AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

QUE TEME O POVO !?

PASSOS COELHO COM AS SUAS POLÍTICAS DE ATAQUE E DESTRUIÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS DO POVO, PASSOS COELHO COM AS SUAS POLÍTICAS DE MISÉRIA E AUSTERIDADE UNIU OS PORTUGUESES SEM QUERER.

SÓ QUE É UNIÃO NA PRÁTICA NÃO SE CONFIRMA POIS OS PORTUGUESES SÃO COM ZUMBIS, PARECEM CANSADOS E MORTOS E NÃO REAGEM.

NÃO SEI SE É MEDO, SE É COVARDIA, SE É RECEIO DE QUALQUER COISA QUE NÃO CONSIGO ALMEJAR.

QUE PERDEM OS PORTUGUESES EM MANDAR PARA A RUA QUEM OS EXPLORA, ROUBA E OS REMETE À ESCRAVIDÃO.

QUE PERDEM OS MILHARES DE DESEMPREGADOS.

QUE TEME ESTE POVO QUE NUNCA MAIS ACORDA !?

AG

VÍDEO - NÃO DAR POSSE A UMA MAIORIA DE ESQUERDA SERIA COMO UM GOLPE DE ESTADO


Para o presidente do Instituto do Direito Económico Financeiro e Fiscal (IDEFF) há uma semana.



Para o presidente do Instituto do Direito Económico Financeiro e Fiscal (IDEFF), em Portugal, "não estávamos habituados a estas negociações, mas é normal". Paz Ferreira acredita que "Costa está a negociar de boa fé para os dois lados", mas admite que "teria de conseguir grandes concessões da esquerda". O presidente do IDEFF defende também que, se houver entendimento entre PS, BE e PCP, "o Presidente terá de dar posse a uma maioria de esquerda senão seria um golpe de Estado".

vídeo

clique na seta para abrir





Câmara da Moita vai criar hortas no Vale da Amoreira


Parque hortícola terá 81 parcelas, que serão atribuídas a residentes no concelho até ao final do ano. Três vão para associações locais.
Autarquia prevê que em meados de 2016 já poderão ser colhidos vários produtos
A Câmara da Moita está a preparar a criação do parque hortícola no Vale da Amoreira, projecto orçado em cerca de 95 mil euros e que vai criar 81 parcelas de terreno, informou fonte da autarquia nesta quinta-feira."O Parque Hortícola do Vale da Amoreira está em fase de construção e prevê-se a atribuição das parcelas até ao final de 2015. Três destas parcelas de 100 metros quadrados, destinam-se a associações locais com as quais foram estabelecidas parcerias para garantir a dinamização de actividades complementares à actividade de cultivo", disse à Lusa Miguel Canudo, vereador na Câmara da Moita.
O autarca frisou que o investimento total neste projecto é de cerca de 95 mil euros e adiantou que já foram efectuados trabalhos no local, como a "limpeza do terreno, remoção de materiais diversos, instalação de contentores marítimos para uso colectivo, colocação de tampa de protecção aos poços e colocação de uma vedação, para delimitar a área de intervenção".
O projecto contempla uma área ampla de cerca de 23.000 metros quadrados, localizada entre o cemitério e o Campo Municipal de Futebol do Vale da Amoreira, dispondo de 81 parcelas com áreas de 50, 100, 150 e 200 metros quadrados. "Este projecto irá dispor de 78 parcelas para o mesmo número de agregados familiares e três parcelas para associações. No total, estima-se que haverá cerca de 580 beneficiários directos. A maioria são residentes no concelho da Moita, nomeadamente no Vale da Amoreira, havendo também uma pequena parte que reside no concelho do Barreiro", afirmou.
No âmbito do projecto, a autarquia avançou também com uma candidatura à EDP Solidária, de modo a conseguir um parceiro que investisse no Parque Hortícola do Vale da Amoreira. "Prevê-se que em meados de 2016 deverá haver colheitas de vários produtos. Espera-se, ainda, o envolvimento dos utilizadores e da comunidade em actividades que têm como fim último a valorização do trabalho realizado nas hortas, num contexto de promoção da coesão social", concluiu.

OLHÓ AVANTE ! O PCP tem um incontornável papel na luta pela alternativa - Inquietação e ódio de classe

