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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O MAIOR TERRORISMO


logo editorial

O terror(ismo) é uma arma insidiosa devido à maneira como actua sobre as pessoas em geral. Quando se sentem abertamente expostas às suas manifestações elas tendem a fazer sem reserva aquilo que delas se pretende. Quando se lhes garante um pouco de segurança, tendem a reagir organizadamente contra quem as ameaça, ou pelo menos contra quem julgam que as ameaça. Ou procuram que alguém reaja por elas. São reacções humanas, tem de se reconhecer, derivadas dos instintos de sobrevivência e de defesa, inatos em todos nós. Quem detém o poder e não tem escrúpulos, conhece estes fenómenos, e procura tirar partido deles. Infelizmente, isto passa-se constantemente. Recusamo-nos neste editorial a dizer que acontece sempre, talvez por uma questão de esperança.

Os bombardeamentos sobre a Síria, o Médio Oriente em geral e noutros lados são um erro medonho. Servem sobretudo para assustar as populações que ali vivem e predispô-las ainda mais a fugirem ou a lutarem contra o ocidente. Um número considerável optará pelas duas coisas. Entretanto, os líderes do mundo ocidental (incluindo agora a Rússia) procuram com o recurso à bomba e ao míssil resolver os problemas dos seus países (e ainda mais os seus próprios), sem alterarem os dados fundamentais da questão. Não querem colocar tropas em combate directo no terreno, para não agitar as suas opiniões públicas internas, é a única limitação que têm tido ultimamente nas suas opções. Em contrapartida, os bombardeamentos redobram em violência, com efeitos incalculáveis. Após a França, onde Hollande procura mostrar grande vigor contra os jihadistas, em bombardeamentos na Síria e no securitarismo (perdoem o galicismo) agravado a nível interno, talvez recordando Margaret Thatcher e a guerra das Malvinas, o Reino Unido e a Alemanha também se juntam à campanha. Assim os seus líderes não deixam sós na cena os Estados Unidos e a Rússia, e talvez ainda consigam que alguns os considerem, a eles, como políticos de primeiro plano. Não têm sido encaradas com seriedade e coerência questões fundamentais como o impedir que armas  de todo o género cheguem às mãos de combatentes e terroristas, esclarecer como se processa o recrutamento de jihadistas por todo os lados, perceber quais são as motivações de tantos candidatos a esta horrível opção de vida, e entabular negociações  para resolver  de vez os problemas que afectam as populações do Médio e Próximo Oriente, e de regiões contíguas, que vão desde os negócios do petróleo,  até os vergonhosos conflitos que atormentam  as populações daquelas regiões, (Palestina, Somália, Iémen e tantos outros), e que obviamente nunca foram tratados como o deviam ter sido. Estas questões, estes conflitos arrastam-se há largos anos porque há quem impeça o seu devido encaminhamento e a sua resolução. Os defensores do modo de pensar TINA (there is no alternative) encobrem interesses obscuros que procuram manter o sistema de austeridade e da bomba como resposta para todos os problemas. São esse modo de pensar e esse sistema que temos de vencer.

Propomos as leituras seguintes:

http://www.dn.pt/mundo/interior/exrefem-do-estado-islamico-diz-que-bombardeamentos-sao-uma-armadilha-4913681.html
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/12/03/actualidad/1449153297_886775.html
http://www.esquerda.net/artigo/corbyn-diz-que-resposta-militar-na-siria-pode-agravar-conflito-e-provocar-mais-dor/39631
http://www.theguardian.com/politics/2015/dec/03/uk-syria-airstrikes-isis-no-coherent-plan
http://www.theguardian.com/politics/2015/nov/21/jeremy-corbyn-paris-attacks-must-not-draw-us-into-cycle-of-hate


http://aviagemdosargonautas.net

Vamos lá ver o que isto dá



bb1Baptista Bastos
O terrorismo e os foragidos de todos os medos vieram demonstrar as enormes fragilidades da “União.” Em pouco tempo, a Europa transformou-se numa fortaleza hostil, com muros, arame farpado e militares armados até aos dentes.
A União Europeia nunca existiu. Foi uma fábula que enganou muitos ingénuos e apenas serviu para consolidar a Alemanha como novo império, e alimentar o capitalismo com outro fôlego. Nada digo de original. O terrorismo e os foragidos de todos os medos vieram demonstrar as enormes fragilidades da “União.” Em pouco tempo, a Europa transformou-se numa fortaleza hostil, com muros, arame farpado e militares armados até aos dentes. Destinados a impedir, de qualquer forma, a invasão dos desesperados. O mito da fraternidade e da solidariedade europeia tombou com o estrondo que se conhece. E a Alemanha cimentou um império, com uma imperatriz vinda do Leste, um áulico desabusado, François Hollande, e uma série de reverentes lacaios, com particular relevo para os governantes portugueses, todos eles, sem excepção, um mais subserviente do que o anterior.
Será, acaso, a altura e a ocasião de perguntar a quem tem servido esta bizarra “União”? Os países europeus que mais sofreram com a estratégia político-económica aplicada com zelo e pressa foram, naturalmente, os mais débeis. Portugal foi o fraco dos fracos. Acedeu a todos os propósitos. A todas as imposições, fossem elas quais fossem. Passos Coelho, assim que trepou ao poder, declamou o empobrecimento do país, como forma de pagar a “dívida.” Nunca soubemos que raio de “dívida” era essa nem de que forma e feitio éramos devedores. Passos e os seus também afirmaram que estávamos à beira da bancarrota, aldrabice logo desmentida por inúmeros especialistas.
Foi desnecessária e imoral esta política de “austeridade”, que levou dois terços da população ao sofrimento mais atroz e à morte da esperança. O mais repugnante de isto tudo consistiu nas afirmações de Passos e de Maria Luís, segundo os quais “os cofres estão cheios.” Há algo de criminoso nesta gentalha, que passa ao lado do infortúnio de milhões de portugueses, a maioria dos quais velhos e crianças. Com a ascensão do novo Governo, e com o decorrer do tempo, muitas mais coisas vão ser reveladas, e aquele Montenegro, que aparece no Parlamento a sorrir sem graça, não tardará em desfazer a zombaria, mesmo que sejam poucos aqueles que os denunciem.
 Sabemos que vão ser dificultosos os tempos que aí vêm. Mas um tenebroso preconceito, que impedia o PCP de sequer almejar chegar ao poder, foi desfeito, pela persistência de António Costa e pela compreensão histórica de Jerónimo de Sousa, sem esquecer a lúcida combatividade de Catarina Martins. Com todas precauções que uma afirmativa desta natureza pode comportar, penso que se virou uma página da história política portuguesa, e que já era tempo de se entender que chegou uma nova época. Enfim: estamos cá para ver.

 Morte de dois jornais

O semanário Sol e o diário i fecharam as portas, atirando para o desemprego mais de cem profissionais. Não gosto de assistir ao encerramento de órgãos da Imprensa. Independentemente da minha opinião, a morte de jornais é, sempre e sempre, o calar de vozes e o desespero de muita gente que se vê privada do seu modo de vida. Em ambas as publicações, tinha amigos e camaradas que muito prezo e estimo. Sei, pelo saber da experiência, o que é ser atirado para o desemprego. Neste momento doloroso, quero enviar, a todos eles, sem excepção, o abraço circular da minha solidariedade.

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