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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

As virgens ofendidas e o IMI



O PS e o PSD apareceram esta semana por Setúbal muito ofendidos por a Câmara Municipal de Setúbal ter anunciado a possibilidade de baixar o IMI.
Compreende-se.
Lá se vai a única bandeira que conseguiam ainda empunhar contra a gestão camarária da CDU. Por aquelas bandas já se veem lágrimas a rolar pelo canto do olho perante a perspetiva de perder o único argumento que ainda conseguiam usar contra a Câmara Municipal.
O choro convulsivo e os gritos de virgem ofendida soaram após ser conhecida a notícia que indicava que a DGAL, a Direção Geral das Autarquias Locais, havia respondido por carta à Assembleia Municipal, a pedido dos eleitos da CDU (pedido contra o qual o PSD votou contra), indicando que nada, no entender desta entidade, impedia a câmara de baixar as taxas de IMI praticadas em Setúbal, mantidas no máximo por a edilidade entender que o Contrato de Reequilíbrio Financeiro celebrado em 2004 para impedir a bancarrota municipal provocada pelo PS a tal obrigava.
Convém, no entanto, recordar que já tinha sido o próprio Ministério das Finanças a caucionar o entendimento municipal numa resposta sobre o assunto dada a deputados do CDS-PP no âmbito da sua atividade parlamentar. Vale a pena ler aqui a opinião jurídica da Inspeção Geral de Finanças sobre a matériapara se compreender que as opiniões legais sobre esta questão não são consensuais, pelo que todo o cuidado é pouco.
A Câmara Municipal, porque – de acordo com o que se lê nos jornais – considerou que estava perante uma clarificação de uma outra carta sobre o mesmo assunto já enviada pela DGAL, entendeu que poderia, agora sim, haver condições para baixar o IMI, ainda que, por segurança, tenha decidido pedir um novo parecer jurídico para apoiar a possibilidade de redução da taxa deste imposto.
Nenhuma outra atitude responsável poderia ter sido tomada, em particular numa autarquia que, nos últimos anos, talvez tenha sido das que mais vezes foi sujeita a variadas inspeções do poder central, o que significa que – e em especial nesta matéria – nenhum risco poderia ser corrido.
Só não entende isto quem não quer.
O verdadeiro escândalo desta história reside, porém, no manto de esquecimento com que o PS e o PSD querem cobrir as decisões que motivaram o brutal aumento do IMI em todo país, aumento que o PSD tentou atenuar com cláusulas de salvaguarda destinadas a caducarem em 2015 (cláusula que o PCP tentou que se prolongasse) ou com o IMI familiar, embora neste caso estejamos perante umamedida demagógica e oportunista, com a qual o poder central se intromete ostensivamente nas receitas do poder local, empurrando muitas câmaras municipais para becos sem saída ao colocarem-nas perante a pressão das famílias desejosas de algum alívio no brutal aumento de impostos a que foram submetidas nestes anos de Passos e Portas. E mais encostadas à parede ficam ainda as autarquias quando lhes vão reduzindo transferências do Orçamento de Estado por via de novas alterações à Lei das Finanças Locais, quando lhes querem transferir novas competências sem o devido envelope financeiro, quando o abrandamento da atividade económica lhes retira receitas fundamentais para a gestão corrente e novos e necessários investimentos.
No governo da nação, porém, já o PSD não é tão simpático, em especial quando anuncia em campanha eleitoral devoluções de 35 por cento da sobretaxa de IRS, redução que, depois de contados os votos, lá se vem a saber que não será assim tão significativa.
É, pois, necessário recordar que a reforma dos impostos sobre o património imobiliário de onde nasceu o IMI foi decidida e aprovada por um governo do PSD e a reavaliação deste património foi acelerada pelo memorando da troika negociado entre PS e PSD (pontos 6.3 e 6.4), os mesmos partidos que tanto se escandalizam com as taxas máximas praticadas em Setúbal desde 2002, quando o presidente Carlos Sousa, perante a situação de pré-falência em que o PS deixou a câmara, foi forçado a subir a Contribuição Autárquica, a antecessora do IMI, para valores máximos, valores que se mantiveram no máximo graças ao entendimento de que o Contrato de Reequilíbrio Financeiro a tal obrigava.
As taxas máximas não constituíram motivo de preocupação até ao momento em que os prédios foram reavaliados em 2012 e 2013, alguns para valores dez a quinze vezes acima do valor que tinham até então, o que significa que a taxa teria, obrigatoriamente, de subir na mesma proporção. Por que razões ocultam o PS e o PSD estas questões? Será porque sabem as culpas que têm no cartório?
Avaliar politicamente a questão do IMI em Setúbal sem recordar o que está na base do problema (a reavaliação de imóveis decidida com a troika) como fazem o PS e o PSD só pode ser entendido como mais uma evidência de pouca seriedade política, em particular porque o problema das taxas máximas não é exclusivo de Setúbal. Veja-se o caso de Portimão, uma autarquia socialista na falência, onde se aplicam taxas máximas por imposição dos programas de recuperação financeira em vigor.
Ou será que aí já se justifica taxa máxima sem que nenhuma virgem ofendida venha para a rua vociferar contra os valores praticados pelo mesmo que em Setúbal tanto protesta?
Finalmente, é verdadeiramente incompreensível que, no plano nacional, o PS e o PSD não manifestem o mesmo vigor na defesa da redução das taxas de IMI para todos os concelho do país, reduções que, de resto, foram até propostas pela ANMP, que defende uma baixa da taxa máxima de 0,5 para 0,4 por cento. Digam-nos então porquê sff.
(É uma vergonha que o Estado não consiga (queira) introduzir mecanismos automáticos de avaliação dos valores patrimoniais dos imóveis, o que permitiria que muita gente tivesse, automaticamente, significativas reduções de IMI. Enquanto isso não acontece, a DECO tem um guia muito completo para quem queira mandar reavaliar o seu imóvel e, assim, eventualmente, pagar menos)

