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sábado, 14 de novembro de 2015

A VIDA É ASSIM

A VIDA É ASSIM !
HÁ QUEM GOSTE DO QUE A PESSOA ESCREVE MAS NÃO GOSTE DA PESSOA.
OUTROS GOSTAM DA PESSOA E NÃO GOSTAM DO QUE ELA ESCREVE O QUE É ESTÚPIDO.
DEPOIS HÁ QUEM NÃO GOSTE DA PESSOA E DO QUE ELA ESCREVE
E AINDA, OUTROS, RUÍDOS DE INVEJA NÃO SEI PORQUÊ, OU PROFUNDAMENTE RUINZINHOS, QUEREM CALAR A PESSOA E O QUE ELA ESCREVE
POR FIM HÁ A PESSOA QUE OS CONVIDA PARA IR LÁ CASA E COMEÇA POR LHES OFERECER UNS APERITIVOS DE MERDA !
PODERÁ SEMPRE RESULTAR, OU PARA BEM OU PARA MAL.
António Garrochinho

REZAR POR PARIS ? A SÉRIO ?


TERRORISMOS QUE ALIMENTAM TERRORISMOS


SATURNO
Saturno devorando o seu filho, pintura de Goya
Há dezenas de anos que a barbárie terrorista campeia pelo mundo. Manifesta-se das mais variadas formas e com as mais diversas vítimas. Sejam humanas ou materiais. Agora, a memória do atentado ao Charlie Hebdo ainda não faleceu,  mais de cem mortos em Paris,há um mês mais de 250 pessoas num avião que foi sabotado, todos ou quase todos os dias, no Iraque, na Síria, no Iemen, no Afeganistão, no Líbano. Por todo o Médio-Oriente e África. Também não devem ser esquecidos os Budas dinamitados no Afeganistão ou a destruição que tem sido efectuada na cidade de Palmira.
Os estados emocionais que provocam são variáveis. Não o deviam ser, para que a condenação e a memória não se torne flutuante. Como todos nos devemos precaver contra o terrorismo que o terrorismo origina. Com o medo que esse terrorismo brutal, dissemina o terrorismo xenófobo aduba a sua retórica. Suporta o aumento de políticas securitárias a caminho de um novo maccartismo.  Dois terrorismos, ou se quiserem as dezenas de terrorismos de fardas e emblemas diversos, acabam por se alimentar  uns aos outros, com a fúria de devorarem a liberdade, as liberdades. O pavor, o medo que espalham tem o efeito perverso e muitísimo perigoso, se a isso não estivermos atentos. Querem que nos tornemos autofágicos das nossas próprias liberdades.
Não é por ser aqui ao lado em Paris, nem por o número de vítimas ser superior a uma centena, de se quantificar e qualificar os atentados que deve aumentar a temperatuira da nossa indignação e condenação. Deve ser a mesma se tivesse sido no deserto de Gobi e vitimado uma só pessoa. A barbárie é a mesma e deve ser combatida com igual determinação.
Nos últimos anos o terrorismo com a bandeira islâmica é real, a mais vísivel e tem aumentado. Também tem sido utilizado, armado e financiado ao sabor de conveniências e oportunismos políticos  que não se devem esquecer ou travestir. Causa alguma perplexidade ouvir as condolências e a condenação dos atentados em Paris feito por Erdogan que tem treinado, armado e financiado, directamente ou indirectamente o Estado Islâmico, deixando que a Turquia seja a principal rota do petróleo contrabandeado pelo Estado Islâmico, uma das suas principais fontes de rendimento.. Ou ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita enviar condolências aos framceses declarando que os atentados de Paris contradizem todas as normas éticas e morais, assim como as leis de todas as religiões, quando no seu país quem entre com uma bíblia, mesmo para uso pessoal é preso, tem um sistema judicial pior que medieval em que se chicoteia, degola, crucifica. São desse calibre os aliados do ocidente conduzido pelos EUA, em diversas aventuras no Médio Oriente, para manterem a hegemonia política enquanto a económica se esboroa. A brutalidade da barbárie terrorista, a sua dimensão e extensão, não só na Síria e Iraque, na Ucrânia há batalhões de jihadistas a lutar em coordenação com as mílicias nazi-fascistas, é altamente inquietante. O nível de preparação militar que crescentemente demonstram, tornam o combate a essa horda de uma urgência que deve, devia ultrapassar divergências e cálculos políticos a qualquer prazo, numa luta comum que é uma luta civilizacional.
Não se deve perder memória de como tudo isto foi avançando passo a passo. Com que cumplicidades se cimentou. Mas a gravidade da situação é tal que não se pode perder tempo com recriminações. O tempo que se perde a apontar o dedo para esses factos, que são reais e não devem ser rasurados, é tempo que se perde na luta urgente de arrancar pela raiz o mal que, de um ou outro modo, mais longe ou mais pertos nos cerca, nos assalta. O inimigo é letal, tem um objectivo. É um animal raivoso e determinado que ataca cegamente mesmo as mãos que, directa ou indirectamente, o alimentam ou o alimentaram. O recente atentado em Ankara, com centenas de vítimas, é a mais clara demonstração disso.
O risco que ocorram mais golpes terroristas bem planeados e executados é um facto.. A curto prazo, mesmo a muito curto prazo, o maior risco é esse terrorismo alimentar o terrorismo de uma direita ultra momtana, de raiz nazi-fascista, que tem crescido a olhos vistos na Europa Uma direita que se vai  impondo  sentada ao colo do nosso medo e das irracionalidades que origina, escarando as portas para os ódios mais primários, mesmo irracionais. Não podemos deixar que a história se transforme numa pintura negra em que, por temor ou omissão colaboramos, quase sem darmos por isso. Combater e condenar o terrorismo é o mesmo combate de combater todas as políticas de cariz fascista que o dizem combater impondo outro terrorismo.

