AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

HOJE NA HISTÓRIA : 1905 - FRANÇA ADOPTA LEI DA SEPARAÇÃO ENTRE A IGREJA E O ESTADO



Aprovação de norma moderada concluiu o desfecho de uma 

virulenta luta entre seculares e religiosos que durou 25 anos


Em 9 de dezembro de 1905, o Parlamento francês promulga lei que postula a separação da Igreja e do Estado, projeto de iniciativa do deputado socialista Aristide Briand. Era a conclusão de um confronto virulento que opôs os governantes da IIIª República à Igreja Católica. O dispositivo passa a entrar em vigor no primeiro dia de 1906.

A lei se aplicava às quatro confissões então representadas na França: os católicos; os protestantes luteranos; os protestantes calvinistas; e os judeus. Encerrava 25 anos de violentas tensões entre o poder republicano e a Igreja Católica, um e outra disputando o magistério moral sobre a sociedade.

Na virada do século XX, os partidários do laicismo se dividiam em dois campos: os herdeiros da tradição jacobina, adeptos em sua maioria da franco-maçonaria, que sonhavam em erradicar a religião cristã ou a confiná-la em um domínio estritamente privado; líderes como Jean Jaurès e Aristide Briand que queriam, por um lado, afirmar a neutralidade do Estado em relação a todas as crenças e, de outra parte, garantir a liberdade de consciência em conformidade com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Wikicommons


Disputa pela laicidade gerou protestos na França, como este, em 1904, em Paris

Num primeiro momento os anticlericais se impõem com o acesso à Presidência do Conselho de Estado de Émile Combes, em 7 de junho de 1902. O novo chefe de governo reacende a guerra religiosa fechando, em 7 de julho de 1904, com uma brutalidade sem precedentes, as escolas religiosas e proibindo que os padres das congregações pudessem lecionar. Porém, envolto em escândalo, foi substituído em 24 de janeiro de 1905 por Maurice Rouvier, que havia começado sua carreira à sombra de Leon Gambetta, ex-primeiro ministro.

Bom orador e eminente representante do grupo conhecido como ‘‘oportunista’’, republicanos moderados opostos aos ‘‘radicais’’, Rouvier cultivava boas relações com o meio empresarial bem como com a esquerda republicana e coube a ele levar adiante a questão da separação Estado-Igreja, apoiado em Aristide Briand.

A lei de separação pôs fim unilateralmente à Concordata napoleônica de 1801 que regia as relações entre o governo e a Igreja Católica. A nova lei proclamava a liberdade de consciência e garantia o livre exercício dos cultos: Artigo 1º - A República assegura a liberdade de consciência. Ela garante o livre exercício dos cultos ; Artigo 2º - A República não reconhece nem assalaria nem subvenciona qualquer culto.

O Estado manifestava desse modo sua vontade de neutralidade religiosa mas não se exonerava de suas responsabilidades. Queria ‘‘garantir’’ a todos os meios de exercer livremente sua religião respeitando as dos demais. Dentro desse espírito são criadas as capelanias em instituições especiais – quarteis, liceus, prisões, hospitais – e mais tarde, emissões religiosas pelos canais públicos de televisão.

O Estado não tinha intenção de limitar a liberdade de consciência nem confinar a religião à esfera privada. Não se pretendia, por exemplo, proibir o porte pelas pessoas de símbolos religiosos.
 
Foto:



No plano financeiro, a lei teve duas principais consequências: a) os ministros dos cultos – bispos, prelados, pastores e rabinos – não mais seriam remunerados pelo Estado, que se desinteressaria totalmente de suas nomeações; b) os bens móveis e imóveis possuídos anteriormente pelas igrejas se tornariam propriedade do Estado que se reservava o direito de confiar gratuitamente aos representantes das igrejas e templos tendo em vista o exercício do culto.

Por um lado, os ministros do culto e, em particular os bispos, ganhariam em independência, não tendo mais de prestar contas à administração. Por outro, as igrejas e os templos não teriam mais o encargo da manutenção, bastante custosa, de seus edifícios. Teriam apenas a incumbência de assegurar a manutenção do dia-a-dia. Quanto aos prédios religiosos que fossem construídos a partir da lei de 1905, eles seriam de propriedade plena das respectivas entidades religiosas.

