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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

EM 1989 FOI ASSASSINADO PELOS SKINHEADS O MILITANTE REVOLUCIONÁRIO JOSÉ CARVALHO (PSR)

José Carvalho (1963 - 1989), foi um destacado militante do Partido Socialista Revolucionário (PSR).




Em 1975, adere aos SUV - Soldados Unidos Vencerão, o qual pretenderia tornar-se num factor de polarização da política nacional.
A 28 de Outubro de 1989, José Carvalho é esfaqueado mesmo à porta da sede do PSR, na Rua da Palma em Lisboa, vindo a falecer.
Tudo terá acontecido quando um grupo de "white skinheads" oriundo da Margem Sul forçou a entrada na sede do partido, onde estava a decorrer um concerto inserido numa campanha antimilitarista promovida pelo PSR. Os militantes tentaram impedir a entrada do grupo, e no meio da confusão e das agressões, José Carvalho cai no chão vítima duma facada no peito.
A Polícia Judiciária faz algumas detenções, enquanto que algumas vozes defendem que o crime teve motivações políticas.
Pedro Grilo, o assassino, seria condenado dois anos depois por todas as instâncias jurídicas, bem como alguns dos seus cúmplices.




VÍDEO









Este vídeo foi lançado na festa/concerto de homenagem a José Carvalho em 30 de Outubro de 2009, na Caixa Económica Operária.


No dia 28 de Outubro de 1989, um bando nazi de cabeças-rapadas assassinava José Carvalho à porta da sede do PSR, onde decorria um concerto antimilitarista.


José Carvalho - o "Zé da Messa", como era conhecido por todos - fez parte da Comissão de Trabalhadores da Messa, a empresa de máquinas de escrever que em tempos foi o maior empregador no concelho de Sintra, com mais de mil e quinhentos trabalhadores. 


Em 1985 fechou portas, deixando centenas de pessoas com salários em atraso. Nos anos seguintes, o Zé da Messa foi um dos activistas que organizaram a luta pelos direitos destes trabalhadores.


Dirigente do PSR desde o fim dos anos 70, José Carvalho foi um dos impulsionadores do trabalho antimilitarista do partido, após ter participado nos SUV - Soldados Unidos Vencerão, um movimento de militares pela democracia nos quartéis constituído em 1975. 


Doze anos mais tarde, foi um dos responsáveis pela organização dos concertos do bar das Palmeiras, que envolveu dezenas de bandas rock contra o serviço militar obrigatório. Foi num destes concertos que viria a ser assassinado pela extrema-direita.

Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados há 39 anos



O Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados há 35 anos, num atentado da extrema-direita





















Este é um grande escândalo da democracia portuguesa, um padre e uma jovem foram assassinados à bomba pela extrema-direita, mas os autores do crime nunca foram condenados. O Padre Max era então candidato independente a deputado na lista da UDP (União Democrática Popular) e o assassinato foi organizado pelo movimento fascista MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal). Os tribunais chegaram a admitir que o atentado partiu do MDLP. Três homens chegaram a ser acusados da autoria moral e outros quatro de terem sido os operacionais, mas os tribunais foram incapazes de uma condenação.
O Padre Max morreu quando tinha 33 anos, era professor do liceu e uma figura muito popular na região. O MDLP era um movimento da rede bombista de extrema-direita que se dedicava a perseguir e atacar pessoas de esquerda, sobretudo no Norte do país. O Padre Max e Maria de Lurdes davam aulas de Português e Francês a adultos na Casa da Cultura da Cumieira, uma freguesia próxima de Vila Real. Quando se deslocavam de carro entre a Cumieira e Vila Real, a bomba explodiu, accionada por controlo remoto e os dois morreram.
O primeiro processo sobre o crime foi arquivado em 1977, por falta de provas. Em 1989, o processo foi reaberto pelo Tribunal da Relação do Porto. Foram indicados sete responsáveis pelo atentado: O cónego de Braga Eduardo Melo, o empresário Rui Castro Lopo, e o ex-membro do Conselho da Revolução Canto e Castro, como autores morais; Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira, como autores materiais. Mas, o processo foi novamente arquivado, por falta de provas.
Em 1996, o Tribunal da Relação do Porto reabriu de novo o processo, tendo sido apenas pronunciados os quatro autores materiais, que foram absolvidos em 1997, por falta de provas. Posteriormente, o Supremo Tribunal de Justiça anulou o acórdão e foi marcado novo processo, que a 21 de Janeiro de 1999 absolveu os arguidos e ninguém foi condenado, apesar do Tribunal admitir que o ataque teria partido do MDLP.