OLHÓ AVANTE !
O PCP tem um incontornável papel na luta pela alternativa
Inquietação e ódio de classe
Vivemos sob o impacto dos resultados das eleições de 4 de Outubro, num quadro político novo e de desenvolvimento incerto em que, uma vez derrotadas as leituras e os cenários da noite eleitoral visando impor a continuidade do Governo PSD/CDS, os poderes dominantes desencadearam uma fortíssima campanha política e ideológica para impedir a interrupção do actual curso abertamente reaccionário e destruidor.
Não é de estranhar que, nesta campanha, os ataques ao PCP, do mais primário e cego ao mais sofisticado anticomunismo, ocupem o primeiro plano, pois se tornou evidente aquilo que sempre tem sido escondido e negado: o incontornável papel o PCP na luta por uma alternativa a décadas de política de direita. A surpresa e o susto são evidentes.
Disseram-se e escreveram-se em catadupa dislates que já raramente se viam. Soaram proclamações anticomunistas carregadas de ódio, dignas do tempo do fascismo. Ressuscitaram-se os espectros que desde Marx tiram o sono às classes exploradoras. Insistiu-se na falsificação do processo da Revolução portuguesa. O «perigo» de soluções governativas em que o PCP possa de algum modo estar envolvido foi agitado em todas as suas modalidades, a começar pela catástrofe económica e financeira resultante da reacção dos «mercados» e das «instituições» estrangeiras a quem a política de direita tem vendido Portugal.
E enquanto uns, que nada conhecem da história do PCP e da sua capacidade para, mesmo nas mais complexas situações, encontrar os caminhos que melhor sirvam os interesses dos trabalhadores, especulam surpreendidos com o que chamam de «viragem táctica» e até de «abraço de urso» do PCP ao PS; outros, esperando talvez poder perturbar as suas fileiras, vêem na coerente intervenção do PCP para soluções que fechem as portas ao criminoso caminho que o Governo PSD/CDS tem protagonizado, o abandono do seu programa eleitoral e mesmo da sua natureza de classe e identidade revolucionária.
Não vamos polemizar com aqueles que, tanto de um ponto de vista de direita, com tiques fascistas, como de «esquerda», verbalista e pseudo-revolucionária, disparam sobre o PCP todo o tipo de atoardas. A história, a coerência revolucionária do PCP, o reconhecido respeito dos comunistas portugueses pela palavra dada falam por si. Mas é oportuno chamar a atenção para duas questões de fundo.
Duas questões
A primeira. A luta pelo socialismo é um processo complexo, irregular e acidentado, com etapas e fases intermédias e comportando surpresas e viragens inesperadas. E mais ainda nos tempos duros que vivemos, em que no quadro do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo crescem os perigos do fascismo e da guerra. Mas não há fatalidades. Grandes perigos coexistem com grandes potencialidades transformadoras e revolucionárias. São as massas e a sua luta que decidem do curso da História. Da luta de classes acabam sempre por sair soluções para os problemas colocados pelo desenvolvimento social.
Esta realidade está presente na situação política portuguesa. A derrota eleitoral do PSD/CDS e as possibilidades abertas pela nova arrumação do quadro político-partidário, têm a marca decisiva, não apenas da excelente campanha política de massas que a CDU realizou, mas sobretudo da luta persistente e corajosa travada pela classe operária e pelas massas populares. Aqueles que procuraram transformar a derrota do PSD/CDS numa vitória e diminuir o alcance do avanço da CDU, estão confrontados com a realidade dos factos: quer queiram ou não, em Portugal há uma grande força, o PCP, que conta e contará sempre decisivamente na evolução do País e que está preparado para assumir todas as responsabilidades que o povo português queira atribuir-lhe. É isso que justamente inquieta a classe dominante.
A segunda questão é inseparável da primeira. No que tem sido dito e escrito sobre o PCP há muito de surpresa, preocupação e insegurança. Mas há sobretudo pendor antidemocrático e ódio de classe. Surge mesmo quem reclame a ilegalização dos comunistas. Se tal acontece perante um simples diálogo para examinar possibilidades de entendimentos com objectivos ainda limitados, o que não tentaria uma reacção condenada à derrota se estivéssemos – e não estamos – perante a eminência da alternativa patriótica e de esquerda necessária para inverter o desastroso rumo actual da vida nacional.
A conclusão é óbvia. Os comunistas têm diante de si tarefas particularmente exigentes, não podem contar com soluções fáceis, têm de estar preparados para todas as situações. Mas unidos em torno do Programa do Partido «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal», intensificando a luta de massas e reforçando o seu grande colectivo partidário, estreitando a sua ligação com as massas, com confiança nos ideais do socialismo e do comunismo, acabarão por vencer todos os obstáculos que, como é o caso das campanhas anticomunistas, se erguem no seu caminho.
Albano Nunes
Membro do Secretariado

PCP admite “significativas diferenças” nas reuniões com PS


Editorial do Avante! intitulado "Podem contar com o PCP" reafirma legitimidade do PS para formar Governo.
NUNO FERREIRA SANTOS
Se tem havido parcas declarações de Jerónimo de Sousa ou de outros responsáveis do PCP sobre as actuais negociações entre comunistas e socialistas, o editorial do jornal Avante! vem esta quinta-feira admitir a existência de “significativas diferenças” entre os dois partidos que têm estado presentes nas reuniões, e fala num “esforço de exame das possibilidades de soluções políticas”.Mesmo que, depois de tal esforço, não seja possível os dois partidos chegarem a um compromisso, nem tudo terá sido em vão. “O que dizemos é que, não sendo possível a convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, nada obsta a que o PS tome a iniciativa de formar governo e entrar em funções”, lê-se no texto do jornal dirigido por Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política do PCP.
A ideia tem sido repetida à exaustão pelos comunistas desde que, na noite das eleições, Jerónimo de Sousa defendeu publicamente que era António Costa quem tinha todas as condições para formar Governo e não Pedro Passos Coelho.
“O PCP reafirma que há uma maioria de deputados que constituem condição bastante para a formação de um governo de iniciativa do PS, que permite a apresentação do programa, a sua entrada em funções e a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura”, vinca ainda o Avante! no editorial intitulado “Podem contar com o PCP”. E cita o discurso de Jerónimo de Sousa num comício, no Porto, há dias, para avisar que o PCP “não abdicou nem abdica de lutar por uma política que responda de facto aos direitos dos trabalhadores e do povo”.
O editorial do Avante! considera também “inaceitável” o que designa como “operação em curso que visa marginalizar o PCP enquanto força de alternativa”, ao mesmo tempo que condena que possa ser questionada a legitimidade do partido de poder integrar uma solução de Governo – ou pelo menos um compromisso parlamentar. No texto, criticam-se também os que fazem ressurgir o “anticomunismo” só porque se sentem “incomodados com o crescente prestígio, influência social e reforço” do partido.
Num artigo de opinião publicado na mesma edição do Avante!, Albano Nunes, membro do secretariado do Comité Central, refere-se a esta atitude como “ódio de classe” em relação ao PCP e afirma que há até quem “reclame a ilegalização dos comunistas”. Uma atitude exagerada, já que actualmente se está apenas perante um “simples diálogo para examinar possibilidades de entendimentos com objectivos ainda limitados”, descreve o dirigente comunista.
O que o leva a questionar o que fariam os críticos do partido se se estivesse perante a “eminência da alternativa patriótica e de esquerda” de o PCP conduzir – ou determinar – os destinos do país.

