meia-hora de luta com o sistema informático que pretende modernizar hospitais com servidores que mal aguentam a instalação do Tetris. Surgem os médicos carrancudos de farda amarrotada, 2 números acima ou abaixo do normal, porque “é o que há”, olharentos por privação de sono, resignados ás avarias e falta de equipamento numa gincana quotidiana para ultrapassar o “não há”, não compraram” ou “já não vem mais”. Que chatice ser neste antro para indigentes que são despejados os que optam pela saúde VIP dos hospitais privados, quando o plafond se esgota, as economias desapareceram e a casa já está à venda. O sorriso fácil esmorece e a palmadinha nas costas vira empurrãozinho firme. O enfarte já ultrapassou o principio e aproxima-se do fim.
Negam-nos até o podermos tratar doentes, agora tratamos “utentes” e até “clientes”, nesta lógica de gestor que o hospital e o hipermercado se gerem do mesmo modo. Os resultados estão à vista.
Integrei como anestesista a equipa de neurocirurgia vascular de S.José, que só abandonei por ter mudado de hospital. Quem me conhece sabe que se necessário trabalharia de borla para salvar uma vida. Fi-lo muitas vezes noutros contextos. Tenho a certeza que todos os elementos que integravam a equipa o fariam também. O que o publico e os potenciais doentes têm que entender é que o que ficou destruído com os cortes cegos e surdos, foi a estrutura complexa que envolve o diagnostico e a terapêutica destes doentes e que não pode ser exigido a profissionais de saúde que literalmente paguem para trabalhar como acontecia com a equipa de enfermagem. Nenhuma disponibilidade e boa vontade isoladas, poderia remendar o assunto. A fatalidade que vitimou o jovem David era uma fatalidade anunciada. Em revolta, alguns de nós desejaram que tivesse atingido quem permaneceu cego e surdo aos avisos e às propostas, o Sr ministro ou o sociopata que o assessorava. Teria surgido mis cedo a solução.
Não, não somos bem pagos, pelo menos no SNS. e sim, somos uma profissão de elite. Com muito orgulho.
Um bom ano de 2016.”



 https://pracadobocage.wordpress.com/


Acudam à direita que a matam!*

Acudam à direita que a matam!*

(Rui Cardoso Martins, in Público, 27/12/2015)
RG P Portas 4312 040915
O Irrevogável
Defenestrada a PàF do Palácio do Governo, sequestrado o PS pela, ai que horror Virgem Santíssima, esquerda comunista, só faltava a Paulo Vírgula Portas um novo submarino a explodir na cara dos portugueses: o Banif.