O inventário dos bens eclesiásticos, necessário à execução da lei, foi inicialmente levado com alguma mesquinharia. Uma circular de 2 de janeiro de 1906 obrigava os padres a abrir os tabernáculos para fazer o inventário das taças sagradas. Muitos católicos viram nisso uma forma de profanação e temiam que a medida pudess encorajar os roubos e as espoliações.

O papa Pio X nada fez para acomodar as coisas, apenas proibiu aos católicos de formar as ‘‘associações de culto’’ previstas pelo texto legal para a utilização gratuita dos edifícios religiosos de propriedade do Estado.

Pela lei de 2 de janeiro de 1907 relativa ao exercício público do culto, ficava regulada a questão dos edifícios pertencentes aos bispados e às ‘‘fábricas’’, associações católicas que geriam os bens paroquiiais. Mais de 30 mil edifícios foram colocados gratuitamente à disposição dos religiosos.

Em 28 de março de 1907, uma nova lei autorizava os crentes a se reunir sem prévia autorização e permitia o dobre de sinos.

Após a I Guerra Mundial, o governo pretendeu estender a união pacífica de todos os franceses. Decidiu transferir o coração de Gambetta, ilustre fundador da República, para o panteão, e também de honrar a memória de Joana d’Arc proclamando efeméride nacional o segundo domingo de maio.

Relações diplomáticas são restabelecidas entre Paris e o Vaticano. O papa Bento XV prometeu consultar Paris antes da nomeação de bispos.

operamundi.uol.com.br

Marcelo e os truques sibilinos!

Joaquim Alberto Rodrigues (facebook)



Esta “matraca”, concebida nas graças da ditadura e beatificada na generosidade da democracia, andou décadas a preparar a sua candidatura, e agora tem o desplante e a ousadia ridícula de dizer aos portugueses que não precisa de cartazes! Se não é uma ofensa, será certamente uma profunda desonestidade!
Beneficia há décadas dos amores embebecidos da Judite de Sousa e, concordemos, de todas as televisões. Tem as empresas de sondagens a fabrica-lo e a vende-lo como o independente dos independentes. Tem o patronato, tem os DDTS da finança e do mercado, tem Ricardo Salgado, tem o frenesim de Coelho e Portas, tem o desprezível Cavaco, tem um enorme bando de jornalistas e comentadores medíocres, tem a maçonaria, tem a opus dei, e porventura ainda terá a igreja católica, apostólica e romana a apoia-lo, tem o arrojo de pretender vender aos portugueses a ideia peregrina de que é independente, que é confiável e que é digno de representar e dignificar os portugueses?
Não precisamos de ser professores doutores, para constarmos que as televisões estão a branquear o seu percurso partidário duma forma absolutamente indecente e inaceitável. 
Mas o mais grave é apresentar este troca-tintas como um estadista predestinado a representar os portugueses.
Mas os truques não ficam por aqui. Tal como foi feito para com a PAF, as televisões e os jornalistas alinhados, quando entrevistam os seus homens prediletos, são moles, são doces e muito pouco agressivos e assertivos. 
É uma candura absolutamente surpreendente!
Mas os truques não ficam por aqui. Em presença do seu preferido, escolhem m angulo de projeção mais próximo e mais intimista que leve o seu candidato a entrar mais facilmente nos lares dos portugueses. 
Esta técnica é sibilina e cuidadosamente estudada, mas é absolutamente inaceitável, muito especialmente nos canais públicos.
JR

ESTE NÃO !


O CASO BÁRBARO DE MOHAMED SULEIMAN

MUNDO CÃO – O CASO BÁRBARO DE MOHAMED SULEIMAN – por José Goulão

Mundo Cão

Poucos conhecerão as notícias abjectas sobre Mohamed Suleiman nestas horas em que tanto se fala de terrorismo, barbárie e selvajaria como contraponto à nossa superioridade civilizacional plena de virtudes e bênçãos divinas, provenham elas de entidades supremas ou dos não menos supremos mercados.