www.publico.pt

3 VÍDEOS QUE MOSTRAM O PODER DA MAQUILHAGEM


















VÍDEOS








E o Portas, coitado?



E o Portas, coitado? 

De qualquer das formas e das aparências, a Coligação de Direita sofreu uma amolgadela. 

A Direita desconcentrou-se e não consegue dissimular o pavor que a invade com a perspectiva de perder o poder. Um pouco por todo o lado da sociedade portuguesa, jornalistas a soldo, comentadores chilros, políticos enjaulados em preconceitos e ignorância demonstram uma inquietação que o desenvolver dos factos parece justificar. 

Na segunda-feira, uma parangona do Correio da Manhã, "Passos convida Costa para o Governo", aumentava as características desse sentimento. 

É o ponto mais delicado e espinhoso da cedência e da desavença. Costa respondeu que os desacordos são insanáveis. 

Os dados estão definitivamente lançados, e o percurso da atoarda e do medo retoma a sua rotina, recuperando do velho arsenal do anticomunismo as peças obsoletas que fizeram história. 

Mas o tempo é outro e o que foram instrumentos de terror e de manutenção do poder tornaram-se grotescos. Já não causam engulhos (a não ser os fantasmáticos) as coligações das esquerdas. 

A Guerra Fria acabou, o capitalismo venceu acaso momentaneamente, e a História tem caminhado com os sobressaltos explícitos em guerra e revoltas ocasionadas por um ‘sistema’ que não aplaca a feroz voracidade comportada em si mesmo. 

A relação que o PS tem estabelecido com o PCP e o Bloco de Esquerda faz parte desse movimento natural das coisas e dos interesses. 

Talvez Passos Coelho se tivesse apercebido do inevitável, do "não há nada a fazer", e da obstinação política que leva António Costa a quebrar o elo tradicional da ‘alternância’ sem ‘alternativa’ responsável por ter conduzido a pátria à exaustão da miséria e ao espanto da desesperança. 

Entre outras, uma pergunta a fazer: na hipótese delirante de Costa ter aceite a oferta, o lugar e a função seriam, naturalmente, de vice-primeiro-ministro; então, que fazer com Paulo Portas? É certo que ele elevou o CDS-PP a um estatuto de poder não correspondente à dimensão e influência do partido. 

Mas aprendeu quem ensina que em política não há gratidão, e o que é hoje pode não o ser amanhã. De qualquer das formas e das aparências, a Coligação de Direita sofreu uma amolgadela, ao proceder a este convite estanho e de resultados previsíveis. 

Passos Coelho estrebucha e, para sobreviver, pelos vistos é capaz de tudo. Diz-me quem sabe que Portas não conhecia a natureza profunda da proposta. 

Mas Portas não passa de um sobressalente.

 http://www.cmjornal.xl.pt

Pensões por invalidez: não há limites para a perversidade de PSD/CDS - A obsessão de atacar os mais fracos chegou ao impensável: o alvo de última hora são os pacientes de doenças crónicas e incuráveis.



