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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

OLHÃO: UMA VITORIA DO POVO!

António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão, aproveitou o facto de ser reposta a passagem de nível, de forma condicionada, para gritar como vitoria sua aquilo que é de outros.

Depois de e na ausência de respostas por parte da CMO, a antiga REFER, hoje Infra - Estruturas de Portugal, decidiu encerrar unilateralmente a passagem de nível.
Acontece que o Povo de Olhão, indignado, a isso se opôs desde o primeiro dia e cada vez que tentavam vedar o acesso, o dito Povo, logo destruía os obstáculos. Perante isso a REFER e a CMO não tinham outro remédio senão entenderem-se, procurando resolver a situação.
Mas esquece o Pina que a solução ainda é condicionada, ficando a passagem de nível, oficialmente, encerrada no período entre as 10:00 e as 06:30 da manhã.
Este encerramento, ainda que parcial, vai contar novamente com a oposição de uma parte do Povo, que muito provavelmente, o não permitirá, destruindo os obstáculos se disso for caso.
Aliás, nem o próprio Pina diz como será quando estiver resolvido a plataforma no interior do túnel; será que a passagem superior vai ficar aberta nos mesmos moldes ou se será para fechar, apenas abrindo quando houver cheias? É que se ficar encerrada, muito provavelmente, terá o mesmo desfecho que tem tido até aqui.
Certo é, que o Povo ousou lutar e vencer esta batalha, reabrindo sistematicamente a passagem superior. Bem pode o Pina cantar vitoria, que essa pertence sim àqueles que mantiveram a passagem aberta.
Cabe ao Povo tirar as ilações que entender justas e aplicá-las em muitas outras situações com que vai ser confrontado nos tempos mais próximos com outras lutas, talvez mais graves. como os despejos nas casas de habitação social, a poluição na Ria Formosa ou na possibilidade de avançarem com as demolições nas ilhas barreira.
O Povo de Olhão tem de interiorizar a ideia de que só a luta lhes pode trazer vitorias. Esse é o caminho! e devem bradar bem alto contra todos os que lhes querem tirar todos os seus direitos, que basta tirar-lhes um:  o direito à propriedade!


REVOLTEM-SE, PORRA!

olhaolivre.blogspot.pt

O Presidente manda calar os conselheiros


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As fontes da Presidência da República andam a querer mostrar quebebem do fino. mas o Presidente veio metê-las na ordem  (a propósito vale a pena ler o que algumas dessas fontes escreviam em 2011 sobre o governo Sócrates).
Desta vez, os conselheiros do Presidente  não se consertaram e vieram para os jornais mostrar que afinal a presidência até se parece bastante com o País na divisão quanto à decisão a tomar pelo Presidente. Talvez não seja um mau sinal.
A  divisão de opiniões abrange, pois, vários sectores da vida do País: patrões contra governo de esquerdatrabalhadores a favor; jornalistas  e comentadores (aqui a divisão pende maioritariamente a favor de governo da coligação); PS (seguristas contra governo de esquerdacostistas a favor)…..e assim por diante, tendo em conta aqueles cujas posições são públicas.
Seja como for, o debate a que estamos a assistir,  contribuirá certamente para a literacia constitucional dos portugueses. Foi inesperado verificar que meio País ficou em pânico por ver o líder do segundo partido mais votado negociar com os partidos à sua esquerda, tentando encontrar uma solução de governo para o caso de o líder da coligação vencedora  mas sem maioria no parlamento, não o conseguir.
Foi igualmente inesperado verificar que muitos querem uma democracia pluralista mas não reconhecem a alguns partidos o direito de participarem em soluções governativas. E, mais inesperado ainda,  que o PCP meta tanto medo!

vaievem.wordpress.com

Eu so sei viver assim

Casa del Pueblo

Casa del Pueblo



Nunca vi nada que se parecesse com Punta del Este: uma cidade fantasmagórica com 20.000 habitantes, que se enche com 500.000 por mês durante o Verão. Como este ainda não chegou, há milhares e milhares de apartamentos e de moradias vazios, totalmente às escuras quando a noite cai, lojas fechadas ou que abrem umas horas por semana, transportes que não funcionam. 