Não, Mohamed Suleiman não é nenhum dos bandidos armados que praticaram as chacinas de Paris ou Madrid ou Nova Iorque, ou decapitaram um qualquer “cidadão ocidental”; estes são os verdadeiros terroristas, assim definidos pelos lugares onde actuam e as vítimas que provocam, mas de que ninguém ouviria falar entre nós caso se ficassem pelos massacres simultâneos de centenas de sírios e iraquianos, previamente forçados a cavaram as valas comuns para nelas partirem em busca da eternidade, porque isso era assunto lá entre eles, entre bárbaros, que não encaixa nos padrões exigentes e ilustrados de direitos humanos.

Mohamed Suleiman tem 15 anos, é um adolescente palestiniano de Hares, perto de Nablus, na Cisjordânia, detido numa masmorra israelita desde os 13 anos por “atirar pedras”, pecado gravíssimo porque cometido numa estrada reservada a colonos – a designação verdadeira, ocupantes, é politicamente incorrecta – exemplo das obras públicas israelitas que institucionalizam um civilizado regime de apartheid um quarto de século depois de o apartheid original ter sido extinto.

As autoridades israelitas foram buscar Mohamed Suleiman a casa há dois anos, não havendo qualquer flagrante a invocar, e mantiveram-no na cadeia até completar 15 anos. Torturaram-no, juntamente com mais quatro jovens, até confessarem o crime de “atirar pedras” e agora, que já tem idade para ser “julgado”, um tribunal militar israelita condenou-o a 15 anos de prisão por “25 tentativas de assassínio”, judiciosa versão da acusação original baseada no arremesso de calhaus; mas se a família não conseguir pagar uma multa de sete mil euros até 26 de Janeiro a pena transforma-se automaticamente em prisão perpétua. Como os parentes do garoto não têm esse dinheiro – vivem sob ocupação numa terra submetida à violência sádica e fundamentalista dos colonos, espoliados de todos os meios de sobrevivência pelo Estado de Israel – Mohamed Suleiman corre o sério risco de passar o resto dos seus dias que vão para lá dos 15 anos, idade dos sonhos para os adolescentes livres, numa masmorra às ordens dos civilizados esbirros ocupantes.

Esta é a história de Mohamed Suleiman. Ela não corre nos nossos tão informados telejornais, nos nossos periódicos ditos de referência, nas nossas rádios inundadas de cachas, apesar de tais meios não descansarem um segundo na denúncia do terrorismo, do terrorismo mau, pois claro, mas onde deveria caber, por simples misericórdia, um cantinho para Mohamed Suleiman, ao que parece insuspeito de ser do Estado Islâmico ou da Al-Qaida, cujos mercenários às vezes podem ser terroristas, outras nem tanto, depende.

Tão pouco a ONU, a UNICEF, a omnipresente e justiceira NATO, a democratíssima e vigilante União Europeia, tantos observatórios e organizações não-governamentais parecem conhecer a barbárie terrorista de que é vítima Mohamed Suleiman e os seus companheiros. Já me esquecia das boas razões para tal alheamento: Israel, tal como esse farol da democracia que é a Arábia Saudita e também a fraternal Turquia, agora às portas da União Europeia desde que sirva de tampão à entrada de refugiados na Europa, enquanto nutre bandos terroristas, são exemplos brilhantes de civilização e de respeito pelos direitos humanos. Os amigos e aliados jamais praticam terrorismo, tratam da nossa “segurança”.

O caso de que são vítimas Mohamed Suleiman e os cinco de Hares é um exemplo de terrorismo puro e duro, sem adjectivação porque o terrorismo é um fenómeno único, não existem terroristas bons ou maus, civilizados ou bárbaros. Mas esta é uma tese vinda dos bas-fonds da teoria da conspiração, não conta para a vida nos nossos dias.

Ainda sobram no mundo, porém, algumas organizações solidárias que, enquanto denunciam esta aberração selvática, procuram, para já, ajudar a reunir os sete mil euros necessários (http://www.europalestine.com/spip.php?article11302) para tentar travar, no mínimo, a perpetuidade da prisão.

Quanto ao resto, a história de Mohamed Suleiman e tantas outras histórias que preenchem o quotidiano trágico de Jerusalém Leste, Cisjordânia e Gaza, as histórias de degredos, demolição de casas, assassínios selectivos, escolas e hospitais arrasados, asfixia económica, privação de água e energia, checkpoints e rusgas arbitrárias, muros e outras formas de segregação física e psicológica, mais não é do que exposição da hipocrisia terrorista pela qual se guia a chamada “comunidade internacional”.