A verdadeira obsessão do (ex) ministro Mota Soares em atacar os mais fracos atingiu o impensável com o decreto-lei nº 246/2015, de 20 de outubro, que vem dificultar em muito o acesso a uma pensão de invalidez, no regime especial, aos pacientes de doenças como a sida, o cancro, as doenças de Alzheimer e Parkinson ou a esclerose múltipla.
Reparem bem na data: o decreto-lei foi publicado esta terça-feira, no momento em que o governo PSD/CDS já não existe politicamente, e em que o país se prepara para o próximo governo onde, tudo indica, Mota Soares não terá lugar.
Aprovação à socapa
Aliás, a cronologia da aprovação do decreto é bastante significativa. Em junho, Mota Soares anunciou que o governo estava a preparar alterações ao regime especial de pensões por invalidez, argumentando que havia doenças crónicas que não eram contempladas, injustamente, pela lei em vigor. Citou a Fibromialgia, para dizer que a lei iria mudar de critérios: em vez da doença, verificar-se-ia o estado do paciente.
Depois, o decreto-lei foi aprovado em Conselho de Ministros a 13 de agosto de 2015, no meio do tradicional mês de férias. E foi publicado agora, no apagar das luzes do governo.
Situação de dependência ou morte num período de três anos”
Só com a publicação os portugueses puderam conhecer os novos critérios de atribuição de pensões por invalidez no regime especial. Ei-las: é preciso que o candidato à pensão:
– Tenha incapacidade permanente para o trabalho que não possa ser resolvida por “produtos de apoio e adaptação” (?);
– Tem de padecer de uma doença “de causa não profissional ou de responsabilidade de terceiros”;
– E essa doença tem de ter uma previsão clínica de que vai evoluir “para uma situação de dependência ou morte num período de três anos”.
Este último item é de tal forma macabro que se torna difícil comentá-lo. Que médico irá assumir que um paciente vai evoluir clinicamente para uma situação de morte num período de três anos? E por que três anos e não dois ou quatro? Quais os fundamentos para este prazo? Não há.
O objetivo é gastar menos
E não há porque o verdadeiro objetivo do ministro Mota Soares não é corrigir “injustiças”, mas sim gastar menos com as pensões de invalidez.
Se aplicadas rigorosamente, estas supostas “condições objetivas” retiram do acesso à pensão especial quase todos os pacientes de Doença de Parkinson, exceto os que já estiverem num grau avançadíssimo da enfermidade.
Vejamos: salvo exceções muito especiais, não se morre de Parkinson – logo, uma condição já não se aplica. Trata-se de uma enfermidade que tem sobretudo um diagnóstico clínico, e cada caso é um caso, que evolui de forma específica. Nenhum médico faz previsões para três anos – não porque não queira, mas porque não tem os instrumentos para o fazer. Assim, se for estritamente aplicada a nova lei, só irá abranger os pacientes de Parkinson que já estejam em situação de dependência, isto é, que não podem fazer sem ajuda os mais simples movimentos quotidianos – levantarem-se, virarem-se na cama, ir à casa de banho, vestir-se, falar. Os outros, ora, são uns privilegiados, de que se queixam?
Falei sobre a Doença de Parkinson porque é a que conheço melhor, mas os exemplos poderiam multiplicar-se em moléstias que têm em comum serem crónicas e incuráveis, e que pendem sobre os pacientes, muitos deles ainda jovens, como uma Espada de Dâmocles sempre presente e que um dia pode cair.
Derrubar o decreto iníquo e cobarde
E é por isso que, sim, estas doenças faziam parte de uma lista que justificava o regime especial de invalidez. Se Mota Soares achava que a Fibromialgia devia fazer parte dessa lista, podia fazer um decreto-lei para incluí-la. As Doenças de Parkinson e Alzheimer foram apenas incluídas em 2009, por uma iniciativa do Bloco de Esquerda aprovada pela Assembleia da República. Sublinhe-se: aprovada pelo Parlamento e não através de um decreto-lei publicado à socapa.
Espero que o Parlamento que toma posse sexta-feira derrube este decreto iníquo, cruel e cobarde o mais cedo possível.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net

Inquieto e pertubador: GANGSTERS



GANGSTERS

GANGSTERS
por José Goulão
"O memorando de Powell revela que um ano antes de a invasão do Iraque se ter iniciado os Estados Unidos e o Reino Unido já tinham decidido que a fariam. Prova-se assim que as sanções contra o povo do Iraque, os arremedos de negociações e as célebres provas sobre a existência de armas de destruição massiva em território iraquiano – que o mesmo Powell se encarregou de fabricar e levar à ONU – foram manobras e mistificações para servirem de pretexto a uma decisão já tomada. A reunião das Lajes, que o governo barrosista de Portugal se dispôs a acolher, adquire, a esta luz, contornos ainda mais vergonhosos para a diplomacia portuguesa e europeia, porque se fez para fingir ao mundo que ia tomar-se uma decisão já tomada. Um faz-de-conta que, daí a dias, proporcionou o início de uma chacina de milhões de seres humanos, ainda longe de estar concluída."
No meio de documentos que a Srª Hillary Clinton foi obrigada a entregar à justiça norte-americana no quadro das investigações de que está a ser alvo, por causa do desempenho como secretária de Estado de Obama, estão papéis arrepiantes. Como este: um “memorando secreto” enviado em Março de 2002 pelo então secretário de Estado, Collin Powell, ao seu presidente, George W. Bush, assegura que a realização de uma guerra contra o Iraque teria sempre o apoio do primeiro-ministro britânico, ao tempo Tony Blair. “O Reino Unido seguirá a nossa liderança”, escreveu Powell, garantindo assim a Bush que poderia começar a preparar a guerra ao receber Blair no seu rancho de Crowford, o que aconteceu em finais desse mesmo mês de Março.
Esta informação, que corre agora tranquilamente pelas agências noticiosas internacionais, tem o conteúdo de uma bomba, mas não é como uma bomba que explode aos ouvidos e olhos dos cidadãos mundiais, duvida-se até que chegue ao conhecimento da maioria deles.
O memorando de Powell revela que um ano antes de a invasão do Iraque se ter iniciado os Estados Unidos e o Reino Unido já tinham decidido que a fariam. Prova-se assim que as sanções contra o povo do Iraque, os arremedos de negociações e as célebres provas sobre a existência de armas de destruição massiva em território iraquiano – que o mesmo Powell se encarregou de fabricar e levar à ONU – foram manobras e mistificações para servirem de pretexto a uma decisão já tomada. A reunião das Lajes, que o governo barrosista de Portugal se dispôs a acolher, adquire, a esta luz, contornos ainda mais vergonhosos para a diplomacia portuguesa e europeia, porque se fez para fingir ao mundo que ia tomar-se uma decisão já tomada. Um faz-de-conta que, daí a dias, proporcionou o início de uma chacina de milhões de seres humanos, ainda longe de estar concluída.
Nesse mês de Março de 2002 já as tropas da NATO se atolavam no conflito do Afeganistão para supostamente combater os talibãs, que por sua vez acolhiam o terrorista Bin Laden, um criminoso criado pelos serviços secretos dos Estados Unidos e que este mesmo país identifica como responsável pelo 11 de Setembro de 2001. Ao virar a mira contra o Iraque, os gangsters de Washington – versão engravatada dos pistoleiros do velho Oeste para consumo do novo Oeste – chegaram a acusar Saddam Hussein de ser cúmplice de Bin Laden e respectiva Al-Qaida, quando os dois eram inimigos fidagais, como não demorou muito a provar-se. Mal os Estados Unidos e os seus mais sonantes aliados da NATO tomaram Bagdade e enforcaram Saddam, o território iraquiano tornou-se base de uma miríade de grupos terroristas na qual não apenas medraram muitas variantes da Al-Qaida como nasceu o famigerado Estado Islâmico.
Documentos como este “memorando secreto” de Collin Powell ajudam a perceber como se promovem as guerras de hoje. Para lançar as da Líbia e da Síria nem terá sido necessário um qualquer escrito de um qualquer secretário de Estado: a porta da mentira estava escancarada.
O Médio Oriente, que já era um barril de pólvora nesse mês de Março de 2002, degenerou num foco de instabilidade militar no meio do qual é fácil detectar rastilhos mais do que suficientes para uma guerra global. Os responsáveis são conhecidos e deveriam estar a contas com tribunais que punem crimes contra a humanidade. Porém, George W. Bush e Collin Powell vivem reformas douradas; de Barroso conhecemos o rasto, desde as malfeitorias à cabeça da Comissão Europeia até ao Grupo de Bilderberg, areópago da conspiração imperial, onde ganhou assento permanente.
E Blair? Treze anos depois te ter comunicado que “seguiria o líder” na devastação do Médio Oriente é o chefe do Quarteto para o mesmo Médio Oriente, entidade burlesca que, fiel aos interesses israelitas e aglutinando os Estados Unidos, a União Europeia, a ONU e a Rússia, finge que a chamada comunidade internacional continua à procura de uma solução para o conflito israelo-palestiniano.
Não só por causa dessa burla, mas também, assiste-se à situação cínica e revoltante de ver a bandeira da Palestina ondular nos mastros da sede da ONU numa altura em que o povo palestiniano está cada vez mais distante do seu Estado independente e viável.
Somos governados por gangsters e mentirosos.
Fonte: Mundo Cão