Talvez ainda venha a dizer algo sobre habitações faraónicas por que passei hoje, mas prefiro falar do Museo Taller Casapueblo que funciona num conjunto arquitectónico extraordinário da autoria de Carlos Páez Vilaró, uma das glórias do povo uruguaio. 

CPV nasceu em Montevideu e morreu em 2014, com 90 anos. Viajou pelos quatro cantos do mundo, foi amigo de Picasso, Dali, Calder, Vinícius de Moraes e muitos outros. Homem de sete ofícios, dedicou-se não só à pintura, escultura e cerâmica, mas também ao cinema e à literatura. 

Em 1958, decidiu construir uma casa por cima das falésias de Punta Ballena e levou 40 anos a concretizar o projecto. Por mais que o próprio tenha sempre negado qualquer influência de Gaudi, é neste que se pensa assim que se avista a fachada, as torres, os terraços. Seja como for, nenhum mérito é por isso abalado ao percorrer o conjunto labiríntico de salas, hoje transformado em museu, e ao ver por fora uma parte hoje transformado em hotel e outra que é a casa onde a família continua a viver. 

Ficam algumas fotos que mais não fazem do que sugerir uma pálida imagem da realidade.



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entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt

Plenário Nacional de Sindicatos enche o Fórum Lisboa


plenário de sindicatosA CGTP-IN realizou, hoje, dia 15 de Outubro, um grande Plenário Nacional de Sindicatos, no Fórum Lisboa. Foi dos Plenários sindicais mais participados dos últimos tempos, contou com a participação de dirigentes e delegados vindos de diversos pontos do país e, também, com o entusiasmo de todos aqueles que se reviram na vitória alcançada, no passado dia 4 de Outubro, com a luta dos trabalhadores e que derrotou a coligação do Governo PSD/CDS.
No Plenário identificou-se que a nova correlação de forças na Assembleia da República, potencia melhores condições para responder aos inúmeros problemas e desafios com que os trabalhadores e o povo estão confrontados e proporciona uma situação mais favorável para dar continuidade à luta pela afirmação dos direitos e valores de Abril.
Porém, a CGTP-IN não deixou de alertar para a necessidade dos partidos que dispõem, agora, de uma maioria parlamentar que respeitem e assegurem a vontade de mudança e convirjam na efectivação de uma política que coloque os interesses dos trabalhadores e do povo como elementos estruturantes para a coesão económica e social e o desenvolvimento do país.
As conclusões do encontro poder-se-ão sintetizar em sete pontos:
1. Intensificar a intervenção nos locais de trabalho dos sectores privado, público e empresarial do Estado, exigindo resposta positiva às reivindicações de melhoria das condições de vida e de trabalho, realizando para o efeito as lutas necessárias para a concretização destes objectivos;
2. Reforçar a acção sindical integrada, fortalecendo a organização de base e adoptando medidas específicas para aumentar a sindicalização, promover a acção reivindicativa, a defesa e melhoria da contratação colectiva e alargar, ainda mais, a influência dos sindicatos;
3. Solicitar reuniões aos partidos políticos com representação parlamentar para apresentar os eixos estruturantes da Política Reivindicativa da CGTP-IN para 2016 e reclamar que dêem suporte legislativo;
4. Prosseguir as comemorações do 45º aniversário da CGTP-IN, que assumem maior relevância num tempo de luta pela valorização do trabalho, pela justiça social e pelo desenvolvimento do país. Uma acção alicerçada no carácter de classe e de massas deste movimento sindical, que se reforça com o aprofundamento da unidade, independência, democracia e solidariedade;
5. Apelar aos trabalhadores e à população para que se associem ao desfile “Sim à Paz / Não aos exercícios militares da NATO!”, a realizar no dia 24 de Outubro, em Lisboa, às 15h00, da Rua do Carmo para a Praça Luís de Camões;
6. Saudar a Inter-Reformados e o seu 25º aniversário, que se comemora no dia 10 de Novembro e, por seu intermédio, reafirmar a solidariedade inter-geracional da CGTP-IN com todos os reformados e pensionistas, pelo direito a pensões valorizadas e a uma vida digna;
7. Planificar, em simultâneo com o desenvolvimento e intensificação da acção reivindicativa e da luta, o trabalho de discussão e envolvimento dos activistas sindicais e dos trabalhadores na preparação do XIII Congresso da CGTP-IN, que se realiza nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 2016, em Almada.
Via: CGTP-IN