pracadobocage.wordpress.com

Caiu a coligação PSD/CDS, mas não caiu a politica que suporta a ofensiva capitalista/imperialista em curso


 O povo votou e derrotou a coligação PSD/CDS  fazendo-a perder a maioria, alterando desse modo o quadro parlamentar, mas isso não quer dizer que esteja isolada e que a sua queda seja um dia histórico como alguns o assinalaram, para encobrir a sua covardia e conciliação ao longo de quatro anos de bárbara ofensiva capitalista.
Bem pelo contrário, a demagogia, o ressabiamento  da coligação PSD/CDS/C.Silva nesta hora de saída está a demonstrar que não está derrotada, como vai utilizar todas as manigâncias ao seu alcance para se manter no poder,o que exige da parte dos trabalhadores toda a atenção e mobilização.
Demagogia essa, que faz com que Mário Centeno, provável novo ministro das finanças, se desdobre em vários contactos e tenha que garantir: Que o PS irá “continuar no caminho da consolidação orçamental…Não é a direção que estamos a questionar, mas a velocidade da viagem”.Ou seja, o que diferencia o programa do PS, do da coligação PSD/CDS não são os objectivos macroeconómicos de recuperação capitalista, mas a forma  de como os atingir.
Tarefa esta que nos parece impossível de concretizar por esta via, na medida em que o peso da divida pública e privada que no seu conjunto ascende a  perto de 600.000 mil milhões de euros, cujo pagamento impede qualquer crescimento económico satisfatório que permita por fim à via do empobrecimento e do desemprego.
Por outro a crise económica na UE, e a nível mundial não foi ultrapassada, e sinais cada vez mais evidentes indicam  que se pode aprofundar, o que a acontecer,  não só colocará em causa o retorno das medidas sociais roubadas pelo governo anterior,como pode obrigar este a dar o dito por não dito e a proceder como algumas vezes o fez no passado, ou seja a voltar a trás.
ACORDO ou  CAPITULAÇÃO ?
Depois de tanto esbulho levado a cabo pelos vários governos capitalistas anteriores  e aprofundado nos últimos quatro anos pela actual coligação PSD/CDS/C.Silva em aliança com a UE/BCE/FMI  é perfeitamente natural que o povo queira ver uma melhoria nas suas condições económicas e sociais, daí a enorme  ilusão criada  em torno dos compromissos sociais do chamado combate ao empobrecimento e ao desemprego.
O “acordo” entre o PS e os partidos à sua esquerda assenta sobretudo na devolução de parte no imediato dos rendimentos roubados às camadas intermédias assalariadas e pensionistas e em apoios às pequenas e médias empresas capitalistas, com novos benefícios fiscais, bem como na atribuição de subsídios previstos no novo quadro comunitário, apoios estes há muito defendidos pelo BE e PCP o que de certa maneira aproximou e fez convergir com o programa social liberal apresentado pelo PS. 
As exigências iniciais de combate ao empobrecimento tão reclamadas pelo BE e PCP, como condição para a realização de tal “acordo” são reduzidas ao minimo, para não se dizer que caiem por terra.
Vejamos:
1º O aumento do salário minimo para 600 euros, é relegado para o fim da legislatura, com o argumento  de que não é realista satisfaze-lo como exigido inicialmente, porque coloca a “sustentabilidade das empresas” capitalistas em causa, afirmações de Catarina Martins/BE aos orgãos de comunicação social (e não contrariado pelo PCP), como se alguém pode garantir de que o PS  possa completar a legislatura, não claro por falta de apoio do BE e PCP, que se comprometeram a viabiliza-lo, a dar-lhe estabilidade politica e social e a impedir o seu isolamento junto das massas trabalhadoras, o que quer dizer que se empenharão em aprofundar a sua conciliação e colaboração em relação à consolidação capitalista em curso, mas porque o aprofundamento da crise económica, conjuntamente com as exigências da reacção burguesa interna em aliança com a burguesia imperialista da UE, que em face das regras impostas pelo Tratado Orçamental Europeu a que o próximo governo PS está subordinado, lhe vão criar o máximo de dificuldades  até o derrubar, para que possa abrir o caminho a um governo da sua inteira confiança.
2º O aumento real das pensões mais miseráveis que  iria melhorar o nível de vida dos aproximadamente dois milhões de reformados e pensionistas pobres e contribuir para o crescimento da economia, são descongeladas no valor de 0,3% até aos 628 euros, o que na prática não tem qualquer efeito como os mantém a passar fome e na exclusão social.
3º Os 700 mil desempregados que deixaram de usufruir do subsídio de desemprego, continuarão sem  emprego e sem qualquer apoio e a ter que viver conjuntamente com seus familiares da caridade e na mais profunda e absoluta miséria social.
4º Os trabalhadores contratados a prazo está-lhes prometido a redução  para três anos, mas ninguém lhes garante o emprego efectivo, na medida em o patrão não lhes queira renovar o contrato.
5º Para não se ir contra os interesses económicos da burguesia capitalista, a devolução das 35 horas semanais é limitada aos funcionários públicos, deixando para trás os outros milhões de trabalhadores, quando esta medida a aplicar a todos, podia contribuir para a criação de emprego. 
6º Para beneficiar a burguesia ligada à industria hoteleira e restauração e não à criação de emprego como supostamente o pretendem fazer crer, o IVA baixa para 13%, enquanto que para os mais pobres se mantem a taxa na electricidade e no gás a 23% . Etc, etc,etc.
Assim chega-se à conclusão de  que afinal o próximo governo não quer acabar, com a austeridade, nem com a via do empobrecimento e do desemprego, e que estas parcas cedências por parte do PS, não se deve a qualquer deslocação à esquerda, mas o BE e PCP que se aproximaram da via politica social liberal, que o PS sempre encarnou, na medida em que chantageou a possibilidade de só aceitar formar governo depois de os obrigar a capitular em toda a linha, como está bem claro no abandono das suas exigências imediatas e os vincular ao seu programa de direita, macroeconómico de recuperação capitalista e sujeito às regras impostas pela UE e pelo Tratado Orçamental Europeu. 
Portanto tal “acordo” entre as ditas esquerdas, mais não é do que um pacto social com a burguesia com apoio parlamentar, que vai manter a continuação da ofensiva capitalista sobre o proletariado e o povo pobre, por formas mais moderadas e subtis de austeridade, de redução dos rendimentos e direitos laborais e sociais, que terá de merecer  por parte dos trabalhadores mais conscientes e revolucionários, do movimento operário e popular,  a divida resposta, caso contrário seremos tão capituladores, como os oportunistas que aceitaram tal pacto social  e o querem impor em nome da esquerda à classe trabalhadora.

Via: A Chispa!