Mais de um terço dos deputados são estreantes


Mais de um terço dos deputados que compõem a nova Assembleia da República fazem a sua estreia no parlamento esta sexta-feira, na primeira sessão da legislatura, ao lado de 104 parlamentares que transitam da anterior sessão legislativa.
 
JOÃO RELVAS/ LUSA
Joana Mortágua, à esquerda, é uma das caras novas do Parlamento

Dos 230 mandatos que compõem o plenário da Assembleia da República, 81 cadeiras serão distribuídas por deputados estreantes, nos quais se insere André Silva, a representar o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), de acordo com os resultados definitivos das eleições legislativas.


Entre os 35% de lugares ocupados por caras novas contam-se maioritariamente socialistas. Porfírio Silva, Eurico Brilhante Dias, Mário Centeno, Graça Fonseca e Alexandre Quintanilha são alguns dos que integram o grupo dos estreantes, no qual se insere também o presidente do Partido Socialista e antigo deputado à Assembleia Regional dos Açores, Carlos César.
A bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, aquela que mais vai crescer nesta legislatura, de oito para 19 deputados, vai acolher pela primeira vez Joana Mortágua, Domicilia da Costa e Jorge Manuel Falcato, entre outros.
Em relação à última composição do parlamento, são 104 os deputados que se mantêm em funções na XIII legislatura, que tem início na sexta-feira, dia 23 de outubro, o que representa 45% dos lugares.
Os restantes 45 mandatos foram atribuídos a deputados que já passaram pela Assembleia em anteriores sessões legislativas, como é o caso do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, do vice-primeiro-ministro Paulo Portas e de alguns ministros e secretários de Estado.
A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ou o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, são alguns destes casos.
Também a secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral, o secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, ou o secretário de Estado da Administração Interna, João Pinho de Almeida, foram de novo eleitos deputados à Assembleia da República.
A Assembleia da República que resultou das eleições de 04 de outubro reúne-se na sexta-feira e elege o presidente, competindo ao PSD a sugestão de um deputado que interinamente dirija os trabalhos até essa eleição se concretizar.
A primeira sessão do novo parlamento tem de ser marcada, de acordo com a Constituição, para três depois após a publicação dos resultados eleitorais
.