SENTADO NAS COSTAS DO POVO


O cardeal-patriarca considera «mais natural» que haja um acordo entre o PSD/CDS e o P”S”. Diz, ainda, o cidadão religioso, que tem como profissão de fé optar pelos mais fracos, que «sobretudo me preocupa é que, se alguma instabilidade continuar, possa pôr em causa alguma consolidação que efectivamente se tem feito, atendendo aos dados que vão sendo publicados».
Disse-o sem vergonha na cara. Mentindo como um intragável trampolineiro que é.
Ficamos a saber que é “natural” para sua eminência, que um governo que destruiu um país em 4 anos, que desgraçou um povo, deixando-o à míngua, tenha a sua complacência, mesmo tendo em conta que actuaram contra a Constituição, ao serviço de uma potência estrangeira? Estranho patriotismo ou manifestação da sua opção clara pelos poderosos?
Sobre a inconcebível palração da sua frase aspada em cima, o cristianíssimo senhor cardeal mente, mente, mente. Sendo um brilhante intelectual, como é gabado por toda a direita católica, não poderá argumentar que ignora a verdade dos factos. Basta-lhe, para que não tenha muito trabalho, ler com mera regularidade (por exemplo) os excelentes e veros trabalhos elaborados por Eugénio Rosa, sobre a pobreza e o consequente opróbrio da sociedade portuguesa exangue, para que lhe exijamos mais serenidade, mais comedimento e, principalmente, RESPEITO pelos que sofrem: o povo, os pobres, os velhos, as crianças vítimas do ataque selvático perpetrado em 4 anos de poder da extrema-direita.

Guilherme Antunes (facebook)

NÃO HÁ NINGUÉM















VÍDEO

Ser e não ser: eis a questão dialética!