DOIS PINTORES, DOIS ESTILOS - ADOLPHE JUAN e ALEXANDER SAIDOFF

Galeria Adolphe Jourdan!
maternal_affection-adolphe-jourdan
Jourdan_Adolphe_A_Mothers_Embrace
 (420x700, 98Kb)
 (553x699, 65Kb)
Les Secrets De L\'Amour
Adolphe-Jourdan--

Birth of Venus

Le Papillon

Madonna and Child by Adolphe Jourdan





















Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando e ca...





















vídeo

NA CURVA


Entre os muitos biscates por que me perco e encontro (e nenhum tacho, nem um…) está uma recente colaboração semanal com um jornal digital (mediotejo.net). Muito me agrada fazê-lo. Pelo convite, pela receptividade aos textos que envio, pela qualidade das ilustrações escolhida pela redacção do jornal. 
Segue amostra, graficamente adaptada:

“NA CURVA” 


Estamos perante uma curva (ou duas, ou mais) à escolha. De quem?
Antes de a darmos, estamos parados numa espécie de encruzilhada. Numa pausa dependente de uma vontade, numa pausa voluntária, desnecessária, prejudicial, perigosa.
Um de nós, mais dado à literatura, à poesia, iria pedir ajuda ao Drummond de Andrade e servir-se-ia da ladaínha “E agora, José?”. Mudaria umas coisas, adaptaria, a começar pela apóstrofe e perguntaria

“E agora, Aníbal?”
Sua palavra agreste,
seus momentos de febre,
sua fúria recalcada,
sua reforma de ouro e queixa,
seus juros e suas juras
sua biblioteca sem livros,
sua gula de pão de ló,
seu fato malfeito,
sua coerente incoerência,
seu ódio, sim! seu ódio
– e agora?
Com a chave na mão,
não quer abrir a porta,
a que existe,
que outras não há;
quer morrer no mar,
mas o mar você secou;
quer, talvez…, elefantes,
elefantes são de outro Aníbal;
quer continuar em Belém,
mas só há Boliqueime,
Belém não há mais.

Aníbal, e agora?
Um outro de nós (ou o mesmo), mais voltado para as coisas da política – que são as de todos nós –, perguntaria
(a José, a Aníbal, a Pedro, a Paulo,
a António, a Catarina, a Jerónimo, a Heloísa,
a ti, a mim, a nós)

“Que fazer?”
E pediria, a todos, que respondêssemos à pergunta e não ao nome de quem a fez e quando a fez e como e a quem a fez: 
que fazer? Só!


Cá por mim, não tenho dúvidas. Eu, que sempre tenho dúvidas e tantas vezes me enganei e engano, desta vez não hesitaria. Faria a curva e continuaria o caminho, que só pode ser de luta.
Por futuro menos cifrão e mercado, mais humano. Tenha as curvas que tiver que ter.
Via: anónimo séc. xxi http://ift.tt/1O8uAQo

É TUDO TÃO SIMPLES!


O almoço corria bem. Calmo, sem atropelos nem tempos mortos. Até que um dos camaradas descortinou um sorriso irónico no outro.
– Qu’é que foi?…
– É que nisso que estás pr’aí com contas e complicações, a minha filha, ontem, mandou-me um mail que põe tudo a claro.
– Como assim?
– Dizia-me ela:
Suponhamos que aqui, na Universidade, temos quatro cursos,  um director e um Conselho. Na prática democrática, o director foi eleito por toda a comunidade universitária e o Conselho também, e houve agora eleições. Com campanha em toda a Universidade. Foram eleitos 45 elementos da Faculdade A, 35 da Faculdade B, 10 da Faculdade C e 10 da Faculdade D. Para a constituição do executivo da Universidade, o Director propôs elementos da Faculdade A; os 55 eleitos das outras Faculdades rejeitaram a proposta e afirmaram preferir um executivo tal como proposto pela Faculdade B, com a concordância dos eleitos da faculdades C e D. Têm todo o direito!, e tem o Director o direito de não o aceitar? Isto não é política, isto é democracia.
– Boa malha. A tua filha tem cá uma pinta… Vou aproveitar o exemplo e fazer um “post”.
O almoço continuou a correr bem Melhor…

Tudo ficção? Olhem que não, olhem que não!
Via: anónimo séc. xxi http://ift.tt/1MtRxLf

PARA OS QUE DEFENDEM OS AUTORES MORAIS DAS MATANÇAS

PARA CALAR ALGUNS IDIOTAS E MAL INTENCIONADOS QUE DEFENDEM OS QUE ORDENAM AS MATANÇAS, FINANCIAM O TERRORISMO PARA ESTABELECER FRONTEIRAS GEO-POLÍTICAS E SE APODERAREM DOS RECURSOS DE OUTROS PAÍSES.