A DOMESTICAÇÃO DO LOBO - VÁRIAS INTERPRETAÇÕES

Primeiros cães surgiram na Ásia central há 15 mil anos



Afinal, os lobos não começaram a ser domesticados na Europa, mas sim na Ásia central, há cerca de 15 mil anos, possivelmente onde hoje se situa a Mongólia e o Nepal.
PAULO JORGE MAGALHÃES/GLOBAL IMAGENS

O mais recente estudo sobre a origem dos cães, desenvolvido por uma equipa de investigadores da universidade norte-americana de Cornell, em Nova Iorque, concluiu que a domesticação dos lobos não sucedeu na Europa, como indicava um estudo anterior.
"O cão foi uma das primeiras espécies domesticadas. Encontramos provas de que isso sucedeu na Ásia Central há uns 15 mil anos", disse Adam Boyko, que liderou a investigação agora revelada na revista da Academia das Ciências dos Estados Unidos da América.
O estudo foi feito com base em cinco mil cães oriundos de 38 países. Desses, 4676 eram de raça pura e 549 de raça indefinida ou animais com uma mistura de várias raças. Foram os chamados "rafeiros" que mais informação genética e histórica forneceram aos investigadores.
Segundo Adam Boyko, originalmente, homens e lobos caçavam grandes mamíferos na Ásia central, mas o aumento da população humana e as mudanças climáticas, entre outros fatores, foram provocando a diminuição de animais para caçar. Gradualmente, os lobos foram se aproximando dos locais habitados por humanos à procura de comida, dando início ao processo da domesticação.
À luz das novas conclusões, o estudo anterior realizado na universidade finlandesa de Oulu, por Olaf Thalmann, perde validade. Segundo esta investigação, publicada em 2003, os primeiros cães surgiram na Europa.

DO LOBO AO CÃO

SERÁ QUE FOI NA EUROPA QUE TUDO COMEÇOU ?


Foto Do lobo ao cão: será que foi na Europa que tudo se passou?
estudo publicado hoje na revista Science revela uma nova resposta para uma pergunta bastante mediática: onde é que os cães foram originários?
Há um consenso bastante geral de que os cães são descendentes de lobos (Canis lupus) os quais começaram a seguir – ou foram domesticados por – humanos. Esta teoria tem sido contada de gerações em gerações, mas onde e quando é que tal aconteceu é alvo de um debate que quase parece ser infindável.
E há boas razões para tal. Os dados morfológicos não são esclarecedores: os primeiros cães pareciam-se com os lobos, mas hoje em dia alguns cães ainda o parecem. Além disso, tal como nos humanos, os cães são viajantes astutos e, como tal, rastreá-los é uma tarefa difícil.
Os dados genéticos também parecem contraditórios. Em 2002, Peter Savolainen, do Royal Institute of Technology na Suécia, relatou na revista Science que a domesticação do cão ocorreu no sul da China há cerca de 15 mil anos atrás. A análise de fragmentos de DNA mitocondrial de cães da actualidade revelou que a grande diversidade genética nos cães poderia ser encontrada nessa região chinesa, sugerindo que foi aí que o cão terá tido a sua origem.
O DNA mitocondrial passa das mães para os seus filhos e filhas, e é frequentemente utilizado para rastrear as linhagens maternas nas populações humanas, bem como noutras espécies animais.
Durante anos, esta pareceu ser a resposta à pergunta. No entanto, em 2010, surgiu umnovo estudo na revista Nature conduzido por Robert Wayne, da Universidade da Califórnia. Wayne e a sua equipa chegaram à conclusão que os cães não tinham a sua origem na Ásia, mas sim no Médio Oriente. O problema do artigo publicado anteriormente é que a diversidade genética, embora seja um indicador de confiança para estudar as origens do Homem em África, tem menos expressão quando aplicada aos cães, diz Dr. Wayne – o qual também esteve envolvido no artigo publicado este ano. A elevada migração, tráfico e criação dos cães afecta drasticamente a diversidade genética e é complicado saber que genes é que foram adquiridos onde e quando, explica o doutor.
Ao invés, Wayne e os seus colegas investigaram o genoma mitocondrial dos cães e dos lobos actuais. No entanto, os resultados destes estudos foram rapidamente descredibilizados pois concluiu-se que os cães não estão relacionados com os lobos actuais mas sim com os lobos ancestrais. Ou seja, comparar o DNA dos lobos modernos com o genoma dos cães não irá dar qualquer pista acerca da origem do cão.
Assim, Dr. Wayne juntamente com Olaf Thalmann, um geneticista da Universidade de Turku, na Finlândia, resolveu utilizar não só genomas actuais como ancestrais. A equipa analisou o DNA mitocondrial de 18 canídeos pré-históricos com cerca de 36 mil a mil anos de idade. Estas sequências foram depois comparadas com o DNA mitocondrial de 49 lobos, 77 cães e 4 coiotes actuais.
Depois, todas as espécies foram colocadas numa árvore genealógica. O mapa mostrou que os canídeos ancestrais europeus foram agrupados nos grupos dos cães actuais, sugerindo que os nossos companheiros de quatro patas são originários de lobos outrora extintos na Europa. A análise molecular aponta também que tudo terá acontecido há 18.800 e 32.100 anos atrás.
Estas descobertas são consistentes com os registos fósseis, dado que as espécies de cães mais antigas são da Idade da Pedra na Bélgica e na Rússia, diz Wayne.
Dr. Wayne adiantou que a domesticação do lobo provavelmente ocorreu nos grupos de caçadores-recoletores. Os lobos passaram a seguir os grupos de caçadores e a alimentar-se das carcaças de animais. Com o tempo, aproximaram-se dos humanos para acabar por evoluir em conjunto com estes, dando origem aos cães, sustenta o estudo.
A investigação publicada na Science não vai terminar com a controvérsia científica sobre a origem dos cães. Devido à baixa variabilidade das amostras e à dificuldade de se provar a origem a 100 % de algumas delas que estão na base dos estudos, é complicado encontrar respostas certas ou que, pelo menos, agradem a “gregos e a troianos”.
Como todas as conclusões se basearam somente no DNA mitocondrial, o próximo passo, segundo Thalmann, será estudar o DNA nucleico das espécies ancestrais.
Fonte: CS Monitor
www.doglink.pt