por Daniel Henrique
"O próprio capitalismo não foge à regra, vejamos, dentre as várias contradições nas quais o capitalismo encontra ele têm no socialismo sua contradição antagônica, mas antes mesmo de destinar – se ao enfrentamento dialético contra o socialismo, o capitalismo já se contrapunha ao feudalismo, assim como o feudalismo se contrapunha ao modelo social anterior e assim sucessivamente. É perceptível dentro do próprio capitalismo essas contradições, representadas pela luta de classes que ao subdividirem se, tomam para e entre si relações de contradição/contraposição."
Através dos tempos, o ser humano buscou das mais diversas maneiras entender o mundo que o cerca impondo certos mecanismos para isso. Um deles é a lógica, que nada mais é que a forma pela qual o homem busca validar determinados modos de raciocínios, que por sua vez, buscam explicar de forma material o mundo real, a realidade em si com tudo que a mesma engloba, desde o objetivo ao subjetivo.
E ao explicar a Lógica, chegamos a abordar o cerne do presente texto que procura validar a dialética como uma lógica dinâmica, a qual não procura negar a lógica formal aristotélica, mas fugir da binaridade: Verdade absoluta ou Verdade relativa, colocando um patamar transitório entre as duas.
O pensamento dialético, não busca imputar à lógica aristotélica uma “falsidade” epistemológica, e sim apontar o caráter unilateral da mesma, que cristaliza o ser ao não enxergar as relações que o mesmo tem consigo e com o que o cerca. O método dialético supera essa insuficiência quando entende o ser como um processo, como puro movimento, realizando esta façanha sem cair no relativismo de uma suposta negação da lógica formal, negação esta que não existe.
O cerne da ontologia dialética é a compreensão de que tudo é dotado de contrários e contradições, tanto internamente, quanto em relação as diversas e infindas partes da realidade, chegando a uma máxima que pode ser exprimida pela frase: A possibilidade de algo ser lógico implica necessariamente no devir contraditório de tal objeto. Logo entende se a priori que a dialética trata do movimento da matéria, da sua constante mudança, da inerente condição ser/ não ser de todas as coisas. Mas mesmo o uso da lógica dialética, não ocorre necessariamente na negação da lógica formal aristotélica. 
É axiomático o uso da lógica formal aristotélica na compreensão das contradições, afinal, assim como o ser deixa de ser, primeiramente ser, é uma condição sine qua non para que ele venha a não ser, ou seja, para que ocorra o pensamento dialético, o ser que é e que deixa de ser, há de haver um ser que é propriamente a priori. Por exemplo, peguemos o átomo e o subdividamos em suas partes constituintes: O próton, o nêutron e o elétron. Um próton é um próton, um elétron é um elétron, assim como um nêutron é um nêutron, todos iguais a si mesmo, e ao mesmo tempo, mesmo estes sendo iguais a si mesmos, possuem entre si e em si, relações de dependência e contradição. Por exemplo, o próton e o nêutron constituem o núcleo do átomo, compartilhando o mesmo número de unidades, com o intuito de manter a estabilidade dentro do átomo, os prótons agindo na atração dos elétrons e os nêutrons atuando dialeticamente na repulsa de tais elétrons, e ainda há a contraposição do núcleo ser formado por dois elementos distintos: O próton e o nêutron que por sua relação de contraposição e contradição em relação a si mesmos e à eletrosfera mantêm a estabilidade do átomo. Ou seja, a dialética não atua negando a lógica formal aristotélica, mas complementando o caráter unilateral da mesma. A dialética não “atola” a concepção da verdade como faz a lógica formal, ela a dinamiza, toma para si a máxima de ir do simples a complexo, onde o que é sempre se utiliza do que se foi, substitui o que ele nega, superando – o de maneira dialética.
Tudo o que existe “morre”, trazendo consigo os elementos de sua própria destruição, ou melhor dizendo, de sua alocação da matéria de determinada coisa em outra, afinal, justamente a condição de ser implica inexoravelmente na condição de não ser. Mencionando outro exemplo, Einstein é bastante dialético quando explica a existência de uma relação espaço-tempo, quando ele a faz, ele menciona que a massa interage neste processo, e que além disso, que a massa e a energia envolvidos no processo, são estados diferentes do mesmo, já que as mesmas apresentam uma relação de igualdade, diferenciando – se na temporalidade na qual as unidades hora se dão como massa, hora como energia. Dizendo de outra formas: Toda massa é em potência energia, assim como toda energia é em potência massa.
Retomando a questão da lógica formal, a insuficiência da lógica aristotélica em tratar das questões do plano ontológico é ponto pacífico a todos, pois até o próprio Aristóteles concebia as limitações de sua lógica. Ao mesmo tempo este ponto pacífico, inicia uma geração de paradoxos e aporias ( De salientar que a aporia mencionada remete única e exclusivamente ao significado clássico atribuído por Aristóteles de igualdade de conclusões contraditórias, em nenhuma parte a aporia aqui referida se submete ao significado pós moderno de Indecidibilidade).
E na percepção da insuficiência da lógica formal, os críticos atacam a dialética, a descredenciando como ciência devido a impossibilidade da mesma em ser exprimida em todas as áreas da ciência. Mas ora, tomemos a questão da identidade entre lógica e realidade, a mesma também não pode ser exprimida em todos os campos da ciência humana, mas somente a suposição de sua existência é que permite uma compreensão objetiva do universo das coisas, a objetividade do conhecimento depende desta relação lógica – realidade, sem a mesma teríamos de pensar no método transcendental como método válido, aí uma compreensão de mundo correta seria difícil, para não dizer impossível.