 O advogado Mário Brochado Coelho, que durante mais de 20 anos tudo fez para que o caso fosse a tribunal e os responsáveis fossem condenados, salientou que "o tribunal achou que eles tinham feito alguma coisa, mas não conseguiu reunir provas concretas de que o fizeram. Eu próprio concordei com essa decisão, porque na justiça ninguém pode ser julgado sem provas claras". Mário Brochado Coelho, concluiu então: "Mataram premeditadamente o padre Max, mesmo sabendo que ele levava no carro uma jovem - o que é típico da extrema-direita portuguesa, do absolutismo até hoje".
“A Lurdes Correia, estudante em Vila Real, filha de emigrantes em França, sucumbiu de imediato à explosão da bomba no Simca, que matou também Max. A morte veio assim à traição no 1º dia de vigência da Constituição de Abril. A Lurdes alfabetizava camponeses, deu rosto à luta estudantil contra o caciquismo reaccionário, não temeu os fascistas que agiam abertamente pelo regresso à ditadura. Militante da União de Estudantes pela Democracia Popular(UEDP) era o entusiasmo da revolução que a sobressaltava. 35 anos depois a memória venceu o tempo porque outros jovens estremecem destinos”.

www.esquerda.net
Porque mataram o Padre Max
 Trinta e nove anos de silêncio

No hospital perguntaram-lhe o que se passara. Ele respondeu:
– Colocaram-me uma bomba no carro e agora está a arder, mas não faz mal. É esta a democracia portuguesa.
De seguida, entrou em coma. Faleceu às seis horas e vinte minutos do dia 3 de Abril de 1976. Tinha 32 anos e dizia que não chegaria à idade de Cristo.
O atentado contra o Padre Maximino Barbosa de Sousa (Padre Max) e a sua aluna Maria de Lurdes Correia deu-se no dia anterior, ainda antes da meia-noite, em Vila Real, na estrada que liga esta cidade à freguesia da Cumieira. Uma bomba sofisticada, comandada à distância, pôs fim à liberdade de expressão de um sacerdote que, com toda a legitimidade, acreditava que um outro mundo seria possível, menos cruel com os pobres, na linha da sua interpretação que fazia do Evangelho. Maria de Lurdes teve morte imediata à explosão.
O Padre Max aceitara ser candidato como independente nas listas da UDP pelo círculo de Vila Real nas eleições para a Assembleia da República, marcadas para o dia 25 desse mês. A jovem, que fora aluna do padre e que passou entretanto a dar aulas com ele à noite, para estudantes-trabalhadores, era uma entusiasta militante da UDP.
O crime da Cumieira ficou impune. A bem dizer, está esquecido, graças ao manto de silêncio que cobre o caso, graças a estranhas cumplicidades e acordos. À direita e à esquerda. São poucas hoje as pessoas que aceitam falar no assunto. Os mais corajosos (muito poucos) temem processos por difamação.
Atribuir a autoria dos assassinatos aos “fascistas” é muito pouco. Lembrar o Padre Max e a Maria de Lurdes em datas sonantes pode ser um gesto inegável de boas intenções, mas, já que não é possível punir os criminosos, prestar “culto” às vítimas, só para “consumo interno”,  retarda o necessário esclarecimento quanto aos factores políticos, culturais e sociológicos que levaram ao recurso ao homicídio contra dois alvos quietos.
A nosso ver, a bomba da Cumieira foi um crime do “Estado democrático” contra o próprio “Estado democrático”.
Vejamos:
O sonho revolucionário do “Portugal vermelho” terminara cinco meses antes, com o 25 de Novembro de 1975, e com a consequente prisão e fuga para o estrangeiro de militantes revolucionários. Para a concretização deste objectivo – da chamada “normalização democrática” –,  os ditos “partidos moderados”, o Conselho da Revolução, o Grupo dos Nove, alas militares e até alguma da extrema-esquerda dissidente tinham-se aliado a gente da pior espécie, numa panóplia de gostos e objectivos: admiradores  convictos do Estado Novo e da ordem católica ultra-conservadora, antigos elementos da PIDE/DGS, operacionais da rede bombista de extrema-direita (exemplo: MDLP), membros de instituições do Estado e, sobretudo  e em perfeita