O tempo corre contra o palacete do Largo do Caldas, faz lembrar os cercos revolucionários de 1975, quando da sede do CDS não podia sair ninguém com samarra de gola de raposa sem que a arraia-miúda gritasse:
— Fascista!
Tudo porque Paulo Portas, depois da fase agrícola do Paulinho das Feiras, do impressionante Paulinho Estadista e do recente e hilariante Paulinho Moca de Rio Maior, não parece decidir-se se fica, se sai, da presidência do CDS-PP. O partido aguarda mais uma grande decisão d’“O Suspenso”.
O pior de tudo é que as dúvidas de Portas começaram ainda antes de rebentar o escândalo de lesa-pátria do banco Banif, a banana negra da Madeira. Agora, os graves crimes económicos e as manipulações financeiras e eleitorais cometidos por Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e pelo governador do Banco de Portugal Carlos Costa poderão resgatar das brumas da memória o grande bancário do PP: Paulinho Jacinto Leite Capelo Rego.
A corte Portassacaduracabralense, reunida na Lapa, está já a preparar argumentos fortíssimos para segurar o Paulo, tido como Condestável e Mestre de Avis em simultâneo. Se tiver de ser, todos sairão com os sinos a dobrar aos gritos pelas ruas de Lisboa, “cidade de muitas e desvairadas gentes”. Berrarão como sapateiros e padeiras em 1383-85, mas agora compullover amarelo pelas costas. E não havendo um Fernão Lopes para escrever uma inventada chronica do convencymento do pryncipe popular, o mester poderá calhar a Telmo Correia, saído do nunca antes visto grupo parlamentar absolutista-miguelista-neoliberal da PàF, que governou Portugal durante quatro anos e quatro meses. E, logo a seguir, já em minoria decadentista, no XXI Governo por mais 29 dias e quatro horas.
É claro que Telmo Correia não poderá dizer, como Fernão Lopes, que “o autor da história não deve ser inimigo mas escrivão da verdade”, uma vez que a verdade não teve nada a ver com a PàF e está à vista de todo o reino de Portugal o embuste colossal que foi a “saída limpa” da troika.
Mas Telmo é a pessoa certa para convencer Portas a continuar a zelar por queques e betos, por Braganças, Avizes, Távoras e Cadavais. O parlamentar prepara uma colecção de argumentos e frases históricas adequadas ao perfil épico, mas difícil, para não dizer “irrevogável” de Portas, quando ele está em “modo marquês”.
Telmo não estará sozinho entalado nas Portas de Lisboa. Também o eurodeputado Nuno Melo colige frases fortes que ajudaram a fazer a história de Portugal. Melo, que curiosamente nasceu em Joane, terra com nome de personagem de pouco juízo em Gil Vicente, abandonou os bólides desportivos e já regressou da peregrinação a pé a Fátima, a Santiago de Compostela e à Terra Santa para pagar a asneira do seu momento humorístico, na noite eleitoral de 4 de Outubro, quando berrou na TV que só restava a António Costa demitir-se depois da grande vitória da PàF.
Nuno Melo tem ainda de decidir se continuará a imitar Portas na maneira de falar, no dia em que tentar ser ele o líder. Mas essa questão do “transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar” é para resolver mais tarde.
Por lembrar Camões, ó glória de mandar, ó vã cobiça: a Índia que nos esperava depois de passarmos além do Bojador, dobrarmos as Tormentas e a Taprobana, depois de irmos ainda mais longe do que a Troika, era mais um estúpido buraco de quatro mil milhões de euros na banca. O afundamento da ditosa frota chamada “Que Se Lixem as Eleições!” será o povo a pagar, mais uma vez.
Mas não sejamos piegas. O partido de Paulo Portas não teve problema em suspender o feriado nacional do 1.º de Dezembro, Dia da Restauração de 1640, contra a opinião dos perigosos internacionalistas do PCP e da CGTP. O curioso é que Paulo Portas há muito tomara como seu o desejo expresso por D. Luísa de Gusmão ao seu marido, futuro D. João IV, quando o convenceu a juntar-se aos conjurados:
— Antes ser rainha por uma hora do que duquesa toda a vida.
No caso de Portas:
— Antes ser vice-primeiro-ministro por um mês que irrevogável toda a vida.
O grande problema foi a coligação de direita PàF ter também incorporado a lição oposta, a de Castela, quando Felipe II disse: “Portugal é meu porque o herdei, porque o paguei e porque o conquistei.” Passos Coelho e Paulo Portas criaram uma frase da sua lavra, saída do saber de experiência feito na EDP, no Novo Banco, no Banif, na TAP:
— Portugal é nosso porque o conquistámos e porque o vendemos ao desbarato ao primeiro figurão estrangeiro com dinheiro que nos apareceu.
Os grandes comem os pequenos. Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E, sobre o que se passou na Tecnoforma, na falsa devolução da sobretaxa, no défice escondido, na falsa “saída limpa”, talvez nos sirva, para o futuro, uma carta de Henrique Galvão a Salazar: “Não te esqueças, meu manholas, que eu já te vi em ceroulas.”
Bom Ano a todos menos a uns.
* Em homenagem ao sistema bancário português, nesta última crónica Personagens de Ficção, o pobre de mim recorreu a várias rapinas no excelente livro Frases Que Fizeram a História de Portugal, de Ferreira Fernandes e João Ferreira (ed. A Esfera dos Livros)


estatuadesal.com

UM VIOLINO E MUITO TALENTO








VÍDEO










Operadores do Porto de Lisboa saem da reunião com Governo sem comentários


Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Durante cerca de hora e meia, três representantes dos operadores do Porto de Lisboa estiveram reunidos no Ministério do Mar com a ministra do Mar

Os operadores do Porto de Lisboa reuniram-se hoje com a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, recusando-se a fazer declarações após o encontro promovido pela governante para mediar o conflito laboral com o Sindicato dos Estivadores.
Durante cerca de hora e meia, três representantes dos operadores do Porto de Lisboa estiveram reunidos no Ministério do Mar com a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, e com a presidente da Administração do Porto de Lisboa, Marina Ferreira, convocada pela governante com o objetivo de mediar o conflito laboral que já levou à suspensão da escala de dois grandes armadores.
“A estratégia que vamos seguir é de promover o diálogo entre as partes”, declarou Ana Paula Vitorino
Em seguida, Ana Paula Vitorino reúne-se com o Sindicato dos Estivadores, que iniciou um período de greve a 14 de novembro, que se estenderá pelo menos até 20 de janeiro. Na terça-feira, Ana Paula Vitorino anunciou no parlamento que iria promover reuniões com os operadores e com o Sindicato dos Estivadores, em separado, para tentar “promover a paz social” no Porto de Lisboa.
Em audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas sobre a ‘fuga’ de armadores do Porto de Lisboa, na sequência da suspensão da operação da Maersk, Ana Paula Vitorino considerou que a saída do grupo dinamarquês foi o “corolário de um processo mal conduzido durante três anos”. A ministra do Mar defendeu que “não é normal que a administração do Porto de Lisboa e o Governo se demitam de tentar promover a paz social”.
“A estratégia que vamos seguir é de promover o diálogo entre as partes”, declarou a governante, quando questionada sobre o que o Governo fará para ultrapassar o conflito laboral no Porto de Lisboa, que se traduz numa ameaça de greve dos estivadores que impede os operadores de contratarem novos trabalhadores portuários.