Agora que a bandeira da Palestina, Estado fantasma, ondula junto ao palácio de vidro da ONU as boas consciências dos nossos civilizados e democráticos dirigentes sentem-se apaziguadas. Casos escabrosos de terrorismo como o de Mohamed Suleiman poderia, é certo, mascarar essa “paz” tão laboriosamente aparentada, mas que não haja problema: varre-se para o fundo dos tapetes da diplomacia e do desconhecimento, com a prestimosa colaboração do amestrado aparelho de propaganda.

 

  http://aviagemdosargonautas.net/

O QUE É O PAN? A OPORTUNA NEUTRALIDADE DA DIREITA


QUARTA-FEIRA, 9 DE DEZEMBRO DE 2015


Sempre que se lhe presta ensejo, o partido Pessoas, Animais Natureza (PAN) repete que «não é de esquerda nem de direita» porque rejeita «enquadramentos deterministas à esquerda, centro ou direita – os quais serão sempre reducionistas»

Se, em política, a neutralidade é sempre suspeita, deve ser constituída arguida e devidamente investigada quando acontece alguma injustiça. E no PAN, à semelhança dos Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, a alegada imparcialidade dos neutrais pende sempre para um dos lados.
Atingida a proeza de entrar no parlamento, a renúncia budista do PAN deu os primeiros trambolhões públicos. Primeiro, votou (disfarçadamente) no candidato do PSD/CDS-PP, Fernando Negrão, para o cargo de Presidente da Assembleia da República. Já na semana passada, o PAN absteve-se na moção de rejeição apresentada pela mesma coligação de direita, argumentando, todavia, que essa abstenção representava «um voto de confiança dado a este Governo legítimo» (?!).

Se lhe parecer estranho que o PAN não tenha a certeza sobre a moção de rejeição do PSD/CDS-PP, uma amálgama de elogios à austeridade com argumentos golpistas de extrema-direita, deve ficar a conhecer o percurso percorrido por esta força partidária.

O PAN, inicialmente denominado Partido pelos Animais, nasce em 2009 pela mão de Paulo Borges, antigo líder de vários grupos fascistas, de que a AXO é apenas exemplo. Reconvertido ao budismo e à filosofia New Age, o percurso de Paulo Borges espelha as contradições latentes do PAN, partido que só recentemente abandonou, imprimindo-lhe definitivamente o cunho actual.

Nos anos 80, o fundador do PAN escrevia «CARNE E SANGUE, FERRO E AÇO PELO QUINTO IMPÉRIO!  É chegada a altura de provar por actos quem são os melhores filhos da RAÇA. Prová-lo-ão aqueles que tiverem a força de reerguer um único SENTIDO NACIONAL, um sentido que aponte a todos os Portugueses um mesmo FIM ACTIVO para a vida ou para a morte, para a guerra ou para a paz». E, mais adiante, «Pela higiene nacional: Freaks e hyppies para a fogueira! Purificação Nacional! O mito renasce – a raça está viva! - Igualitários, mordereis o pó. Lâminas imperiais para barbas democráticas! Cristo era judeu! Marx era judeu! Freud era judeu! Quando nos libertaremos desta maldita herança?» 

Ao contrário do que é costume espargir em alguns círculos de pseudo-intelectuais burgueses com aspirações cosmopolitas, a transição de Paulo Borges do racismo para o budismo não é surpreendente. O fascínio da extrema-direita pelos ideias de «purificação» do budismo radical remontam ao III Reich de Hitler. Com efeito, o Dalai Lama, cuja fotografia continua a ser amiúde publicada no site do PAN, é o ex-chefe de Estado de um reino religioso, uma monarquia absoluta onde o clero era o proprietário de toda a terra, onde a escravatura, a tortura, a miséria e a exploração sexual das mulheres eram dogmas sancionados pelo budismo oficial.
 