pracadobocage.wordpress.com

Vaticano prende padre e leiga suspeitos de divulgarem documentos confidenciais

Faziam parte da comissão criada pelo Papa em 2013 para supervisionar a reorganização da cúria romana.









O padre espanhol Lucio Angel Vallejo Balda e a leiga 

italiana Francesca Chaouqui foram detidos este fim-de-semana pela polícia do Vaticano, sob suspeita de terem divulgado informação confidencial da Santa Sé a jornalistas.
Os dois eram respectivamente membro e secretário da comissão criada pelo Papa em 2013 para supervisionar a reorganização da cúria romana, nomeadamente das divisões económicas e administrativas. Depois da extinção dessa comissão, a maioria dos membros, incluindo o padre Balda, passou para uma nova comissão económica, mas Chaouqui não foi reconduzida.
Num comunicado emitido pela Santa Sé esta segunda-feira, explica-se que Chaouqui foi libertada depois de ter manifestado vontade de colaborar com a investigação. Balda, que era actualmente secretário da prefeitura para os assuntos económicos da Santa Sé, permanece detido. Não há memória de um funcionário tão alto da Santa Sé ser detido no Vaticano.
A notícia da detenção surge três anos depois do escândalo Vatileaks e a poucos dias do lançamento de dois livros, escritos por jornalistas italianos, que prometem revelar escândalos do Vaticano. Sem dizer directamente que os dois factos estão ligados, o comunicado do Vaticano fala também dos dos livros, acusando os seus autores de beneficiarem de uma "séria violação da confiança do Papa" e de actos ilícitos.
Nomeação polémica
A nomeação de Francesca Chaouqui nunca foi pacífica. Nomeada com apenas 30 anos, a especialista em Relações Públicas viu-se imediatamente envolvida numa série de escândalos, incluindo mensagens do Twitter acusando o cardeal Bertone de ser corrupto e alegando que o Papa Bento XVI sofria de leucemia.
Francesca Chaouqui negou a autoria das mensagens, dizendo que eram montagens, e culpou os inimigos da reforma levada a cabo pelo Papa Francisco de a tentarem descredibilizar.
Quando foi canonizado o Papa João Paulo II, Francesca Chaouqui participou numa festa luxuosa no terraço de um edifício do Vaticano. Na altura, soube-se que o Papa Francisco tinha ficado furioso com as despesas da festa e foi dito que a especialista em relações públicas tinha organizado o evento, algo que também negou.
Quem é o padre Vallejo Balda?
O padre Lucio Angel Vallejo Balda tem cerca de 55 anos e é oriundo de Espanha, onde foi ordenado padre na Sociedade Sacerdotal de Santa Cruz, do Opus Dei. Em 2011 foi um dos principais organizadores das Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid.
As suas capacidades administrativas ao serviço da diocese de Astorga chamaram a atenção do Vaticano, que o nomeou para a prefeitura dos assuntos económicos.