Mas a grande problemática que afeta a compreensão da dialética, no séc XXI principalmente, é a facilidade de passagem de uma visão realista, que pode entender se também como dogmática ( A exemplo á visão da lógica formal refutando a dialética ) para uma visão Hiper relativizadora, o relativismo absoluto, já que o padrão objetivo do conhecimento é desprezado e tudo acaba por cair num reducionismo abstrato onde tudo é opinião e discurso.
Tomemos Henri Lefebvre, um marxista radical neta área de transpor a dialética a todo reino das coisas. O mesmo desenvolvia um projeto de fundamentação de todo o saber sob a tutela da lógica dialética, desde a música até à física. Ele pretendia compilar este feito em 11 volumes, mas acabou por parar em sua introdução. Lefebvre usa para justificar este ” fracasso” uma afirmação de uma oposição entra a Lógica Formal e a Lógica dialética, mas não colocando como uma oposição de negação de uma pela outra, mas uma oposição de esferas, tal qual, tomando uma analogia com a física, em certas esferas a Lei de Newton deve ser utilizada, em outros a Teoria da Relatividade de Einstein. O que apreende – se desta problemática de Lefebvre é a compreensão de que a dialética não é a negação da lógica aristotélica, muito pelo contrário, a lógica formal é a base de sua fundamentação, o exemplo elucida bem isto a partir da compreensão de Lefebvre de que há uma certa objetividade do princípio de identidade e não contradição de Aristóteles.
Muitas destas confusões que derivam em torno da dialética se pautam na obscuridade que muitos têm para com 3 planos da Ciência da Lógica que são: O Conceito, a Essência e o Ser. A visão dos que advogam pela lógica formal coloca o plano do conceito como sendo puramente lógico e o plano do ser sendo puramente ontológico, com isso cai – se no erro de colocar como uma impossibilidade a identificação entre lógico e ontológico (O que leva a uma negação da ontologia) que é o que Hegel, desmistifica ao identificar o Real e o Racional. Tais acepções formalísticas caem no erro ao, pela cosmovisão cristalizada das coisas, não enxergar a realidade como um processo, separando erroneamente, como colocado acima, a lógica do plano ontológico, adotando assim um posição positivista/neopositivista que ao abordar a realidade sem a cosmovisão ontológica, cai num espelhamento parcial da realidade, ocasionando assim em concepções errôneas do real.
O que Hegel tenta fazer é propriamente pensar o movimento, o próprio devir do real com as categorias e instrumentos teóricos que ele forja para isso. Não se trata de uma simples relativização da lógica Aristotélica, pelo contrário ele a mantém. Ela é um momento na formação do conceito, ela é ferramenta do plano lógico, da subjetividade para pensar a realidade, para identificar racional e real.
Outra grande falácia bem recorrente sobre a dialética é a de que “Contradição é uma coisa conceitual que existe apenas no nível discursivo”. Engels é certeiro quando diz que ” O que falta a estes senhores é a dialética!”, já que tal afirmação atesta a ignorância acerca da totalidade do conceito hegeliano. Quando falamos de dialética, há de se ter o entendimento de que a mesma não trata somente a possibilidade de contradição no discurso, já que está inserido na dialética hegeliana o sentido de contraposição também. Um algo que se contrapõe a outro, é e está internamente constituído de contradição/contraposição, seja consigo mesmo, seja com algum outro “algo”.
O próprio capitalismo não foge à regra, vejamos, dentre as várias contradições nas quais o capitalismo encontra ele têm no socialismo sua contradição antagônica, mas antes mesmo de destinar – se ao enfrentamento dialético contra o socialismo, o capitalismo já se contrapunha ao feudalismo, assim como o feudalismo se contrapunha ao modelo social anterior e assim sucessivamente. É perceptível dentro do próprio capitalismo essas contradições, representadas pela luta de classes que ao subdividirem se, tomam para e entre si relações de contradição/contraposição. Logo percebe -se que esta visão da contradição como sendo algo apenas conceitual só é possível para quem observa a realidade como algo sem contraposição, sem contradição, o que, frente a dinâmica dos processos que regem a realidade, torna- se um discurso vazio. Os “advogados de Aristóteles” remetem uma incoerência a quem adota uma visão dialética do universo das coisas, mas a incoerência não estaria em adotar um discurso de que a partir de um real cheio de contradições haveria uma “realidade” discursiva que não represente esta contradição? Remeter a dialética como se a mesma fosse algum tipo de lógica pós moderna relativista é o ápice da ignorância acerca da mesma, dizer que o ser é e não-é ao mesmo tempo não pressupõe cair no relativismo. O que se exige é a percepção da transformação daquilo que é visto positivamente como dado e que, neste sentido, é um dado em transformação. A negação deste pensamento se dá a partir da visão cosmológica da cristalização da realidade, da insuficiência da lógica formal em tratar das problemáticas de forma eficaz, sejam elas ontológicas ou até mesmo lógicas, já que a mesma as aborda de modo superficial.