AS VÍTIMAS NÃO SÃO SÓ FRANCESAS, FORAM HÁ POUCO TEMPO NO LÍBANO E AGORA NESTE MOMENTO ESTÃO A SER EM QUALQUER PARTE DO MUNDO.

ACABEM COM OS JOGOS DE GUERRA, DESOCUPEM OS TERRENOS ROUBADOS A OUTROS POVOS, NÃO ASSASSINEM PARA TER O PETRÓLEO, NÃO TREINEM, NÃO ENCHAM DE DINHEIRO OS COFRES DO TERRORISMO DO ISIS E ELE ACABARÁ !


Também duvidam do que esta sanguessuga diz ! ela conhece bem os cantos à casa.

António Garrochinho

E AGORA, JOSÉ? - O massacre, também ele pois claro, que nos é imposto pelas reaccionárias televisões portuguesas e os seus papagaios amestrados, é de uma violência estupidificante tão genuína que devemos dar por adquirido que o fascismo (a força radical/brutalizada da grande burguesia) em território nacional está ao leme dos destinos da Pátria, tanto ao nível do governo como da comunicação social.



E AGORA, JOSÉ?

O massacre, também ele pois claro, que nos é imposto pelas reaccionárias televisões portuguesas e os seus papagaios amestrados, é de uma violência estupidificante tão genuína que devemos dar por adquirido que o fascismo (a força radical/brutalizada da grande burguesia) em território nacional está ao leme dos destinos da Pátria, tanto ao nível do governo como da comunicação social.

O mártir Kadhafi bem proclamou que a criação destes terroristas inventados pelos EUA, se não fossem rapidamente vencidos, ver-se-ia uma onda de invasão de muçulmanos via Mediterrâneo até à Europa. Por alguma razão o líbio, Saddam Hussein e Bashar al-Assad foram escolhidos como responsáveis pela hecatombe civilizacional a que estamos a assistir. Dois deles já foram barbaramente assassinados.

As declarações torrenciais de tanto extremista nos canais nacionais é de cariz goebbelsiano. Quem ligue ao que é dito por estes imbecis encartados jamais perceberá alguma coisa do que se passa pelo mundo e no seu próprio país. Vale tudo. A propósito do horror de Paris, ouvi dois leitões garantirem o dever de continuação do governo laranja. A única ligação intelectual que vislumbro, de conexão entre os fascistas muçulmanos e os fascistas do ex-governo português, é o ódio rácico e a cobardia social.

Qualquer europeu dirá que o caos está há muito instalado. As políticas de consecutivo empobrecimento dos povos, o assalto constante às suas riquezas nacionais por parte do grande capital monopolista, a propagação “democrática” de que todos devemos ter voz, apenas serve para a construção fortificada dos “Le Pen” transtornados e famintos de beberragem sanguinária.

É claro que do ponto de vista necessário da resposta bélica, é a Rússia que mostra o caminho. Há que aniquilar estes filhos adoptivos dos EUA, que os polvilhou pelo Afeganistão, pelo Iraque, pela Líbia e pela Síria com mais intensidade. Enquanto não houver pão, paz e dignidade para todos, esta cruzada (dos dois lados) não terá fim.

Este estado de coisas é o ideal preconizado pelos EUA, pela Alemanha, pela Inglaterra e pela França. O mundo dificilmente sobreviverá, planetariamente, a esta lógica de guerra e de açambarcamento tenaz do capital. O lucro desmedido incensado como se fosse cocaína quase em estado puro, é o modo desenvolvimentista do neo-liberalismo de Bilderberg.


Guilherme Antunes (facebook)

Os 700 dias de cativeiro das escravas de Heitor - Como o empresário de Famalicão montou uma rede que durante dois anos aprisionou 40 mulheres portuguesas e brasileiras.



Como o empresário de Famalicão montou uma rede que durante dois anos aprisionou 40 mulheres portuguesas e brasileiras.