Apesar de ter sido nomeado como secretário, o documento oficial da nomeação dava-lhe também "poderes de delegação e para agir em nome de e em representação da comissão na recolha de documentos, dados e informação necessária para o desempenho das funções institucionais".
O Opus Dei já reagiu à notícia da sua detenção. Num comunicado, o gabinete de informação revela "surpresa e dor" com a acusação de que o padre é alvo, sobretudo, lê-se, porque "a ser certa, seria particularmente doloroso pelos danos feitos à Igreja".
A organização esclarece que a Fraternidade de Santa Cruz apenas presta apoio espiritual aos seus membros, não tendo o direito de interferir no ministério pastoral ou no trabalho que desenvolvem ao serviço da Igreja.
"Monsenhor Vallejo foi chamado a trabalhar em Roma pela Santa Sé, de acordo com o seu bispo. A prelatura do Opus Dei não interveio nem soube da decisão até ser tornada pública. Os superiores de Monsenhor Vallejo são os da Santa Sé e o bispo da diocese onde está incardinado", explica a nota, que acrescenta que o Opus Dei não sabe nada sobre o processo que envolve este sacerdote.


Chaouqui, que já atraiu controvérsia por postar fotos nuas de si mesma e fazer comentários anti-Vaticano sobre a mídia social

A CONSCIÊNCIA DO LOBO...


...
— Eu sei, Oskar Kapriolo – recomeçou o Lobo – Sei o que sentes. Ouves-me falar e entendes-me, mas não podes responder. – (O Lobo parecia adivinhar-me os pensamentos). – Eu sei o que isso é. Já experimentei essa impossibilidade. Eu e todos os outros animais, meus companheiros, que não foram dotados do dom da palavra. As palavras, Oskar Kapriolo, não te esqueças nunca, as palavras são mágicas, reflectem a superioridade de um homem, em relação a um lagarto. Porém, tal superioridade só será válida se fizer parceria com o saber benéfico, para que o homem possa resgatar o lagarto da lama que o sufoca, ou a mosca da prisão que uma janela fechada representa. 

As palavras, Oskar Kapriolo, neste momento, permitem-me ser superior a ti e, ao mesmo tempo, sentir compaixão pelo teu desespero, pela impossibilidade de não poderes perguntar-me tudo o que te atormenta. 

Contudo, quero que saibas que não usarei esta minha capacidade para te esmagar, como o homem esmagaria o lagarto preso na lama, ou a mosca diante de uma janela fechada. Porque eu sou o Lobo. Não o lobo. O lobo feroz. O lobo mau, das histórias que contam às crianças humanas. Não o lobo do aforismo de Plauto, homo homini lupus – o homem é o lobo do homem, em alusão à crueldade com que os homens se prejudicam mutuamente! Que ideia mais desacertada! Os animais que os homens consideram irracionais, na verdade não o são. Sabias? – (sim, eu sabia, e ele também sabia que eu sabia. Mas como dizer-lhe? Acenei com a cabeça.) – Apenas não lhes foi permitido a dádiva da palavra, por isso, nunca puderam defender os seus pontos de vista, os seus direitos, as suas angústias, como criaturas vivas, habitantes deste Planeta, que não pertence apenas aos homens, como tão bem sabes. 