Olhemos em um exemplo. Uma porta é uma porta, estando aberta ou fechada. A contraposição de estar aberta ou fechada ainda não dá conta da contradição interna da porta que está deixando de ser, que está “morrendo” passando pela transformação inerente ao seu ser que está em relação com o real onde está inserido. Além disso, ela se opõe aos demais elementos do real: o portal, a parede, o lado de fora e de dentro do espaço em que foi colocada. A sua positividade de ser porta não existe sem a própria negatividade de não ser os demais elementos. E uma porta em si, isolada de tudo, só “existe” no mundo das ideias, no mundo conceitual, no mundo do discurso. No real ela só existe em relação e, portanto, em contraposição com os demais elementos do real. A sua materialidade só é possível em relação. Além disso, internamente ela é composto de átomos que estão em relação entre si e entre os demais átomos fora da porta.
A vida e a morte, teriam elas contradição entre si? É claro que sim, diferentemente dos que advogam que o ser somente é e é, a vida é morte e não é. A morte é parte da biologia e fim do momento vivo da matéria. É claro que o olhar pode dizer que não há contradição entre claridade e escuridão, pois tudo seria a mesma coisa, mas é claro que este olhar estaria meio obscurecido. Se há dois elementos (corpo vivo e corpo morto, p. ex.) não identidade, lembrando que o mesmo corpo quando vivo já não é o mesmo quando morto. Assim, o corpo que é já estava deixando de ser. Era e não era apenas um corpo vivo. E ao mesmo tempo que há uma retomada de Parmênides por parte dos formalistas na concepção do ser que é é é e é, há um resgate de Heráclito que contrapõe esta visão cristalizada da realidade neste ponto também: A contradição entre a aparência e a essência. Aparentemente um corpo vivo é apenas um corpo vivo e não um corpo morrendo. O que aparenta ser apenas vivo é e não é vivo, posto que está também em degeneração, inclusive com parte dele mesmo morrendo para que outras mantenham-se vivas. É justamente este o ser e o não ser. E a questão não apenas de olhar científico biológico, mas de reflexão filosófica sobre viver e morrer. É claro que o discurso que se pauta na aparência do ser é e apenas é não ultrapassa o limite dos dois adjetivos, morto e vivo. A substância é ela em movimento e não apenas fixada pelo adjetivo e daí o tempo e a contradição como elementos fundadores da substância. O conceito de dialética não se trata apenas, portanto, de uma contradição conceitual entre o que se diz e o que se nega no discurso.
Indo mais afundo nas críticas dirigidas à dialética encontramos em especial um nome comum: Karl Popper. Popper baseia sua crítica a partir de uma pressuposição de um determinado modelo epistemológico ‘infalseável’ como critério para validação, tentando encaixar um cubo numa forma esférica, onde sua ” teoria refutadora” se utiliza de uma esquemática de procedimentos dedutivos que tem o objetivo de convergir para o fim da refutação das teorias em questão, onde toma – se como critério de demarcação a falseabilidade, que advoga que, para uma asserção ser refutável ou falseável, a mesma, a priori, deve ser passível de observação ou de uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa. O problema desta teoria reside na questão de que estamos tratando de um problema filosófico, o qual não pode ser simplesmente observado, ou experimentado. Fora isso, a crítica popperiana vai além, ela abarca todo o espectro das ciências humanas, inclusive os métodos mais ortodoxos de historiografia, bem como da filosofia no geral, impedido qualquer tipo de hermenêutica. No mais,a crítica do Popper é carregadíssima de discurso ideológico, basta ver como reflexo do seu neopositivismo a ” Escola Americana de Ciência política” que adota o típico pitagorismo neopositivista, que através da matematização do real, termina em um espelhamento mecanicista e parcial da realidade levando a um reducionismo da mesma à termos matemáticos como o ” fogo do saber” onde todo o resto seria resquícios de ‘ não – ciência’. A forma empirista da experimentação formulada, não se aplica como por exemplo, ao marxismo, pois Marx descreve uma teoria social, abordando uma realidade social, por este mesmo motivo que nenhum economista consegue realizar uma análise da realidade social de forma satisfatória, não a partir deste termo de ” experimentação”. Chega a ser hilariante essa histeria de Popper em justificar seu liberalismo, pena que seus argumentos são tão hilariantes quanto seu discurso.
Por fim, na Filosofia da História, Hegel ressalta a idéia de suprassunção, e aí há uma menção à uma palavra em especial: Aufheben ou Aufhebung. Ela significa ao mesmo tempo supressão, conservação e elevação, e é interessante a partir daí notar a infinidade de Aufhebungen na dialética hegeliana, já que o suprimir, conservar e elevar são o cerne do sistema lógico de Hegel. Desde a suprassunção da esfera biológica pela racional tendo como consequência o emergir do ser social, até o status de ” mediador” (A suprassunção do devir (vir – à – ser ), [‘Aufheben des Werdens’]) entre o Sein e o Dasein, a meta categoria do Aufhebung é resumidamente a expressão do movimento dialético, do caráter transitório do processos nos quais a realidade está submetida, da dialética em si.
Esta é a questão dialética, ser e não ser, compreender a dinâmica dos processos da realidade, “fugir” do atolamento da verdade, entender os patamares transitórios, para que a partir da compreensão das contradições e das consequentes contraposições no universo das coisas, possamos não só especular uma mudança nos rumos da sociedade, que cada vez caminha para a obscuridade, mas que a revolucionemos, carregando sempre a luz da razão.
por Daniel Henrique
Fonte: Nova Cultura