Descontrai baby, come on descontrai, afinfa-lhe o Bruce Lee, afinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o hoscópio, dois ou três ovniologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas!
José Mário Branco in FMI
Claro que o PAN actual não subscreverá os ideais mais reaccionários desta tradição mas, órfão destes pais anónimos, cultiva uma linguagem e uma imagética que misturam a estética New Age com cultura pop anglo-saxónica e frases da Chiado Editora (ver imagens que ilustram este artigo) num bolo onde cabem citações de líderes religiosos hindus, fotografias do universo e apelos à (justa) defesa dos povos Maasai. Inversamente, no PAN nunca houve interesse, preocupação ou espaço para os trabalhadores despedidos na Triumph, na Somague ou na Cimpor.
















Uma vez mais, nada de novo. Este é o mesmo PAN que elogiava o infame Memorando de Entendimento com a Troika, também justamente conhecido como Pacto de Agressão. Eis o que defendia o PAN: 

«O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) considera que o acordo de apoio financeiro recém-aprovado pela tróica constituída pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional se tornou essencial para garantir a estabilidade financeira do país, após anos de desgoverno e aproveitamento pessoal e partidário, pelos quais são sobretudo responsáveis o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata. A aprovação desse acordo foi condicionada pela aceitação por parte do governo de um conjunto de reformas, algumas das quais fundamentais, tendo como objectivo geral modernizar e agilizar o funcionamento do aparelho de Estado visando o relançamento da economia a médio e longo prazos. 

De facto, o PAN argumentava já, nas suas bases programáticas, com a urgência de algumas dessas reformas, como forma de termos melhor Estado e de evitarmos o desperdício dos dinheiros públicos: a reestruturação do mapa administrativo do país, a reavaliação das parcerias público-privadas, a reforma da justiça, a redução de organismos e institutos públicos supérfluos, a privatização de empresas públicas não-estratégicas para o interesse geral do país, o reforço do controlo de gestão e o combate ao despesismo nos serviços públicos da educação e da saúde, entre outras.»

Coerentemente, perante a luta dos trabalhadores, o PAN explica melhor como é que não é de esquerda nem de direita: «o PAN está solidário com todas as recentes manifestações de indignação e protesto, incluindo a greve geral marcada para o próximo dia 24, mas também se solidariza com todos aqueles que, embora indignados e descontentes com esta situação, preferem outras formas de luta a uma greve geral, pelo impacto que esta tem sobre uma economia já debilitada».


















Nada disto invalida a justeza de várias propostas do PAN. O problema é que quase todas essas propostas já constam do programa de algum partido, seja ele o PCP, o BE, o PEV ou mesmo o PS, o PSD ou o CDS-PP. O que há de original no PAN é o apelo apolítico e tosco à bondade para com os «bichinhos»: não para com os animais.  Enquanto o PAN luta pela libertação da águia Vitória e defende a implementação de copos menstruais, há empresas que descarregam diariamente resíduos tóxicos nos nossos rios; há transportes públicos que correm o risco de deixar de o ser, Mas o que mais preocupa o PAN são os gatos e os cães, animais de companhia e (também) de entretenimento. E, por outro lado, a questão das touradas, espectáculo que, malgrado degradante e bárbaro, não representa de forma alguma, os verdadeiros problemas da natureza e dos animais em Portugal.

O verdadeiro inimigo da natureza e dos animais tem um nome: capitalismo. Capitalismo é o modo de produção que destrói as florestas do planeta, polui a água e leva espécies inteiras à extinção. E sobre o capitalismo, o PAN não tem posições que importava conhecer, nomeadamente: o PAN defende a nacionalização da banca e dos sectores-chave da economia? O PAN admite mais privatizações? Como é que o PAN responde às exigências da CGTP a este governo?

Insistindo que não é de esquerda nem direita, o PAN lá vai repetindo que é só um «partido de causas». Mas os partidos de esquerda não são «de causas»? A diferença entre, por exemplo, o PEV e o PAN é que o PEV compreende que não é possível defender a natureza sem um programa de justiça social que rompa com a política de direita e assuma frontalmente os valores progressistas, revolucionários e democráticos de Abril.











Ora o PAN, que, para além de defender uma redução brutal do número de deputados, estreitando assim ainda mais a nossa democracia, e a manutenção de Portugal na NATO, uma organização militar assassina especializada em invasões, golpes de Estado e genocídios, está a anos luz de poder representar os valores democráticos, pacíficos e progressistas da ecologia.