E no entanto, sempre ouvimos e sofremos, acomodados, as torturas, as calúnias, os absurdos, as crueldades, os impropérios a que os homens, na sua mais bisonha ignorância, nos sujeitam. Consideram-nos seres inferiores, animais que se deslocam sobre quatro patas. Eles não! Gabam-se de se deslocarem sobre duas pernas. Mas também as galinhas se deslocam sobre duas pernas e, nem por isso, são criaturas superiores! É verdade que não somos capazes de nos expressarmos com palavras, mas comunicamos através dos nossos olhos e de sons que dizem tudo: dizem da nossa alegria, mas também do nosso desespero. Dos nossos sentimentos. Dos nossos sofrimentos. Contudo, ninguém os entende como tal. 

Porém, tu, Oskar Kapriolo, tu és um dentre aqueles Homens que intuem estas coisas, que sabem interpretar a nossa linguagem e que conhecem, igualmente, o sentido cósmico da vida. Sabes ler nos nossos olhos que, em rigor, sempre disseram tudo, porque nada há de mais eloquente do que os olhos de um animal, para dizer dos seus desejos, das suas alegrias, das suas frustrações, do seu sofrimento, da sua dor, sem precisar de palavras. E até as pedras, consideradas por tantos outros homens, coisas sem alma, tu veneras como seres que fazem parte do Universo, ainda que seres inanimados. Amas as pedras e as montanhas, como amas as flores e as árvores, como amas os pequenos lagartos verdes que se aquecem ao sol, à beira dos rios. Sabes respeitar todas as criaturas, porque intuis a génese da criação. 

Afirmas que o homem é apenas uma entre milhares de outras criaturas. E dizes bem. Consideras que todos os seres vivos são seres animados, logo, com ânimo, que é o mesmo que alma. Tomás de Aquino dizia que a alma de um animal não participa num ser eterno, porque nos animais não encontramos qualquer aspiração à eternidade. O que sabia Tomás de Aquino do pensamento dos animais? Nada. Por isso, cometeu um grande erro ao dizer o que disse. 

Tu falas da alma dos animais, da alma das plantas como da tua própria alma. Dizes que Deus criou o mundo para que o homem pudesse partilhá-lo, em pleno pé de igualdade, com as restantes criaturas. Eu sei. Por mais do que uma vez, tentaste transmitir aos homens essa tua descoberta: a sensibilidade que existe em todos os seres animados e o mistério inerente ao silêncio dos seres inanimados. Contudo, uns, simplesmente, ignoram-te, e outros temem aceitar as tuas certezas intuídas. Consideram-te um nefelibata, flutuando num mundo que inventaste só para ti. Por isso, és prezado por poucos, e tão odiado por tantos. 

in «A HORA DO LOBO» © Josefina Maller
blog Galatea e Triton

A PINTURA DE JÚLIO ROMERO DE TORRES

Julio Romero de Torres nasceu em Córdoba em Espanha, que seria a cidade onde ele iria passar a maior parte de sua vida. 


Seu pai, Rafael Romero Barros, também foi um famoso pintor espanhol, além de ser o fundador e diretor do (Museu Provincial de Belas Artes), em Córdoba. 