PORTANTO......CONTRATADA AUTARCA SOCIALISTA ATRAVÉS DE CONVITE ÚNICO















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Greve dos trabalhadores da Galp suspensa por interferência do Governo


A paralisação dos trabalhadores da Petrogal, agendada para segunda, terça e quarta-feira, foi suspensa por alegados impedimentos a que "os trabalhadores exerçam, plenamente, o direito de greve", informa um comunicado sindical.


Os trabalhadores da Petrogal, do grupo Galp Energia, marcaram a greve como forma de reivindicar a defesa da contratação coletiva, os direitos laborais e os regimes de saúde e de reformas.
Porém, a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal) considera que a intervenção do Governo interfere com a adesão dos trabalhadores à greve.
"Repetindo a decisão política do governo anterior, de se colocar ao lado dos grupos económicos e contra os direitos dos trabalhadores, os ministros da Economia e do Trabalho emitiram um despacho conjunto a determinar os termos de 'funcionamento mínimo', ou seja, 'os mínimos técnicos', das refinarias do Porto e de Sines durante o período da greve", lê-se no comunicado da Fiequimetal.
Para a estrutura sindical, "tal despacho constitui uma flagrante violação das disposições legais e constitucionais sobre o direito do exercício da greve, como afronta, também, e mais uma vez, as decisões dos tribunais que se pronunciaram sobre esta matéria".
A Fiequimetal afirma que, nas sentenças condenatórias da posição da administração da empresa, "relativas aos descontos ilegais das greves de 2010 e 2012", os tribunais dizem que "as associações sindicais não estavam legalmente obrigadas a aceitar os 'mínimos técnicos' que a arguida lhes pretendia impor", pois, "a aceitar-se a posição da arguida, o modo de exercício do direito de greve passaria a ser determinado pela vontade da empresa e não pelas associações representativas dos trabalhadores".
Perante o despacho sobre "os mínimos técnicos", que a federação sindical acusa de criar uma "situação de ilegalidade, que impede os trabalhadores de exercerem, plenamente, o direito de greve", a Fiequimetal e o Sicop (Sindicato da Indústria e Comércio Petrolífero) decidiram suspender a greve.
As estruturas sindicais deliberaram ainda pedir audiências, com caráter de urgência, aos ministros do Trabalho e da Economia, à Comissão de Trabalho da Assembleia da República, aos grupos parlamentares e à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
Pretendem ainda "impugnar nos tribunais o despacho do Governo, bem como proceder criminalmente contra a Petrogal e os seus responsáveis por crime de violação da autonomia, independência sindical e atos discriminatórios" e "dar seguimento às ações relativas aos cortes ilegais da Administração".
"Apresentar queixa na Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra o Governo Português por violação das Normas Internacionais do Trabalho, designadamente as Convenções da OIT ratificadas por Portugal sobre o Direito de Negociação Coletiva e quanto à liberdade sindical e proteção do direito sindical" é outra das medidas previstas pela Fiequimetal e o Sicop, segundo o comunicado.
A Comissão Sindical vai reunir-se na terça-feira, para preparar um conjunto de ações, e na quarta-feira realizam-se plenários com os associados para "debater a luta a desenvolver" no quadro do pré-aviso de greve emitido para o período a partir de 31 de dezembro.
Os trabalhadores da Petrogal têm contestado o que descrevem como "a ofensiva da administração contra a contratação coletiva e os direitos nela consagrados" e dizem pretender "defender os regimes de reformas, de saúde e outros benefícios sociais", posicionando-se ainda contra "a eliminação de direitos específicos dos trabalhadores de turnos" e "a desregulação e o aumento dos horários".
A Fiequimetal, afeta à CGTP-IN, recorda que a administração da Petrogal "suspendeu o pagamento dos subsídios de infantários e creches e o subsídio atribuído aos trabalhadores com filhos deficientes", o que "evidencia a total ausência de ética da administração do grupo Galp", que "atingiu lucros superiores a dois mil milhões de euros" nos últimos cinco anos.

O DIABO QUE NOS IMPARIU






















O DIABO 






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28 DE DEZEMBRO: MORRE O COMPOSITOR FRANCÊS MAURICE RAVEL

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Maurice Ravel em 1925
Ravel ao piano acompanhado pela cantora  Éva Gauthier (1928)

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