Heitor divide as mulheres em dois tipos. As de casa e as de fora de casa. Todas são prostitutas, mas as primeiras são portuguesas e as restantes vêm do Brasil. Em comum têm o empresário de Famalicão a controlar-lhes a vida – onde estão, com que homens vão para a cama e o lucro que tiram do sexo. É por pertencerem a categorias distintas que têm tratamento diferenciado. As de primeira classe recebem a maior parte do rendimento que tiram dos clientes. As de segunda vêem o salário confiscado e todos os movimentos controlados por seguranças, vedações e videovigilância.
.
Quarenta mulheres estão sob o seu domínio. Sobretudo aquelas que chegaram a Portugal sem papéis nem hipótese de escaparem à clandestinidade. Heitor não admite desvios nem atrasos e, para corrigir qualquer transgressão, conta com empregados fiéis, uma máquina bem montada e um quartel-general organizado em duas frentes, Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão, cidades onde abriu uma residencial e uma discoteca.

Antes de se dedicar ao tráfico e à exploração de mulheres vendia automóveis, mas os negócios eram ocasionais e tirava pouco mais de 500 euros por mês. Já foi modelador na indústria do calçado, carteiro e segurança privado. O dinheiro não chegava para sair de baixo das asas da mãe, auxiliar educativa que criou o filho sozinha depois de o marido, agente da PSP, abandonar a família quando Heitor tinha 12 anos.

Há pouco mais de sete anos conheceu Kelly no Brasil e lançou-se no negócio. Ela foi a primeira porta para conhecer os corredores em que a prostituição se move. Trouxe-a para Portugal e juntos montaram as bases da actividade. Kelly conhecia outras mulheres que andavam na vida e proxenetas que acabaram por ser os primeiros contactos do companheiro para montar a rede no Norte do país.

Heitor conta com angariadores no Brasil que lhe facilitam o contacto de mulheres interessadas em vir para Portugal. As prostitutas chegam por trajectos indirectos, entrando em aeroportos secundários de Espanha, Portugal e França e justificando as viagens com motivações turísticas, de modo a iludir os serviços de fronteiras. Os angariadores no Brasil tratam de todas as formalidades e as passagens são pagas por Heitor ou alguém a seu mando através da Western Union. Antes do dia do embarque, as mulheres recebem dinheiro de bolso para a viagem e instruções precisas sobre o comportamento a ter durante o voo. Atitudes contidas, roupa discreta e nem uma palavra a mais que o necessário.
.
Uma vez em território português, o empresário de Famalicão encarrega-se do resto. Heitor espera-as nos aeroportos, enfia-as numa carrinha e segue até à residencial. Pelo caminho explica as regras do jogo. Nenhuma saiu do Brasil ao engano – contou durante o julgamento –, e tudo o que têm de fazer já faziam antes. Quanto mais clientes seduzirem, mais dinheiro juntam. Um único senão: parte dos rendimentos obtidos será usada para pagarem a passagem e as despesas com alojamento e comida. Mas não será difícil, o dinheiro chega e sobra.

A factura 
 Só que nada restaria ao final de cada noite. As mulheres perceberam--no ainda antes de abrirem as malas. Mal se instalaram nos quartos chegou a factura. O passe, os encargos com a passagem, as despesas de deslocação, o dinheiro de bolso custam 3500 euros. A esse valor será acrescentada a diária, que corresponde ao acolhimento e à alimentação, entre 15 e 20 euros por dia. Para liquidarem a dívida, deveriam recorrer à prostituição, em regime de exclusividade, não podendo romper esse acordo nem ausentar-se definitivamente antes de saldar a dívida. Para acautelar fugas e saídas não programadas, Heitor criou um sistema de multas para punir faltas e atrasos não justificados.

O negócio do empresário de Famalicão não chegaria muito longe sem a ajuda de um grupo de funcionários da sua confiança para tomar conta da contabilidade, da segurança, da vigilância da portaria, do serviço de bar e do acolhimento das mulheres estrangeiras. A residencial está totalmente murada. Todos os espaços do edifício estão também equipados com sistema de comunicação rádio, campainhas de aviso e um circuito de iluminação e vigilância CCTV (Closed-Circuit Television, uma rede fechada de televisão), que permitem controlar os acessos de funcionários, colaboradores, clientes e intrusos.