Como resultado, Julio Romero de Torres foi cercado por arte e pinturas a partir de uma idade jovem.






















 o pintor Júlio Romero de Torres











ESTAMOS CONVOCADOS!



assembleia 10 novembro

«No dia 10 votamos também, na rua, a queda do governo. E que seja esta a hora de comemorar! Para todas e todos os que se bateram e lutaram contra o governo da austeridade a oportunidade é histórica: juntemos os nossos aplausos e façamos deste momento o corolário lógico de todas as saídas à rua, de todas as greves, de todas as manifestações: 15 de Outubro, 15 de Setembro, 2 de Março, as greves gerais de Novembro: nada foi em vão. Respondemos todas e todos ao apelo da CGTP, trabalhadores, estudantes, pensionistas, desempregados, trabalhadores precários e mostremos que estamos na rua em luta para a queda do governo. Continuaremos vigilantes e atentos.»  
Via: anónimo séc. xxi http://ift.tt/1RpQVK4

Uma comunicação social hegemonizada pela direita




A situação política decorrente das eleições de 4 de Outubro permanece incerta. Mas a alteração que introduziu na correlação de forças parlamentar tem produzido algumas importantes clarificações.
Uma delas diz respeito ao panorama dos grandes órgãos de comunicação social, e à hegemonia da direita em todos eles, da linha editorial à esmagadora maioria dos comentadores e cronistas. De boa parte já era conhecido o reaccionarismo e a cega fidelidade ao grande capital. Outros passaram da justificação “técnica” das bárbaras políticas de exploração, desigualdade e marginalização social que a actual crise do capitalismo agudizou - sob a forma de “memorandos” e outras - ao mais cavernícola anticomunismo. Outros passaram de uma falsa “esquerda” a posições de extrema-direita. Todos dispõem de todo o espaço e de todo o tempo para produzirem um massacre ideológico diário, repetindo e partilhando obcessivamente os mesmos argumentos, os mesmos preconceitos e os mesmos espantalhos.
A informação é manipulada e a realidade é moldada a esta avassaladora campanha. A mesma comunicação social que permitiu que o governo PSD/CDS fizesse passar durante mais de um ano os seus falsos “sucessos” na economia e no emprego trata agora a tomada de posse do governo de Passos e Portas como se tal encenação constituísse uma realidade. E é essa falsa realidade que apenas existe no plano mediático que permite a Passos proferir um discurso delirante enumerando sucessos, e Cavaco Silva designar tarefas que esse governo nunca irá desempenhar.
O recrudescimento da gritaria anticomunista é particularmente significativo. Nada indica que o PCP venha a assumir quaisquer responsabilidades governativas, ou que algum dos seus objectivos políticos de fundo venha a ser assumido por um governo que tenha o PS como base. O que tal gritaria traduz é apenas o velho e atávico ódio da reaccionária grande burguesia portuguesa aos trabalhadores e ao povo. E à democracia.
Os grandes órgãos de comunicação social estão nas mãos do grande capital. O seu comportamento nestes dias confirma que nas condições do Portugal de hoje, como nas do de ontem, o poder do grande capital e um regime verdadeiramente democrático são incompatíveis.
Os Editores de odiario.info

www.odiario.info

Cheias no Algarve: Governo diz que "alertas funcionaram" e pessoas "deviam ter seguro"



O novo ministro da Administração Interna deslocou-se ao Algarve, na sequência das cheias de domingo, para ver de perto os danos. Calvão da Silva defende que houve prevenção, mas não se esperava que a "fúria" da natureza fosse da dimensão que se verificou, sobretudo em Albufeira.
 .
"Apraz-me registar que os alertas funcionaram, as pessoas tomaram as medidas preventivas. O que acontece é que as medidas preventivas normais não foram suficientes, mas não significa que as medidas tomadas não tenham atenuado apesar de tudo os danos catastróficos que se verificaram", disse o responsável, citado pela TVI24.

Para além dos danos patrimoniais, o ministro destacou o "problema maior": um homem de 80 anos que perdeu a vida, quando foi arrastado pela água em Boliqueime.