Quando a evolução é muito, muito rápida

É lugar-comum pensarmos nas mudanças evolutivas como algo que leva milhares, milhões de anos para acontecer. Quem de nós já não ouviu, em nossas épocas de colégio, um professor de biologia dizer “esse processo não se dá da noite para o dia”, ou “essa transição demorou milhões de anos para ocorrer”. De fato, a ideia de que mudanças aparentemente inexplicáveis são possíveis quando associadas a um intervalo de tempo suficientemente longo foi um dos grandes trunfos da biologia evolutiva em sua aurora (período cuja figura central era Charles Darwin), época em que a biologia evolutiva lutava para se mostrar válida não apenas fora mas principalmente dentro do meio científico e acadêmico. O raciocínio, bastante familiar para quem já estudou a história da biologia evolutiva, é bem simples, e foi tomado de empréstimo da geologia: se pequenas forças, agindo por um período de tempo suficientemente longo, foram capazes de imensas alterações na estrutura geológica da terra, o que a seleção não poderia fazer com os seres vivos, dado um intervalo de tempo igualmente longo?
Dessa forma, quase todos nós que lidamos direta ou indiretamente com a biologia evolutiva colocamos em nossas cabeças que intervalos de tempo suficientemente longos são capazes das mais maravilhosas e absurdas modificações anatômicas e fisiológicas. Não há nada de errado com esse raciocínio, que por sinal está corretíssimo. O problema é outro: achar que mudanças morfológicas, e principalmente mudanças drásticas, requerem sempre intervalos de tempo longos. Os professores de biologia evolutiva, entre os quais eu me incluo, são peritos em usar milhões de anos para qualquer coisa: “Após alguns milhões de anos, as plantas colonizaram a terra”, “após alguns milhões de anos rastejando, surgiu a simetria bilateral”, “os vertebrados terrestres, após alguns milhões de anos fora d’água, desenvolveram o ovo amniótico”. Estamos tão fixados nos milhões de anos que costumamos quase sempre associar mudanças evolutivas (alguns perceberão o pleonasmo) a grandes intervalos de tempo. Mas nem sempre é o caso.
Há exemplos de processos evolutivos excepcionalmente rápidos, e não apenas nos cursos superiores, mas também nos colégios: A seleção de bactérias sob o uso de quimioterapia antibacteriana é um caso muitíssimo famoso. Mas aqui estamos lidando com um organismo extremamente simples, procariótico, unicelular, morfologicamente bem pouco complexo e cujo ciclo reprodutivo é bastante rápido. Não é exatamente desse tipo de organismo e desse tipo de evolução que eu quero falar. Quero evidenciar que alterações morfológicas em organismos anatomicamente complexos também podem ocorrer em intervalos de tempo muito menores do que imaginamos. Bem menores.
Já escrevi previamente sobre isso nessa postagem, e o organismo em questão, curiosamente, era o próprio ser humano. Contudo, o exemplo que eu agora quero dar é, ao meu ver, bem mais interessante que a cor da pele em seres humanos: o processo de domesticação dos lobos e das… raposas!
Bem, estava um dia desses dialogando com um colega sobre o processo de domesticação do lobo, que deu origem a essa variedade do lobo denominada cão (o cão não é, perceba-se, uma espécie diferente do lobo), processo esse que ocorreu provavelmente uma única vez, há aproximadamente 15 mil anos, na Ásia central. A própria discussão que estávamos tendo, sobre quando ocorreu a domesticação do lobo, é um assunto bem interessante para a biologia evolutiva e sobre o qual quero me debruçar brevemente, numa postagem futura. Por hora, voltemos ao assunto: estávamos discutindo sobre a cronologia do processo de domesticação do lobo quando eu aleguei que a domesticação é um processo evolutivo bastante rápido, se considerarmos a intensidade e a complexidade das mudanças ocorridas. Não demora milhões de anos, nem milhares de anos, nem mesmo centenas de anos: Pode ter se dado em poucos anos, em um par de décadas apenas. Não é impossível que, durante a vida de um único homem do paleolítico inferior, cuja expectativa de vida ao nascer ultrapassava os 30 anos e, aos quinze anos de idade, ultrapassava os 50 anos (bem mais que a do homem do neolítico, pós-revolução agrícola, saliente-se), esse homem tenha presenciado um lobo completamente selvagem e agressivo ter originado, em sucessivas gerações, um cão dócil e companheiro. Certamente, eu não estou afirmando que isso se deu assim: estou apenas afirmando que não é um cenário completamente impossível e absurdo.
Até onde eu saiba, não há experiências modernas de domesticação de lobos selvagens. Porém, há uma experiência bem conhecida, a famosa “fazenda de raposas domesticadas” da Sibéria, que pode trazer informações valiosas acerca do processo de domesticação dos lobos.
O experimento foi idealizado por Dmitri Belyaev, na década de 50, na Rússia. A fazenda e o experimento ainda existem, atualmente sob o comando de Lyudmila Trut, do Instituto de Citologia e Genética, em Novosibrisk. Como quase tudo na Rússia após o desmantelamento pós-União Soviética, o projeto está financeiramente ameaçado. Das 700 raposas domesticadas que a fazenda possuía na década de 90, só restam 100, e a principal forma de captação de dinheiro é a venda internacional de raposas domesticadas como animais de estimação (coisa que eu deploro).