VÍDEOS - HUMOR, DIVIRTA-SE - PAULETTE A GINASTA TRAPALHONA CRIADA POR UM FAMOSO TREINADOR

Paulette Huntsinova, a ginasta trapalhona criada por um talentoso treinador







O técnico de ginástica Paul Hunt de alguma forma conseguiu combinar comédia com ginástica olímpica em uma das mais engraçadas e mais memoráveis performances da história do esporte. Enquanto a maioria das pessoas na ginástica aborda o esporte com o maior foco e seriedade, Paul decidiu que seria melhor fazer as pessoas rirem em vez disso. Ginasta incrivelmente talentoso, Paul chegou a ser campeão nacional em 1972, quando então decidiu ser treinador de nível olímpico.







Enquanto ensinava algumas futuras estrelas olímpicas ele teve a idéia de criar "Paulette Huntsinova". Ao ver os erros mais comuns realizados pelas jovens ginastas que treinava, ele pensou que seria engraçado se vestir como uma delas e executar uma rotina de comédia.








VÍDEOS


Este cara não era apenas um ginasta fantasticamente qualificado, mas sabia também como se divertir, e despertar o riso fácil. E ele instilava esse espírito de diversão em seus alunos, não deixando-os esquecer a razão pela qual eles estavam lá.


A habilidade necessária para intencionalmente parecer atrapalhado não deve ser esquecida, também. Cada cambalhota e queda eram habilmente cronometradas e perfeitamente realizadas. Paulette, ao longo dos anos, entreteve milhares de pessoas em todo o mundo!

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A PRAIA COM 150 QUILÓMETROS DE EXTENSÃO NA AUSTRÁLIA

Podemos encontrar um monte de coisas longas e retas na Austrália: há um trecho da Eyre Highway que tem um retão de 145 km cruzando a planície de Nullarbor; tem a Transaustraliana, uma ferrovia com 478 km de extensão que liga a costa oeste a leste em linha reta -a mais longa do mundo-; a mais longa cerca do mundo, com mais de 5.600 km e também tem a maior praia, conhecida como Ninety Mile Beach, com 151 km de extensão, em Victoria, considerada uma das mais longas praias ininterruptas no mundo.

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A praia de 150 quilômetros de extensão, na Austrália 01
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Antes de falar da praia, deixa eu explicar o porquê da existência desta cerca (3 últimas fotos). Ela é conhecida como Cerca do Dingo (Cerca do Cão) e foi construída como uma grade de exclusão de pragas durante a década de 1880. Em princípio seu objetivo era manter à população de coelhos da Austrália, uma verdadeira praga, longe das terras férteis do Sul, mas ao resultar inútil, pensaram que ao menos serviria para manter longe os cangurus e emus. No entanto, em 1914 foi adaptada para ser a prova de dingos, um subespécie agressiva do lobo cinzento que atacava os rebanhos de ovelhas do Sul de Queensland. Naquela época eram considerados uma peste e foram exterminados em vários estados do Sul. Hoje correm perigo de extinção.