Jornadas 
 As mulheres brasileiras e portuguesas têm uma jornada diária de 11 horas, sem contar com uma pausa de duas horas para descanso e refeições. A residencial funciona todos dos dias entre as 15h00 e as 20h00 e entre as 22h00 e as 4h00. A discoteca, em Santo Tirso, está também aberta entre as 22 horas e as 4h. Entre as várias tarefas que desempenham, as prostitutas têm de aliciar os clientes oferecendo bebidas e depois levando-os aos quartos. A tabela de preços varia consoante a hora. Na residencial são 25 euros por 20 minutos antes das 22 horas. Depois desse horário são 40, 50 e 100 euros consoante o período que passam no quarto – entre 20 minutos e uma hora. Ou 50, 65 e 100 euros na discoteca. Do total que as mulheres fazem por noite, uma parte reverte para Heitor: 10 euros na residencial e 15 euros na discoteca. O resto fica para elas. A não ser que tenham o azar de pertencer à segunda categoria de mulheres. Nesses casos, a totalidade dos rendimentos vai para o empresário, que usa essas quantias para abater a dívida do passe e da diária.
 .
À chegada a cada um dos estabelecimentos é distribuído a cada mulher um cartão de consumo com um número que corresponde a um campo da tabela de controlo. Quando uma delas solicita “um privado”, o funcionário regista no cartão dela e na tabela o acto de prostituição. Os preços são dissimuladamente anotados no cartão de cada cliente, entregue à entrada no estabelecimento, e pagos em regra antes de entrarem nos quartos.

O esquema de Heitor funcionou sem obstáculos durante dois anos, ou assim parecia. Um ano após abrir a discoteca e a residencial já os inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras começavam a suspeitar que dentro das casas haveria um grupo de mulheres aprisionadas e negócios obscuros. Ao longo de meses vigiaram os passos de Heitor e dos funcionários e, assim que recolheram indícios das actividades criminosas, irromperam na discoteca e detiveram dezena e meia de suspeitos e ainda 40 mulheres, 17 portuguesas e as restantes brasileiras.

Ao todo 15 arguidos foram a julgamento no Tribunal de Vila Nova de Famalicão. O colectivo de juízes deu como provados 12 crimes de tráfico de pessoas e um de branqueamento de capitais. Os condenados a pena efectiva foram Heitor, o cabecilha do grupo, Ivo, o seu gestor, e Kelly, a companheira, que apanharam 12, oito e seis anos de prisão. 

A Relação do Porto veio no entanto reduzir já este ano a pena do líder da organização para nove anos. Kelly viu também a sua pena desagravada para cinco anos de pena suspensa. Dos restantes 12 arguidos, três foram absolvidos e os restantes condenados a penas suspensas entre os cinco e os 14 meses de prisão.

As iniciais usadas no acórdão da Relação do Porto para identificar os arguidos foram substituídas por nomes fictícios.

* Negreiros comparáveis aos do século XIX para quem a justiça portuguesa  foi benevolente.




apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

Paris - "não tenhamos ilusões: a matança continua e irá continuar porque há quem lucre com ela, parasitas do ser humano, vampiros de sangue humano



Pelas entranhas maternas e fecundas da terra
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó Paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Natália Correia*
«Paris, noite de 13 de Novembro de 2015; depois de Paris em Janeiro de 2015, Nova Iorque, Madrid Atocha, Líbano centenas de vezes, enquanto se arrastam as tragédias da Palestina, Afeganistão, Síria, Iraque, Líbia, Iémen, Egipto, Somália, Mali, Nigéria. A matança continua através da mais bárbara das formas de guerra, a que vitima preferencialmente civis, famílias nas suas casas, cidadãos nos seus momentos de lazer, trabalhadores nas suas actividades, camponeses nas suas terras, crianças e professores nas escolas, doentes, médicos e enfermeiros nos hospitais, socorristas nos escombros. Guerra cega, selvática, conduzida por governantes, traficantes, negociantes da morte, impérios económicos e financeiros, militares, paramilitares, mercenários movidos a dinheiro, também marionetas da intoxicação religiosa e ideológica. Uma guerra sem quartel onde conceitos trapaceiros e expansionistas de democracia se combinam com o irredentismo da fé e a ganância fundamentalista dos agiotas, umas vezes em aliança, outras em dissidência, mistificação sanguinária onde os “chocados” de hoje, os “horrorizados” de ontem podem ser os algozes de Gaza, de Alepo, My Lai ou Haditha, Odessa, Sabra e Chatila, Kandahar ou do hospital de Kunduz, Tripoli ou Bahrein.