Questionado pelos jornalistas, o governante insistiu que "as forças operacionais e os comandos funcionaram muito bem, preventivamente, não só por sms, mas também por mail". O problema é que, em Albufeira, houve "uma fúria da natureza que se revoltou" e o alerta passou para um nível de protecção distrital.

O ministro deu ainda conta que muitos dos lesados com quem falou já accionaram o seguro. Quem não tem, devia ter: "Para quem não tem seguro, aprende em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho [de dinheiro] para no futuro ter seguro".

A solução para essas pessoas é, agora, "esperar o levantamento feito pela autarquia e esperar que os requisitos de calamidade se justifiquem" para decretar esse estado e, assim, serem ajudados.

* O defensor emérito da idoneidade dos 14 milhões de Ricardo Salgado é um ministro acabado de chegar ainda desinformado, não sabe que dois milhões de portugueses não têm 5 euros para uma consulta no médico de família, quanto mais dinheiro para ter seguro. Já é o ministro do ridículo.



apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt


A HISTÓRIA DOS 3% E 60 %


VÍDEO









 

VARIAÇÃO DAS REMUNERAÇÕES NOMINAIS E REAIS EM PORTUGAL (2011 / 2014)


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Clicar na imagem para ampliar

Enquanto os lucros da EDP não paravam de aumentar, as remunerações e os ganhos dos trabalhadores portugueses, quer em valores nominais quer em valores reais (depois de deduzir o efeito do aumento de preços), não parava de descer. Assim, neste período (Outubro de 2011 e Outubro de 2014), a remuneração base média mensal nominal dos trabalhadores portugueses diminuiu em 24,5€, e o ganho médio mensal nominal baixou em 18,1 euros. Em termos de poder de compra registou-se uma redução que variou entre4,3% e 5,2%. E isto sem entrar em conta com o efeito do aumento enorme de impostos (IVA e IRS) verificado neste período..

Via: O CASTENDO http://ift.tt/1Wu86v2

É PRECISO CUIDADO COM ESTE MALABARISTA ! - Belém. Direita incomodada com Marcelo

Marcelo aposta em captar votos ao centro para vencer à primeira volta
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Marcelo vai manter tom “centrista” na campanha presidencial. Os 38% da coligação não chegam para vencer as eleições. Mas a direita começa a ficar desagradada.

Depois da Festa do Avante!, uma sessão de campanha presidencial na Voz do Operário. A direita até nem se importaria muitos com a simbologia do lugares se não fosse o candidato Marcelo, num dos momentos mais bipolarizados da vida política portuguesa, recusar-se expressamente a dar a mão à sua família política. Nas hostes do PSD e do CDS já é visível um certo mal-estar. “Marcelo não pode estar a hostilizar os seus para estar de bem com os outros. Escusa de bater em quem gosta dele. Não precisa de atirar panos molhados à cara dos seus apoiantes naturais”, diz ao i um membro do novo governo Passos.
Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS que já tinha defendido a necessidade de a direita ter outro candidato, afirma ao i: “O que eu vejo é que todos os candidatos presidenciais estão em linha com os interesses do PS e da sua direcção, de Sampaio da Nóvoa a Maria de Belém, passando por Marcelo Rebelo de Sousa, que não defende a única saída política democrática que é a convocação de novas eleições.”
No sábado, em Coimbra, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a não alegrar a sua família política. Para já, descartou logo a hipótese de novas eleições, alegando que o país não podia ser sujeito a eleições legislativas “de seis em seis meses”. Quanto ao resto, os sinais todos do seu discurso foram muito mais agradáveis para o PS e partidos à esquerda que para a coligação que agora formou governo.


jornal i

A ENTREVISTA DE JERÓNIMO DE SOUSA A ANA LOURENÇO


O PODER SEM FANTASIAS

Não contava escrever sobre esta entrevista. Tudo me pareceu tão fácil de interpretar …mas afinal não foi. Tenho ouvido e lido as mais díspares interpretações sobre a entrevista. E pior do que isso tenho pressentido estados de alma com que também não contava, que vão desde a indisfarçável depressão à euforia de quem afirma “eu não dizia…”.