Desta forma vai-se tornando claro que a pretensa neutralidade ideológica do PAN não é mais que um oportuno instrumento eleitoral dificilmente concretizável num terreno em que diariamente é preciso optar por um dos lados: ou o dos banqueiros e do grande capital ou o dos trabalhadores.

A ecologia proposta pelo PAN, baseada no primado do acessório em detrimento do fundamental, é o equivalente a resolver o problema da dívida pública a recolher tampinhas. Ser ecologista sem ser de esquerda é só ser conservador. Lutar pelo fim da exploração do animal pelo homem sem querer pôr um ponto final na exploração do homem pelo homem é ser hipócrita. Querer mudar o mundo votando no PAN é o mesmo que querer pôr fim à pobreza fazendo as compras no Comércio Justo.

*Imagens retiradas do sítio na Internet do PAN e da página da candidata presidencial que esta força apoia

O "PÚBLICO" E A SANTA IGNORÂNCIA - PRESIDENCIAIS FRANCESAS DE 2002


O editorial do Público 
e a santa ignorància 


O editorial do Público de hoje sobre as eleições regionais francesas opina espantosamente que «a França já passou por este susto e os socialistas usaram a mesma estratégia: Le Pen, pai, foi afastado da corrida presidencial de 2002 quando Lionel Jospin se retirou e apelou ao voto em Chirac, da direita, dizendo que o fazia para impedir que Le Pen fosse eleito Presidente.»

Sobre isto, duas caridosas rectificações que deviam fazer corar de vergonha a direcção editorial do Público:

1ª: Jean-Marie Le Pen não foi «afastado da corrida presidencial», antes disputou na segunda volta.

2ª: Jospin não se retirou de coisa nenhuma, simplesmente ficou em 3º lugar na primeira volta e, consequentemente, não passou à segunda.

Conclusão: já se sabe que a Wikipédia não é totalmente de fiar mas, ainda assim, devia ser uma alternativa elementar para quem não tem informação ou cultura históricas bastantespara escrever sobre certos temas.

Wikipédia: «À la surprise générale, le premier tour place en tête Jacques Chirac (19,88 %) et Jean-Marie Le Pen (16,86 %). Lionel Jospin arrive en troisième position avec 16,18 % des voix. Ce résultat s’explique en partie par la division de la gauche plurielle et par les bons scores réalisés par l’extrême gauche. C’est la deuxième fois qu’un candidat de gauche n’est pas présent au second tour d’une élection présidentielle sous la Ve République et la première fois qu’un candidat d’extrême droite y figure.»


ZALIPIE UMA ALDEIA RURAL NA POLÓNIA E OS SUAS PINTURAS FLORAIS

Pessoas de todo o mundo adoram decorar suas casas, mas poucos são tão bons quanto os moradores de Zalipie. Decoração e pintura colorida das casas é uma tradição secular no vilarejo isolado na região sudeste da Polônia. As mulheres locais pintam suas casas, mas não com uma única cor, mas uma gama de estampas florais vibrantes. Esses padrões adornam as paredes externas, portas, janelas e até o teto. A vila inteira parece mergulhada em uma profusão de cores e alegria.