Em que se distinguem os massacres de sexta-feira em Paris e as matanças recorrentes em Gaza? O terror à solta em Abu Ghraib, Kandahar ou as bombas sobre o hospital de Kunduz e as chacinas de Odessa, Nova Iorque, no Charlie Hebdo ou quotidiana nas águas do Mediterrâneo? Que não se responda em função da dimensão, da cobertura mediática, do tom da pele ou do grau de “civilização” das vítimas. Uma morte é uma vida humana que se perde, a vida de alguém sem qualquer responsabilidade nas acusações invocadas, nos alibis expostos para eternizar a carnificina global, para atordoar a comunidade mundial através do terrorismo, a mais ignóbil das formas de violência.

Escutámos as primeiras reacções ao drama da noite parisiense: como se o fundamental fosse conhecer quem reivindica a autoria dos crimes, a que horas e de que maneira o faz. Reacções onde se exige mais segurança, mais espionagem sobre os cidadãos globalmente espiados, mais investimento em armas e exércitos, mais limitações à vida quotidiana e aos movimentos de quem já sofre as agruras da vida em crise permanente, em suma, mais guerra sobre a guerra. E poucas palavras ou simples alusões de raspão sobre as cada vez mais comprovadas colaborações entre o radicalismo islâmico e o fascismo, patentes no atentado contra o Charlie Hebdo e, na Ucrânia, na coligação armada para “libertação” da Crimeia; ou invocações por alto, quase sempre invertidas no contexto, das situações na Síria, no Iraque, na Líbia Bem alto na trágica noite parisiense, o secretário-geral da NATO mandou dizer que o terror não vencerá a democracia. Belas e promissoras palavras, pensarão os incautos ou quem ignora a responsabilidade institucional de quem assim fala nas tragédias em curso na Síria, no Afeganistão, na Líbia, na Ucrânia, na multiplicação de muros e barreiras por esta Europa afora.

Depois chegou a reivindicação: o Estado Islâmico, ou Daesh, ou ISIS, ou Al Qaida, ou Al Nusra, ou isto, aquilo ou aqueloutro, grupos financiados por entidades estatais de países da NATO, treinados em campos criados em países da NATO, como a Turquia, ou aliados da NATO como a Jordânia, armados e sustentados de mil e uma maneiras por íntimos da NATO como a Arábia Saudita, o Qatar, Israel. Aqui avulta o sentido humanitário do chefe do governo israelita, que enquanto planeia os próximos ataques a Gaza cede o território sírio ocupado dos Montes Golã para acoitar os terroristas do Estado Islâmico – os que se dizem autores da selvajaria de Paris - e oferece os hospitais israelitas para tratar os mercenários desse bando que forem vítimas da “ditadura bárbara” de Assad. O mesmo chefe de governo, Netanyahu, que foi dar o braço ao presidente Hollande na manifestação encenada por ocasião do Charlie Hebdo e que agora está, como não podia deixar de estar, entre os mais “chocados” e horrorizados”.

Por falar em François Hollande, um dos principais titulares dos “amigos da Síria” inventados em Washington, atrás dos quais se escondem Estado Islâmico, Al Qaida, Al Nusra e os famosos “moderados” – todos eles brilhando como estrelas reluzentes do terrorismo internacional –, ficámos a saber que por causa da situação teve de cancelar a deslocação à reunião do G20, um desses vários “gês” que nos governam sob as ordens dos mistificadores da democracia. Reunião essa na Turquia, país onde ficou demonstrada a falsificação das recentes eleições gerais para reforço da ditadura islamita e que tem servido de base operacional da NATO e de grupos terroristas – entre os quais o Estado Islâmico – para as guerras impostas à Síria, Líbia e Iraque.

Assim sendo, não tenhamos ilusões: a matança continua e irá continuar porque há quem lucre com ela, parasitas do ser humano, vampiros de sangue humano.» 
José Goulão, aqui

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* Poema e vídeos editados em "Paris, e agora?"


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