Há até quem cite filósofos, um dos mais importantes nomes da filosofia política, para a partir daí concluir que Jerónimo não está à altura das circunstâncias. Uns dizem que lhe falta a Virtu outros a Fortuna que Maquiavel tanto enfatizou.

Como Maquiavel, o primeiro grande nome da modernidade, me é bastante caro por tudo o que lhe devemos na compreensão da política, achei que não deveria manter-me à margem deste debate, apesar, como já disse, de tudo me ter parecido demasiado óbvio e justificável.

O que Jerónimo ontem disse foi o que outros, que nem ao Partido Comunista pertencem, se não têm cansado de dizer. A saber: o que está em discussão com o PS é a negociação de um programa mínimo que incide fundamentalmente sobre os rendimentos.

A negociação e futura aplicação de um programa desta natureza tem consequências macroeconómicas que ninguém pode negar. Mas Jerónimo não acalenta ilusões. Sabe que há constrangimentos que pesam negativamente sobre a economia portuguesa e o futuro do país como Estado soberano. Jerónimo não aceita que esses constrangimentos se traduzam na limitação do Estado social, no corte das pensões nem na diminuição dos rendimentos do trabalho.

O PS também não quer estas consequências. Essa é aliás a essência da sua crítica à governação de Passos Coelho. Esse foi sempre o discurso de António Costa. Logo, algo de novo surgirá…

O que Maquiavel trouxe de novo à política foi o realismo. Encarar o poder como ele realmente é. Sem fantasias nem moralidades. E além disso a crença na vitória do novo sobre o velho.

Só quem não compreendeu a entrevista pode ter ficado decepcionado ou, pior ainda, ter considerado que Jerónimo não esteve à altura do que as circunstâncias exigiam.


Quem esperava foguetes e champagne continua a olhar a política numa perspectiva pré-maquiavélica. 

O que de certa forma não admira porque estamos todos, uns mais outros menos, muito contaminados pela mediocridade do comentário político que por ai se vai fazendo.



politeiablogspotcom.blogspot.pt

da necessidade de um Governo PS-PCP-BE


O PSD e o CDS podem utilizar-se dos sofismas que entendam, podem continuar a tentar enganar as pessoas com balelas analfabetas para amedrontar, métodos em que são useiros e vezeiros. Mas não podem fazer nada quanto à realidade, traduzida na implacável objectividade dos números: a maioria -- claríssima -- dos portugueses quis vê-los pelas costas.
A situação do país é a que é, pouco famosa; a situação internacional, UE incluída, é um pavor. Por isso, um  Governo resultante de um acordo entre os três partidos da esquerda, se o que pretende é não apenas varrer a direita do poder, mas reparar os estragos que essa mesma direita causou ao país, governando contra os portugueses, e recuperar alguma credibilidade internacional -- não, não é a vergonhosa postura acocorada diante dos mercados e da Europa, mas um Governo que se dê ao respeito --, um Governo assim terá, não apenas de estar fortalecido com um programa que tenha por base o acordo que será assinado, como ter o cabedal suficiente para fazer face à artilharia da direita, que, como se está a ver, não hesitará em fazer o que for preciso para regressar ao poder.
Claro que ela só terá força política se lha derem, de bandeja como muitos esperam, a começar pelos idiotas úteis no PS. Parece-me, pois, que será fundamental formar um Governo em que os três partidos estejam comprometidos com a própria governação.