Já a praia situa-se na região de Gippsland no litoral sul-oriental de Victoria, e seus 151 quilômetros (94 milhas) ligam Port Albert ao canal dos lagos Entrance. Atrás da praia existem dunas arenosas que separam os lagos Gippsland -o maior sistema de água no interior do Hemisfério Sul- do Estreito de Bass. A praia se estende até onde os olhos podem ver, é uma das mais naturais e virgens do mundo sem costões ou plataformas rochosas, apenas quilômetros e quilômetros de areia.

Sob a água, as vastas planícies de areia são um refúgio para uma diversificada vida marinha. Na verdade, elas são conhecidas por ter um dos mais altos níveis de diversidade de espécies de qualquer lugar do planeta.

Ninety Mile Beach (ver no Google Maps) atrai um grande número de visitantes a cada ano. As cidades costeiras populares ao longo da costa atendem os turistas e oferecem uma variedade de atividades, tais como camping, piqueniques, observação de baleias e atividades aquáticas. O Parque Nacional Marinho Ninety Mile Beach também está localizado ao longo da praia e ocupa 5 km de extensão do litoral.
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OREMOS


Com o histerismo anti-esquerda que grassa  na comunicação social - dos jornais às rádios, das rádios às televisões, das televisões às redes sociais - não ficaria muito admirado se a Irmã Lúcia aparecesse, amanhã ou depois, nos telejornais das oito para nos lembrar o velho 'Segredo':
“Se atenderem a meus pedidos, a maioria de Esquerda converter-se-á e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.” 



aditaeobalde.blogspot.pt

Clarificação - A simples possibilidade de um entendimento entre o PS e as forças à sua esquerda levou, como seria de esperar, que a direita parlamentar perdesse o verniz e trouxesse para a ribalta velhos medos e insultos que fazem lembrar os tempos em que incitavam ao terrorismo contra os centros de trabalho do PCP, mostrando a sua real base genética.



Quando na última crónica afirmei que vivíamos tempos de clarificação não imaginava que tal se verificasse com a extensão e profundidade que vimos acontecer na última semana.
A simples possibilidade de um entendimento entre o PS e as forças à sua esquerda levou, como seria de esperar, que a direita parlamentar perdesse o verniz e trouxesse para a ribalta velhos medos e insultos que fazem lembrar os tempos em que incitavam ao terrorismo contra os centros de trabalho do PCP, mostrando a sua real base genética.

Eduardo Luciano
No PS, perante a mesma possibilidade, um conjunto de “notáveis”, ex-dirigentes e outros personagens que muitas vezes acusaram o PCP de empurrar o PS para a direita, vêm agora agitar todos os papões, utilizando, nalguns casos, exactamente a mesma linguagem trauliteira, defendendo que o seu espaço natural é o entendimento com a direita ou, pelo menos num dos casos, a querer levar a referendo interno a decisão sobre o campo político no qual o PS quer estar.
Não deixa de ser curioso e esclarecedor que o actual, e o anterior secretário-geral da UGT tenham afirmado que preferiam que o seu partido se aliasse à direita, tornando claras as razões das suas disponibilidades para fazer acordos com o governo e as associações patronais.
É agora claro que a comunicação social está manietada, fazendo de opinião notícia, inventando cenários dantescos perante a possibilidade de um governo suportado por uma maioria parlamentar diferente da que nos governou nos últimos quatro anos, chegando ao ridículo de associar uma queda bolsista a essa possibilidade.
Também ficou claro que na composição dos painéis de fazedores de opinião que vão passando pelas televisões, não há lugar a independência ou equidistância. A esmagadora maioria foi escolhida por estar do mesmo lado, sendo a situação mais escandalosa a que existe no canal público recentemente reformulado.
Sempre foi assim, dirão alguns. É verdade, mas até aqui havia o decoro de fingir que não era bem assim.
Estamos longe de perceber qual será o desfecho deste processo que surgiu de um resultado eleitoral em que a maioria dos eleitores rejeitou a política do governo, sendo que o regresso da política à vida pública é já um dos aspectos mais positivos saídos das últimas eleições.
Por mim, continuo com esperança que seja encontrada uma solução governativa que permita o cumprimento do programa mínimo apresentado pelo PCP e divulgado após a primeira reunião com os dirigentes do PS.
É simples. Basta que todas as posições se clarifiquem.
Até para a semana.
Eduardo Luciano – Crónica DianaFm 15.10.2015