01
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 01
Não está claro quando a tradição começou exatamente. Uma lenda local diz que a origem remonta a um momento em que a fumaça dos fogões sem chaminé escapavam pelos pequenos buracos nos tetos. As mulheres tentavam branquear e encobrir as pequenas manchas de fuligem nas paredes, mas isso não funcionava; então mudaram para pinturas de belas flores em seu lugar.
02
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 02
Os tapa-manchas já não são necessários com cozinhas modernas, chaminés e uma melhor ventilação, mas a vila Zalipie ainda mantém a sua tradição. Ao longo do tempo, os padrões tornaram-se mais complexo e sofisticados. E agora não estão limitados apenas aos lares. Se você andar por Zalipie, logo vai encontrar currais, ranchos, galinheiros, caixas d'água, casinhas de cachorro, muros, poços e todos os outros objetos imóveis pintado a mão. Mesmo a ponte da aldeia teve sua beleza revitalizada por essas estampas florais.
03
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 03
Em tempos mais antigos, as mulheres de Zalipie faziam os seus próprios pincéis usando o pelo do rabo de vacas locais. Os pigmentos eram orgânicos também, elas usavam gordura de fritura para dar corpo à tinta. Elas geralmente decoravam suas casas uma vez por ano, durante a festa de Corpus Christi, quando não tinham muito trabalho agrícola para fazer.
04
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 04
Hoje, a aldeia Zalipie têm uma competição anual durante a festa para celebrar a sua tradição milenar. Pintores locais, a maioria mulheres, competem para ver quem cria os arranjos florais mais intrincados nas paredes das casas, e também retocam padrões de anos anteriores.
05
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 05
A história desta linda e única forma de arte de Zalipie estaria incompleta se não mencionássemos uma mulher em particular: Felicja Curylowa, uma senhora que se tornou tão obcecada com estas pinturas que cobriu de flores cada superfície possível de sua casa de três quartos. Paredes, colchas, almofadas, cobertas, móveis e até mesmo o teto. Sua casa já foi transformada em um museu da aldeia.
06
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 06
Zalipie é bem conhecida para os poloneses, mas surpreendentemente, os turistas ainda são uma novidade no local, e são vistos com curiosidade pelos moradores.
07
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 07
08
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 08
09
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 09
10
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 10
11
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 11

12
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 12
13
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 13
14
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 14
15
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 15
16
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 16

Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 17
18
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 18
19
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 19
20
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 20
21
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 21

Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 22
23
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 23
24
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 24
25
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 25
26
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 26

Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 27
28
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 28
29
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 29
30
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 30
31
Zalipie, fascinante aldeia pintada com arranjos florais na Polônia 31
Crédito das imagens: PolandMFAMagro_kr e mksfca.
Fonte: Kuriositas

http://www.mdig.com.br

AGNES KASPARKOVA DE 81 ANOS - VEJAM O QUE ELA GOSTA DE FAZER

Cada vez mais se torna popular a frase que diz que "A idade é apenas um número", e Agnes Kasparkova, uma avó da aldeia Checa de Louka, na Morávia do Sul, é um exemplo perfeito dessa asseveração. Aos 87 anos, a artista adorável ainda passa a maior parte de seu tempo livre fazendo o que ela mais gosta: pintando as casas dos vizinhos com motivos florais e tradicionais.  Agnes se aposentou do seu trabalho na agricultura há 30 anos, e tem pintado casas desde então.

01
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 01
Apesar de suas mãos frágeis, ela consegue alumiar e alegrar todos os edifícios em que ela trabalha com intrincados desenhos azuis.

- "Eu só estou fazendo o que eu gosto", diz ela, humildemente. - "Eu só tento ajudar a decorar o mundo um pouquinho."

Dona Agnes acrescenta que ela não pode imaginar uma vida sem trabalho, seja em casa, nas casas ou jardins da vizinhança. Ela aparentemente aprendeu o ofício com outra mulher chamada Manakova, e quando ela faleceu, Agnes decidiu continuar seu trabalho.

Uma das características mais marcantes da arte de Dona Agnes é a pintura azul-marinho com arranjos florais, que funciona esplendidamente em contraste com as paredes brancas das casas da Morávia. Ela faz questão de usar tintas caras e de boa qualidade, porque sabe que vão durar ao menos dois anos. Ela nunca planeja suas obras de arte com antecedência, em vez disso vai desenhando conforme as ideias vão surgindo em sua cabeça.

Dona Agnes encontra dificuldades, às vezes, dada a sua idade. Ela não gosta muito do inverno, mas isso não a impede de seguir pintando mesmo nas condições mais rigorosas. Todo mês de maio, ela gasta 10 dias decorando as paredes recém-pintadas de branco da capela da vila, e até mesmo sobe em uma escada para pintar as partes mais altas e o teto.

02
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 02
03
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 03
04
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 04
05
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 05
06
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 06
07
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 07
08
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 08
09
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 09
10
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 10
11
Esta senhora de 87 anos adora fazer pinturas florais mobiliárias e ela é incrivelmente boa no que faz 11
Fonte: FolklorWeb.
Fotos: Marilart
 http://www.mdig.com.br