abencerragem.blogspot.pt

Bilionários: o capitalismo e suas aberrações


Bilionários: o capitalismo e suas aberrações


por Diário Liberdade - Júlio Bonatti
"O mais interessante é que eles inventaram uma religião própria: o Empreendedorismo. Dizem que já ultrapassou o cristianismo em número de adeptos. Alguns de seus mantras são do tipo: “Tenha perseverança e acredite nos seus sonhos”; “Tempo é dinheiro”; “Um dia sem lucro é um dia desperdiçado” etc.
Em seus cultos os fiéis costumam dar o testemunho de como ganharam o primeiro milhão de dólar antes dos vinte anos de idade – e quem não segue esses modelos de superação de “quem venceu na vida”, jamais poderá ocupar um lugar no olimpo dos bilionários. E a juventude de uma nova “geração de valor” idolatra esses heróis, lê suas hagiografias, repete suas palavras santas de manhã antes de ir à labuta."
Vencedores, santos, heróis... muitas são as alcunhas que recebem por aí determinados indivíduos do mundo capitalista que concentram imensas fortunas.
Esses são os “bilionários”, uma espécie distinta de ser humano que precisa de uma quantidade excessiva de dinheiro para levar adiante a vida.
Mas não são muitos. Enquanto os homens e mulheres normais se encontram no rol dos sete mil milhões de pessoas, os bilionários mal passam de umas duas mil cabeças. Vivem em nichos específicos, habitats criados por eles e para eles, numa forma de “seleção artificial” dos espaços e dos espécimes aptos a uma reprodução adequada.
Alguns biólogos disponibilizam um catálogo para acompanhar o desenvolvimento desses veneráveis bilionários, todos minuciosamente controlados em tempo real: medidos, pesados, bem tratados e biografados. [Quem tiver curiosidade pode acessar o seguinte sítio:http://www.infomoney.com.br/bloomberg/bilionarios]
A fisionomia dos bilionários é bem semelhante, tanto que alguns estudiosos dizem que essa proximidade de características físicas é um sinal de que constituem de fato uma nova espécie. São em geral brancos, de cabelos grisalhos, do sexo masculino, com peso acima dos padrões do continente africano e asiático, possuem a maioria dos dentes em ótimo estado de conservação e estão sempre sorridentes em festas e comemorações.
Os bilionários costumam promover a filantropia, ou seja, doam esmolas para outros humanos que não se esforçaram o suficiente para nascer em um berço de ouro. Às vezes criam fundações, instituições comunitárias com fim de auxílio aos pobres e desvalidos – tudo com a verdadeira finalidade de abater o custo de suas obrigações tributárias, mas nada que ultrapasse 1% do lucro anual de suas empresas.
Todavia, não se deixe enganar: eles não são dóceis. Se há algo importante a salientar é o costume sádico dos bilionários: muitos ainda utilizam formas de trabalho escravo, mas tudo devidamente adequado às leis locais dos países onde investem. Boa parte deles se dedica à prática de exploração chamada “especulação financeira”, outros à venda de drogas e de armas. Deram uma vestimenta civilizada para a apropriação do tempo de seus empregados, mas ainda continuam desempenhando a predação e pilhagem como bons bárbaros.
O mais interessante é que eles inventaram uma religião própria: o Empreendedorismo. Dizem que já ultrapassou o cristianismo em número de adeptos. Alguns de seus mantras são do tipo: “Tenha perseverança e acredite nos seus sonhos”; “Tempo é dinheiro”; “Um dia sem lucro é um dia desperdiçado” etc.
Em seus cultos os fiéis costumam dar o testemunho de como ganharam o primeiro milhão de dólar antes dos vinte anos de idade – e quem não segue esses modelos de superação de “quem venceu na vida”, jamais poderá ocupar um lugar no olimpo dos bilionários. E a juventude de uma nova “geração de valor” idolatra esses heróis, lê suas hagiografias, repete suas palavras santas de manhã antes de ir à labuta.
Poderia falar horas a fio de seus hábitos, tanto alimentares, sexuais, como de outra forma qualquer de socialização, mas não é do meu interesse. Na verdade, vim apenas registrar a vontade que ouvi de um menino de rua hoje no semáforo vendendo doces: ele me disse que um dia queria se encontrar cara a cara com um desses figurões e meter-lhe um soco na boca do estômago.