ligação àqueles, grupos de indivíduos que tinham sede de poder e de dinheiro,  muitos deles vindos das antigas colónias e que eram hábeis em tráficos e armas. Estes ligavam-se àqueles, não com interesses meramente ideológicos, mas manipulavam o “lirismo fascista” dos primeiros; gente que vestia fato branco, óculos de sol,  brilhantina no cabelo, dirigentes desportivos com ambição a lugares em autarquias, conduziam carros topo de gama, gente que tinha vindo do nada e que se tinha associado a gente poderosa, entre falências e vigarices,  e que se preparava para introduzir o tráfico em Portugal a partir de África e de alguns países da Europa. Tinham aprendido com outros que, mesmo mal formados e  mal alfabetizados, seria possível enriquecer de qualquer maneira. Eram os “novos-ricos” – o novo capitalismo –, já que os velhos monopólios tinham sido desarticulados na noite de 11 de Março de 1975. Acreditavam, muitos dos nossos “democratas”, que estes cidadãos iriam fazer o “milagre económico”, de recuperação do país, em que, por ironia do destino, iria assentar o Estado Social de Abril.
Esta gente, de facto, tinha feito o “trabalho sujo” no chamado Verão Quente de 75, com o assalto e incêndio a sedes de partidos de esquerda no Norte, atentados à bomba, mortes, a chamada “Matança da Páscoa”, a “Maioria Silenciosa", etc… etc… Conquistada a “normalidade democrática”, por obra e graça destes grupos, estes passaram a exigir um espaço próprio no novo xadrez social, numa guerra interna de interesses  que fazem lembrar os grupos de descontes no seio da Nobreza e do Clero na Idade Média. Aliás, esta “aliança” aconteceu em muitas das democracias de estilo ocidental. Por exemplo, com o fim do antigo regime da URSS e a abertura ao estilo ocidental, as redes mafiosas do Leste fazem parte do “milagre económico” daquela região do mundo.
E que teve o Padre Max a ver com isso?
Nada! Completamente nada!
Maximino era um revolucionário… Mais revolucionário cultural do que político-partidário. Em França bebeu as ideias do Maio de 68; no Evangelho encontrou a opção preferencial pelos pobres. Encantava a juventude com o seu dinamismo. Romântico nas ideias, utópico na sua visão do mundo, pus em causa todo o conservadorismo, dizia o que pensava, vestia calças de ganga, transportava os alunos no seu carro, recusava o habitual estatuto de “abade”… Uma pessoa assim pode ser muito inconveniente, mas não é má pessoa… O padre Max não era bombista, não acreditamos que quisesse a ditadura do proletariado. Tinha um conceito de democracia mais avançado do que muitos, o da participação directa dos cidadãos. Mesmo ameaçado, estava consciente dos perigos que corria, amava a vida e o semelhante de igual forma. Um homem assim é grande demais para caber num partido ou numa religião. Fosse ou não versejador, o Padre Max era um poeta. Geneticamente falando. Trazia a Utopia nas veias. Ao longo da História, foram estas pessoas que fizeram andar o mundo e a Humanidade.
Se Maximino tivesse concorrido pelo PCP, certamente, não o teriam escolhido para a morte. Não estariam interessados em fazer um “mártir” de um partido bem organizado, com força no país suficiente para fazer do caso uma nova “Catarina Eufémia”, desta vez em Trás-os-Montes.
Escolheram um homem que apoiava um partido pequeno. Como tal, foi mais fácil não se descobrir a verdade. Escolheram o Padre Max como poderiam ter escolhido outra figura carismática, com o objectivo de demonstrarem ao Estado que, afinal, aqueles que tinham sido usados pelas “forças moderadas” para o “trabalho sujo” contra os revolucionários tinham, agora, capacidade e força suficiente para matar quem quer que fosse e da forma mais aparatosa. Escolheram um revolucionário; para outra vez, escolheriam uma figura mais próxima do sistema. Encerrar-lhes definitivamente as portas poderia desencadear mais atentados, mais mortes, e a “normalização democrática” voltaria estar em causa.

O MUNDO MARAVILHOSO DOS GRAFFITIS (29OUT2015)