Belyaev começou seu experimento de domesticação com raposas prateadas (Vulpes vulpes) criadas para a extração de pele. As raposas são animais extremamente assustados e cautelosos na presença de um ser humano, e a própria criação de raposas para extração de pele (uma canalhice que perdura nos dias de hoje) já exerce uma certa seleção, porque não é incomum que o estresse do cativeiro as mate. Belyaev media a docilidade dos animais pela distância que eles permitiam que um humano se aproximasse, antes de tentar fugir. A partir dessa medida, ele passou a cruzar apenas as variantes mais dóceis. Belyaev não tinha contato com as raposas, e evitava fazer carinho ou brincadeiras com os filhotes (que certamente perderiam o medo de humanos), para assegurar que a diferença de docilidade entre as raposas fosse predominantemente genética, e não aprendida. Segundo o Wikipedia, já na décima geração, 18% das raposas estavam classificadas na categoria mais dócil (de quatro categorias estipuladas por Belyaev); na vigésima geração, 35% das raposas estavam na categoria mais dócil.
Quase 50 anos depois, os resultados são impressionantes. O vídeo abaixo mostra uma raposa prateada domesticada, sendo acariciada:
O mais interessante, e esse fenômeno havia sido previsto por Belyaev, é que a seleção para o comportamento tem grandes consequências morfológicas. A ideia básica é que os genes que controlam o comportamento estão posicionados bem alto na hierarquia genética, e dessa forma uma seleção comportamental pode acarretar uma série de modificações morfológicas. Mas, além disso, há algo importantíssimo ocorrendo, a pedomorfia. Ao selecionar as variedades mais dóceis, é possível que estejamos selecionando as variedades que mantém o comportamento e a morfologia juvenil por mais tempo: em primeiro lugar, pelo simples fato de que os jovens são mais dóceis e brincalhões e menos assustados e defensivos. Além disso, os jovens, com sua cabeça desproporcional e seus grandes olhos, atraem mais facilmente a nossa simpatia e compaixão. Morfologicamente, o crânio de um cão adulto assemelha-se mais ao crânio de um lobo jovem que ao de um lobo adulto.
Mas há ainda mais coisas curiosas ocorrendo. Nem lobos nem raposas costumam balançar o rabo. Que os lobos domesticados (ou seja, os cães) balançam o rabo, todos nós sabemos. Mas não se esperava que raposas domesticadas também balançassem o rabo. Clique no vídeo abaixo, um pouco mais longo que o anterior, e, por favor, avance até 2 minutos e 10 segundos. Observe os grandes olhos redondos e o rosto juvenil (pedomorfose) dessa raposa… agora, observe seu rabo! Veja como ela o agita quase igual a um cão! Darwin já havia notado que animais domesticados, mesmo de espécies bastante distintas, tendiam a sofrer modificações anatômicas e fisiológicas semelhantes…
Realizando um exercício mental de adivinhação apenas retórico, creio que nesse momento você deve estar considerando que o experimento da fazenda de raposas é um experimento deliberado, enquanto a domesticação dos lobos foi um fenômeno acidental e não premeditado, realizado por homens ignorantes do fim do paleolítico. Dessa forma, a domesticação da raposa prateada pode ter durado apenas um par de décadas, mas a domesticação do lobo demoraria milhares de anos para ocorrer. Bem, minha opinião, e esse é o ponto central desta postagem, é que as coisas não precisam ser bem assim. Em primeiro lugar, convém considerarmos que os homens do fim do paleolítico, os famosos homens das cavernas, são morfológica e mentalmente indistinguíveis dos homens modernos (há até quem ache que foram mais inteligentes, como discuti numa postagem anterior). Além disso, não há sentido em distinguirmos seleção natural e seleção artificial (também já discuti esse assunto numa postagem anterior).
Mas o mais importante é que, enquanto Belyaev não mantinha contato com suas raposas, para estimar mais adequadamente a herdabilidade da característica (trata-se de um conceito técnico em genética e em biologia evolutiva), o processo de domesticação do lobo certamente envolveu o contato dos filhotes com seres humanos. Se, por um lado, esse contato prévio com os filhotes dificulta o aumento da frequência dos genes para docildade (uma vez que variantes mais agressivas mantém-se mais dóceis quando próximas do ser humano, devido à estampagem e ao aprendizado enquanto filhotes), por outro lado ele pode ter favorecido uma seleção extremamente forte em favor da pedomorfose, imaginando uma situação em que os filhotes dóceis, caso se tornassem adultos agressivos, seriam expulsos dos assentamentos ou mesmo mortos.
Obviamente, seria um exagero meu afirmar que a domesticação do lobo se deu com toda certeza em poucas décadas, num período menor que a própria longevidade média de um homem do paleolítico inferior (apesar de não ser algo impossível). Mas certamente não levou milhares de anos, muito menos milhões de anos. Trata-se de um processo evolutivo com grandes modificações morfológicas e comportamentais, e que ocorre num intervalo de tempo bem menor do que costumamos supor.
Post scriptum: vasculhando a internet, achei esse artigo da American Scientist de 1999, escrito pela própria Lyudmila Trut, a atual responsável pelo experimento de domesticação russo.
biologiaevolutiva.wordpress.com